CONTO DAS URTIGAS E DA ROSA

“As Urtigas e a Rosa”

No inverno passado, quando o frio cortava como uma lâmina e as ruas respiravam o hálito húmido da estação, encontrei Filomena. Estava encolhida sob o toldo de um café, de mãos envoltas num xale desfiado e seus olhos lembravam dois poços de desalento. Parecia uma folha seca prestes a ser levada pelo vento.

— “É a Urtência,” sussurrou, o nome escapando-lhe como um lamento. “Dizia ser minha amiga, mas era ciumenta como um espinho. Mexia, intrigava, semeava histórias entre as minhas amigas como quem atira pedras num lago. Elas afastaram-se, e agora só me restam os ecos das suas vozes, cheias de desconfiança.”

Ouvia-a, enquanto o café esfriava entre os meus dedos. Do lado de fora, a voz do povo murmurava nas esquinas, um coro invisível que parecia dizer: “Filomena, cuidado com quem escolhes para abrir a alma. Nem todos merecem a chave do teu jardim.”

— “Há pessoas assim,” respondi, olhando para além da vidraça embaciada. “Feridas que não cicatrizaram, e que, por não suportarem a própria dor, espalham-na como uma praga. Talvez a Urtência tenha sido uma criança que nunca conheceu o sol, e agora, adulta, só sabe criar sombras.”

Filomena apertou o xale contra o peito, como se tentasse conter algo que lhe fugia.

— “Mas porquê? Por que há quem prefira ver o mundo através de óculos escuros, filtrando tudo numa névoa de desconfiança?”

A voz do povo, então, ergueu-se como uma brisa: “Porque há os que nascem urtigas e os que nascem rosas, Filomena. Uns picam para se afirmarem, outros florescem apesar dos espinhos. A diferença está na luz que escolhem deixar entrar.”

E era verdade. A Urtência via o mundo como um espelho partido — cada fragmento refletia apenas a sua própria imagem distorcida. Catava dos outros os defeitos, as falhas, as pequenas misérias, porque era incapaz de suportar o brilho alheio. Pessoas assim, disse-lhe eu, são como terrenos áridos: por mais que chova, não retêm a água.

— “Mas não é culpa dela?” perguntou Filomena, de olhos húmidos.

— “Não é culpa, mas é responsabilidade. A infelicidade alheia não precisa de ser a tua prisão.”

A voz do povo concordou, suave e firme: “Guarda-te, Filomena. Há conversas que são labirintos sem saída, pessoas que são portas fechadas a ferrolho. Não gastes o teu sol onde só há névoa.”

E assim ficou combinado. Filomena aprendeu a distinguir as rosas das urtigas, a ouvir a voz do povo — essa sabedoria antiga que sussurra nos cantos das ruas, lembrando-nos que a vida é breve demais para discussões estéreis.

Quanto à Urtência? Continuou a espalhar os seus espinhos, mas Filomena já não sangrava. Porque, no fim, quem escolhe a luz acaba por encontrar o seu próprio caminho — mesmo que tenha de atravessar um campo de urtigas para chegar lá.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

Texto base:

FILOMENA E A LUTA PELA BONDADE

No inverno passado encontrei-me com Filomena – uma pessoa que lutava pela bondade –  em estado muito infeliz, ela contou-me que tinha uma pessoa (Urtência) que considerava amiga, mas que era muito ciumenta e procurava intrometer-se na vida de suas amigas para dizer mal dela; deste modo a sua relação com as outras amigas começou a diminuir de autenticidade e a tornar-se mais distanciada devido a histórias e trafulhices depreciativas inventadas e contadas às suas amigas sendo assim enevoada a confiança e o sol aberto nas suas relações.

Então eu contei-lhe que há pessoas capazes de tudo; pessoas que talvez tenham tido uma infância infeliz e se tornaram vítimas de situações injustas e são predestinadas a tornar outras pessoas vítimas criando assim uma cumplicidade inconsciente de infelicidade por não terem digerido psicologicamente a má experiência que as traumatizou. Tudo isto, acrescentado a um mundo social que gira mais em torno das aparências e do dinheiro, dificulta cada vez mais o caminho certo da verdade e da retidão. Assim, cada vez rareia mais a hombridade e a honestidade.

