{"id":9737,"date":"2025-01-10T15:49:46","date_gmt":"2025-01-10T14:49:46","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=9737"},"modified":"2025-01-10T17:14:50","modified_gmt":"2025-01-10T16:14:50","slug":"na-passagem-da-democracia-partidaria-para-a-oligarquia-liberal-democracia-autoritaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=9737","title":{"rendered":"NA PASSAGEM DA DEMOCRACIA PARTID\u00c1RIA PARA A OLIGARQUIA LIBERAL (DEMOCRACIA AUTORIT\u00c1RIA)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Poder econ\u00f3mico e Poder pol\u00edtico em Promiscuidade clara<\/strong><\/p>\n<p><strong>Estamos no in\u00edcio de uma nova era moldada pelas tecnologias virtuais e pela Intelig\u00eancia Artificial. Por um lado, essas ferramentas democratizam a informa\u00e7\u00e3o; por outro, concentram o saber e o poder em poucas m\u00e3os. A alian\u00e7a entre Donald Trump e Elon Musk simboliza essa transi\u00e7\u00e3o, sinalizando uma mudan\u00e7a radical no sistema pol\u00edtico e social. Economia e novas tecnologias \u2013 representadas por nomes como Musk, Zuckerberg, Bezos, Altman e Thiel \u2013 ousam caminhar agora de forma ostensiva junto ao poder pol\u00edtico. Antes faziam-no de maneira escondida porque ainda tinham respeito pelo poder pol\u00edtico que, em democracia, ao perder o seu respeito pelo povo colhe agora o desrespeito dos dois.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Talvez isso seja uma rea\u00e7\u00e3o exacerbada do eixo americano frente \u00e0 China e aos BRICS, num \u00faltimo esfor\u00e7o dos EUA por manterem o controle da explora\u00e7\u00e3o e do destino dos povos. Trata-se de um perigoso jogo com o fogo, especialmente quando se esperava que Trump trouxesse uma abordagem mais conciliadora num mundo em crescente tens\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>As declara\u00e7\u00f5es controversas de Trump disparam em todas as dire\u00e7\u00f5es, deixando uma Europa cativa em estado de alerta. Suas ideias de intervir no Canad\u00e1, na Groenl\u00e2ndia e no Canal do Panam\u00e1 revelam inten\u00e7\u00f5es imperialistas claras. Al\u00e9m disso, ele prop\u00f5e que os pa\u00edses da OTAN invistam 5% de seus PIBs em despesas militares \u2013 enquanto os EUA gastam atualmente 3,38%. Para a Alemanha, por exemplo, isso significaria um gasto anual de 200 bilh\u00f5es de euros em armamentos \u00e0 custa do budget social e da qualidade de vida do cidad\u00e3o. A satisfa\u00e7\u00e3o dessa exig\u00eancia obrigaria a Europa a concentrar seus esfor\u00e7os pol\u00edticos e econ\u00f3micos no setor militar, liberando os EUA para se dedicarem ao controle dos oceanos \u00cdndico, Pac\u00edfico e Atl\u00e2ntico. Nem mesmo os A\u00e7ores estariam seguros nesse cen\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Dinamarca, por exemplo, preocupada com a presen\u00e7a russa, agora enfrenta a sombra do imperialismo americano. Imagine-se um membro da OTAN, como a Noruega, pedindo prote\u00e7\u00e3o contra os pr\u00f3prios EUA, que t\u00eam utilizado a organiza\u00e7\u00e3o como ferramenta de avan\u00e7o territorial e pol\u00edtico. O imperialismo americano concentra-se agora no dom\u00ednio dos oceanos n\u00e3o apenas por suas riquezas, mas por sua import\u00e2ncia geoestrat\u00e9gica no controle mundial.<\/strong> \u201cSer inimigo dos EUA \u00e9 perigoso, mas ser amigo \u00e9 fatal\u201d, dizia j\u00e1 Kissinger!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Da coloniza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o olig\u00e1rquica<\/p>\n<p><strong>Tudo indica que estamos presenciando uma transi\u00e7\u00e3o de uma coloniza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica para uma coloniza\u00e7\u00e3o olig\u00e1rquica.