ISLAO E OCIDENTE – UM DIÁLOGO DESIGUAL E HIPÓCRITA

Quando o terrorismo levanta a voz, as democracias europeias tremem e os responsáveis desconversam. Então o acto ritual é comum e o mesmo numa liturgia uníssona: os governos declaram que o problema se reduz apenas a extremistas; os políticos das várias cores engraxam o povo e os terroristas passando as velhas contas do seu rosário já desgastado na repetição das palavras mágicas “diálogo” e “tolerância”; os profissionais do saber escusam-se dizendo que algures há um potencial movimento de muçulmanos moderados abertos ao modernismo; os jornais para abrandarem as possíveis fervuras e a sua incapacidade de raciocinar calam o problema ou dão-lhe a volta com a argumentação das cruzadas cristãs; o Zé-povinho mete o rabo entre as pernas, diz Ámen e reza a Santa Bárbara; e alguns que leram o Corão e as Instruções do Profeta (Hadites) murmuram baixinho a sacrílega fórmula: o mundo islâmico não é compatível com o mundo ocidental. Estes, destoando no meio de tanta harmonia, de tanta hipocrisia, na abnegação do saber e na cegueira do não querer ver, são tratados como os antigos mensageiros anunciadores de guerra.

Duas sociedades paralelas em diálogo paralelo!
De resto, tudo ouviu dizer, ninguém leu, ninguém se informou pois saber compromete! No caso chega a opinião; aquela verdade que alimenta o povo e é filha da ignorância ou da má intenção.
Também dos sinos das igrejas e dos minaretes das mesquitas ressoam só vozes de paz celestial. Também eles não estão e não vêem, só ouvem o barulho da turba que passa não se dando conta donde ela vem e para onde ela vai!
É uma conversa de autistas em que cada um dos contundentes se dirige aos seus adereçados. O Ocidente fala para o seu rebanho indiferente e os Islamistas para os seus soldados e para o seu povo de plantão! Duas sociedades paralelas em diálogo paralelo!
Isto não é a terceira guerra mundial, não é o Islão contra o Ocidente, é apenas uma espécie de guerrilha como nos tempos lusitanos entre os prosélitos de Viriato (com a sua estratégia de guerrilha) e as tropas dos generais de Roma. Hoje como outrora “tecnologias” desiguais. Tal como outrora as linhas de combate não estão demarcadas. As fronteiras são culturais, ideológicas / religiosas não se podendo localizar o inimigo. Se então o “petróleo” cativava Roma, hoje ele é limitado e o que prevalece e permanece é a cultura, na guerrilha de alfobres plantados… à imagem dos outros em terras jugoslavas!
Direitos individuais sacrificados aos direitos culturais
A acção e a reacção do mundo muçulmano ao mundo ocidental têm sido profícuas confirmando a sua convicção e entusiasmo no seu empreendimento mais prometedor em termos de futuro. Enquanto que o Ocidente se preocupa em encher os cofres dos bancos na expansão económica e na exploração das fontes de riqueza material, os muçulmanos dedicam-se à expansão da sua cultura, de forma agressiva na África e na Ásia e de forma imperceptível na Europa. Duas guerras, duas estratégias, uma perspectiva: ganhar. Os europeus ganham dinheiro, ganham o presente e ganham a má consciência; os muçulmanos por seu lado ganham respeito, ganham o povo, ganham o futuro!…
Os Estados não tendo ainda superado a consciência tribal vivem do negócio multicultural. Cada um na sua coutada, com o seu rebanho como presa não está interessado na defesa dos direitos humanos. A Europa mente quando diz que defende os direitos humanos porque os não transforma em moeda comerciável, porque os não inclui nas suas relações e contratos bilaterais, aquilo que faz a nível económico!
