PCP castiga Luísa Mesquita

É lamentável o modo como o partido PC trata Luísa Mesquita, deputada comunista, que embora sob a perspectiva do partido, tem sido uma mulher que se tem interessado a sério pelos problemas dos emigrantes. Embora não pertença ao meu partido, que é o do arco-íris, reconheci sempre nela muita competência, não restringindo o seu mandato a encostar-se aos consulados e a pessoas que não façam sombra… Nas discussões ela mostrava conhecer a problemática migrante por dentro e não apenas por ouvir dizer. Escutava todos e não evitava ninguém, o que já se não pode dizer do seu colega pela emigração na Europa.
Mesquita tem motivo para estar estupefacta e magoada. Os interesses do PC não serão os dos emigrantes. Estes não se deixam submeter a malhas partidárias demasiado fortes. Como castigo pela sua recusa em deixar o seu mandato a deputada só fica integrada na comissão parlamentar da saúde. Luísa Mesquita terá agora mais liberdade para dar menos ouvidos às razões do partido e seguir melhor a própria consciência! Agora poderá defender os interesses dos emigrantes em Portugal, porque aí há pouco quem os defenda!
António da Cunha Duarte Justo

António da Cunha Duarte Justo

O ESTADO PARTIDÁRIO EM CRISE

O Ressurgir duma Nova Consciência Burguesa (1)
O vulcão da religião estremece por todo o lado podendo vir a criar grandes convulsões no mundo. ADe momento, aEuropa acorda e Deus levanta o dedo!
Com a queda do muro de Berlim em 1989 a secularização recebe um grande abalo e as ideologias marxistas perdem o seu encanto. Com a bancarrota do sistema soviético o mundo modifica-se. A política e as elites desacreditam-se. O fanatismo religioso e ateu acentuam-se. Por um lado assiste-se a uma fé infantil cordial e por outro a uma crença arrogante ateísta racionalista. Uns vivem da fé “Deus criou o homem” outros da crença “o Homem criou Deus”.
Os tempos que correm são propícios para fanatismos. A crise e o medo fomentam o sentimento de pertença. O movimento de Fátima parece ganhar razão.
A Europa que no século XIX tinha processado Deus (Marx, Nitzsche, etc), no século XX executou-o, colocando no seu lugar a deusa Liberdade.
As sementes lançadas no século XIX e a proclamada morte de Deus transformam o século XX no mais sangrento de todos os tempos que culminou na “segunda guerra mundial, atiçada por ateístas radicais” ,( Wolfram Weimer, in “Credo”).
Com a experiência das guerras a política consegue triunfos a nível material e mais desilusão a nível humano. A classe política parece ter chegado aos seus limites tornando-se cada vez se menos credível. Desiludidos de Deus e da burguesia, os políticos já não têm convicções, são frios. A convicção e a paixão cada vez se encontram mais da parte do povo, duma camada média, a burguesia maltratada que parecia já ter perdido o espírito.
Hoje, essa “burguesia”, da qual sempre dependeu o desenvolvimento cultural das sociedades, começa a redescobrir-se e a afirmar-se religiosa. Isto tem muito que se lhe diga porque ela é que arrasta a carroça social, e é determinante no seu meio, intervindo e assumindo sempre responsabilidade histórica no desenvolvimento. O resto segue ou aproveita-se mais ou menos inconscientemente da caravana, vivendo de filosofias coniventes com as próprias carências, à medida das necessidades do dia a dia. As elites começam a acordar da Bela Adormecida. Da nova burguesia surgirão os caudilhos de amanhã que porão o mundo na sua ordem.
Se é verdade que o pão é que mata a fome, não se pode desprezar o facto de que o ser humano traz consigo a fome do espírito, a fome da transcendência, que reconhece como sua coluna vertebral. A necessidade é determinada pela camada média da sociedade, pelos que já têm o suficiente para estarem disponíveis a poder pensar.
