PRÓXIMO DESAFIO: OS REFUGIADOS


Não há Vítimas! Somos todos Criminosos!

António Justo

Na Idade Média, a Europa construía as muralhas em torno das suas cidades para se defender dos povos bárbaros invasores. Hoje fecha as suas fronteiras para impedir os fugitivos da pobreza e da perseguição. Se então os bárbaros brutalizavam a cultura e as populações por onde passavam, o mesmo não se dá com os novos “bárbaros”. A Europa actual só defende o seu bem-estar. Em vez de fomentar uma nova política para criar perspectivas nos países pobres da emigração, queixa-se da iminente invasão.

A Europa constrói muralhas para impedir que os pobres se sentem à sua mesa; e os pobres árabes que vêm constroem as suas muralhas culturais tornando-se impermeáveis aos outros. Cada um olha o próximo do mirante do seu orgulho. Muralha contra muralha. Lutadores dum lado e lutadores do outro. Tudo berra e reclama mas sem razão. Cada um se afirma contra o outro, cada um a seu nível, ou com palavras, ou com armas, ou com a opinião. São muros cerrados, feitos de culpa e de razão; tudo a lutar na mesma construção.

Os refugiados políticos e económicos não atacam por atacar; apenas fogem à perseguição de regimes barbáricos por nós apoiados. Uma vez cá precisam também eles dos seus guetos cerrados com minaretes bem altos para, para lá do muro, saciarem o longe da saudade.

Os melhores braços necessários para o enriquecimento do país saem sem possibilidade de trabalho para passarem a viver da assistência social.

Que política caricata! Em breve virão pedir asilo os apoiantes de Kadhafi. E nós, humanitários, iremos receber os perseguidores dos movimentos de libertação. Exploradores da exploração e exploradores da população, de mãos dadas, entre embargo e desembargo, na injustiça se dão!

Isto mostra a complexidade da política de asilo e revela a necessidade duma nova política de apoio aos pobres e aos perseguidos nos seus países. Uma política de fomento às bases contra toda a exploração.

Doutro modo, continuaremos a política hipócrita ajudando, política e economicamente, os exploradores para podermos explorar mais à vontade.

O ano passado, apesar do controlo das fronteiras líbias por Kadhafi, o fluxo de refugiados continuou e morreram 500 pessoas afogadas ao tentar atravessar o Mediterrâneo. A Líbia é usada como país de trânsito por perseguidos na Eritreia e no Sudão e também por fugitivos da pobreza e da opressão. O ano passado a Itália acolheu 6.000 refugiados, a Alemanha 41.000 e a Suécia 30.000.

Peritos apresentam o crescimento da população africana como o factor principal do empobrecimento.

A União Europeia treme perante o surto de analfabetos (só o Egipto tem cerca de 30% de analfabetos) e pobres que por isso saem duma pobreza para entrar noutra (pobres da assistência social). O ministro alemão das finanças, Schäuble, já deu a ideia de se criar uma cooperação de migração circular em que fugitivos sejam acolhidos por cerca de três a quatro anos, lhes seja ensinada uma profissão e depois voltem ao país para o fomentarem.

Enquanto continuamos a apoiar ditadores, centenas de milhares fugirão à fome e à opressão (exemplo do Sudão). O problema maior é que só foge quem pode, quem pode arrecadar alguns milhares de Dólares para entregar às organizações transportadoras. De facto, fugitivos pagam milhares de dólares a bandos organizados que lhes possibilitam a saída para a Europa.

Na Europa deparam com uma sociedade, momentaneamente refractária pelo facto dos pobres de cá se verem em concorrência com os de lá.

A Europa, apesar das suas contradições, terá que continuar a funcionar como lugar da misericórdia e da solidariedade, terá que entrar em colaboração económica com os países pobres, com a promoção de projectos económico e parcerias e com Fundações que fomentem a cultura popular e democrática a partir das bases. Precisa-se de solidariedade especialmente com o povo e não apenas com as instituições.