Assim, o mundo ocidental não se preocupa com a vida das pessoas e aceita tudo. Uma mulher da arábia pode testemunhar a opressão da mulher oprimida através do seu lenço de cabeça mas a mulher europeia não pode testemunhar a sua “liberdade” passeando em bikini no Irão, na Arábia. Delegações europeias vergam-se às exigências muçulmanas colocando o seu lenço na cabeça quando os visitam e até acham engraçado ver o mundo daquela perspectiva. Eles porém, quando vêm cá, chegam a boicotar o uso de álcool mesmo aos parceiros europeus em recepções bilaterais. Na Europa exigem a construção de mesquitas até com minarete e na sua terra proíbem as organizações cristãs. O Ocidente tem de ir ao encontro das exigências muçulmanas a ponto de ceder o próprio carácter mas eles não transigem em nada. Podem organizar as suas instituições e mesquitas em toda a Europa sem contrapartidas. Prisioneiros muçulmanos chegaram a exigir numa cadeia que conheço na Alemanha um cozinheiro muçulmano porque a comida preparada por cristãos era impura. Interessante é que a Turquia, que se apresenta como a moderníssima entre os povos muçulmanos, não permite a expressão pública religiosa a outras religiões que não sejam muçulmanas. Lá só é permitido um único padre católico para cuidar dos católicos da Turquia e do Irão. Cristãos que se atrevam a missionar na Turquia estão sujeitos a prisão até três anos. O toque de sinos é proibido em território turco. Há igrejas das quais foram feitos currais. Aos cristãos é-lhes proibido renovar ou construir igrejas. Ainda hoje, os cristãos na Turquia são identificáveis com o número 31 no Bilhete de Identidade. A Alemanha permite que anualmente os consulados turcos mandem para cá 300 Imames (chefes religiosos) por ano para garantirem a missionação autêntica. A Arábia – Saudita que não permite o exercício da religião cristã sequer privadamente em casa, financia em toda a Europa a construção de mesquitas com minaretes.
O Islão também expande na Europa devido a uma certa hostilidade de políticos europeus contra a cultura cristã
Embora muitos políticos europeus sejam religiosamente indiferentes deveriam empenhar-se na defesa da expansão do cristianismo nestes estados porque a recusa do cristianismo corresponde à recusa da cultura europeia, até porque na sua concepção só o homo religiosus conta. Sim à construção de mesquitas na Europa e não à construção de igrejas na Turquia – isso não pode ser! Assim se renuncia a um instrumento das convenções bilaterais que fomentaria a democracia nos países islâmicos. Seria fatal se o Islão se expandisse na Europa à custa duma certa hostilidade de políticos europeus contra o cristianismo. Aqui a questão não é religiosa é cultural! Quem não vê isso é cego. Em toda a discussão é propositadamente ignorado que o Islão é um sistema religioso que se identifica com o sistema político.
Se os políticos tomassem a sua cultura e a sua populacho a sério não só cederiam aos desejos muçulmanos mas teriam de exigir bilateralidade nas relações. Deste modo os grupos lobbies muçulmanos na Europa teriam de se empenhar e embarcar no diálogo e não apenas formular exigências.
A arte de se sentir melindrado
A reacção do mundo muçulmano às caricaturas sobre Maomé e à aula dada por Bento XVI em Ratisbona mostra sistema, competência e boa organização. A reacção do mundo ocidental às provocações islamistas e às exigências dos grupos muçulmanos na Europa mostraram incompetência, desrespeito pelo parceiro cuja filosofia desconhecem e falta de espinha dorsal! Por toda a parte só se observa cedência e má figura em toda a linha. Analfabetismo e indiferença quanto aos valores religiosos e seculares! Se o islamismo já pode muito, o medo e a ignorância ajudam-no.
Muitos preocupam-se com o sentimento muçulmano ofendido. O sentimento ferido até parece verdadeiro e autêntico pelo facto de ser sentimento. Por isso tem carta branca para tudo e exige logo uma contra-ofensiva de actos de desagravo da parte europeia. Uns e outros esquecem porém que para muitíssimos muçulmanos a existência do cristianismo já é uma ofensa, que a existência de Israel é uma injúria, e que os Estados Unidos da América constituem um insulto diabólico.
Se não houvesse tanta cobardia da parte dos europeus certamente que os irmãos muçulmanos nos respeitariam mais.
Resultado: Uma cedência só deve acontecer de forma recíproca para que se possam desenvolver processos de diálogo sério e se possibilitem mudanças nos estados islâmicos.