As orgias intelectuais ideológicas contra a burguesia e seus valores já não entusiasmam nem convencem, desqualificando-se e auto-marginalizando-se. Até à década de 90 viveu-se um tempo de adolescência interessante. Só que os adolescentes de então, os socialistas de ontem ocupam hoje as chefias da banca, das administrações públicas, do jornalismo e mesmo de muitos lugares da indústria.
O processo decadente que se deu no sistema comunista soviético repete-se na sociedade ocidental nos seus representantes institucionais. Nos sistemas socialistas há sempre uma pesada administração totalmente controlada por uma pequena nomenclatura ideológica todo-poderosa. Nos tempos que correm e que são de miséria ideológica e social, é utópico e míope querer reduzir-se a política a administração, tal como naquele sistema. Os socialistas do lado de cá, do post real-socialismo, e os superficiais conservadores sem espírito têm-lhe seguido as pegadas, acreditando todos numa sociedade planificável o que os têm levado a fomentar o poder das administrações e da burocracia. Ainda não notaram que o muro de Berlim já caiu. Ele caiu historicamente mas ainda não caiu nas cabeças de muitos políticos e intelectuais. Isto emperra o andar da história, tornando-se muitos dos progressistas, nos seus empecilhos. Sócrates luta contra este demónio bem instalado mas falta-lhe a água benta e o testemunho.
Falta a reflexão e a empatia. A política empírica instalada dá lugar a uma espécie de nepotismo ideológico à maneira de establishment formal. Na política repete-se o que muitas vezes acontece no casamento. Uma pessoa enamora-se e, sem preparação, casa-se. Depois arranja-se e, finalmente, divorcia-se, deixando atrás de si um montão de cacos.
O pensamento que está por trás da política a partir dos anos 60 partiu dum falso pressuposto: destruir o espaço religioso e os valores da burguesia para criar um espaço livre da política onde o cidadão indivíduo se possa desenvolver sem entraves nem responsabilidades. Como se observa pela crise cultural e de valores em que vivemos, essa ideologia deu barraca mas o infantilismo continua. A política, ao arrogar-se para si o sentido, perdeu o sentido do político. Ao açambarcar para si o espaço da liberdade destrói a Liberdade, o último sentido da política. Como a acção política se reduz a administrar renuncia-se à argumentação política. Equivocou-se ao transformar o (Estado) espaço livre de actuação dos cidadãos numa instância paternalista em que se vinculam uns conglomerados de cidadãos proletários, de prosélitos e se distribuem benesses a clientelas. Pela crise vê-se que isto não chega para fazer política. O século XX cometeu um grande erro: desconhecer o conceito de cidadão desonrando-o ao transformá-lo em cliente em proletário do Estado, à disposição dos partidos, que se apoderaram do Estado. Já os regimes socialistas o tinham reduzido a proletário. Assiste-se quer no sistema marxista quer no sistema ocidental à instrumentalização, politização total do ser humano. A liberdade começa onde a lei acaba. A política tinha-se esquecido de Platão e do Catolicismo que recordam: quem suprime Deus e a Verdade acaba com a política e destroi o Homem!
Toda a cultura é filha da religião e a nossa cultura é filha da religião judaico-cristã depois de muitos anos de ruminação e integração doutras culturas em especial a greco-romana. Quem, com responsabilidade política e cultural não reconhecer essa realidade, como o ser da sua forma de estar, descarrila-se e não chega a lugar nenhum. A crença religiosa e a crença ateísta se querem tornar-se responsáveis terão de se dar as mãos. As duas são filhas do mesmo pai, o cristianismo. Trata-se de ssumir juntos a responsabilidade do futuro para o realizar e possibilitar. Com a queda da civilização cristã o mundo ficaria às escuras. Trata-se de a aperfeiçoar, sublimar e pôr ao serviço da humanidade e do Homem em sintonia e sinergia de esforços.
António da Cunha Duarte Justo
In “ Pegadas do Tempo”
(1) Primeira parte

