IDEOLOGIA DE GÉNERO

Entre a Realidade biológica e a Colonização ideológica

Há palavras que descrevem a realidade e há palavras que pretendem criá-la. O problema começa quando já não sabemos distinguir umas das outras.

A discussão em torno da chamada “ideologia de género” tornou-se uma das grandes frentes da guerra cultural contemporânea. O que poderia constituir uma reflexão séria sobre sexo, identidade, cultura, liberdade e dignidade humana converte-se, em grande parte, numa batalha de trincheiras: de um lado, progressistas que suspeitam da tradição e do outro, conservadores que suspeitam da mudança. Uns invocam a emancipação; outros, a natureza. Entre ambos, corre-se o risco de perder precisamente aquilo que deveria estar no centro da discussão e que é a pessoa humana na sua realidade integral.

Segundo Nicolás Márquez e outros críticos desta corrente, aquilo que designam por “ideologia de género” deve ser compreendido no contexto de uma deslocação da estratégia revolucionária: da clássica luta marxista entre proletariado e capitalismo para a luta cultural. A fábrica deixou de ser a sua única arena. Apropriaram-se da linguagem, da sexualidade, da família, da escola, da religião e da própria compreensão do homem e da mulher tornando-os seus campos de disputa.

Concorde-se ou não com esta interpretação, seria ingénuo negar que a política descobriu há muito o enorme poder mobilizador da identidade.

A luta económica não desapareceu, mas foi quase substituída  pela luta pelo domínio das categorias com que interpretamos a realidade. Quem define as palavras condiciona, em boa medida, a discussão. Quem estabelece antecipadamente aquilo que pode ou não ser dito ganha terreno antes mesmo de começar o debate. Daí a importância decisiva adquirida pela linguagem.

Desconstroem-se conceitos, redefinem-se palavras e multiplicam-se categorias identitárias. O sexo, tradicionalmente relacionado com a realidade corporal, passa a conviver com uma conceção de género ligada à identidade, à perceção individual e aos papéis culturalmente construídos. Isto poderia  possibilitar  uma discussão fecunda, mas o problema surge quando construção cultural e realidade biológica são apresentadas como inimigas.

Por que estamos a ser obrigados a escolher entre aquilo que a natureza dá e aquilo que a cultura desenvolve? O ser humano não é apenas biologia, mas também não existe fora dela.

Somos natureza e cultura, corpo e consciência, herança e projeto, indivíduo e comunidade. A cultura pode interpretar a natureza, discipliná-la, desenvolvê-la e até contrariar algumas das suas tendências, mas não pode, simplesmente decretar a sua inexistência.

A realidade sexual humana apresenta uma organização biológica predominantemente masculina ou feminina, embora existam situações do desenvolvimento sexual que não cabem de maneira simples nos padrões mais comuns. Reconhecer exceções não obriga a negar a regra, mas reconhecer a regra também não concede o direito de humilhar a exceção.

É aqui que o debate deveria começar. Infelizmente, é muitas vezes aqui que termina.

A sociedade contemporânea parece sentir uma estranha necessidade de transformar diferenças em antagonismos, como, homem contra mulher, heterossexual contra homossexual, tradição contra progresso, religião contra secularização, natureza contra cultura, direita contra esquerda.

A questão primária  é que uma civilização não se constrói fazendo guerra permanente às suas próprias polaridades.

Masculino e feminino não precisam de ser campos militares. Podem ser entendidos numa matriz gineantropológica de complementaridade: não como superioridade de um sexo sobre o outro, mas como reconhecimento de diferenças que se encontram, se corrigem e se enriquecem reciprocamente.

Defender a complementaridade não significa amarrar a mulher ao lar, como frequentemente caricaturam certos discursos progressistas. A emancipação feminina não deveria  exigeir a masculinização da mulher, assim como a valorização do masculino não exige a subordinação do feminino. Igualdade de dignidade não é sinónimo de indiferenciação.

A tradição cristã desenvolveu, particularmente na teologia do corpo, uma antropologia da relação entre homem e mulher fundada na reciprocidade e na complementaridade. Pode-se concordar ou discordar dela, mas reduzi-la simplesmente a instrumento de opressão patriarcal é intelectualmente pobre. Também seria pobre utilizar o cristianismo como arma contra pessoas que vivem de maneira diferente da moral cristã.

A dignidade humana precede a guerra cultural.

A civilização europeia nasceu de um encontro complexo entre a filosofia grega, o direito e a administração romanos, a tradição judaico-cristã e desenvolvimentos posteriores. Desconstruir criticamente essa herança pode ser legítimo em certos aspetos; querer compreendê-la apenas como catálogo de opressões significa amputar a própria memória cultural e a essência do próprio ser e maneira de estar no mundo multicultural.

