{"id":8969,"date":"2024-01-19T18:17:01","date_gmt":"2024-01-19T17:17:01","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=8969"},"modified":"2024-01-21T17:01:03","modified_gmt":"2024-01-21T16:01:03","slug":"historia-da-emigracao-portuguesa-para-a-alemanha-a-partir-dos-anos-60","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=8969","title":{"rendered":"EMIGRA\u00c7\u00c3O PORTUGUESA PARA A ALEMANHA A PARTIR DOS ANOS 60"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Rascunho de um poss\u00edvel Livro<br \/>\n<\/strong><\/h4>\n<p>Em 2024 comemora-se o 60\u00b0 anivers\u00e1rio do in\u00edcio da emigra\u00e7\u00e3o portuguesa para a Alemanha a partir dos anos 60.<\/p>\n<p>Como contributo, apresento aqui os textos que tinha escrito em 2014 e que ent\u00e3o estava a organizar para serem apresentados em livro sob o t\u00edtulo <strong>\u201cEMIGRA\u00c7\u00c3O PORTUGUESA DOS ANOS 60 AT\u00c9 2014 -Testemunho de uma Hist\u00f3ria de Hist\u00f3rias por contar\u201d <\/strong>e que n\u00e3o cheguei a publicar. \u00a0<strong>Dados e Estat\u00edstica relevantes relativos \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o posterior a 2014 podem ser consultados na nota (1).<\/strong><\/p>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>EMIGRA\u00c7\u00c3O PORTUGUESA DOS ANOS 60 AT\u00c9 2014<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Testemunho de uma Hist\u00f3ria de Hist\u00f3rias por contar<\/strong><\/p>\n<p><strong>A 13 de setembro de 2014 a comunidade portuguesa na Alemanha celebrou o 50.\u00ba anivers\u00e1rio da entrada em vigor do acordo bilateral entre Portugal e a Alemanha para recrutamento de trabalhadores portugueses. Esta efem\u00e9ride deveria constituir motivo para as institui\u00e7\u00f5es portugueses reverem os passados 50 anos de uma pol\u00edtica sem grandes efeitos vis\u00edveis na comunidade nem na sociedade alem\u00e3 e oportunidade para a sociedade portuguesa reconhecer o contributo dos emigrantes para o desenvolvimento do pa\u00eds com as remessas e interc\u00e2mbios possibilitados. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Procurarei integrar aqui o rigor cr\u00edtico e a subjectividade, numa mistura de \u201csaber de experi\u00eancia feito\u201d e de teorias sobre os fen\u00f3menos migrat\u00f3rios.<\/strong> Fa\u00e7o-o, com todo o carinho e respeito, por aquela parte de Portugal, geralmente, esquecida e ausente. (Tamb\u00e9m a minha biografia \u00e9 uma filigrana de migrante, toda ela feita de c\u00e1 e l\u00e1 numa atmosfera de saudade, como a dos 4,5 milh\u00f5es de emigrantes lusos e lusodescendentes espalhados pelo mundo! Desde 1960 sou migrante, da terra, da cultura e do saber e por isso me sinto em casa ao sentir e descrever a vida do emigrante).<\/p>\n<p><strong>Segundo a ONU, emigrante \u00e9 aquele que se ausenta do pa\u00eds por mais de um ano.<\/strong> Imigra\u00e7\u00e3o e emigra\u00e7\u00e3o s\u00e3o, geralmente, sintomas do bom ou mau estado de uma na\u00e7\u00e3o. A sociologia e a economia ainda n\u00e3o se dedicaram suficientemente a este fen\u00f3meno embora ele se venha a tornar determinante no desenvolvimento da Europa. O motivo da emigra\u00e7\u00e3o \u00e9 ao mesmo tempo individual e sociopol\u00edtico (como podemos ver explicitamente atestado, no apelo \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o, feito pelo Governo de Passos Coelho, apelo este que revela a miopia de vis\u00e3o de um pa\u00eds com grandes problemas de futuro devido a ter uma natalidade fraqu\u00edssima acrescida da hemorragia da gente nova para o estrangeiro e uma classe pol\u00edtica incapaz de resolver os trabalhos de casa por ela mesma.<\/p>\n<p>Numa \u00e9poca em que o sistema econ\u00f3mico e financeiro tenta reduzir o ser do homem ao \u201chomo economicus\u201d, as pot\u00eancias econ\u00f3micas procuram camuflar a defesa de interesses nacionais e da economia global com pol\u00edticas de fronteiras abertas, de livre circula\u00e7\u00e3o de pessoas e bens. (Os actores econ\u00f3micos ganham com a desloca\u00e7\u00e3o do pessoal na direc\u00e7\u00e3o das m\u00e1quinas\/f\u00e1bricas e n\u00e3o no caminho inverso (poupam forma\u00e7\u00e3o do pessoal e investimento contrariando assim uma economia de orienta\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e regionalista: em termos de ind\u00fastria financeira fala-se consequentemente de capital humano e n\u00e3o de pessoas, concebe-se a biografia humana em torno duma economia que determina o curr\u00edculo da vida, incluindo at\u00e9 a derrapagem da fam\u00edlia, da classe burguesa, de identidades religioso-culturais, etc.). <strong>Com o globalismo o problema acentuar-se-\u00e1 devido ao capital cada vez se desvincular mais do trabalho. Consequentemente a emigra\u00e7\u00e3o orientar-se-\u00e1 mais pela qualidade dos sistemas sociais de assist\u00eancia nacionais.<\/strong><\/p>\n<p>As perspectivas econ\u00f3micas e sociais determinam o caracter mais ou menos sedent\u00e1rio dos grupos sociais. O mesmo fen\u00f3meno se observa no centralismo em torno das capitais e de outros grandes centros desfavorecedores da prov\u00edncia. Os fluxos migrat\u00f3rios s\u00e3o determinados, mais que por raz\u00f5es individuais, por contextos econ\u00f3micos e pol\u00edticos (de facto, a classe dominante n\u00e3o pensa em emigrar sem a certeza de voltar (excepcionalmente por raz\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Atendendo ao novo fen\u00f3meno da emigra\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica e \u00e0s suas necessidades espec\u00edficas, \u00e9 de prever que esta gera\u00e7\u00e3o invista mais no momento que no futuro. Consequentemente, muitas fam\u00edlias emigrar\u00e3o definitivamente e pessoas solteiras constituir\u00e3o fam\u00edlia no lugar de acolhimento. Os migrantes tentar\u00e3o criar perspectivas estabilizadoras de vida que contrariem uma economia profundamente desintegradora. Deste modo, <strong>enquanto a velha emigra\u00e7\u00e3o (Gastarbeiter) constitu\u00eda um factor de pol\u00edtica de desenvolvimento para economias carentes, a nova gera\u00e7\u00e3o emigrante investir\u00e1 o seu capital nos pa\u00edses onde se radicam (A nova gera\u00e7\u00e3o migrante vem fortalecer e enriquecer a qualidade das camadas sociais dos pa\u00edses de imigra\u00e7\u00e3o). <\/strong>Contar com as remessas desta nova gera\u00e7\u00e3o, a longo prazo, seria menosprezar a sua intelig\u00eancia econ\u00f3mica e do seu planeamento de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Emigra\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria e permanente<\/strong><\/p>\n<p>A economia neoliberal vigente e a inten\u00e7\u00e3o de se formar o Estado da EU aumentam a press\u00e3o sobre os Estados perif\u00e9ricos (dicotomia entre soberania e ditado da Troica). Na primeira fase de fomento do Estado da EU, ser\u00e1 natural a preval\u00eancia da emigra\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria para as zonas ricas. \u00c0 consolida\u00e7\u00e3o da EU (federaliza\u00e7\u00e3o dos Estados) seguir-se-\u00e1 a emigra\u00e7\u00e3o permanente\/definitiva para os centros europeus pr\u00f3speros. Neste processo a emigra\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno natural tal como se observou na fuga das gentes do campo para as cidades. Seria irracional a cont\u00ednua desloca\u00e7\u00e3o do trabalhador para zonas de dist\u00e2ncia superior a 100-200 Km.<\/p>\n<p>O capitalismo liberal aliado \u00e0 ideologia internacionalista marxista torna a emigra\u00e7\u00e3o mais atractiva, ao favorecer o desenraizamento e a individua\u00e7\u00e3o em desfavor do agrupamento emocional e cultural (esta fase do relativismo absoluto parece fazer parte de uma t\u00e1tica de desmantelamento das infraestruturas culturais para depois se conseguir um modelo de sociedade e de Estado como o chin\u00eas; este une num s\u00f3 grupo o poder ideol\u00f3gico e econ\u00f3mico). O Homem \u00e9 ele e as suas circunst\u00e2ncias,\u00a0 n\u00e3o devendo por isso elaborar-se teorias mono-causais.<\/p>\n<p>Na literatura sobre emigra\u00e7\u00e3o portuguesa ainda se encontram muitas leituras sem dist\u00e2ncia que procuram culpabilizar de sobremaneira o salazarismo por uma imigra\u00e7\u00e3o que hoje atinge valores maiores aos de ent\u00e3o sem que se culpabilize, ao mesmo tempo, o sistema hodierno por isso. <strong>As raz\u00f5es da emigra\u00e7\u00e3o de Portugal dos anos 60, mais que no contexto de Salazar, deve ser vista no contexto da emigra\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses pobres do sul para o Centro da Europa rica. Os pa\u00edses exportadores de emigrantes situavam-se no sul: Jugosl\u00e1via, Turquia, Malta, Gr\u00e9cia, Portugal, Espanha, It\u00e1lia.<\/strong> A todos estes pa\u00edses era comum a pobreza, a falta de forma\u00e7\u00e3o escolar e de apoios sociais. Naturalmente, h\u00e1 raz\u00f5es espec\u00edficas imanentes a cada sistema nacional que explicam aspectos pr\u00f3prios da emigra\u00e7\u00e3o; do mesmo modo, juntam-se motiva\u00e7\u00f5es individuais a sociais para emigrar. A Emigra\u00e7\u00e3o portuguesa pode contudo ser considerada sist\u00e9mica.<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios tipos de migra\u00e7\u00f5es, mas, se bem observarmos, a migra\u00e7\u00e3o tem sempre um motor comum: a procura do melhor. \u00c9 de todos bem conhecida a ac\u00e7\u00e3o dos monges e a emigra\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de membros da nobreza e da burguesia, na procura de alta cultura, nos centros culturais europeus das sociedades pr\u00e9-prolet\u00e1rias; deste modo fomentava-se o interc\u00e2mbio cultural, uma intercultura\u00e7\u00e3o que construiu uma europa comum nas bases da cultura; <strong>os moldes de migra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica hodierna, n\u00e3o deixa de ter os seus efeitos culturais paralelos, mas \u00e9 redutora e transforma a mobilidade em destino que condiciona o povo ao local da \u201cf\u00e1brica\u201d; <\/strong>o economismo tenta destruir no Homem o que uma civiliza\u00e7\u00e3o construiu em dois mil\u00e9nios colocando a civiliza\u00e7\u00e3o em perigo e as sociedades perif\u00e9ricas na desvantagem. A preval\u00eancia da depend\u00eancia cultural d\u00e1 lugar \u00e0 preval\u00eancia da depend\u00eancia econ\u00f3mica, em desfavor do aspecto cultural.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 economicamente inteligente incrementar uma pol\u00edtica confusa de \u201cportas abertas\u201d numa altura em que por um lado o d\u00e9fice demogr\u00e1fico portugu\u00eas \u00e9 grav\u00edssimo e em que as pot\u00eancias fomentam a imigra\u00e7\u00e3o de pessoas formadas e, por outro lado, colocam entraves \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o desqualificada, procurando at\u00e9, atrav\u00e9s de uma regula\u00e7\u00e3o da EU, distribuir quem procura asilo pelos pa\u00edses da EU, embora elas fa\u00e7am o neg\u00f3cio com as armas e a reconstru\u00e7\u00e3o nas zonas de conflito. Consequentemente, Portugal, como pa\u00eds da margem, e devido \u00e0 fraca capacidade industrial pode vir a ser v\u00edtima da dupla estrat\u00e9gia europeia, restando-lhe cada vez mais a imigra\u00e7\u00e3o desqualificada e uma popula\u00e7\u00e3o envelhecida que j\u00e1 n\u00e3o produz. (De notar que em Portugal os imigrantes ucranianos apresentam maior n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o que outros!)<\/p>\n<p>Em Portugal, do s\u00e9culo XIX at\u00e9 aos anos 60 do s\u00e9culo XX, a emigra\u00e7\u00e3o era da compet\u00eancia aduaneira\/fronteiras. Segundo Maria Ioannis B. Baganha <strong>\u201centre 1900 e 1988 emigraram 3,5 milh\u00f5es de portugueses, 25% dos quais ilegalmente<\/strong>\u201d. (1)<\/p>\n<p>Nos anos 50 a emigra\u00e7\u00e3o dirigia-se sobretudo para o Brasil, Col\u00f3nias e Am\u00e9rica. As duas grandes guerras provocaram principalmente na Alemanha e na Fran\u00e7a uma fuga de popula\u00e7\u00e3o (para os Estados Unidos e Canad\u00e1) e sobretudo a dizima\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o activa<strong>. A reconstru\u00e7\u00e3o, o grande desequil\u00edbrio na pir\u00e2mide da popula\u00e7\u00e3o e os melhores sal\u00e1rios fizeram destas na\u00e7\u00f5es pa\u00edses de imigra\u00e7\u00e3o.<\/strong> Este d\u00e9fice \u00e9 compensado com a imigra\u00e7\u00e3o do Sul (Jugosl\u00e1via, It\u00e1lia, Gr\u00e9cia, Turquia, Portugal, Espanha). A partir dos anos 60 o milagre econ\u00f3mico p\u00f3s-guerra alem\u00e3o e o desenvolvimento industrial da Fran\u00e7a e da Europa do Norte (posteriormente a quebra de nascimentos devida \u00e0 p\u00edlula) estimularam mais ainda a emigra\u00e7\u00e3o do Sul em direc\u00e7\u00e3o ao Norte. Com o tempo uns emigrantes chamavam os outros (Cartas de chamada).<\/p>\n<p>Nos princ\u00edpios dos anos 60, Portugal come\u00e7a a preocupar-se com a defesa dos direitos dos portugueses no estrangeiro com conv\u00e9nios e acordos bilaterais. Acordos de emigra\u00e7\u00e3o com a Fran\u00e7a em 1960\/1963, com a Alemanha em 1964.<\/p>\n<p>Como reac\u00e7\u00e3o \u00e0 crise petrol\u00edfera de 1973, em que o petr\u00f3leo era usado como arma da guerra econ\u00f3mica, a Alemanha e outros pa\u00edses tomaram medidas restritivas \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o fomentando at\u00e9 o retorno.<\/p>\n<p>Segundo as Estat\u00edsticas demogr\u00e1ficas do INE, na d\u00e9cada 60 a taxa m\u00e9dia de emigra\u00e7\u00e3o \u00e9 de 7,1% com um total, dos 10 anos, de 646.962 emigrados; na d\u00e9cada 70, a taxa m\u00e9dia foi 4,3% com um total de 406.011 emigrados<strong>. <\/strong>A d\u00e9cada de 80 foi a \u00e9poca em que a emigra\u00e7\u00e3o se manteve mais baixa com uma taxa m\u00e9dia de 1,7% num total de 156.296 emigrados.<\/p>\n<p>A partir dos anos 80, com a integra\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia, a migra\u00e7\u00e3o come\u00e7a a ser geral, tamb\u00e9m para os pa\u00edses n\u00f3rdicos.<\/p>\n<p>O Portugal democr\u00e1tico continua a ser raz\u00e3o para sair! O facto de em 1982 haver em Fran\u00e7a 764.864 portugueses legalizados n\u00e3o facilita tirar-se conclus\u00f5es gerais acertadas sobre os surtos migrat\u00f3rios atendendo \u00e0 reunifica\u00e7\u00e3o familiar, aos ilegais e aos que entretanto adquiriram a nacionalidade francesa. Emigrantes clandestinos e sazonais s\u00e3o dif\u00edceis de contabilizar estatisticamente, prestando-se, por isso, a interpreta\u00e7\u00f5es tendenciosas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A Ades\u00e3o ao Espa\u00e7o Schengen modifica os Perfis de migra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Com a entrada de Portugal na Comunidade Europeia em 1986 e a assinatura do Acto \u00danico Europeu (AUE) &#8211; fomento do mercado interno e a assinatura do Acervo de Schengen que se tornou parte da legisla\u00e7\u00e3o da EU a partir de 1999 (Irlanda e Inglaterra s\u00f3 assinaram parte deste tratado que pretende a aboli\u00e7\u00e3o de fronteiras), inicia-se uma nova era no fomento da mobilidade dentro da EU. A Directiva 2004\/38\/CE d\u00e1 direito a circula\u00e7\u00e3o e resid\u00eancia at\u00e9 tr\u00eas meses durante a procura de trabalho e resid\u00eancia superior a tr\u00eas meses ou permanente, direitos acrescentados. A EU tem tamb\u00e9m o Programa Erasmus para fomento da mobilidade dos estudantes universit\u00e1rios. (2)<\/p>\n<p>Com o tratado de Schengen d\u00e1-se a harmoniza\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas nacionais de imigra\u00e7\u00e3o a n\u00edvel de EU favorecendo a mobilidade tempor\u00e1ria, relegando-se, em parte, as fronteiras internas para a periferia da EU. (3)<\/p>\n<p>Entre 1990 e 2000 emigram 240.453 portugueses; h\u00e1 mais emigra\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria e consequentemente menos mulheres. D\u00e1-se um aumento da emigra\u00e7\u00e3o de qualificados em rela\u00e7\u00e3o aos outros.<\/p>\n<p><strong>O perfil do emigrante nos anos 60 e 70 era mais masculino, solteiro e com fraca qualifica\u00e7\u00e3o escolar. <\/strong>Em 2003 (INE\/IMMS 2003) cerca de 80% tem o 9\u00b0 ano e 10% possui o secund\u00e1rio ou universit\u00e1rio (46,2% casados e 46,4% solteiros). Se em 1968 48,5% eram homens e 53,5% mulheres (devido ao reagrupamento familiar), em 2003 76,4% s\u00e3o homens e abaixo de 30% mulheres, isto \u00e9 devido ao predom\u00ednio da emigra\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria. Nos anos 60 e 70 dava-se a imigra\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias inteiras, dado n\u00e3o haver ainda uma pol\u00edtica comum europeia; tudo era regulado por legisla\u00e7\u00f5es nacionais e por contratos bilaterais. A partir do ano 2000 a maior parte da popula\u00e7\u00e3o emigrante passa a ser do grupo et\u00e1rio dos 15 aos 29 anos com 45% e a dos 30 aos 44 anos com 24%.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2000 a emigra\u00e7\u00e3o portuguesa estende-se tamb\u00e9m \u00e0 Inglaterra e \u00e0 Espanha (emigra\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria).<\/p>\n<p>A pol\u00edtica da mobilidade europeia estimula a emigra\u00e7\u00e3o. Continuamos a ser um pa\u00eds de emigra\u00e7\u00e3o; a Su\u00ed\u00e7a e a Fran\u00e7a s\u00e3o os pa\u00edses que hoje recebem mais portugueses; prevalece a emigra\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria e consequentemente a diminui\u00e7\u00e3o da emigra\u00e7\u00e3o feminina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Emigra\u00e7\u00e3o \u00e0 luz da legisla\u00e7\u00e3o portuguesa &#8211; Sob o signo da mudan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>A \u201dguerra do ultramar\u201d, iniciada em 1961 e terminada pela revolu\u00e7\u00e3o dos cravos em 1974 (uma guerra contra os movimentos de independ\u00eancia apoiados pelas for\u00e7as mercen\u00e1rias das ent\u00e3o pot\u00eancias mundiais, Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, USA e pa\u00edses n\u00e3o alinhados: confronto ideol\u00f3gico Este-oeste da Guerra Fria), coloca o governo portugu\u00eas numa situa\u00e7\u00e3o ambivalente quanto \u00e0 pol\u00edtica de emigra\u00e7\u00e3o: por um lado precisava de divisas para manter a guerra e, por outro, queria impedir a emigra\u00e7\u00e3o de mancebos necess\u00e1rios para guerra. No tempo da guerra muitos emigram clandestinamente para fugirem \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o militar do regime de Salazar. Em 1960 a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica tinha constru\u00eddo o muro de Berlim.<\/p>\n<p><strong>O Decreto-lei n\u00ba 44428, de 29 de Junho de 1962 determina a pol\u00edtica restritiva da emigra\u00e7\u00e3o da \u00e9poca considerando crime a emigra\u00e7\u00e3o irregular.<\/strong> Em 1962 sa\u00edram de Portugal com passaporte regular 33 539, mas nesse mesmo ano teriam ido para a Fran\u00e7a 4 671 clandestinos. A partir de 1963, o governo deixa de limitar os documentos de legaliza\u00e7\u00e3o da emigra\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ent\u00e3o 30.000 por ano, com o intuito de reduzir a emigra\u00e7\u00e3o selvagem. Em 1966 emigram j\u00e1 120 239 com passaporte e 12 595 clandestinamente. Recordo bem dos anos 60 em que havia redes de passadores de emigrantes clandestinos, principalmente para Fran\u00e7a. Os portugueses imigrados em Fran\u00e7a, muitas vezes, arranjavam cartas de chamada, lugares de emprego ou guarida para os seus familiares e conterr\u00e2neos. Tamb\u00e9m os havia que iam \u00e0 aventura e depois paravam nos Bidonville. Atendendo ao subdesenvolvimento das aldeias e das terras do interior, dar o salto era um acto libertador e de sobreviv\u00eancia. O estrangeiro teve sempre no imagin\u00e1rio portugu\u00eas uma atrac\u00e7\u00e3o e um brilho sacro; de fora vinham os mission\u00e1rios pregar \u00e0s aldeias, de fora vinham os contadores de hist\u00f3rias nas feiras, das col\u00f3nias chegavam emigrantes portugueses que mantinham acesa a chama de um outro mundo.<\/p>\n<p>Entre 1964 e 1971, 71% da emigra\u00e7\u00e3o ia para Fran\u00e7a. Dados do INE registam 756 787 pessoas entre 1961 e 1975.<\/p>\n<p>Com Marcello Caetano (68-73) e especialmente a partir de 1970 Portugal, ao assinar a Conven\u00e7\u00e3o n\u00ba 97 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, compromete-se \u00e0 assist\u00eancia na emigra\u00e7\u00e3o. Em 1970 \u00e9 criado o Secretariado Nacional da Emigra\u00e7\u00e3o (Decreto-Lei n\u00ba 402\/70 de 22 de Agosto) em substitui\u00e7\u00e3o do antigo Secretariado Nacional que canalizava a emigra\u00e7\u00e3o para as col\u00f3nias (Lei n\u00ba 15\/72).<\/p>\n<p>Exige-se ent\u00e3o que os pa\u00edses anfitri\u00f5es concedam iguais direitos a nativos e imigrantes (abono de fam\u00edlia e previd\u00eancia social). <strong>O Estado estava interessado em impedir o reagrupamento familiar para garantir o envio das remessas.<\/strong> Criam-se col\u00f3nias de f\u00e9rias para filhos de emigrantes para os ligar \u00e0 p\u00e1tria e n\u00e3o os deixar \u201cdesnacionalizar\u201d como defendia Marcelo Caetano j\u00e1 em 72.<\/p>\n<p>Com a independ\u00eancia das col\u00f3nias, em 1975 Portugal tem de integrar os 700 000 fugitivos e espoliados das col\u00f3nias.<\/p>\n<p>Com a revolu\u00e7\u00e3o de Abril houve muitos emigrantes que voltaram a Portugal e outros que emigraram com medo de repres\u00e1lias.<\/p>\n<p><strong>No per\u00edodo quente dos governos revolucion\u00e1rios,<\/strong> a emigra\u00e7\u00e3o foi colocada sob a compet\u00eancia do minist\u00e9rio do Trabalho (Decreto-lei n\u00ba 303\/74), at\u00e9 ao 5\u00b0 governo provis\u00f3rio. A partir do V Governo a pasta passa para o MNE. Em 1975 a Constitui\u00e7\u00e3o portuguesa confere ao cidad\u00e3o o direito de emigra\u00e7\u00e3o (art.\u00ba 44, n\u00ba 2). S\u00f3 o Decreto regulamentar n\u00ba 45\/78 de 23 de Novembro d\u00e1 o direito a emigrar com passaporte ordin\u00e1rio (n\u00e3o sendo mais preciso o passaporte de emigrante). O artigo 14\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o ao garantir os direitos de obriga\u00e7\u00f5es e deveres aos emigrantes assume uma carga que n\u00e3o pode cumprir.<\/p>\n<p><strong>Os deputados da emigra\u00e7\u00e3o<\/strong> s\u00e3o criados pela Lei n\u00ba 69\/78 de 3 de Novembro<strong>. <\/strong>Em 78 o Governo falava de dois milh\u00f5es de portugueses espalhados pelo mundo e preocupava-se com a renova\u00e7\u00e3o de acordos bilaterais, referindo as remessas dos emigrantes como \u201cum dos elementos fundamentais para a elabora\u00e7\u00e3o de um plano econ\u00f3mico na reconstru\u00e7\u00e3o nacional\u00bb. Os deputados da emigra\u00e7\u00e3o constituem uma grande for\u00e7a a n\u00edvel institucional. N\u00e3o constitui verdadeiramente uma l\u00f3bi da emigrante porque estes ainda n\u00e3o est\u00e3o conscientes da chance que \u00e9 a for\u00e7a de interesses organizados politicamente.<\/p>\n<p>Com Manuela Aguiar, a pol\u00edtica de emigra\u00e7\u00e3o estabiliza-se em benef\u00edcio dos emigrantes (Comunidades Portuguesas) e cria-se o apoio jur\u00eddico aos emigrantes. O Decreto-lei n\u00ba 322\/82 de 12 de Agosto, reconhece a dupla nacionalidade.<\/p>\n<p>A melhor pol\u00edtica portuguesa em favor dos emigrantes foi feita nos anos 80. Nos princ\u00edpios dos anos 80 o governo preocupa-se com a plena integra\u00e7\u00e3o de Portugal na Comunidade Europeia e toma os emigrantes mais a s\u00e9rio. Al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o por estabelecer conven\u00e7\u00f5es bilaterais promove o \u201cEnsino do Portugu\u00eas no estrangeiro, adop\u00e7\u00e3o de esquemas educativos especiais e forma\u00e7\u00e3o profissional para os emigrantes e seus descendentes. D\u00e1-se a amplia\u00e7\u00e3o e refor\u00e7o das formas de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos emigrantes, assim como a protec\u00e7\u00e3o dos seus bens e a sua reinser\u00e7\u00e3o. Cria\u00e7\u00e3o do Conselho das Comunidades Portuguesas no Mundo, facilitando apoios \u00e0s associa\u00e7\u00f5es que dele fizerem parte. Incrementa-se o interc\u00e2mbio noticioso entre Portugal e os pa\u00edses de acolhimento. D\u00e1-se um sentido patri\u00f3tico \u00e0 comemora\u00e7\u00e3o do Dia das Comunidades Portuguesas\u201d (5).<\/p>\n<p>Em 1983\/84 criam-se delega\u00e7\u00f5es do Instituto de Apoio \u00e0 Emigra\u00e7\u00e3o e \u00e0s Comunidades Portuguesas em Coimbra, Guarda, Porto, Braga, Chaves, Aveiro, Viseu e Bragan\u00e7a com o intuito de apoiar a emigra\u00e7\u00e3o e os emigrantes. Em 1984 cria-se o Instituto Coordenador do Apoio \u00e0 Reinser\u00e7\u00e3o do Emigrante.<\/p>\n<p>Diria resumindo: Pelo que pude observar das ac\u00e7\u00f5es dos governos a partir de 1979 tenho de constatar que nos primeiros tempos, especialmente no governo de S\u00e1 Carneiro e depois de Pinto Balsem\u00e3o, e com a secret\u00e1ria de Estado Manuela Aguiar, as Comunidades lusas se consolidaram.<\/p>\n<p>Com a secret\u00e1ria de estado das Comunidades Manuela Aguiar, que ocupou a pasta da Emigra\u00e7\u00e3o entre 1980-1987 a voz dos emigrantes ainda eram ouvidos com respeito e sentiam ser tratados com dignidade. Manuela Aguiar tinha uma personalidade humana t\u00e3o nobre e fina que agia como pessoa soberana ao servi\u00e7o da liberta\u00e7\u00e3o e democracia. Era o tempo da consolida\u00e7\u00e3o das Comunidades, o tempo em que ainda se tomava a s\u00e9rio a democracia, o tempo das grandes discuss\u00f5es entre a administra\u00e7\u00e3o portuguesa e as comunidades de emigrantes (especialmente nos assuntos escolares e sociais). Como representante de organiza\u00e7\u00f5es de professores e de associa\u00e7\u00f5es de emigrantes pude acompanhar o processo directamente. Com os governos socialistas entrou-se na fase do \u201cfaz de conta\u201d, dos interesses, custa-me diz\u00ea-lo, dos donos da democracia, etc., etc\u2026 Eu, que at\u00e9 ent\u00e3o sentia simpatias pela esquerda tive que perder, com tristeza, a ilus\u00e3o. Quanto mais vis\u00e3o e experi\u00eancia tive do que se passava a n\u00edvel de coniv\u00eancias de partidos, administra\u00e7\u00e3o, ME, sindicatos, pessoal da administra\u00e7\u00e3o da SEC e parte de jornais em favor duma esquerda empedernida, mais me desiludi de um mundo que julgava viver n\u00e3o s\u00f3 de interesses pessoais e ideol\u00f3gicos (Perdi a virgindade pol\u00edtica depois de ter ido como Delegado socialista ao congresso socialista em Lisboa\/1987). Anteriormente, embora as estruturas do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o estivessem nas m\u00e3os de funcion\u00e1rios administrativos da esquerda, havia dec\u00eancia democr\u00e1tica nas rela\u00e7\u00f5es. A partir de 1997\/98 interrompe-se radicalmente o di\u00e1logo que ainda havia entre as bases e as c\u00fapulas; passou a reinar um esp\u00edrito autorit\u00e1rio por parte das estruturas administrativas. Deixa de haver o m\u00ednimo de respeito para com os emigrantes.<\/p>\n<p><strong>Com a ades\u00e3o de Portugal \u00e0 CEE<\/strong> (Tratado em 1985 em vigor desde 1 de Janeiro de 1986) os emigrantes portugueses passam a ter o<strong> estatuto de cidad\u00e3os europeus. <\/strong>Depois do \u00faltimo mandato de Manuela Aguiar abandona-se propriamente a ideia de \u201cmanter Portugal unido \u00e0 sua identidade cultural e \u00e0s comunidades portuguesas no mundo\u201d.\u00a0 Tem-se ent\u00e3o a impress\u00e3o de Portugal manter as antenas totalmente viradas para as sereias da Europa. A palavra emigrante parece tornar-se inc\u00f3moda para certos meios da classe pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Com a entrada na CEE a pol\u00edtica de emigra\u00e7\u00e3o preocupa-se em defender a igualdade de direitos entre todos os cidad\u00e3os europeus e cativar as gera\u00e7\u00f5es luso-descendentes para os valores e l\u00edngua portuguesa (estreitar la\u00e7os). Apesar das leis da CEE Portugal discrimina os portugueses emigrantes na importa\u00e7\u00e3o de carros.<\/p>\n<p>Pelo Decreto-Lei n\u00ba 14\/87 de 9 de Janeiro \u00e9 criada, no MNE, a \u201cComiss\u00e3o Interministerial para a Emigra\u00e7\u00e3o e Comunidades Portuguesas\u201d. \u00c9 uma inst\u00e2ncia consultiva do Governo &#8211; \u00f3rg\u00e3o de consulta &#8211; para a defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica de emigra\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o de iniciativas. A difus\u00e3o da cultura portuguesa traz consigo a realiza\u00e7\u00e3o de semanas culturais, comemora\u00e7\u00f5es do 10 de Junho, concursos liter\u00e1rios juvenis, saraus, recitais de teatro Festas de Ver\u00e3o, entre outras.<\/p>\n<p><strong>Em 1997 os emigrantes adquirem o direito de voto para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/strong><\/p>\n<p>Em Julho de 2013, Portugal e a Alemanha assinaram um tratado de parceria para promo\u00e7\u00e3o de emprego, est\u00e1gios e forma\u00e7\u00e3o profissional) que prev\u00ea, num espa\u00e7o de tr\u00eas anos a jovens fazerem aprendizagem na Alemanha e vice-versa. Neste sentido em Dezembro de 2013 a C\u00e2mara de Com\u00e9rcio e Ind\u00fastria Luso-Alem\u00e3 (CCILA) e o Instituto do Emprego e da Forma\u00e7\u00e3o Profissional (IEFP) assinaram um acordo \u201cVida Activa\u201d que prev\u00ea no Centro DUAL Lisboa a realiza\u00e7\u00e3o de 7.146 horas de forma\u00e7\u00e3o e abrange 475 formandos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ensino e cultura portuguesa \u00e0 tona da pol\u00edtica europeia<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nos anos 60 o ensino e a cultura n\u00e3o estavam organizados pelo Estado, a Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 que o organizava com iniciativas locais e associa\u00e7\u00f5es. Marcelo Caetano fomentou algumas escolas prim\u00e1rias no estrangeiro. Em 72 criam-se 200 cursos em Fran\u00e7a com um liceu portugu\u00eas em Paris. <\/strong><\/p>\n<p>Em Julho de 1977 entra em vigor uma directiva do Conselho de Ministros da CEE impondo aos Estados-membros <strong>a implementa\u00e7\u00e3o do ensino da l\u00edngua materna<\/strong> aos filhos dos emigrantes. Em 79, o governo Franc\u00eas concede a Portugal 1,5 milh\u00f5es de francos atrav\u00e9s do Fundo da Seguran\u00e7a Social para um programa de organiza\u00e7\u00e3o do ensino do portugu\u00eas. O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Investiga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica planeia o envio de 90 professores para o ano lectivo de 79\/80. Surge o Decreto-Lei n\u00ba 264<\/p>\n<p>Em 1980 o Estado Portugu\u00eas assume o ensino de L\u00edngua e Cultura portuguesas enviando professores para os estados onde estes n\u00e3o o assumiam.<\/p>\n<p>Na Alemanha alguns estados federados assumiam o ensino com os professores ocasionais que ia adquirindo; a maior parte dos estados alem\u00e3es administrava o ensino de l\u00edngua materna directamente para n\u00e3o proporcionar, dentro das suas escolas, pol\u00edticas de ensino adversas \u00e0 sua pol\u00edtica democr\u00e1tica escolar, outros, como o Baden Vurtemberga, deixavam-nos sob a autoridade dos pa\u00edses de emigra\u00e7\u00e3o concedendo-lhes o uso das salas de aula e uma subven\u00e7\u00e3o anual. \/77 de 1 de Julho, com a finalidade de coordenar o ensino portugu\u00eas no estrangeiro.<\/p>\n<p>A partir de 1980 assiste-se, tamb\u00e9m pela parte de Portugal, a grande interesse pelo fomento da l\u00edngua e cultura. O DL.519 Decreto-Lei n.\u00ba 519-E\/79 de 28 de Dezembro d\u00e1 resposta \u00e0s Directivas da CEE e \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o. A partir dos meados de 90 os pa\u00edses reorientam os dinheiros dedicados ao ensino dos filhos dos Trabalhadores tradicionais, para outros grupos (na Alemanha para refugiados e pa\u00edses do Leste). Portugal parece ter deixado de considerar a l\u00edngua como instrumento de identidade, iniciando uma pol\u00edtica mais restritiva e orientada para a economia. Decreto-Lei n.\u00ba 13\/98, de 24 de Janeiro regularizador da coloca\u00e7\u00e3o dos professores no Estrangeiro, inicia uma nova era ao limitar os encargos com os professores e reduzir as ofertas de ensino. A partir daqui d\u00e1-se uma machadada no ensino agravada pelas tend\u00eancias dos pa\u00edses de imigra\u00e7\u00e3o por n\u00e3o assumir o ensino.<\/p>\n<p><strong>Em 1996, o Estado do Hesse, RFA, determinou n\u00e3o assumir para o futuro o financiamento de professores estrangeiros do ensino da l\u00edngua materna<\/strong>, comprometendo-se perante professores e sindicatos a manter os contratos dos professores no activo at\u00e9 que estes abandonem o servi\u00e7o (Eu fazia ent\u00e3o parte duma comiss\u00e3o, convocada pelo minist\u00e9rio e formada por pol\u00edticos, pessoal da administra\u00e7\u00e3o escolar, sindicatos e representantes do professorado estrangeiro, para a reestrutura\u00e7\u00e3o do Ensino da l\u00edngua materna).<\/p>\n<p>Estudantes portugueses na Alemanha no semestre de inverno de 2002\/2003 dos 1612 estudantes portugueses 1108 conseguiram o acesso \u00e0 Universidade.<\/p>\n<p>Segundo as estat\u00edsticas no ano lectivo 2002\/03 havia na Alemanha 13.222 alunos com sub-representa\u00e7\u00e3o no Gymnasium (8,5%); 10,8% nas Realschule, 23% nas Hauptschule e 7% nas Sonderschule; uma percentagem relativamente grande acaba a escola sem certificado. Em m\u00e9dia, os alunos portugueses n\u00e3o conseguem atingir t\u00e3o bons resultados como os alem\u00e3es e como alunos de v\u00e1rios outros pa\u00edses estrangeiros. A Alemanha desde o in\u00edcio da imigra\u00e7\u00e3o criou o ensino paralelo de l\u00edngua materna para os filhos dos imigrantes. Portugal criou posteriormente em Berlim e Hamburgo os projectos das escolas bilingues Portugueses. Na Alemanha em 2011 num total de alunos alem\u00e3es e estrangeiros frequentavam 12,2% a Haupschule, 26,0% a Realchule e 61% o Gymnasium! A cr\u00f3nica situa\u00e7\u00e3o dos alunos portugueses na Alemanha \u00e9 confirmada pelas estat\u00edsticas do Bundesamt para 2011 (6). (Gymnasium \u2013Abitur &#8211; d\u00e1 acesso directo \u00e0 universidade).<\/p>\n<p>A passagem do Ensino de L\u00edngua e Cultura portuguesa do ME para o Instituto Cam\u00f5es n\u00e3o parece revelar uma maior economiza\u00e7\u00e3o do ensino, iniciada em 1998.<\/p>\n<p>O ensino da l\u00edngua e cultura portuguesas \u00e9 important\u00edssimo n\u00e3o s\u00f3 pelo aspecto rom\u00e2ntico mas como espa\u00e7o de cultura e intercultura e parte de uma estrat\u00e9gia p\u00fablica de promo\u00e7\u00e3o da l\u00edngua, cultura e economia portuguesas num mundo em que a presen\u00e7a dos pa\u00edses lus\u00f3fonos se far\u00e1 cada vez mais sentir. Neste sentido, o fomento de federa\u00e7\u00f5es de empres\u00e1rios, de associa\u00e7\u00f5es e de diferentes grupos de interesse, ser\u00e1 a melhor estrat\u00e9gia de avan\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A Realidade do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP)<\/strong><\/p>\n<p>O Conselho da Comunidades Portuguesas (1980) \u00e9 o resultado de uma preocupa\u00e7\u00e3o que pretendia institucionalizar o di\u00e1logo entre o governo e a emigra\u00e7\u00e3o (4), transformando-se num lugar de debate e tamb\u00e9m de refer\u00eancia para a inc\u00faria da imprensa portuguesa relativamente aos emigrantes. O destino dos emigrantes, dado estes n\u00e3o organizarem sistematicamente a sua voz, fica entregue \u00e0s ondas da pol\u00edtica europeia e portuguesa e aos que correm pela cor da camisola!<\/p>\n<p>O CCP foi um instrumento n\u00e3o agraciado pelos governos e com pouca representatividade na popula\u00e7\u00e3o migrante: o PS considerava os conselheiros dos pa\u00edses europeus mais como pessoal de casa e o PSD como estranhos porque em parte eram de partidos opostos. Na Europa os seus representantes eram quase todos de esquerda, o que revelava tamb\u00e9m o seu maior empenho e maior organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a n\u00edvel de bases.<\/p>\n<p><strong>As elei\u00e7\u00f5es para o CCP de 2008 tiveram um resultado eleitoral revelador da insignific\u00e2ncia de um \u00f3rg\u00e3o atrelado \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o. Numa popula\u00e7\u00e3o de cerca de 4, 5 milh\u00f5es de portugueses espalhados pelo mundo apenas 12 mil portugueses concorreram \u00e0s urnas para votarem os conselheiros.<\/strong> <strong>O CCP \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o consultivo do Governo. Na Alemanha, com 132.092 emigrantes portugueses recenseados, votaram 655 pessoas. A lista A do c\u00edrculo de Dusseld\u00f3rfia, Frankfurt e Estugarda venceu ficando com tr\u00eas conselheiros votados por um total de 514 pessoas; a lista do c\u00edrculo de Berlim e Hamburgo obteve um conselheiro que conseguiu reunir 63 votos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como explicar tal desastre na participa\u00e7\u00e3o? As institui\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter pol\u00edtico na emigra\u00e7\u00e3o, dum modo geral n\u00e3o s\u00e3o s\u00e9rias; funcionam apenas para ingl\u00eas ver, s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es ao servi\u00e7o da institui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o do povo. O CCP funciona para os governos de Lisboa como um \u00e1libi, por isso n\u00e3o pode adquirir autoridade. <\/strong><\/p>\n<p>Para tomar a s\u00e9rio os emigrantes implicaria ter se tomar a s\u00e9rio e elaborar conceito pr\u00f3prio sobre a tarefa confiada, mas pensar n\u00e3o \u00e9 uma virtude portuguesa e para os governantes parece constituir blasf\u00e9mia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na emigra\u00e7\u00e3o a liga\u00e7\u00e3o entre o trabalhador e os representantes pol\u00edticos \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de desconfian\u00e7a. Este problema verifica-se de maneira mais acentuada na elei\u00e7\u00e3o de deputados e de conselheiros. Constata-se uma falta de sentido e de efici\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es. D\u00e1-se uma batota dupla. E os eleitos, na sua arrog\u00e2ncia cega ainda t\u00eam o desplante de se queixarem dum povo que n\u00e3o participa e dum governo que n\u00e3o reconhece a sua import\u00e2ncia! Os eleitos n\u00e3o tomam a s\u00e9rio o povo e este paga-lhes com a mesma moeda. Os pretendentes a cargos s\u00f3 se lembram dos votantes em per\u00edodos de elei\u00e7\u00f5es. Joga-se o jogo do rato e do gato. Falta a responsabilidade partid\u00e1ria, a atitude c\u00edvica e o comprometimento por um ideal pol\u00edtico, os programas n\u00e3o passam de pretexto: ocupam-se cargos e na falta a voca\u00e7\u00e3o segue-se a conven\u00e7\u00e3o ou a ideologia.<\/p>\n<p>Na Alemanha, pa\u00eds que conhe\u00e7o bem, s\u00f3 a esquerda apresenta capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o. Esta carga partid\u00e1ria foi a votada. De facto os outros ou n\u00e3o se interessam ou vivem encostados \u00e0queles. Confia-se na ingenuidade de algum votante levado pelo h\u00e1bito ou distra\u00eddo. A esquerda como a direita n\u00e3o se mostra interessada na defesa do que interessa ao emigrante. Os conservadores, sem organiza\u00e7\u00e3o, ouvem, e os progressistas, com alguns postos avan\u00e7ados, fazem-se ouvir!