António da Cunha Duarte Justo

Ousar o futuro

Porque não tentar tornar-nos num clube contra a entropia?
Este espaço, poderia ser encarado como uma plataforma de discussão das próprias ideias, dos próprios projectos no sentido duma sinergia de esforços na descoberta duma nova realidade e duma nova praxis. Seria pressuposto partirmos duma consciência comum de servidores do espírito, trabalhando no desenvolvimento duma nova consciência ao serviço da humanidade e da natureza, numa tentativa de desinfecção da nossa civilização e do nosso dia a dia. Em missão nobre aceitaríamos o erro como parte da realidade humana, diria mesmo, como parte da verdade. (1)
Tratar-se-ia duma tentativa de escrever e actuar que não se fixe no velho paradigma dualista subjacente ao pensar corrente e ao modo actual de organizar a vida. Tratar-se-ia duma nova maneira de organizar a vida coerentemente no sentido de se criar uma sintonia e interferência integrativa do pensar, sentir e agir. Na minha maneira de dizer poderia resumir-se em passar do existir (pensar, sentir actuar) actuar binário para o trinitário. Parte-se duma forma da realidade em que os extremos se unem e em que, analogicamente ao fenómeno da electricidade, dos pólos positivo e negativo surge uma nova expressão da realidade que é a luz. Iniciar-se-ia o caminho da descoberta duma nova maneira de pensar-sentir-agir consentâneo. Tentar-se-ia descobrir o fundamento trinitário da Realidade que constitui como que a grelha base das grandes culturas e criar uma consciência, uma mundivisao de cunho místico-simbólico (2).
Pomo-nos nas pegadas do desenvolvimento qualitativo, dum novo grau, de uma categoria superior que transcende a categoria do pensar dicotómico espírito-matéria, bem-mal.
Para isso será necessário o exercício do pensar místico (meditativo-simbólico) como pressuposto para uma nova forma de estar no mundo. Vale a pena seguir todas as iniciativas que procuram tentar um irromper o futuro. Para isso teremos de renascer para podermos mudar todas as craveiras, os critérios ou normas com que costumamos medir a realidade e pautar o nosso agir.
Ousemos tornar o futuro presente, ousemos, no respeito e ligação ao passado, quebrar as correntes que a ele nos amarram. Ousemos a liberdade na vivência duma nova ética.
Aqui dar-se-ia expressão às forças da nova consciência que aqui e acolá se torna visível mas apenas a nível individual.
O mundo encontra-se incendiado vendo-se por todo o lado as chamas da dialéctica. Só uma nova forma de estar, uma nova consciência conseguirá interferir e mudar o curso da história. Na nova consciência, nesta nova apreensão da realidade a dualidade dissolve-se, resolve-se na trindade. Aqui o sujeito já não se encontra em contradição com o objecto. Estes realizam-se na Realidade trinitária integral, no espírito que é comum às partes aparentemente isoladas ou contraditórias.
O mundo está doente connosco. Porém da febre que nos abafa poderá ressurgir um novo espírito, uma nova geração.
Vale a pena descobrir a realidade tentando ver o que está por trás dela. O homo faber o homo politicus e o homo religiosus não têm sabido dar resposta às aspirações da humanidade limitando-se apenas de forma diversificada a repetir de época para época, a cadeia do mesmo modelo, da exploração do Homem pelo Homem, numa dinâmica do divide et impera. Uma pequena parte da humanidade já se começa a dar conta do ciclo vicioso em que tem vivido e do labirinto em que se meteu. Por isso não poderá continuar por muito tempo a ser vítima e criar vítimas dando continuidade à cadeia de reacções em que se tem vivido até hoje.
Para já trata-se de criar uma nova consciência e não de criar um mundo perfeito. No novo estado tudo é processo dinâmico, tudo é relação, tal como a realidade dos três num só. Aí já não teremos de procurar o bem ou o mal lá fora, no outro, porque estes são apenas momentos materializados duma realidade única que é processo. Então poderemos dar oportunidade a um novo mundo a ser gerado e dado à luz. Para continuar no simbólico, nós já temos o exemplo do cúmulo da criação, da consumação do mundo e do passado e da concretização do futuro a priori e a posteriori em Jesus Cristo; não no da religião mas no da vida, no do cristianismo. O elemento religioso é apenas um aspecto duma realidade aperspectiva. Jesus Cristo é o resumo da revelação, do Homem e da história.
Não se trata aqui da construção dum mundo melhor mas dum mundo diferente, a caminho da verdade. Para isso torna-se importante a descoberta do gene divina no próprio íntimo, no íntimo de toda a realidade e então surgirá o fogo do espírito que arde no coração e nos levará a um olhar e ver diferentes. Da dor do parto sai a vida, surge a luz. E nós tornados então filhos da luz conseguiremos passar do deserto para a terra prometida.
Trata-se de colocar a dialéctica, a tese e antítese, numa unidade dinâmica criadora também superadora da dicotomia dos pólos Yin e Yang no sentido duma realidade tripessoal.
É superar o pensar paradoxal ou polarizador das disciplinas e das ciências para as integrar numa relação interdisciplinar na consciência que ao fixar-se o objecto de observação sobre um pólo se corre o perigo de perder ou negar o outro. No reconhecimento da dicotomia fenomenológica do ser humano, trata-se de descobrir que a variedade das cores do arco-íris se reduzem a uma cor só e embora a sua essência esteja na união, essa união só se torna fenomenologicamente perceptível na expressa da sua multiplicidade.
As feições divinas e eternas tornam-se visíveis nas formas e aparências da matéria; no âmago do nosso ser, do universo torna-se visível o espírito do todo. O que se apercebe a uma visão superficial como antagónico, como independente revela-se aqui como uma realidade única da qual surge a personificação das relações processuais entre “ser” e estar.
António Justo
Teólogo
In “ Pegadas do Tempo”

