{"id":9498,"date":"2024-07-28T17:26:26","date_gmt":"2024-07-28T16:26:26","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=9498"},"modified":"2024-08-01T22:10:19","modified_gmt":"2024-08-01T21:10:19","slug":"cultura-do-fracasso-e-das-superficialidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=9498","title":{"rendered":"CULTURA DECADENTE ABSORTA EM TRIVIALIDADES"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Europa a livrar-se de si mesma servindo-se da Arte ideol\u00f3gica como Serva da Pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Premissa cr\u00edtica: A Hist\u00f3ria ensina que as civiliza\u00e7\u00f5es s\u00f3 subsistem enquanto o poder pol\u00edtico-econ\u00f3mico e o poder ideol\u00f3gico-religioso se mantiverem ligados e interagirem de maneira complementar em interac\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e de maneira inclusiva. A Uni\u00e3o Europeia segue no sentido contr\u00e1rio contrapondo o poder pol\u00edtico-econ\u00f3mico ao poder cultural, lutando mesmo activamente contra a pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o. Deste modo abre as portas ao autoritarismo de elites an\u00f3nimas deixando a sociedade europeia \u00e0 deriva e institucionalmente aberta para uma perspectiva de futuro sustent\u00e1vel do tipo isl\u00e2mico ou do socialismo chin\u00eas. \u00c9 natural e saud\u00e1vel\u00a0 que o povo brinque, mas essa n\u00e3o deveria ser a miss\u00e3o de quem dirige!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na Uni\u00e3o Europeia tudo indica culturalmente que nos encontramos em pleno centro da cultura do decl\u00ednio apesar do progresso t\u00e9cnico criado; uma leve observa\u00e7\u00e3o do comportamento de governantes e das popula\u00e7\u00f5es d\u00e1 a impress\u00e3o de todos terem entrado num est\u00e1dio de puberdade j\u00e1 senil. As elites globais tornaram-se t\u00e3o distantes do povo que n\u00e3o sentem qualquer obriga\u00e7\u00e3o para com o povo (Deus) nem para com as normas sociais ou legais (vivem noutras esferas!). Aboliram<\/strong> <strong>a contrapartida (o outro, Deus) reclamando o Olimpo para si e, deste modo, n\u00e3o sentirem responsabilidade humana, nem a consequente culpa ou remorso. Agem de tal modo que o povo passa a ser obrigado a perder a autoestima.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nas pra\u00e7as p\u00fablicas da sociedade encena-se cada vez mais uma arte barata que vive do voyeurismo e do exibicionismo que provocam sensibilidades e sentimentos religiosos, com atua\u00e7\u00f5es em torno da hist\u00f3ria b\u00edblica, como s\u00e3o, entre outras, as da actriz Sara Cancerio que como freira nua, procura saciar os gostos da imagina\u00e7\u00e3o sexual do seu p\u00fablico e ao mesmo tempo provocar ondas de repulsa nos n\u00e3o consumidores. N\u00e3o se trata j\u00e1 de corrigir e aperfei\u00e7oar o passado ou costumes actuais, mas, simplesmente, de os destruir sem a responsabilidade de apresentar alternativas. Basta um oportunismo camuflado de ideias peregrinas como as do igualitarismo aliado ao liberalismo do sistema. Para se estar em dia tem de se recorrer aos ingredientes sexo e anti religi\u00e3o. <\/strong><\/p>\n<p>O Dr. Gabor Mat\u00e9 no seu livro \u201cO Mito do Normal\u201d, K\u00f6sel Verlag constata: \u201cQuando uma c\u00e9lula do corpo come\u00e7a a multiplicar-se \u00e0 custa de todo o organismo, destruindo os tecidos circundantes e espalhando-se para outros \u00f3rg\u00e3os, roubando-lhe a sua energia, incapacitando as suas defesas e, em \u00faltima an\u00e1lise, amea\u00e7ando a sua vida, chamamos a este crescimento descontrolado cancro. Uma tal mudan\u00e7a maligna pode ser observada no nosso mundo atual. \u00c9 controlada por um sistema que parece estar direcionado contra a vida. \u201c<\/p>\n<p>Nas velhas monarquias o poder pol\u00edtico secular servia-se da arte religiosa para transmitir os valores que davam sustentabilidade ao poder de caracter linear ascendente e nas democracias modernas ocidentais o poder secular serve-se da arte para assegurar o seu poder moment\u00e2neo de caracter circular. <strong>Na cultura ocidental a arte assume, a passos largos, o papel da religi\u00e3o<\/strong><strong>; nela <\/strong>os governantes, adoptam, nos seus ritos, o papel de ac\u00f3litos, como se pode ver tamb\u00e9m no palco ol\u00edmpico de Paris. E chamam a isto progresso (avan\u00e7o para onde?)