Como na natureza não há só flores mas também urtigas e rosas com espinhos e tudo depende do jeito como tocamos nelas. Na vida encontramos pessoas pré-formatadas que usam “óculos escuros” filtrando a realidade das pessoas e dos acontecimentos de maneira sombria segundo a cor da percepção dos seus óculos; pelo contrário, outras de formatação mais maleável, ou de “óculos” mais claros e de caracter mais soalheiro veem a realidade, as pessoas e os acontecimentos com bonomia e de maneira mais soalheira. Isto tem a ver com o caracter adquirido e inato de cada pessoa mais ou menos predisposta à felicidade ou à infelicidade e a uma atitude própria perante a vida; quem não se encontra satisfeita consigo mesma, tem por vezes uma atitude Instável e não aceita a vida como ela é; estas pessoas  catam da vida , dos acontecimentos e das pessoas os aspectos negativos que possam ter sem considerarem os aspectos positivos.

Pessoas infelizes ou incapazes de digerir a própria realidade sobressaem por tenderem a ver o mundo dos outros como elas são e agarram-se a exterioridades ou a coisas ridículas que veem ou projctam nos outros para se sentirem mais elas próprias e o mundo mais conforme a si mesmas. Têm perspectivas curtas e por isso filtram o mundo dos outros pelo seu próprio jeito.

Escolhem do mundo à sua volta os aspectos da vida que podem confirmar a sua maneira de ser porque lhes falta a atitude madura que leva a suportar a vida como ela é.

Pessoas assim não têm culpa de serem como são, mas muitas vezes tornam-se azedas ou passam de um extremo de simpatia para o outro extremo tóxico sem sequer notarem.  Essas pessoas são elas mesmas mais vítimas da própria  história de infância, social e genética e são geralmente hipersensíveis ou falta-lhes a capacidade de compreensão dos outros por viverem demasiadamente centradas nelas mesmas muitas vezes devido a falta de amor, compreensão e carinho na infância.

Pessoas sensíveis devem estar atentas para não se deixarem enredar em discussões com essas pessoas que as conversas se tornarão tóxicas e insatisfatórias para os dois lados.

Há pessoas que não estão preparadas para compreender e apenas conseguem reagir.  Falta-lhes o campo aberto e mentalidade madura suficiente para compreender o ponto de vista da outra pessoa ou um conceito diferente. Pessoas assim, por vezes em eventos ou convívios com outras pessoas não se dão conta de como com suas atitudes ou formas de estar e de tratar ferem pessoas amigas.

Pessoas que se sintam feridas devem evitar entrar em discussão para não mover a negatividade que se encontra mais ou menos forte em cada pessoa e não faz sentido nenhum ou causam remorsos em pessoas mais refletidas. Pessoas com mais deficiências psicológicas são prisioneiras dos próprios sentimentos e da própria visão do mundo e não conseguem ouvir nem compreender, estão formatadas de maneira a não internalizarem nem reflectirem sobre o que veem, pensam ou sentem; estas pessoas apenas reagem, independentemente do que se diz e expressa. Falar para elas é como falar para a parede. Essas pessoas de caracter narrativo podem encontrar parceiros de conversa para si agradáveis desde que sejam da mesma onda.

A vida é tão curta que seria um desperdício de vida perder-se em discussões não construtivas. Nem todas as pessoas e caracteres são compatíveis com uma relação contínua e longa. Por vezes contactamos com pessoas com os mais diversificados currículos psicológicos.  Pessoas de caracter azedo serão agradáveis em primeiros contactos ou em contactos esporádicos porque nesses curtos momentos ainda se trata de circunstâncias estratégicos inconscientes de captação de simpatia para o próprio âmbito de acção. Nesta situação trata-se de encontros de mera cortesia sem se deixar envolver em relação mais profunda. No trato com essas pessoas chega limitr-se aos actos de cortesia.

No memento de querermos estabelecer uma relação a longo prazo, temos de estar atentos se no interlocutor se trata de pessoa benevolente e de campo aberto ou fechada, egoísta, ensimesmada.

A pessoa de caracter benevolente e aberto está aberta ao crescimento e à compreensão vendo sentido em qualquer assunto, mesmo que não concorde.

Um aspecto a ter-se em conta na relação ou discussão é não querer convencer ninguém nem dar conselhos não solicitados!

A relação interpessoal é mais complicada do que parece devido à formatação e ao currículo de vida de cada pessoa além dos problemas inerentes à própria linguagem ou comunicação dado o interlocutor, no seu processo da percepção do que ouve do outro, o perceber já com a conotação do molde receptor.