<\/p>\n<p>As esquerdas, em geral, metem-se em batalhas que t\u00eam a ver com postos ou dinheiros nos consulados, ensino ou em embaixadas. T\u00eam alguma efici\u00eancia na sua estrat\u00e9gia embora n\u00e3o tenham representatividade nem verdadeira inser\u00e7\u00e3o na comunidade que lhes possa dar cr\u00e9dito. Al\u00e9m disso a sua fidelidade partid\u00e1ria torna-se impedimento para a organiza\u00e7\u00e3o de ac\u00e7\u00f5es de interesse comum para os emigrantes, porque n\u00e3o chegam a reconhecer que uma coisa \u00e9 a ideia central do partido e outra coisa \u00e9 a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas in loco; estes implicariam, por vezes, uma uni\u00e3o local de partidos embora a n\u00edvel central sejam contr\u00e1rios (tal como se d\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o entre pol\u00edtica comunal e central, em que na comuna os partidos de governo e oposi\u00e7\u00e3o se unem na tomada de medidas locais contra os interesses do governo central). Desta realidade ainda se n\u00e3o deram conta os partidos na emigra\u00e7\u00e3o continuando rivais em ac\u00e7\u00f5es onde deveriam ser companheiros. Assim perdem efici\u00eancia e credibilidade.<\/p>\n<p>Gastam o seu latim em guerras secund\u00e1rias ou v\u00e3o passeando a sua import\u00e2ncia de reuni\u00e3o em reuni\u00e3o. S\u00e3o pobres at\u00e9 no pedir e como tamb\u00e9m eles vivem da rivalidade e n\u00e3o est\u00e3o isentos de inveja, procuram aproveitar-se de tudo e de todos para engordarem a sua presen\u00e7a (falo da Alemanha que conhe\u00e7o, mas a avaliar pela participa\u00e7\u00e3o nos outros pa\u00edses, n\u00e3o deve ser diferente, a n\u00edvel de Europa).<\/p>\n<p>Todos eles s\u00e3o contudo muito boas pessoas e bem-intencionadas; os v\u00edcios que t\u00eam s\u00e3o o v\u00edcio portugu\u00eas: uma popula\u00e7\u00e3o com a consci\u00eancia de indiv\u00edduo, quando muito de partido mas n\u00e3o de povo.<\/p>\n<p>Os conselheiros s\u00e3o os melhores servidores da imprensa, que assim facilmente adquire pessoas de contacto. Aqui est\u00e1 a pouca relev\u00e2ncia do seu sentido de ser. A qualidade, por\u00e9m, da sua informa\u00e7\u00e3o depende da base que os legitima. O Governo encontra consequentemente a sua melhor desobriga em tais representantes cujas exig\u00eancias n\u00e3o passar\u00e3o de impertin\u00eancias.<\/p>\n<p>Quanto aos sindicatos, a n\u00e3o ser o das representa\u00e7\u00f5es consulares e diplom\u00e1ticas, falta-lhes qualquer capacidade, legitima\u00e7\u00e3o e interesse (sofrem da mesma condi\u00e7\u00e3o dos partidos divididos entre a defesa dos seus interesses em Portugal e fora dele; e muitas vezes estes contradizem-se porque \u00e9 a mesma clientela com interesses, por vezes contradit\u00f3rios. (Fui organizador e co-fundador do SPE da FENPROF na Alemanha e tive de desistir para n\u00e3o abdicar de boas inten\u00e7\u00f5es e de uma certa objetividade; contra a for\u00e7a e contra o h\u00e1bito n\u00e3o h\u00e1 resist\u00eancia poss\u00edvel). Tamb\u00e9m os representantes sindicais t\u00eam um significado de pessoas de contacto para a imprensa, mas sem qualquer peso a n\u00edvel de decis\u00f5es. O sindicato dos trabalhadores de embaixadas e consulados esses t\u00eam poder mas na defesa dos interesses dos maiores. Tamb\u00e9m a FAPA, apesar das organiza\u00e7\u00f5es que representa, se encontra demasiado conotada. Depois ainda temos as rivalidades da esquerda entre ela. Uma certa emula\u00e7\u00e3o entre socialistas e comunistas na Alemanha \u00e9 sintom\u00e1tica da miopia partid\u00e1ria reinante. \u00c9 um facto, que em termos de mobiliza\u00e7\u00e3o de pessoal para manifesta\u00e7\u00f5es os comunistas s\u00e3o mais eficientes que os socialistas. A esquerda mais radical ainda \u00e9 aquela fac\u00e7\u00e3o disposta a tomar medidas publicamente mais eficientes e adequadas na imposta\u00e7\u00e3o de alguns interesses. O eleito interessa-se pelas suas coisas e dos comparsas mas n\u00e3o pelas do povo. O povo interessa-se pelo dia a dia mas n\u00e3o pelas do eleito. Cada um anda preocupado consigo mesmo, com a fam\u00edlia ou com o partido, na luta do \u201csalve-se que puder\u201d! N\u00e3o h\u00e1 uma sociedade civil consciente; por isso Portugal se encontra em cont\u00ednua derrapagem. E na precariedade n\u00e3o h\u00e1 tempo para o \u00f3bvio. Somos um povo ausente mas a safar-se sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Emigrantes a Presen\u00e7a e as Remessas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cinquenten\u00e1rio da assinatura do contrato de emigra\u00e7\u00e3o com a Alemanha<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o Observat\u00f3rio da Emigra\u00e7\u00e3o, relativamente a 2012, a RFA regista uma popula\u00e7\u00e3o de 82 milh\u00f5es de habitantes, com 7.213.708 estrangeiros, dos quais 120.560 portugueses, que correspondem a 2% dos estrangeiros. Remessas enviadas em 2012 para Portugal: 172.943.000\u20ac; recebidas de Portugal: 5.666.000. Saldo positivo para Portugal 167.277.000\u20ac<\/p>\n<p><strong>Quem tiver trabalhado e feito os descontos na Alemanha durante pelo menos cinco anos tem direito a uma reforma de velhice correspondente aos anos de desconto. <\/strong><\/p>\n<p>Em 2003 as receitas dos emigrantes portugueses cifravam-se logo a seguir \u00e0s do turismo (7).<\/p>\n<p>A imigra\u00e7\u00e3o de trabalhadores para a RFA come\u00e7ou em 1955 com um acordo com a It\u00e1lia; depois seguem-se os acordos de recrutamento com a Espanha (1960), Gr\u00e9cia (1960), Turquia (1961), Marrocos (1963), Portugal (1964), Tun\u00edsia (1965) e Jugosl\u00e1via (1968). Cf. (8)<\/p>\n<p>A emigra\u00e7\u00e3o para a Alemanha dava-se de forma mais selectiva, do que para outros pa\u00edses. O processo de recrutamento da m\u00e3o-de-obra estrangeira; a pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o era determinada pela ideia de \u201ctrabalhadores h\u00f3spedes\u201d (Gastarbeiter) considerados como \u201cuma reserva de m\u00e3o-de-obra\u201d por um tempo limitado. O candidato a emigrar para a Alemanha sujeitava-se a um processo de recrutamento que o submetia a um controlo m\u00e9dico, atrav\u00e9s de equipas de recruta, que analisavam a capacidade e sanidade do trabalhador (n\u00e3o s\u00f3 examinavam os dentes como chegavam a fazer perguntas indiscretas relativas a h\u00e1bitos sexuais).<\/p>\n<p>Em 1964 houve o primeiro acordo de emigra\u00e7\u00e3o entre Portugal e a RFA, de que se comemora o quinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio. De 1962 a 1973 entraram na Alemanha 169 mil portugueses e sa\u00edram 53 mil o que corresponde a uma m\u00e9dia de 116 mil portugueses na RFA. Hamburgo, a regi\u00e3o do Rur, Frankfurt e Estugarda acolhiam mais portugueses. De resto a popula\u00e7\u00e3o portuguesa encontra-se muito dispersa por toda a Alemanha atendendo ao facto de serem as firmas a contractar o pessoal. Em 2004 havia 204 associa\u00e7\u00f5es distribu\u00eddas por 144 localidades (aqui n\u00e3o se incluem muitas que funcionavam inoficialmente).<\/p>\n<p>Em 2004, ao fazer-se o balanco dos 40 anos de migra\u00e7\u00e3o portuguesa para a Alemanha (de 1964 a 2004), conclu\u00eda-se que \u201cmais de 460 mil portugueses chegaram \u00e0 RFA durante este per\u00edodo e cerca de 368 mil abandonaram o pa\u00eds.\u201d\u2026 <strong>\u201cDos casamentos registados nos consulados portugueses entre 1993 e 2003, 70% s\u00e3o de natureza mista e, entre estes, cerca de metade envolvem um c\u00f4njuge de nacionalidade alem\u00e3\u201d, <\/strong>Cf. \u201c1964-2004 40 anos da comunidade portuguesa na Alemanha\u201d. \u00a0Sinal do contentamento com os imigrantes portugueses pode ver-se no facto de em Setembro de 1964 ter sido honrada a chegada do milion\u00e9simo imigrante para a Alemanha na pessoa do portugu\u00eas Armando Rodrigues de S\u00e3, pelas federa\u00e7\u00f5es do patronato alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Alemanha a imigra\u00e7\u00e3o portuguesa diminuiu entre 1981 e 2000, aumentando depois especialmente a tempor\u00e1ria. Nos anos 70 a crise petrol\u00edfera, levou os pa\u00edses de imigra\u00e7\u00e3o a declarar pol\u00edticas de implementa\u00e7\u00e3o do regresso. Ent\u00e3o a Igreja e iniciativas em torno dos imigrantes defendiam o reagrupamento familiar e o direito \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o da nacionalidade.<\/p>\n<p><strong>A Igreja portuguesa na Alemanha<\/strong> (Miss\u00f5es Cat\u00f3licas) continua a ser o viveiro de identidade, o lugar de crescimento e forma\u00e7\u00e3o humana em que o esp\u00edrito luso \u00e9 cultivado naquela abertura portuguesa pr\u00f3pria de dar e receber e na continuidade do proverbio portugu\u00eas que diz \u201c\u00e0 terra onde fores ter faz como vires fazer\u201d! Nela se exercia jur\u00eddica e praticamente a igualdade total entre cat\u00f3licos portugueses e alem\u00e3es.<\/p>\n<p>A Fran\u00e7a, a partir de 1960 assina o acordo com Portugal sobre seguran\u00e7a social para emigrantes que vivam em Fran\u00e7a desde 1958. Imigrantes que tenham crian\u00e7as residentes em Portugal passam a beneficiar do abono de fam\u00edlia como se estivessem em Fran\u00e7a. A colabora\u00e7\u00e3o entre os dois estados nos anos 60 era complicada. Em 1971 entraram em Fran\u00e7a 10.015 (4 459 trabalhadores e 5 556 familiares) emigrantes legais e 86 083 emigrantes ilegais (59 841 trabalhadores e 26 242 familiares).<\/p>\n<p>A emigra\u00e7\u00e3o clandestina deixou um mau gosto de refer\u00eancia aos bidonvilles dos arredores de Paris.<\/p>\n<p>A partir de 74 torna-se f\u00e1cil adquirir a carte de s\u00e9jour e em caso de exerc\u00edcio de profiss\u00e3o a carte de travail. A Fran\u00e7a facilita a regulariza\u00e7\u00e3o dos ilegais.<\/p>\n<p>Em 1977, no \u00e2mbito do Acordo entre Portugal e a Fran\u00e7a, cria-se a possibilidade do reagrupamento familiar tamb\u00e9m para filhos at\u00e9 aos 18 anos e filhas at\u00e9 aos 21. Em 1981 havia em fran\u00e7a entre 200 e 300 mil clandestinos portugueses. Em 1989 o ensino de portugu\u00eas \u00e9 integrado nas escolas prim\u00e1rias francesas tal como acontecia com o ensino do \u00e1rabe, espanhol, ingl\u00eas e alem\u00e3o.<\/p>\n<p>A Fran\u00e7a, com uma popula\u00e7\u00e3o de 64.305.000 regista em 2009 3.771.000 de estrangeiros, dos quais 493.000 portugueses (no consulado em 2012 encontravam-se 1.190.798 portugueses registados), o que corresponde a 13% dos estrangeiros. De notar que em 2010, dos 143.275 estrangeiros que adquiriram nacionalidade francesa 4.903 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal: 2012 846.149.000\u20ac recebidas de Portugal: 19.821.000\u20ac. Saldo positivo de 826.328.000\u20ac.<\/p>\n<p>No Luxemburgo dos anos 60, a popula\u00e7\u00e3o migrante era constitu\u00edda por turcos (13, 7%), portugueses (12, 8%), espanh\u00f3is (10,2%) e argelinos (10%). Em 1977, j\u00e1 viviam no Luxemburgo 12 900 cidad\u00e3os portugueses.<\/p>\n<p>Pela evolu\u00e7\u00e3o dos alunos estrangeiros pode observar-se o reflexo da pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o luxemburguesa: em 1970 havia 780 alunos portugueses, em 1982\/83, 7 935 alunos, um equivalente a 41, 5% da popula\u00e7\u00e3o escolar estrangeira no Luxemburgo, seguida de 25,1% de italianos, 9,1% de Franceses, 6,2% de alem\u00e3es e 6,2% de outras nacionalidades (89).<\/p>\n<p><strong>O perfil portugu\u00eas revelou-se como o melhor para o Luxemburgo: \u00e9 um povo trabalhador, com desejo de se integrar, n\u00e3o se organiza em gueto, nem se afirma na contraposi\u00e7\u00e3o com a sociedade recebedora, ao contr\u00e1rio do que fazem outras etnias.<\/strong> Assim poupa \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras conflitos \u00e9ticos e religiosos.<\/p>\n<p>Assist\u00eancia Social: Conven\u00e7\u00e3o sobre Seguran\u00e7a Social entre Portugal e o Luxemburgo \u00e9 assinada em 12 de Fevereiro de 1965. O direito a abono de fam\u00edlia era de 355 francos se residissem em Portugal e 545 francos no caso de viverem no Luxemburgo,<\/p>\n<p>A partir de 1963 o Luxemburgo favorecia o reagrupamento familiar para equilibrar o fraco crescimento demogr\u00e1fico. Em 1987 havia no Luxemburgo 5 mil trabalhadores portugueses ilegais e 33.000 legais (10% da popula\u00e7\u00e3o). Em 2001 o Luxemburgo tinha 58.657 portugueses (Cf. STATEC\/Annuaire Statistique, 2008)<\/p>\n<p>Segundo o Observat\u00f3rio da Emigra\u00e7\u00e3o em 2012, o Luxemburgo com uma popula\u00e7\u00e3o residente de 537.000, tinha um total de 238.800 estrangeiros dos quais 37% eram portugueses, o que significa que 16% da popula\u00e7\u00e3o belga \u00e9 portuguesa.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 74.532.000\u20ac e recebidas de Portugal: 1.772.000\u20ac. Saldo positivo de 72.760.000\u20ac (9).<\/p>\n<p><strong>A Su\u00ed\u00e7a<\/strong> come\u00e7ou a receber portugueses tardiamente. Entre 1980 e 1988 entraram l\u00e1 65.029 portugueses. A Su\u00ed\u00e7a com uma popula\u00e7\u00e3o total de 8.039.060 em 2012 regista 1.869.969 estrangeiros, dos quais 237.945 portugueses (no consulado, em 2012, encontravam-se registados 283.679 portugueses), o que corresponde a 13% dos estrangeiros e 3% da popula\u00e7\u00e3o total. De notar que em 2010, dos 143.275 estrangeiros que adquiriram nacionalidade su\u00ed\u00e7a 4.903 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 697.326.000\u20ac e recebidas de Portugal 5.135.000\u20ac. Saldo positivo de 692.191.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Reino Unido<\/strong><strong>,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 63.705.030 em 2012, regista 7.679.000 estrangeiros, dos quais 90.000 portugueses (no consulado em 2012 encontravam-se registados 171.497 portugueses), o que corresponde a 2% dos estrangeiros. Em 2010, dos 194.209 estrangeiros que adquiriram nacionalidade inglesa, 499 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 130.487.000\u20ac, recebidas de Portugal: 9.942.000\u20ac. Saldo positivo de 120.545.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Espanha,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 47.265.321 em 2012, regista 5.736.258 estrangeiros, dos quais 138.682 portugueses (no consulado em 2012 encontravam-se registados 66.212 portugueses). Em 2011, dos 114.599 estrangeiros que adquiriram nacionalidade espanhola, 884 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 129.910.000\u20ac, recebidas de Portugal: 15.035.000\u20ac. Saldo positivo de 114.875.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>B\u00e9lgica,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 11.035.948 em 2012, regista 1.224.904 estrangeiros, dos quais 36.082 portugueses (no consulado em 2011 encontravam-se 46.642 portugueses registados), o que corresponde a 3% dos estrangeiros. Em 2012, dos 7.043 estrangeiros que adquiriram nacionalidade belga, 3 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 52.019.000\u20ac, recebidas de Portugal: 1.728.000\u20ac. Saldo positivo de 50.291.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>It\u00e1lia,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 60.626.442 em 2010, regista 4.570.317 estrangeiros, dos quais 5.678 portugueses (no consulado em 2010 encontravam-se registados 2.337 portugueses). Em 2012, dos 65.938 estrangeiros que adquiriram nacionalidade italiana, 30 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 20.013.000\u20ac, recebidas de Portugal: 2.688.000\u20ac. Saldo positivo de 17.325.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>\u00c1ustria,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 8.451.860 em 2013 regista 1.004.268 de estrangeiros, dos quais 2.260 portugueses (no consulado em 2011 encontravam-se 2.154 portugueses registados), o que corresponde a 2% dos estrangeiros. Em 2011, dos 29.786 estrangeiros que adquiriram nacionalidade austr\u00edaca, 165 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 7.729.000\u20ac, recebidas de Portugal: 186.000\u20ac. Saldo positivo de 7.543.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Irlanda,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 4.588.252em 2011, regista 544.357 estrangeiros, dos quais 2.739 portugueses (no consulado em 2012 encontravam-se registados 3.314 portugueses). Em 2012, dos 6.387 estrangeiros que adquiriram nacionalidade irlandesa 2 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 6.850.000\u20ac, recebidas de Portugal: 235.000\u20ac. Saldo positivo de 6.615.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Noruega,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 5.051.275 em 2013, regista 448.765 estrangeiros, dos quais 2.432 portugueses, o que corresponde a 1% dos estrangeiros. Em 2013, dos 12.384 estrangeiros que adquiriram nacionalidade norueguesa, 12 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 5.005.000\u20ac, recebidas de Portugal: 69.000\u20ac. Saldo positivo de 4.936.545\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Dinamarca,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 5.602.628 em 2013, regista 374.705 estrangeiros, dos quais 1.505 portugueses (no consulado em 2012 encontravam-se registados 1.189 portugueses). Em 2012, dos 3.267 estrangeiros que adquiriram nacionalidade belga, 4 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 4.610.000\u20ac, recebidas de Portugal: 208.000\u20ac. Saldo positivo de 4.402.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Finl\u00e2ndia,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 5.426.674 em 2012, regista 195.511 estrangeiros, dos quais 440 portugueses (no consulado em 2010 encontravam-se registados 436 portugueses). Em 2012, dos 9.087 estrangeiros que adquiriram nacionalidade finlandesa, 3 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 2.569.000\u20ac, recebidas de Portugal: 49.000\u20ac. Saldo positivo de 2.520.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Malta,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 410.290 em 2007, regista 15.460 estrangeiros, dos quais 50 portugueses (no consulado em 2008 encontravam-se 50 portugueses registados).<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 690.000\u20ac, recebidas de Portugal: 21.000\u20ac. Saldo positivo de 669.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Turquia,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 73.722.988 em 2012, regista 175.384 estrangeiros, dos quais 92 portugueses (no consulado, em 2012 encontravam-se 634 portugueses registados). Em 2006, dos 5.072 estrangeiros que adquiriram nacionalidade turca 1 era portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 705.000\u20ac, recebidas de Portugal: 292.000\u20ac. Saldo positivo de 413.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e9cia,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 11.125.179 em 2006, regista 695.979 estrangeiros, dos quais 50 portugueses (no consulado em 2011 encontravam-se 650 portugueses registados). Em 2012, dos 9.387estrangeiros que adquiriram nacionalidade grega, 2 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 1.218.000\u20ac, recebidas de Portugal: 845.000\u20ac. Saldo positivo de 373.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Isl\u00e2ndia,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 319.575 em 2012, regista 21.446 estrangeiros, dos quais 468 portugueses (no consulado em 2007 encontravam-se 787 portugueses registados). Em 2012, dos 413 estrangeiros que adquiriram nacionalidade islandesa 3 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 116.000\u20ac, recebidas de Portugal: 13.000\u20ac. Saldo positivo de 103.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Eslov\u00e9nia,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 2.050.189, em 2011, regista em 82.746 estrangeiros, dos quais 50 portugueses (no consulado em 2011 encontravam-se 54 portugueses registados).<\/p>\n<p><strong>Est\u00f3nia,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 1.340.935 em 2008 regista 229.300de estrangeiros, dos quais 59 portugueses (no consulado em 2012 encontravam-se 56 portugueses registados). Remessas enviadas para Portugal em 2012: 280.000\u20ac, recebidas de Portugal: 721.000\u20ac. Saldo negativo de 441.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Lichtenstein,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 36.149 em 2010, regista 12.004 estrangeiros, dos quais 620 portugueses. De notar que em 2012, dos 95 estrangeiros que adquiriram nacionalidade de Lichtenstein, 0 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 239.000\u20ac recebidas de Portugal 396.000\u20ac. Saldo negativo de 157.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00fablica Checa,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 10.381.130 em 2007, regista 392.315 estrangeiros, dos quais 106 portugueses (no consulado em 2009 encontravam-se 349 portugueses registados). Em 2007, dos 1.877estrangeiros que adquiriram nacionalidade checa, 0 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 1.009.000\u20ac, recebidas de Portugal: 2.245.000\u20ac. Saldo negativo de 1.236.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00f3nia,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 38.477.897 em 2011, regista 45.420 estrangeiros, dos quais 61 portugueses (no consulado em 2010 encontravam-se 499 portugueses registados). Em 2012, dos 2.926 estrangeiros que adquiriram nacionalidade polaca, 0 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 2.536.000\u20ac, recebidas de Portugal: 4.511.000\u20ac. Saldo negativo de 1.975.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Rom\u00e9nia,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 21.413.815 em 2011, regista 98.570 estrangeiros, dos quais 735 portugueses (no consulado em 2011 encontravam-se 557 portugueses registados). Em 2007, dos 9.399 estrangeiros que adquiriram nacionalidade romena, 1 era portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 999.000\u20ac, recebidas de Portugal: 15.319.000\u20ac. Saldo negativo de 14.320.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Pa\u00edses Lus\u00f3fonos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Angola,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 16.618.000 em 2005, regista 56.055 estrangeiros, (no consulado, em 2012 encontravam-se 113.194 portugueses registados)<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 270.687.000\u20ac, recebidas de Portugal 13.470.000\u20ac. Saldo positivo de 257.217.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Brasil,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 190.755.799 em 2010, regista 431.320 estrangeiros (no consulado, em 2012 encontravam-se 612.203 portugueses registados).<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 10.733.000\u20ac, recebidas de Portugal: 225.648.000\u20ac. Saldo negativo de 214.915.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Cabo Verde,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 475.465 em 2005, regista 11.183 estrangeiros (no consulado, em 2011 encontravam-se 12.333 portugueses registados).<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 2.389.000\u20ac, recebidas de Portugal: 14.057.000\u20ac. Saldo negativo de 11.668.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Guin\u00e9 Bissau,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 1.647.000 em 2010, regista 19.244 estrangeiros (no consulado, em 2012 encontravam-se 5.519 portugueses registados).<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 246.000\u20ac, recebidas de Portugal: 2.454.000\u20ac. Saldo negativo de 2.208.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Mo\u00e7ambique,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 15.278.334 em 1997, regista 71.256 estrangeiros (no consulado, em 2012 encontravam-se 22.663 portugueses registados).<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 5.003.000\u20ac, recebidas de Portugal: 8.753.000\u20ac. Saldo negativo de 3.750.000\u20ac.<\/p>\n<ol start=\"165\">\n<li><strong> Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 165.000 em 2010, regista 5.253 estrangeiros (no consulado, em 2011 encontravam-se 4.268 portugueses registados).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Remessas enviadas para Portugal em 2012: 338.000\u20ac, recebidas de Portugal: 1.250.000\u20ac. Saldo negativo de 912.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Timor Leste,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o total de 1.171.000 em 2010, regista 13.836 estrangeiros. No consulado, em 2012 encontravam-se registados 9.700 portugueses.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o h\u00e1 registos estat\u00edsticos relativos a remessas fa\u00e7o uma refer\u00eancia aos investimentos de Portugal em Timor Leste. De notar que nos \u00faltimos anos, devido \u00e0 crise portuguesa, o investimento nos PALOP diminuiu muito. Se em 2011 Portugal investia em Timor Leste 12,1 milh\u00f5es de euros, em 2012 j\u00e1 s\u00f3 investia 700 mil euros.<\/p>\n<p><strong>Outros pa\u00edses relevantes<\/strong><\/p>\n<p><strong>Estados Unidos da Am\u00e9rica,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o de 308.827.259, regista, em 2012, 22.041.983 de estrangeiros (no consulado em 2012 encontravam-se registados 195.164 portugueses; a popula\u00e7\u00e3o portuguesa e de origem portuguesa em 2011 nos USA era 1.380.837). Em 2012, dos 757.434 estrangeiros que adquiriram nacionalidade americana, 1.607 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal: em 2012, 135.553.000\u20ac, recebidas de Portugal: 8.472.000\u20ac. Saldo positivo de 127.081.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Canad\u00e1,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o de 32.852.325 regista, em 2011, 7.217.295 estrangeiros, dos quais 140.310 portugueses (no consulado, em 2012 encontravam-se 133.954 portugueses registados), o que corresponde a 2% dos estrangeiros. Em 2011, dos 181.127 estrangeiros que adquiriram nacionalidade canadiana, 774 eram portugueses.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal: 2012 45.900.000\u20ac recebidas de Portugal: 4.027.000\u20ac. Saldo positivo de 41.873.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Venezuela,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o de 27.150.095 em 2011, regista, em 2001, 1.015.538 estrangeiros, dos quais 53.477 s\u00e3o portugueses (no consulado em 2012 encontravam-se 165.498 portugueses registados).<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal: em 2012, 12.098.000\u20ac, recebidas de Portugal: 1.425.000\u20ac. Saldo positivo de 10.673.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>A \u00c1frica dos Sul,<\/strong> com uma popula\u00e7\u00e3o de 44.819.778 regista, em 2001, 463.002 estrangeiros, dos quais 5.779 portugueses (no consulado, em 2012 encontravam-se 71.513 portugueses registados), o que corresponde a 1% dos estrangeiros.<\/p>\n<p>Remessas enviadas para Portugal: 2012 7.857.000\u20ac, recebidas de Portugal: 1.428.000\u20ac. Saldo positivo de 6.429.000\u20ac.<\/p>\n<p><strong>Centros de gravidade contr\u00e1rios: PS para imigrantes e PSD para emigrantes ou Esquerda e Direita?<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 hoje n\u00e3o houve uma pol\u00edtica governamental comum em rela\u00e7\u00e3o aos emigrantes. Esquerda e direita t\u00eam andado a jogar \u00e0 cabra-cega com eles. Cada governo aparece com os seus franco-atiradores contentando-se com a sua ac\u00e7\u00e3o coitadinha para coitadinhos.<\/p>\n<p>\u00c9 satisfat\u00f3rio verificar, na mo\u00e7\u00e3o do PSD para a emigra\u00e7\u00e3o, o reconhecimento do \u201cmea culpa\u201d relativo a todos os partidos ao mencionar a discrimina\u00e7\u00e3o a que todos os nossos governos votaram os emigrantes.<\/p>\n<p>PSD e PS n\u00e3o elaboram iniciativas conjuntas em benef\u00edcio dos emigrantes; muitos dos discursos n\u00e3o passam de boas inten\u00e7\u00f5es sem consequ\u00eancias porque cientes que o parceiro pol\u00edtico n\u00e3o alinha. O PS tem-se empenhado numa pol\u00edtica fomentadora dos imigrantes, descurado os emigrantes. O PSD tem-se dedicado um pouco mais aos emigrantes. Isto revela duas estrat\u00e9gias de interesses em parte opostas e concorrentes em fun\u00e7\u00e3o dos interesses de programa\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. <strong>O PS ao investir os seus esfor\u00e7os, a longo prazo, nos eleitores imigrantes n\u00e3o estar\u00e1 interessado em fomentar os votos dos emigrantes para as aut\u00e1rcicas, porque estes pod\u00ea-los-iam castigar pelo seu menor empenho pelos emigrantes.<\/strong> <strong>Dado o n\u00famero de deputados pela emigra\u00e7\u00e3o ser reduzido e a participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica e pol\u00edtica dos emigrantes ser m\u00ednima, a longo prazo, a estrat\u00e9gia pol\u00edtica do PS revela-se mais rendosa, em termos de proveito para o partido. <\/strong>Para a esquerda basta continuar a centralizar os seus esfor\u00e7os propagand\u00edsticos no meio emigrante, na influ\u00eancia das vias sindicais, no pessoal administrativo, em federa\u00e7\u00f5es de emigrantes e no pessoal dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social dentro e fora da emigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O grande potencial da emigra\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o acordou para o seu real poder. Tamb\u00e9m as c\u00fapulas dos partidos em Portugal ainda n\u00e3o acordaram para a sua grande possibilidade de interven\u00e7\u00e3o c\u00edvica no sentido de Portugal nos pa\u00edses de imigra\u00e7\u00e3o (os mu\u00e7ulmanos s\u00e3o mais eficientes no que toca \u00e0 defesa dos seus interesses e promo\u00e7\u00e3o de pessoal nas estruturas pol\u00edtico-sociais alem\u00e3s). <strong>A Portugal interessaria uma presen\u00e7a partid\u00e1ria, quer de esquerda quer de direita, integrada nas constela\u00e7\u00f5es e fam\u00edlias partid\u00e1rias dos pa\u00edses de acolhimento!<\/strong> Neste sentido ter\u00e1 de haver uma consci\u00eancia portuguesa e talvez algumas das verbas desperdi\u00e7adas em honor\u00e1rios de embaixadas e consulados pudessem tornar-se mais \u00fateis se aplicadas no fomento da integra\u00e7\u00e3o dos luso-descendentes na maquinaria do poder dos pa\u00edses de acolhimento. \u00c9 preciso motivar a juventude a participar nas estruturas dos partidos e nas iniciativas c\u00edvicas locais.<\/p>\n<p>O PSD na mo\u00e7\u00e3o (Janeiro de 2014) \u201cComunidades portuguesas &#8211; Um sector estrat\u00e9gico para o pa\u00eds\u201d prop\u00f4s-se, maior empenho no sector econ\u00f3mico e diz reconhecer as comunidades migrantes como \u201cparceiro estrat\u00e9gico para o pa\u00eds na \u00e1rea econ\u00f3mica\u201d e afirma entender os portugueses como \u201cverdadeiros embaixadores da l\u00edngua e cultura\u201d, como \u201cfor\u00e7a de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, reconhecendo a necessidade de \u201cimplementar pol\u00edticas a pensar nas pessoas\u201d. Ao mencionar a discrimina\u00e7\u00e3o a que todos os governos votaram os emigrantes e o mau trato dos Media em Portugal a estes, contesta um facto que implicaria a elabora\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica partid\u00e1ria conjunta com programas integrados que obriguem todos os governos. O documento, refere tamb\u00e9m que os Media falam muito dos fundos do QREN e apenas faz curta refer\u00eancia \u00e0s remessas dos emigrantes, embora as destes sejam muito superiores aos da QREN. O reconhecimento da necessidade de renova\u00e7\u00e3o da TV e R\u00e1dio \u00e9 mais que \u00f3bvia. Canais internacionais de TV e R\u00e1dio est\u00e3o demasiadamente centralizados e tamb\u00e9m eles abandonados \u00e0 boa vontade de agentes talvez demasiadamente sitiados por amigos ou grupos. Grande parte dos seus actores e jornalistas deveriam provir da di\u00e1spora. Doutro modo a emigra\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 a ser unilateral.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Inten\u00e7\u00f5es de Apoio ao Investimento <\/strong><\/p>\n<p>Os emigrantes t\u00eam assumido o maior programa de desenvolvimento de Portugal. \u00c9 preciso motivar e apoiar mais os portugueses na cria\u00e7\u00e3o de firmas, lojas, restaurantes, caf\u00e9s, e empresas de interc\u00e2mbio tal como fazem os italianos e os turcos. Por vezes, na falta de fundos, pode come\u00e7ar-se por fundar uma associa\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos. Isso fortaleceria efectivamente a presen\u00e7a portuguesa e consequentes interc\u00e2mbios. Neste sentido seria importante o apoio e o empenho dos Bancos. Continua a ser pol\u00edtica e economicamente irracional os altos gastos de um Estado pobre que gasta grandes somas de dinheiro com os seus representantes diplom\u00e1ticos, tratando-os como se fossem funcion\u00e1rios de um Estado rico. Em vez se gastar tanto em l\u00f3bis de carreiristas ou na defesa do status quo, deveria proceder-se \u00e0 reestrutura\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os diplom\u00e1ticos, de modo a poupar-se nos altos funcion\u00e1rios e a aplicar-se, as verbas a\u00ed poupadas, nos sectores de servi\u00e7os m\u00e9dios produtivos. Ser\u00e1 mais econ\u00f3mico e mais eficiente reduzir-se os consulados para vice-consulados e alargar-se as perman\u00eancias consulares aproveitando-se de miss\u00f5es cat\u00f3licas, de associa\u00e7\u00f5es est\u00e1veis, de servi\u00e7os consulares m\u00f3veis e do uso das novas tecnologias.<\/p>\n<p>\u201cA inclus\u00e3o de representantes das comunidades portuguesas tanto no Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o como no Conselho Econ\u00f3mico e Social\u201d s\u00e3o ind\u00edcios da vontade de fomentar a participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica e pol\u00edtica. \u00c9 de louvar a exig\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o dos emigrantes nas elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas.<\/p>\n<p>\u00c9 gratificante tamb\u00e9m a refer\u00eancia ao interesse das empresas PME\u2019s pela Di\u00e1spora e o maior interesse da AICEP. Seriam tamb\u00e9m necess\u00e1rios cursos de \u00abApoio \u00e0 Cria\u00e7\u00e3o de Neg\u00f3cios\u201d bem como forma\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o dos emigrantes como potenciais empreendedores, tal como se fez para imigrantes em Portugal.<\/p>\n<p>As inten\u00e7\u00f5es relativas ao investimento em Portugal e uma discrimina\u00e7\u00e3o positiva dos investimentos dos emigrantes deveriam estar nos interesses inatos de Portugal.<\/p>\n<p>O MNE criou em outubro de 2013 o Gabinete de Apoio ao Investidor na Di\u00e1spora (GAID) para apoiar as empresas portuguesas nos pa\u00edses de acolhimento. Naturalmente os empres\u00e1rios das comunidades da di\u00e1spora estar\u00e3o interessados n\u00e3o s\u00f3 nas parcerias com as firmas de Portugal mas tamb\u00e9m em investir directamente em Portugal. Para isso o apoio burocr\u00e1tico, t\u00e9cnico e de beneficia\u00e7\u00e3o fiscal teria de ser mais atraente. H\u00e1 tamb\u00e9m a Plataforma Empresarial Di\u00e1spora \u201c560.pt\u201d que veio substituir o programa \u2018Netinvest\u2019. Institui\u00e7\u00f5es desta natureza deveriam ser elaboradas em consenso pol\u00edtico e n\u00e3o ao sabor das mudan\u00e7as de governos.<\/p>\n<p>Seriam precisos tamb\u00e9m incentivos de natureza fiscal para empres\u00e1rios das Comunidades portuguesas que queiram investir em Portugal. Segundo Paulo Pisco calcula-se que h\u00e1 150.000 empresas portuguesas espalhadas pelo mundo.<\/p>\n<p>De momento, o neg\u00f3cio com o imobili\u00e1rio em Portugal \u00e9 muito rendoso, numa altura em que casas confiscadas a devedores ou firmas insolventes s\u00e3o postas a leil\u00e3o pelos Bancos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Imigra\u00e7\u00e3o: Portugal torna-se tamb\u00e9m pa\u00eds de imigra\u00e7\u00e3o a partir dos anos 90 <\/strong><\/p>\n<p>A partir de 1991, com a ades\u00e3o de Portugal ao Espa\u00e7o Schengen (espa\u00e7o de mobilidade comum), a imigra\u00e7\u00e3o abriu-se tamb\u00e9m ao leste comunista e aos que fugiam dos conflitos \u00e9tnicos e religiosos dos Balc\u00e3s. Cada pa\u00eds europeu tem as suas prefer\u00eancias quanto \u00e0 proveni\u00eancia dos grupos imigrantes, atendendo a la\u00e7os hist\u00f3ricos, coloniais ou de proximidade. Abrem-se as fronteiras f\u00edsicas mas, os pa\u00edses de imigra\u00e7\u00f5es criam obst\u00e1culos \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o da pobreza para os sistemas de seguran\u00e7a social. Os migrantes movimentam-se entre os interesses individuais e as pol\u00edticas dos interesses nacionais.<\/p>\n<p><strong>Uma vis\u00e3o global sobre pol\u00edticas de emigra\u00e7\u00e3o e de imigra\u00e7\u00e3o revela que o PSD se destaca mais na implementa\u00e7\u00e3o dos direitos dos emigrantes enquanto o PS se destaca mais na defesa dos direitos dos imigrantes. Neste sentido comparem-se as iniciativas legislativas relativas \u00e0 migra\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Portugal, em 1991, ao aderir ao Acordo Schengen \u00e9 obrigado pela Europa a restringir a imigra\u00e7\u00e3o das antigas col\u00f3nias com certas excep\u00e7\u00f5es relativas ao Brasil. Seria \u00f3bvio que Portugal n\u00e3o devesse harmonizar, sem mais, pol\u00edticas de restri\u00e7\u00e3o para cidad\u00e3os das antigas col\u00f3nias. Como pa\u00eds de voca\u00e7\u00e3o atl\u00e2ntica, situado no extremo da Europa, n\u00e3o deve favorecer uma imigra\u00e7\u00e3o que interessa aos pa\u00edses do centro pelo facto de estarem mais interessados em fomentar uma pol\u00edtica em benef\u00edcio dos seus vizinhos mais pobres. Para Portugal, a posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, as vizinhan\u00e7as e as rela\u00e7\u00f5es lus\u00f3fonas devem constituir prioridade. A imigra\u00e7\u00e3o de trabalhadores \u00e9 uma forma indirecta de fomento da economia do pa\u00eds enviado de trabalhadores. <strong>A consolida\u00e7\u00e3o das comunidades europeias n\u00e3o se pode opor \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o da comunidade lus\u00f3fona, nem \u00e0 voca\u00e7\u00e3o atl\u00e2ntica de Portugal.<\/strong><\/p>\n<p>Se tivermos em conta o saldo dos movimentos de remessas dos migrantes, enquanto o europeu \u00e9 muito positivo, o saldo, em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses lus\u00f3fonos, \u00e9 bastante negativo. A longo prazo, por\u00e9m, estes pa\u00edses, al\u00e9m de serem os nossos naturais privilegiados, afirmar-se-\u00e3o e constituir\u00e3o um bom investimento. Portugal que sangra atrav\u00e9s da emigra\u00e7\u00e3o precisa de uma compensa\u00e7\u00e3o com imigra\u00e7\u00e3o jovem. Problema do envelhecimento europeu, cf. (10)<\/p>\n<p>Nos anos 80 Portugal acolhe imigrantes dos pa\u00edses das ex-col\u00f3nias e do Brasil.<\/p>\n<p>Assim, a partir dos meados dos anos 90 foi favorecida a imigra\u00e7\u00e3o de pessoal do leste europeu em rela\u00e7\u00e3o ao dos pa\u00edses lus\u00f3fonos. Em 1981, havia 54 414 imigrantes em Portugal. Em 2001 j\u00e1 eram 350 503, dos quais, 223 602 s\u00e3o residentes e 126 901 possuem autoriza\u00e7\u00e3o de perman\u00eancia. A maioria dos imigrados clandestinos vem dos PALOP; o PS procura regular muitos dos clandestinos atrav\u00e9s do Decreto-Lei n\u00ba 59\/93 de 3 de Mar\u00e7o e do Decreto-lei n\u00ba 60\/93 que \u00e9 substitu\u00eddo pelo Decreto-lei n\u00ba 244\/98 de 8 de Agosto devido \u00e0s exig\u00eancias das directivas europeias. Depois \u00e9 criada a Lei n\u00ba 4\/2001 de 10 de Janeiro que substitui, por sua vez, o Decreto-lei n\u00ba 244\/98.