! <strong>Neste sentido, surgem, por todo o lado, os novos xamanes que se apropriam das palavras e ritos do passado para os devassar e assim justificar gratuitamente \u00a0atitudes dos sublevados \u00a0na sua miss\u00e3o de desconstru\u00e7\u00e3o da cultura ocidental, recorrendo para isso a preconceitos sobre o masculino e o feminino, numa sociedade contradit\u00f3ria a afirmar-se com uma matriz cada vez mais masculinizada e agressiva. <\/strong><\/p>\n<p>O ponto fraco da democracia reside no facto de pol\u00edticos e eleitos se sentirem tamb\u00e9m chamados a seguir qualquer capricho individualista e \u00a0narcisista que lhes apare\u00e7a, porque em quest\u00e3o de valores perdeu-se o sentido hist\u00f3rico s\u00f3 valendo para eles um momento presente irrespons\u00e1vel que os leva a assumir o papel de tabula rasa onde se impregna o poder mediante a \u201ccren\u00e7a\u201d \u00a0de que poder democr\u00e1tico significa seguir os caprichos e as necessidades prim\u00e1rias dos seus s\u00fabditos para deste modo poderem \u00a0ser reeleitos e manter o poder e, sem exig\u00eancias, tamb\u00e9m eles se dedicarem a fazer o que lhes d\u00e1 na gana. O cinismo da quest\u00e3o est\u00e1 no facto de se querer fazer crer que quem mais ordena \u00e9 o povo (quando este est\u00e1 condicionado a ter de seguir os actuais ou futuros l\u00edderes sociais).<\/p>\n<p><strong>As civiliza\u00e7\u00f5es subsistem enquanto o poder pol\u00edtico-econ\u00f3mico e o poder ideol\u00f3gico-religioso se mantiverem ligados e interagirem de maneira complementar em interac\u00e7\u00e3o org\u00e2nica: o primeiro d\u00e1 consist\u00eancia \u00e0 polis (ao poder geogr\u00e1fico) cuidando do est\u00f4mago (necessidades corporais e mentais imediatas) e o segundo ao da alma cultural (necessidade de sentido e miss\u00e3o). <\/strong><\/p>\n<p><strong>O imperador Constantino (\u00c9dito de Mil\u00e3o de 313) teve uma ideia genial para conseguir manter o poder pol\u00edtico e a unidade do Imp\u00e9rio Romano, recorrendo \u00e0 religi\u00e3o crist\u00e3, conseguindo assim prolong\u00e1-lo at\u00e9 \u00e0 queda do imp\u00e9rio romano (476), minado pelas for\u00e7as b\u00e1rbaras. A ideia de Constantino encontrou depois\u00a0 a sua\u00a0 realiza\u00e7\u00e3o\u00a0 na funda\u00e7\u00e3o do\u00a0 novo Imp\u00e9rio do Ocidente com a coroa\u00e7\u00e3o de Carlos Magno para imperador no ano 800 quando\u00a0 reuniu\u00a0 em si o poder pol\u00edtico e o poder religioso, condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a cria\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o\u00a0 europeia (a separa\u00e7\u00e3o institucional do poder religioso e do poder secular, salvaguarda a responsabilidade de o governante n\u00e3o poder agir a seu bel-prazer por haver um outro poder sublime (defesa do Bem, do Belo e do Verdadeiro) a que devia prestar contas; o grande perigo que hoje se observa na civiliza\u00e7\u00e3o ocidental \u00e9 o facto de o poder pol\u00edtico-econ\u00f3mico n\u00e3o ter de prestar contas a ningu\u00e9m (at\u00e9 a nomea\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os independentes como a Justi\u00e7a, \u00e9 do encargo dos partidos pol\u00edticos); o argumento de os governantes terem de prestar contas ao povo \u00e9 prec\u00e1rio <\/strong>\u00a0dado a opini\u00e3o do povo estar, por seu lado dependente das elites que controlam a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Carlos Magno seguia a estrat\u00e9gia de dominar os povos vizinhos com a espada e pacific\u00e1-los assimilando-os na cultura crist\u00e3 implementada atrav\u00e9s dos conventos (Deste modo possibilitou a forma\u00e7\u00e3o de uma Europa baseada numa ideia imperial cultural prolongada atrav\u00e9s das na\u00e7\u00f5es!). No seguimento da mesma estrat\u00e9gia e a pretexto da Uni\u00e3o Europeia d\u00e1-se continua\u00e7\u00e3o \u00e0 velha luta entre sax\u00f5es e eslavos, hoje reactivada entre o Ocidente e a R\u00fassia.