Naturalmente, não pode ser negado que a experiência europeia com migrantes de cultura árabe tem sido má; Nos últimos 60 anos de estadia não se conseguiu a integração. O problema é quase insolúvel porque são dois sistemas culturais por enquanto incompatíveis. Se os ocidentais aspiram à hegemonia económica os árabes e turcos aspiram à hegemonia cultural. No meio desta realidade a xenofobia crescerá. Aqui não há vítimas, somos todos criminosos.

Uma nova política de refugiados terá que saber combinar razão e misericórdia. Também tem ser claro que fomentar democracia significa tornar as fronteiras mais abertas.

Necessita-se duma política humanitária e de solidariedade com base em critérios humanos cristãos. Buscamos as riquezas do petróleo e as preciosidades do solo, mas, em contrapartida, deveríamos deixar algo visível para o povo, sempre que os políticos o não façam: construção de escolas, pontes, pequenas empresas, iniciativas populares de ajudá-los a ajudar-se, organização de mesas redondas.… Uma política que reserva a um sector a exploração e ao outro o benfazejo é perversa. Uma economia humana e democrática terá que dizer a e b ao mesmo tempo, não se reservando para si a exploração do homem pelo homem deixando a caridade ao Estado, às igrejas e outras instituições filantrópicas. Se colocarmos democracia e direitos humanos no centro da política e da economia surgirá automaticamente uma nova ordem, sensível à questão da culpa e da justiça. A desculpa de que ditadores são suportados pelo povo transfere a ética para uma situação abstracta e anti-humana. Num futuro de consciência mais desenvolvida, as empresas económicas terão de criar centros de formação escolar e profissional e outros apoios sociais e culturais ao povo, nas zonas onde se radicam e actuam. Esta seria a melhor política de fomento. Doutro modo continuará a política a não querer saber o que a economia e as finanças causam.

António da Cunha Duarte Justo

antoniocunhajusto@googlemail.com

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NORTE DE ÁFRICA À PROCURA DE SI MESMA

Rebelião ou Revolução em África

NOVA ESTRATÉGIA da EU E USA: APOIO AOS MOVIMENTOS CÍVICOS

António Justo

Movimentos sociais em colectividades muçulmanas reduziam-se, até agora,  a manifestações contra os outros (América, cristãos, curdos, judeus, etc..) apelando ao seu papel de vítima. O levantamento popular jovem na Tunísia, no Egipto e noutras regiões árabes parece ter uma outra qualidade e ganhar, assim, contornos de “revolução” do mundo árabe. De facto, pelo que se nota, os manifestantes já não procuram fora a causa do próprio mal; revoltam-se contra os seus, à margem da ideologia comandada de Al-Qaida que, paralisada, não consegue perceber o que está a acontecer no meio dum povo, até agora habituado a ser guiado por arautos da ideologia. Agora o grito é outro. É a fome da liberdade e da dignidade humana que desce por si à rua. A revolta é contra os seus. Uma chama da liberdade é transmitida de terra em terra como o fogo dos jogos olímpicos. O seu pior inimigo são as estruturas culturais internas.

Neste processo, um dos factores mais importantes desta revolta talvez se encontre na Internet e em fenómenos como Facebook, WikiLeaks e outros Media. Eles possibilitam conhecimento, diálogo e uma nova consciência pessoal.

A luta pela liberdade vai-se organizando de forma inteligente. Da má experiência com ditadores e regimes autoritários, levantou-se na Sérvia um movimento de cidadania pacífica destinado a tornar tais regimes inseguros. Em Belgrado surgiu uma escola “Canvas” (Centro para aplicação de acções e estratégias pacíficas) onde revolucionários, ou candidatos a tal, aprendem os utensílios e estratégias a serem usados na preparação e execução duma subversão ou revolução pacífica contra líderes autoritários ou regimes ditatoriais. No dizer dum seu fundador, Srdja Popovic, desde 2004 já lá frequentaram seminários, pessoas de 37 nações. Nas manifestações árabes em curso, já se encontram pessoas que frequentaram seminários dessa escola.