António Justo

António da Cunha Duarte Justo
Social:

PÁTRIA – FAMÍLIA – RELIGIÃO DE REGRESSO

A política ainda se encontra na taberna e a procissão já vai no adro. As bandeiras, a pátria e Deus estão de volta! Por todo o lado são visíveis novos sinais na procura dum novo espírito para o século XXI.
A avangarde já deu o que tinha a dar. Enquanto que nas sociedades periféricas ainda abunda o abstracto do preto e branco já na arte e na ciência são bem-vindas as cores e o figurativo. A mesma literatura também já se não envergonha de temas românticos e da cor local o que se vem confirmar na escolha do turco Pamuk para Nobel da literatura.
Por outro lado, a União Europeia (EU) com o seu Euro e o globalismo económico mundial e consequente socialização dos seus produtos obrigam-nos, não já a apertar o sinto mas a dar contas à vida e a poupar. O tempo do esbanjamento aproxima-se do fim em proveito do terceiro mundo. Os tempos de restrição favorecem os conservadores. Poupança não é coisa para socialistas, a não ser que sejam obrigados a isso, como está a acontecer por toda a Europa sob o regimento da UE. Poupar é mais coisa de donas de casa e de conservadores. A vida privada tem de ser mais pensada. O optimismo e o progresso são abrandados pelo facto de as fontes de energia e as matérias-primas terem de ser agora mais repartidas também pela Ásia e pela África.
Actualmente o Estado favorece o capitalismo económico e financeiro e neste o grande capital anónimo. Isto dá-se à custa daquela camada social, que antes do 25 de Abril, ou melhor, nas sociedades tradicionais constituía a força renovadora do Estado, a burguesia sempre orientada para a produção, o rendimento. Agora mais que o rendimento importa o lucro imediato à custa de tudo e de todos….
Nos tempos que correm passamos da brisa suave duma economia localizada para uma economia de rajadas dos mais fortes que limpam com tudo o que é pequeno. Num movimento tão vertiginoso e incalculável tornam-se óbvios valores conservadores baseados na sua palavra de ordem contenção. Agora, no perigo de nos levarem até a roupa vestida, torna-se óbvio conservar.
Depois das orgias à margem de filhos não tidos mas compensados com uma imigração irresponsável começam a surgir insónias inerentes a duas sociedades paralelas dentro da mesma nação. A sociedade precisa de reforços, de filhos mas estes já não são a bênção de todo o lar. Tornaram-se mais num peso contra as aspirações individuais da camada social média reduzindo-se quase a uma oportunidade compensadora para os pobres e para as comunidades muçulmanas.
Depois das lutas anti-autoritárias e contra a família, com a correspondente socialização do nível escolar pelas bases, surge agora o desejo de mais autoridade, a necessidade de escolas de elites.
Estes e outros factores criam a necessidade de uma nova orientação no comportamento e na mentalidade das pessoas. Deparamo-nos com uma tendência conservadora só que nem os conservadores genuínos nem a ala conservadora socialista estão preparados para dar resposta e expressão ao novo espírito latente. Este sentimento conservador, visível em todas as manifestações populares desde o futebol à religião, desde as escolas às universidades, precisa de ser captado e tornar-se expressão não só nos partidos do PS, PSD e CDS…
O centenário iniciado poderia conter a aspiração de se não deitar vinho novo em odres velhos. Há que preparar-se a mudança de mentalidades e iniciar uma estratégia nova em especial no meio da camada jovem ainda não pervertida. Só uma direita e uma esquerda renovadas poderão dar resposta às necessidades do novo século e servir o povo e a nação. PS / CDS e PSD tornam-se cada vez mais iguais nos programas e actuações, tendo como consequência o fomento duma esquerda irrealista e mais radical. Conservadores de fato ou de gesto e esquerda de caviar desonram as filosofias que pretendem representar. Os socialistas terão de se desamarrarem das cargas herdadas do 25 de Abril, à la Soares. Uns e outros precisam duma restauração para poderem dar resposta às exigências do séc. XXI. Não chega continuar um discurso de cigarra baseado em modelos de sociedade já falhados e tentar apenas compensar esses défices com arranjos ad hoc prentensamente legitimados por carícias de povo mal informado.
Também nas escolas não chegam as aulas de Ciências Sociais, é necessário o estudo sério da História que não deve ser castrada e colocada à disposição dum regime e duma classe política.
O modo de estar de socialistas e conservadores, a continuar como até agora, leva ateus críticos e pensadores cristãos a engrossarem as fileiras de pequenos dissidentes ou a distanciarem-se da política.