Por mais lógicos ou verdadeiros que sejam os argumentos, essa pessoa irá distorcê-los, minimizá-los ou rejeitá-los — não porque esteja errado, mas porque o seu condicionamento não a capacita a considerar outra realidade que não a que se afigura ao seu ponto de vista configurado a ideias fixas. Assim há sempre que ter em contas o caracter, as próprias taras e as taras dos ouros. Há pessoas mais fixadas nelas mesmas e não no assunto da discussão e por isso querem apenas ganhar a discussão e neste caso a pessoa mais equilibrada, para preservar a própria paz interior e evitar a animosidade da parceira de diálogo terá de reconhecer por primeiro que não vale a pena perder tempo com argumentos, especialmente em questões pessoais, em assuntos de política ou de religião (nestes casos é melhor não haver conversa!). Cada pessoa tem um nível de vida e de conhecimento e maior ou menor capacidade num assunto ou no outro, mas em certos assuntos que exigiriam maior discernimento como religião e política todo o mundo se sente competente não conseguindo distinguir entre o assunto em si com as suas especialidades e a própria opinião.

Também se encontram, por vezes, pessoas psicologicamente tão perturbadas que é de evitar qualquer conversa séria e em certos casos o melhor é abandoná-las, doutro modo além do mais perde-se tempo e feitio. Pessoas deste género são tão tóxicas que tornam situações sempre perigosas envolvendo na negatividade até pessoas com grande maturidade. Pessoas assim só ouvem o que lhes interessa para poderem atacar o outro.

Apesar de tudo vale sempre a pena lutar por um mundo mais honesto e melhor. Haverá sempre pessoas que frequentaram mais a escola da trafulhice, outras que frequentaram mais a escola da compaixão e outras a escola do silêncio.

Cada um de nós terá que carregar com o seu fardo e em parte ajudar a levar o dos outros.

António da Cunha Duarte Justo

Num dia de Inverno de 2012

 

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FÉRIAS!

Desligar para voltar a ligar…
Assim se abre a janela dos sonhos,
Onde o tempo se faz de brisa suave
E a alma dança ao ritmo do vento.
É tempo de descanso,
De descobrir novas paisagens,
De deixar o coração bater ao compasso
Das ondas, das montanhas, dos horizontes.
O mundo é um livro aberto,
E eu, agora, viro mais algumas páginas,
Pintadas pela natureza,
Escritas pela luz do sol.
Vou embarcar numa pausa prolongada,
Na maravilhosa Quinta Outeiro da Luz, (https://quinta-vacations.com )
Onde a natureza e a tranquilidade se abraçam,
E o silêncio canta melodias de paz.
A todos que passam por aqui,
Desejo dias felizes,
Cheios de sorrisos,
E boas energias a transbordar.
Obrigado por fazerem parte deste espaço.
Até breve, com histórias pra contar!
Um abraço cheio de gratidão,
António Justo
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VIVEMOS EM GUERRA CULTURAL E NÃO OUSAMOS DIZÊ-LO

Urge uma Esquerda pós-materialista e um Conservadorismo activo

A sociedade ocidental vive hoje uma guerra cultural silenciosa, mas profunda, que divide nações, polariza debates e redefine valores. No centro deste conflito está a esquerda (socialismo), que, desde o início do século XXI, abandonou a sua luta tradicional contra o capitalismo e pelos trabalhadores, substituindo-a por uma agenda cultural agressiva centrada em minorias e na desconstrução dos valores ocidentais. Esta transformação, aliada à arrogância das elites políticas e culturais, gerou um distanciamento perigoso entre os governantes e a maioria da população. (Na Europa tanto progressistas como conservadores, em vez de analisarem a necessidade de mudança urgente expressa na eleição de Donald Trump, esgotam-se em conversas de caracter emocional de defesa do status quo sociopolítico!)

A Esquerda e a Guerra Cultural

A esquerda, que outrora se concentrava em questões económicas e na defesa dos trabalhadores, mudou radicalmente de estratégia. A partir da revolução cultural de 1968, e especialmente após o ano 2000, a esquerda passou a priorizar uma agenda cultural, focada em temas como identidade de género, sexualidade e desconstrução da família e da cultura ocidental. Esta mudança foi tão absorvente que dominou o discurso público através dos media, da política e das instituições culturais.

No entanto, esta obsessão com a guerra cultural levou a esquerda a uma crise de identidade. Em países como a Alemanha, vemos partidos de esquerda a adoptar posições conservadoras, enquanto nos EUA e na Europa, os progressistas perderam a conexão com as preocupações reais da maioria da população. A família tradicional, outrora um pilar da sociedade, foi substituída por conceitos como famílias substitutas, grupos woke e transgénero, alienando ainda mais a esquerda das suas raízes populares.

A Reacção Conservadora e o Descontentamento Popular

Enquanto a esquerda se fragmenta em múltiplas facções, os conservadores começam a reagir. Nos EUA, a eleição de Donald Trump foi um sinal claro de que uma parte significativa da população está cansada do domínio progressista. Na Europa, o descontentamento com as políticas da União Europeia (UE) e a sua agenda globalista também cresce. A UE, que deveria focar-se na economia e na tecnologia, insiste em impor valores abstractos e políticas culturais que desrespeitam a soberania das nações, a vontade da maioria e a tradição.