As forças humanistas árabes e seus apoiantes não podem esperar que a cultura árabe dê, por ela mesma, um passo em frente. Maomé deu um passo, o povo tem que ir dando os outros! Por isso a estratégia terá de ser: mudar as circunstâncias para possibilitar a interpretação crítica do Corão e assim tornar a cultura dinâmica.

A Europa e a América reagem, senão com entusiasmo, pelo menos, com admiração com o que se está a passar no Norte de África. Sente-se o seu acordar para uma nova política com perspectivas de futuro e por isso orientada para o povo: uma política de projectos apoiantes de grupos interessados na cidadania.

Obama apoiou a revolução popular do Egipto, manifestando assim uma nova estratégia de estabilidade a ser baseada no povo e não em ditadores. A classe militar ficou, a princípio, decepcionada, mas logo começou a compreender a necessidade da nova estratégia. A mudança da política dos USA em relação ao Norte de África pressupõe que seja o povo a vencer mas a partir dele. No futuro, um acordo entre povos talvez se revele mais estável que o acordo feito entre Estados, como acontecia até aqui! O povo fica e o Estado muda. O Ocidente, ao apoiar os movimentos populares fomenta a democracia.

Os USA anunciaram, no dia 15 de Fevereiro, um programa de milhões de dólares para ajudar a geração Facebook, Twitter e You Tube para que esta consiga fugir aos bloqueios de Internet feitos por regimes ditatoriais, como China e outros. Trata-se duma estratégia moderna e inteligente: menos ajuda militar e mais ajuda civil. Fomentar projectos de democracia para abrir, com tolerância, um caminho entre militares e religião, considerando como único aliado o povo. Trata-se de agir à maneira dos cristãos em relação ao império romano, pondo-se ao lado dos escravos, que eram 90% da população; de restituir a dignidade roubada ao povo e assim possibilitar a complementaridade de religiosidade e civilidade! Uma intervenção dos USA no Líbano prejudicaria o clima social no Egipto e noutras zonas. Importante é considerar a necessidade do povo e não continuar a apostar em caudilhos que garantem o cumprimento de acordos internacionais e usam desse privilégio lucrativo para oprimir o povo, em nome da estabilidade.

A Alemanha apoia o movimento de base, na região, através da Fundação Adenauer (ligada ao CDU) que discute na sociedade sobre a liberdade religiosa e sobre a relação de fé e estado em seminários tanto com os “irmãos islâmicos” como com o clero copta, com Imames, etc. A Fundação Friedrich-Ebert (ligada á SPD) discute os temas sindicatos e direito do trabalho. A fundação Naumann (FDP) dialoga sobre o destino do liberalismo nos Estados árabes.

Os ocidentais, ao apoiarem os movimentos democráticos in loco, também contribuem para a mudança de mentalidade da população imigrante. O movimento em curso no Norte de África entusiasma já partes dos seus emigrantes no estrangeiro. Os muçulmanos europeus poderão dar um grande contributo para um islão aberto e assim criar melhores perspectivas para a cultura árabe.