<\/p>\n<p>Em 1996 \u00e9 criado em Portugal o Alto-Comiss\u00e1rio para a Imigra\u00e7\u00e3o que integra em 1998 o Conselho Consultivo para os Assuntos da Imigra\u00e7\u00e3o (COCAI) (Di\u00e1logo associativo)<\/p>\n<p>A estat\u00edstica da OCDE, em 1995, relativa \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o na europa, refere que a imigra\u00e7\u00e3o em Portugal constava de 51,7 % da Am\u00e9rica (Brasil), 29,1% da europa oriental; 12,3% da europa ocidental e 2,7% da \u00c1frica. Imigra\u00e7\u00e3o ucraniana em Portugal, cf. (11).<\/p>\n<p>A imigra\u00e7\u00e3o constitui cerca de 10% da popula\u00e7\u00e3o activa de Portugal. (O governo de Dur\u00e3o Barroso (2002) fomentou a imigra\u00e7\u00e3o.)<\/p>\n<p>Estat\u00edsticas e dados sobre imigrantes no IOS (Institute for East and Southeast European Studies (12).<\/p>\n<p><strong>O desemprego atinge mais os imigrantes:<\/strong> Um estudo exemplar realizado em 2006 na Su\u00ed\u00e7a demonstra que, os estrangeiros em tempos de crise, est\u00e3o muito sujeitos ao desemprego e t\u00eam mais dificuldade em sair dele. Cf. (13).<\/p>\n<p><strong>Asilo e refugiados:<\/strong> Em 2003 houve 61.050 pedidos de asilo no Reino Unido, 61.940 na Fran\u00e7a, 50.065 na Alemanha e 115 em Portugal. A grande aflu\u00eancia aos tr\u00eas pa\u00edses referidos tem a ver com, a riqueza, os interesses estrat\u00e9gico- econ\u00f3micos e com os neg\u00f3cios de armas das pot\u00eancias europeias nos pa\u00edses de proveni\u00eancia dos refugiados. <strong>A EU, ao querer implementar uma pol\u00edtica comum de asilo, est\u00e1 a ser injusta para com os povos do sul que n\u00e3o t\u00eam os mesmos interesses b\u00e9lico-estrat\u00e9gicos que os pa\u00edses exportadores.<\/strong> No primeiro semestre de 2008 a EU tinha recebido 103.000 pedidos de asilo provindos, na sua maioria, do Iraque, R\u00fassia, Paquist\u00e3o, Turquia, Som\u00e1lia, Ir\u00e3o e S\u00e9rvia (14). Ver tamb\u00e9m Eurostat<\/p>\n<p>O direito fundamental \u00e0 mobilidade entra em conflito com a aquisi\u00e7\u00e3o de direitos sociais para que outros contribu\u00edram. Portugal tamb\u00e9m \u00e9 centro de procuradores de melhor condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>Em termos de imigra\u00e7\u00e3o em 1975 Portugal conseguiu integrar 700.000 portugueses refugiados das antigas col\u00f3nias, a que se deu o nome de retornados.<\/p>\n<p><strong>Os retornados<\/strong><strong>, <\/strong>espoliados de \u00c1frica em consequ\u00eancia de independ\u00eancias atabalhoadas, foram abandonados aos ventos da Hist\u00f3ria. Fazem parte de um cap\u00edtulo a escrever sobre as vergonhas da revolu\u00e7\u00e3o, onde a Hist\u00f3ria nos condenar\u00e1 por terem sido reduzidos a uma parte de Portugal abandonada, reduzida \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de fugitivos.<\/p>\n<p>A descoloniza\u00e7\u00e3o trouxe a Portugal, em 1975, 700 000 portugueses residentes das ex-col\u00f3nias. Destes falta a m\u00e1 consci\u00eancia de um pa\u00eds que os tratou mal e que embora de m\u00e3os sujas, no que toca ao tema, teima em andar de cara lavada e sorridente. \u00c9 um assunto mantido tabu numa na\u00e7\u00e3o a que falta o est\u00f4mago para ruminar casos tristes.<\/p>\n<p>O Estado e com ele a Comunica\u00e7\u00e3o social esperam que os retornados pouco a pouco v\u00e3o morrendo para, mais tarde, lavarem a consci\u00eancia com o reconhecimento de algum resto, e fazerem assim a reconcilia\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 uma das partes selvagens da descoloniza\u00e7\u00e3o e uma hist\u00f3ria negra dos governos provis\u00f3rios.<\/p>\n<p>Tem que se reconhecer entretanto a grande capacidade de Portugal, que sem ajuda, conseguiu integrar tanta gente sem criar conflitos sociais.<\/p>\n<p>Chamamos retornados aos fugitivos, embora, muitos deles, nunca tivesses estado em Portugal. A voz ingrata da p\u00e1tria expressa-se na voz de V\u00edtor Crespo que, na altura, se referia aos retornados como \u201cpessoas racistas que n\u00e3o abdicam dos seus privil\u00e9gios\u201d; e Rosa Coutinho acrescentava \u201celementos menos evolu\u00eddos que t\u00eam medo de perder as suas regalias\u201d. A vis\u00e3o curta de um fanatismo ideol\u00f3gico de muitos feitores da revolu\u00e7\u00e3o contribuiu para injuriar uma parte do povo v\u00edtima da irresponsabilidade da p\u00e1tria. Tamb\u00e9m os Media, reflectindo a ideologia ent\u00e3o reinante em Portugal lhes atribu\u00edam ep\u00edtetos do g\u00e9nero \u201cbrancos ressentidos\u201d.<\/p>\n<p>A vida do retornado reflete o destino portugu\u00eas, sempre de malas prontas, pronto a ajudar-se ajudando os outros. A sua vida e a sua voz s\u00e3o a bruma do protesto de um mar j\u00e1 n\u00e3o nosso e de uma p\u00e1tria despeda\u00e7ada mas sempre pronta a erguer-se. A ilus\u00e3o de promessas repartidas nos cacos dos partidos, pouco a pouco se esvai; muitos \u201cretornados\u201d s\u00e3o colonos recolonizados numa terra j\u00e1 sem p\u00e1tria, num povo \u00e0 espera de se surpreender.<\/p>\n<p>A p\u00e1tria tornou-se m\u00edope, perdeu a sua perspectiva hist\u00f3rica ao desonrar os portugueses das col\u00f3nias, ao esquecer os soldados que s\u00f3 cometeram o erro de obedecer sacrificadamente \u00e0 P\u00e1tria.<\/p>\n<p>Fui testemunho de soldados retornados atafegados pela dor debaixo do capacete de psicoses e pesares; humanos votados ao esquecimento pelos companheiros desertados e pelos agrinaldados com as vermelhas flores de Abril; vi-os andar, rua a cima rua a baixo, na rua ao lado! Enfim, um tema a ser tratado pelo cinema e pela literatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Um apelo: Povos da Lusofonia, vamos conspirar o futuro!<\/strong><\/p>\n<p>Uma emigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o motivada e movida apenas por raz\u00f5es econ\u00f3micas poderia, apesar de tudo, constituir uma chance para o g\u00e9nio luso se redescobrir , rever-se e pensar o sentido da vida, c\u00e1 fora, e da rota de Portugal. N\u00e3o chega seguir a rota econ\u00f3mica \u00e9 preciso agarrar o leme no sentido onde o sonho n\u00e3o perca sentido. e fique para l\u00e1 do gozo. a miss\u00e3o superior que \u00e9 luz e chama nobilitadora do agir. Poder\u00e3o levar \u00e0s na\u00e7\u00f5es aquele esp\u00edrito simples de humanidade e universalidade que crie uma nova economia. Como na altura de Cam\u00f5es o\u201d peito ilustre lusitano\u201d \u00e9 movido n\u00e3o s\u00f3 pelo bem-estar mas tamb\u00e9m pela aventura de levar ao mundo uma nova maneira de ser e estar.<\/p>\n<p>Esta ansiedade genu\u00edna de humanidade e universalidade, distribu\u00edda pelo mundo, poderia ser aproveitada para modificar o padr\u00e3o por que se rege a sociedade e a economia, virando-se ent\u00e3o o feiti\u00e7o contra o feiticeiro, isto \u00e9, com o tempo, as pessoas e as regi\u00f5es marginais ganhar\u00e3o atractividade, porque entretanto a civiliza\u00e7\u00e3o renascer\u00e1 para uma civiliza\u00e7\u00e3o de HOMENS e n\u00e3o de m\u00e1quinas nem de mercados materialistas. Precisamos de criar um organigrama, institui\u00e7\u00f5es e Homens ao exemplo das ordens que constru\u00edram a Europa e a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental: ordens templ\u00e1rias, de Malta, Franciscana, Jer\u00f3nimos, Cistercienses, Beneditinos, Jesu\u00edtas, Salesianos, novas arc\u00e1dias e academias, etc.!<\/p>\n<p>O que hoje nos aparece como problema pode encarar-se como oportunidade. Temos tamb\u00e9m o exemplo da Alemanha, onde, nos anos 70, a zona do Rur era o centro econ\u00f3mico da Alemanha e a Baviera considerada prov\u00edncia. Entretanto inverteram-se os termos: esta tornou-se rica e ajuda aquela.<\/p>\n<p>Num mundo de continentes cada vez mais pr\u00f3ximos dos pa\u00edses lus\u00f3fonos e dos portugueses da Di\u00e1spora, importa construir uma sociedade baseada na globaliza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua e duma intercultura humana. Para isso precisamos de pessoas de pensar incorrecto, de uma juventude teimosa, capaz de globalmente urdir o futuro. Para isso temos o exemplo do timoneiro que podemos multiplicar pelo mundo fora (Papa Francisco I) no sentido de celebrarmos a aventura iniciada pelo infante D. Henrique mas ainda n\u00e3o acabada! Neste sentido teriam de surgir pela Di\u00e1spora associa\u00e7\u00f5es e clubes, academias e confrarias lusas, iniciativas interculturais capazes de convidar o povo para a grande festa, aquela festa que o povo experimentou num s\u00f3 dia (25 de Abril), na grande noite da liberta\u00e7\u00e3o \u201ccastelhana\u201d e na festa da multiplica\u00e7\u00e3o de p\u00e3es que, como emigrantes, temos andado a repartir pelo mundo fora, mas que, para gerar fartura para todos, ter\u00e1 de se recolher um momento para nele se repensar Portugal e com ele a humanidade. Ent\u00e3o os portugueses na Di\u00e1spora constituir\u00e3o redes e aqueles ornamentos das festas das ruas a convidar o mundo para a grande festa dum povo inteiro porque universal. Portugal da Di\u00e1spora \u00e9 o outro Portugal que navega, o mensageiro bom, o amigo do Homem. Precisamos de timoneiros capazes de criar redes e rotas globais; Homens disciplinados e mestrados com capacidade de levar o barco a porto seguro e de realizar a miss\u00e3o outrora iniciada. <strong>Agora, como em 1800 a Europa quer-nos subjugar; ent\u00e3o como hoje n\u00e3o conseguir\u00e3o; ent\u00e3o, como hoje, tinham os mercen\u00e1rios do poder e da ideologia que menosprezavam o escudo da nossa bandeira com a cruz, as quinas e os castelos s\u00edmbolos de Portugal em que o povo tem sangue migrante de godo, caracter de lusitano e esp\u00edrito crist\u00e3o.<\/strong> N\u00e3o temos o exemplo de Timor, onde o mundo todo era contra aquele luso povo mas que o povo luso ao levantar-se o ajudou a libertar-se? As nossas comunidades da Di\u00e1spora ter\u00e3o de assumir o esp\u00edrito dos bandeirantes do Brasil. Portugal ter\u00e1 de se redescobrir fiel, ao ide\u00e1rio daqueles tempos em que era conquistador, lavrador e povoador; ter\u00e1 de regenerar o esp\u00edrito iluminista que nos estrangeirou. Ent\u00e3o Portugal ser\u00e1 ele e o mundo a servir a humanidade, no esp\u00edrito do mestre que o fundou. Ent\u00e3o cada portugu\u00eas ser\u00e1 uma nau a ultrapassar aquela manh\u00e3 nevoenta na miss\u00e3o radiosa, de se libertar libertando, do dia-a-dia que come\u00e7a agora.<\/p>\n<p>Portugal que j\u00e1 esteve na charneira da Hist\u00f3ria mantem no seu povo a gene do futuro. A sua mais-valia ter\u00e1 de ser redescoberta antes do iluminismo &#8211; este foi arrebanhado e constitu\u00eddo mito por for\u00e7as anti-povo porque anticrist\u00e3s; a mais-valia da redescoberta consistir\u00e1 num iluminismo humano incarnado no povo e do povo gerado. Portugal e os portugueses ter\u00e3o de ser reflectidos e observados por uma vis\u00e3o de portugalidade integral e n\u00e3o apenas pelos \u00f3culos de uma \u00e9poca hist\u00f3rica iluminista que mais tentava destruir que edificar. Num mundo cada vez mais virtual e interconectado, o lugar geogr\u00e1fico talvez se possa tornar menos determinante como centro de atrac\u00e7\u00e3o. Povos da lusofonia, vamos conspirar para cumprir o futuro! M\u00e3os ao leme, para constru\u00e7\u00e3o de identidades mais humanas!<\/p>\n<p><strong>Identidade \u00e9 o fluxo de ideias e povos a jorrar no espa\u00e7o geogr\u00e1fico e cultural, aquela lembran\u00e7a que fica na corrente da mem\u00f3ria portuguesa, uma esp\u00e9cie de miscigena\u00e7\u00e3o colectiva de tudo e de todos durante a Hist\u00f3ria. Somos um povo de terra e mar, um suspiro no mar alto da saudade a navegar entre emigra\u00e7\u00e3o e imigra\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Migrantes na Engrenagem Macroeconomia-Estado<\/strong><\/p>\n<p>Emigrantes e imigrantes encontram-se rasgados entre os interesses da macroeconomia e a legisla\u00e7\u00e3o proteccionista dos Estados. Uns e outros n\u00e3o s\u00e3o vistos com bons olhos, s\u00f3 a economia se alegra. Os imigrantes aparecem na camada prec\u00e1ria como concorrentes no mercado de trabalho e os emigrantes s\u00e3o vistos como novos-ricos que pavoneiam a sua subida para a classe m\u00e9dia. As casas dos emigrantes, na sua terra natal, s\u00e3o verdadeiros baluartes de um esfor\u00e7o desmedido, que fazem lembrar castelos quixotescos de uma cavalaria \u00e0 conquista do mundo e a albergar neles o seu eu; o eu, bem portugu\u00eas, que na continuidade dos descobrimentos revela o sonho, a aventura e a vida numa mistura de realidade e fantasia.<\/p>\n<p>Em contextos da EU as novas migra\u00e7\u00f5es atingem novas dimens\u00f5es num interc\u00e2mbio n\u00e3o s\u00f3 da camada social mais carente mas tamb\u00e9m de elites.<\/p>\n<p>Os estados europeus t\u00eam, neste momento, imenso medo que a pobreza se torne em ave de arriba\u00e7\u00e3o e arribem (b\u00falgaros e romenos) aos telhados dos or\u00e7amentos sociais das comunas.<\/p>\n<p>As elites alem\u00e3s emigram para a Su\u00ed\u00e7a e as elites (m\u00e9dicos e acad\u00e9micos) e o subproletariado do sudeste e do sudoeste da Europa emigram para a Alemanha e para a parte da Europa onde se vive com mais conforto. Da Rom\u00e9nia, segundo a revista alem\u00e3 \u201cC\u00edcero\u201d n\u00b0.2 de 2014, desde 1989 j\u00e1 emigraram 30.000 m\u00e9dicos jovens, obrigando, a labutar mais, os que ficam; a\u00ed, um m\u00e9dico que trabalha no hospital, raramente ganha mais de 1000 euros por m\u00eas. Da Alemanha emigram m\u00e9dicos e enfermeiras alem\u00e3es para a Su\u00ed\u00e7a e outros pa\u00edses ricos onde se ganhe mais. Da China, do leste europeu e de outros pa\u00edses chegam enfermeiras e preceptores de velhice a tapar os buracos do sistema e a disciplinar os nacionais. Na luta cultural do dia-a-dia, anda tudo baralhado. Antigamente queixavam-se o proletariado com a concorr\u00eancia dos imigrantes, hoje queixa-se tamb\u00e9m a classe m\u00e9dia que v\u00ea a concorr\u00eancia acad\u00e9mica estrangeira a escassear-lhes os lugares. Agora que a problem\u00e1tica atinge o centro da sociedade a confus\u00e3o amplia-se e torna-se mais s\u00e9ria. Surge o caos da opini\u00e3o; por um lado h\u00e1 a press\u00e3o do pensar correcto de uma cultura dos imigrantes \u201cbem-vindos\u201d, que considera qualquer olhar cr\u00edtico aos h\u00e1bitos de estrangeiros como racismo; por outro lado medos e ressentimentos no povo que se depara com a cultura cl\u00e3, com oligarquias, patriarcas, opress\u00e3o de mulheres, festas at\u00e9 altas horas da noite (aquilo que os alem\u00e3es n\u00e3o querem ou n\u00e3o podem fazer), crian\u00e7as impedidas do progresso escolar por vis\u00f5es religiosas ancestrais; por outro lado alem\u00e3es a ver-se obrigados a inscreverem os filhos em escolas privadas para que os filhos n\u00e3o aprendam alem\u00e3o com livros de \u201calem\u00e3o para estrangeiros\u201d (um pouco desta confus\u00e3o observa-se tamb\u00e9m na aprendizagem de filhos de emigrantes portugueses em cursos de l\u00edngua portuguesa com livros de \u201cportugu\u00eas para estrangeiros\u201d); naturalmente, no meio de tudo isto ferve cada vez mais a impaci\u00eancia de uns e outros. As diferentes culturas t\u00eam necessidades e interesses diferentes e juntam-lhe naturalmente reivindica\u00e7\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o empacotadas sob o manto de religi\u00e3o, etnias e cultura; enfim, uma luta de cultura entre religi\u00e3o e secularismo, sentimento e raz\u00e3o, idade m\u00e9dia e modernidade. Tudo ferve no mesmo caldeir\u00e3o e os pol\u00edticos cada vez conseguem tapar menos os vapores da fervura com o testo tolerante do sil\u00eancio e da boa opini\u00e3o. No meio de tudo isto, a intelectualidade europeia continua a falar dos benef\u00edcios do modernismo contra a opress\u00e3o da Igreja na Idade M\u00e9dia e nega-se a registar a medievalidade ar\u00e1bica e isl\u00e2mica que n\u00e3o vai nessa de modernidades. A direita encontra-se distra\u00edda com o econ\u00f3mico, a esquerda s\u00f3 conhece a Hist\u00f3ria a partir de Marx; uma vis\u00e3o materialista comum reduz a problem\u00e1tica dos imigrantes ao problema da assist\u00eancia social. Na Alemanha h\u00e1 bastante medo de uma imigra\u00e7\u00e3o romena e h\u00fangara cigana dado o abono de fam\u00edlia para uma crian\u00e7a na Alemanha ser muito maior do que o rendimento mensal nestes pa\u00edses. Desde que as portas da EU se abriram para b\u00falgaros e romenos assiste-se a uma discuss\u00e3o controversa na\u201d Journaille\u201d de refer\u00eancia onde se fazem malabarismos com estat\u00edsticas sobre a imigra\u00e7\u00e3o dos pobres para o sistema social. A mesma revista \u201cC\u00edcero\u201e argumenta que em 2012 s\u00f3 havia 9,6% de b\u00falgaros e romenos desempregados na Alemanha enquanto a m\u00e9dia de desemprego estrangeiro era de 16,4%.<\/p>\n<p>Os imigrantes, andam todos a lutar pela vida; s\u00e3o solid\u00e1rios entre si sem perceberem as intrigas da vida. Perdem-se nas ondas da saudade que vive da recorda\u00e7\u00e3o que d\u00e1 vida \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o. Os emigrantes portugueses s\u00e3o narrativas de um povo viajante escritas com a tinta da vontade nas entrelinhas da mem\u00f3ria e da imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A Fatalidade do Envelhecimento e da Emigra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Luta dos Pa\u00edses do Centro contra os Pa\u00edses da Periferia<\/strong><\/p>\n<p><strong>Segundo o INE, em 2012, sa\u00edram de Portugal 121.418 pessoas; nesse ano o INE regista o n\u00famero de emigrantes permanentes em 51.958 encontrando-se nestes 7.218 entre os 0 e os 19 anos de idade. A maior parte dos emigrantes portugueses \u00e9 jovem e em idade f\u00e9rtil. Para manter a popula\u00e7\u00e3o com um certo equil\u00edbrio seria necess\u00e1rio que nascessem 135 mil beb\u00e9s por ano e a emigra\u00e7\u00e3o fosse reduzida para o n\u00edvel da imigra\u00e7\u00e3o. Portugal recebeu, em 2012, 14 606 (8 100 homens e 6 506 mulheres) imigrantes permanentes. <\/strong>No total viviam em Portugal, a 31 de Dezembro de 2012, 417.042 imigrantes permanentes numa popula\u00e7\u00e3o residente de 10.555.853 pessoas: O Brasil com um total de 105.622 residentes, a Ucr\u00e2nia com 44.074, seguida de Cabo Verde com 42.857, da Rom\u00e9nia com 35.216, Angola com 20.366 e Guin\u00e9-Bissau com 17.759 residentes.<\/p>\n<p>A taxa de natalidade em Portugal \u00e9 a segunda mais baixa da Europa, logo a seguir \u00e0 da Alemanha. A de Portugal foi de 8,5 por mil habitantes, e a da Alemanha de 8,4. Atendendo apenas \u00e0 mortalidade e \u00e0 natalidade, em Portugal, o crescimento populacional foi negativo, porque nasceram 89.800 crian\u00e7as e morreram 107.600 pessoas.<\/p>\n<p><strong>Conforme informa\u00e7\u00e3o do Secret\u00e1rio de Estado (Dr. Jos\u00e9 Ces\u00e1rio), em 2013 emigraram 120.000 portugueses.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Troika, com a sua pol\u00edtica de n\u00e3o investimento em Portugal, obriga a sair de Portugal o que este tem de melhor: a sua juventude formada e escolarmente disciplinada.<\/strong> Por isso, o \u00eaxodo dos anos 60 e 70, \u00e9 incompar\u00e1vel \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o em massa dos nossos dias, atendendo \u00e0 fraca taxa de natalidade portuguesa. Na Era da guerra fria, Portugal vivia acossado pelos interesses polares sovi\u00e9tico e americano. Hoje, a EU empenhada no globalismo liberal e na elabora\u00e7\u00e3o de um bloco europeu imperial, capaz de concorrer com a Am\u00e9rica, a R\u00fassia e a China, serve-se dos pa\u00edses da sua periferia para satisfazer a gan\u00e2ncia do centro e norte da Europa, no sentido de fazer de toda a EU um bloco \u00e0 medida dos USA. Os pa\u00edses fortes da EU e da Nato ganham, directa ou indirectamente com a guerra na \u00c1frica. Fazem o seu neg\u00f3cio n\u00e3o s\u00f3 com a EU mas tamb\u00e9m no norte de \u00c1frica (guerra, conflito xiita-sunita, pontos estrat\u00e9gicos, exporta\u00e7\u00e3o de armas e m\u00e1quinas, reconstru\u00e7\u00f5es, petr\u00f3leo, etc.). <strong>As consequ\u00eancias negativas da guerra econ\u00f3mica encoberta s\u00e3o distribu\u00eddas pelas classes desfavorecidas desses pa\u00edses e pelos pa\u00edses do Sul<\/strong>. Enquanto os pa\u00edses do n\u00facleo equacionam a pol\u00edtica europeia \u00e0 sua matriz exclusivamente econ\u00f3mica, o Sul ao segui-los acata leis contr\u00e1rias \u00e0 sua perspectiva econ\u00f3mica que teria de ser uma outra (euro fraco, favorecimento dos pa\u00edses lus\u00f3fonos, etc.)! <strong>Uma Alemanha ao favorecer as grandes multinacionais, \u00e0 custa da camada social carenciada, sabe que, mesmo assim, ganha, porque \u00e9 dona de grandes multinacionais, enquanto um pa\u00eds da periferia n\u00e3o tem proveito de uma pol\u00edtica fomentadora das grandes multinacionais porque as n\u00e3o tem.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uni\u00e3o Europeia na M\u00e3o de Estrategas de Poder neocolonialista<\/strong><\/p>\n<p>A guerra econ\u00f3mico-cultural grassa na Europa de forma mais manifesta que nunca. As pot\u00eancias econ\u00f3micas determinam, at\u00e9 ao pormenor, o viver e o governar na sua periferia e nos lugares de seu interesse estrat\u00e9gico. Atraem a si gente nova e qualificada que vem compensar a fraca taxa de natalidade e estimular a camada social m\u00e9dia.<\/p>\n<p>A crueldade da pol\u00edtica de mobilidade migrante est\u00e1 no facto de os pa\u00edses ricos atra\u00edrem a si as pessoas mais formadas mantendo para si a concorr\u00eancia a n\u00edvel elevado (concorr\u00eancia entre os formados do pr\u00f3prio pa\u00eds e os que v\u00eam do estrangeiro) deixando para os pa\u00edses perif\u00e9ricos a concorr\u00eancia a n\u00edvel n\u00e3o t\u00e3o produtivo, a n\u00edvel de proletariado.<\/p>\n<p>Os imigrantes qualificados, auferem ordenados inferiores em 20 a 30% ao dos aut\u00f3ctones, descem os custos da produ\u00e7\u00e3o e disciplinam as exig\u00eancias dos trabalhadores nativos. <strong>Esta estrat\u00e9gia geral fomenta na EU o processo de empobrecimento sistem\u00e1tico da classe m\u00e9dia e da classe baixa e mantem os pa\u00edses da periferia sempre \u00e0 dist\u00e2ncia e cada vez mais envelhecidos. Os pa\u00edses do centro europeu com m\u00e3o-de-obra qualificada mais barata conseguem, devido a sal\u00e1rios relativamente baixos, colocar<\/strong> <strong>os seus produtos, tamb\u00e9m no mercado da periferia, a n\u00edvel concorrente. <\/strong>Deste modo os pa\u00edses da periferia s\u00e3o castigados duplamente.<\/p>\n<p>Faz doer na alma quando se observa tanta gente criativa em Portugal a dedicar-se a coisas art\u00edsticas mas n\u00e3o produtivas, por falta de capacidade de investimento.<\/p>\n<p>D\u00e1-se na Europa central o que acontecia em Portugal com os imigrantes provindos da Ucr\u00e2nia socialista: pessoas formadas vinham trabalhar para a gastronomia e para as obras, por vezes, com sal\u00e1rios injustos.<\/p>\n<p>Por toda a parte, os emigrantes se sujeitam a trabalhar por sal\u00e1rios mais baixos, por vezes, n\u00e3o superiores aos que teriam em Portugal; mas a vergonha pode muito e voltar, para alguns, seria um atentado \u00e0 pr\u00f3pria honra!<\/p>\n<p>Uma EU que avan\u00e7a e se desenvolve economicamente \u00e0 custa da paralisa\u00e7\u00e3o dos Estados perif\u00e9ricos menos concorrentes no mercado, n\u00e3o pode apresentar-se como social e justa.<strong> A mobilidade de pessoas na EU \u00e9 uma nova estrat\u00e9gia de explora\u00e7\u00e3o criada pelos pa\u00edses ricos que beneficiam da m\u00e3o-de-obra importada n\u00e3o precisando assim de investir na periferia. <\/strong><\/p>\n<p>O regime de Abril, que tornou poss\u00edvel o acesso escolar e a assist\u00eancia \u00e0 maioria portuguesa, v\u00ea logrado o seu intento, assistindo \u00e0 pobreza a ser transferida para a periferia. Em vez de uma harmoniza\u00e7\u00e3o social e distribui\u00e7\u00e3o dos recursos por todo o territ\u00f3rio da EU d\u00e1-se a transfer\u00eancia da riqueza humana para o centro, \u00e0 imagem do que acontece em Portugal na centraliza\u00e7\u00e3o do poder em Lisboa e da fuga das pessoas da aldeia para a cidade, por falta de uma pol\u00edtica regionalista. Repetem-se os mesmos mecanismos modernizando-se-lhes os nomes.<\/p>\n<p>Em Portugal toda a gente berra: os progressistas contra os conservadores e os conservadores contra os progressistas; n\u00e3o notam por\u00e9m que quem sobe ao governo seja ele PSD ou PS n\u00e3o faz mais que cumprir os ditames da Troika e os pol\u00edticos portugueses n\u00e3o revelam interesse nacional sen\u00e3o j\u00e1 h\u00e1 muito teriam feito coliga\u00e7\u00f5es de governos de salva\u00e7\u00e3o nacional. Em vez de o pa\u00eds estar atento ao que realmente se passa, esgota-se numa luta de trincheiras contra os governos corruptos mas n\u00e3o contra a guerra camuflada nem contra a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A verdadeira guerra \u00e9 econ\u00f3mica e cultural; ela \u00e9 internacional, s\u00f3 que disso n\u00e3o se fala; \u00e9 mais f\u00e1cil desviar as aten\u00e7\u00f5es para os aspectos militares e para a desgra\u00e7a da rua que tornam guerras e guerrilhas mais \u201caceit\u00e1veis e compreens\u00edveis\u201d!<\/p>\n<p>Para os que fazem parte dos desabrigados do tempo, entre ontem e hoje a diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 grande. Hoje o barulho \u00e9 maior porque a classe m\u00e9dia sente a sua situa\u00e7\u00e3o mais agredida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Emigrantes sob os Ventos da acultura\u00e7\u00e3o e da incultura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o chores pelo que perdeste, luta pelo que tens<\/strong><\/p>\n<p>O portugu\u00eas, para fugir \u00e0 tristeza de uma vida sem sonho, emigra para a cidade, emigra para o estrangeiro, com o sonho embrulhado na mala e a saudade no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora a emigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja patrocinada, emigrar n\u00e3o se reduz a assunto privado, a quest\u00e3o de maior ou menor capacidade de sofrer, nem t\u00e3o-pouco ao instinto de arriba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA vida divide-se em quatro partes: amar, sofrer, lutar e vencer. Quem ama sofre; quem sofre luta e quem luta vence!\u201d, lembra o papa Francisco. Um programa que resume bem a vida dos emigrantes. O seu amor levou-os a lutar pela vida e a enfrentar as dores do inc\u00f3gnito e a guardar para si o sofrimento embrulhado, de filhos, m\u00e3es, esposas e namoradas deixadas na terra. Deixaram tudo, alargando assim o espa\u00e7o do cora\u00e7\u00e3o que, num acto de compensa\u00e7\u00e3o e afei\u00e7\u00e3o, reata o espa\u00e7o e o tempo. As cicatrizes curam, mas a dor fica em tens\u00e3o subcut\u00e2nea, por n\u00e3o poder do mundo uma casa de portas abertas a humanidade sai e entra.<\/p>\n<p><strong>Nos anos 70 a emigra\u00e7\u00e3o portuguesa n\u00e3o constitu\u00eda a sangria que constitui hoje devido aos problemas demogr\u00e1ficos, pr\u00f3prios dos pa\u00edses europeus<\/strong>. A emigra\u00e7\u00e3o correspondia a um programa de apoio \u00e0s economias fracas atrav\u00e9s das remessas e a um grande enriquecimento para os pa\u00edses acolhedores. Os imigrados deram assim resposta \u00e0 fome de produ\u00e7\u00e3o industrial destes pa\u00edses, tornando-se ao mesmo tempo num instrumento do patronato para disciplinar a classe oper\u00e1ria das sociais-democracias que era bastante consciente nas suas exig\u00eancias.<\/p>\n<p>Os emigrantes, outrora provenientes das zonas rurais e menos desenvolvidas contribu\u00edram muito para a abertura das mentalidades dessas zonas, tamb\u00e9m pelas suas experi\u00eancias e consci\u00eancia oper\u00e1ria que traziam. Na Alemanha a grande maioria do imigrante era logo integrada nas fileiras dos sindicatos, o que n\u00e3o s\u00f3 os protegia como lhes transmitia saber c\u00edvico e responsabilidade de classe. Enquanto em Portugal reinava mais uma mentalidade de luta entre oper\u00e1rios e patronato, na Alemanha faziam a experi\u00eancia de luta e ao mesmo tempo das conquistas oper\u00e1rias alcan\u00e7adas, as mais das vezes, \u00e0s mesas das conversa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de compromisso.<\/p>\n<p><strong>Os assistentes sociais da Caritas<\/strong> (institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas de apoio laboral e social) tiveram um papel muito importante na forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia oper\u00e1ria migrante. Os funcion\u00e1rios da Caritas eram, geralmente, pessoas politizadas de esquerda e como se encontravam nos centros sociais, com espa\u00e7os e meios pr\u00f3prios, podiam organizar redes de interc\u00e2mbio para fomento da consist\u00eancia c\u00edvica. Constitu\u00edram um grande instrumento para a cria\u00e7\u00e3o de grupos de associa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>\u00a0\u201cN\u00e3o chores pelo que perdeste, luta pelo que tens. N\u00e3o chores pelo que est\u00e1 morto, luta por aquilo que nasceu em ti. N\u00e3o chores por quem te abandonou, luta por quem est\u00e1 contigo. N\u00e3o chores por quem te odeia, luta por quem te quer. N\u00e3o chores pelo teu passado, luta pelo teu presente. N\u00e3o chores pelo teu sofrimento, luta pela tua felicidade. Com as coisas que nos v\u00e3o acontecendo vamos aprendendo que nada \u00e9 imposs\u00edvel de solucionar, siga apenas adiante.\u201d Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Venturas e Aventuras dos Emigrantes<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>De Gera\u00e7\u00e3o perdida a Gera\u00e7\u00e3o comprometida<\/strong><\/p>\n<p><strong>A primeira gera\u00e7\u00e3o de emigrantes, depois da II Grande Guerra, foi uma gera\u00e7\u00e3o sociologicamente perdida; a energia que a movia era feita de esperan\u00e7as desafinadas; hoje encontra-se dilacerada entre o lar em Portugal e o lar dos filhos no estrangeiro. A segunda anda, mais ou menos atarefada, na procura de um lugar ao sol para sair da sombra; \u00e9 chegada a hora de a terceira se organizar para intervir na sociedade.<\/strong><\/p>\n<p>Cheguei a Paris em 78 na inten\u00e7\u00e3o de me dedicar social e pastoralmente a emigrantes lusos, para com eles fazer uma caminhada de reflex\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o em que se encontravam para, a partir dela, conquistarem maior autonomia e autodetermina\u00e7\u00e3o (Na altura, al\u00e9m do entusiasmo espiritual movia-me a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o e a pedagogia de Paulo Freire). Esta era uma altura em que padres, assistentes sociais e outros multiplicadores seguiam uma pol\u00edtica progressista devido ao Conc\u00edlio Vaticano Segundo e \u00e0 Gera\u00e7\u00e3o 68.<\/p>\n<p>Depressa verifiquei que os emigrantes, por raz\u00f5es \u00f3bvias, se encontravam muito fixados na sobreviv\u00eancia, preocupados em dominar as dificuldades da situa\u00e7\u00e3o e virados para a onda da emo\u00e7\u00e3o com as antenas em Portugal. Ent\u00e3o, para n\u00e3o ver o meu trabalho limitado \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de concertador das feridas e dos males que a sociedade cria, nem me querendo ver reduzido ao simples papel de plinto, passado um ano, sacudi as sand\u00e1lias e fui para outras paragens.<\/p>\n<p><strong>De facto a perspectiva do emigrante era a de uma identidade sem biografia, de mera for\u00e7a de trabalho, num mundo agreste e duro em que a cultura da camada-bem n\u00e3o faz parte do cabaz das compras. <\/strong>A disponibilidade de tempo psicol\u00f3gico para investir na constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria biografia era inexistente e pressuporia um caminho demasiado moroso que tamb\u00e9m n\u00e3o se coadunava com os meus sonhos nem com a preocupa\u00e7\u00e3o de conceber a minha. Ali, a identidade portuguesa expressava-se ent\u00e3o a n\u00edvel afectivo em comidas, festas e pr\u00e1ticas religiosas. As miss\u00f5es cat\u00f3licas eram, por todo o lado, os melhores alfobres de identidade portuguesa. Apesar disso, os portugueses nunca formam gueto; mant\u00eam um saudosismo patri\u00f3tico prim\u00e1rio; como, para al\u00e9m da fam\u00edlia, se definem mais pelo aspecto individual do que pelo de perten\u00e7a, s\u00e3o pragm\u00e1ticos, lan\u00e7ando logo ra\u00edzes onde chegam. T\u00eam grande capacidade de incultura\u00e7\u00e3o e de interac\u00e7\u00e3o social e cultural; esta pode ser verificada, tamb\u00e9m no seu falar de mistura, especialmente nos imigrantes portugueses de Fran\u00e7a. Esta \u00e9 uma caracter\u00edstica que os torna simp\u00e1ticos em todos os povos de acolhimento, e lhes d\u00e1 as chaves da confian\u00e7a dos povos acolhedores.<\/p>\n<p>O portugu\u00eas, em geral \u00e9 aberto para com o estranho; \u00e9 brioso e interessado em defender as coisas do patr\u00e3o; diria que tem mesmo uma caracter\u00edstica camale\u00e3o. Este particular tamb\u00e9m se nota em Portugal; se um portugu\u00eas nota que algu\u00e9m \u00e9 estrangeiro, logo se esfor\u00e7a por falar com ele numa l\u00edngua estrangeira, quando o estranho, muitas vezes, fica triste por isso, pois estaria interessado em treinar o seu portugu\u00eas, sem medo de se expressar em portugu\u00eas macarr\u00f3nico. Tamb\u00e9m nos adiantamos a adoptar a pron\u00fancia do interlocutor se notamos que \u00e9 brasileiro ou espanhol. Naturalmente que isto tem a ver com a nossa hist\u00f3ria de miscigena\u00e7\u00e3o e de rela\u00e7\u00f5es interculturais, que inclui virtude mas tamb\u00e9m se pode virar em defeito.<\/p>\n<p><strong>Necess\u00e1rio novo rumo e incrementa\u00e7\u00e3o de agentes de poder<\/strong><\/p>\n<p><strong>A nossa emigra\u00e7\u00e3o do futuro, se quer ser econ\u00f3mica e politicamente eficiente para os emigrantes e para Portugal ter\u00e1 de ser equacionada em termos econ\u00f3micos e de influ\u00eancia associativa e pol\u00edtica. <\/strong>Os emigrantes ter\u00e3o de dar-se conta da natureza e das rela\u00e7\u00f5es do poder. Como v\u00edtimas deste deveriam ser capacitados a transmitir aos descendentes aquela experi\u00eancia e o modo de sair dela tal com os judeus fazem, duma maneira geral.<\/p>\n<p>A experiencia de se ser estranho \u00e9 cada vez mais real numa sociedade m\u00f3vel. Surgem novos estados de consci\u00eancia provocados por experi\u00eancias contradit\u00f3rias \u00e0s herdadas. Quem vive c\u00e1 e l\u00e1 fomenta uma personalidade de dignidade fendida. Na sua carreira orbital h\u00e1 cont\u00ednuos meteoritos que a desviam da aten\u00e7\u00e3o de si. Por isso os que agora partem dar\u00e3o contiguidade aos que agora se encontram na reforma se n\u00e3o usarem nem modernizarem as institui\u00e7\u00f5es que alguns lusodescendentes j\u00e1 utilizam. <strong>A segunda gera\u00e7\u00e3o e as gera\u00e7\u00f5es luso-descendentes, se forem orientadas por pessoas com sentido da realidade e da determina\u00e7\u00e3o do poder, entrar\u00e3o nos \u00f3rg\u00e3os (organiza\u00e7\u00f5es migrantes, sindicatos, partidos e organiza\u00e7\u00f5es fortes como ma\u00e7onaria, Opus Dei, Rotary club, etc.) que d\u00e3o acesso aos lugares onde se determina o andamento da sociedade.<\/strong> \u00c9 preciso incrementar o potencial que a segunda gera\u00e7\u00e3o e os luso-descendentes encerram em si como factores sociais, econ\u00f3micos e pol\u00edticos devido \u00e0 sua integra\u00e7\u00e3o nos diversos ramos da sociedade. Os programas de interc\u00e2mbio e as iniciativas de forma\u00e7\u00e3o dever\u00e3o ter isso como base.<\/p>\n<p>A primeira gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 geralmente condenada a ficar na sapata da sociedade, longe dos \u00f3rg\u00e3os onde se tomam as decis\u00f5es do poder.<strong> Alguns jovens, t\u00eam a sorte de serem motivados a dar passos no sentido duma carreira consciente (\u201ceconomia individual\u201d), por padres, professores, assistentes sociais, ou algum multiplicador de partido ou de sindicato. <\/strong>Torna-se inaceit\u00e1vel, que pais, padres, professores e assistentes sociais n\u00e3o apelem a uma estrat\u00e9gia de planeamento profissional que tenha em considera\u00e7\u00e3o o alertar para uma miss\u00e3o consciente e motivada de renova\u00e7\u00e3o da sociedade. O mesmo se diga no que respeita a programas do governo!<\/p>\n<p>Enquanto a democracia n\u00e3o estiver madura para funcionar, h\u00e1 que preparar uma gera\u00e7\u00e3o com capacidade de interferir no futuro; fomentar-se uma participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica humana e consciente, que aspire a subir aos \u00f3rg\u00e3os de decis\u00e3o e onde se definem as pol\u00edticas. N\u00e3o chega fazer como fizeram os pais da segunda gera\u00e7\u00e3o luso-descendente que apostaram tudo no dinheirito e na casa para viver. Pensando politicamente, \u00e9 importante optar pela carreira onde o poder n\u00e3o estrague a felicidade individual<strong>. Trata-se de fomentar a vontade e a consci\u00eancia de assumir o poder para, a partir de cima, o poder humanizar; quem est\u00e1 debaixo \u00e9 obrigado, j\u00e1 pelas circunst\u00e2ncias a ser humano, mas mais importante ser\u00e1 fomentar-se uma gera\u00e7\u00e3o que suba e, apesar disso, permane\u00e7a humana (enc\u00edclicas da doutrina social da Igreja, que tamb\u00e9m v\u00e3o mais longe do que qualquer programa sindical). Para isso necessita-se de uma maioria de pessoal interessado no neg\u00f3cio pol\u00edtico, n\u00e3o o continuando a deixar nas m\u00e3os daquela pequena parte da sociedade geralmente ego\u00edsta, que por instinto de poder se coloca nas fileiras dos partidos. <\/strong>Atendendo \u00e0 nossa situa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, os portugueses da di\u00e1spora ter\u00e3o de se inscrever nas estruturas do poder da na\u00e7\u00e3o onde vive e outros nas estruturas da Emigra\u00e7\u00e3o. Para isso \u00e9 preciso que Portugal acorde e com ele as institui\u00e7\u00f5es religiosas, culturais e partid\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 j\u00e1 tempo de acabar com as lamenta\u00e7\u00f5es e o esp\u00edrito de cr\u00edtica coitadinha \u00e0 pol\u00edtica e ao poder, onde isso n\u00e3o rem sentido. Uma mentalidade de bonzinhos e a afirma\u00e7\u00e3o de que os pol\u00edticos s\u00e3o maus e corruptos s\u00f3 vem desmotivar pessoas \u00edntegras a participar na pol\u00edtica.<\/strong> Quem se queixa do inferno em que vive e n\u00e3o faz nada por subir nos instrumentos de interven\u00e7\u00e3o social n\u00e3o se pode queixar de poss\u00edveis diabos \u00e0 solta. Na vida \u00e9 assim, s\u00f3 quem suja as m\u00e3os as pode limpar, quem faz erros \u00e9 criticado quem n\u00e3o faz nada cr\u00edtica. O facto de a Europa n\u00e3o ter voltado \u00e0 guerra deve-se ao trabalho \u00e1rduo da pol\u00edtica, s\u00f3 falta o empenho de se investir mais no sentido de se criar uma sociedade mais justa. A responsabilidade depende da capacidade de interven\u00e7\u00e3o, para se intervir tem de se entrar nas institui\u00e7\u00f5es do poder. Reservar-se o lugar de c\u00e3es que ladram pode ser confortante por acordar algu\u00e9m mas pouco se interfere no poder.