António Justo

António da Cunha Duarte Justo
Social:

Aborto – despenalização da interrupção voluntária da gravidez

O Paradoxo Democrático
A política pretende um poder de disposição ilimitada sobre a vida e fundamenta essa pretensão com a liberdade humana e da ciência, ou, como no caso do projecto de lei N° 19/ até com a sua compaixão por mulheres. Como o argumento afectivo pode muito o referido projecto “Sobre a Exclusão da Ilicitude de casos de Interrupção Voluntária de Gravidez” confessa “em homenagem a todas as mulheres que sofreram na pele este flagelo e que durante todos estes anos se viram inibidas de qualquer protecção”. Com o seu sentir social, despenaliza também aquelas que “por razões de natureza económica ou social” realizem o aborto nas primeiras 16 semanas de gravidez “. Esta razão mostra o estado desumano da nossa sociedade que em vez de assegurar uma vida digna àquelas mulheres grávidas que por razões económicas se vêem obrigadas a abortar sem alternativa compensatória.
Torna-se óbvia e eminentemente necessária a criação duma instituição de adopção para crianças ainda no ventre materno (1) e de apoio a tais mães. Na falta de preservação da integridade humana recorrem ao argumento da moral arruaceira (2) para explicarem o projecto.
De referir a falta de espírito crítico e o espírito apelativo e emocional que apresenta a necessidade do referendo como “um imperativo de consciência” (3).
Antes de avançar na apresentação de alguns argumentos desejava que ficasse bem claro que a mães abortantes não se aponte o dedo incriminatório ou o machado da moral. Na discussão quer-se um ser consciente e adulto que possa estar para lá dos moralismos e interesses que estão por detrás do processo que o governo inicia ou de qualquer arauto duma moral anónima. Nada substitui a decisão consciente de cada pessoa como quer a nossa tradição cultural. Importante é trabalharmos todos no sentido de nos tornarmos mais Humanos e de ajudar outros a sê-lo também.
A legislação não pretende nem pode legalizar o aborto. Só cede à nossa fraqueza de seres humanos e apenas o despenaliza. A pressão e a necessidade dos partidos criarem consenso prevalece sobre a razão. Estes vivem dum relativismo ético que pretende predispor tudo e todos para um pluralismo de noções de valor necessário aos partidos. Só interessam visões partidas, sem interesse pelo integral, distante duma visão global dinâmica, no interesse da perspectiva, embora as leis da perspectiva já tenham sido alargadas pelas leis da nova física, pelos quanta e pela trindade (relativismo absoluto transcendente). A ideologia ecológico – naturalista e materialista parte da categoria valor da vida sem diferenciação entre animal e ser humano. Ela até chega a preferir o animal ao homem qualificando, por vezes, este de racista em relação às outras espécies. No partido dos Verdes há um grupo de radicais que desejaria que a população mundial humana se reduzisse a um quarto para que os vegetais e animais se pudessem desenvolver melhor!
A prática da interrupção voluntária da gravidez é discutível em todas as culturas por ser um atentado à dignidade humana e ao direito à vida. Na referida prática surge o conflito entre o direito da mãe à autodeterminação pessoal e o direito do feto, da criança, à vida, além dos riscos e complicações físicas e psíquicas da mãe e o empobrecimento da sociedade com menos um cidadão.
Segundo as ciências naturais, o código do óvulo fecundado já é o de um ser humano. Para os Persas era mais grave o aborto voluntário do que a infidelidade matrimonial. A doutrina moral católica considera o aborto um atentado à vida porque é contra o direito natural. A criança já recebe a alma no momento da geração.
A luta pela emancipação feminista torna-se mais forte nos anos sessenta com o argumento: “a barriga é minha” exigiam a libertação da pena e até consideram o aborto como um direito. A vulgarização dos anticonceptivos veio acalmar um pouco a luta.