A “União para o Mediterrâneo” (UPM) ganhou uma nova oportunidade. Seria do interesse dos povos ao lado do mediterrâneo criarem uma zona de cooperação especial em torno dele. Em vez de sanções será necessário levantar obstáculos ao comércio de produtos agrários, para que a população possa sobreviver sem ter de emigrar para a Europa. O fomento directo de iniciativas de grupos civis torna-se imprescindível

A democratização da sociedade árabe e o pluralismo de organizações civis enfraqueceriam o terrorismo, a única força que até agora se encontra organizada, ao lado do Estado com a religião. Na fase actual será importante impedir que Al Qaida se apodere da revolta. Esta não é a sua revolução, porque em vez do terror usa a demonstração pacífica. Não pretende uma teocracia. Os povos árabes fazem, pela primeira vez a experiência de que a manifestação pacífica consegue mais que o terrorismo. Independentemente do problema palestiniano o mundo árabe avança. O povo desmascara o satu quo da política até agora seguida na palestina, uma política que favorecia os que vivem das estratégias, os grupos dirigentes dum lado e do outro. Em vez do ódio e palavras ocas manifesta-se a necessidade de liberdade como necessidade legítima.

Às solidariedades dos ditadores e governantes entre si acrescenta-se uma nova solidariedade, a solidariedade de indivíduos no chão duma virtualidade que conduz à realidade.

A China e outras ditaduras tremem de medo perante o fenómeno que está a acontecer numa sociedade tão afinada e hermética como a árabe, onde, apesar disso, o povo se levanta… A sociedade árabe, com 300 milhões de habitantes, que tem sido o maior alfobre de ditadores, mostra, pela primeira vez, um novo rosto ao mundo, o rosto do povo. Isto atemoriza as ditaduras.

O grande requisito da nova geração árabe será modernizar o Islão. O tempo do fascismo, da cleptocracia, da corrupção já é posto em questão na rua.

As nozes mais duras de quebrar são a união de estado e religião, a subjugação da mulher, enquadrados pela religião. Introduzir uma cultura da discussão só se tornará séria quando a análise histórico-critica puder ser aplicada também ao Islão. Este torna inconstitucional o direito à emancipação, à individualidade e à libertação.

O grande meio capaz de tornar consciente a nova geração Facebook será a intercomunicação através da Internet. Esta será a fonte de próximas revoluções em sociedades autoritárias e de contestação nas sociedades democráticas.

No Egipto, os militares, ao colocarem-se ao lado dos manifestantes, salvaram a própria imagem conseguindo assim maior continuidade do velho regime. O facto da sua proveniência, da classe média, rivalizar com o clã de Mubarak, pode abrir perspectivas para inovações. Tudo dependerá, agora, da maneira como os militares apoiarão o movimento popular introduzindo o espírito democrático na Constituição. De esperar será o iniciar de sucessivas rebeliões que com os anos se poderão tornar em revolução.

Até agora, numa sociedade islâmica, só os militares da Turquia conseguiram instaurar uma certa cultura civil. Para isso tiveram de assumir e defender a ideologia (de Ataturk) que se contrapunha à tradição árabe do islão. O problema da relação fé e estado constituirá o cadinho da democracia a ser discutida.


António da Cunha Duarte Justo

antoniocunhajusto@googlemail.com

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Líbia – A Revolta das Tribos – O Erro do Ocidente


Preparação da Guerra Civil

António Justo

Numa sociedade com 140 tribos e clãs de família rivais, é de prever-se uma guerra civil entre elas. A Líbia não tem um movimento de oposição unido e o seu exército apenas tem o uniforme a uni-lo; de resto é constituído por uma malha de representantes das diferentes tribos e clãs, até agora mantido sob o manto férreo de Kadhafi.

Por outro lado, não se avista, no horizonte líbio, uma personalidade, capaz de catalisar os interesses e as rivalidades inter-tribais e as forças de al kaeda.

Até uma intervenção militar internacional, para proteger a população, se torna propriamente inexecutável. O recurso aos militares, como parceiros de diálogo a nível internacional, torna-se impossível, ao contrário do que acontece com os outros países árabes que têm a continuidade garantida no poder militar. Na Líbia, momentaneamente, nem a ditadura militar parece viável. A formação militar encontra-se dividida numa relação proporcional às tribos. O facto de se rebelarem contra Kadhafi e saltarem para a rua, não pode servir de argumento para a interpretação corrente.