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, devido \u00e0 grande percentagem portuguesa na popula\u00e7\u00e3o, Portugal passa a ter muita import\u00e2ncia no factor do poder, o mesmo se diga no Luxemburgo. \u00c9 incompreens\u00edvel que ainda n\u00e3o haja l\u00e1 nenhum ministro de origem portuguesa. Naturalmente este \u00e9 um factor beneficiador dos candidatos de origem portuguesa a n\u00edvel de autarquias e em geral. Veja-se o exemplo da Alemanha: o PSD e OS Verdes apostaram nos imigrantes turcos (mais de tr\u00eas milh\u00f5es) colocando-os em posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do poder. A actual secret\u00e1ria geral do SPD \u00e9 uma turca. Os turcos t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o mais normalizada com o poder!&#8230;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Os Malef\u00edcios de uma Mentalidade de Desobriga<\/strong><\/p>\n<p>A esperteza, n\u00e3o a intelig\u00eancia, tem movido as ondas da pol\u00edtica e da organiza\u00e7\u00e3o estatal. Todo o Portugal se queixa e sofre pela m\u00e1 governa\u00e7\u00e3o e por n\u00e3o ter acesso \u00e0 chusma dos assessores espertos em torno do Estado e dos partidos.<\/p>\n<p><strong>No \u201cRomance da Raposa\u201d de Aquilino Ribeiro podemos constatar a muita imagina\u00e7\u00e3o e esperteza da Salta-Pocinhas mas, no fim das contas, a moral da hist\u00f3ria fica: \u201cquem n\u00e3o trabuca n\u00e3o manduca\u201d. <\/strong>Ao lermos o romance deste mestre podemos ver retratada nele a tenta\u00e7\u00e3o do portugu\u00eas esperto que se v\u00ea obrigado a sobreviver.<\/p>\n<p><strong>A esperteza n\u00e3o v\u00ea longe, s\u00f3 arruma a casa at\u00e9 \u00e0 porta de entrada. Onde abundam chicos espertos, n\u00e3o h\u00e1 burros nem cavalos, s\u00f3 se enxerga manjedoura! <\/strong>Portugal tem sido transformado em relva onde apenas pastam ovelhas, nas quais s\u00f3 se diferencia a cor, a r\u00eas e o cio: mais nacional ou mais estrangeiro, mais conservador ou mais progressista.<\/p>\n<p>O problema de Portugal \u00e9 velho e n\u00e3o vem de conservadores nem de progressistas, de salazaristas nem de abrilistas; t\u00e3o-pouco se explica com socialistas ou capitalistas.<strong> \u00c9 um dado escondido mas plaus\u00edvel que, sobretudo, a partir das invas\u00f5es francesas do 1800, Portugal se tornou mais enfermo e mais propenso \u00e0 instabilidade, mais inclinado ao plagiato e \u00e0 imita\u00e7\u00e3o, do que ao esp\u00edrito pr\u00f3prio e cr\u00edtico. <\/strong>O problema parece vir de um certo viver oportuno feito de um misto de esperteza e miopia. O esperto \u00e9 prisioneiro do pr\u00f3prio saber enquanto o inteligente v\u00ea mais longe atrav\u00e9s de rela\u00e7\u00f5es mais complexas n\u00e3o tendo, por isso, respostas simples para a vida. O que torna o esperto simp\u00e1tico \u00e9 ele pender mais para a introvers\u00e3o do que para a extrovers\u00e3o.<\/p>\n<p>A responsabilidade \u00e9 de todos porque se vive da esperteza de uma mentalidade saciada com a boca entre tacho e cunha e da esperan\u00e7a na ajuda de voz amiga.<strong> O portugu\u00eas continua a viver de uma mentalidade desobriga, do \u201cisso n\u00e3o me interessa\u201d, do \u201cisso n\u00e3o \u00e9 comigo\u201d e do \u201cisso n\u00e3o sabia\u201d. <\/strong>As vozes cr\u00edticas, dos que n\u00e3o sabem porque procuram saber, s\u00e3o vistas como ru\u00eddos inc\u00f3modos porque o povo est\u00e1 habituado a constatar que a voz cr\u00edtica se tornou apan\u00e1gio, n\u00e3o da intelig\u00eancia nacional-global mas da esperteza individual e parcial.<strong> A esperteza n\u00e3o suporta a diferencia\u00e7\u00e3o, conhece quem \u00e9 a favor e quem \u00e9 contra, satisfaz-se com a cor da camisola. <\/strong>Desta esperteza fazem parte diplomatas e bem-falantes que confundem esp\u00edrito cr\u00edtico com falar mal de Portugal. Aquela intelig\u00eancia refinada coada pelo interesse nos alambiques da cultura esperta tem a aperrea\u00e7\u00e3o de fazer parte da mentalidade democr\u00e1tica com ares de republicana burguesa que nos tem governado.<\/p>\n<p><strong>A esperteza anda pelas oficinas da simula\u00e7\u00e3o onde se forja o prest\u00edgio com o asperge da vaidade, a \u00e1gua benta encomendada e os ictos de incenso dos puxa-saco. No seu ch\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 concorr\u00eancia, apenas se nota o ardil viver dos arredores.<\/strong><\/p>\n<p>A nossa esperteza \u00e9 autossuficiente, n\u00e3o se nota arrogante porque vestida de singeleza. Esta vive do parecer inofensivo de um viver espont\u00e2neo e conciliador, de um saber discreto, sem saber da vida dos outros. Cada um segue o seu caminho \u00e0 luz da opini\u00e3o nevoenta, cada qual vive sob a luz ba\u00e7a das lanternas do sentimento.<\/p>\n<p>Vive-se num estado de saber de conhecimento enterrado e tornado humus, aquele h\u00famus de que se alimentam os poetas; aquele conhecimento empacotado num aparente n\u00e3o saber.<strong> Pomos o chap\u00e9u de um desconhecimento refinado, de um saber ing\u00e9nuo mas n\u00e3o escravo, com um ar de convencido, do ser assim por assim ser. <\/strong>O nosso saber, chega a ser um saber desconfiado de alfacinhas, com cheiro cort\u00eas, adquirido na cozinha do rei aquando da entrega das alfaces. <strong>Mas aquilo que mais nos estraga \u00e9 aquele alarde de menina saloia de ingenuidade mascarada, de menina boazinha: violada sim, mas pelo rei!<\/strong><\/p>\n<p><strong>A esperteza \u00e9 ben\u00e9vola, sabe da cumplicidade da vida, sem reconhecer a complexidade. Consciente da pr\u00f3pria baixeza n\u00e3o reconhece a honestidade fora; faz parte de um saber calculado que n\u00e3o vai al\u00e9m do pr\u00f3prio prato<\/strong>, sendo por isso paciente e n\u00e3o arrojada. Prefere viver do rancho-fandango e do piquenique da cortesia de faunas confusas e floras arcaicas.<\/p>\n<p>A escola \u00e9 apenas pedag\u00f3gica, n\u00e3o se aprende a ser cr\u00edtico nem o saber eficiente, o tal \u201csaber de experi\u00eancia feito\u201d que sabe o que quer e respeita o querer dos outros; basta-nos um doutoramento democr\u00e1tico de chicos espertos e um saber de meia-luz que faz das sombras da opini\u00e3o a realidade, porque \u00e9 mais f\u00e1cil o bota abaixo do que a cr\u00edtica baseada em factos. <strong>Assim, quando muito, a cr\u00edtica sobe aos andares da poesia ou desce \u00e0 cave do bazar das opini\u00f5es onde o ventre do povo rumoreja.<\/strong><\/p>\n<p>Assim se vai vivendo na sombra do n\u00e3o saber, no apalpar do intuir, a perpetuar um estado da inoc\u00eancia po\u00e9tica. Portugal inteiro sofre de uma mentalidade desobriga. Resta \u00e0 nova gera\u00e7\u00e3o, para l\u00e1 do pensar correcto e oportuno, repensar Portugal.<\/p>\n<p><strong>Plat\u00e3o dizia: \u201cPodemos facilmente perdoar uma crian\u00e7a que tem medo do escuro, a real trag\u00e9dia da vida \u00e9 quando os homens t\u00eam medo da luz.\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Sou emigrante com asas de arriba\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Portugal minha Nau Catrineta no alvorar de uma Terra j\u00e1 sem Cais<\/strong><\/p>\n<p>O emigrante \u00e9 um ser estranho a viver na conflu\u00eancia de gravidades entre mundos; \u00e9 estranho onde entra, \u00e9 estranho onde est\u00e1, e \u00e9 estranho quando volta; passa a vida na meia-luz de um sonho que n\u00e3o acorda. De ess\u00eancia enjeitada, seu lar \u00e9 caminho, de passarinho sem-abrigo, a riscar o ninho \u00e0 borda da vida.<\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong>H\u00e1 motivos para fugir, h\u00e1 raz\u00f5es pra se ir embora, h\u00e1 vontade pra bater a porta, e\u2026, seguir a \u00e2nsia do sair do nada. H\u00e1 sempre um momento e um repente pra fazer da esperan\u00e7a uma vela onde o presente se aquece e alumia, na tentativa, de dar \u00e0 luz um futuro n\u00e3o humano mas digno. Este futuro, filho do sofrimento, embora gerado na m\u00e1goa da saudade, \u00e9 afagado por m\u00e3os parteiras do sonho, m\u00e3os singelas e puras, de familiares e amigos que segredam promessas onde ecoa a voz da terra. Esta voz do cora\u00e7\u00e3o, este zumbido no ouvido, n\u00e3o se cala e mais se sente, a celebrar, em cada emigrante, o desassossego das \u00e1guas do Cabo na luta por transpor o Bojador, de uma vida, toda mar.<\/p>\n<p>Corri mundo a ver as suas luzes e nelas mais n\u00e3o vi que as sombras do velho Portugal! Agora que vivo, na penumbra de Portugal, onde o cheiro a povo n\u00e3o faz mal, sinto vontade de voltar pra dizer: acorda povo, volta ao arraial, liga tu as luzes e faz a festa\u2026<\/p>\n<p>De volta \u00e0 terra, nos p\u00e1tios e caminhos, as crian\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o brincam; neles s\u00f3 sentimentos desfraldam ao vento; meus desejos, com o p\u00f3 se v\u00e3o, levados em nuvens de pensamentos; no longe da terra, vejo ainda, bandos de passarinhos negros, voando a m\u00e1goa de um caminho errado e de uma terra j\u00e1 sem ninhos.<\/p>\n<p>Dan\u00e7arino, agora, na linha do horizonte, feito de enganos j\u00e1 sem filhos, tornei-me acrobata da ins\u00f3nia a acenar para a vida de desejos gr\u00e1vidos, a voar ainda no sol das asas, mas j\u00e1 sem terra onde poisar.<\/p>\n<p>Na bagagem da recorda\u00e7\u00e3o saltitam sonhos meninos de uma vida retalhada a brincar com a vontade. A vontade de ir e vir sem poisar!<\/p>\n<p>Sou povo a voar, nas asas de Portugal, a subir e a descer, as nuvens do sentimento, no Natal e em Agosto. Portugal, dentro e fora, anda a dias, a regar a europa seca, com l\u00e1grimas atl\u00e2nticas.<\/p>\n<p>Aquela parte do Portugal povo, n\u00e3o renegado, padece a outra parte que segue as pegadas duma europa rica, mas de futuro aleijado. Meu povo, o nevoeiro vai passar, ainda n\u00e3o \u00e9 tarde para voltares \u00e0 fonte e reencontrares o sentido do caminho que \u00e9 nosso: as sendas de Portugal. Est\u00e1s gr\u00e1vido de bem e de humanidade; aguenta um pouco as dores, para dares \u00e0 luz o novo Portugal.<\/p>\n<p>Portugal, \u00e9s a nau Catrineta que ainda tem tanto que contar! O teu destino tem andado, sem timoneiro, nas m\u00e3os de gajeiros iluministas que profanaram a nau, para viverem do nevoeiro de fora e do vermelho dos bord\u00e9is dos camarotes, sem saudade nem desejo de avistar praias de Portugal.<\/p>\n<p>Em Portugal transborda o mundo. Da\u00ed o caracter migrante de um povo n\u00e3o humilde mas modesto, onde germina a esperan\u00e7a que o faz andar, a teimar a vida, dentro e fora, num \u00e2nsia de arar Portugal pra gerar fartura, para todos, regada com a chuva f\u00e9rtil do transcendente.<\/p>\n<p>Portugal \u00e9 a Nau Catrineta que vai arribar numa Terra bendita! N\u00e3o te esque\u00e7as da tua miss\u00e3o; foi ela que te fez; a tua nau \u00e9 pequena mas, como a gruta de Bel\u00e9m, tem a mod\u00e9stia do viver e o fogo do amor, a aquecer todos os povos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Minha Vida na Mala<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Proposta para as Celebra\u00e7\u00f5es comemorativas dos Emigrantes<\/strong><\/p>\n<p>Uma organiza\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00f5es sob o t\u00edtulo \u201cMINHA VIDA NA MALA\u201d, no \u00e2mbito de celebra\u00e7\u00f5es comemorativas dos emigrantes portugueses, poderia tornar-se num factor de promo\u00e7\u00e3o e revitaliza\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es e iniciativas nobilitadoras da presen\u00e7a portuguesa.<\/p>\n<p><strong>O objectivo principal do projecto<\/strong> seria focar o itiner\u00e1rio e o papel da vida migrante; celebrar a presen\u00e7a dos portugueses nos diferentes pa\u00edses e motivar a nova gera\u00e7\u00e3o de emigrantes a desenvolver o associativismo e o portuguesismo universalista. Criar recursos lusos de apoio e fomentar sinergias entre associa\u00e7\u00f5es e as mais variegadas institui\u00e7\u00f5es. Contribuir para espalhar a festa portuguesa.<\/p>\n<p><strong>Conte\u00fado do projecto:<\/strong> Num trabalho de rede de consulados, miss\u00f5es, associa\u00e7\u00f5es, artistas, professores, assistentes sociais e multiplicadores culturais, activar entre os emigrantes iniciativas concretas viradas para diferentes p\u00fablicos.<\/p>\n<p><strong>Um apoio financeiro<\/strong> poderia provir do MNE, Uni\u00e3o Europeia, bancos, etc.<\/p>\n<p><strong>Resultados a esperar:<\/strong> celebra\u00e7\u00e3o da emigra\u00e7\u00e3o, fortalecimento da consci\u00eancia migrante, intercomunica\u00e7\u00e3o e fortalecimento operacional das associa\u00e7\u00f5es e inclus\u00e3o das mais variadas personalidades em actividades das associa\u00e7\u00f5es. Fortalecer a consci\u00eancia dos emigrantes.<\/p>\n<p><strong>A coordena\u00e7\u00e3o<\/strong> poderia ser feita pela Secretaria de Estado para as Comunidades, Instituto Cam\u00f5es, consulados, miss\u00f5es, alguma universidade, associa\u00e7\u00f5es e poss\u00edveis parcerias sob um comit\u00e9 ad hoc.<\/p>\n<p>O projecto poderia constituir uma oportunidade para reflectir sobre a identidade portuguesa e possibilitar a objectiva\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias de fam\u00edlias que partem e que ficam.<\/p>\n<p><strong>Cada pessoa ou fam\u00edlia envolvida no projecto poderia apresentar uma mala, a ser exposta e elaborada com materiais, imagens, objectos, documentos, lembran\u00e7as, tudo relacionado com uma vida entre paragens e em que a mala se tornou s\u00edmbolo de vida e companheira.<\/strong> Trata-se de conhecer e divulgar, tamb\u00e9m com postais, cartas, m\u00fasicas, etc., o contributo da emigra\u00e7\u00e3o em termos geogr\u00e1ficos e sociol\u00f3gicos valorizadores do nosso povo e das nossas terras. Nas associa\u00e7\u00f5es ou iniciativas seria importante envolver artistas a apoiar a elabora\u00e7\u00e3o das malas.<\/p>\n<p>Naturalmente que um tal projecto poderia assumir propor\u00e7\u00f5es regionais, nacionais ou mesmo internacionais. A estender-se o projecto a Portugal (por exemplo liga\u00e7\u00e3o com a festa migrante) implicaria que as reparti\u00e7\u00f5es da cultura das C\u00e2maras, bancos, alguma faculdade universit\u00e1ria e os meios de comunica\u00e7\u00e3o social se tornassem, possivelmente, promotores do projecto. Este projecto, depois de realizado nos diferentes locais, poderia tornar-se depois numa exposi\u00e7\u00e3o itinerante.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 fam\u00edlia nenhuma em Portugal sem experi\u00eancia migrante. A migra\u00e7\u00e3o marca a paisagem e a alma de Portugal. \u00c9 uma constante caracter\u00edstica de organiza\u00e7\u00e3o da vida familiar portuguesa e do seu Estado. A emigra\u00e7\u00e3o \u00e9, na realidade, uma das cinco quinas que marcam o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um contributo para um \u201cBrain\u201d de ideias que poderia preparar um projecto a ser assumido pelo Senhor Secret\u00e1rio de Estado Dr. Jos\u00e9 Ces\u00e1rio e pelos deputados, conselheiros da emigra\u00e7\u00e3o e outras parcerias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Emigrante: Um Recurso pol\u00edtico e econ\u00f3mico desperdi\u00e7ado<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Conota\u00e7\u00e3o negativa do Emigrante. <\/strong><strong>Na Penumbra de Portugal o Cheiro a Povo n\u00e3o faz mal<\/strong><\/p>\n<p>Num pa\u00eds exportador de\u201d recursos humanos\u201d e em que a vida econ\u00f3mica \u00e9 muito enriquecida pelo contributo dos emigrantes, n\u00e3o parece l\u00f3gico haver preconceitos contra os emigrantes.<\/p>\n<p>Um certo preconceito conotou a palavra emigrante de algo \u201cnegativo\u201d, algo com cheiro a prov\u00edncia, a povo, a tradi\u00e7\u00e3o, a fado, e a folclore! Observa-se aqui um fen\u00f3meno paralelo ao que se iniciou com o 25 de Abril em rela\u00e7\u00e3o a fado, F\u00e1tima e futebol; estas eram palavras que pareciam n\u00e3o ter o cheiro de um curral novo progressivo-burgu\u00eas. Uma quest\u00e3o j\u00e1 tradicional dentro de um curro que se vai contentando em mudar o nome \u00e0s coisas.<\/p>\n<p>Vir\u00e1 a negatividade associada \u00e0 velha ideia do emigrante que, ao sair cometia algo de ilegal e conden\u00e1vel? Ser\u00e1 a for\u00e7a da in\u00e9rcia de quem fica a n\u00e3o querer ser questionada na sua maneira de fazer? Ser\u00e1 um certo ligeirismo de atitudes e alarde de novo-rico de emigrantes aquando das f\u00e9rias em Portugal? Ser\u00e1 uma certa inveja de se ver pessoas a ultrapassarem as barreiras da classe?<\/p>\n<p>Quem se arma, em Portugal, n\u00e3o aguenta o cheiro a povo e at\u00e9 certas palavras t\u00eam que ser lavadas com lixivia para perderem a ocasional m\u00e1 conota\u00e7\u00e3o. O inocente da quest\u00e3o est\u00e1 em se resolver os problemas mudando-se as palavras. Hoje, em vez de se dizer Emigrantes prefere dizer-se \u201cPortugueses residentes no estrangeiro\u201d; n\u00e3o \u00e9 bem por snobismo mas pelo aroma acad\u00e9mico com que se quer prendar os novos emigrantes, ou talvez, para n\u00e3o haver confus\u00f5es entre o velho e o novo! A denomina\u00e7\u00e3o portugueses residentes e portugueses n\u00e3o residentes \u00e9 mais uma quest\u00e3o de formalidades burocr\u00e1ticas e de modernices que n\u00e3o descrevem melhor a situa\u00e7\u00e3o. Querer fixar a palavra emigrante a uma conota\u00e7\u00e3o pejorativa de cidad\u00e3o de segunda seria uma op\u00e7\u00e3o reducionista e um empobrecimento para a l\u00edngua\u2026. A conota\u00e7\u00e3o, resultado do preconceito, poderia ser contrariada por uma pol\u00edtica de comunica\u00e7\u00e3o social positiva. A denomina\u00e7\u00e3o de portugueses n\u00e3o residentes, come\u00e7ou a surgir depois da entrada de Portugal na CEE como se o estatuto de cidad\u00e3o europeu saldasse tudo ignorando que o emigrante n\u00e3o se reduz \u00e0 Europa e continua a residir nalgum lado.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Antigamente o portugu\u00eas sa\u00eda da terra para fazer pela vida, por raz\u00f5es de pobreza e pelo facto de a terra n\u00e3o ter lugar para ele se desenvolver; hoje sai-se da terra \u00e0 procura duma vida mais digna que a car\u00eancia da terra n\u00e3o d\u00e1. Antes o povo sa\u00eda de fugida ou imperceptivelmente, hoje sai aplaudido pelos meninos duma pol\u00edtica, sem pudor, que o convida a emigrar! O facto \u00e9 que, ontem como hoje, a emigra\u00e7\u00e3o faz parte da penumbra de Portugal onde o cheiro a povo n\u00e3o faz mal.<\/p>\n<p>Os tempos mudaram. Antigamente Portugal era nosso, hoje j\u00e1 n\u00e3o \u00e9. Hoje somos mundo; temos um Portugal menos portugu\u00eas mas mais mundano e bem trajado, numa sociedade de ideias mais penteadas e alinhadas.<\/p>\n<p>Ontem vinha a prov\u00edncia \u00e0 cidade, hoje vai a cidade ao mundo, ficando muita gente j\u00e1 n\u00e3o sob os arcos da ponte mas sob as rodas da m\u00e1quina. Naturalmente, a sa\u00edda \u00e9 uma decis\u00e3o que n\u00e3o se faz de \u00e2nimo leve porque quem sai deixa muito, encontra a soledade e, se voltar, n\u00e3o volta o mesmo.<\/p>\n<p><strong>A raz\u00e3o da emigra\u00e7\u00e3o e os emigrantes nunca interessou ao pa\u00eds, faz parte de um destino nacional. <\/strong>Dos emigrantes h\u00e1 que esperar e n\u00e3o que dar!\u2026 De fora \u00e9 que chovem as patacas. O arrojo dos emigrantes mete medo a muitos portugueses para quem o lema e a s\u00famula da vida \u00e9: \u201cvai-se andando\u201d, \u201cuma pessoa arranja-se como pode\u201d. Os portugueses emigrantes, devido ao esfor\u00e7o desumano de adapta\u00e7\u00e3o, adoptam tamb\u00e9m eles as caracter\u00edsticas portuguesas de povo exausto passando a arranjar-se como podem, segundo o lema: \u201cMaria-vai-com-as-outras\u201d; os que se organizam fazem-no por amor \u00e0 causa; destes por\u00e9m n\u00e3o reza a hist\u00f3ria; em Portugal a Hist\u00f3ria interessa-se pelos carreiristas amigos da on\u00e7a (sen\u00e3o analisem-se as sumidades da nossa pra\u00e7a com as suas isen\u00e7\u00f5es de impostos e privil\u00e9gios que, entre cidad\u00e3os conscientes pertenceriam ao cap\u00edtulo da corrup\u00e7\u00e3o institucionalizada); outros, para n\u00e3o se \u201csujarem\u201d preferem viver no alto das suas torres e outros ainda, os tais representantes, esses fazem-no por amor \u00e0 camisola do partido longe de uma perspectiva de Estado honrado e de Povo. O povo resto, esse aprendeu dos seus \u201csuperiores\u201d, que a Na\u00e7\u00e3o desde 1640 entrou de f\u00e9rias e que ele \u00e9 tapete, mas n\u00e3o um tapete qualquer: porque \u00e9 tapete vermelho! O povo, com um instinto apurado, perdeu o respeito pelos que sistematicamente durante s\u00e9culos o desrespeitam; prefere viver abandonado a si mesmo, com todos os perigos que isso implica e que constituem o v\u00edcio portugu\u00eas. Assim falta uma sociedade civil activa. Porque tomar a s\u00e9rio os eleitos se estes nunca tomaram a s\u00e9rio os eleitores?!\u2026 Entre povo e respons\u00e1veis pol\u00edticos sempre houve uma rela\u00e7\u00e3o de desconfian\u00e7a verdadeira embora n\u00e3o declarada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Contributo do E\/Imigrante n\u00e3o reconhecido na Opini\u00e3o p\u00fablica<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 fam\u00edlia portuguesa sem um membro no estrangeiro, sem algu\u00e9m que n\u00e3o tenha saltado os muros para recuperar a vida digna que parecia nas m\u00e3os de outros (os Media referem cerca de quatro milh\u00f5es e meio de portugueses a viver fora de Portugal)! Os portugueses residentes no estrangeiro s\u00e3o o s\u00edmbolo da vontade e da aventura, o s\u00edmbolo de um Portugal onde a na\u00e7\u00e3o n\u00e3o dorme. Ontem como hoje, s\u00e3o estes os melhores mensageiros de humanidade a espalhar o patrim\u00f3nio cultural e humano por todo o mundo e a melhorar a qualidade de vida em Portugal.<\/p>\n<p>Segundo relatos oficiais estat\u00edsticos de 2006, por cada dez emigrantes portugueses h\u00e1 um imigrante em Portugal. A import\u00e2ncia do imigrante \u00e9 cada vez mais relevante tamb\u00e9m por contrariar o envelhecimento dr\u00e1stico da sociedade portuguesa. Agora Portugal sente-se de rosto erguido por se contar entre os pa\u00edses importadores de pessoas que procuram uma vida mais digna.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o p\u00fablica portuguesa ainda teima em ignorar o emigrante, ou em record\u00e1-lo como pessoa simples de mala na m\u00e3o, com cheiro a bacalhau e a fado churrasco. Por outro lado o portugu\u00eas a trabalhar na Europa estrangeira n\u00e3o consegue lidar bem com a palavra estrangeiro porque embora pertencendo a um grupo social bastante integrado se v\u00ea englobado na grelha da palavra estrangeiro que engloba uma conota\u00e7\u00e3o social menos cativante por se ver englobado no grupo dos que se afirmarem na contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade que os recebe. Da\u00ed tamb\u00e9m a necessidade de ser identificado como portugu\u00eas. Uma triste realidade de quem gostaria de se ver identificado pela qualidade de ser Homem: o e ou o i no migrante n\u00e3o deveria ser factor discriminador, quando muito uma refer\u00eancia geogr\u00e1fica.<\/p>\n<p><strong>Os Media falam e justamente do contributo dos imigrantes em Portugal mas calam geralmente o contributo dos emigrantes<\/strong>. Muitos emigrantes funcionam como programas de fomento da terra, como fomentadores do bem-estar, garantidores de biscatos e emprego, como compensadores de assist\u00eancia social. No sentido de aproximarem costumes e povos tinham tamb\u00e9m uma fun\u00e7\u00e3o parecida \u00e0 dos trovadores! Mas, no meio de tudo isto, os bancos s\u00e3o os que mais beneficiam com as remessas tendo em conta o aspecto da sua liquidez e de aplica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a de trato de imigrantes e emigrantes, por certos sectores da sociedade, at\u00e9 se torna compreens\u00edvel atendendo aos interesses das diversas for\u00e7as sociais nacionais e \u00e0 press\u00e3o da observa\u00e7\u00e3o internacional. Enquanto os imigrantes se tornam interessantes para os partidos, na qualidade de poss\u00edveis adeptos, e pela sua potencialidade na qualidade de votantes, os emigrantes encontram-se longe, descuidando o voto e n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o influenci\u00e1veis \u00e0s ondas locais.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o p\u00fablica tem um grande d\u00e9fice de informa\u00e7\u00e3o no que respeita \u00e0 necessidade de mais informa\u00e7\u00e3o positiva sobre e\/imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o e o transnacionalismo fomentam as migra\u00e7\u00f5es, o que pressup\u00f5e uma consequente pol\u00edtica empenhada na inclus\u00e3o e tamb\u00e9m na recep\u00e7\u00e3o de imigrantes que n\u00e3o se afirmem pelo gueto. O momento que a Europa atravessa n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para emigrantes nem para imigrantes. Em tempos de recess\u00e3o, o maior combate a uma economia informal atinge mais duramente uma parte dos imigrantes. Nestas quest\u00f5es \u00e9 necess\u00e1rio pensar-se a longo prazo: por muita imigra\u00e7\u00e3o que tenhamos o d\u00e9fice demogr\u00e1fico continuar\u00e1 a ser alarmante.<\/p>\n<p>Voltando ao problema do trato dos emigrantes! Quem vive numa Alemanha pergunta-se: porque \u00e9 que os emigrantes alem\u00e3es n\u00e3o t\u00eam conota\u00e7\u00e3o negativa na sociedade alem\u00e3? Tamb\u00e9m eles sa\u00edram para melhorar a vida. Porque \u00e9 que n\u00e3o se nota neles aquele nosso preconceito burgu\u00eas do estatuto social como substrato do nosso ser e pensar?<strong> Porque \u00e9 que se pensa no \u201cl\u00e1 v\u00eam os emigrantes\u201d, que parecem levar tudo na enxurrada, e n\u00e3o nos turistas portugueses a dar vida ao mercado? <\/strong>Porque apostar sempre na diferen\u00e7a pela negativa? O facto de os emigrantes terem a experi\u00eancias da terra e do estrangeiro torna-os, por vezes, impacientes, indiscretos e ousados, \u00e0 frente dos balc\u00f5es dos bancos e dos servi\u00e7os p\u00fablicos; isto n\u00e3o deve ser o suficiente para serem olhados de lado! Ou ser\u00e1 aquela inveja fina de cara para ingl\u00eas ver acrescentada de um esp\u00edrito burgu\u00eas a ro\u00e7agar nas almofadas das cadeiras dos nossos locutores?<\/p>\n<p>\u00c0 parte a emigra\u00e7\u00e3o por raz\u00f5es pol\u00edticas, torna-se duvidosa uma acentua\u00e7\u00e3o epid\u00e9rmica da diferen\u00e7a da emigra\u00e7\u00e3o de h\u00e1 50 anos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 de hoje. Isto torna-se caricato e perigoso porque pretende, por um lado, fazer passar um certo snobismo portugu\u00eas para um campo impr\u00f3prio e, por outro lado, desvia a quest\u00e3o dos grandes problemas que est\u00e3o na base da desloca\u00e7\u00e3o de grandes massas migrat\u00f3rias. A emigra\u00e7\u00e3o, na sua grande maioria, \u00e9 fruto da m\u00e1 organiza\u00e7\u00e3o de estados, da sua incapacidade econ\u00f3mica (pobreza) ou da sua instabilidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Falar de uma Europa sem fronteiras, tamb\u00e9m revela mem\u00f3ria curta. O grande interc\u00e2mbio europeu da classe nobre e burguesa at\u00e9 ao s\u00e9culo XIX, onde havia grande permuta de cultura, n\u00e3o deveria ser considerado um cap\u00edtulo \u00e0 parte. Tamb\u00e9m ent\u00e3o n\u00e3o havia propriamente fronteiras; os interesses das fam\u00edlias nobres e do clero abatiam-nas! Hoje a ditadura da economia s\u00f3 est\u00e1 interessada na permuta de servi\u00e7os e dinheiro e despreza a cultura!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Emigra\u00e7\u00e3o empacotada em Papel couch\u00e9 <\/strong><\/p>\n<p><strong>Da For\u00e7a muscular \u00e0 Energia cerebral- Colonialismo e Desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p>Ontem era a pobreza da terra e do interior que obrigava a emigrar. Hoje juntou-se-lhe a pobreza das cidades e dos Estados a testemunhar uma EU de pol\u00edtica desigual. <strong>A emigra\u00e7\u00e3o das periferias para os centros serve a explora\u00e7\u00e3o dos povos ricos sobre os pobres. <\/strong>No tempo em que as m\u00e1quinas precisavam da for\u00e7a muscular, os pa\u00edses fortes importavam a for\u00e7a muscular humana, hoje que nos encontramos no tempo das tecnologias de ponta, importam as energias cerebrais humanas, sorvendo o pessoal formado \u00e0 conta dos povos marginais.<\/p>\n<p>A crise na Europa alastra com tal raiva que muita da classe m\u00e9dia j\u00e1 se encontra quase no mesmo p\u00e9 que a baixa antiga. Em nome da nova mobilidade, das pessoas em direc\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00e1quinas, continua-se a refinada e velha t\u00e1tica de levar as pessoas \u00e0s m\u00e1quinas e n\u00e3o as m\u00e1quinas \u00e0s pessoas. <strong>O sistema da velha coloniza\u00e7\u00e3o mantem-se, evoluiu apenas a fineza! Os pa\u00edses fortes antigos s\u00e3o apelidados de colonizadores, os de hoje d\u00e1-se-lhe o meigo nome de desenvolvidos!<\/strong><\/p>\n<p>A tristeza \u00e9 grande e ainda se faz propaganda dela! O snobismo, de um Portugal novo-rico, testemunha a falta de patriotismo e de forma\u00e7\u00e3o, ao estimular, oficialmente, acad\u00e9micos desempregados, a procurar trabalho no estrangeiro<strong>.<\/strong><strong> Em 2012 emigraram <\/strong><strong>120 000 portugueses e em 2013 outros 120 000 num total de 240.000. Destes, 20% tinham um curso superior.<\/strong> <strong>A Incompet\u00eancia do Estado d\u00e1 sustentabilidade \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>A car\u00eancia portuguesa actual passa agora a ser empacotada com papel de lustro acad\u00e9mico; este deve substituir a mis\u00e9ria do antigo papel de embrulhar bacalhau e salpic\u00f5es; a nova di\u00e1spora distingue-se pela diferen\u00e7a do lustre que deve limitar a vergonha \u00e0 antiga.<\/p>\n<p>A elite do nosso Estado, como atestam os escritores dos \u00faltimos dois s\u00e9culos, sobressai pela sua situa\u00e7\u00e3o parasita a viver dos impostos do Estado e das remessas da emigra\u00e7\u00e3o. A classe pol\u00edtica fala agora desavergonhadamente da \u201cnova di\u00e1spora\u201d dos emigrantes com estudos, no desd\u00e9m pelos antigos.<\/p>\n<p>Fala-se da necessidade de se aproveitar \u201ca potencialidade&#8221; da &#8220;nova di\u00e1spora&#8221;. Tal \u00e9 a crueldade dos bastardos da economia, tal \u00e9 a fome canina que se aproveita das migalhas deixadas pelos portugueses obrigados a sair para o estrangeiro. Portugal nunca deixou de \u201c tirar partido&#8221; das remessas dos emigrantes para cimentar a in\u00e9rcia governamental e a pregui\u00e7a mental da Assembleia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Quem sai n\u00e3o grita e ainda manda uns milh\u00f5es! Segundo o Banco de Portugal, as remessas dos emigrantes atingiram, nos cinco primeiros meses de 2013, 1,14 mil milh\u00f5es de euros, o que correspondeu a uma subida de 9,12%.<\/strong><\/p>\n<p>Portugal tornou-se num pa\u00eds sem capacidade empreendedora. Na TV e na discuss\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o h\u00e1 lugar para quem produz nem para as firmas de sucesso; a arena p\u00fablica \u00e9 ocupada pelos conhecidos sobas dos partidos e por algum bo\u00e7al mais letrado. Quem berra, f\u00e1-lo de est\u00f4mago bem recheado, continuando a fazer por um Portugal da meia-luz onde a esperteza tenha conjuntura \u00e0 custa da intelig\u00eancia soterrada na virgindade do povo.<\/p>\n<p>O Portugu\u00eas novo-rico perdeu o esp\u00edrito de risco, o esp\u00edrito de empreendedor, para viver do esp\u00edrito de funcion\u00e1rio. A estrutura suporte do pensar portugu\u00eas, para l\u00e1 da fantasia, contenta-se com coisas pequenas que possa controlar, satisfazendo-se a olhar para o resultado que pode ter do que faz. Cada um \u00e9 m\u00f3dico, contenta-se em ter algumas ovelhas que o admirem ou verga-se a qualquer coisa.<\/p>\n<p>O problema do povo portugu\u00eas vem do facto de tudo correr por amor \u00e0 camisola sem se preocupar com o que ela encobre!<\/p>\n<p>Portugal encontra-se hoje, tal como no s\u00e9culo XV e XVI, \u00e0 frente da civiliza\u00e7\u00e3o. Outrora \u00e0 frente da expans\u00e3o e agora \u00e0 frente do seu colapso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Crie-se um Minist\u00e9rio das Comunidades e da Lusofonia<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em prol de uma Lusofonia para al\u00e9m do Espa\u00e7o do Sentimento de Perten\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>A Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, independentemente de algumas mais-valias pontuais que regista e do seu trabalho administrativo, revela-se, ao longo da sua vig\u00eancia, ineficiente e desgastante, contribuindo at\u00e9 para adiar, ad eternum, uma poss\u00edvel pol\u00edtica s\u00e9ria, com p\u00e9s e cabe\u00e7a para a emigra\u00e7\u00e3o e para as comunidades lus\u00f3fonas. A experi\u00eancia da Secretaria de Estado constituiria um contributo importante \u00e0 hora de ser definida uma reforma da pol\u00edtica das Comunidades portuguesas e da lusofonia em termos de estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>S\u00f3 um minist\u00e9rio pr\u00f3prio estaria \u00e0 altura de reparar os defeitos da pol\u00edtica passada e seria capaz de desenvolver conceitos e estrat\u00e9gias de uma pol\u00edtica abrangente e adequada aos novos tempos. <strong>Temos a \u00e1rea da cultura, da l\u00edngua, da economia, da lusofonia \u00e0 espera de concep\u00e7\u00e3o inclusiva, de projectos e aplica\u00e7\u00e3o numa pol\u00edtica vis\u00edvel e eficiente que sirva e se aproveite dos recursos das potencialidades migrantes e dos pa\u00edses lus\u00f3fonos (com eventuais parcerias). <\/strong><\/p>\n<p>Urge aproveitar com efic\u00e1cia a rede da presen\u00e7a lusa e das suas economias de maneira mais satisfat\u00f3ria e proveitosa para os emigrantes, para Portugal e para os pa\u00edses lus\u00f3fonos. As comunidades da di\u00e1spora lus\u00f3fona poder-se-iam aproveitar e ser aproveitadas e reunidas em conveni\u00eancias comuns de fomento (Bancos, C\u00e2maras da Ind\u00fastria e do com\u00e9rcio, representa\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, institutos culturais, etc.) numa estrat\u00e9gia de inclus\u00e3o de interesses e pol\u00edticas de perspectivas de futuro lus\u00f3fono.<\/p>\n<p>S\u00f3 uma pol\u00edtica, atenta aos sinais dos tempos e \u00e0 realidade da perspectiva das economias emergentes lus\u00f3fonas e do equacionamento de projectos em termos globais, poder\u00e1 dar resposta adequada \u00e0s novas possibilidades e ao enquadramento econ\u00f3mico e estrat\u00e9gico do constante fen\u00f3meno de movimenta\u00e7\u00e3o social. <strong>S\u00f3 a cria\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es inclusivas com grande peso a n\u00edvel de governos e de sociedade dar\u00e3o resposta eficiente aos novos desafios.<\/strong><\/p>\n<p>A miss\u00e3o n\u00e3o pode estar subjugada nem amarrada \u00e0 administra\u00e7\u00e3o (burocracia) se n\u00e3o queremos dar continuidade \u00e0 t\u00edpica mentalidade orientada pelo h\u00e1bito da apagada e vil tristeza de n\u00e3o vermos o que est\u00e1 para al\u00e9m das bordas do pr\u00f3prio prato.<\/p>\n<p><strong>Assim deveria ser criado um minist\u00e9rio das Comunidades muito ligado ao MNE, a reparti\u00e7\u00f5es ministeriais de gest\u00e3o, de economia, de finan\u00e7as, de cultura, universidades, turismo e de investimento!<\/strong> (Isto s\u00e3o ideias que j\u00e1 defendia publicamente em \u201cO Emigrante\u201d dos anos 80 ao dar-me conta do desperd\u00edcio de recursos e da falta de racionaliza\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia administrativa na emigra\u00e7\u00e3o! A mesma car\u00eancia de vis\u00e3o constatei ultimamente na reac\u00e7\u00e3o do MNE e Secretaria das Comunidades \u00e0 luta que encabecei pela subsist\u00eancia consular de Frankfurt; a rotina, a perspectiva burocr\u00e1tica e a defesa de interesses de instalados t\u00eam determinado muitas das decis\u00f5es pol\u00edticas e deste modo atrasado o desenvolvimento de Portugal e dos portugueses.)<\/p>\n<p><strong>Continua a ser irrespons\u00e1vel e arcaica uma pol\u00edtica abandonada \u00e0 boa vontade de secret\u00e1rios de Estado das Comunidades que, al\u00e9m da falta de uma pol\u00edtica forte que os apoie, t\u00eam de se acomodar aos maus h\u00e1bitos da casa (burocracia) que dirigem! <\/strong><\/p>\n<p>Em todos os Secret\u00e1rios de Estado que pude observar constatei o seu estado carente de tamb\u00e9m eles serem migrantes na transitoriedade de uma vida pol\u00edtica que os obriga a cobrir a irresponsabilidade pol\u00edtica de um Estado\/Governos que nunca se interessou por delinear uma pol\u00edtica s\u00e9ria para uma vertente t\u00e3o importante como a dos emigrantes e das suas economias.<\/p>\n<p>Na minha observa\u00e7\u00e3o do palco pol\u00edtico e do agir das Secretarias de Estado, durante mais de 30 anos, constatei sempre o mesmo estado prec\u00e1rio desta institui\u00e7\u00e3o que, al\u00e9m de boa vontade e iniciativas passageiras, n\u00e3o deixa nada de duradouro. Um m\u00ednimo de seriedade pol\u00edtica conceptual e program\u00e1tica exigiria um certo interesse por se encarar o problema de fundo. Verifiquei nos anos oitenta, um pouco de interesse de curta dura\u00e7\u00e3o que n\u00e3o passou de meras intens\u00f5es de discuss\u00e3o burocr\u00e1tica! <strong>Uma pol\u00edtica de car\u00e1cter meramente indutiva sem um tecto dedutivo que lhe d\u00ea perspectiva alargada continuar\u00e1 a ser inc\u00f3moda para secret\u00e1rios de Estado e prejudicial para a emigra\u00e7\u00e3o ao desperdi\u00e7ar levianamente os seus recursos e as potencialidades de Portugal.<\/strong> Temos universidades e pessoas de experi\u00eancia que em conjunto poderiam elaborar cen\u00e1rios pol\u00edticos. Os partidos portugueses deveriam abandonar o jogo da cabra cega e do pingue-pongue a que se t\u00eam dedicado em quest\u00f5es de pol\u00edtica de l\u00edngua e de emigra\u00e7\u00e3o para se afirmarem como competentes e ser reconhecidos em servi\u00e7o do povo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a discuss\u00e3o da pol\u00edtica dentro da comunidade portuguesa (falo da Alemanha que conhe\u00e7o melhor) tem sofrido do caracter\u00edstico defeito portugu\u00eas, de se reduzir a vis\u00f5es partid\u00e1rias de perfilha\u00e7\u00e3o e fomento de perfil partid\u00e1rio nada isenta nem equacionada em termos de situa\u00e7\u00e3o e de povo!<\/p>\n<p>O novo minist\u00e9rio poderia criar condi\u00e7\u00f5es para a canaliza\u00e7\u00e3o das remessas para o investimento produtivo em Portugal e contribuir para a inova\u00e7\u00e3o da mentalidade portuguesa no sentido de se fomentar uma cultura de trabalho frutuoso e respons\u00e1vel. A perspectiva dos pa\u00edses lus\u00f3fonos, em que a Lusofonia se tornasse n\u00e3o s\u00f3 o espa\u00e7o do sentimento de perten\u00e7a mas tamb\u00e9m a nova for\u00e7a catalisadora das novas gera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o deveria ser parte acidental da filosofia e pr\u00e1xis de um Minist\u00e9rio das Comunidades e da Lusofonia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Bilinguismo \u2013 A Vantagem de Ser Diferente<\/strong><\/p>\n<p><strong>De crian\u00e7as binacionais a crian\u00e7as interculturais<\/strong><\/p>\n<p>Muitas vezes as crian\u00e7as filhas de imigrantes s\u00e3o intituladas e definidas na subcategoria de <strong>\u201cEstrangeiros\u201d.