Uma árvore pode corrigir o rumo dos seus ramos sem arrancar as próprias raízes.

Neste contexto, João Paulo II advertiu repetidamente para formas de “colonização ideológica”.  Esta metáfora e  imagem merece reflexão especial para além da adesão religiosa, porque as sociedades são  condicionadas não apenas pela força militar ou económica, mas também pela imposição de categorias através das quais passam a interpretar-se a si próprias.

Mas a advertência deve valer para todos, porque há colonização ideológica progressista quando uma teoria se apresenta como indiscutível apenas porque se considera progressista; mas também há fechamento ideológico conservador quando uma tradição pretende dispensar-se de argumentar apenas porque é tradição.

Nenhum dos campos possui o monopólio da verdade e é precisamente aqui que a questão deixa de ser simplesmente “género” e passa a ser poder.

Quem ganha quando a sociedade se fragmenta em grupos permanentemente mobilizados uns contra os outros? Quem beneficia quando cada diferença se transforma numa identidade política e cada identidade política necessita de um adversário para permanecer mobilizada?

Historicamente, a esquerda aprendeu a fazer do conflito um motor da sua ação política e partidária. Mas seria simplista concluir que só ela vive do conflito, pois também a direita mobiliza medos, ressentimentos e divisões quando lhe convêm. A competição partidária alimenta-se, muitas vezes, daquilo que afirma querer resolver. É assim que se legitima e se perpetua a ideia de que o bem comum não pode ser inclusivo e de que o povo tem de ser dividido para justificar a luta entre partidos. No fim, essa estratégia reduz cidadãos a massas de manobra.

Uma pessoa que já não procura compreender, mas apenas repetir as fórmulas do seu grupo, pode julgar-se emancipada mas  torna-se intelectualmente dependente.

Hoje, ter uma opinião parece bastar; argumentar tornou-se secundário. Escuta-se para responder e não para compreender. Primeiro, escolhemos a trincheira; depois, reunimos os argumentos que nos convêm. Assim não nasce uma sociedade livre, o que nasce é militância.

A defesa das pessoas LGBTQIAPN+ contra discriminação não obriga à aceitação acrítica de todas as teorias sobre género. Do mesmo modo, a defesa da família ou de uma antropologia fundada na diferença sexual não legitima qualquer desrespeito pelas pessoas que não correspondem ao modelo maioritário.

A lei deve proteger a pessoa; a ciência deve investigar a realidade; a filosofia deve poder interrogá-la; a religião deve poder propor a sua visão e a política deve impedir que uma destas esferas se transforme em polícia das restantes.

O sexo biológico e o género enquanto construção cultural não precisam de ser declarados inimigos. O ser humano é simultaneamente animal e cultural. A cultura não tem de destruir o corpo para afirmar a liberdade, nem a biologia precisa de negar a cultura para continuar a ser realidade.

O modo de ser não precisa de identificar-se completamente com todas as formas de existir.

O grande erro do nosso tempo parece constar em imaginar que liberdade significa ausência de limites e que diferença significa necessariamente opressão.

Precisamos de reaprender a complementaridade entre natureza e cultura, entre homem e mulher, entre indivíduo e comunidade, entre liberdade e responsabilidade, entre espírito e matéria e entre regra e exceção.

Quando a horizontalidade e a verticalidade são apresentadas como inimigas, a sociedade perde profundidade e sentido. Por sua vez, quando tudo se transforma em luta, acabamos por já não saber viver sem inimigos.

Antes de perguntar de que lado está uma ideia, deveríamos voltar a perguntar se ela é verdadeira.

António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo

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A LEGALIDADE NÃO DITA A MORALIDADE

Leão XIV admoesta uma Ética sem Conteúdo e Política sem Compromisso

Em Lurdes, o Papa Leão XIV argumentou: “É impossível considerar normal o acto de pôr fim a uma vida. O que é legal não é necessariamente moral”. Esta afirmação recorda-nos que a moral não perdeu o seu sentido. Enquanto o legal se refere ao que está em conformidade com o direito positivo, a moral avalia o que é justo ou injusto, digno ou indigno, certo ou errado. Resta ainda  à ética o papel de reflexão crítica sobre a moral, embora o termo seja frequentemente usado como sinónimo desta ou como sinónimo de código de conduta.

Como bem sublinhou Leão XIV, algo pode ser legal e permanecer imoral. A legalidade não implica legitimidade moral. Leis contra a vida, racistas, escravistas ou autoritárias serão legais em certos contextos  e nem por isso deixam de ser profundamente imorais.