Os partidos da esquerda viram na problemática e no sofrimento social de muitas mulheres uma oportunidade para chamarem a si eleitoras num público cada vez mais numeroso. Entretanto os homens exigem também o direito de voto na decisão de abortar ou não abortar atendendo a que se trata de decidir não sobre a própria barriga mas sobre o fruto – corpo comum, resultante da intervenção da mulher e do homem. Este é um ponto importante na discussão mas os partidos ainda o não tomam a sério por não ter relevância política suficiente a nível de votos!
A Discussão
O assunto do aborto é demasiado sério e tem demasiadas implicações para poder ser apenas regulado por leis. Também a discussão não deveria ser conduzida sob o desígnio de ideologia, e de fundamentalismos tradicionalistas ou marxistas. São latentes os dogmatismos de opinião quer dum lado quer do outro. Neste aspecto basta recordar alguns slogans: “holocausto de bebés”, “ontem o holocausto – hoje o bebé-causto”, “os especialistas da morte”, “fundamentalistas”, etc. Em tudo isto há muitas contradições no respeito pelos não-nascidos e no desprezo pelos nascidos e vice – versa! Por um lado tem-se respeito pelo repouso dos mortos no cemitério mas não pelo repouso da vida no ventre da mãe!
As duas partes apontam para interesses importantes que justificam: para uns a liberdade para outros a vida. Para complicar, este assunto não se pode reduzir a uma questão de opinião das massas mais ou menos manipuladas nem meramente resolvido abstractamente nos laboratórios do pensamento e da moral. Esta é uma questão vital de cada pessoa no encontro e na relação individual e social.
O Paradoxo Democrático
Para muita gente a vida dum ser humano só é considerada indisponível desde que se consiga defender. Este é um ponto muito fraco dos nossos sistemas sociais, diria mesmo, o busílis da legitimação da sociedade: o fraco não conta.
Na nossa sociedade o direito a ser defendido começa com o ser cidadão, não com o ser pessoa… Nesta visão pragmatista do ser humano, a falta de consciência de ser e a perda da consciência tem como consequência a perda do direito à vida, do direito de estar (seja ela feto, demência ou velhice incómoda). As democracias mutilam as pessoas ao quererem fundamentar os direitos do homem à vida apenas nos interesses concretos delas. Cortam a corrente à sociedade que passa a viver segundo o leme: o último que feche a porta! Ao reduzir-se o valor do ser humano a um estado de consciente ou inconsciente questiona-se o futuro de não nascidos e de nascidos. Tudo se torna subjectivo e relativo mensurável e valorizável em pesos e medidas deriváveis dos interesses da sociedade in loco. Nesta sociedade a vida é apenas uma qualidade dum determinado substrato material. Tudo se torna substituível na intencionalidade funcional, que se torna credo e ciência. Este substrato material reduz-se a veículo de necessidades e emoções mais ou menos oportunas, mais ou menos úteis e justificáveis da aventura ocasional. A vida e a morte tornam-se apenas o veiculado no espaço social. O que importa, no fim de contas é o suporte! A autodeterminação é deslegitimada através duma ideologia ad hoc que in loco e ad hoc determina o que é oportuna à vida ou não. O desejo espontâneo determina e o critério e a aceitação social. Por isso se faz tudo por nivelar tudo e todos pelo nível mais baixo. A hipersensibilização da opinião pública utilitarista torna-se o barómetro e a directiva do estado anímico social. Neste contexto não há lugar para uma ética com validade geral. A democracia passa a ser apenas um estado, um estado de espírito deficitário.
A Grelha Cultural Substrato
A auto – compreensão da nossa cultura ocidental considera a vida humana como tabu! Mesmo a vida dos seres inferiores deve ser respeitada e a licença para matar não deve ser apenas o resultado da opinião das massas movidas num ou noutro sentido. Também nenhum partido elabora um referendo ao povo solicitando-lhe uma decisão sobre a pena de morte para assassinos e terroristas! Aqui a vida ganha valor e os partidos sabem porquê?… Cada época da cultura dum povo tem os seus altos e os seus baixos. A filosofia cristã (síntese do pensar judaico – cristão, e greco-romano), como fundamento da nossa cultura não poderá nunca aceitar a permissão de matar. Ela está para a nossa cultura como a lei fundamental está para as leis; tal como as leis hereditárias da genética estão para os seres ela está para a nossa cultura! A sociedade com a sua cultura é um organismo vivo. Quem desconhece os fundamentos da nossa cultura, troca o ser pelo estar: canta de cuco mas anda sempre a pôr os ovos em ninho alheio.