<\/strong> S\u00e3o, assim, colocadas numa situa\u00e7\u00e3o discriminat\u00f3ria e coerciva entre os outros, a maioria.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o pode fomentar sintomas de fobia e irregularidades na viv\u00eancia do dia a dia. Na minha actividade profissional com crian\u00e7as bilingues conhe\u00e7o casos de recusa e at\u00e9 de mutismo. Referir-me-ei mais a casos relativos ao Portugu\u00eas e Alem\u00e3o, dado ser este o meu campo de ac\u00e7\u00e3o (professor de crian\u00e7as bilingues de origem portuguesa, brasileira ou angolana).<\/p>\n<p>A heterogeneidade demogr\u00e1fica da Alemanha, onde aproximadamente 9% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 estrangeira, deve ser tida mais em conta no processo educativo.<\/p>\n<p>\u00c9 muito importante a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os, de <strong>lugares naturais da l\u00edngua portuguesa<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Casamentos mistos<\/strong><\/p>\n<p><strong>A frequ\u00eancia do Ensino do Portugu\u00eas \u00e9 essencial<\/strong> para o alargamento e complementa\u00e7\u00e3o cultural especialmente para filhos de casamentos mistos. <strong>Os dois p\u00f3los culturais<\/strong> dever\u00e3o ser apreendidos pela crian\u00e7a numa <strong>atmosfera do respeito da rela\u00e7\u00e3o bicultural<\/strong> entre os parceiros. As duas culturas devem tornar-se nas duas traves mestras, <strong>nas duas colunas que suportam o projecto educativo bicultura<\/strong>l. Uma cultura tem caracter\u00edsticas espec\u00edficas que a outra n\u00e3o tem.<\/p>\n<p>Se uma cultura n\u00e3o for bem tratada e bem considerada, a crian\u00e7a poder\u00e1 <strong>mancar pela vida fora envergonhando-se duma parte do seu ser de cidad\u00e3<\/strong>. Por isso se encontram cientistas que problematizam a biculturalidade\/bilinguismo como um conflito a acrescentar no desenvolvimento da crian\u00e7a. Estes defendem que a crian\u00e7a deve ser iniciada apenas numa l\u00edngua materna base para poder adquirir um desenvolvimento m\u00e1ximo da sua personalidade e das suas capacidades lingu\u00edsticas e cognitivas. Estes advers\u00e1rios afirmam que a aprendizagem de duas l\u00ednguas constitui uma exig\u00eancia demasiada para a crian\u00e7a e conduz a um atraso no desenvolvimento de cada uma das l\u00ednguas. Na realidade o desenvolvimento da l\u00edngua \u00e9 individualmente muito vari\u00e1vel. Facto \u00e9 que os bilingues se movimentam dentro do \u00e2mbito da norma. Esta vis\u00e3o \u00e9 j\u00e1 ultrapassada e refutada por uma investiga\u00e7\u00e3o mais s\u00e9ria, a n\u00e3o ser que as duas l\u00ednguas faladas em casa o sejam sem n\u00edvel nem estrutura.<\/p>\n<p>Na literatura sobre bilinguismo domina a opini\u00e3o de que a aprendizagem simult\u00e2nea de duas l\u00ednguas n\u00e3o prejudica a aprendizagem nem a socializa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. As pesquisas mostram que h\u00e1 v\u00e1rios ritmos de aprendizagem dependendo ele de crian\u00e7a para crian\u00e7a independentemente do bilingue ou monolingue. As defici\u00eancias lingu\u00edsticas inerentes \u00e0 aprendizagem recuperam-se no ensino secund\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Experi\u00eancia e Estrat\u00e9gias<\/strong><\/p>\n<p>Em casa a minha esposa fala sempre alem\u00e3o com os filhos e eu falo portugu\u00eas\u2026Assim a crian\u00e7a j\u00e1 se orienta automaticamente: uma pessoa uma l\u00edngua. At\u00e9 \u00e0 entrada no jardim-de-inf\u00e2ncia a crian\u00e7a responde automaticamente em portugu\u00eas ao pai e em alem\u00e3o \u00e0 m\u00e3e. A partir da entrada da crian\u00e7a para o Jardim-de-inf\u00e2ncia s\u00e3o necess\u00e1rias estrat\u00e9gias especiais para que a fala n\u00e3o sofra porque a l\u00edngua dominante tende a excluir a outra. Neste caso pode recorrer-se \u00e0 funcionalidade escolhendo determinados meios onde ela se fale e estrat\u00e9gias. No caso de pais estrangeiros seria normal que em casa se falasse a pr\u00f3pria l\u00edngua ou planear encontros regulares gratificantes onde se fale a l\u00edngua paterna. \u00c9 relevante o falar-se uma l\u00edngua com bom n\u00edvel e rico vocabul\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>O areal cerebral da l\u00edngua materna e paterna<\/strong><\/p>\n<p>Important\u00edssimo \u00e9 que a crian\u00e7a oi\u00e7a e fale as duas l\u00ednguas at\u00e9 aos tr\u00eas anos porque at\u00e9 a\u00ed o c\u00e9rebro elabora um espa\u00e7o espec\u00edfico onde localiza a l\u00edngua materna possibilitando uma diferencia\u00e7\u00e3o e a n\u00e3o interfer\u00eancia das l\u00ednguas. Este sector cerebral da(s) l\u00edngua(s) materna(s) come\u00e7a-se a fechar a partir dos tr\u00eas anos. A Resson\u00e2ncia magn\u00e9tica (MRI) funcional mostra que a partir dos tr\u00eas anos j\u00e1 entram outras partes do c\u00e9rebro para gravar e gerar l\u00edngua. A confronta\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com as duas l\u00ednguas constitui um treino fisiol\u00f3gico do c\u00e9rebro: capacidade da identifica\u00e7\u00e3o da diferenciada fon\u00e9tica, etc. No primeiro ano de vida o beb\u00e9 \u00e9 muito sens\u00edvel \u00e0 melodia e muito receptivo \u00e0 variedade de sons registando-os na malha cerebral onde os sons se registam. A dificuldade que muitas pessoas t\u00eam na exactid\u00e3o da fon\u00e9tica deve-se a ter ouvido esses sons mais tarde.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel a aprendizagem duma terceira l\u00edngua, importante \u00e9 o falante seja original que fale l\u00edngua materna, a l\u00edngua do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>As crian\u00e7as bilingues s\u00e3o mais inteligentes<\/strong><\/p>\n<p>O problema da op\u00e7\u00e3o por uma l\u00edngua materna como ponto de partida vantajoso para a aprendizagem carece de base cient\u00edfica atendendo a que h\u00e1 muitos outros factores que fogem \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas ou melhor, que n\u00e3o s\u00e3o integrados nelas. Muitas crian\u00e7as crescem em meios deficit\u00e1rios a n\u00edvel de l\u00edngua e cultura: emigra\u00e7\u00e3o muitas vezes falando dialecto\u2026<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com monolingues, os bilingues chegam a apresentar maior n\u00edvel de compet\u00eancia social e emocional-cognitiva. As capacidades emp\u00e1ticas e a abertura ao novo tornam-se normalidade.<\/p>\n<p>A actividade cerebral da crian\u00e7a bilingue foi j\u00e1 cedo confrontada com processos mais complexos na sua aprendizagem.<\/p>\n<p>A aprendizagem das duas l\u00ednguas traz muitas vantagens. At\u00e9 aos tr\u00eas anos de idade o c\u00e9rebro da crian\u00e7a \u00e9 como uma esponja, muit\u00edssimo receptivo. A aprendizagem da l\u00edngua transmite n\u00e3o s\u00f3 informa\u00e7\u00f5es, mas sentimentos, cultura e outros conte\u00fados n\u00e3o-verbais. Importante \u00e9 que quem fala a l\u00edngua n\u00e3o fale uma l\u00edngua estrangeira mas uma l\u00edngua do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia regista uma rela\u00e7\u00e3o positiva entre intelig\u00eancia e bilinguismo. Bilingues misturam por vezes os idiomas mas logo que se encontram num <strong>ambiente monolingue j\u00e1 n\u00e3o misturam<\/strong>. Eu mesmo pude observar esse fen\u00f3meno na escola. Problem\u00e1tica \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o daquelas crian\u00e7as que crescem num meio onde se fala uma mistura espont\u00e2nea de duas l\u00ednguas. As crian\u00e7as correm o perigo de semilinguismo n\u00e3o falando nenhuma l\u00edngua bem passando a interfer\u00eancia lingu\u00edstica a ser regra.<\/p>\n<p>Investigadores provaram que bilingues aprendem mais facilmente o ingl\u00eas. Na parte cerebral que elabora a l\u00edngua tamb\u00e9m se encontra o areal cerebral para a mem\u00f3ria do trabalho e o areal para a solu\u00e7\u00e3o de problemas. Com o treino das l\u00ednguas estes areais tamb\u00e9m s\u00e3o treinados. Uma outra vantagem, segundo investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, \u00e9 o facto de bilingues reagirem em menos tempo. \u00c9 muito importante que as crian\u00e7as aprendam as l\u00ednguas brincando.<\/p>\n<p>Necessita-se por isso d<strong>a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os protegidos para a crian\u00e7a onde esta possa experimentar a mais-valia da sua situa\u00e7\u00e3o<\/strong>. N\u00e3o se trata de aprendermos a ser portugueses, brasileiros ou alem\u00e3es, mas de aprendermos a tornar-nos seres humanos abertos.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a e as suas culturas precisam de ser defendidas e positivamente apreciadas pelo ambiente, pormenor a que os educadores dever\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 tamb\u00e9m relevante a posi\u00e7\u00e3o dos pais no que respeita \u00e0s vantagens ou desvantagens da educa\u00e7\u00e3o bicultural. <\/strong>Se um parceiro \u00e9 do parecer que a aprendizagem de duas l\u00ednguas \u00e9 prejudicial \u00e0 crian\u00e7a, esse facto torna-se por ele mesmo um factor negativo da aprendizagem.<\/p>\n<p>O processo educativo \u00e9 um processo de integra\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a a v\u00e1rios n\u00edveis e perspectivas.<\/p>\n<p>Na Alemanha, uma grande percentagem das crian\u00e7as estrangeiras, depois do 9\u00b0 e 10\u00b0 ano, n\u00e3o se encontram preparadas para ingressar numa forma\u00e7\u00e3o profissional, segundo os resultados PISA (Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos). Principalmente as crian\u00e7as turcas que vivem em Getto s\u00e3o as v\u00edtimas da vida familiar e pol\u00edtica vivendo num isolamento em grande parte querido, o que fomenta a exist\u00eancia de sociedades paralelas.<\/p>\n<p>Com os portugueses observa-se o fen\u00f3meno contr\u00e1rio. Assimilam-se sem deixar rasto, o que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 bom. ( O Portugu\u00eas embora consciente de si tem uma tend\u00eancia a considerar o que \u00e9 estrangeiro melhor que o nacional. Isto tem a ver com a experi\u00eancia intercultural e com a tradi\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria de povo sempre obrigado a emigrar. Nesse sentido seria interessante fazer-se um estudo relativamente a maneiras de dizer portuguesas que manifestam um certo antagonismo entre admira\u00e7\u00e3o e menosprezo pelo nacional, e uma consci\u00eancia internacional, como se pode ver em:\u00a0 \u201cVer-se grego\u201d, \u201cisto \u00e9 chin\u00eas\u201d, \u201ctrabalhar como um mouro\u201d, \u201cisso \u00e9 uma americanice\u201d,\u00a0 \u201c\u00e9 como o espanhol\u201d mexe no que n\u00e3o deve,\u00a0 \u201c\u00e9 para ingl\u00eas ver\u201d, \u201cvive \u00e0 grande e \u00e0 francesa\u201d, no regatear \u201c\u00e9 pior que os marroquinos\u201d\u2026E se a coisa corre mal \u201c\u00e9 \u00e0 portuguesa\u201d).<\/p>\n<p>Na Alemanha observa-se contudo grande interesse pela frequ\u00eancia da l\u00edngua materna ao contr\u00e1rio do que acontece na Fran\u00e7a. As pr\u00f3prias crian\u00e7as portuguesas comentam a triste figura que as crian\u00e7as filhas de portugueses residentes na Fran\u00e7a fazem nas f\u00e9rias em Portugal n\u00e3o podendo comunicar na l\u00edngua de seus pais.<\/p>\n<p>Na observa\u00e7\u00e3o da minha actividade com os meus alunos posso dizer que aqueles cujo meio os pais falam o alem\u00e3o em casa ou uma mistura espont\u00e2nea sem m\u00e9todo, esses alunos t\u00eam muita dificuldade em aprender o portugu\u00eas e exprimem-se como se tratasse duma l\u00edngua estrangeira. Alguns t\u00eam dificuldades tamb\u00e9m na disciplina de alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Observei uma constante. Geralmente os pais falam consequentemente o portugu\u00eas em casa enquanto muitas m\u00e3es, a partir do momento em que o filho entra no jardim infantil ou na escola procuram falar alem\u00e3o com os filhos ou mistura. Talvez na tentativa de aperfei\u00e7oarem o seu alem\u00e3o ou at\u00e9 de serem corrigidas. Isto \u00e9 muito problem\u00e1tico. \u00c9 natural que a crian\u00e7a que entra na escola ofere\u00e7a resist\u00eancia e queira falar o alem\u00e3o em casa porque n\u00e3o nota a sua relev\u00e2ncia no meio em que vive.<\/p>\n<p>H\u00e1 crian\u00e7as que se negam a falar a l\u00edngua materna, at\u00e9 ao mutismo. Se a crian\u00e7a recusa falar o portugu\u00eas n\u00e3o a devemos for\u00e7ar. Pai e m\u00e3e deveriam falar com ela s\u00f3 portugu\u00eas.<\/p>\n<p>A sociedade deveria fomentar os recursos que os bilingues trazem.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de associa\u00e7\u00f5es portuguesas como pontos de refer\u00eancia, onde se proporcione o encontro de crian\u00e7as e jovens portugueses \u00e9 uma riqueza a promover. Tamb\u00e9m a promo\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es bilingues e grupos pr\u00e9-escolares onde se promova o interc\u00e2mbio intercultural. A precariedade financeira de iniciativas e projectos deveria ser compensada tamb\u00e9m pelo estado portugu\u00eas e pelos departamentos de cultura, conselhos de estrangeiros, etc.<\/p>\n<p>A melhor altura para a aprendizagem autom\u00e1tica da l\u00edngua e cultura \u00e9 at\u00e9 ao sexto ano de escolaridade. Deve para isso criar-se espa\u00e7os onde ela se aprenda a l\u00edngua portuguesa por imers\u00e3o.<\/p>\n<p>Problema de motiva\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. Neste caso os grupos conscientes consumidores de cultura deveriam iniciar esfor\u00e7os no sentido de criarem espa\u00e7os da l\u00edngua portuguesa integrados por participantes dos pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa. Importante por\u00e9m \u00e9 a possibilita\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a se tornar ela mesma. O incentivo ter\u00e1 que ter em conta a vontade da crian\u00e7a. Se o ambiente \u00e9 natural n\u00e3o haver\u00e1 problemas.<\/p>\n<p>Em Berlim e em Frankfurt Munique h\u00e1 iniciativas (associa\u00e7\u00f5es de brasileiros, portugueses e alem\u00e3es) no sentido de fomentarem uma educa\u00e7\u00e3o bilingue a n\u00edvel pr\u00e9-escolar. Entre m\u00e3es mais novas e conscientes de zonas onde lecciono observo que estas criam iniciativas onde se joga, canta e dan\u00e7a \u00e0 portuguesa. Isto \u00e9 muito importante\u2026<\/p>\n<p><strong>Resumido: <\/strong><\/p>\n<p>Uma educa\u00e7\u00e3o adaptada \u00e0s crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o bicultural ter\u00e1 que ter em conta j\u00e1 antes do nascimento da crian\u00e7a uma preocupa\u00e7\u00e3o especial dos progenitores j\u00e1 antes do seu nascimento. Assim, no caso de casamentos mistos:<\/p>\n<p>Comece-se desde o primeiro momento a falar os dois idiomas segundo o princ\u00edpio: \u201cUma pessoa \u2013 uma l\u00edngua\u201d. Importante n\u00e3o obrigar a crian\u00e7a a falar mas recorrer a processos indirectos de a interessar, n\u00e3o desistindo de falar a l\u00edngua mesmo que a crian\u00e7a se negue a us\u00e1-la.<\/p>\n<p>Important\u00edssimo o aspecto emocional dos representantes das l\u00ednguas no seu dia a dia\u00a0 entre si e com as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>A l\u00edngua falada, diferente da l\u00edngua ambiental geral deve ter espa\u00e7os pr\u00f3prios onde a l\u00edngua falada seja tamb\u00e9m experimentada em ambiente de maioria com as caracter\u00edsticas culturais pr\u00f3prias com o jogo, dan\u00e7as, m\u00fasicas, futebol, filmes, e outras refer\u00eancias culturais.<\/p>\n<p>O prest\u00edgio da l\u00edngua, da cultura \u00e9 determinante para o processo da sua aprendizagem. assimila\u00e7\u00e3o. Aqui tornam-se muito importantes os testemunhos da mesma: o papel dos pais e dos educadores. O car\u00e1cter e rela\u00e7\u00e3o dos multiplicadores ir-se-\u00e1 projectar na maneira como a crian\u00e7a valorizar\u00e1 ou desvalorizar\u00e1 inconscientemente a determinada l\u00edngua ou cultura.<\/p>\n<p>A reac\u00e7\u00e3o apropriada \u00e0 ren\u00fancia duma crian\u00e7a por um determinado idioma deve ser uma atitude compreensiva e uma maior dedica\u00e71bo afectiva \u00e0 crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Mesmo no caso de div\u00f3rcio a crian\u00e7a n\u00e3o deve ser privada dos seus v\u00ednculos culturais e afectivos.<\/p>\n<p>A oferta de duas l\u00ednguas \u00e0 crian\u00e7a desde o princ\u00edpio s\u00e3o factores muito positivos parta o desenvolvimento psicol\u00f3gico e escolar como t\u00eam provado as investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Deve evitar-se um falar mistura das duas l\u00ednguas. Isto conduz ao semilinguismo.<\/p>\n<p>Ler tamb\u00e9m o meu artigo em: <a href=\"http:\/\/blog.comunidades.net\/justo\">http:\/\/blog.comunidades.net\/justo<\/a> ou no www.antonio-justo.eu<\/p>\n<p>PS: A t\u00edtulo de curiosidade apresento o que consta em meios sociais: C<strong>ariz internacionalista do povo portugu\u00eas \u00e9 ineg\u00e1vel.<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Quando um portugu\u00eas tem um grande problema pela frente costuma dizer que&#8230;se v\u00ea grego;<\/p>\n<p>&#8211; Se uma coisa \u00e9 extremamente dif\u00edcil de compreender, ele afirma que&#8230; isso \u00e9 chin\u00eas;<\/p>\n<p>&#8211; Quem trabalha de manh\u00e3 \u00e0 noite&#8230;\u00e9 um mouro de trabalho;<\/p>\n<p>&#8211; Uma inven\u00e7\u00e3o moderna e mais ou menos in\u00fatil&#8230;\u00e9 uma americanice;<\/p>\n<p>&#8211; Quem mexe em alguma coisa que n\u00e3o queira que mexa&#8230;\u00e9 como o espanhol;<\/p>\n<p>&#8211; Quem vive com luxo e ostenta\u00e7\u00e3o&#8230;vive \u00e0 grande e \u00e0 francesa;<\/p>\n<p>&#8211; Se se faz algo para causar boa impress\u00e3o aos outros&#8230;\u00e9 s\u00f3 para ingl\u00eas ver;<\/p>\n<p>&#8211; Se tentas &#8220;regatear&#8221; o pre\u00e7o de alguma coisa&#8230;\u00e9s pior que os marroquinos;<\/p>\n<p>Mas quando algu\u00e9m faz m*r* d* ou alguma coisa corre mal&#8230; diz-se que \u00e9 \u00e0 portuguesa!<\/p>\n<p>Vale a pena continuar a reflectir sobre:<\/p>\n<ul>\n<li>Defini\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as Bilingues<\/li>\n<li>Processos especiais de ensino<\/li>\n<li>Vantagens das crian\u00e7as Bilingues<\/li>\n<li>Desvantagens dos Bilingues<\/li>\n<li>Educa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a bilingue<\/li>\n<li>Que l\u00edngua devem falar os pais com a crian\u00e7a<\/li>\n<li>Processos de inser\u00e7\u00e3o social destas crian\u00e7as<\/li>\n<li>Sucesso e de insucesso escolar destas crian\u00e7as<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Correntes Migrat\u00f3rias<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Antigamente a escravid\u00e3o, hoje a emigra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Emigra\u00e7\u00e3o e colonialismo andam de m\u00e3os dadas, numa Hist\u00f3ria de conquistas, destrui\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. A sociedade produz vencedores e vencidos, ricos e pobres. O territ\u00f3rio de Portugal e Espanha foram primeiramente colonizados pelos Fen\u00edcios, Gregos e Romanos, assumindo at\u00e9 a l\u00edngua dos colonizadores, para mais tarde passarem a ser colonizadores no s\u00e9culo XV e XVI. O desejo de dom\u00ednio e de liberta\u00e7\u00e3o andam de m\u00e3os dadas. A coloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pelas elites e a emigra\u00e7\u00e3o d\u00e1-se no seio do povo! <strong>A pobreza, o clima, as cat\u00e1strofes e a m\u00e1 pol\u00edtica p\u00f5em o povo em marcha no sentido do Norte.<\/strong> O direito de emigrar deve ser um direito humano!<\/p>\n<p>Na emigra\u00e7\u00e3o o povo procura sa\u00eddas da car\u00eancia na busca de melhorar a qualidade de vida. A \u00e2nsia de liberta\u00e7\u00e3o e a demanda de novas oportunidades \u00e9 uma constante na humanidade como vemos j\u00e1 no \u00eaxodo do povo hebreu. Levam consigo costumes, ideias e o gene. Rompem assim as fronteiras de pa\u00edses, ra\u00e7as e culturas.<\/p>\n<p>Quem est\u00e1 bem n\u00e3o abandona a terra; satisfaz o seu esp\u00edrito aventureiro indo de f\u00e9rias ao estrangeiro.<\/p>\n<p>A m\u00e1 pol\u00edtica \u00e9 castigada com a emigra\u00e7\u00e3o. Cada sistema econ\u00f3mico e pol\u00edtico t\u00eam as mesmas estruturas embora com ligeiras adapta\u00e7\u00f5es: Antigamente a escravid\u00e3o, hoje a emigra\u00e7\u00e3o! N\u00e3o conhece mudan\u00e7as qualitativas, apenas quantitativas. A dor e a felicidade n\u00e3o s\u00e3o quantific\u00e1veis, mant\u00eam-se constantes, tal como a elite e o povo!<\/p>\n<p>Na discuss\u00e3o pol\u00edtica, o tema da emigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria ser aproveitado para tirar dele dividendos. Todos os partidos, se forem honestos, ter\u00e3o de confessar o \u201cmea culpa\u201d em vez de atirarem pedradas aos telhados dos outros. <strong>A emigra\u00e7\u00e3o por necessidade \u00e9 a grande calamidade dos nossos tempos,<\/strong> tal com outrora a escravid\u00e3o e a servid\u00e3o. S\u00f3 uma discuss\u00e3o acad\u00e9mica distante poder\u00e1 ignorar as trag\u00e9dias humanas que se escondem sob o rosto levantado duma casa constru\u00edda na terra para os da terra. Sa\u00edram sem casa e morrem longe da casa e da terra.<\/p>\n<p>Os factores de emigra\u00e7\u00e3o s\u00e3o complexos e os problemas humanos que ela encobre tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Discurso sobre Emigra\u00e7\u00e3o com Diferentes Conota\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas<\/strong><\/p>\n<p>Nos media em Portugal discrimina-se o falar da emigra\u00e7\u00e3o conotando a primeira como do \u201cpopulacho\u201d e a de agora como acad\u00e9mica, como se com isso a palavra emigra\u00e7\u00e3o da atualidade (acad\u00e9mica) n\u00e3o passasse de um eufemismo. Portugal sempre foi hip\u00f3crita no trato das quest\u00f5es de emigra\u00e7\u00e3o. A m\u00e1 consci\u00eancia da na\u00e7\u00e3o, a inveja de muitos e a irresponsabilidade pol\u00edtica que v\u00ea saldadas muitas d\u00edvidas do Estado com as remessas dos emigrantes, t\u00eam o descaramento de conduzir um discurso leviano e enganador falando das diferen\u00e7as entre a emigra\u00e7\u00e3o dos anos 60\/70 e as de hoje, <strong>como se a emigra\u00e7\u00e3o de ontem fosse uma emigra\u00e7\u00e3o de necessidade e a de hoje uma emigra\u00e7\u00e3o de liberdade.<\/strong> Como se os erros de ontem desculpassem os mesmos erros de hoje. Vive-se dum discurso abusador dos emigrantes, entre miserabilismo e eufemismo. <strong>O perfil dos novos emigrantes comunga da mesma realidade do dos anos 60\/70: a necessidade.<\/strong> Usam-se argumentos de mau pagador e confundem-se alhos com bugalhos ao colocar-se no mesmo panel\u00e3o emigrantes, luso descendentes, funcion\u00e1rios do estado e contratados especiais de universidades ou de grandes empresas! O Portugal progressista parece s\u00f3 conhecer especialistas que saem do pa\u00eds!&#8230; Os emigrantes (Auswanderer) da Alemanha em Portugal s\u00e3o tamb\u00e9m eles emigrantes \/imigrantes, s\u00f3 que com um outro estatuto, que n\u00e3o o dos emigrantes portugueses. N\u00e3o foi a necessidade econ\u00f3mica mas a mais valias do lazer, de sol e do cora\u00e7\u00e3o portugu\u00eas que os levou a ir para Portugal gozar da sua reforma, no entardecer da sua vida. Na Alemanha quando a opini\u00e3o p\u00fablica fala dos seus emigrantes, f\u00e1-lo manifestando pesar. Pesar por ter alimentado e formado os seus cidad\u00e3os e os ver sair, quando deveriam ficar para produzir para a na\u00e7\u00e3o. <strong>Na Alemanha, em assuntos de emigra\u00e7\u00e3o, assiste-se a um discurso de cidadania e de interesses de povo quando em Portugal (nos ambientes oficiais) se fala n\u00e3o de cidad\u00e3os mas de emigrantes de cara suja e de emigrantes de cara lavada!<\/strong><\/p>\n<p>Aos acomodados do sistema, \u00e9-lhe inc\u00f3moda a tecla da necessidade e da m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o, mas muitos dos que falam com eufemismos sobre a emigra\u00e7\u00e3o de hoje, s\u00e3o aqueles que se ganham bons honor\u00e1rios em projectos e semin\u00e1rios blablabla para ou sobre emigrantes. O ide\u00e1rio portugu\u00eas sobre os emigrantes desmascara-se a si mesmo quando, emigrantes de hoje, se sentem na necessidade de se distanciarem dos seus antigos companheiros de destino, afirmando que t\u00eam melhores qualifica\u00e7\u00f5es que os de ontem, quando, em grande partem v\u00eam substituir os emigrantes de ontem nos mesmos trabalhos. Antigamente respondia-se \u201cn\u00e3o v\u00e1 o sapateiro al\u00e9m da chinela\u201d; em linguagem mais democr\u00e1tica talvez seja mais adequado dizer-se: n\u00e3o v\u00e1 a chinela al\u00e9m do sapateiro. Os nossos emigrantes hoje, como ontem, s\u00e3o vulner\u00e1veis no mercado de trabalho. N\u00e3o falo naturalmente dos destacados do estado e de muitos da segunda e terceira gera\u00e7\u00e3o integrados na vida social do pa\u00eds de imigra\u00e7\u00e3o. A ilus\u00e3o e a miopia impedem-nos de reconhecer a realidade prec\u00e1ria em que se encontram.<\/p>\n<p>\u00c9 uma dor de alma assistir-se ao esvaziamento de Portugal. O esfor\u00e7o de Portugal feito na forma\u00e7\u00e3o escolar n\u00e3o \u00e9 eficiente se ao mesmo tempo n\u00e3o cria lugares de emprego que lhes d\u00ea sa\u00edda para a vida. \u00c9 verdade que o ensino universit\u00e1rio em Portugal duplicou nos \u00faltimos dez anos sem que o mercado de trabalho lhes d\u00ea sa\u00edda. V\u00e3o ent\u00e3o para o estrangeiro ocupar lugares, as mais das vezes n\u00e3o correspondentes \u00e0 sua qualifica\u00e7\u00e3o. <strong>O contribuinte pagou a sua forma\u00e7\u00e3o e v\u00ea-o sair para ir enriquecer outras economias.<\/strong> H\u00e1 alguns acad\u00e9micos altamente qualificados que s\u00e3o contratados pelo estrangeiro como fazem grandes empresas internacionais junto das universidades dos v\u00e1rios pa\u00edses. Seriam necess\u00e1rios pactos entre universidades nacionais e estrangeiras, entre universidades e empresas nacionais e estrangeiras para que Portugal n\u00e3o s\u00f3 exporte m\u00e3o-de-obra mas tenha contrapartidas. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para projectos profissionais nem familiares. Os finalistas de cursos ficam \u00e0 deriva. A situa\u00e7\u00e3o obriga, a necessidade manda e cada qual safe-se como puder.<\/p>\n<p><strong>A emigra\u00e7\u00e3o, para pa\u00edses de express\u00e3o portuguesa, deveria ter prioridade alta para o pa\u00eds de envio e de acolhimento.<\/strong> O portugu\u00eas \u00e9 dos poucos povos no mundo que mais se adapta e integra no pa\u00eds de acolhimento, sem criar problemas.<\/p>\n<p><strong>Atacar a emigra\u00e7\u00e3o de ontem e justificar a de hoje \u00e9 cumplicidade com os exploradores do povo.<\/strong> Demagogos da palavra deveriam apostar menos no orgulho balofo colectivo para apostar no orgulho da produ\u00e7\u00e3o colectiva e individual da na\u00e7\u00e3o. Precisa-se dum portuguesismo de obras e n\u00e3o apenas de garganta empertigada. O orgulho nacional \u00e9, de facto, o pouco que ainda resta a muitos que, para desviarem a vista de si mesmos, olham para a incompet\u00eancia pol\u00edtica nacional com um sentimento indeciso de saudade masoquista!<\/p>\n<p>Uma mudan\u00e7a de paradigma face \u00e0 di\u00e1spora portuguesa n\u00e3o se alcan\u00e7a com medidas centradas apenas em aspectos estat\u00edsticos, como \u00e9 o caso do Observat\u00f3rio da Emigra\u00e7\u00e3o para informar sobre fluxos migrat\u00f3rios, de semin\u00e1rios de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, de iniciativas formativas\/informativas e de sensibiliza\u00e7\u00e3o, por vezes mais preocupadas em aplicar fundos da Uni\u00e3o Europeia e em dar ajudas de custo aos soldados do partido. Os dinheiros bem aplicados no apoio a associa\u00e7\u00f5es seriam mais rent\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Estrangeiros que deram tudo em troca de nada<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o volunt\u00e1rios da paz a dar-lhe um rosto, a construir identidade! Saem da terra com um sonho diferente de se tornarem companheiros ao servi\u00e7o do pr\u00f3ximo. Deixam os apetrechos religiosos e o teatro sacral para se tornarem irm\u00e3os. Querem partilhar a riqueza da sua vida com os mais pobres, participar com eles a mensagem da fraternidade porque todo o mundo \u00e9 portador do mesmo gene divino que torna todos irm\u00e3os e lhes d\u00e1 a dignidade divina. Todos somos estrangeiros, peregrinos de Deus, entre o aqui e o al\u00e9m, a construir uma nova ordem mundial.<\/p>\n<p>Mission\u00e1rios s\u00e3o estrangeiros diferentes porque o s\u00e3o por voca\u00e7\u00e3o, pessoas extraordin\u00e1rias, sem propriedade, que onde passam deixam pegadas, de uma luz distinta. Uma luz, uma voz a apontar para a justi\u00e7a global.<\/p>\n<p>Abandonam terras e haveres, pai e m\u00e3e, para se tornarem embaixadores de Cristo e das terras de Portugal. Eles transmitem aquela parte mais genu\u00edna, que \u00e9 o esp\u00edrito, que deu o ser a Portugal. S\u00e3o transmissores de identidade! \u201cS\u00e3o homens que deram e continuam a dar tudo em troca de nada. Em vez de ag\u00eancias bancarias, abrem escolas, orfanatos, hospitais e igrejas para ensinarem aos homens a Paz do Esp\u00edrito\u201d, como testemunha Jo\u00e3o Heitor. Todo o Portugu\u00eas, filho da nacionalidade, se encontra \u00e0 descoberta de um tesouro enterrado no campo vizinho onde tamb\u00e9m Deus se encontra enterrado.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es religiosas na emigra\u00e7\u00e3o t\u00eam sido negligentes em termos de inova\u00e7\u00e3o; est\u00e3o como as institui\u00e7\u00f5es oficiais amarradas aos h\u00e1bitos de uma sociedade im\u00f3vel descurando a miss\u00e3o pentecostal. Os assistentes sociais da Caritas e em parte as miss\u00f5es cat\u00f3licas contribu\u00edram muito para a implementa\u00e7\u00e3o do ide\u00e1rio do 25 de Abril na emigra\u00e7\u00e3o; muitos dos centros da Caritas serviam de base para a organiza\u00e7\u00e3o e fortalecimento da rede da esquerda. Os partidos da direita n\u00e3o se socorreram de tal estrat\u00e9gia porque s\u00e3o mais c\u00f3modos e desinteressados pelo que acontece na sociedade; por isso n\u00e3o produz activistas como a esquerda. Partidos de Esquerda e da Direita deparam por\u00e9m com o desinteresse social das massas. Tamb\u00e9m por isso n\u00e3o conseguem aparecer nos lugares p\u00fablicos da Alemanha ao contr\u00e1rio do que acontece com os turcos. Estes souberam inteligentemente aproveitar-se dos partidos da esquerda para subirem na escala social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Historial e Situa\u00e7\u00e3o do Ensino de Portugu\u00eas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Exemplo da Luta dos Professores no Ensino da LP: uma Palestra<\/strong><\/p>\n<p>Confer\u00eancia que fiz aos professores de ELP reunidos na Ac\u00e7\u00e3o de Forma\u00e7\u00e3o Cont\u00ednua do ME, em Oberursel a 8.11.2000:<\/p>\n<p>Dado haver bastantes colegas novos presentes neste semin\u00e1rio e pelo facto de haver muita desinforma\u00e7\u00e3o quanto ao ensino de\u00a0 portugu\u00eas na alemanha vou dar uma vis\u00e3o do mesmo a partir de dentro, dado o ter acompanhado activamente ao longo destes \u00faltimos 20 anos. Aqui vou falar do ensino mais sob a perspectiva\u00a0 do professorado, consciente\u00a0 de que a qualidade do mesmo tamb\u00e9m passa pelos seu agentes e que a regulamenta\u00e7\u00e3o do ensino de 1998 veio criar um clima de insatisfa\u00e7\u00e3o e de inseguran\u00e7a geral envolvendo no processo tamb\u00e9m associa\u00e7\u00f5es de pais e outros parceiros.<\/p>\n<p><strong>Enquadramento legal do Ensino de L\u00edngua e Cultura Portuguesas (ELCP)<\/strong><\/p>\n<p>O Estado Portugu\u00eas assume a responsabilidade do ensino da L\u00edngua e Cultura Portuguesas para com os descendentes de fam\u00edlias emigradas portuguesas (cf. CRP artigos 74\u00b0, al\u00ednea h e 78\u00b0, al\u00ednea d). Esta modalidade especial foi definida pela Lei de Bases do Sistema Educativo-Lei n\u00b046\/86de 14.10, Art\u00b01\u00b0, Ponto 4 e Artigos 16\u00b0 e 22\u00b0- e regulamentada pela Lei n\u00b0 74\/77 de 28. 09<\/p>\n<p>Na Alemanha a L\u00edngua Materna est\u00e1 sujeita a diversas regulamenta\u00e7\u00f5es dado o ensino ser da compet\u00eancia dos estados Federados e n\u00e3o do Estado Federal. Assim h\u00e1 estados que delegam a responsabilidade do ensino ao estado portugu\u00eas em algumas zonas das \u00e1reas consulares portuguesas de Hamburgo e em Estugarda. Os respectivos governos alem\u00e3es contribuem com um subs\u00eddio para o estado portugu\u00eas e disponibilizando as salas de aula. Nos estados federados do Hesse, da Ren\u00e2nia-Palatinado, da Ren\u00e2nia do Norte e Vestef\u00e1lia (RNW), da Baixa-Sax\u00f3nia e parte da Baviera o ensino est\u00e1 a cargo dos respectivos estados alem\u00e3es. J\u00e1 em 1968 a RNW assumia a responsabilidade da L\u00edngua Materna atrav\u00e9s do Despacho -III A 36.6 &#8211; Nr.4084 de 18.07.1968.<\/p>\n<p>Como a Alemanha n\u00e3o ratificou o acordo de reconhecimento de habilita\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Europeia, os professores sob a depend\u00eancia alem\u00e3 s\u00e3o colocados no m\u00e1ximo na tarifa BAT 4a (Contrato Colectivo de Trabalho dos Empregados do Estado Alem\u00e3o) e da qual n\u00e3o passam, significando isto, um vencimento muito inferior em rela\u00e7\u00e3o aos professores alem\u00e3es e ao vencimento que o professor receberia se fosse pago por Portugal. (De notar que a esmagadora maioria do professorado de L\u00edngua Materna (turcos) n\u00e3o tinha forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria mas sim forma\u00e7\u00e3o profissional).<\/p>\n<p>Para complicar ainda mais a quest\u00e3o desde 1998 o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o Portugu\u00eas (ME) deixou de ter em considera\u00e7\u00e3o o caso espec\u00edfico alem\u00e3o criando uma discrimina\u00e7\u00e3o entre professores.<\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o do Ensino at\u00e9 1998<\/strong><\/p>\n<p><strong>Primeiros passos na estrutura\u00e7\u00e3o do ensino<\/strong><\/p>\n<p>A emigra\u00e7\u00e3o portuguesa para a RFA come\u00e7ou a aumentar desde o in\u00edcio dos anos 60 at\u00e9 meados dos anos 70.<\/p>\n<p><strong>O ensino de portugu\u00eas nasce a princ\u00edpio da iniciativa de associa\u00e7\u00f5es e das Miss\u00f5es Cat\u00f3licas sem regulamenta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e da iniciativa das autoridades escolares alem\u00e3s <\/strong>ao verem-se confrontadas com o problema de muitos estrangeiros inscritos nas escolas mas sem saberem alem\u00e3o. Os estados federados confrontados com a enorme aflu\u00eancia de alunos estrangeiros e para evitar a influ\u00eancia de estados n\u00e3o democr\u00e1ticos (ditatoriais e para melhor poder interferir no processo educativo dos alunos estrangeiros organiza o ensino nalguns estados duma forma integrada (aulas com professores alem\u00e3es e de L\u00edngua Materna (LM)) ou com ensino paralelo de LM \u00e0 tarde. Mais tarde generaliza-se o ensino paralelo, apenas como ensino de LM. Nalgumas escolas este ensino era integrado no hor\u00e1rio escolar alem\u00e3o matinal. Com o tempo come\u00e7ou a ser ministrado s\u00f3 de tarde, com um hor\u00e1rio de 6 tempos semanais. Isto para evitar que alunos estrangeiros fossem dispensados de aulas alem\u00e3s, como, nata\u00e7\u00e3o e de outras disciplinas, ou porque pertencendo os alunos a diversas turmas e diferentes anos era imposs\u00edvel uma organiza\u00e7\u00e3o rent\u00e1vel e ordenada.<\/p>\n<p>As entidades alem\u00e3s dos estados, Baixa Sax\u00f3nia, Ren\u00e2nia do Norte Vestef\u00e1lia (1968), Hesse e Baviera come\u00e7am por contratar professores dos pa\u00edses de origem dos alunos. As Miss\u00f5es Cat\u00f3licas e as Associa\u00e7\u00f5es de portugueses fazem press\u00e3o perante as autoridades portuguesas para que enviem professores. Portugal reage \u00e0s necessidades dos emigrantes publicando o Decreto-Lei 48944\/69, de 28 de Mar\u00e7o, que deu origem \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Ensino de L\u00edngua Materna na Alemanha, sendo os primeiros professores enviados atrav\u00e9s do Instituto de Alta Cultura em 1970.Estes professores, tiveram de assinar um contrato de trabalho com os governos federados e come\u00e7aram por leccionar todas as disciplinas do Ensino Prim\u00e1rio com excep\u00e7\u00e3o da l\u00edngua alem\u00e3: eram as chamadas &#8220;classes preparat\u00f3rias&#8221; destinadas a integrar, de futuro, os alunos estrangeiros (neste caso portugueses) nas turmas alem\u00e3s. Dado que o ensino s\u00f3 n\u00e3o estava organizado em Hamburgo e em Estugarda, Portugal ocupa-se da sua cria\u00e7\u00e3o nestes e passa a colaborar com os estados em que o ensino j\u00e1 estava organizado pelos alem\u00e3es.<\/p>\n<p>Mais tarde, os estados passaram \u00e0 modalidade do Ensino Complementar da L\u00edngua Portuguesa (no Hesse obrigat\u00f3rio, noutros estados como ensino facultativo); os professores de portugu\u00eas\u00a0 passaram assim a leccionar os cursos do Ensino de L\u00edngua e Cultura Portuguesas (ELCP), integrados no sistema escolar alem\u00e3o, como ensino complementar paralelo. A legisla\u00e7\u00e3o portuguesa s\u00f3 vem a dar resposta mais cabal ao problema em 1979 com a publica\u00e7\u00e3o do Dec. Lei 519-E\/79. Anteriormente ao Dec. Lei 519, os professores eram contratados localmente em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia e necessidade sendo chamados pelos consulados portugueses, dentro de determinados crit\u00e9rios para exercerem o ensino junto das diferentes comunidades portuguesas conforme o previsto pela Lei no. 74\/77 de 28 de Setembro independentemente de serem profissionalizados ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto cria-se o Servi\u00e7o do Ensino B\u00e1sico no Estrangeiro (SEBE) em Lisboa seguindo-se-lhe o SEBSPE (Servi\u00e7o de Ensino B\u00e1sico e Secund\u00e1rio Portugu\u00eas no Estrangeiro), para dar resposta \u00e0 nova legisla\u00e7\u00e3o e \u00e0s exig\u00eancias surgidas. Esta institui\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a realizar concursos a partir de 1980, para o Ensino do Portugu\u00eas no Estrangeiro. <strong>Os professores concorriam para a Alemanha por \u00e1reas consulares, sem saberem que lugares iriam ocupar e sem conhecerem a organiza\u00e7\u00e3o do ensino nos diversos Estados Federados. Os professores colocados em cursos de administra\u00e7\u00e3o portuguesa passaram a ter uma tabela de vencimento muito superior \u00e0 dos colocados nos cursos de administra\u00e7\u00e3o alem\u00e3. Para diminuir a situa\u00e7\u00e3o discriminat\u00f3ria e injusta entre os professores das duas administra\u00e7\u00f5es, o ME passou a pagar, a partir de 1981 um complemento de vencimento aos professores em exerc\u00edcio nos cursos de corresponsabilidade luso-alem\u00e3. <\/strong><\/p>\n<p>Com efeito, antes da cria\u00e7\u00e3o dos SEBE e dos SEBSPE (hoje DEB\/NEPE) n\u00e3o existiam quaisquer estruturas de apoio para o ensino no estrangeiro. Os professores eram nomeados sob proposta dos Consulados com a devida aprova\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o MEIC.<\/p>\n<p>Estes s\u00f3 viram a sua situa\u00e7\u00e3o em parte regularizada em 1979, \u00a0por despacho de 28\/3\/79 ao abrigo do Artigo 11\u00b0 da Lei N\u00b0. 