DIA DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS 2017

Obrigado, pela Visita, Senhor Presidente Rebelo de Sousa

António Justo

O Presidente Rebelo de Sousa no dia das comunidades, visita os portugueses emigrados na tentativa de criar pontes entre as comunidades portuguesas e Portugal.

Com a visita a Paris e agora ao Rio de Janeiro (São Paulo e Recife), o Presidente procura simbolicamente compensar, a nível afectivo, a ligação de Portugal aos portugueses emigrantes, numa iniciativa para remediar uma carência emocional positiva da sociedade portuguesa para com os seus compatriotas fora do país.

De facto, na opinião pública portuguesa nunca se deu relevância aos emigrantes nem ao seu relevante significado para o desenvolvimento económico do país.

Mais vale tarde que nunca! A má consciência das elites portuguesas perante o fenómeno da emigração e uma certa inveja depreciativa de grande parte da camada popular, por vezes, também fomentada por algum emigrante turista, parece começar a mudar-se para melhor.

Obrigado senhor presidente Rebelo de Sousa! A sua visita talvez dê aos Mídias portugueses a oportunidade de focarem os aspectos positivos que os Emigrantes trouxeram para Portugal, apesar do desconsolo e do desperdício que significa para uma nação o facto de muitos dos seus cidadãos terem de emigrar.

Ainda sobre o 10 de Junho de uma outra perspectiva: 10 de Junho http://antonio-justo.eu/?p=3163

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

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5 respostas a DIA DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS 2017

  1. Margarida diz:

    Caro António,

    Segundo o Marcelo Rebelo de Sousa , as comunidades emigrantes, fazem dos portugueses “andarilhos” por “vocação e desígnio”!

    Embora ele fale em abstrato,será que se referiu à Venezuela, quando disse que enviou uma palavra de “incondicional solidariedade em especial para as [comunidades] que mais sofrem ou desesperam”?

    Será que Portugal está preparado para intervir na Venezuela, perante a possibilidade que ameaça uma comunidade a vida de mais de 500 mil portugueses e descendentes?

    Saudações, Margarida
    in Diálogos Lusófonos

  2. Prezada Margarida,

    Muito obrigado pelos textos e pelo que refere.

    O que nos textos em baixo se refere e o que o presidente diz é realmente muito importante, mas tem também algo de lírico, porque encara apenas uma perspetiva característica, naturalmente importante.

    Portugal tem a sorte de ser pequeno e de não se ver confrontado com o peso social da massa islâmica como acontece com a França, Inglaterra e em parte com a Alemanha. É mais fácil ser-se coerente a nível de ideais; o confronto com a realidade far-nos-ia andar um pouco mais com os pés na terra. A abertura e a tolerância são muito importantes, mas não devem ser vias de um só sentido, nem devem impedir de se andar com os olhos abertos, principalmente quando se depara não tanto com pessoas, mas mais com grupos cerrados em si e reivindicativos. Apesar de os alemães terem a fama de serem duros, admiro nos seus políticos e na maioria do povo a paciência que têm e demonstram até ao extremo. Se Portugal tivesse os mesmos problemas que têm os grandes países de imigração árabe certamente reinaria uma outra atmosfera social.

    Nos meios sociais portugueses tem havido crítica pelo facto de o presidente não se ter expressado directamente ao caso da Venezuela. O presidente está à altura do seu cargo. O facto de Portugal ter lá meio milhão de portugueses não pode cometer o mesmo erro que faz o Estado turco em relação aos turcos na Alemanha (neste caso têm também grande peso na política alemã e por serem turcos é-lhe desculpado o nacionalismo que cultivam entre si dentro da Alemanha). Portugal é um país dialogante e por isso, penso que tudo deveria ser tratado pela via diplomática e ao mesmo tempo arranjar medidas de apoio directo aos portugueses em perigo. Cada povo é ele e as suas circunstâncias e quem deve intervir é o povo a viver na nação. Um país como a Venezuela, com 29 milhões de habitantes e com 500 mil portugueses certamente, para efeitos e votações, estará também interessado em ter boas relações com eles. Os Portugueses deveriam ter-se integrado na política venezuelana (através dos partidos e organizações cívicas) para poderem intervir. Este é o caminho!

