Morte e Tradição


Novembro é o mês especialmente dedicado à comemoração dos defuntos. A Igreja católica dedica o dia 1 de Novembro à recordação de todos os santos e o 2 de Novembro à lembrança de todos os defuntos. A Igreja evangélica recorda os mortos no último Domingo de Novembro.

Morte é o outro lado da vida. Entre mortos e vivos houve sempre uma relação testemunhada nos cemitérios da vida e da história. Estes testemunham o significado da morte e dos mortos.

Nos cemitérios de hoje está muito presente a preocupação pragmática: trato, simples, económico e higiénico.

Cada vez se torna mais comum o enterro anónimo. Na Alemanha também se fazem enterros nas florestas. A cinza é colocada junto a uma árvore. Assim se desobrigam os sobreviventes da visita. Nota-se também aqui a tendência para se fazerem liturgias de defuntos, também nas florestas, nas comemorações específicas do ano litúrgico.

O falecimento cada vez se torna mais uma coisa privada, desaparecendo cada vez mais da consciência pública. Os hospitais e as casas de terceira idade cada vez se transformam cada vez mais em guetos.

Antigamente era normal o sobrinho assistir, em casa, à morte do avô. A morte e a transitoriedade da vida estavam mais presentes e faziam parte da vida. Em regiões protestantes havia até o costume de no crisma se oferecer ao crismando uma camisa para usar como moribundo.

Com o iluminismo e a industrialização do século XIX vai-se esvaindo a preocupação da salvação da alma ficando apenas o medo perante a morte.

Já 10.000 a.C. era costume enterrar os mortos com suplementos entre os quais alimentos.

Antigamente, era hábito, depois de lavado e vestido o morto, este ser assistido em casa pela família, procedendo-se ao enterro no dia seguinte, partindo-se em procissão da casa do moribundo para a Igreja e daí, depois da liturgia de defuntos, o falecido era acompanhado até ao cemitério para as últimas despedidas.

Hoje em dia o defunto é levado para a capela mortuária, geralmente no cemitério. Devido às técnicas de conservação e à prática da cremação em muitos casos, o funeral é marcado para uma data conveniente. Na capela mortuária realiza-se a despedida litúrgica em que geralmente se faz uma resenha da biografia do defunto. O defunto é acompanhado depois até à campa, onde os acompanhantes lançam um punhado de terra, ou umas flores sobre a urna.

Entre judeus crentes é uso os familiares rasgarem uma peça de vestuário em sinal do luto. Segue-se a lavagem ritual sendo depois o defunto vestido com uma veste branca comprida e a cabeça coberta com uma cobertura branca. O caixão é igual para todos. O funeral realiza-se no mesmo dia da morte ou no dia seguinte. Os visitantes lançam pedrinhas sobre a campa em sinal da recordação.

Também os muçulmanos enterram, geralmente o morto no mesmo dia da sua morte. O morto, geralmente não é colocado num caixão mas sim envolvido em panos especiais para o efeito, sendo colocado na campa com a cabeça na direcção de Meca

Para os Hindus não há rituais fixos para todos. Normalmente, o cadáver é lavado e untado com bálsamo. Depois de vestido é queimado. A cerimónia dura até dois dias espalhando-se a cinza no rio ou enterrando-se.

António da Cunha Duarte Justo

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António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa

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