74 de 28\/9\/77. Ainda n\u00e3o estava por\u00e9m resolvida a quest\u00e3o da vincula\u00e7\u00e3o ao MEIC nem o direito a concurso conforme os decretos Lei no. 15\/79 e 193 -c\/80. <strong>N\u00e3o h\u00e1 um conceito, nem uma pol\u00edtica definidora do Ensino de LM.\u00a0 O Ensino de Portugu\u00eas no Estrangeiro (EPE) tem estado e est\u00e1 abandonado \u00e0s leis das circunst\u00e2ncias e da administra\u00e7\u00e3o, em mera atitude de reac\u00e7\u00e3o, andando sempre atr\u00e1s do acontecimento.<\/strong><\/p>\n<p>Os professores encontram-se muito isolados, sem interc\u00e2mbio pedag\u00f3gico e sem material para este tipo espec\u00edfico de ensino. Surgem ent\u00e3o iniciativas de professores tendentes a dar resposta \u00e1 nova situa\u00e7\u00e3o de ensino vivida<strong>. Em 1981, os docentes organizam-se por grupos de trabalho<\/strong>, em v\u00e1rias \u00e1reas consulares, muitas vezes a expensas pr\u00f3prias e em certos casos afrentando a resist\u00eancia do consulado onde os professores se queriam reunir aos S\u00e1bados. A t\u00edtulo de exemplo refiro a situa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea consular de Francoforte em que eu mesmo participei activamente. Aqui em 1981 constitu\u00edmos os seguintes grupos de professores: Grupo A encarregado da <strong>\u00e1rea Pedag\u00f3gica e did\u00e1ctica<\/strong> &#8211; ocupa-se do aferimento das did\u00e1cticas de ensino \u00e0 nova realidade e situa\u00e7\u00e3o, dedica-se \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de unidades did\u00e1cticas e \u00e0 troca de materiais e de experi\u00eancias de ensino; surge ent\u00e3o a exig\u00eancia da cria\u00e7\u00e3o de n\u00facleos pedag\u00f3gicos e dos SARE com compet\u00eancias pr\u00f3prias, etc.; Grupo B encarregado da <strong>\u00e1rea de<\/strong> <strong>Cultura e Recreio<\/strong> &#8211; centra os seus esfor\u00e7os no fomento de interc\u00e2mbio entre professores e de actividades nas comunidades portuguesas e nas escolas; Grupo C encarrega-se das <strong>quest\u00f5es administrativas <\/strong>&#8211; defini\u00e7\u00e3o do perfil de docente para a emigra\u00e7\u00e3o, regulariza\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o profissional, complementa\u00e7\u00e3o de vencimento, cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculo ao ME portugu\u00eas, profissionaliza\u00e7\u00e3o em exerc\u00edcio e elabora\u00e7\u00e3o de exig\u00eancias perante os governos federados alem\u00e3es, organiza\u00e7\u00e3o de novos cursos, etc. A administra\u00e7\u00e3o luso-alem\u00e3 come\u00e7am a colaborar conjuntamente com professores e peritos pr\u00f3prios, na elabora\u00e7\u00e3o de materiais.<\/p>\n<p>O trabalho em conjunto dos professores levou o ME a reconhecer o direito de vincula\u00e7\u00e3o dupla mesmo para os professores n\u00e3o profissionalizados com aptid\u00e3o pr\u00f3pria que passaram a ter direito \u00e0 complementa\u00e7\u00e3o introduzida em 1981. Esta complementa\u00e7\u00e3o foi adquirida com o apoio do provedor da justi\u00e7a para que as diferen\u00e7as de vencimento entre os professores a cargo dos estados alem\u00e3es e os prof. a cargo do governo portugu\u00eas\u00a0 n\u00e3o fossem t\u00e3o discriminat\u00f3rias. (j\u00e1 que a n\u00edvel de hor\u00e1rios os professores pagos por Portugal tinham uma carga hor\u00e1ria de 22 tempos lectivos semanais e os de responsabilidade alem\u00e3 tinham uma carga hor\u00e1ria de 28 \/29 tempos al\u00e9m do dever de participarem nas &#8220;confer\u00eancias&#8221; escolares alem\u00e3s). Al\u00e9m disto o professorado conseguiu a possibilidade de profissionaliza\u00e7\u00e3o em exerc\u00edcio alcan\u00e7ada em 1992\/93, passando um grande n\u00famero de professores a ser professores efectivos adquirindo assim o direito a concorrer para uma escola em Portugal.<\/p>\n<p>Acordos bilaterais procuram dar resposta a uma situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica alem\u00e3 ficando a LM conforme os estados, sob diferentes compet\u00eancias: alem\u00e3, portuguesa ou luso-alem\u00e3. Dado a dispers\u00e3o das comunidades portuguesas, especialmente em zonas rurais ou cidades pequenas, fundam-se cursos de LM numa escola central alem\u00e3. Alunos, provenientes de v\u00e1rias escolas, deslocam-se de suas terras que ficam, por vezes, a 20 e mais quil\u00f3metros para poderem frequentar um curso de portugu\u00eas dado a cria\u00e7\u00e3o dum curso depender de um n\u00famero m\u00ednimo de alunos (24 no caso do Hesse). Salvo o caso de grandes cidades, os cursos s\u00e3o muito heterog\u00e9neos, abrangendo n\u00e3o raramente grupos do 1\u00b0 ao 10\u00b0 ano com um hor\u00e1rio de 6 horas semanais (segundo a nova lei, no caso de reestrutura\u00e7\u00e3o dos cursos o hor\u00e1rio passar\u00e1 para 3 horas lectivas). Os professores por quest\u00f5es de rentabilidade, passaram, por vezes a subdividir os cursos em subgrupos.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 1998 havia na Alemanha cinco categorias de professores distribu\u00eddos por tr\u00eas zonas de influ\u00eancia:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1- Zonas de contrata\u00e7\u00e3o s\u00f3 portuguesa <\/strong><\/p>\n<p>Em partes das \u00e1reas consulares portuguesas de Hamburgo e em Estugarda os governos alem\u00e3es pagam directamente um subs\u00eddio ao estado portugu\u00eas, deixando a responsabilidade do mesmo a Portugal. Aqui, lecciona um ter\u00e7o dos professores da RFA. Cerca de 50 % s\u00e3o efectivos e os restantes s\u00e3o contratados localmente pelo estado portugu\u00eas. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante \u00e0 do Ensino de Portugu\u00eas noutros pa\u00edses. Aqui a situa\u00e7\u00e3o dos professores mantem-se igual ap\u00f3s o concurso de 1998.<\/p>\n<p>Aqui h\u00e1 duas categorias de professores:<\/p>\n<ul>\n<li>Professores requisitados, pertencentes ao Quadro de Nomea\u00e7\u00e3o Definitiva, pagos por Portugal (DEB)<\/li>\n<li>Professores contratados localmente pelo ME e pagos pelo ME<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>2- Zonas de contrata\u00e7\u00e3o bilateral luso-alem\u00e3<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Nos estados federados de Ren\u00e2nia do Norte e Vestef\u00e1lia (RNV), Baixa-Sax\u00f3nia (BS), Hesse (H), Ren\u00e2nia-Palatinado e parte da Baviera at\u00e9 1998 os professores eram colocados em regime de requisi\u00e7\u00e3o ou de contrata\u00e7\u00e3o ao abrigo do Decreto-Lei 519 E\/79 de 28 de Dezembro &#8211; revogado pelo Regime Jur\u00eddico, o Decreto-Lei N\u00b0. 13\/98 de 24. As autoridades escolares alem\u00e3es destas regi\u00f5es mant\u00eam a responsabilidade e controlo sobre o ensino, pelo que exigem que os professores propostos por Portugal (governos estrangeiros) assinem contractos sendo empregados dos estados alem\u00e3es conforme o BAT dos empregados do estado alem\u00e3o. Dado a tarifa BAT 4a corresponder a um pagamento muito inferior ao dos professores alem\u00e3es, as entidades alem\u00e3s sugeriam que os pa\u00edses mandat\u00e1rios poderiam conceder um abono (&#8220;Zuschu\u00df&#8221;) aos professores. Nestas zonas, havia as seguintes categorias de professores:<\/p>\n<ul>\n<li>Professores pertencentes ao Quadro de Nomea\u00e7\u00e3o Definitiva, enviados pelo ME, em resultado de concursos, na situa\u00e7\u00e3o de requisitados e empregados dos estados alem\u00e3es atrav\u00e9s de contrato, e por estes pagos segundo a tarifa BAT 4 e com complementa\u00e7\u00e3o feita pelo ME para se aproximar do vencimento previsto para os professores no estrangeiro segundo a tabela de remunera\u00e7\u00e3o (anualmente publicada no Di\u00e1rio da Rep\u00fablica) dos docentes, correspondente ao escal\u00e3o a que pertenciam. Eram portanto professores com v\u00ednculo contratual duplo baseado em acordos bilaterais. De dois em dois anos participavam em concurso espec\u00edfico para o estrangeiro, regulado por despacho do SEAM e que apresentava duas fases: coloca\u00e7\u00e3o e recondu\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Professores n\u00e3o pertencentes ao Quadro de Nomea\u00e7\u00e3o Definitiva, contratados pelo ME, em resultado de concurso acima referido, na situa\u00e7\u00e3o de contratados pelo ME e empregados dos estados alem\u00e3es, sendo remunerados por estes segundo a tarifa BAT 4 e complementados pelo ME segundo a tabela de remunera\u00e7\u00e3o dos docentes. Eram professores com v\u00ednculo contratual duplo baseado em acordos bilaterais, colocados pelo ME atrav\u00e9s de concurso bienal para o Ensino de Portugu\u00eas no Estrangeiro(EPE), regulado por despacho do SEAM e na situa\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-carreira. A sua remunera\u00e7\u00e3o principal era feita pela entidade alem\u00e3 segundo a tarifa BAT 4. (Esta era a minha situa\u00e7\u00e3o).Todos estes professores, quer requisitados, quer contratados localmente, tinham v\u00ednculo a Portugal e \u00e0 Alemanha; todos eles tiveram obrigatoriamente de assinar contrato de trabalho com as entidades alem\u00e3s, antes de poderem iniciar as suas fun\u00e7\u00f5es, ao abrigo do Dec.Lei 519-E\/79.<\/li>\n<li>Nestas zonas havia tamb\u00e9m alguns cursos de responsabilidade s\u00f3 alem\u00e3. Nestes leccionavam professores contratados apenas pelos estados federados, sem v\u00ednculo a Portugal e sem complementa\u00e7\u00e3o de vencimento, com contrato segundo o BAT (Contrato Colectivo de Trabalho de Empregados do Estado Alem\u00e3o). Estes, com o tempo, diminu\u00edram bastante.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Todos os professores acima referidos n\u00e3o estavam sujeitos a rota\u00e7\u00e3o dado ter sido colocada em regime de requisi\u00e7\u00e3o ou de contrata\u00e7\u00e3o dupla e ao abrigo do Decreto-Lei n\u00b0 519-E\/79, de 28.10.<\/p>\n<p>As autoridades alem\u00e3s empregam os professores, sendo estes propostos pelo consulado\/embaixada. A condi\u00e7\u00e3o que a entidade alem\u00e3 p\u00f5e \u00e9 que estes sejam profissionalizados ou tenham a qualifica\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria para o ensino em Portugal e que dominem bem a l\u00edngua alem\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o do Ensino a partir do Concurso de 1998<\/strong><\/p>\n<p>Em 1997\/98 havia na RFA 180 cursos lecionados por cerca de 120 professores: 1\/3 destes cursos eram da inteira responsabilidade portuguesa. Os cursos mistos, a cargo dos 2 estados, constitu\u00edam a maioria dos cursos na RFA e s\u00f3 um pequeno n\u00famero de professores se encontrava a cargo exclusivo dos estados federados.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o de 98 com o regulamento do concurso para o Ensino de Portugu\u00eas no Estrangeiro (EPE) n\u00e3o contempla o caso alem\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de corresponsabilidade das entidades luso-alem\u00e3s nem respeita os acordos bilaterais, nem o contrato colectivo de trabalho de empregados do estado alem\u00e3o a que est\u00e3o vinculados os professores e ignora simplesmente a situa\u00e7\u00e3o legal criada pelo 519 que admitiu a vincula\u00e7\u00e3o aos dois Estados mesmo no caso de os professores n\u00e3o pertencerem ao quadro&#8230; O concurso de 98, a ser cumprido, obrigaria os professores al\u00e9m do mais, a infringir a legisla\u00e7\u00e3o (BAT) que os vincula ao estado alem\u00e3o.<\/p>\n<p>O Dec- Lei. n\u00b0. 13\/98 e especialmente\u00a0 o regulamento do concurso de 98 n\u00e3o contemplam para efeitos de concurso todos os lugares sob a responsabilidade directa alem\u00e3 nem os de co-responsabilidade luso-alem\u00e3. Assim dos 120 lugares existentes o ME s\u00f3 considera para efeitos de concurso 39 lugares vagos. Deste modo Portugal desresponsabiliza-se em 1998 de dois ter\u00e7os do professorado, ciente de que se os professores de v\u00ednculo duplo concorressem para outras vagas incorreriam contra a lei do prazo de despedimento (BAT), deixariam as zonas abandonadas sem aulas dando oportunidade aos governos alem\u00e3es de ao colocarem novos professores procederam \u00e0 racionaliza\u00e7\u00e3o dos lugares e extin\u00e7\u00e3o de cursos. Nas zonas de contrata\u00e7\u00e3o directa portuguesa d\u00e1-se a possibilidade de os professores concorrerem para os lugares que anteriormente ocupavam.<\/p>\n<p>Em 1998 o Decreto-Lei n\u00b0 13\/98 ao revogar o 519 deu azo a que os cursos de co-responsabilidade luso-alem\u00e3 n\u00e3o viessem a concurso reduzindo-se para 50 % o quadro docente com v\u00ednculo a Portugal ao excluir do Concurso os lugares de corresponsabilidade luso-alem\u00e3. Assim passa a haver praticamente apenas duas zonas de influ\u00eancia: a zona de influ\u00eancia alem\u00e3 e a zona de influ\u00eancia portuguesa, acabando-se com as zonas de corresponsabilidade luso-alem\u00e3, criando-se um muro entre os professores e cursos duma zona e os da outra. Consequentemente, passou-se a ter as seguintes modalidades de docentes na RFA:<\/p>\n<p><strong>1- Professores de contrata\u00e7\u00e3o portuguesa &#8211; zonas de influ\u00eancia s\u00f3 portuguesa com:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Professores destacados, pertencentes ao Quadro de Nomea\u00e7\u00e3o Definitiva, colocados por concurso do ME, pagos por Portugal (ME), sujeitos \u00e0 rota\u00e7\u00e3o, depois de quatro\/oito anos de servi\u00e7o.<\/li>\n<li>Professores contratados e pagos localmente pelo ME. Este contingente ocupa por vezes lugares de hor\u00e1rio incompleto, ele vem dar resposta a situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que a lei 13\/98 n\u00e3o contempla, e encontra-se em situa\u00e7\u00e3o de grande inseguran\u00e7a e depend\u00eancia&#8230;<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>2- Professores de contrata\u00e7\u00e3o alem\u00e3 &#8211; zonas de influ\u00eancia s\u00f3 alem\u00e3 (A maioria):<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Professores &#8220;requisitados sem encargos&#8221;, pertencentes ao Quadro de Nomea\u00e7\u00e3o Definitiva em actividade em zonas de responsabilidade alem\u00e3 para as quais n\u00e3o foram criadas vagas de concurso, dado o concurso n\u00e3o prever nem salvaguardar a fase de recondu\u00e7\u00e3o para estas zonas. Estes docentes deixaram de receber complementa\u00e7\u00e3o de vencimento. O mesmo aconteceu a dois professores anteriormente com duplo v\u00ednculo mas na situa\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-carreira. O contingente destes professores, anteriormente com duplo v\u00ednculo, desrespeitados pela nova legisla\u00e7\u00e3o e pela administra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o chega entretanto a trinta. Estes professores ser\u00e3o levados a concorrer para zonas pagas por Portugal, o que levar\u00e1 os governos alem\u00e3es a reorganizar e juntar os novos cursos de portugu\u00eas segundo as novas restri\u00e7\u00f5es j\u00e1 previstas na nova legisla\u00e7\u00e3o destes estados\u00a0 para as novas situa\u00e7\u00f5es contratuais, reuni\u00e3o de cursos e redu\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rio (de 5 para 3 horas lectivas semanais) para os mesmos.<\/li>\n<li>Professores contratados apenas pelos estados federados, propostos pela Coordena\u00e7\u00e3o do Ensino, sem v\u00ednculo a Portugal e sem complementa\u00e7\u00e3o de vencimento, com contrato segundo o BAT (Contrato Colectivo de Trabalho de Empregados do Estado Alem\u00e3o).<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Desresponsabiliza\u00e7\u00e3o do Ensino por Portugal<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Embora refira aqui a desresponsabilizacao de Portugal em rela\u00e7\u00e3o aos quadros do ensino nao seria menos de notar a sua falta de uma estrat\u00e9gia de apoio aos emigrantes atrav\u00e9s da implementa\u00e7\u00e3o das associa\u00e7\u00f5es; para isso, uma melhor estrat\u00e9gia seria a de ligar os professores \u00e0s associa\u00e7\u00f5es fomentando-as economicamente. (Nota pr\u00e9via: Portugal remunera muito melhor os seus professores (do EPE) do que a Alemanha remunera os seus, embora a Alemanha exija mais dos seus professores: Da\u00ed a luta dos professores portugueses, dependentes do governo alem\u00e3o, por alcan\u00e7arem as mesmas regalias que t\u00eam os seus colegas directamente dependentes de Portugal. Naturalmente Portugal ter\u00e1 dificuldades em manter tanto luxo!).<\/p>\n<p>Em 1998, sem prepara\u00e7\u00e3o nem justifica\u00e7\u00e3o, o ME, ignora a situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do ELCP na Alemanha, dos respectivos cursos e dos professores com contrato e v\u00ednculo duplo. Exclui os cursos de co-responsabilidade luso-alem\u00e3 do concurso para o EPE de 1998, ignorando a exist\u00eancia dos acordos bilaterais e a situa\u00e7\u00e3o previamente criada durante 20-30 anos, n\u00e3o tendo sequer em considera\u00e7\u00e3o as consequ\u00eancias nocivas que se reflectir\u00e3o na diminui\u00e7\u00e3o de cursos e concentra\u00e7\u00e3o\/extin\u00e7\u00e3o dos mesmos. Sem base legal, os antigos professores requisitados\/contratados que n\u00e3o abandonaram os cursos que ocupavam anteriormente ao concurso de 98 s\u00e3o for\u00e7ados pela Coordena\u00e7\u00e3o\/ME a assinar uma declara\u00e7\u00e3o de concord\u00e2ncia com uma &#8220;requisi\u00e7\u00e3o sem encargos&#8221;, vendo-se estes propriamente obrigados a renunciar &#8220;de livre vontade&#8221; \u00e0 complementa\u00e7\u00e3o de vencimento e a outros direitos consequentes. O meu caso de professor licenciado e possuidor do Curso de Qualifica\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o, em situa\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-carreira e de contratado desde 1981 com vincula\u00e7\u00e3o contratual luso-alem\u00e3 e com complementa\u00e7\u00e3o nem sequer digno foi de qualquer resposta, at\u00e9 hoje, apesar da promessa feita em Mar\u00e7o de 1998 pela senhora Coordenadora de que este caso e o dos requisitados seriam resolvidos individualmente.<\/p>\n<p><strong>Resultado: <\/strong>Comiss\u00f5es de Pais amarguradas, inseguran\u00e7a institucionalizada nos cursos de LM das zonas alem\u00e3s, cursos sem professores, discrimina\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o do professorado.<\/p>\n<p>H\u00e1 professores que, pelos vistos, n\u00e3o comunicam \u00e0s associa\u00e7\u00f5es de pais se concorrem ou n\u00e3o para outras zonas porque n\u00e3o t\u00eam a certeza de serem colocados; no caso de serem colocados os cursos ficam por tempos indefinidos sem professor e muitas vezes os novos professores, devido \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria n\u00e3o oferecem garantia de ficarem muito tempo no lugar. O Ensino de Portugu\u00eas est\u00e1 a ser enjeitado pelas autoridades portuguesas deitado ao abandono e a um diletantismo irrespons\u00e1vel de medidas e ac\u00e7\u00f5es ditadas meramente por raz\u00f5es economicistas e burocr\u00e1tico-legalistas. Portugal empurra a responsabilidade do ensino para os alem\u00e3es numa altura em que a Alemanha procura descal\u00e7ar a bota e j\u00e1 tinha alargado o ensino da L\u00edngua materna a russos, polacos e outros sem aumentar o n\u00famero de professores para esta modalidade de ensino tendo j\u00e1 declarado o stop de contrata\u00e7\u00e3o de pessoal docente (Ren\u00e2nia do NV., Hesse e Baixa Sax\u00f3nia) e a redu\u00e7\u00e3o de tempos lectivos semanais com o consequente acr\u00e9scimo de servi\u00e7o para os docentes. Tamb\u00e9m a obrigatoriedade escolar para a L\u00edngua Materna foi reduzida do 10\u00b0 ano para o 6\u00b0 ano no Hesse; nos outros estados a L\u00edngua Materna j\u00e1 n\u00e3o era obrigat\u00f3ria. Os estados alem\u00e3es, no sentido da nova pol\u00edtica de ensino definida ou ainda a definir, oferecem medidas para integra\u00e7\u00e3o do professorado estrangeiro no sistema escolar alem\u00e3o (novas fun\u00e7\u00f5es a assumir pelas escolas e substitui\u00e7\u00e3o de professores alem\u00e3es no ensino), com cursos de adapta\u00e7\u00e3o. Para j\u00e1 n\u00e3o lhes permite a subida de escal\u00e3o, visto a legisla\u00e7\u00e3o\u00a0 n\u00e3o permitir que o professorado assuma mais do que 14 horas lectivas (49%) do hor\u00e1rio no sistema escolar alem\u00e3o, tendo os professores de manter um m\u00ednimo de 51% de hor\u00e1rio em L\u00edngua materna; isto porque no momento em que um professor de l\u00edngua materna d\u00ea mais do que as 14 horas a alem\u00e3es, eles s\u00e3o obrigados a subir o escal\u00e3o de vencimento. Por tudo isto poderemos ver a falta de perspectiva em que se encontram os cursos de portugu\u00eas.<\/p>\n<p>A administra\u00e7\u00e3o portuguesa desresponsabiliza-se cada vez mais esgotando-se por vezes toda a sua vontade num activismo de encontros com associa\u00e7\u00f5es de pais e de entidades alem\u00e3s, mais tendentes a iludir que a resolver, at\u00e9 porque muito dos problemas que surgem ter\u00e3o resolu\u00e7\u00e3o mais adequada se tratados directamente. O resultado dos esfor\u00e7os de dezenas de anos com o conseguido: maior participa\u00e7\u00e3o, qualidade e interesse pelo ensino, maior igualdade de tratamento entre todos os professores, vincula\u00e7\u00e3o a Portugal, complementa\u00e7\u00e3o dos vencimentos e responsabiliza\u00e7\u00e3o, maior diferencia\u00e7\u00e3o nos cursos, estabilidade, tudo isto \u00e9 agora posto em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Se por um lado se poupa com os professores desvinculando-se deles e reduzindo assim o trabalho, por outro aumenta-se o pessoal burocr\u00e1tico das suas estruturas administrativas. N\u00e3o h\u00e1 um conceito pedag\u00f3gico para o EPE, nem interesse numa forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o e consulta, a n\u00e3o ser que seja de car\u00e1cter individualista, optando-se mais pela individualiza\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es, pela n\u00e3o informa\u00e7\u00e3o cabal, a aus\u00eancia de transpar\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es, a fuga ao compromisso, evitando-se qualquer tomada de posi\u00e7\u00e3o por escrito em quest\u00f5es s\u00e9rias. Por vezes chega-se a ter mesmo a impress\u00e3o que a Coordena\u00e7\u00e3o \u00e9 quase exclusivamente um instrumento de imposi\u00e7\u00e3o de regulamenta\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas, e que a problem\u00e1tica do ensino na Alemanha \u00e9 uma quest\u00e3o pessoal. O esp\u00edrito de clima que actualmente reina \u00e9 frio, autorit\u00e1rio e destrutivo. A Coordena\u00e7\u00e3o parece ter carta-branca para tudo o que faz consciente da total cobertura pol\u00edtica, actuando segundo a divisa: Pr\u00e1 frente \u00e9 que \u00e9 o caminho, n\u00e3o se olhe a mortos nem a feridos. &#8220;Ningu\u00e9m representa ningu\u00e9m&#8221;. &#8220;Na casa sem p\u00e3o todos ralham e ningu\u00e9m tem raz\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O que governos anteriores n\u00e3o conseguiram, conseguem representantes do actual governo devido ao apoio dum sindicato (SPE) desatento e sem representatividade suficiente ao deixar-se arrastar para o outro lado da mesa e acordar a legisla\u00e7\u00e3o actual DL 13\/98. Estamos confrontados com um patronato que se julga apenas com direitos e sem deveres para com os seus empregados. Nenhuma empresa portuguesa se atreveria a comportar-se com os seus empregados\/funcion\u00e1rios como o ME e Coordena\u00e7\u00e3o Geral se t\u00eam comportado em rela\u00e7\u00e3o aos professores seria logo questionada judicialmente\u00a0 e\u00a0 pelas for\u00e7as pol\u00edticas. Ou ser\u00e1 que o ME se regula por outras leis que n\u00e3o as de um estado democr\u00e1tico? Atendendo a\u00a0 responsabilidades conjuntas assumidas durante 15 &#8211; 30 anos, h\u00e1 direitos m\u00ednimos e raz\u00f5es humanit\u00e1rias a respeitar, tais\u00a0 como direito a planear e organizar a pr\u00f3pria vida, reuni\u00e3o familiar, direito \u00e0 integra\u00e7\u00e3o (Cfr. entre outras, a Conven\u00e7\u00e3o de Gen\u00e9bra). De repente \u00e9 ignorado tudo e todos, esquecendo-se que a situa\u00e7\u00e3o mantida ao longo de 30 anos se deve ao ME que arrastou e n\u00e3o regulou o assunto durante todo esse tempo. Qualquer lei que se edite deve contemplar e acautelar situa\u00e7\u00f5es criadas.<\/p>\n<p><strong>Discrimina\u00e7\u00f5es gritantes entre os professores<\/strong><\/p>\n<p>O ME, com a nova pr\u00e1tica vem criar divis\u00f5es, introduzir a inseguran\u00e7a e o medo no seio das comunidades portuguesas e restabelecer a situa\u00e7\u00e3o de discrimina\u00e7\u00e3o entre os professores pagos por Portugal e os pagos pela RFA. Discrimina\u00e7\u00e3o a n\u00edvel de hor\u00e1rios 28\/29 horas semanais lectivas para os professores de contrata\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e hor\u00e1rio de 22 horas nas zonas de contrata\u00e7\u00e3o portuguesa.<\/p>\n<p>Discrimina\u00e7\u00e3o a n\u00edvel de vencimento: UM exemplo concreto e t\u00edpico: O professor Manuel Saraiva (nome modificado) de germ\u00e2nicas, do 9\u00b0 escal\u00e3o com 49 anos ganharia na escola a que pertence em Portugal 311.000$00 l\u00edquidos com um hor\u00e1rio semanal de 18 horas e tendo j\u00e1 50 anos, 16 horas. Como se encontra a trabalhar numa zona de contrata\u00e7\u00e3o alem\u00e3 o mesmo professor, j\u00e1 no topo da carreira do IV a BAT (que se atinge aos 47 anos) ganha apenas 293.000$00 mensais com 29 horas de servi\u00e7o semanais. O mesmo professor se estivesse a trabalhar numa zona de contrata\u00e7\u00e3o portuguesa, em Estugarda, com muito menos horas de trabalho, receberia o seu vencimento em Portugal de 311 contos mensais mais um subs\u00eddio do ME de cerca de 400.000$00 mensais aqui na Alemanha. Facto \u00e9 que o professor pelo facto de estar contratado por um estado alem\u00e3o ganha apenas 293 contos mensais l\u00edquidos; no pr\u00f3ximo concurso o professor naturalmente que concorrer\u00e1 a um lugar em que ir\u00e1 ganhar muito mais do dobro do que ganha agora e ainda receber\u00e1 uma boa ajuda de custo para a mudan\u00e7a digna de quem vai ganhar bem. De notar que um professor contratado pelo governo portugu\u00eas, sem escola em Portugal, e com menos de metade do hor\u00e1rio do colega contratado pelo governo alem\u00e3 acima referido (e isto s\u00e3o casos exemplares que reflectem a situa\u00e7\u00e3o), recebe do governo portugu\u00eas cerca de 250 contos l\u00edquidos mensais. Portanto, meio lugar de trabalho portugu\u00eas em regime de contrata\u00e7\u00e3o local corresponde a um lugar de trabalho completo de contrata\u00e7\u00e3o alem\u00e3, com a agravante de que o empregado pago pelo governo alem\u00e3o se encontra j\u00e1 no fim do escal\u00e3o e o da responsabilidade portuguesa em pr\u00e9-carreira.<\/p>\n<p>Uma complementa\u00e7\u00e3o para os professores das zonas de contrata\u00e7\u00e3o alem\u00e3 seria mais que justa.\u00a0 Estando estes al\u00e9m do mais a trabalhar 6\/7 horas semanais a mais h\u00e1 mais de 20 anos, deveriam ter tal como os professores do prim\u00e1rio em Portugal, direito a uma reforma antecipada ou a qualquer outra bonifica\u00e7\u00e3o. Uma professora do prim\u00e1rio com 30 anos de servi\u00e7o e 52 anos de idade recebe uma reforma de 330.000$00 mensais l\u00edquidos em Portugal.<\/p>\n<p>Falo tamb\u00e9m da completa\u00e7\u00e3o do vencimento porque em Lisboa se julgava que os professores que a recebiam estavam demasiado bem. <strong>A complementa\u00e7\u00e3o de vencimento que se efectuou at\u00e9 1998 era feita nestes termos:<\/strong> A diferen\u00e7a que havia entre a tabela de remunera\u00e7\u00e3o publicada no Di\u00e1rio da Rep\u00fablica e correspondente ao \u00edndice a\u00ed indicado e o vencimento alem\u00e3o era efectuada da seguinte maneira: ao vencimento il\u00edquido alem\u00e3o eram ainda somados os descontos feitos para a reforma alem\u00e3 (mais de cem contos mensais) e os descontos para a doen\u00e7a do sistema alem\u00e3o (mais de 40 contos mensais), sendo o total final subtra\u00eddo ao il\u00edquido portugu\u00eas a que se teria direito, isto \u00e9, a diferen\u00e7a. De notar que, no princ\u00edpio, no caso de professores em situa\u00e7\u00e3o de pr\u00e9 carreira, ainda se ficava com saldo negativo em rela\u00e7\u00e3o a Portugal, devido \u00e0 adi\u00e7\u00e3o dos descontos sociais alem\u00e3es, tendo n\u00f3s, por isso mesmo ainda de pagar os descontos obrigat\u00f3rios para a ADSE e para a reforma reduzindo ainda mais o j\u00e1 magro vencimento pago pela Alemanha. De notar que o saldo negativo obtido num m\u00eas era ainda somado ao il\u00edquido do m\u00eas seguinte para efeitos de complementa\u00e7\u00e3o. Desde 1981 a 1984 os professores s\u00e3o obrigados a pagar o imposto extraordin\u00e1rio e houve professores que o pagaram sem terem recebido qualquer complementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A nova situa\u00e7\u00e3o vem questionar a divulga\u00e7\u00e3o da nossa cultura aqui e vem, a curto prazo, diminuir a rede de ensino reduzindo o hor\u00e1rio de aulas e de cursos al\u00e9m de instabilizar o ensino de portugu\u00eas e o professorado. Os docentes das \u00e1reas de influ\u00eancia alem\u00e3 ter\u00e3o de futuro de aceitar mais desloca\u00e7\u00f5es, menos diferencia\u00e7\u00e3o nas aulas, redu\u00e7\u00e3o de cursos e mais alunos nos novos cursos. Um exemplo: os estados do Hesse e da Ren\u00e2nia do NV alargaram o ensino de L\u00edngua Materna para russos, polacos e outros, declarando ao mesmo tempo o n\u00e3o aumento do contingente de professores. Quando um professor sai procura-se reorganizar os cursos na rela\u00e7\u00e3o 24 alunos para tr\u00eas horas.<\/p>\n<p>A atitude portuguesa actual prejudica n\u00e3o s\u00f3 professores, como vai contra os interesses mais genu\u00ednos dos pais e dos alunos portugueses como atenta at\u00e9 contra interesses elementares portugueses na RFA e contra a imagem de Portugal (N\u00e3o se tem em conta a justi\u00e7a equitativa).<\/p>\n<p>Necessita-se de compromisso consensual atendendo \u00e0s situa\u00e7\u00f5es reais do ensino, de seus adere\u00e7ados e dos seus agentes. Portugal e as for\u00e7as pol\u00edticas deveriam prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 anacronia duma pol\u00edtica centralista do ME que de Lisboa se arroga o direito de pretender ter uma vis\u00e3o global da realidade faltando-lhe dados s\u00e9rios e isentos sobre a mesma. Dirijo aqui um apelo ao ME e seus colaboradores abertura, esp\u00edrito de di\u00e1logo, colabora\u00e7\u00e3o. Estamos todos interessados num consenso digno e \u00fatil para todas as partes. Colegas, embora em diversas situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o deve faltar a solidariedade e compreens\u00e3o de uns para com os outros. Embora magoados, encontramo-nos no mesmo barco<strong>, todos<\/strong> ao servi\u00e7o de Portugal e dos portugueses e duma Europa mais humana ainda e diferenciada, mas mais una! Oxal\u00e1 que aquilo que se est\u00e1 a passar aqui na Alemanha se revele, depois de an\u00e1lise atenta, como um mau sonho!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Repensar a Democracia e remodelar o Estado<\/strong><\/p>\n<p>Portugal \u00e9 o Rosto da Europa<\/p>\n<p>A Democracia partid\u00e1ria tornou-se antiquada e atrasa o Futuro enquanto n\u00e3o incluir a consulta plebiscit\u00e1ria segundo o modelo da Sui\u00e7a.<\/p>\n<p>Portugal, no s\u00e9culo XV, foi a express\u00e3o da pujan\u00e7a vital da Europa, dando in\u00edcio \u00e0 sua expans\u00e3o pelo mundo. Na era actual, Portugal deixou de testemunhar a sua exuber\u00e2ncia para se tornar o rosto do seu decl\u00ednio. Portugal \u00e9 a radiografia e o rosto da Europa.<\/p>\n<p>Hoje fala-se de crise mas o que se est\u00e1 a dar \u00e9 uma mudan\u00e7a radical da sociedade e de par\u00e2metros duma \u00e9poca privilegiada que praticamente j\u00e1 passou. A efervesc\u00eancia cultural culminada na gera\u00e7\u00e3o 68 e especialmente os acontecimentos de 1989 alteraram a sociedade totalmente (ide\u00e1rio, economia. EU) iniciando uma mudan\u00e7a social radical. As consequ\u00eancias da mudan\u00e7a em curso fazem-se sentir especialmente na crise econ\u00f3mica que conduz \u00e0 perda da dignidade nacional sob a press\u00e3o da ditadura financeira global que abala as na\u00e7\u00f5es nos seus fundamentos e ridiculariza os regimes democr\u00e1ticos parlamentares, iniciando, ao mesmo tempo, uma cultura da preocupa\u00e7\u00e3o. (Ensina-nos a Hist\u00f3ria que os problemas e a decad\u00eancia s\u00f3 se reconhecem a posteriori e que, quem alerta para o perigo dela, \u00e9 considerado desmancha-prazeres!). <strong>Portugal inicia o fim do apogeu da cultura ocidental.<\/strong> A consist\u00eancia ou inseguran\u00e7a de um n\u00facleo come\u00e7a por se expressar e notar nas suas bordas.<\/p>\n<p>O sistema democr\u00e1tico borbulha. Os \u00f3rg\u00e3os do estado encontram-se ao servi\u00e7o dum regime pol\u00edtico partid\u00e1rio, numa democracia j\u00e1 n\u00e3o convencida de si mesma.<\/p>\n<p>O estado do pa\u00eds \u00e9 inst\u00e1vel com uma democracia inst\u00e1vel. As institui\u00e7\u00f5es funcionam mal e a economia encontra-se num beco sem sa\u00edda porque as for\u00e7as que a geram s\u00e3o indom\u00e1veis. Espalha-se, entre o povo, o desengano da pol\u00edtica, de partidos e pol\u00edticos. A raiva engolida leva o povo \u00e0 depress\u00e3o e \u00e0 nostalgia. Expressa-se socialmente, de forma bordaline e rotineira em manifesta\u00e7\u00f5es organizadas por sindicatos, por vezes, t\u00e3o irrespons\u00e1veis e comprometidos como a pol\u00edtica de m\u00e3os atadas.<\/p>\n<p>Num estado assim o povo pressente que n\u00e3o h\u00e1 rem\u00e9dio, que ser\u00e1 melhor ir \u00e0 bruxa. A classe pol\u00edtica n\u00e3o tem solu\u00e7\u00f5es, \u00e9 v\u00edtima e criminosa ao mesmo tempo; ela e a EU tornaram-se parte do problema num horizonte sombrio sem utopias ao alcance. Os tempos da democracia ocidental com uma economia s\u00e9ria j\u00e1 passaram; a economia j\u00e1 n\u00e3o se encontra em fun\u00e7\u00e3o do bem-comum e a Europa v\u00ea chegar a ela os pobres do mundo e os produtos fracos de fracas economias. O Estado social cada vez se torna mais num estado bombeiro a apagar os fogos da mis\u00e9ria com dinheiros do contribuinte numa sociedade cada vez mais prec\u00e1ria. Os atropelos da ind\u00fastria financeira internacional s\u00e3o distribu\u00eddos pela classe indefesa e pelos pa\u00edses menos fortes. Os pa\u00edses fortes ainda v\u00e3o vivendo bem da implos\u00e3o dos pa\u00edses da borda.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica tornou-se muito complexa. Tornou-se imposs\u00edvel governar com independ\u00eancia e justeza. O povo deixou de acreditar e de ter poder de influ\u00eancia, este \u00e9 exercido pela classe superior. Os neg\u00f3cios p\u00fablicos tal como socialismo e capitalismo vivem em promiscuidade. A sociedade Ocidental ao integrar nela, irreflectidamente, a ideologia marxista-leninista iniciou definitivamente a decad\u00eancia e o seu pr\u00f3prio fim. \u00c9 um veneno que mata lentamente mantendo a boa-disposi\u00e7\u00e3o at\u00e9 final. O pensar correcto hodierno faz parte das suas flatul\u00eancias!<\/p>\n<p>Os neg\u00f3cios da na\u00e7\u00e3o s\u00e3o feitos em preju\u00edzo do povo e do Estado. Quem beneficia deles \u00e9 a classe superior, s\u00e3o os pol\u00edticos e os magnates da banca e de cons\u00f3rcios internacionais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Na Era da Informa\u00e7\u00e3o e dos L\u00f3bis monopolistas<\/strong><\/p>\n<p>A classe baixa e parte da classe m\u00e9dia n\u00e3o v\u00ea nem entende o que est\u00e1 a acontecer. A classe m\u00e9dia privilegiada encontra-se insegura porque os modelos de economia apresentados j\u00e1 ultrapassam o n\u00edvel da compreens\u00e3o, movimentando-se mais no \u00e2mbito virtual que real. H\u00e1 uma dissocia\u00e7\u00e3o entre informa\u00e7\u00e3o e modelos.<\/p>\n<p>Os debates p\u00fablicos refugiam-se nos ataques aos partidos; estes, sem solu\u00e7\u00f5es nem modelos, escondem atr\u00e1s duma ret\u00f3rica vazia. Ningu\u00e9m entende a avalanche de pol\u00edticas ditadas pela oligarquia da EU. O seu ditado p\u00f5e em perigo actuais formas de Estado e democracias. A EU para conseguir os seus objectivos de poder suprarregional encostou-se \u00e0 ideia do globalismo econ\u00f3mico liberal. Deste modo tanto cientistas, ec\u00f3nomos como povo encontram-se abandonados a for\u00e7as de que n\u00e3o podem ter a supervis\u00e3o. Tudo comenta e atira a sua opini\u00e3o que se revela apenas erudita mas t\u00e3o competente como a opini\u00e3o simpl\u00f3ria do povo.<\/p>\n<p>No meio desta confus\u00e3o, para salvar a democracia, n\u00e3o ajudam consultas plebiscit\u00e1rias nem an\u00e1lises cient\u00edficas porque o desenvolvimento \u00e9 de tal modo desregulado que n\u00e3o tem controlo poss\u00edvel porque lhe faltam as pistas e os dados reais. (Recorde-se no meio disto a discuss\u00e3o sobre espionagem desmascarada por Edward Snowden).<\/p>\n<p>A pol\u00edtica n\u00e3o tem hip\u00f3tese de elaborar programas objectivos dado encontrar-se a um n\u00edvel inferior ao dos poderes e sistemas supranacionais em ac\u00e7\u00e3o. As na\u00e7\u00f5es e os governos encontram-se num andar abaixo do dos magnates do capital internacional e dos feitores das cren\u00e7as actuais. Isto questiona a forma\u00e7\u00e3o de qualquer vontade democr\u00e1tica e conduz ao desespero de quem pensa.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por uma Democracia participativa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Uma Proposta interactiva e de Inova\u00e7\u00e3o no Sentido da Inclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Por toda a Europa se fala da necessidade de maior participa\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o nas decis\u00f5es dos governos, da necessidade de melhorar a democracia. Fala-se no modelo su\u00ed\u00e7o, na necessidade de &#8220;Avalia\u00e7\u00f5es dos Cidad\u00e3os &#8220;,&#8221;c\u00e9lulas de planeamento&#8221; (Peter C. Dienel), etc.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre a maior participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do povo \u00e9 conversa de embalar enquanto elaborada em termos ideol\u00f3gicos e partid\u00e1rios. Estes deram continuidade \u00e0 f\u00f3rmula do poder tradicional do divide e impera. A Hist\u00f3ria tem-se constru\u00eddo com revolu\u00e7\u00f5es, com classes pol\u00edticas, servindo-se sempre do uso do dom\u00ednio, numa estrat\u00e9gia de afirma\u00e7\u00e3o de cima para baixo. A din\u00e2mica da natureza assim como a que se encontra subjacente \u00e0 etimologia da palavra democracia \u00e9 contr\u00e1ria ao actual exerc\u00edcio da democracia; segundo estas tudo cresce de baixo para cima, o que contradiz o sistema democr\u00e1tico vigente. O modelo de desenvolvimento que d\u00e1 perenidade \u00e0 natureza prov\u00e9m da sua orienta\u00e7\u00e3o; a cultura, ao partir de um conceito oposto concebido na perspectiva de cima para baixo (opress\u00e3o), inclui em si mesma a rotura constante acrescida da viol\u00eancia artificial dos mais fortes, como se pode ver testemunhada nos livros de Hist\u00f3ria. Enquanto a natureza se esfor\u00e7a no sentido do sol (comum), a sociedade encontra-se na luta entre grupos que pretendem apoderar-se dele. O novo homem, a surgir, receia colaborar com sistemas tradicionalistas que d\u00eaem continuidade a formas de governo que perpetuam a viol\u00eancia estrutural; prefere abster-se ou esperar pela oportunidade de poder interferir lutando.