Esta cultura é polar na sua dinâmica integral não excluindo portanto aquelas que os presunçosos e levianos chamam de pecadoras. Este assunto tem passado desapercebido na nossa civilização ocidental. Será talvez o tema do nosso novo século: através do estar dialéctico ao ser polar integral. O félix culpa!…
Vendados no seu processo dialéctico uns procuram fundamentos para poder matar e outros contra o matar em nome do direito! Aqueles, na dança da morte querem com a algazarra quebrar o tabu para partirem para uma nova situação. Talvez os desculpe o calendário, a festa pela festa ou meramente os foguetes encomendados!… Esta iniciativa funda-se na desgraça da aliança entre interesses políticos e uma casuística não esclarecida em que as vítimas são as mulheres e as crianças. Quer-se, através de cosméticas, uma política desumana em que o ser humano deve estar cada vez mais à disposição.
A vida é santa, é um direito incondicional e indisponível, não podendo tornar-se comerciável! Também a mãe não é apenas a portadora de material genético para uma criança. Segundo as ciências naturais a vida humana começa com a geração. Por outro lado nega-se à criança um direito à vida. A lei constitucional defende a vida mas a lei através do código penal despenaliza a não observação da mesma em certos casos.Querem reduzir o ser humano a um pedaço de matéria com valor relativo, tratando-o como um bocado de matéria sem valor. O Estado determina a morte da criança sem que ela tenha direito a advogado de defesa num sistema que regula a morte mas não ajuda a vida. No respeito pela pessoa e pelos seus defeitos Estado, Igreja e Indivíduo deveriam acompanhar as atingidas ajudando-as e acompanhando-as na esperança de elas se decidirem pela vida mas no respeito da sua decisão última sem as julgar. A vida humana é sagrada mas para nascidos e por nascer!
O ser humano não precisa de ser fundamentado nem de se justificar, nem necessita tão-pouco de ser encurralado nem sequer opiado por leis desumanas. Os direitos humanos não surgiram duma fundamentação racional mas sim declarados como axiomas a partir da religião na experiência do seu caminhar por vezes tenebroso ao longo da história. A razão não tem dogmas e estes se nalgum lado existem são dinâmicos no dogma dos dogmas que é a vida!…
É decadente procurar, através da plausibilidade das opiniões, passar-se à relatividade do valor da vida para assim se criarem novas realidades enganosas. Querem a castração dum povo de espírito caduco em que todos os gerados já seriam poucos. Não querem mães nem filhos, só querem fêmeas para cobrir e depois enjeitarem… Vivem da desobriga do amor no galanteio com abortantes e homossexuais que não amam mas conquistam com leis que os amarram ao esqueleto do partido. Não tomam a vida nem as pessoas a sério no seu caminhar fiel a princípios não pensados até ao fim!
Cria-se um aparelho de auxiliares da maquinaria de liquidar pessoas consideradas coisas. Faz-se a vénia à opinião e não à vida. Também se fala da honra dos médicos que receitam o aborto; por falta de tempo fazem tudo na liberdade de opiniões sem considerarem os / as atingidos/as. O aborto da criança torna-se banal porque fruto da banalidade duma vida abortada! Abortar será mais barato que arrancar um dente. Apesar de tudo permanece uma hipocrisia que pelo facto de ser colegial não se fundamenta. Assim o pluralismo das ideias de valor pressupõe a abolição da validade universal de valores e consequentemente a anulação da moral e nesta a decadência da democracia.
Com o direito sobre a vida e sobre a morte, a pessoa desobriga-se, desresponsabiliza-se passando a reinar a arbitrariedade seguindo-se-lhe o despotismo
António Justo