Na África, como nestes estados, não houve o processo da colonização interna. Este foi impedido, também, pela colonização externa, o que torna a questão mais complicada, em termos modernos subjacentes aos processos verificados no surgir de nações. Na Europa os grupos mais fortes subjugaram os mais fracos, formando depois nações.

Os povos árabes ainda não têm a consciência de nação nem de povo. Pensam apenas em termos de família, clã e religião. Não são “Povo” são apenas população e só têm a uni-los a consciência religiosa e algum chefe. Por isso terão ainda de suportar, por muito tempo, a mão de ferro da religião, até que uma consciência de povo/nação organize a sua justiça e as suas forças militares e policiais, tão combatidas por extremistas muçulmanos que querem ver a população abandonada à pilhagem de caciques locais. Não os assusta mais que a organização dum Estado (democrático), como se vê testemunhado no Afeganistão. Por isso também aqui o Ocidente terá de sair vencido, tal como a antiga União Soviética. Onde não há Povo reina a ditadura sobre o caos; não é possível a guerra, apenas sobrevive a guerrilha! Esta é comum tanto à fase do surgir como à da queda das civilizações!

O erro de análise ocidental e das suas relações com estes povos está no facto de não conhecer a sociologia e antropologia árabes. O Ocidente transpõe, apenas, os próprios modelos de solução para problemas que provêem duma socialização diametralmente oposta. O mesmo se diga com a sua imagem de Homem e consequentes direitos.

A sociologia nómada, própria da civilização árabe e turca, não pode ser encarada com os mesmos critérios duma civilização sedentária em que os deuses se sujeitaram a um Deus pai. Naquelas predomina ainda um politeísmo açamado pelo poder absoluto dum Deus alheio à população, mas o único subterfúgio que lhe dá consistência. Trata-se dum Deus imposto. Maomé conhecia bem as tribos a subjugar ao criar a sua religião; por isso não podia tolerar o monoteísmo mitigado cristão. Não podia servir-se da evolução histórica como era o caso do povo israelita, nem duma antropologia humana como era o caso dos cristãos. Maomé teve de criar um sistema religioso para solucionar o problema de tribos aguerridas e indomáveis; para isso precisava de estruturas culturais de carácter sociológico e não antropológico. Por isso a pessoa é considerada como objecto. Um sistema político ou religioso que não sirva a pessoa mas apenas o grupo desaparecerá com o tempo e depois não se nota a sua falta. Os árabes perderam o comboio da História continuando no deserto sob a tenda de Maomé! O Islão terá de sofrer uma revolução e integrar na sua antropologia beduína os elementos sedentários, tal como aconteceu com ocidentais e em parte com os orientais.

A insurreição árabe, e o grito pela sua liberdade, estão a dar-se em torno do mediterrâneo, nos países que têm cooperação e contacto com a Europa. Nos outros domina a paz dos cemitérios. O norte de áfrica encontra-se a caminho do Irão. A sua sorte continuará a ter de suportar a colonização externa que o Ocidente, mais cedo ou mais tarde, entregará às mãos do Irão e da Turquia.

Desde que o déspota Muammar al-Gadhafi , que domina o país há 42 anos, renunciou ao terrorismo no exterior e deixou correr o petróleo em direcção à Europa, com a promessa de impedir extremistas muçulmanos e os refugiados africanos de passar as suas fronteiras para a Europa, os políticos europeus concederam-lhe o estatuto de homem de bem.

Os estados da União Europeia continuam desunidos no que toca a uma estratégia a seguir, preferindo manter-se na indecisão e continuar a jogar com as brasas pelo facto de Gaddafi ter ameaçado a EU de rescindir o contrato de impedir o fluxo de emigrantes ilegais do norte de África.