<\/p>\n<p>Agora, que a economia vai mal, at\u00e9 a \u201csacrossanta\u201d Constitui\u00e7\u00e3o se questiona. Ouve-se falar da necessidade de introduzir pequenas mudan\u00e7as constitucionais que possibilitem elementos plebiscit\u00e1rios, mais prop\u00edcios a desviar a aten\u00e7\u00e3o do verdadeiro problema.<\/p>\n<p><strong>O problema est\u00e1 no facto de o povo j\u00e1 n\u00e3o ter sequer possibilidade de intervir num sentido de equil\u00edbrio de interesses. A situa\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica em que a sociedade se encontra exigiria op\u00e7\u00f5es fundamentais e n\u00e3o s\u00f3 aquisi\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00f5es.\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>O sistema econ\u00f3mico em via, tendo muito embora surgido de democracias, \u00e9 antidemocr\u00e1tico. De momento vivemos numa ditadura econ\u00f3mica legitimada por uma democracia a\u00e7aimada. Enquanto n\u00e3o houver uma tarefa de planeamento concreta ningu\u00e9m pode fazer propostas s\u00e9rias de solu\u00e7\u00e3o. Seria superficial procurar ir de encontro \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o popular com propostas de resolu\u00e7\u00e3o meramente pol\u00edticas. \u00c9 necess\u00e1rio, que a classe pol\u00edtica e pensante da na\u00e7\u00e3o pense em mudar a longo prazo o sistema econ\u00f3mico e pol\u00edtico j\u00e1 arcaico. O problema \u00e9 cultural-econ\u00f3mico-pol\u00edtico n\u00e3o podendo ser solucionado com remendos duma s\u00f3 ordem.<\/p>\n<p>Para se organizar uma democracia de participa\u00e7\u00e3o civil adulta teria de se partir para uma <strong>democracia de caracter burocr\u00e1tico e n\u00e3o partid\u00e1rio porque isso implicaria a organiza\u00e7\u00e3o de pareceres populares sobre pol\u00edticas concretas discutidas a n\u00edvel directo de freguesias, concelhos, distritos e de Estado e j\u00e1 n\u00e3o a n\u00edvel ideol\u00f3gico partid\u00e1rio. <\/strong>Ter\u00edamos de voltar \u00e0 pol\u00edtica dos homens-bons j\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 das terras e dos of\u00edcios mas tamb\u00e9m da cultura e do povo.<\/p>\n<p><strong>A maneira ideol\u00f3gico-partid\u00e1ria de encarar os problemas e de equacionar solu\u00e7\u00f5es nessa base, tornou-se ultrapassada e anacr\u00f3nica para o mundo moderno e para uma nova sociedade.<\/strong> As ideologias revelaram-se como impedimento ao desenvolvimento estrutural e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma vontade diferenciada. <strong>Depois da queda do imperialismo russo e americano e do consequente globalismo torna-se anacr\u00f3nica a legitima\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica em contextos de esquerda ou direita.<\/strong> A nossa era quer ultrapassar o polite\u00edsmo ideol\u00f3gico expresso nos partidos e ideologias, quer passar para um \u201ccatolicismo\u201d pol\u00edtico de incultura\u00e7\u00e3o e acultura\u00e7\u00e3o global. De momento as oligarquias econ\u00f3micas servem-se do sistema partid\u00e1rio para organizar e impor os seus planos aos Estados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>In\u00edcio de uma nova mentalidade democr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>Na era da informa\u00e7\u00e3o \u2013 do Verbo = in-forma\u00e7\u00e3o \u2013 o cidad\u00e3o tem oportunidade de assumir, por vezes, o lugar da lei; <strong>com as novas tecnologias as c\u00fapulas deixam de possuir a sua relev\u00e2ncia; para acompanharem a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, deveriam devolver o seu poder a processos democr\u00e1ticos interactivos,<\/strong> em vez de abusar do seu uso no controlo do cidad\u00e3o. Come\u00e7a a surgir o tempo da democracia representativa dar lugar \u00e0 democracia participativa. O rebanho consciente e adulto n\u00e3o se aliena, assume a miss\u00e3o do pr\u00f3prio pastoreio.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o da vontade pol\u00edtica hodierna passar\u00e1 dos n\u00facleos dos partidos para a tecnologia electr\u00f3nica transparente. <strong>A delega\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o no partido perde o seu sentido estrutural representativo para se realizar na participa\u00e7\u00e3o.<\/strong> A maneira de estar objectiva d\u00e1 lugar \u00e0 maneira de estar subjectiva; deixa de haver pap\u00e9is a representar indiv\u00edduos para haver pessoas a agir directamente. Grande parte da nossa sociedade atingiu um n\u00edvel de desenvolvimento que quer uma democracia l\u00edquida sem calhaus de energia concentrada e sem as levadas que desviam as \u00e1guas para os seus moinhos, porque este proceder impede o fluir do todo. A nova democracia tamb\u00e9m se torna mais racional e consciente concentrando a energia talvez na comercializa\u00e7\u00e3o de menos produtos mas, por sua vez, mais satisfat\u00f3rios e \u00fateis. <strong>O sistema deixa de ser consultivo para se tornar participativo<\/strong> (a Internet possibilita a praticabilidade de uma nova mentalidade). Forma\u00e7\u00e3o e in-forma\u00e7\u00e3o s\u00e3o a sua f\u00f3rmula m\u00e1gica. A natureza \u00e9 mestra e permanente ao organizar-se de baixo para cima e n\u00e3o de cima para baixo. Um processo de forma\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o natural da sociedade, viria impedir o autoritarismo e formalismo que tem dado forma est\u00e1tica \u00e0s mentalidades passadas com a consequente viol\u00eancia e explora\u00e7\u00e3o inerente ao sistema pol\u00edtico e social.<\/p>\n<p><strong>Da Democracia Partid\u00e1ria para a Democracia Pluralista<\/strong><\/p>\n<p>A EU n\u00e3o \u00e9 democr\u00e1tica, \u00e9 mais um aglomerado de sistemas governamentais sob o pretexto democr\u00e1tico. <strong>A sua defici\u00eancia democr\u00e1tica talvez se pudesse tornar num bom instrumento para o exerc\u00edcio de uma democracia participativa\/burocr\u00e1tica! <\/strong>Esta deixaria de partir da estrutura\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gico-partid\u00e1ria para se associar \u00e0s infraestruturas administrativas pragm\u00e1ticas. O pluralismo ideol\u00f3gico organizar-se-ia em torno de programas e metas concretas aferidas na ordem ascendente \u00e0 freguesia, concelho, etc. Consequentemente a informa\u00e7\u00e3o teria que germinar na massa do povo que conceberia e se conceberia em forma\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<p>Naturalmente que isto seria uma meta a longo prazo mas que pelo facto de ser formulada, obrigaria a classe pol\u00edtica a iniciar um processo de mudan\u00e7a que levaria a uma cultura pol\u00edtica que transcenderia os apagados horizontes da vigente discuss\u00e3o partid\u00e1ria. At\u00e9 nos aproximarmos da meta seria muito importante come\u00e7ar-se pelo modelo democr\u00e1tico su\u00ed\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Os partidos pol\u00edticos, fixados nas suas ideologias, j\u00e1 deram o que tinham a dar.<\/strong> Pensar que se poderiam melhorar com pessoal mais \u00edntegro ou com a cria\u00e7\u00e3o de novos partidos seria uma ilus\u00e3o parva. Os problemas que revelam s\u00e3o inultrapass\u00e1veis para a nossa era porque antiquados no seu ide\u00e1rio e na sua ordem estrutural e sistem\u00e1tica. J\u00e1 tiveram a sua era. Mant\u00ea-los como s\u00e3o significa comprometer o futuro e, ao mesmo tempo, um ataque \u00e0 racionalidade que de facto s\u00f3 tem sido considerada para as coisas pequenas.<\/p>\n<p>O carreirismo inerente aos partidos exclui, por si mesmo, a participa\u00e7\u00e3o; \u00e9 de caracter individual e n\u00e3o orientado primeiramente para o bem-comum. <strong>O sistema partid\u00e1rio s\u00f3 fomenta o carreirismo de alguns (iniciados interesseiros) e exclui por si mesmo a participa\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias independentes obrigadas a morrer isoladas na massa.<\/strong> Se observamos a classe pol\u00edtica provinda das nossas rep\u00fablicas ela produz muitos reizitos envelhecidos no seu coutado e que pretendem, tamb\u00e9m depois de caducos, influenciar ideologicamente toda uma na\u00e7\u00e3o (O povinho d\u00f3cil e bom come o que lhe d\u00e3o!). <strong>O que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 uma metanoia da mentalidade, a inova\u00e7\u00e3o das elites; colocar as esperan\u00e7as em novos partidos seria desconhecer o mal de raiz do sistema que canaliza toda a energia popular nos crivos do partido.<\/strong> <strong>O organigrama da rep\u00fablica\/partid\u00e1rio \u00e9 igual ao organigrama mon\u00e1rquico, com a agravante de se apresentar como sua alternativa. <\/strong>Precisamos de um outro curr\u00edculo em que o objectivo do partido e o lema do camarada ou do companheiro n\u00e3o seja viver da democracia mas viver para ela. A pol\u00edtica mais que uma profiss\u00e3o deve ser uma voca\u00e7\u00e3o de servir o povo. Consequentemente precisa-se de candidatos do povo e n\u00e3o candidatos de partidos. Uma democracia partid\u00e1ria j\u00e1 traz em si a desculpa da unilateralidade e falta de objetividade. Naturalmente que nos diversos partidos h\u00e1 gente com ideais muito sociais e humanos; o sistema por\u00e9m cedo o leva a reconhecer que quem n\u00e3o puxa a brasa \u00e0 sua sardinha n\u00e3o sobe na jerarquia partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia deste argumentar iniciaria um processo de forma\u00e7\u00e3o de cidadania adulta que pouco a pouco prescindiria da classe pol\u00edtica para formar um povo pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A crise a que os bancos e os pol\u00edticos nos levaram constitui a melhor prova da urg\u00eancia de transformar o nosso sistema de democracia partid\u00e1ria num sistema de democracia pluralista. Precisa-se da invers\u00e3o do pensar. Pensar e agir j\u00e1 n\u00e3o a partir do eu mas a partir do n\u00f3s (bem-comum).<\/p>\n<p>Os novos recrutas da democracia querem um novo marchar! Por isso reclamam o bem-comum, a justi\u00e7a e a verdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Uni\u00e3o Europeia incomodada com a vota\u00e7\u00e3o su\u00ed\u00e7a redutora da imigra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O \u00fanico pa\u00eds verdadeiramente democr\u00e1tico do mundo cria dificuldades \u00e0s democracias representativas da EU.<\/p>\n<p>50,3% dos su\u00ed\u00e7os votaram pela redu\u00e7\u00e3o\/controlo da imigra\u00e7\u00e3o.(68% na regi\u00e3o de l\u00edngua italiana, 52% na regi\u00e3o de l\u00edngua alem\u00e3 e 41,5% na regi\u00e3o de l\u00edngua francesa). De notar que a vota\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem a ver com a cor partid\u00e1ria dado a percentagem das cidades dominadas pela esquerda (vermelhos e verdes) n\u00e3o se distinguir das outras. As associa\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o econ\u00f3mica reagiram com medo das consequ\u00eancias duma pol\u00edtica que determine uma imigra\u00e7\u00e3o demasiado regulada. Os empres\u00e1rios est\u00e3o interessados na qualidade dos empregados e consequentemente na escolha de empregados nacionais e do estrangeiro. 56% da exporta\u00e7\u00e3o Su\u00ed\u00e7a \u00e9 para a EU. Por outro lado, sob a perspectiva de pa\u00edses exportadores de emigrantes torna-se mais injusta ainda a economia de um pa\u00eds que s\u00f3 aceite imigra\u00e7\u00e3o qualificada.<\/p>\n<p>Em 2013 imigraram para a Su\u00ed\u00e7a 85.000 pessoas; um pa\u00eds em que a popula\u00e7\u00e3o estrangeira atingiu j\u00e1 23,6% da popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 natural que a discuss\u00e3o seja diferente da de uma Alemanha, com 8% de popula\u00e7\u00e3o estrangeira.<\/p>\n<p><strong>Uma EU do Mercado dos Especuladores e dos Valores sociais<\/strong><\/p>\n<p>No neg\u00f3cio com os imigrantes, a na\u00e7\u00e3o e o patronato ganham mas tamb\u00e9m h\u00e1 grupos sociais que sofrem sob a concorr\u00eancia. Na Su\u00ed\u00e7a o povo \u00e9 o bar\u00f3metro do estado da Na\u00e7\u00e3o e da economia. Nos outros pa\u00edses da EU a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente porque quem determina o poder p\u00fablico \u00e9 a burocracia e os diferentes grupos de interesse. A decis\u00e3o dos su\u00ed\u00e7os \u00e9 democr\u00e1tica e por isso incontest\u00e1vel para democratas. A EU quer por\u00e9m que a Su\u00ed\u00e7a, atrav\u00e9s de desvios legais, n\u00e3o respeite a vontade do povo.<\/p>\n<p>Com a questiona\u00e7\u00e3o da livre circula\u00e7\u00e3o de pessoas, d\u00e1-se uma renacionaliza\u00e7\u00e3o dos interesses. Os su\u00ed\u00e7os n\u00e3o querem perder a soberania nacional; querem permanecer uma democracia independente; resistem a ser uma prov\u00edncia da EU; o problema fundamental aqui \u00e9 a quest\u00e3o de compet\u00eancias: quem manda em casa, Bruxelas ou a na\u00e7\u00e3o; para mais os su\u00ed\u00e7os verificam que a EU n\u00e3o cumpre algumas medidas referente a ela mesma (d\u00edvidas n\u00e3o al\u00e9m de 3%).<\/p>\n<p>A restri\u00e7\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o viria tocar principalmente os interesses dos povos vizinhos, Alemanha, It\u00e1lia e Fran\u00e7a. Na Su\u00ed\u00e7a trabalham 300.000 alem\u00e3es com contrato permanente, n\u00e3o sendo abrangidos por nova eventual regulamenta\u00e7\u00e3o; o mesmo j\u00e1 se n\u00e3o diria para os 270.000 estrangeiros fronteiri\u00e7as que se deslocam diariamente \u00e0 Su\u00ed\u00e7a para trabalhar. Os estrangeiros t\u00eam medo que a nova regulamenta\u00e7\u00e3o venha a ter prefer\u00eancia pelos su\u00ed\u00e7os e s\u00f3 aceite estrangeiros no caso de lugares de trabalho dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>A maior proximidade entre povo e pol\u00edtica tem as suas vantagens e o seu pre\u00e7o. Com plebiscitos predomina a vontade do povo enquanto nas democracias representativas predominam os interesses de grupos. Vantagem: a Su\u00ed\u00e7a \u00e9 uma verdadeira democracia em que o povo controla o parlamento e diz o que pensa aos pol\u00edticos; desvantagem: \u00e0s vezes poder\u00e1 vencer o sentimento sobre a raz\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Por tr\u00e1s da discuss\u00e3o p\u00fablica internacional nota-se o medo dos pol\u00edticos europeus porque sabem que o seu povo n\u00e3o decidiria diferentemente do povo su\u00ed\u00e7o e as suas posi\u00e7\u00f5es em Bruxelas seriam<\/strong> <strong>questionadas se dependentes de plebiscitos nacionais; a n\u00edvel de na\u00e7\u00e3o, h\u00e1, por outro lado, os que beneficiam directamente da imigra\u00e7\u00e3o e o povo simples n\u00e3o t\u00e3o beneficiado pelo sistema e que sofre mais a concorr\u00eancia directa dos imigrantes.<\/strong> Estes deixam-se orientar mais pelo medo vendo com bons olhos a limita\u00e7\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o a contingentes; tamb\u00e9m \u00e9 ele quem sofre mais com a desregula\u00e7\u00e3o laboral e as redu\u00e7\u00f5es nas redes sociais em via. Certos grupos da camada social m\u00e9dia europeia t\u00eam constatado que, com o crescimento da imigra\u00e7\u00e3o, a vida se tem tornado mais insegura nas cidades e a criminalidade aumentado; por outro lado t\u00eam medo dos grupos que n\u00e3o se integram, vendo surgir nas cidades uma sociedade isl\u00e2mica paralela. O povo, que estava habituado a sair \u00e0 rua sem se preocupar, tem agora medo de ser agredido sem qualquer motivo. Se viessem todos bem e a todos corresse bem a vida, certamente n\u00e3o haveria tentativas de explica\u00e7\u00f5es mono-causais dos fen\u00f3menos que assolam a sociedades europeias. O povo nota a degrada\u00e7\u00e3o de uma sociedade sem saber o porqu\u00ea e, naturalmente, procura ver as causas nas coisas mais imediatas; por outro lado sofre a press\u00e3o da opini\u00e3o correcta que n\u00e3o admite um tom cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o a estrangeiros. Assim se uma pessoa fizer a afirma\u00e7\u00e3o objectiva de que no \u00faltimo ano apenas um quinto dos emigrantes turcos que vieram para a Alemanha vieram \u00e0 procura de trabalho, isto j\u00e1 pode ser considerado como atitude xen\u00f3foba. Embora eu seja estrangeiro n\u00e3o posso fechar os olhos aos factos nem limitar-me a uma observa\u00e7\u00e3o mono-causal dos factos.<\/p>\n<p><strong>Embora a EU se baseie na livre circula\u00e7\u00e3o de capital, servi\u00e7os e pessoas, muitos v\u00eaem na livre circula\u00e7\u00e3o de pessoas uma constru\u00e7\u00e3o falhada, tal como a do Euro. <\/strong>Embora o alargamento da EU para a Bulg\u00e1ria e Rom\u00e9nia beneficie a posi\u00e7\u00e3o da Alemanha, tamb\u00e9m ela geme porque, s\u00f3 nos \u00faltimos anos, houve, relativamente a estes dois pa\u00edses, uma subida de 300% a receberem apoio social; na Alemanha, cada vez \u00e9 mais forte o medo de uma imigra\u00e7\u00e3o para os sistemas sociais. De facto o tribunal alem\u00e3o decretou que uma fam\u00edlia espanhola imigrada que n\u00e3o encontrou trabalho tivesse direito a assist\u00eancia social o que corresponde para os quatro membros de fam\u00edlia a 1033\u20ac por m\u00eas sem terem ainda contribu\u00eddo para os servi\u00e7os sociais. No meio de tudo isto que ganha \u00e9 a Alemanha que consegue manter a produ\u00e7\u00e3o no seu pa\u00eds e ainda \u00e9 premiada com imigrantes qualificados que a enriquecem \u00e0 custa do empobrecimento demogr\u00e1fico dos pa\u00edses de envio.<\/p>\n<p>Os pol\u00edticos da Uni\u00e3o Europeia est\u00e3o sob choque com os resultados da vota\u00e7\u00e3o do povo su\u00ed\u00e7o. <strong>Uma Europa habituada a fazer leis a n\u00edvel de Estado, sem consultar o povo e em que a maioria do pr\u00f3prio povo se identifica com os resultados do plebiscito su\u00ed\u00e7o, tem raz\u00e3o para se tornar inquieta. Os pol\u00edticos t\u00eam medo das ondas que a decis\u00e3o Su\u00ed\u00e7a ir\u00e1 causar nas pr\u00f3prias popula\u00e7\u00f5es;<\/strong> isto obriga os pol\u00edticos a reflectir sobre as consequ\u00eancias da liberdade de circula\u00e7\u00e3o na EU. A EU foi constru\u00edda com p\u00e9s de barro. Na EU, nos \u00faltimos 10-15 anos, tem-se assistido a uma transfer\u00eancia de dinheiros das bases para as c\u00fapulas. Os estados fortes querem uma concorr\u00eancia aberta e global tamb\u00e9m a n\u00edvel de pessoas porque melhor servem os seus objectivos nos seus pontos fulcrais da economia e de compensa\u00e7\u00e3o da fraca natalidade (os mais jovens ir\u00e3o manter as pens\u00f5es dos mais velhos). Na Alemanha um imigrante permanece em m\u00e9dia 22 anos, o tempo em que \u00e9 mais produtivo. Sempre foi um facto que as regi\u00f5es onde o desenvolvimento \u00e9 maior, sempre atraem as pessoas. Uma EU a querer ser constru\u00edda em torno de valores \u00e9ticos e sociais n\u00e3o pode construir um sistema europeu em que os pa\u00edses do n\u00facleo vivam do roubo da juventude dos pa\u00edses da periferia, em vez de criar lugares de trabalho tamb\u00e9m na periferia.<\/p>\n<p>O povo su\u00ed\u00e7o determinou por plebiscito, dentro de tr\u00eas anos, limitar da imigra\u00e7\u00e3o. A Su\u00ed\u00e7a n\u00e3o \u00e9 membro da EU mas tem o estatuto de associado desde 1999. <strong>A liberdade de circula\u00e7\u00e3o de pessoas concede o direito de viver e de trabalhar livremente nos Estados da Su\u00ed\u00e7a e da EU, desde que tenha um emprego, trabalho independente ou meios suficientes para subsistir.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Anivers\u00e1rio das Comunidades motivo para edificar Monumentos da Mem\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Emigrar \u00e9 passar a um outro estado, transpor limites, tornar-se acrobata an\u00f3nimo, a dan\u00e7ar a vida, na linha das fronteiras.<\/p>\n<p>Uma data, um acontecimento pode ser uma ocasi\u00e3o para repensar e unir povos ligados pela emigra\u00e7\u00e3o. A comemora\u00e7\u00e3o dos 50 anos dos Portugueses na Alemanha poderia tornar-se num ensejo para refor\u00e7ar la\u00e7os e fomentar padr\u00f5es da mem\u00f3ria migrante por toda a parte: Fran\u00e7a, Su\u00ed\u00e7a, Canad\u00e1, USA, Alemanha, etc.. Os emigrantes est\u00e3o de parab\u00e9ns pelo que fizeram e fazem por Portugal e pelos pa\u00edses de acolhimento! Porque n\u00e3o deixar maior testemunho desta grande for\u00e7a e obra aos nossos vindouros? Emigrantes s\u00e3o obreiros de futuro, pessoas de vida na mala (<a href=\"http:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2570\">http:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2570<\/a>). <strong>Emigrantes n\u00e3o t\u00eam lugar no pante\u00e3o nacional mas deviam t\u00ea-lo no santu\u00e1rio da mem\u00f3ria colectiva de um povo.<\/strong> Se o povo migrante n\u00e3o toma iniciativa e o n\u00e3o faz, menos poder\u00e1 esperar que o fa\u00e7am os que beneficiam do nosso trabalho.<\/p>\n<p><strong>A celebra\u00e7\u00e3o do cinquenten\u00e1rio dos portugueses na Alemanha, ou noutro pa\u00eds, poderia dar oportunidade de se criar uma iniciativa que, com o apoio de patrocinadores, constru\u00edsse, em Portugal e ou na Alemanha, um monumento dedicado aos emigrantes portugueses. N\u00e3o seria dif\u00edcil encontrar alguma terra em Portugal e ou na Alemanha onde as autoridades locais n\u00e3o se mostrassem dispostas a apoiar tal iniciativa. <\/strong>Uma tal iniciativa poderia partir da Comiss\u00e3o organizadora do cinquenten\u00e1rio, das associa\u00e7\u00f5es, de uma for\u00e7a pol\u00edtica, de um Banco, das miss\u00f5es cat\u00f3licas ou de qualquer outra organiza\u00e7\u00e3o e certamente tornar-se-ia um exemplo para as comunidades portuguesas da di\u00e1spora em todo o mundo.<\/p>\n<p><strong>Novos Padr\u00f5es da Portugalidade<\/strong><\/p>\n<p><strong>Imaginem os portugueses que todas as comunidades espalhadas pelo mundo concretizavam tal iniciativa! Portugal e o mundo encher-se-iam de Padr\u00f5es da mais genu\u00edna portugalidade. <\/strong>Sim porque aos padr\u00f5es dos descobrimentos seguir-se-iam os \u201cpadr\u00f5es\u201d da emigra\u00e7\u00e3o. Estes ficariam por todo o mundo a erguer a voz daquela parte do povo que fica, sem se ver, debaixo da terra, a fazer de alicerce a grandes constru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Trata-se-ia de criar \u00e1reas da sensibilidade e de sensibiliza\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o migrante onde se materializam sensa\u00e7\u00f5es, aspira\u00e7\u00f5es e questiona\u00e7\u00f5es, de trajectos e projectos de vida, de sentido e n\u00e3o sentido, do Portugal migrante. Nos monumentos aparecemos, recordamos, representamos e comunicamos algo para aqueles que os rodeiam hoje e amanh\u00e3.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de se criar monumentos quentes fora das estat\u00edsticas frias e das conversas burocr\u00e1ticas, monumentos que mostrem vidas, vividas e n\u00e3o vividas, na procura do caminho.<\/p>\n<p>Precisamos de monumentos que testemunhem a aus\u00eancia e a saudade de vida e humanidade. Aquela aus\u00eancia muitas vezes recolhida no canto da saudade, que se refugia na mala da recorda\u00e7\u00e3o onde h\u00e1 cartas embrulhadas por l\u00e1grimas que as abrem de novo. Nelas o mundo passa ao longe e acena; depois a saudade vai \u00e0 igreja onde muitas vezes ajoelha para ganhar for\u00e7a e se juntar numa alegria que paira no ar das festas da associa\u00e7\u00e3o e onde se associa e junta uma voz long\u00ednqua de timbre a gaivota que voa no mar de saudade.<\/p>\n<p><strong>Celebra\u00e7\u00e3o da Aventura do Trabalho e da Honradez<\/strong><\/p>\n<p>Mais que casas da mem\u00f3ria dos emigrantes portugueses querem-se \u201cpadr\u00f5es\u201d da recorda\u00e7\u00e3o, sinais, vest\u00edgios, monumentos da aventura, do trabalho e honradez, espalhados entre as cidades e as na\u00e7\u00f5es;<strong> querem-se basti\u00f5es anti-preconceito e manifesta\u00e7\u00f5es de\u00a0 vida compartilhada, de\u00a0 solid\u00e3o e ilus\u00e3o, gerados na vontade de\u00a0 testemunhar reconcilia\u00e7\u00e3o. <\/strong>Aquela presen\u00e7a, por onde passamos, quer monumentos pequenos \u00e0 laia de marcas que sem cair resistam ao tempo, e fiquem como destaques do povo baixo que mantem a lusitanidade e a humanidade universal num contexto popular, j\u00e1 n\u00e3o agressivo de poder. Portugal humilde emigrante, fragmentado nos monumentos quer ver testemunhada a viagem de um povo na procura de si e de algu\u00e9m que o complete.<\/p>\n<p>De n\u00f3s n\u00e3o fica nada se n\u00e3o deixarmos a dor na pedra gravada como marcos de refer\u00eancia contra o esquecimento de um testemunho diferente em que a arte mantenha a ten\u00e7\u00e3o entre o real e a representa\u00e7\u00e3o. Precisamos de criar corredores de monumentos que se tornem em ve\u00edculos da lembran\u00e7a e da humanidade<strong>. N\u00e3o se trata de perpetuar a nostalgia do glorioso passado mas a hist\u00f3ria de hero\u00edsmos vencidos, de pessoas her\u00f3icas, sem presente nem passado, num futuro presente. Queremos as ruinas do presente a testemunhar o futuro do passado presente. S\u00e3o monumentos tamb\u00e9m da dor num vazio presente a lembrar a nossa aus\u00eancia, a voz do perto, gravada na pedra da dist\u00e2ncia: o longe da presen\u00e7a ausente na sociedade de origem e de acolhimento. <\/strong>Muitos dos monumentos poderiam ser padr\u00f5es express\u00e3o de gente sem rosto, de gente a passar como a brisa, a lutar contra a entropia e a testemunhar a entropia vigente.<\/p>\n<p>O monu<strong>mento<\/strong> \u00e9, como a palavra o diz: um desejo leg\u00edtimo de quer manter na <strong>mente<\/strong> colectiva um fen\u00f3meno humano que os vindouros interpretar\u00e3o. Estes seriam sinais de uma nova mentalidade, monumentos sem segundas inten\u00e7\u00f5es a perpetuar a lembran\u00e7a do destino de povo em benef\u00edcio de povo e n\u00e3o de ideologia ou de desvarios de poder. <strong>Seriam sinais do n\u00e3o poder, sinais da esperan\u00e7a que vive nas sombras do poder.<\/strong> O seu valor leg\u00edtimo hist\u00f3rico radica n\u00e3o s\u00f3 num per\u00edodo mas tamb\u00e9m num fen\u00f3meno sociol\u00f3gico ver\u00eddico que se mantem a querer expressar uma hist\u00f3ria a lembrar valores de povo.<\/p>\n<p>Evoco aqui a ideia de padr\u00f5es porque lembram o granito daquele norte e de vontades fortes e n\u00e3o de poderes estatais ou de pretens\u00f5es; seriam padr\u00f5es sem armas nem bandeiras, sem s\u00edmbolos de poder mas simples recorda\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a na voz da impot\u00eancia a construir honradez e humanidade.<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Seria \u00f3bvio, e no interesse de uma pol\u00edtica da cultura e da mem\u00f3ria do Estado portugu\u00eas, que \u00f3rg\u00e3os da emigra\u00e7\u00e3o e reparti\u00e7\u00f5es da cultura e do MNE considerassem projectos como estes.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Mem\u00f3ria e Recorda\u00e7\u00e3o &#8211; Fatores de identidade e identifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Da Maneira como se trata a nossa Mem\u00f3ria colectiva<\/strong><\/p>\n<p>Mem\u00f3ria \u00e9 uma capacidade, um centro de registo, de armazenamento e de recupera\u00e7\u00e3o\/recorda\u00e7\u00e3o. Recordar quer dizer, ir ao tombo da mem\u00f3ria, trazer ao cora\u00e7\u00e3o. Recorda\u00e7\u00e3o \u00e9 o facto, o conte\u00fado que \u00e9 chamado \u00e0 tona da mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Cada pessoa, cada grupo ou partido, cada pa\u00eds, tem no seu registo determinados acontecimentos e pessoas que gosta, mais ou menos, de recordar, numa preocupa\u00e7\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o e de criar identidade. Assim, nas comemora\u00e7\u00f5es do Estado cada regime pol\u00edtico procura empolgar as recorda\u00e7\u00f5es\/personalidades que mais confirmam a pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o\/identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Comemora\u00e7\u00f5es: Recorda\u00e7\u00e3o contra a Mem\u00f3ria colectiva?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o mesmo, comemorar um 10 de Junho (dia de Portugal, Cam\u00f5es), uma revolu\u00e7\u00e3o dos cravos (25 de Abril), um 5 de Outubro (Rep\u00fablica), uma restaura\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia, etc. Por tr\u00e1s de cada chamada de um acontecimento \u00e0 mem\u00f3ria, esconde-se uma inten\u00e7\u00e3o pol\u00edtica espec\u00edfica. Se se comemora a monarquia carpem os republicanos, se se comemora a rep\u00fablica choram os mon\u00e1rquicos. Com uma sociedade rica, t\u00e3o polivalente e diferenciada, n\u00e3o se torna f\u00e1cil satisfazer algu\u00e9m; a verdade \u00e9 que das l\u00e1grimas e contentamentos de uns e outros se constr\u00f3i o que somos. Por isso, e para termos uma na\u00e7\u00e3o de todos e completa, h\u00e1 que integrar tudo (aspectos positivos e negativos de cada regime e de toda a vida portuguesa) na mem\u00f3ria colectiva, n\u00e3o a reduzindo a uma ou outra lembran\u00e7a que se vai oportunamente buscar ao fundus da mem\u00f3ria. Assim, h\u00e1 que fomentar a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria toda, no sentido de uma consci\u00eancia portuguesa respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>Trata-se de fomentar uma mem\u00f3ria colectiva do povo, que transcenda personalidades e regimes, como adverte o soci\u00f3logo e fil\u00f3sofo Maurice Halbwachs; diria: que n\u00e3o se limite a comemora\u00e7\u00f5es e monumentos.<\/p>\n<p>Na mem\u00f3ria colectiva portuguesa est\u00e3o latentes, entre outros: os descobrimentos, a ocupa\u00e7\u00e3o espanhola, o desastre de Tanger, o terremoto de Lisboa, o mapa cor-de-rosa, o Estado Novo e o 25 de Abril.<\/p>\n<p>Fernando Pessoa recorda-nos: \u201cH\u00e1 um tempo em que \u00e9 preciso abandonar as roupas usadas, que j\u00e1 tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. \u00c9 o tempo da travessia: e, se n\u00e3o ousarmos faz\u00ea-la, teremos ficado, para sempre, \u00e0 margem de n\u00f3s mesmos.\u201d Trata-se aqui de fazermos a travessia sem perdermos a identidade, tendo de recorrer para isso \u00e0s pontes da mem\u00f3ria colectiva, na consci\u00eancia de que pontes s\u00e3o para ligar e unir.<\/p>\n<p>O memorial da consci\u00eancia colectiva e do inconsciente colectivo dever\u00e1 ter em conta o intuito de uma converg\u00eancia em que seja reconhecida a aura hol\u00edstica de um povo em marcha. Um povo que integra na sua mem\u00f3ria o positivo e o negativo de todos os contraentes no servi\u00e7o ao bem-comum e n\u00e3o apenas os marcos das lutas interinas pelo poder desviador de energias. Quer-se uma evolu\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o constru\u00edda j\u00e1 n\u00e3o com base na interdepend\u00eancia de egos e grupos mas numa rela\u00e7\u00e3o interpessoal e intergrupal ao servi\u00e7o do n\u00f3s. O processo da recorda\u00e7\u00e3o dos tempos sombrios e dos sustos da Hist\u00f3ria j\u00e1 n\u00e3o se processar\u00e1 no sentido de branquear ou denegrir acontecimentos mas no de reconciliar um povo e ajudar a cicatrizar as feridas das diferentes fac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>O nosso futuro ditado por outros<\/strong><\/p>\n<p>A sociedade portuguesa condicionada por uma pol\u00edtica a viver do dia-a-dia e dos ventos vindos de fora n\u00e3o tem tempo para se auto-analisar nem auto-renovar; <strong>por isso sente o progresso, sobretudo, como um imperativo de nega\u00e7\u00e3o do passado. Vive na depend\u00eancia do ruminar r\u00e1pido de ideias novas importadas e, consequentemente, no recalcamento do pr\u00f3prio passado.<\/strong> Na impossibilidade de elaborar uma pr\u00f3pria filosofia congruente com a sua identidade de povo<strong>, esgota-se numa mem\u00f3ria comunicativa ad hoc e funcionalista para uso de casa,<\/strong> <strong>sem se preocupar com a mem\u00f3ria colectiva cultural, aquela que assegura a sustentabilidade do desenvolvimento<\/strong>. D\u00e1 demasiada import\u00e2ncia \u00e0s lembran\u00e7as comemorativas (folclore) em detrimento da mem\u00f3ria colectiva cultural. Segue na Europa o modelo de destino de outros povos, seguindo muito embora, de olhar ressentido, os acontecimentos ditados por pot\u00eancias como USA, R\u00fassia e China. Neste sentido, o Norte com a Alemanha, que tem recursos suficientes de an\u00e1lise sin\u00f3ptica, continuar\u00e1 a ditar o destino de povos mais ou menos sat\u00e9lites porque incapazes de parar para poderem programar futuro. \u00c9 preciso repensar Portugal e renovar as suas institui\u00e7\u00f5es em fun\u00e7\u00e3o dele como bi\u00f3topo cultural de um grande biossistema. (A diminuta Su\u00ed\u00e7a \u00e9 um bom exemplo de autonomia e determina\u00e7\u00e3o do que seria muito mais poss\u00edvel num pa\u00eds como Portugal).<\/p>\n<p>A mem\u00f3ria colectiva compartilhada estabelece a ponte entre o passado e o presente no servi\u00e7o de sustentabilidade e identidade. N\u00e3o aponta para as \u00e1guas sujas do vizinho que correm debaixo da ponte \u00e0 maneira da afirma\u00e7\u00e3o do adolescente rebelde em oposi\u00e7\u00e3o ao passado, contra os pais. A energia de identifica\u00e7\u00e3o assemelha-se \u00e0 metamorfose do casulo para a larva e da larva para a borboleta. Cada um tem um ponto de refer\u00eancia da sua mem\u00f3ria que d\u00e1 consist\u00eancia \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o diacr\u00f3nica identit\u00e1ria. Uma mem\u00f3ria honesta n\u00e3o revitaliza um ou outro aspecto do passado para afirmar o seu ponto de vista mas deixa sim o passado ser passado, na sua cor local para poder, atrav\u00e9s dele, compreender o presente que com base nesta atitude se torna cr\u00edtico e inovador.<\/p>\n<p>Uma Alemanha continua a ter grande pujan\u00e7a na hist\u00f3ria actual porque cultiva intensamente a mem\u00f3ria colectiva (mediante uma cultura da recorda\u00e7\u00e3o activa) como caminho da forma\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria autoconsci\u00eancia (Schelling fala da recorda\u00e7\u00e3o como interioridade) que permite a mudan\u00e7a na continuidade (Identidade adulta ao contr\u00e1rio de identidade adolescente). Isto pressup\u00f5e uma l\u00f3gica policontextural em que se considera a hist\u00f3ria como viv\u00eancia algo maternal em cont\u00ednua gravidez. Isto pressup\u00f5e uma vis\u00e3o antropol\u00f3gica e sociol\u00f3gica de converg\u00eancia que vive da contextualiza\u00e7\u00e3o e da recontextualiza\u00e7\u00e3o em direc\u00e7\u00e3o a um mundo feito de experi\u00eancia e mem\u00f3ria e de observa\u00e7\u00e3o e fantasia.<\/p>\n<p><strong>A nova ordem ser\u00e1 inclusiva<\/strong><\/p>\n<p>O desafio do presente \u00e9 de tal ordem que torna rid\u00edcula a velha estrat\u00e9gia partid\u00e1ria divisionista; todas as for\u00e7as unidas s\u00e3o poucas. O enquadramento da pol\u00edtica em termos de esquerda ou direita tornou-se antiquado, numa altura em que as mundivis\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f3micas se sobrep\u00f5em e em que a consci\u00eancia jovem procura integrar os polos, numa orienta\u00e7\u00e3o hol\u00edstica de concep\u00e7\u00f5es e vis\u00f5es e numa estrat\u00e9gia de respeito valorativo de todas as perspectivas para uma praxis do ser e fazer.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria ter\u00e1 que se compreender numa cr\u00edtica de sobreposi\u00e7\u00f5es de \u00e9pocas no reconhecimento do ser (identidade) da cultura e do homem. N\u00e3o pode contrapor-se sistematicamente a uma \u00e9poca ou a qualquer das suas express\u00f5es ideol\u00f3gicas. <strong>Uma identidade cultural \u00e9 din\u00e2mica e interactiva n\u00e3o se processando aos saltos.<\/strong> <strong>N\u00e3o nos podemos divorciar do passado considerando-o como encerrado; a sua mem\u00f3ria \u00e9 fonte permanente de discuss\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o criativa. D\u00e1 oportunidade de sustentabilidade \u00e0s v\u00e1rias for\u00e7as ideol\u00f3gicas de modo a submeterem-se a uma autorreflex\u00e3o e contextualiza\u00e7\u00e3o que possibilita continuidade num din\u00e2mico de aferimento aos sinais dos tempos. <\/strong>Tamb\u00e9m o contraste ideol\u00f3gico-partid\u00e1rio n\u00e3o pode continuar a ser apresentado apenas de forma descritiva, dado tamb\u00e9m ele dever ser concebido de forma integrativa e n\u00e3o pela exclusividade de ideologias antag\u00f3nicas e reducionistas numa concep\u00e7\u00e3o estreita e curta da Hist\u00f3ria concebida em termos de posse e n\u00e3o de processo que \u00e9. Numa estrat\u00e9gia de tentativa e erro inerente a cada grupo, ideologia ou pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>No di\u00e1logo a criar e memorizar a palavra m\u00e1gica ser\u00e1 inclus\u00e3o. Trata-se n\u00e3o s\u00f3 da inclus\u00e3o das v\u00e1rias for\u00e7as e dos sujeitos na comunidade mas da sua participa\u00e7\u00e3o consciente no fazer p\u00fablico.<\/strong> <strong>A inclus\u00e3o do passado na elabora\u00e7\u00e3o do presente implica intencionalidade e empenho no esp\u00edrito de perten\u00e7a, com o substrato de uma filosofia do n\u00f3s. <\/strong>Urge criar uma intencionalidade do n\u00f3s como teoria da percep\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Isto implicaria uma socializa\u00e7\u00e3o do pensamento e a disposi\u00e7\u00e3o de se sair do corredor de ideias feitas.<\/p>\n<p>Na mem\u00f3ria colectiva tamb\u00e9m se documenta o oculto e o segredo, aquela parte onde se pode ver, ler e ouvir a reflex\u00e3o do que n\u00e3o \u00e9 interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A capacidade de transfer\u00eancia a n\u00edvel de \u00e9pocas e de cultura serve a percep\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a hist\u00f3rica numa diferencia\u00e7\u00e3o local garantidora de pluralidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Europa dos ricos contra a europa da periferia<\/strong><\/p>\n<p><strong>O Povo nas Democracias representativas passou a ser uma Fic\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia (EU) possibilitou os investimentos nas infra-estruturas em Portugal, mas levou-nos o nosso ganha-p\u00e3o: as ind\u00fastrias do cal\u00e7ado, dos t\u00eaxteis e das pescas; a EU f\u00ea-lo para poder vender, em contrapartida, na China m\u00e1quinas e autom\u00f3veis; e <strong>agora, leva-nos tamb\u00e9m, os nossos acad\u00e9micos, homens e mulheres formados com o esfor\u00e7o da ajuda remediada dos seus pais.<\/strong> Estes, que queriam ver seus filhos a subir na vida, v\u00eaem-nos agora sair para um mundo, que nos rouba o futuro, a juventude e a massa cinzenta. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de tal modo sem sentido e sem solu\u00e7\u00e3o que povo e na\u00e7\u00e3o s\u00e3o reduzidos a meros espectadores da queda!<\/p>\n<p>Um efeito secund\u00e1rio da crise \u00e9 a fuga de acad\u00e9micos de Portugal: segundo as estat\u00edsticas, 20% de portugueses acad\u00e9micos qualificados, emigram, devido \u00e0 pol\u00edtica da austeridade sem capital para investir. <strong>Quem ganha s\u00e3o os pa\u00edses como a Alemanha que recebe gratuitamente uma camada social formada que vem engrossar a sua camada m\u00e9dia baixa que assim \u00e9 rejuvenescida e cultivada.<\/strong> Os pa\u00edses ricos com fraca natalidade concentram em si a produ\u00e7\u00e3o sorvendo assim a intelig\u00eancia e a juventude da periferia.