<\/p>\n<p><strong>A pr\u00e1tica hodierna do poder pol\u00edtico-econ\u00f3mico renunciar \u00e0 religi\u00e3o (que lhe possibilitou a sua estrutura\u00e7\u00e3o) e substituir o seu papel por alguns valores utilit\u00e1rios de caracter apenas racional, baseados numa agenda de valores securitizados na Constitui\u00e7\u00e3o, conduz necessariamente a um poder econ\u00f3mico-pol\u00edtico ditatorial ou a cont\u00ednuos conflitos sociais insuport\u00e1veis e destrutivos que conduzem \u00e0 tribaliza\u00e7\u00e3o da sociedade<\/strong>. <strong>N\u00e3o chegam medidas utilit\u00e1rias e pragm\u00e1ticas para se fomentar uma Uni\u00e3o Europeia digna da Europa, para isso precisa-se de um conceito vision\u00e1rio consistente e de caracter sustent\u00e1vel; seria necess\u00e1rio voltar-se ao ide\u00e1rio dos pioneiros da Uni\u00e3o Europeia.<\/strong> \u00a0A aus\u00eancia de uma consci\u00eancia individual (destrui\u00e7\u00e3o consequente da personalidade (alienada em valores legais) e redu\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia individual a opini\u00e3o subjectiva \u00e9 favor\u00e1vel a um sistema pol\u00edtico autocr\u00e1tico) conduz ao caos individual e social e obriga as autoridades a criarem um sistema de manipula\u00e7\u00e3o da linguagem p\u00fablica e de controlo da informa\u00e7\u00e3o de maneira a termos um sistema autorit\u00e1rio \u00e0 medida do modelo chin\u00eas.<\/p>\n<p>A pretexto da globaliza\u00e7\u00e3o liberal a Europa, que tinha atingido a estabilidade cultural, v\u00ea-se confrontada pelas for\u00e7as pol\u00edtico-econ\u00f3micas (autocratas de Bruxelas) que para apressarem a implementa\u00e7\u00e3o do liberalismo econ\u00f3mico global combatem equivocamente as tradi\u00e7\u00f5es europeias e o cristianismo. (N\u00e3o me refiro aqui ao cristianismo como f\u00e9, mas na concep\u00e7\u00e3o de cristandade).<\/p>\n<p>A UE segue sem escr\u00fapulos os interesses do poder e n\u00e3o se importa com o que acontece a outras pessoas e na\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s das suas a\u00e7\u00f5es e sente-se autarquicamente confirmada pela pr\u00f3pria ideologia nas suas a\u00e7\u00f5es legais; Boicotam o com\u00e9rcio com os hemisf\u00e9rios fora do seu poder, quando o com\u00e9rcio livre \u00a0\u00e9 considerado o bem-estar de todos os povos, enquanto os boicotes apenas protegem os interesses de uma empresa mundial sociopata que age sem qualquer consci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>A crise em que se encontram as sociedades actuais e em especial a sociedade europeia \u00a0\u00e9 de alto risco porque expressa uma \u00e9poca de confronta\u00e7\u00e3o mental baseada na luta contra a tradi\u00e7\u00e3o e valores da cultura ocidental. N\u00e3o a querem ver sujeita ao processo de clivagem ou teste do tempo como se dava no passado. \u00a0Querem implantar uma nova cultura criada artificialmente com novas \u00e9ticas que facilitem o globalismo liberal materialista servindo-se para isso tamb\u00e9m das novas t\u00e9cnicas biol\u00f3gicas e digitais. Em vez de corrigirem o eurocentrismo e a hegemonia de tradi\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas intelectuais, no sentido de uma transculturalidade respeitadora das tradi\u00e7\u00f5es culturais espec\u00edficas querem fazer da cultura ocidental tabula rasa e para isso em todas as vertentes art\u00edsticas e ideol\u00f3gicas se observa a desmontagem do cristianismo. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>A Empresa C. Spire de tecnologia americana retirou a sua propaganda dos Jogos ol\u00edmpicos fundamentando-a deste modo: Fic\u00e1mos chocados com a zombaria da \u00daltima Ceia durante as cerim\u00f3nias de abertura dos Jogos Ol\u00edmpicos de Paris. A C Spire retirar\u00e1 a nossa publicidade dos Jogos Ol\u00edmpicos.<br \/>\nC Spire<br \/>\n@CSpire<br \/>\nWe were shocked by the mockery of the Last Supper during the opening ceremonies of the Paris Olympics. C Spire will be pulling our advertising from the Olympics. https:\/\/x.com\/CSpire\/status\/1817212284512481485<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Europa a livrar-se de si mesma servindo-se da Arte ideol\u00f3gica como Serva da Pol\u00edtica Premissa cr\u00edtica: A Hist\u00f3ria ensina que as civiliza\u00e7\u00f5es s\u00f3 subsistem enquanto o poder pol\u00edtico-econ\u00f3mico e o poder ideol\u00f3gico-religioso se mantiverem ligados e interagirem de maneira complementar em interac\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e de maneira inclusiva. 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