(1) Peço desde já desculpa, em relacao a este e a outros textos do passado ou do futuro por erros e muitas imperfeições que provenham directamente da minha pessoa ou que sejam devidas ao facto de escrever tudo à pressa sem tempo para rever ou repensar o que escrevo.
(2) Aqueles que seguem mais o pensar racional dialéctico, baseado nas várias materializações da realidade, da história e das filosofias como dados estáticos existentes por si mesmos, estão convidados a não se chatearem logo à partida e tentarem conceder aos interlocutores um bónus quer de erro quer de verdade na procura duma visão mística e simbólica da realidade e dos acontecimentos naturais e históricos.

António da Cunha Duarte Justo

Corte do Porte-Pago à Troca dum Portal On-line! Batota!

O contributo do MNE com a disponibilização dum portal on-line para os jornais regionais vem acompanhado do corte do porte-pago para os mesmos, que eram enviados para associações de emigrantes com o apoio do ministério.

Quer dar-se a impressdao de que a medida do portal on-line seria uma compensação alternativa ao envio gratuito dos jornais. Não é! O acesso de emigrantes à lista de telefones on-line é a pagar.

O subsídio agora eliminado era uma medida acertada. Naturalmente que não favorecia o partidarismo mas os interesses da terra donde provêm os emigrantes para onde se enviam as economias.(De esperar que o que se poupa nos portes não seja depois esbanjado em jornais partidários do seio da emigração!).

Esta é mais uma medida de poupança e de desconsideração pelos emigrantes. Além de se manifestar como depredadora da rica iniciativa regional e individual, dá uma machadada numa fonte de informação isenta e muito querida dos portugueses que continuam muito ligados à terra natal e às pessoas que nela actuam.

Tomam-se medidas sem se conhecer a realidade migrante e sem se ter a mínima consideração por ela. Querem uma migração apenas vaca leiteira, uma emigração de apoio (com remessas de 6,7 milhões de Euros por dia) ao subdesenvolvimento camuflado dum país, cada vez mais velho e do qual os cidadãos mais novos se vêem obrigados a fugir por falta de meios e duma elite irresponsável.

Os emigrantes que continuam a emigrar constituem uma clientela que geralmente não faz parte da camada social consumidora de cultura. Ela é carente e vítima. É de lamentar que os incentivos mais afectivos e efectivos na promoção da cultura sejam regateados e para mais por um país que tem vivido em grande parte da emigração que continua a desconsiderar e de que se envergonha.

Pelo que oiço em muitas reuniões com associações, é geral o descontentamento com os programas da RTPI e com os seus noticiários intermináveis e já por isso inadmissíveis para quem tem mais que fazer.