Sempre que se ouve dizer que a “moral perdeu conteúdo”, comete-se o erro de saltar de uma constatação empírica, de que a política se orienta por interesses e desrespeita a moral, para, a partir daí se chegar a uma conclusão conceitual errada: a de que a palavra moral ou ética perdeu o sentido. Trata-se de uma conclusão apressada. O facto de um valor ser violado repetidamente não o esvazia, apenas mostra que ele não foi cumprido. Se a ética tivesse realmente perdido o conteúdo, não teríamos sequer um critério para classificar a política como imoral. A própria denúncia da imoralidade pressupõe que a ética mantém o seu valor normativo.

O que certamente tem perdido conteúdo é o uso público da palavra “ética”, que se tornou etiqueta de comissões, discurso de posse, marketing institucional e hipocrisia. Aí sim, assiste-se a um esvaziamento retórico. No entanto, isso é diferente de dizer que a ética, enquanto reflexão crítica, perdeu validade. Não é a ética que perdeu conteúdo, mas sim a política que, frequentemente, perdeu o compromisso com ela. O que testemunhamos é o uso vazio do termo, não o fim do critério ético.

Muitos, ao apontarem esta falta de ética ou de moral, expressam um desencanto legítimo com a política, mas retiram daí uma conclusão filosófica indevida. A legalidade não é moralidade e a imoralidade frequente não anula a ética, apenas revela como ela continua a ser desprezada e desrespeitada. Como princípio fundamental, os governantes deveriam governar com respeito pela lei e pela moral do povo que dirigem.

Para a moral católica, a consciência individual é a autoridade soberana nas decisões morais, sobrepondo-se inclusive também à lei da Igreja. Embora possa errar, a responsabilidade moral de cada pessoa é estritamente ditada por aquilo que a sua própria consciência determina.

António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo

 

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PARA OS BAIRROS ONDE HÁ POUCA LUZ

Se a pólis se engasga com homem, mulher, diverso,
e o género anda embrulhado em discurso perverso,
decretem a nudez nos bairros sem luz,
menos roupa no corpo, mais verdade que seduz.

Cai a saia, cai o véu, cai a calça e o pudor,
fica a pele a explicar o que não explica o amor.
E o contrapeso mental, esse peso de chumbo,
vai à corda, como roupa, a secar em cima dum muro.

Pois só assim o enfeite ganha peso e lugar,
e a mente, leve de mais, aprende a não julgar.
Mas se a nudez resolve a velha confusão,
dispam-se também as ideias e não só o calção.

Porque o busílis não é o sexo, a cor nem o nome,
é a mania de querer que o mundo caiba num só molde.

António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo ©

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UM PAPA SEM “PAPAS NA LÍNGUA”

 

Leão XIV chegou a Paris (25.09.2026) e não se perdeu nos corredores da diplomacia. No seu primeiro grande discurso em França, perante as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático, o Papa colocou sobre a mesa alguns dos problemas mais prementes da humanidade. Falou com a cortesia própria de um chefe de Estado, mas também com a liberdade de quem não quer reduzir a palavra cristã a ornamento protocolar.

Na “Cidade Luz”, carregada de história e simbolismo, Leão XIV recordou as raízes cristãs da França e a contribuição deste país para a cultura europeia e para a afirmação dos direitos humanos. No lema republicano, Liberdade, Igualdade, Fraternidade, reconheceu valores que ultrapassam fronteiras políticas e nacionais, verdadeiras “exigências éticas universais”.

É precisamente aqui que começa a interpelar o nosso tempo. Perante um progresso científico e tecnológico que parece não conhecer limites, torna-se necessário “recolocar a pessoa humana no centro de toda a reflexão”. A técnica pode servir o homem, mas também pode condicioná-lo, instrumentalizá-lo e, no limite, subjugá-lo.

Daí a advertência particularmente atual sobre a Inteligência Artificial. Leão XIV recorre a uma imagem feliz e inquietante: o “paraíso das máquinas”. Quanto mais sofisticadas forem as máquinas, mais necessário será perguntar quem as governa, para que finalidade são utilizadas e segundo que critérios. “Para não perdermos a nossa humanidade no meio do ‘paraíso das máquinas’”, adverte o Papa, “é urgente formar os espíritos para um discernimento ético”. A técnica não contém em si mesma a medida do bem.

A questão é de enorme alcance. Não basta perguntar o que a tecnologia consegue fazer. É preciso perguntar o que deve fazer, o que lhe devemos permitir fazer e aquilo que, mesmo sendo tecnicamente possível, não deveria ser humanamente admissível. Uma civilização pode tornar-se tecnologicamente avançadíssima e, simultaneamente, regredir na consideração da dignidade da pessoa.