(1) Seria óbvia a criação duma instituição mediadora de adopções de crianças declaradas para aborto por razões económicas (caso ainda não haja nenhuma para o efeito específico). Esta poderia ser uma fundação benemérita particular ou a cargo da Igreja. Necessitar-se-ia duma legislação de desburocratização das leis de adopção para o assunto em questão. Desembargo da adopção acautelada do negócio.. Eu estaria disposto a colaborar .
(2) Querem a lei para preservação da integridade moral, dignidade social e da maternidade consciente.

(3) O Projecto de Resolução N.° 148/X diz que o imperativo de consciência se expressa num referendo em que os cidadãos eleitores recenseados no território nacional sejam chamados a pronunciar-se sobre a pergunta seguinte: “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?” Os cidadãos eleitores recenseados no território nacional foram chamados a pronunciar-se em 28 de Junho de 1998 sobre o mesmo assunto recusando-o. Os políticos sabem que o povo muda facilmente de opinião e tentam de novo a sua chance!…

António da Cunha Duarte Justo
© 2006 António Justo:
in “Enciclopédia da Vida”

António da Cunha Duarte Justo
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União entre Portugal e Espanha! – De Couto para Província?

Num País de Sonhadores há sempre um D. Sebastião
A revista espanhola El Tiempo apresentava ontem, 17.10.06, os resultados duma sondagem feita algures em Espanha em que 45,6 % dos espanhóis se manifestam pela fusão de Portugal e Espanha. Destes, 43,4% defende que o novo país se chame Espanha enquanto que 39,4 % opta pelo nome Ibéria. A maioria 80 % quer a capital fique em Madrid e 3,3% favorecem Lisboa. Metade dos inquiridos quer o regime monárquico espanhol, 30,2 % é favorável a uma República.
O mais grave é que, aquando da visita de Cavaco Silva a Espanha, uma sondagem certamente não representativa do semanário português Sol referia que 28 % dos portugueses são pela integração de Portugal e Espanha num único Estado.
Estes são inquéritos sem credebilidade mas que podem revelar os estados de alma dos dois lados da fronteira.
Para a Espanha seria esta uma maneira fácil de resolver os seus problemas políticos internos ainda não arrumados duma nação multinacional politicamente ainda não estabilizada. Esta poderia ser uma estratégia indirecta de resolverem os problemas da sua casa numa de mais valia.
Olivença já lá está não tendo problemas com ela. O contrário de dá com Catalães, Bascos e Galegos .
Para Portugal continua a restar-lhe o sonho. Num país de sonhadores há sempre o recurso a um D. Sebastião que resolve aquilo que deveria ser resolvido por eles.
As reportagens do Tempo e do Sol são de questionar-se. Não serão estas sondagens artimanhas de nacionalistas ou de progressistas? …. De patriotas certamente que não.
Para os nominalistas portugueses não haveria problemas porque viriam na Espanha o D. Sebastião e ficariam de espírito agradecido ao naco de pão numa atitude semelhante ao cão fiel não à raça mas a quem lhe dá o pão. Esta atitude parece-me mais de progressistas. De resto, um ataque ao sentimento nacional. Os que favorecem a opção pela eventual união entre os dois países vizinhos fundamentam-no com os benefícios económicos. Sujeitar-se-iam a ser espanhóis porque lá se ganha mais e se paga menos pelos serviços e pela energia. Esta posição é própria daqueles que se comportam como a avestruz que quando vê o perigo enterra a cabeça na areia na esperança de que o problema passe. Só que a receita para tais seria sonhar menos e trabalhar mais. Só conta o Mamon.
Por outro lado a Espanha não aguentaria tanto sonho nem com um povo em que cada um e cada qual é um governo! A guerra da nova Aljubarrota que Espanha trava é a económica e os seus generais já se encontram posicionados por todo o Portugal (o que não condeno porque também criam riqueza). Naturalmente que também levantarão o tributo da antiga afronta e o enviarão em desagravo para Espanha.
Este é o problema dos pequenos. O que não têm nos músculos terão que o ter no cérebro, na organização e na disciplina… Uma desilusão não se resolve com uma nova ilusão nem só com greves. O que Portugal tem é de valorizar a sua maça cinzenta que é muito boa e aplicá-la. Então, a exemplo duma Irlanda, duma Suiça poderemos de novo dar mundos ao mundo, podendo estar mais satisfeitos connosco e suportar melhor a leviandade das nossas elites sem termos de as lançar ao Tejo para nos subjugar a Madrid. Primeiro teremos que unir Portugal, unir o povo acabando com os senhorios, temos que unir o interior e o litoral, a cidade e a aldeia. Para isso é necessário dividir Portugal em duas ou três regiões naturais, temos de reduzir os deputados para metade e tornar as administrações distritais e camarárias mais eficientes e organizadas em planos supra-distritais.
Porque tropeçar na Espanha se já estamos nos braços da Europa. A maior parte da soberania já a demos à União Europeia. Ou já não chegam as comendas?
De tudo isto uma coisa é certa, as nossas escolas têm que ensinar mais história de Portugal onde se aprenda a ser português. Ou já estão esquecidos da batalha de S. Mamede e da vontade popular, sempre repetida contra os tais das comendas, frente às varandas reais?