A líbia com 1,8 milhões de Km2 tem 6,5 milhões de habitantes. 90% do território é deserto com grandes reservas de petróleo.  A Itália importa 40% do seu óleo e a Alemanha 12,8% da Líbia. Em 2010 a EU negociou com Gadhafi uma “cooperação de migração”; até 3013 a líbia devia receber da EU 50 milhões de Euros para o controlo das fronteiras. Na cimeira EU-África realizada em Novembro 2010 em Trípoli, Gadhafi exigiu, para impedir o fluxo migratório de africanos para a Europa, 5 mil milhões de Euros, por ano, doutro modo deixa a europa cristã branca tornar-se negra!

Berlusconi, ter-se-á inspirado na Líbia no seu culto Bunga-Bunga com prostitutas jovens.

As insurreições populares podem vir a impedir o fornecimento de petróleo e de gás. O preço do petróleo sobe e já atingiu o valor máximo atingido em 2008.

A revolta popular já custou imensos mortos. Como é próprio desta cultura também o próprio assassino de massas populares se encontra disposto a derramar o sangue de mártir” até à última gota”! Reina o caos na Líbia. A cidade de Bengasi já se encontra nas mãos dos adversários de líder líbio com desertores de parte do exército e várias tribos aliaram-se aos adversários de Gadhafi.   Há representantes políticos que criticam abertamente a atitude assassina do líder que mata o povo. De facto, nas estradas corre o sangue de centenas e familiares têm medo de ir buscar os cadáveres com receio de serem tiroteados. O ministro da justiça demitiu-se protestando contra a excessiva violência empregada contra os demonstrantes; o mesmo declararam muitos diplomatas líbios junto da ONU.

Ao ditador só resta o suicídio, ou ter de se entregar ao Tribunal Internacional. Gadhafi, como preanunciando o seu fim declarou: “Eu morrerei como mártir, tal como meu avô”! Resta a guerra civil. Alguns diplomatas líbios já apelam á “responsabilidade da comunidade internacional para intervir para acabar com o correr do sangue”. Os actos do déspota “podem constituir crimes contra a humanidade”. Para a Alemanha a era de Gadhafi já acabou e exige sanções contra o seu regime. Itália, Malta e Chipre impediram que a EU ditasse sanções contra o regime líbio. A Alemanha é de opinião que a EU possa ditar sanções sem o acordo dos três países.

António da Cunha Duarte Justo

antoniocunhajusto@googlemail.com

in Pegadas do Tempo

SUDÃO DIVIDIDO EM DOIS ESTADOS

Sul do Sudão mantido sob a Estratégia árabe da Guerrilha


António Justo

As ameaças, do governo islâmico de Cartum, de perseguirem os cristãos que vivem no norte do país (1,5 milhões de cristãos) caso o sul cristão (3.500 milhões de cristãos) se declarasse pela independência, não sortiram efeito. Os resultados do referendo com 99% de votos a favor da independência corresponderam às previsões. A consequência do referendo do povo da zona sul do Sudão será a divisão do país em dois estados. O pacto de paz de 2005 previa o referendo. O conflito entre norte e sul começou em 1983 quando o norte, de maioria muçulmana, impôs ao sul, cristão e de tradições africanas, a lei islâmica bárbara da charia. O conflito provocou dois milhões de mortos e milhões de refugiados.


O norte muçulmano já tinha ameaçado, no caso da separação, tirar os direitos civis e as possibilidades de rendimento aos cristãos do Norte.


“O Sul, com 8 milhões de habitantes, só tem um hospital que mereça este nome”, diz Hans-Peter Hecking, referente de Missio, depois duma visita à região. “Fora de Juba (sede do governo autónomo) não há um prédio público nem uma Igreja que se encontre intactos”.

O sul de cultura africana e cristã e o norte de cultura árabe e muçulmana não encontram a paz dado o Norte discriminar e explorar o Sul. O Norte não desistirá de impor a cultura árabe ao sul.