<\/strong> Enquanto isso, os partidos tradicionais da Uni\u00e3o Europeia perdem-se em debates superficiais e carecem de credibilidade. <strong>Como aponta o soci\u00f3logo Emmanuel Todd em seu livro Apres la D\u00e9mocratie (Depois da Democracia), j\u00e1 n\u00e3o vivemos num regime democr\u00e1tico. O exemplo franc\u00eas de 2005, quando um referendo rejeitou a Constitui\u00e7\u00e3o Europeia, mas o Tratado de Lisboa foi adotado mesmo assim, ilustra bem essa crise.<\/strong><\/p>\n<p>O desgaste e a desilus\u00e3o com a democracia levaram \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de Trump, num cen\u00e1rio em que as narrativas lineares se desautorizaram umas \u00e0s outras sendo substitu\u00eddas pela concorr\u00eancia desenfreada nas redes sociais e nas redes oficiais do sistema pol\u00edtico. As antigas convic\u00e7\u00f5es religiosas foram substitu\u00eddas pelas convic\u00e7\u00f5es burguesas, que, ao buscarem globalizar-se, acabaram desautorizando-se e contribuindo para o surgimento da tirania da opini\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">O papel de Musk e a crise europeia<\/p>\n<p>Elon Musk revolucionou \u00e1reas como a banca, a mobilidade, as viagens espaciais e o meio ambiente. Ele apoiou a Ucr\u00e2nia com a Starlink em sua defesa contra Putin e agora parece querer transformar a pol\u00edtica. Musk, com acesso privilegiado aos grandes decisores globais, reconhece a falta de lideran\u00e7a tanto na pol\u00edtica como na sociedade. Contudo, enfrenta resist\u00eancia dos detentores do poder europeu, especialmente no campo progressista e nos partidos do arco do poder.<\/p>\n<p>Estamos diante de um novo sistema. Musk estende a m\u00e3o \u00e0 direita, provocando preocupa\u00e7\u00e3o entre os progressistas que ainda controlam os governos. Muitos continuam enredados nas apar\u00eancias do poder e na ret\u00f3rica oficial, sem reconhecer as transforma\u00e7\u00f5es em curso.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">A Europa e a busca pela autonomia<\/p>\n<p>A Europa, um dia, conquistar\u00e1 a sua autonomia. Contudo, isso s\u00f3 ocorrer\u00e1 ap\u00f3s romper o la\u00e7o umbilical com os EUA. Para tra\u00e7ar um novo caminho, a Europa deve se aproximar de seu parceiro natural, a R\u00fassia, com quem compartilha um ber\u00e7o geogr\u00e1fico e uma base cultural comum. <strong>Ap\u00f3s a Primeira Guerra Mundial, os EUA determinaram o destino europeu, mas em um mundo que busca maior justi\u00e7a social, \u00e9 essencial que a Europa invista em colabora\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia, em nome de interesses pr\u00f3prios e aut\u00eanticos, mas que respeitem a paz e a justi\u00e7a entre os povos<\/strong>.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia que temos estar\u00e1 mais interessada em seguir a onda de promiscuidade pol\u00edtica do que quest\u00f5es relacionadas com a promo\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o ou desmantelamento da burocracia e deste modo poder seguir nas velhas pegadas dos Estados Unidos da Am\u00e9rica. <strong>As castas que temos embora j\u00e1 velhas ainda permitem ao povo ir vivendo do rebusco da vindima.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>(1) Na cimeira da NATO na Litu\u00e2nia, em 2023, os membros concordaram em gastar anualmente pelo menos 2% do seu produto interno bruto com as for\u00e7as armadas.<\/p>\n<p>(2) Musk apontou o Presidente Steinmeier como tirano antidemocr\u00e1tico, talvez por ele ter nomeado de \u201cratazanas\u201e eleitores de quem talvez n\u00e3o se considerasse presidente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poder econ\u00f3mico e Poder pol\u00edtico em Promiscuidade clara Estamos no in\u00edcio de uma nova era moldada pelas tecnologias virtuais e pela Intelig\u00eancia Artificial. 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