António Justo

António da Cunha Duarte Justo
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Medidas contra casamentos forçados de crianças

A Coligação do Governo Alemão decidiu, esta semana, medidas contra casamentos forçados.
Na discussão sobre casamentos forçados de jovens muçulmanas a coligação acordou impedir, por lei, a imigração a menores para efeitos de casamento. De futuro só será permitida a imigração a cônjuges com um mínimo de 18 anos de idade. Muitas das famílias muçulmanas imigradas recorrem ao arranjo de casamentos mandando vir principalmente mulheres para os familiares; outras famílias aproveitam-se da ida de férias para fazer lá o casamento.
O ministro do interior queria que a idade mínima de ingresso na Alemanha fosse de 21 anos atendendo a que muitas meninas muçulmanas são obrigadas a casar sem opção de escolha. O partido do SPD conseguiu reduzir a idade para 18 anos. O compromisso prevê assim que se impeça a imigração para casamentos arranjados ou forçados. O recurso ao casamento tem sido uma das medidas a que recorrem famílias imigradas para adquirir uma permissão de estadia. Para impedir tais práticas a legislação em via exige que haja conhecimentos da língua alemã para a parceira ou parceiro que emigra para a Alemanha. Com esta medida, querem evitar também”o importe dum défice de integração”.
Finalmente uma medida acertada na defesa da dignidade da pessoa! A hipocrisia em muitos países do ocidente tem sido descarada. Enquanto que para si reivindicam o cumprimento dos direitos humanos exigem tolerância para a repressão da mulher no Islão, mesmo no seu seio. Muitos políticos ainda não reconheceram o âmbito das injustiças de que são vítimas as mulheres muçulmanas que vivem entre nós e o perigo que isso constitui. Elas são vítimas duma violência instalada e institucionalizada. Elas encontram-se muitas vezes reféns duma cultura de família. A mulher muçulmana deveria ser especialmente protegida e promovida pela sociedade ocidental atendendo à sua situação precária e a que dela dependerá a reforma séria do Islão e sua consequente modernização.
António Justo

António da Cunha Duarte Justo

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