Organizações religiosas temendo que se origine um segundo Ruanda, alertaram as Nações Unidas e as organizações internacionais para a gravidade da situação. As igrejas cristãs tinham distribuído por todo o país uma oração apelando à paz e à coexistência no Sudão.


O mundo não pode continuar a fechar os olhos como tem feito até agora, quando se trata de pessoas africanas a serem sacrificadas ao terror de estados e grupos ou de sangue africano a correr.



Solução à maneira árabe não é solução

A declaração da independência do sul do Sudão está prevista para 9 de Julho. É previsível que aconteça no sul do Sudão, o que aconteceu com a criação do Estado de Israel. Os estados árabes estiveram de acordo com a sua criação e um dia depois da proclamação do Estado declararam-lhe guerra!


O Sudão árabe, ao impedir o plebiscito nalgumas regiões do sul, criou já condições e pretextos para continuar a sua estratégia de guerrilha no sul.


A consequência lógica será a guerra civil apoiada por grupos árabes do estrangeiro. O Norte que explorou o sul como fonte de matérias-primas e de escravos durante centenas de anos, quer continuar a impor a sua hegemonia muçulmana ao Sul.


Embora o Sul seja rico em água e em petróleo, metade da população vive de menos de um dólar por dia; a quota de analfabetismo atinge os 80% com a maior mortalidade de mães no mundo.


Fugitivos e refugiados, que regressam de mãos vazias ao sul, não recebem nenhum apoio do Estado.


Restam imensos problemas por resolver: a repartição da dívida externa do Sudão de 37 mil milhões de dólares, que correspondem às entradas do fomento do petróleo com os seu poços no sul; o problema dos pipelines que levam o petróleo para o Norte, donde é exportado; o plebiscito impedido na região sul rica em petróleo Abyei, Nilo Azul e Southern Kondofan e adiado para um prazo indefinido.

O caminho da liberdade do Sul é muito difícil atendendo à situação, à hipocrisia ocidental e à má informação dos defensores da liberdade na Europa e no mundo.


É interessante constatar como o mundo é injusto na sua política de informação e como esta é tendenciosa na reacção a querer provocar. Nesta zona onde morreram mais de dois milhões de africanos, tal como já aconteceu noutras zonas africanas, o mundo assiste sem se admirar de tal. Para o Ocidente o sangue de mil sérvios e cosovares na Europa revelou-se mais importante que o de milhões de africanos, deitados ao abandono! A África continua o continente a explorar, por capitalismo e comunismo, por árabes, chineses, ocidentais e orientais. São a factura a pagar pelo petróleo do mundo árabe. Como se o sangue da áfrica negra não fosse igual ao dos brancos!


O sul do Sudão, na sua miséria, só é ajudado por organizações humanitárias. Seria importante que paróquias e juntas de freguesias europeias se tornassem parceiras de paróquias e administrações locais africanas para as ajudar a sair do ciclo vicioso de opressão e pobreza. Deste modo seriam salvaguardados os biótopos de cultura africana e de cultura cristã, porque, a experiência da História ensina e resume: onde a cultura árabe entra os outros biótopos naturais estão condenados a desaparecerem para darem lugar à monocultura muçulmana. Sabe-se da agricultura que onde domina a monocultura o solo é destruído!


O Apoio que, com os nossos impostos damos ao Kosovo não deve ser negado ao Sul do Sudão. Doutro modo a ONU apoia os árabes onde estes gritam por liberdade e pratica a tolerância da opressão árabe nas suas zonas de domínio. O petróleo pode mais que humanidade e humanismo juntos! A pessoa humana na sua dignidade e direitos pessoais continua a não fazer parte da agenda das instituições e dos povos. Não chega o grito da liberdade da fome e de consciências incomodadas. Necessita-se dum grito da liberdade que surja da humanidade e do humanismo para o Homem!


