{"id":9247,"date":"2024-05-17T18:53:39","date_gmt":"2024-05-17T17:53:39","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=9247"},"modified":"2024-05-21T21:15:34","modified_gmt":"2024-05-21T20:15:34","slug":"as-arvores-morrem-de-pe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=9247","title":{"rendered":"AS \u00c1RVORES MORREM DE P\u00c9"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>AS \u00c1RVORES MORREM DE P\u00c9<\/strong><\/p>\n<p>Numa vasta floresta, erguia-se uma \u00e1rvore majestosa e a sua copa estendia-se at\u00e9 ao c\u00e9u, abrigando a vida que nela se aninhava e dela dependia. Era uma \u00e1rvore especial, porque entendia a dan\u00e7a das esta\u00e7\u00f5es e o ritmo da vida como nenhuma outra.<\/p>\n<p>Certa vez, um vento furioso varreu a floresta, sacudindo de medo todas as \u00e1rvores ao seu redor. Algumas tombaram por terra, outras partiram ao meio, porque n\u00e3o resistiram \u00e0 f\u00faria da tempestade. Mas a \u00e1rvore majestosa permaneceu firme, cruzando os bra\u00e7os graciosamente diante dos ventos implac\u00e1veis.<\/p>\n<p>Enquanto o vento bradava e as folhas dan\u00e7avam no ar, os p\u00e1ssaros que viviam na copa chilreavam, confiando no gracioso ondular dos ramos e na estabilidade do tronco da \u00e1rvore. Sabiam que, mesmo nos momentos mais dif\u00edceis, podiam encontrar abrigo e seguran\u00e7a sob os ramos generosos daquela \u00e1rvore especial.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que as esta\u00e7\u00f5es avan\u00e7avam, a \u00e1rvore experimentava e testemunhava a alegria da primavera, a exuber\u00e2ncia do ver\u00e3o, a melancolia do outono e a serenidade do inverno. A cada mudan\u00e7a, ela transformava a sua apar\u00eancia e encontrava beleza e des\u00edgnio divino em cada fase de sua exist\u00eancia. Como filha da floresta reconhecia a vida da M\u00e3e Natureza dan\u00e7ando dentro dela, tentando expressar-se e desenvolver-se.<\/p>\n<p>Um dia, quando as folhas da \u00e1rvore come\u00e7avam a murchar e o frio do inverno se fazia sentir na pele da natureza, um caminhante em busca do sentido da sua pr\u00f3pria vida estremeceu ao percorrer a floresta onde se tinha perdido. Atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o, caiu em si mesmo e apercebeu-se de que a \u00e1rvore se distinguia pela sua soberania e majestade solit\u00e1ria.<strong>\u00a0 <\/strong>Surpreendido pela sua resili\u00eancia e beleza mesmo perante as adversidades, o caminheiro perguntou \u00e0 \u00e1rvore qual era o segredo da sua aura, carisma e longevidade.<\/p>\n<p>Com um suspiro suave, a \u00e1rvore respondeu: &#8220;Conservo-me fiel a mim mesma. \u00c0 medida que mudam as esta\u00e7\u00f5es, eu mudo tamb\u00e9m, sem me perder nelas. Mantenho-me sempre fiel \u00e0 minha ess\u00eancia, encontro alegria na vida e aceito os desafios com gratid\u00e3o. Escuto e sigo o eco da Vida que pulsa na floresta. Esta \u00e9 a minha miss\u00e3o secreta, o meu compromisso com a natureza.&#8221;<\/p>\n<p>O caminheiro baixou o olhar e sorriu, reconhecendo a sabedoria da \u00e1rvore. E enquanto caminhava, ainda \u00e0 sombra da \u00e1rvore, come\u00e7ou a refletir sobre o seu exemplo humilde e sublime. O caminhante grato pelo encontro com aquela \u00e1rvore percebeu a mensagem: \u201cPercorre o caminho da tua vida ao ritmo do teu cora\u00e7\u00e3o\u201d. Na verdade, quando nos pomos a caminho, entramos em contacto com o todo (o caminho divino), descemos da nuvem da mente e encontramo-nos nos prados vivos e f\u00e9rteis da vida. Vamos encontrar-nos no caminho da vida!\u00a0 Como a \u00e1rvore, devemos permanecer fi\u00e9is a n\u00f3s mesmos e encontrar alegria e sentido na vida, mesmo nos momentos mais dif\u00edceis. De facto, dentro de n\u00f3s reside a capacidade de nos conhecermos a n\u00f3s mesmos e, ao mesmo tempo, de descobrirmos o desenvolvimento da natureza nas nossas vidas e, assim, a partir do n\u00f3s, apreciarmos a partir de dentro a nossa pr\u00f3pria adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 vida. Ent\u00e3o tudo o que nos resta \u00e9 a gratid\u00e3o, por sentirmos nela uma realiza\u00e7\u00e3o verdadeira e valiosa.<\/p>\n<p>E assim, a \u00e1rvore continuou a erguer-se majestosamente, com suas ra\u00edzes bem firmes na terra e seus bra\u00e7os estendidos para o C\u00e9u. Ela sabia muito bem que mesmo quando todas as folhas caem e chega o inverno, a vida continua, cheia de promessas e possibilidades, principalmente para quem permanece fiel a si mesmo e acredita no sentido e significado de um Sol que os puxa e ao mesmo tempo arrasta toda a natureza.<\/p>\n<p>A partir daquele encontro, o caminhante passou a olhar a vida de frente, e s\u00f3 de olhar para ela, aliado \u00e0 mem\u00f3ria da floresta, ele encontra o seu sentido e experimenta nela felicidade e liberta\u00e7\u00e3o no caminhar.<\/p>\n<p>Assim \u00e9, caro leitor! A vida brinca connosco e n\u00f3s aprendemos a dan\u00e7ar com ela e, com o tempo, a vida tamb\u00e9m come\u00e7a a dan\u00e7ar dentro de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Por isso, vivo no que fa\u00e7o e para o que fa\u00e7o, no sentido de honrar a vida e de caminhar com ela e ao mesmo tempo experimentar o sentido da vida vivida!<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cFlashes de vida\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>Poemas de Ant\u00f3nio Justo, <\/strong><a href=\"http:\/\/poesiajusto.blogspot.com\/\"><strong>http:\/\/poesiajusto.blogspot.com\/<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Em honra de meu pai no 30.12.2016: Pegadas do Tempo https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=9247<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AS \u00c1RVORES MORREM DE P\u00c9 Numa vasta floresta, erguia-se uma \u00e1rvore majestosa e a sua copa estendia-se at\u00e9 ao c\u00e9u, abrigando a vida que nela se aninhava e dela dependia. 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