Que os políticos estejam mais virados para a vertente económica dos emigrantes que singraram no estrangeiro é compreensível mas não justifica nem desculpa a medida. Os políticos têm que aceitar que Portugal continua a ser um país de emigração. Ou será que as migalhas que disponibiliza aos imigrantes as tiram dos emigrantes?

É sarcástica a atitude quando o governo sugere aos jornais regionais para que apelem ao contributo das empresas residentes no estrangeiro no sentido de apoiarem a manutenção dos jornais regionais como “vínculo linguístico e da cultura portuguesa” e ele mesmo os deixa à chuva, desresponsabilizando-se.

O governo em vez de reduzir cada vez mais as verbas produtivas da emigração deveria começar por poupar e racionalizar a administração no estrangeiro. Esta porém engorda cada vez mais porque tem bons padrinhos, mesmo a nível de representantes da emigração para a Europa que se encostam a ela. A administração parece viver para si. E os políticos parecem viver de e para ela.

António da Cunha Duarte Justo

Mau trato de animais!

O Supremo Tribunal alemão deu razão às queixas de muçulmanos considerando a matança ritual de animais legal, ao contrário do que instâncias inferiores tinham decidido. Esta prática (entre muçulmanos e judeus) prevê que os animais sejam mortos de maneira sangrenta sem qualquer anestesia ou atordoamento.

É legalizado um ritual que não tem compaixão pelos animais.

Conseguem ocupar mais um espaço social na Alemanha em nome da liberdade de religião: segundo a sua prescrição religiosa, a carne não pode conter sangue, para não ser impura. Se é verdade que essa prescrição religiosa se baseia no Corão também é verdade que o Corão não obriga ninguém a comer carne. Pode-se ser vegetariano. Porque vêm exigir esse direito a um país que tinha proibido essa prática quando podiam importar a carne da Turquia? O facto de se quererem afirmar mesmo em questões acidentais só ajuda a fomentar a xenofobia!

Desde há dois mil anos se sabe que não é impuro o que entra pela boca mas o que sai dela!…

Isto não deve significar um levantar o dedo contra os muçulmanos porque a barbaridade da matança de quantidades sem conta de animais se deve mais a nós Ocidentais que exageramos no consumo da carne. Além disso esses povos ainda não passaram pela época do renascimento.

Também ainda me recordo, de quando era pequeno, como os porcos eram mortos e como o sangue jorrava não falando já do esbugalhar do olhar animal e da luta do animal com a morte. Desde então aprendi a venerar a carne que como e a ser mais regrado no seu consumo… Os animais vertebrados sentem a dor como nós.

Nesse tempo não eram conhecidos ainda os novos métodos dos matadouros que poupam já muitos dos sofrimentos aos animais embora estes certamente pressintam a sua morte quando arrastados para os matadoiros.

O Supremo tribunal legaliza a desumanidade dando um passo em direcção à Idade Média e o que é pior ainda fundando a sua decisão em nome da liberdade religiosa. Os juízes enganam-se no fundamento que dão para a permissão. Ou será que querem abandalhar o religioso? Aqui não se trata do cumprimento duma obrigação religiosa mas duma prescrição para a comida. De facto não é exigida a matança do animal de maneira sangrenta. O Corão apenas proíbe o consumo de alimentos impuros (Suras 1, 168 e 5, 4) não obrigando ninguém a comer carne. Para mais a autoridade religiosa da universidade do Cairo considerou o emprego do electro-choque rápido conforme ao Corao, podendo assim, os que se orientam pela norma, renunciar à forma arcaica brutal da matança.

O mesmo se diga de touradas em que o sangue jorra e em que o animal é maltratado e morto de forma cobarde em campo.

Estas e outras tradições de barbaridade com um pouco de fantasia poderiam ser transformadas ou mesmo substituídas por práticas ou ritos mais “humanos”. Se queremos enobrecer o Homem teremos de começar por considerar e respeitar o animal tal como fazia no século XII Francisco de Assis com “o irmão burro”, a irmã vaca, “o irmão sol”…

António Justo

António da Cunha Duarte Justo