As elites políticas e culturais, incluindo as eclesiásticas e económicas, alinharam-se com esta agenda progressista, mas o povo está farto. A sensação de que as minorias passaram a ter mais direitos do que a maioria, aliada à arrogância das elites, criou um clima de revolta latente. Os conservadores, tanto na Europa como nos EUA, começam a perceber que precisam de se afirmar para equilibrar o barco e devolver a sociedade aos seus valores fundamentais.

A Crise dos Media e a Desconexão das Elites

Os media tradicionais, subvencionados pelos governos e por contribuições dos cidadãos, tornaram-se porta-vozes da agenda progressista, distanciando-se da realidade e das preocupações do povo. Em vez de ouvirem as dores da população, preferem estigmatizar movimentos populares como “populistas” ou “extremistas de direita”, atribuindo a culpa às redes sociais e às fake news.

Esta desconexão das elites é evidente na forma como governam. A UE, por exemplo, chegou ao absurdo de legislar sobre a curvatura das bananas, enquanto ignora questões culturais e identitárias que afectam profundamente as nações. A arrogância das elites, que se consideram acima do povo, só aumenta o fosso entre governantes e governados.

A Necessidade de uma Esquerda Pós-Materialista e de um Conservadorismo Renovado

Para superar esta crise, precisamos de uma esquerda pós-materialista que volte a conectar-se com as preocupações reais da população, sem abandonar a defesa dos mais vulneráveis. Ao mesmo tempo, os conservadores precisam de se renovar, assumindo as boas características da esquerda, como a solidariedade humana concreta, sem cair no extremismo. Neste sentido a doutrina social da Igreja católica podendo este ser um modelo de fidelidade à pessoa e à comunidade (a exemplo do capitalismo social de mercado criado na Alemanha pós-guerra, surgido da colaboração entre sindicalismo e cristianismo).

Exemplos como Robert Kennedy, nos EUA, mostram que os conservadores podem ser mais eficazes na resolução de problemas sociais do que os progressistas. A melhoria das refeições escolares e o apoio às famílias carenciadas são exemplos de acções concretas que fazem a diferença.

O Caminho a Seguir

A sociedade ocidental precisa de um diálogo construtivo entre esquerda e direita, onde ambas as partes reconheçam as virtudes do outro e trabalhem em conjunto para o bem comum. A sabedoria popular, que ultrapassa a práxis política, deve ser valorizada. Respeito e caridade são essenciais para lubrificar as engrenagens sociais e restaurar a confiança entre governantes e governados.

Enquanto a esquerda se mantiver refém da sua agenda anti cultural e as elites continuarem a governar como deuses do Olimpo, a confusão social persistirá. É tempo de uma mudança de atitude, tanto da esquerda como dos conservadores, para que a sociedade possa encontrar um equilíbrio e enfrentar os desafios do século XXI com união e propósito.

A política do dividir para imperar seguida pelo neomodernismo tornou-se profundamente incómoda e destrutiva por se reduzir a uma arma rectórica (o filósofo Karl Popper identifica o marxismo e a sua dialética como pseudociência)! Que sentido tem colocar-se em desafio heterossexuais e LGBTQ, homens e mulheres, natura e cultura, pretos e brancos, minorias e maiorias? Assim a sociedade é enganada ficando com a impressão que discussão dialética é científica quando não passa da contraposição de ideias a que falta evidência e a verificação da experiência.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

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Síria em Tempos de Ramadão Muçulmano e de Quaresma Cristã

A Paixão de Cristo Continuada nos Massacres de Alauitas, Drusos e Cristãos na Síria

 

A situação na Síria permanece trágica, com violência sectária atingindo níveis alarmantes durante um período que coincide com o Ramadão muçulmano e a Quaresma cristã. A “operação militar” sunita síria, que visou especificamente minorias religiosas como alauítas, drusos e cristãos, resultou em massacres brutais e execuções seletivas, deixando a comunidade internacional em estado de choque. No entanto, a resposta dos políticos da União Europeia (UE) tem sido marcada por hipocrisia e inação, levantando questões sobre o seu compromisso real com os direitos humanos e a democracia.