António da Cunha Duarte Justo

antoniocunhajusto@googlemail.com

Sócrates à frente do Socialismo Português contra a Defesa dos Cristãos


A Fracção da Chanceler alemã quer que se assinale a Perseguição aos Cristãos

António Justo

Depois do falhanço dos ministros dos negócios estrangeiros da União Europeia (EU), a Fracção da União (CDU e CSU) no Parlamento alemão em Berlim exigiu da EU uma declaração comum pela liberdade religiosa em que se manifeste explicitamente a perseguição dos cristãos. Estes constituem, hoje, o grupo mais acossado e com mais vítimas da perseguição religiosa.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros, dos 27 Estados da União Europeia, não tinham conseguido uma declaração comum, devido ao boicote dos ministros dos negócios estrangeiros de Portugal, Espanha, Irlanda, Luxemburgo e Chipre!

Em Portugal, os partidos não põem na ordem do dia assuntos como este. Em muitas matérias, actuam, sem discussão, à socapa do povo e parecem todos interessados numa desintegração social. Toda a nação parece marchar ao ritmo da música duma esquerda vaga que se encontra acantonada nos organismos do Estado.

Um centro direita, traumatizado ainda pelo 25 de Abril, não interfere em muitos assuntos relevantes para a nação, como é o caso da política escolar e cultural, deixando aos outros o remo! O povo é entretido com políticas opiniosas partidárias ou com assuntos políticos do dia-a-dia governativo sem que haja lugar para análises profundas da realidade nem previsões sérias para o futuro.

Com os movimentos republicanos, a ideologia maçónica e um bolchevismo subreptício procuram relegar os assuntos religiosos para o foro privado, encarando-os como estorvo ao fomento do seu domínio. Por outro lado, a má consciência dos grupos secularistas enriquecidos com os roubos dos bens da Igreja aquando da instituição da República manteve um ressentimento das novas forças nascentes que passaram a viver já não em torno do trono e do Altar mas como parasitas em torno dos órgãos do Estado.

Os barões de ontem enriquecidos à custa dos bens da Igreja são os Boys de hoje encostados aos bens do Estado.

O jacobinismo e o clericalismo, que não se encontra nas sociedades nórdicas, fenómeno típico de sociedades latinas, em Portugal, foram integrados nas organizações secretas e partidárias e seus ciclos intelectuais. Não se trata de viver da afirmação ou da negação de Deus; trata-se é de criar as melhores condições para que o Homem viva bem, independentemente dos seus credos e posições políticas.

Esquecem-se que há muito tempo nos encontramos a caminho da luta entre as culturas. Facto é que o socialismo é o maior apoiante dum islão cada vez mais agressivo em relação ao Ocidente. O equilíbrio secularização-religião encontra-se em perigo, pelo facto de secularistas irresponsáveis apoiarem o obscurantismo religioso árabe, e depreciarem sistematicamente o cristianismo, o que com o tempo fomentará extremismos religiosos também entre nós. Esquecem que foi este meio cultural cristão que fomentou e possibilitou a aplicação da democracia muito embora depauperada. Descuram que as ideologias políticas passam mas a religião não passará. Seria inteligente operar neste meio, de modo a possibilitar uma melhor praxis religiosa no sentido do reconhecimento recíproco. Uma política superficial oculta ao povo os próximos conflitos mundiais que se darão a nível religioso e cultural!

Prescindimos duma república de jacobinos como dispensámos uma sociedade teocrática. Ambas impedem a prática da cidadania responsável. O cultivo do ressentimento e da intolerância a partir da tribuna do Estado é ilegítimo e despreza a cultura do povo. Uma estratégia de destruição de valores cristãos, em via, é irresponsável, porque serrotam no galho em que se encontram e prejudicam o povo português, por razões ideológicas.

No contexto europeu, o jacobinismo anticristão instalado em órgãos do Poder é especialmente notório em Portugal e na Espanha!

António da Cunha Duarte Justo

antoniocunhajusto@googlemail.com