    Quanto ao facto do Presidente ter falado das “comunidades emigrantes, fazem dos portugueses “andarilhos” por “vocação e desígnio”, é um facto, principalmente na primeira e segunda geração! Penso que o presidente seria mais exacto se em vez de dizer por “vocação e desígnio” dissesse por contexto e necessidade. Doutro modo pode ser interpretado como desculpador de uma política portuguesa que não consegue corresponder às necessidades do seu povo que mais que por vocação se vê tradicionalmente obrigado a ter de abandonar o país na procura de uma vida mais digna.
    Saudações cordiais
    António Justo

  3. Mauro Moura Mauro diz:

    Infelizmente, esse drama da Venezuela está longe de ser resolvido entre eles mesmos e espero que a intervenção internacional, com excessão da humanitária, seja no plano intitucional.

    Já notamos a migração de muitos venezuelanos no norte do Brasil, em Manaus e em Belém. Fazem eles muito bem, pois se não há condições de lá viver, não é uma fronteira que deva barrar a necessidade da sobrevivência humana.
    Quando a coisa andava muito ruim aqui no Brasil pelos anos 80 e 90, muitos brasileiros foram tentar a vida na Venezuela.

    A comunidade portuguesa na Venezuela é antiga e de certa maneira expressiva, sendo que o governo português deve ter um plano de contigência para ocorrçências de casos extremos.
    Mauro Moura Mauro
    in Diálogos lusófonos

  4. Margarida diz:

    Caro Mauro e Todos deste Grupo,
    O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva , disse recentemente: “O que vale para o todo vale para cada uma das suas partes, e portanto nós temos um plano de contingência em relação a eventuais problemas com a situação dos portugueses na Venezuela, como temos planos de contingência em relação a eventuais problemas com portugueses na República Democrática do Congo ou em outros espaços.”
    O chefe da diplomacia portuguesa recordou ainda, numa referência à situação política e social na Venezuela, que “Portugal tem cerca de cinco milhões de naturais de Portugal ou com nacionalidade portuguesa vivendo no estrangeiro, e em relação a todos eles temos obrigações constitucionais de proteção consular e de proteção em circunstâncias de insegurança ou de outros incidentes que possam pôr em perigo o seu bem-estar ou as suas próprias condições de existência”
    Também, em recente visita a Caracas, o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, disse :Os portugueses radicados na Venezuela estão no centro das preocupações do Governo de Lisboa. “Eu tinha intenção de visitar a Venezuela, mas naturalmente quando as condições de vida social, económica e também política se deterioraram, a urgência desse encontro, dessa presença, ganhou outro destaque, porque a presença do Governo é sempre uma demonstração de que os portugueses da Venezuela não estão esquecidos, estão no centro das nossas preocupações e de todas as estruturas do Estado português”, disse.
    Muitos lusodescendentes venezuelanos não querem abandonar a Venezuela, porque suas vidas e suas atividades tem sido lá, e tentam resistir, mas em Portugal , no Brasil , etc, já muitos se refugiaram. Por exemplo na Ilha da Madeira: Desde o início do ano, perto de mil emigrantes na Venezuela inscreveram-se no centro de emprego da Madeira. Autoridades regionais falam de um aumento de pedidos de auxílio para habitação social, RSI, alimentação e medicamentos. Despesas de saúde já aumentaram meio milhão de euros. E em Portugal Continental, o mesmo se vem verificando!
    Margarida
    in Diálogos lusófonos

  5. Maria Manuela diz:

    Gostei imensíssimo do artigo sobretudo por teres agradecido ao atual Presidente da República pela visita à Comunidade portuguesa no Brasil (que tem 670OOO pessoas).
    Encontraste os pensamentos para explicar a relevância do seu atuar.
    Acho que devemos ser o único país a ter um dia para as comunidades do seu povo fora
    do país.
    M. Manuela

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