Essa dignidade conduz Leão XIV a outro dos grandes temas do discurso: a vida. Numa sociedade em que até o nascimento e a morte correm o risco de entrar na lógica da produção, da seleção e do mercado, o Papa recorda a necessidade de “acolher a vida incondicionalmente”. Da manipulação genética à gestação de substituição, do comércio de órgãos à possibilidade de programar a própria morte, a questão de fundo permanece a mesma: será a pessoa um fim em si mesma ou acabará transformada num produto disponível?

Também no domínio da relação entre religião e Estado, Leão XIV não fugiu a uma questão particularmente sensível em França. “A verdadeira laicidade não exclui a dimensão religiosa”. Esta afirmação não significa confundir Igreja e Estado nem reclamar privilégios para uma religião. Significa reconhecer que a fé e as convicções religiosas fazem parte da vida dos cidadãos e podem contribuir para o debate sobre o bem comum.

Neste contexto, ganha especial significado uma afirmação de Emmanuel Macron dirigida aos bispos franceses: “uma Igreja que pretenda desinteressar-se das questões temporais não cumpriria plenamente a sua vocação; e que um Presidente da República que pretenda desinteressar-se da Igreja e dos católicos falharia ao seu dever”. É uma formulação que traduz uma  traduz uma evidência democrática: separar instituições não significa condená-las à indiferença mútua.

E chegamos à grande ferida aberta do nosso tempo: a guerra.

Ao referir-se à grande ferida aberta do nosso tempo, Leão XIV foi explícito ao dizer “A paz não é um equilíbrio de forças”. Não é o medo recíproco, nem a quantidade de armas acumuladas, que pode oferecer à humanidade uma segurança verdadeiramente duradoura. Pelo contrário, “A paz não é um equilíbrio de forças, mas constrói-se dia a dia com o diálogo e a justiça”.

Num mundo que volta a familiarizar-se perigosamente com a linguagem das armas, das ameaças e do rearmamento, o Papa lança um apelo que deveria ser ouvido muito para além de Paris:

“Exorto-vos, portanto, a nunca vos resignardes à perspectiva de uma guerra, considerando-a ‘inevitável’, mas a promover incansavelmente o diálogo e a diplomacia, a fim de preservar sociedades pacíficas, respeitadoras da dignidade e dos direitos da pessoa e dos povos”.

Esta é talvez uma das passagens politicamente mais fortes do discurso. Quando a guerra começa a ser apresentada como inevitável, já se deu um passo perigoso para a sua aceitação. A linguagem prepara mentalidades e as mentalidades acabam por preparar campos de batalha. Contra a resignação ao fatalismo bélico, Leão XIV contrapõe diálogo, diplomacia, justiça e respeito pelos povos.

Por isso, a sua mensagem dirigida à França adquire dimensão europeia e universal: “Possa a França, fiel aos seus valores, abrir caminho para uma paz desarmada e desarmante”.

“Desarmada e desarmante” são  duas palavras que encerram quase um programa político. Desarmada, porque a paz não pode depender indefinidamente da ameaça de destruição; desarmante, porque uma paz autêntica deve ser capaz de diminuir o medo, a hostilidade e a necessidade de transformar o outro em inimigo.

Há um fio condutor que atravessa todo o discurso e se resume em recolocar o ser humano no centro. Antes da máquina, a pessoa. Antes do lucro, a dignidade. Antes da força das armas, o diálogo. Antes da eliminação de quem sofre, o acolhimento. Antes da uniformização das consciências, a liberdade e  antes dos interesses particulares dos Estados, a fraternidade entre os povos.

Num mundo fascinado pelas possibilidades quase ilimitadas da tecnologia e, simultaneamente, assustado com a possibilidade de novas guerras, Leão XIV chama a atenção para um paradoxo: podemos construir um sofisticadíssimo “paraíso das máquinas” e, ao mesmo tempo, preparar um inferno para os homens.

Leão XIV, no dizer popular português, mostra-se como Papa “sem papas na língua” que faz a pergunta à França, à Europa e a cada um de nós: de que serve avançarmos tanto, se pelo caminho perdemos a nossa humanidade?

António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo

Ps: Em Lurdes o Papa Leão XIV argumentou: “É impossível considerar normal o acto de pôr fim a uma vida. O que é legal não é necessariamente moral”.

Numa visita ao Instituto Católico de Paris, o Papa felicitou os 20 mil batizados de adultos num só ano, em França.

Em 25 de setembro de 2026, 1 milhão de pessoas se reúnem na Place de l’Etoile, ao longo dos 2 km dos Champs Elysées e da Place de la Concorde, para uma Missa papal que surpreendeu o próprio Papa.

O papa em Paris desmascarou os impostores que vivem das guerras e levam o povo atrás delas!

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