O Contexto da Violência Sectária

O derramamento de sangue começou em 6 de março de 2025, quando apoiantes do presidente deposto Bashar al-Assad, majoritariamente da minoria alauíta, lançaram ataques contra as forças de segurança do novo governo liderado por islamitas. A violência rapidamente escalou, com combatentes sunitas realizando execuções seletivas baseadas na filiação religiosa. Segundo relatos, os agressores verificavam documentos de identificação para confirmar a religião das vítimas antes de cometê-las.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) documentou massacres que resultaram na morte de pelo menos 750 civis alauítas em 29 incidentes distintos entre 6 e 8 de março de 2025. Famílias inteiras foram executadas, e os corpos foram enterrados em valas comuns. O conselheiro do ex-presidente do Conselho Alauíta, Muhammad Nasser, alegou que mais de 1,7 mil civis foram mortos, incluindo membros das comunidades drusa e cristã.

A Resposta da União Europeia: Hipocrisia e Inação

Os políticos da UE expressaram alarme com a violência contra civis, mas a sua resposta tem sido amplamente criticada como hipócrita. Anteriormente, muitos deles haviam feito uma peregrinação à Síria para apertar as mãos de líderes islamistas após o golpe extremista, ignorando os princípios do Islão que justificam a perseguição de minorias religiosas e a mentira desde que sirva o islão. Agora, lavam as mãos como Pilatos, recusando-se a assumir responsabilidade pelas consequências das suas acções.

A EU parece mais interessada em manter relações diplomáticas do que em proteger vidas humanas. A sua posição política é vista como cega e ignorante, pois falha em reconhecer a gravidade da situação e em agir de forma decisiva para impedir mais violência.

A Desumanização e o Extermínio das Minorias Religiosas

Os alauítas, grupo ao qual pertencia o presidente deposto Bashar al-Assad, foram antes alvo de uma campanha de desumanização através de propaganda antes de serem marcados para extermínio. A mesma sorte coube aos drusos e cristãos, que também foram brutalmente assassinados. Relatos indicam que cerca de 7.000 integrantes de minorias religiosas foram mortos, incluindo 1.000 cristãos, alguns dos quais foram crucificados.

Os media, no entanto, têm sido reticentes em cobrir a perseguição e os assassinatos de cristãos, muitas vezes ignorando ou minimizando a gravidade dos crimes. Essa omissão contribui para a invisibilidade do sofrimento dessas comunidades e para a impunidade dos agressores.

A Urgência de uma Resposta Internacional

A situação na Síria é um triste reflexo de como a religião pode ser instrumentalizada para justificar a violência e a opressão. Enquanto os líderes mundiais continuam a falhar em proteger as minorias religiosas, a Paixão de Cristo é reencenada nas vidas daqueles que são crucificados, literal e figurativamente, por sua fé.

É imperativo que a comunidade internacional, incluindo a UE, deixe de lado a hipocrisia e a inação e tome medidas concretas para acabar com a violência sectária na Síria. A democracia e os direitos humanos não podem ser meros desejos baratos expressos em discursos vazios; eles devem ser defendidos com ações firmes e decisivas. Caso contrário, o sangue derramado continuará a manchar as mãos de todos aqueles que poderiam ter feito a diferença, mas escolheram ficar em silêncio.

O novo regime da Síria tem como presidente interino Ahmad al-Sharaa (Al-Jolani),  terrorista, ex-membro da Al-Qaeda e do Estado Islâmico.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

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EUROPA DE CARLOS MAGNO NÃO APENAS DE BRUXELAS

Europa, desperta do sono imposto,

reaviva o sentido, retoma o posto.

Não sejas joguete de potências alheias,

mas ponte de paz entre terras e ideias.

 

Bruxelas, perdida na sombra do ouro,

ouve o clamor que ecoa no foro.

Que as elites desçam das torres erguidas,

e sintam na pele as dores sofridas.

 

Num mundo que dança em tom multipolar,

não caias na trama de quem quer mandar.

Redescobre a fé, a raiz, o caminho,

não deixes a Rússia na margem, sozinha.

 

Somos um rio de culturas irmãs,

latinas, nórdicas, russas, pagãs.

A guerra é o fruto de medo e veneno,

mas o diálogo é solo fértil, terreno.

 

Se te vendes por armas, por guerra, por ganho,

perdes-te em cinzas, consomes-te em dano.

Funcionários da EU te pedem que sejas milícia,

mas tua missão é quebrar a perfídia.

 

Ergue-te Europa, sê voz, sê ponte,

não mais vassala de quem quer só monte.

Lembra-te, antes de tudo, quem és,

mediadora da paz, a força da fé.

 

Os líderes que falem, e o povo que não ouça,

Pois há muita parra, que deixa pouca uva.

O futuro te chama, o tempo é agora:

Europa, sê justa, não caias na argola.

 

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

 

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