<\/p>\n<p>A Alemanha sabe que inova\u00e7\u00e3o \u00e9 a palavrinha m\u00e1gica que tudo transforma e d\u00e1 sustentabilidade \u00e0 na\u00e7\u00e3o. Sabe que o progresso n\u00e3o anda ligado a ideologias populistas mas ao trabalho proveniente da forma\u00e7\u00e3o que cria inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e assegura assim a capacidade de concorr\u00eancia no mercado. Deixa os outros falar de justi\u00e7a e de valores \u00e9ticos enquanto ela faz pela vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pa\u00edses com Estado mas sem Soberania<\/strong><\/p>\n<p><strong>A guerra dos custos (por pe\u00e7a) unit\u00e1rios<\/strong> <strong>do trabalho invade os Estados e arrasa-os. <\/strong>A periferia v\u00ea-se obrigada a comprar e a ver deixar partir a sua juventude para os pa\u00edses que ditam os pre\u00e7os e o andamento da economia. <strong>Aos pa\u00edses carenciados da zona Euro \u00e9-lhes impossibilitado o instrument\u00e1rio necess\u00e1rio para darem a volta \u00e0 crise: precisariam de capital dispon\u00edvel para investir (criar postos de trabalho) e de um euro fraco para poderem concorrer com os seus produtos contra as pot\u00eancias; mas os pa\u00edses ricos, com muito capital, s\u00e3o contra uma pol\u00edtica de infla\u00e7\u00e3o e fazem tudo por tudo para manterem um euro forte e duro que os beneficia <\/strong>(na EU j\u00e1 n\u00e3o se trata de encontrar solu\u00e7\u00f5es mas de explorar at\u00e9 \u00e0 \u00faltima um sistema falhado). O Banco Central Europeu (BZE) tamb\u00e9m tem seguido a pol\u00edtica financeira dos pa\u00edses do centro e norte, sendo impedido a subvencionar indirectamente os pa\u00edses do Sul (compra de ac\u00e7\u00f5es moles do sul) porque isso corresponderia a uma pol\u00edtica de enfraquecimento do euro (infla\u00e7\u00e3o). Por outro lado os Bancos privados s\u00f3 est\u00e3o interessados em grandes especula\u00e7\u00f5es (mentalidade casino) que trazem fortes rendimentos a pouco prazo, dificultando o investimento na economia real que s\u00f3 rende a longo prazo. <strong>Neste sentido os pa\u00edses da periferia s\u00e3o obrigados a renunciar \u00e0 sua soberania a favor da ditadura econ\u00f3mica.<\/strong><\/p>\n<p>Destroem a solidariedade e n\u00e3o deixam margem para compromisso, dado, as lutas nacionalistas se darem na batalha do mercado e na economia \u00e0 custa de um proletariado comum desprotegido.<\/p>\n<p>O povo real, que mais sofre, encontra-se desesperado porque tamb\u00e9m sabe que com berrar e protestar n\u00e3o se eleva o bem-estar. <strong>Os beneficiados do poder econ\u00f3mico e pol\u00edtico, com o apoio dos Media, contentam-se em distrair o povo, rindo cinicamente da maneira como tudo ladra no ataque, a este ou \u00e0quele partido, a este ou \u00e0quele governo, enquanto a pol\u00edtica e a economia se aproveitam do barulho do seu ladrar para ir buscar o seu e o dos que ladram.<\/strong> O povo n\u00e3o existe, \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o, passou a ser uma fic\u00e7\u00e3o nas democracias representativas. De facto o que existe s\u00e3o grupos de interesse e uma estrat\u00e9gia em que os representantes se servem com uma ideologia do pensar politicamente correcto que apenas favorece ideologias e o poder econ\u00f3mico.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 a Liberdade parece estar ao servi\u00e7o dos Fortes<\/strong><\/p>\n<p><strong>O princ\u00edpio ideol\u00f3gico e pr\u00e1tico europeu da livre concorr\u00eancia de bens e de circula\u00e7\u00e3o de pessoas, num mercado sem entraves, veio facilitar a hegemonia dos pa\u00edses fortes n\u00f3rdicos sobre os do sul e das classes beneficiadas sobre as carentes<\/strong> (Isto \u00e9 l\u00f3gico porque quem desenvolve as teorias econ\u00f3micas liberais e tem na m\u00e3o as empresas capazes de as efectuar s\u00e3o eles; o povo em geral, como a fome \u00e9 tanta, n\u00e3o pensa com a cabe\u00e7a mas apenas com o ventre, fortalecendo assim o sistema opressor que lhe deixa as migalhas da mesa).<\/p>\n<p>Os pa\u00edses do centro e norte conseguem garantir a sua exporta\u00e7\u00e3o de material caro e ao mesmo tempo, atrav\u00e9s de imigra\u00e7\u00e3o qualificada, resolver o seu problema de envelhecimento da sociedade. Deste modo, os n\u00f3rdicos est\u00e3o sempre preparados para irem \u00e0 conquista do mundo com as suas tecnologias de ponta, enquanto os do Sul continuar\u00e3o a trabalhar para um euro forte, que os prejudica, para que a Europa continue a ser um mercado atractivo para os mercados do grande capital mundial. A Alemanha interesseira favorece as rela\u00e7\u00f5es para os pa\u00edses de Leste.<\/p>\n<p><strong>Com a emigra\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o produtiva e jovem, os pa\u00edses do Sul criam uma grande hipoteca para com as gera\u00e7\u00f5es vindouras, dado a popula\u00e7\u00e3o activa futura ser demasiado reduzida para poder produzir de modo a poder viver e pagar tamb\u00e9m as reformas e pens\u00f5es de uma sociedade altamente envelhecida. <\/strong>N\u00e3o ser\u00e1 prov\u00e1vel que os emigrantes ent\u00e3o voltar\u00e3o para gozar as reformas em Portugal, do tempo que trabalharam no estrangeiro. Ent\u00e3o os pa\u00edses receptores saber\u00e3o elaborar leis para impedir que o dinheiro saia dos seus pa\u00edses e Portugal lutar\u00e1 com o problema de alimentar os seus velhinhos!<\/p>\n<p>A emigra\u00e7\u00e3o de ontem estabilizava o regime de ontem, como a de hoje estabiliza o actual regime. \u201cT\u00e3o ladr\u00e3o \u00e9 o que rouba como o que fica \u00e0 porta\u201d! N\u00e3o ser\u00e1 que, n\u00f3s, que criticamos e louvamos, somos os ladr\u00f5es da porta? Ontem como hoje as nossas vidas s\u00e3o a sangria duma na\u00e7\u00e3o entregue ao pensar econ\u00f3mico dos pa\u00edses fortes. Se no tempo de Salazar havia muita gente \u00e0 porta dos males do seu regime pol\u00edtico, hoje n\u00e3o h\u00e1 menos \u00e0 porta dos males do nosso. Ningu\u00e9m \u00e9 preso por isso, ontem como hoje. Hoje h\u00e1 muito boa gente a viver, e muito bem, \u00e0 sombra das querelas do vizinho. Ontem como hoje todos continuamos, mais ou menos prisioneiros do passado e do presente, perpetuados numa mentalidade tacanha. Naturalmente, n\u00e3o se deve ser perfeito; sim, porque o perfeito \u00e9 inimigo do bom! Se fossemos perfeitos, coitados dos nossos vindouros que, se interromp\u00eassemos a velha l\u00f3gica, n\u00e3o teriam nada para criticar e, teriam assim, s\u00f3 o fim da Hist\u00f3ria para declarar!&#8230;<\/p>\n<p><strong>N\u00f3s n\u00e3o declararemos o fim da Hist\u00f3ria mas somos os testemunhos do fim de uma grande \u00e9poca. Depois da ditadura da economia e da ideologia talvez o Homem esteja maduro para se descobrir a si mesmo!<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Entre Pol\u00edtica provinciana e Pol\u00edtica de Comparsas institucionais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Carta aberta ao Senhor Ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros Dr. Paulo Portas <\/strong><\/p>\n<p>Frankfurt \u00e9 S\u00edmbolo e Programa e o Vice-consulado de Portugal tamb\u00e9m<\/p>\n<p>Excel\u00eancia,<\/p>\n<p>A reestrutura\u00e7\u00e3o da Rede Consular Portuguesa levada a cabo pelo PS em 2009 foi \u201ccega\u201d e a reestrutura\u00e7\u00e3o, em via, revela-se tamb\u00e9m incoerente e injusta. Frankfurt est\u00e1 a ser v\u00edtima de algo irracional: o governo PS despromoveu Frankfurt para Vice-consulado para promover o escrit\u00f3rio consular de Osnabrueck a Vice-consulado e agora o governo PSD\/CDS-PP quer encerrar os dois. Foi esquecido que Frankfurt \u2013 a Capital financeira e econ\u00f3mica da Europa \u2013 \u00e9 S\u00edmbolo e Programa.<\/p>\n<p>Uma reestrutura\u00e7\u00e3o de envergadura implicaria um novo perfil de diplomata, uma redefini\u00e7\u00e3o de hierarquia e de estrat\u00e9gia de interven\u00e7\u00e3o operacional e uma delega\u00e7\u00e3o de poderes n\u00e3o t\u00e3o condicionada a modelos tradicionais jur\u00eddicos anteriores \u00e0 Uni\u00e3o Europeia. Um novo organigrama das institui\u00e7\u00f5es e uma redefini\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os bem como \u00f3rg\u00e3os de controlo isentos exigem mais tempo para concretiza\u00e7\u00e3o. O tempo de postos feudais necessita de ser questionado para come\u00e7ar a fazer parte do passado. O mesmo se diga quanto \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de reivindica\u00e7\u00e3o sindical.<\/p>\n<p>A escala de poderes e de compet\u00eancias, nem sempre coincidentes, pressup\u00f5e um fio condutor que concilie o ide\u00e1rio de Estado e a sua ac\u00e7\u00e3o numa interliga\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica de servi\u00e7o e efici\u00eancia com \u00f3rg\u00e3os de controlo exteriores ao poder executivo.<\/p>\n<p>A indig\u00eancia em que Portugal se encontra poder\u00e1 levar a uma remodela\u00e7\u00e3o na hora, em cima dos joelhos.<\/p>\n<p>A desconsidera\u00e7\u00e3o por Frankfurt ser\u00e1 tomada como s\u00edmbolo de neglig\u00eancia da economia portuguesa e base de desmotiva\u00e7\u00e3o para jovens portugueses de esp\u00edrito inovador que lutam tamb\u00e9m por um Portugal respeitado e eficiente. Portugal n\u00e3o pode continuar a viver s\u00f3 da sua imagem. A dignidade do pr\u00f3prio Estado a ser representada e a efici\u00eancia de servi\u00e7os ao serem aferidas \u00e0s novas exig\u00eancias de moderniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem emperrar nas barreiras duma burocratiza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de subalterniza\u00e7\u00e3o e de mero economicismo. Urge substituir t\u00edtulos pomposos e maneirismos por conte\u00fados e compet\u00eancias humanas e t\u00e9cnicas com base na funcionalidade, operacionalidade e transpar\u00eancia.<\/p>\n<p>Quando os pol\u00edticos falam em manter presen\u00e7as consulares, isso n\u00e3o ajudar\u00e1 nem o pa\u00eds nem os utentes, pois poder\u00e1 tratar-se de um servi\u00e7o meramente documental limitando-se a pouco mais do que a emiss\u00f5es de cart\u00f5es de cidad\u00e3o ou passaportes, que qualquer cidad\u00e3o que se desloque a Portugal poder\u00e1 ali tratar. O servi\u00e7o consular \u00e9 muito mais que isso. Onde fica a parte humana e onde ficam as inten\u00e7\u00f5es de diplomacia econ\u00f3mica t\u00e3o apregoadas pelo senhor ministro? Se algo houvesse a alterar relativamente \u00e0 Alemanha, seria despromover consulados e consulados-gerais, racionalizar custos de instala\u00e7\u00f5es e pessoal.<\/p>\n<p>Frankfurt \u00e9 a capital n\u00e3o s\u00f3 financeira como tamb\u00e9m econ\u00f3mica da Europa e, a justificar isso est\u00e1 o facto de ser Frankfurt onde est\u00e3o o maior n\u00famero de consulados estrangeiros. O vice-consulado de Frankfurt serve tamb\u00e9m 30.000 portugueses em tr\u00eas Estados federados na Alemanha: Hessen, Ren\u00e2nia-Palatinado e Sarre. O n\u00famero de actos consulares de Frankfurt aumentou ultimamente mais de 30%.<\/p>\n<p>Frankfurt preenche todos os objectivos conhecidos a que o senhor ministro se prop\u00f5e nesta reestrutura\u00e7\u00e3o, tal como prestar um bom servi\u00e7o \u00e0s comunidades emigrantes que consequentemente enviam as suas economias para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Pretende-se passar o VC Frankfurt para a jurisdi\u00e7\u00e3o de Estugarda, uma cidade de prov\u00edncia, comparada com Frankfurt. Naquela cidade h\u00e1 apenas 12 consulados-gerais (incluindo o de Portugal), bem como 45 consulados honor\u00e1rios e 12 consulados. Em Frankfurt h\u00e1 50 consulados-gerais, 45 consulados honor\u00e1rios, 6 consulados e um vice-consulado (o portugu\u00eas). A l\u00f3gica da governa\u00e7\u00e3o portuguesa parece andar ao contr\u00e1rio da l\u00f3gica dos outros. Ser\u00e1 que os decisores do nosso pa\u00eds s\u00e3o mais espertos que os dos restantes 44? N\u00e3o contando com todos os outros consulados aqui radicados que s\u00e3o mais de 100. Quanto a Estugarda o senhor c\u00f4nsul-geral est\u00e1 para atingir a idade de reforma, podendo tamb\u00e9m aqui poupar-se um posto de c\u00f4nsul.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m relativamente \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio externo de Portugal, Frankfurt ser\u00e1 crucial para o investimento estrangeiro e para a sede das empresas portuguesas (a economia de Hessen cresceu no 1\u00ba semestre deste ano 4,3%). \u00c9 em Frankfurt que est\u00e1 sediada a Federa\u00e7\u00e3o dos Empres\u00e1rios Portugueses na Alemanha (um di\u00e1logo com o seu presidente poderia criar condi\u00e7\u00f5es de instala\u00e7\u00f5es consulares vantajosas), as feiras, o Banco Central Europeu e tudo o mais que j\u00e1 se tem vindo a argumentar.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m acha que h\u00e1 cidade na Europa estrategicamente mais importante que Frankfurt, excluindo as capitais? S\u00f3 a palavra \u201cFrankfurt\u201d \u00e9 programa e d\u00e1 resposta a todos os crit\u00e9rios.<\/p>\n<p>Uma forma adequada e justa de resolver o problema seria reparar o erro cometido em 2009. Naturalmente que c\u00f4nsules, conselheiros e embaixadores deveriam ser medidos pelo que produzem e n\u00e3o apenas pelo cargo que tudo parece justificar.<\/p>\n<p>H\u00e1 alternativas ao encerramento de Vice-consulados: Despromover consulados e consulados-gerais para Vice-consulados; controlar a produtividade dos postos consulares, comparar as estat\u00edsticas dos actos consulares entre eles, poupar nas instala\u00e7\u00f5es (\u00e9 escandaloso o que Portugal paga de renda por m\u00eas pelas instala\u00e7\u00f5es em Berlim \u2013 segundo consta cerca de 60.000 euros mensais, s\u00f3 pelas instala\u00e7\u00f5es), poupar no pessoal superior e substitu\u00ed-lo por pessoal m\u00e9dio. Em Frankfurt os custos de arrendamento podiam ser reduzidos para metade.<\/p>\n<p>Outras raz\u00f5es, que n\u00e3o as de poupan\u00e7a e de racionaliza\u00e7\u00e3o, levam ao fecho do Vice-Consulado de Frankfurt. O Senhor Ministro Paulo Portas e o Senhor Secret\u00e1rio de Estado Jos\u00e9 Ces\u00e1rio est\u00e3o a ser mal-informados.<\/p>\n<p>O encerramento de Frankfurt e de Osnabr\u00fcck n\u00e3o fecham por raz\u00f5es econ\u00f3micas, porque, com uma gest\u00e3o mais racional, quase se suportariam a si mesmos. Para isso seria necess\u00e1rio tamb\u00e9m actualizar a tabela de emolumentos consulares de uma forma justa. Neste momento h\u00e1 actos que exigem dos funcion\u00e1rios v\u00e1rias horas de trabalho e n\u00e3o custam nada ao cliente. Por exemplo o reconhecimento das senten\u00e7as de div\u00f3rcio e respectivos averbamentos aos registos de nacimento dos utentes! As certid\u00f5es de nascimento e casamento em Portugal custam 20 euros. Na tabela consular continuam a custar 16,50 euros.<\/p>\n<p>O senhor ministro disse no parlamento que, com os encerramentos, consegue poupar na rede diplom\u00e1tica 12 milh\u00f5es de euros em 2012. Em vista ao que se poderia poupar nas instala\u00e7\u00f5es e administra\u00e7\u00f5es portuguesas, a quota-parte de poupan\u00e7a na Alemanha ainda parece pouca, em rela\u00e7\u00e3o ao que se poderia poupar se se apostasse numa poupan\u00e7a racional e no trabalho produtivo. Uma op\u00e7\u00e3o neste sentido manteria certamente Frankfurt. Na Alemanha poupa-se nos pobres para deixar os grandes viver \u00e0 grande e \u00e0 francesa! Nestes, nos diplomatas que custam ao er\u00e1rio p\u00fablico 12 a 20 mil euros por m\u00eas, \u00e9 que se deveria poupar mais. Reduzam-se imediatamente os subs\u00eddios mensais de representa\u00e7\u00e3o e de resid\u00eancia em 50%. 7.000 Euros de subs\u00eddio de representa\u00e7\u00e3o mensal para um senhor c\u00f4nsul \u00e9 um esc\u00e2ndalo, n\u00e3o falando j\u00e1 do subs\u00eddio de resid\u00eancia. Para uma remodela\u00e7\u00e3o de poupan\u00e7a inicial bastaria uma despromo\u00e7\u00e3o de cargos em favor de trabalhadores de actividades produtivas e controladas.<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para acreditar que o senhor ministro Dr. Paulo Portas encontre raz\u00f5es s\u00e9rias para encerrar o Vice-consulado dum lugar estrat\u00e9gico e \u00fanico como o de Frankfurt. O \u201clobby\u201d dos diplomatas est\u00e1 a vencer mais uma vez e o senhor ministro a perder e Portugal a perder tamb\u00e9m. A reestrutura\u00e7\u00e3o, no caso da Alemanha, longe de se revelar como uma reestrutura\u00e7\u00e3o por motivos econ\u00f3micos, ao proceder \u00e0 extin\u00e7\u00e3o dos dois vice-consulados (Frankfurt e Osnabrueck) manifesta-se arbitr\u00e1ria extinguindo vice-consulados quando estes fazem praticamente o mesmo que um Consulado-Geral e custando metade deste; nos consulados e embaixadas poder-se-ia poupar a parte do le\u00e3o em dinheiro.<\/p>\n<p>O senhor ministro est\u00e1 a ser mal informado sobre a import\u00e2ncia do Consulado em Frankfurt e a ser levado pela grande for\u00e7a que s\u00e3o os diplomatas de carreira (c\u00f4nsules e embaixadores), e certamente pela burocracia da Direc\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os Consulares, numa tentativa de defenderem postos de trabalho superiores contra postos de trabalho dos trabalhadores consulares. Certamente deixou-se tamb\u00e9m, na fase inicial, impressionar pelo sindicato das embaixadas e consulados que s\u00f3 saltou para a arena no momento em que viu o vice-consulado de Osnabrueck amea\u00e7ado.<\/p>\n<p>Hamburgo, que tem apenas 8.000 portugueses, tem um c\u00f4nsul, um vice-c\u00f4nsul e ainda outro funcion\u00e1rio superior est\u00e1 a ser poupado. Porque n\u00e3o reduzir, entre outros, tamb\u00e9m Estugarda a Vice-consulado, porque n\u00e3o se racionaliza o pessoal da Embaixada e os gastos com o im\u00f3vel? Porque n\u00e3o se alarga a zona de atendimento do VC de Frankfurt ao norte da vizinha Baviera? N\u00e3o se justifica mais que um \u00fanico Consulado-Geral por pa\u00eds.<\/p>\n<p>No final da manifesta\u00e7\u00e3o de 5 de Novembro contra o encerramento do VC de Frankfurt, alguns manifestantes sugeriram novas formas de protesto, formas mais espectaculares, tais como, ocupa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do vice-consulado, manifesta\u00e7\u00f5es em cadeia \u00e0 frente do Vice-Consulado, assumidas rotativamente pelas associa\u00e7\u00f5es. Recolhemos quatro mil e tal assinaturas contra o encerramento, que aguardam audi\u00eancia para entrega \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Senhor Ministro, seria mal continuar a tradi\u00e7\u00e3o de poupar no pessoal barato para continuar a gastar no pessoal de luxo que para l\u00e1 de algumas espertezas quase s\u00f3 deixa despesas. A dignidade dum pa\u00eds prova-se na capacidade de trabalho e na justi\u00e7a social; a dignidade mais que ser representada, precisa de ser vivida.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de encerramento, a ser levada avante, deixaria uma grande amargura na popula\u00e7\u00e3o e uma d\u00favida da racionalidade da gest\u00e3o portuguesa. Num futuro pr\u00f3ximo o governo teria de rever a sua posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo, Porta-Voz do Conselho Consultivo do Vice-Consulado de Frankfurt<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Um Povo ainda agarrado ao seu Gosto de sofrer<\/strong><\/p>\n<p><strong>Portugal de Joelhos e sempre pronto a ajoelhar<\/strong><\/p>\n<p>O dilema de Portugal n\u00e3o \u00e9 o de se erguer-dormir-deitar. O problema \u00e9 cr\u00f3nico, o seu estado ajoelhado: um Portugal sempre de joelhos e sempre pronto a ajoelhar.<\/p>\n<p>Se olhamos para a rua, l\u00e1 anda ele a nidificar no saco das compras e se olhamos para a selva das letras, l\u00e1, entre o vozear de c\u00e3es, sobressai o seu uivar, a letrear \u00e0 porfia o aroma do seu ser!<\/p>\n<p>Tudo fala da injusti\u00e7a do sofrer, tudo anda desgostoso \u00e0 procura do seu gosto de sofrer!<\/p>\n<p>Nos baixios da Rep\u00fablica, entre gratid\u00e3o e ingratid\u00e3o vive a maldade comprometida de benem\u00e9ritos e de indignos na procura do cheiro. Eleitos e condenados entre o seio de Deus e o Olimpo dos pol\u00edticos, todos eles s\u00e3o bem-aventurados da natureza lusa, feita de povo penitente e de bem-aventurados renitentes.<\/p>\n<p>Internacionalistas e patriotas, progressistas e conservadores, tudo ciente da direc\u00e7\u00e3o do seu nariz, tudo anda interessado em seguir a cor da capa da sua cartilha. No nosso bendito Portugal n\u00e3o h\u00e1 c\u00e9u nem inferno, s\u00f3 existe a antec\u00e2mara do interm\u00e9dio, de um viver genuflectido, num estado de cont\u00ednuo limbo ou purgat\u00f3rio, entre o sentir a crosta dos joelhos e o olhar a felicidade nas cores das nuvens que passam.<\/p>\n<p>Desiludidos de cores e cartilhas tamb\u00e9m se encontram, por a\u00ed, aos mont\u00f5es: uns encostados \u00e0 bengala das suas raz\u00f5es, outros a viver da c\u00f4dea do pr\u00f3prio respeito na venera\u00e7\u00e3o mendigada!<\/p>\n<p>Neste Portugal da venera\u00e7\u00e3o de senhores e de m\u00e1rtires, ningu\u00e9m foge \u00e0 prociss\u00e3o. Tudo anda bem alinhado, na democr\u00e1tica ca\u00e7a ao para\u00edso comum de ca\u00e7adores e ca\u00e7ados.<\/p>\n<p>Sob o sol da democracia n\u00e3o h\u00e1 lugar para desalinhados, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o precisos grevistas nem patr\u00f5es, governantes nem governados, porque tudo anda no trabalho s\u00e9rio de enriquecer o pr\u00f3prio feudo.<\/p>\n<p>Portugal ajoelhado, n\u00e3o tem for\u00e7a para se erguer; a for\u00e7a que ainda lhe resta, s\u00f3 lhe d\u00e1 para ir comer, de m\u00e3o estendida, \u00e0 luz da vela.<\/p>\n<p>Boa noite Portugal!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Eus\u00e9bio Exemplo de Lusitanidade<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eus\u00e9bio \u00e9 Voz de Povo a esperar<\/strong><\/p>\n<p>No dia de Reis \u00e9 sepultado um rei do futebol e dos cora\u00e7\u00f5es. Eus\u00e9bio nascido em Louren\u00e7o Marques\/Maputo, Mo\u00e7ambique veio cedo para Lisboa, deixando-nos agora com 71 anos.<\/p>\n<p>Salazar declarou-o invend\u00e1vel. Em 1960 passou do Sporting de Lourenco Marques para o Benfica de Lisboa que pagou, na altura ao clube rival um resgate de 350 contos (cerca de 25.000 euros) conseguindo assim um grande neg\u00f3cio. Eus\u00e9bio recebeu na altura o correspondente a 1.200\u20ac de compensa\u00e7\u00e3o e passou a ganhar 30\u20ac mensais. N\u00e3o dava para enriquecer.<\/p>\n<p>Aquele homem bom e simples conseguiu unir a simplicidade \u00e0 heroicidade. Corria por amor \u00e0 camisola e ao povo. Era um \u00edcone do desporto entre as vedetas de futebol do mundo mas sempre sem peneiras.<\/p>\n<p>Pertence ainda a um tempo em que o futebol n\u00e3o era dinheiro mas paix\u00e3o. O seu profissionalismo e exemplo de trabalho fizeram dele uma refer\u00eancia da ci\u00eancia popular. Como homem \u00edntegro manteve-se homem do mundo e n\u00e3o da ideologia; talvez por isso n\u00e3o fosse sempre reconhecido por uma certa elite pol\u00edtica a que o cheiro a povo incomoda.<\/p>\n<p>Porque n\u00e3o arrotava a poder mereceu de M\u00e1rio Soares a seguinte declara\u00e7\u00e3o: &#8221; De Eus\u00e9bio n\u00e3o sei muito, sei que era um homem simples, que s\u00f3 sabia falar de futebol, que n\u00e3o era culto\u2026\u201d<\/p>\n<p>O \u201cPantera Negra\u201d foi um Homem Bom, um s\u00edmbolo do Portugal povo e da \u00c1frica que mete num saco a cultura de muitos pretensiosos senhores da cultura e que fez mais por Portugal que muitos embaixadores e senhores que determinam o que \u00e9 cultura e poder. Paz \u00e0 sua alma!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ocidente &#8211; Uma Cultura a gerar Filhos de Ningu\u00e9m<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sapatinho de Natal &gt; Santa Claus &gt; Pai-Natal<\/strong><\/p>\n<p>Quando era pequenino quem trazia as prendas de natal era o Menino Jesus; de 24 para 25 de Dezembro, pela calada da noite, ele colocava-as na lareira junto aos sapatos.<\/p>\n<p>Com a comercializa\u00e7\u00e3o da sociedade foi-se impondo o Pai-Natal (Papai Noel), vindo do Polo Norte num tren\u00f3; um homem rechonchudo, alegre e de barba branca vestido de vermelho e com um gorro ca\u00eddo virado para a terra. Os americanos protestantes (USA e Canad\u00e1 &#8211; n\u00e3o inclinados para o culto dos santos) e propensos ao capitalismo, em vez de importarem da Europa a tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica do Menino Jesus e do sapatinho \u00e0 lareira ou do S\u00e3o Nicolau, criaram a figura do Pai-Natal, em 1860, \u00e0 imagem da tradi\u00e7\u00e3o n\u00f3rdica do S. Nicolau. A substitui\u00e7\u00e3o do bispo, que oferecera a sua grande heran\u00e7a aos pobres, pela figura do Pai-Natal, foi comercializada nos meados do s\u00e9culo XIX pela empresa Coca-Cola. Pai Natal \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o secular do \u201cMenino Jesus\u201d<\/p>\n<p>\u201cMenino Jesus\u201d, S\u00e3o Nicolau (Santa Claus), Pai-Natal, s\u00e3o nomes que se d\u00e3o \u00e0 personagem que traz os presentes na V\u00e9spera de Natal, (24 de dezembro), ou no dia de S\u00e3o Nicolau (6 de Dezembro). No Natal faziam-se prendas para lembrar a oferta de Cristo \u00e0 humanidade; como fomos prendados continuamos a prendar os outros.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante verificar, duma perspectiva sociol\u00f3gica, como cada \u00e9poca e povo cria\/transforma as suas tradi\u00e7\u00f5es \u00e0 medida da sua alma e do seu ide\u00e1rio central. Este torna-se como que a estrela de Bel\u00e9m atr\u00e1s da qual todo o mundo corre. As exterioridades folcl\u00f3ricas permanecem as mesmas; muda apenas o seu conte\u00fado cada vez mais feito de superficialidades, a n\u00edvel de massas.<\/p>\n<p>Se observamos a natureza tudo se desenvolve do interior para o exterior. O exterior chama a aten\u00e7\u00e3o para a vida interior a ser transmitir. Nos tempos em que a preocupa\u00e7\u00e3o do ser humano com suas institui\u00e7\u00f5es se centrava mais nos bens interiores e na comunidade, as suas institui\u00e7\u00f5es preocupavam-se com a integra\u00e7\u00e3o do novo na sua alma.<\/p>\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica, no seu contacto com os povos b\u00e1rbaros, respeitava o cerne das suas cren\u00e7as procurando integr\u00e1-las no seu firmamento metaf\u00edsico. Assim, num processo de acultura\u00e7\u00e3o e de incultura\u00e7\u00e3o dava profundidade e resposta aos mitos de povos e culturas, integrando num conceito global diferentes arqu\u00e9tipos da sociedade e do Homem. Nos mitos (arqu\u00e9tipos) encontra-se a simbologia plastificada da realidade humana para al\u00e9m do momento hist\u00f3rico. Por isso a verdade mitol\u00f3gica \u00e9 mais real\/verdadeira que a verdade hist\u00f3rica; esta \u00e9 apenas o resultado do agir no sentido da concretiza\u00e7\u00e3o dos mitos.<\/p>\n<p><strong>Filhos de ningu\u00e9m<\/strong><\/p>\n<p>Com a acentua\u00e7\u00e3o da modernidade e do secularismo tem-se dado o processo inverso, iniciando-se assim a exonera\u00e7\u00e3o da cultura ocidental. O com\u00e9rcio apodera-se dos mitos crist\u00e3os para os desmiolar num processo de seculariza\u00e7\u00e3o desespiritualizadora para os instrumentalizar em seu benef\u00edcio. Neste processo, em vez de um procedimento de enriquecimento e de interioriza\u00e7\u00e3o no sentido da continuidade comunit\u00e1ria d\u00e1-se o contr\u00e1rio, a mera exterioriza\u00e7\u00e3o sem liga\u00e7\u00e3o ao interior, apenas centrada no sentido da parcela e do momento. S\u00f3 conta o embrulho que deslumbra o mundo. Tal como o protestantismo expressou o in\u00edcio do fim da cultura medieval agr\u00e1ria (fim do dom\u00ednio dos pa\u00edses latinos) e o in\u00edcio do dom\u00ednio n\u00f3rdico baseado mais no fomento do capitalismo (do direito do indiv\u00edduo contra a comunidade), observa-se hoje o in\u00edcio da destrui\u00e7\u00e3o da cultura ocidental atrav\u00e9s do globalismo financeiro. \u00c9 preocupante dar-se conta dos paralelos entre a rela\u00e7\u00e3o protestantismo-catolicismo como indicadoras do in\u00edcio de uma nova era no s\u00e9culo XVI e a rela\u00e7\u00e3o cristianismo-secularismo da actualidade, como in\u00edcio do abdicar da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental e o in\u00edcio de uma sociedade an\u00f3nima orientada pela pseudo-\u00e9tica de um utilitarismo universal. Encontramo-nos no in\u00edcio do fim.<\/p>\n<p>Os s\u00edmbolos religiosos s\u00e3o substitu\u00eddos por s\u00edmbolos comerciais centrados no neg\u00f3cio e j\u00e1 n\u00e3o no ide\u00e1rio crist\u00e3o. Deixam de ser arqu\u00e9tipos (modelos da alma e da civiliza\u00e7\u00e3o) para se tornarem s\u00edmbolos do capital e do com\u00e9rcio ao servi\u00e7o de necessidades artificiais. A rela\u00e7\u00e3o humanista d\u00e1 lugar \u00e0 rela\u00e7\u00e3o comercial. Ao ignorar a sua bondade inicial interior, o Homem torna-se a sua pr\u00f3pria fera.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise que aqui fa\u00e7o apenas me limito a referir um pequeno aspecto cultural, um sintoma limitado mas sintom\u00e1tico da autodestrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica duma grande civiliza\u00e7\u00e3o que parece odiar-se a si mesma.<\/p>\n<p>Quem melhor quiser conhecer a alma das civiliza\u00e7\u00f5es e das culturas observa-lhes os seus mitos, a sua alma. A autodestrui\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental \u00e9 impar\u00e1vel ao reduzi-la ao seu aspecto de permuta econ\u00f3mico-comercial e que se torna patente na substitui\u00e7\u00e3o do Nicolau pelo Pai-Natal. O S\u00e3o Nicolau tinha uma mitra com a ponta a indicar para o c\u00e9u e a ponta da barba a apontar para a terra; tinha o corpo em posi\u00e7\u00e3o direita a indicar respeito e rela\u00e7\u00e3o com a transcend\u00eancia e o bast\u00e3o da autoridade. Nicolau \u00e9 o s\u00edmbolo da autoridade n\u00e3o autorit\u00e1ria que proporciona lugar para o crescimento dos outros de modo a tornarem-se adultos.<\/p>\n<p>Sem o poder e a influ\u00eancia que representa a propaganda Coca-Cola, o Pai Natal n\u00e3o teria transferido t\u00e3o depressa os pa\u00edses protestantes. Hoje ele tornou-se na express\u00e3o da sociedade de consumo em que vivemos. O Pai-Natal, n\u00e3o vem do c\u00e9u, vem dos pa\u00edses frios do norte e \u00e9 express\u00e3o dos valores da nossa sociedade. Em vez da tiara simbolizadora da espiritualidade e do alto, o Pai Noel traz um gorro vermelho virado para o ch\u00e3o. Tem as propor\u00e7\u00f5es corporais de uma crian\u00e7a de tr\u00eas anos e um nariz grosseiro batatudo a puxar para baixo; \u00e9 infantil, com um saco aos ombros pronto a distribuir o seu conte\u00fado. Deixou de ser um arqu\u00e9tipo da alma para se tornar a documenta\u00e7\u00e3o duma sociedade de consumo em regress\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Esp\u00edrito ainda n\u00e3o concretizado<\/strong><\/p>\n<p>Uma sociedade sem mitos empobrece e \u00e9 abafada; uma sociedade sem natal \u00e9 escura e sem perspectiva transcendente; natal \u00e9 o tempo do dar \u00e0 luz, \u00e9 o tempo dos s\u00edmbolos e dos contos de fadas e das crian\u00e7as. (\u201cSe n\u00e3o mudardes e n\u00e3o vos tornardes como crian\u00e7as, de modo algum entrareis no reino dos c\u00e9us\u201d (Mat.18.3).)<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de recordar apenas algo que aconteceu no passado. O mito \u00e9 uma verdade e n\u00e3o uma fantasia (Na linguagem coloquial a palavra mito \u00e9 usada como algo fruto da fantasia). Mais importante do que o acontecido no passado \u00e9 a verdade do que est\u00e1 sempre a acontecer, ontem, hoje e amanh\u00e3, em diferentes dimens\u00f5es. Mito \u00e9 teologicamente algo\/verdade sempre a acontecer em n\u00f3s e na comunidade.<\/p>\n<p>O Evangelho fala apenas do nascimento de Jesus na \u201cmanjedoura de um curral\u201d em Bel\u00e9m e de pastores e magos (tr\u00eas reis) que o visitam. Na descri\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia de Jesus mistura-se a realidade da Hist\u00f3ria com a realidade das met\u00e1foras.<\/p>\n<p>A procura de um lugar para a crian\u00e7a divina, longe da terra natal, \u00e9 naturalmente uma met\u00e1fora. A alma n\u00e3o \u00e9 oriunda da terra, n\u00f3s vimos de outro lugar e n\u00e3o somos deste mundo. O mundo n\u00e3o \u00e9 um albergue af\u00e1vel e quente. No nascimento virginal acontece algo completamente novo e inexplic\u00e1vel (Tamb\u00e9m aparece no budismo e no taoismo). Jesus \u00e9 tamb\u00e9m o nosso arqu\u00e9tipo e como tal mostra que tamb\u00e9m n\u00f3s temos uma m\u00e3e terrestre e ao mesmo tempo temos origem celeste, somos seres espirituais. Esta origem espiritual foi por n\u00f3s esquecida. No nascimento virginal o pai \u00e9 espiritual e como tal desconhecido. Jesus conhecia o seu Pai. O pai de todos n\u00f3s \u00e9 em certa medida o grande desconhecido. Somos todos filhos de Deus e a nossa vida \u00e9 uma busca do grande desconhecido! A pessoa de f\u00e9 vive da resson\u00e2ncia da presen\u00e7a divina em si e no mundo, ela tem a consci\u00eancia de a ter presente no seu interior.<\/p>\n<p>H\u00e1 a verdade hist\u00f3rica e a verdade da alma e espiritual. A crian\u00e7a divina no pres\u00e9pio n\u00e3o se relaciona apenas \u00e0 realidade hist\u00f3rica do seu nascimento (Bel\u00e9m\/Nazar\u00e9) mas \u00e9 tamb\u00e9m s\u00edmbolo e garantia da crian\u00e7a interior em n\u00f3s.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a n\u00e3o nasceu em casa, na pr\u00f3pria terra; foi nascer em terra distante. Para que nas\u00e7a algo novo em n\u00f3s teremos de abandonar os velhos h\u00e1bitos, teremos de abandonar a nossa casa, a seguran\u00e7a do dia-a-dia que n\u00e3o \u00e9 albergue nem lar definitivo. Na pobreza do esp\u00edrito, depois de despidos do nosso saber, das certezas e opini\u00f5es, depois de nos tornarmos pequeninos e depois de ter morrido o poder e a viol\u00eancia de Herodes em n\u00f3s, ent\u00e3o seremos o pres\u00e9pio onde a crian\u00e7a surgir\u00e1. A crian\u00e7a divina n\u00e3o amea\u00e7a nem usa poder. N\u00e3o podemos continuar a esconder Jesus como fizeram os seus pais a caminho do Egipto (met\u00e1fora), numa fuga cont\u00ednua ao perigo. Possu\u00edmos o sangue real. Jesus prov\u00e9m dos tronos de David e de Deus.<\/p>\n<p>Em cada um de n\u00f3s dorme uma crian\u00e7a, o eu original. A verdadeira realidade \u00e9 invis\u00edvel e s\u00f3 acess\u00edvel pelo cora\u00e7\u00e3o. O caminho \u00e9 estreito. Para se chegar ao fundo da gruta, ao reino da crian\u00e7a divina em n\u00f3s, vale a pena tentar ultrapassar a barreira do medo em n\u00f3s, deixar o estresse, para chegar onde tudo \u00e9 bom, onde nos sentimos bem e como feitos e envolvidos em muitas realidades. A nossa crian\u00e7a interior encontra-se atafegada em n\u00f3s por medos e certezas, por fugas e corridas, vive amedrontada pelo barulho das nossas raz\u00f5es e opini\u00f5es. Jesus, o divino infante, encontra-se na concha do nosso interior, ele \u00e9 a natureza da nossa ipseidade \u00e0 espera de ser ouvida. Do fundo do reino da verdade, a divindade quer falar, quer ser ouvida, j\u00e1 n\u00e3o atrav\u00e9s da cabe\u00e7a mas no sil\u00eancio do cora\u00e7\u00e3o. Em cada um de n\u00f3s encontra-se prisioneira a outra parte de n\u00f3s, a nossa parte divina, onde a crian\u00e7a definha \u00e0 espera de ser ouvida.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong> O Porqu\u00ea da Crise!<\/strong><\/p>\n<p>Um pragmatismo sem horizonte ensombra uma vida cultural, sem espa\u00e7o para a dimens\u00e3o intelectual\/espiritual. Um activismo pol\u00edtico irreflectido leva a nossa elite pol\u00edtica a tornar-se nos filisteus da nossa cultura ao orientarem-se apenas pelo pragmatismo e utilitarismo. Uma tal forma de fundamentar o saber cria uma realidade sem horizonte. Para a wikip\u00e9dia \u201cO filisteu n\u00e3o \u00e9 adepto de ideais, mas apenas de propostas pr\u00e1ticas pass\u00edveis de serem contabilizadas em melhorias para sua vida privada imediata\u201d. Assim se d\u00e1 subst\u00e2ncia ao individualismo hedonista que reduz a aspira\u00e7\u00e3o humana \u00e0s suas necessidades b\u00e1sicas (alimenta\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a pessoal e sexo) acompanhadas por uma \u201cespiritualidade\u201d secular reduzida ao desejo de fama, poder pol\u00edtico e prest\u00edgio. Esta filosofia do prazer esteve na base da queda, primeiro dos gregos e depois dos romanos. Independentemente duma filosofia baseada na teoria e na empiria tudo se orienta apenas pelo saber emp\u00edrico. Hoje tudo orienta por estudos \u201cSinus-Milieus\u201d; o que importa n\u00e3o \u00e9 a procura da verdade mas o interessa \u00e9 conhecer a maneira de vender o seu peixe a determinado meio, diria, o que importa \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias no sentido do compromisso da manjedoura.<\/p>\n<p>A nossa classe pol\u00edtica, duma maneira geral, deprecia o pensamento e a arte porque se tornou escrava da agenda do quotidiano sem espa\u00e7o para o bem nem para o belo. Perdida em accionismos e compromissos podres, serve-se de uma arte escura e negativa para n\u00e3o ter de questionar a sua ac\u00e7\u00e3o destrutiva da cultura ocidental.<\/p>\n<p><strong>O saber hedonista e o relativismo, defendidos nos per\u00edodos decadentes da Gr\u00e9cia e de Roma e praticados agora pela gera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-guerra, procuram estabelecer o divertimento como o princ\u00edpio motivador do comportamento humano e social, reduzindo assim o velho objectivo da felicidade, ao prazer.<\/strong> Um a sociedade do mercado desregulado deixa o controle da economia e da moral \u00e0 lei da oferta e da procura. A felicidade e o bem-comum, a que aspirava a velha sociedade, passam a ser reduzidos ao deleite a n\u00edvel de sentidos e ao prazer individual. Por outro lado a felicidade tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser limitada \u00e0 auto-reflex\u00e3o como quer a filosofia oriental; ela atinge-se na pr\u00e1tica do bem, como advoga Arist\u00f3teles e no exerc\u00edcio do amor como ensinava o Mestre da Galileia. Na minha vida experimento o prazer n\u00e3o como fim mas como fen\u00f3meno acompanhante dum agir na ten\u00e7\u00e3o entre um tu e um eu, a satisfazer-se no n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>Encontramo-nos na transi\u00e7\u00e3o, de um direito te\u00f3rico orientado para o ser, para um direito pragm\u00e1tico, orientado pela experi\u00eancia do estar, um direito proveniente da pr\u00e1tica para a pr\u00e1tica.<\/strong> Este saber experiencial \u00e9 diametralmente oposto ao saber de experi\u00eancia feito dos portugueses do s\u00e9c. XV que era orientado por uma miss\u00e3o civilizadora global. O saber pragm\u00e1tico hodierno abdica da verdade e da objectividade para dar espa\u00e7o a um subjectivismo que melhor medra na anarquia e no compromisso irrespons\u00e1vel do laisser-faire laisser-passer, como substrato dum liberalismo economicista que tudo submete \u00e0 banalidade dum quotidiano sem horizonte e \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o duma tradi\u00e7\u00e3o reflectida apenas \u00e0 luz do utilitarismo. O esp\u00edrito prolet\u00e1rio (de um socialismo e de um capitalismo prim\u00e1rio) estende os seus bra\u00e7os a todos os ramos da cultura, como um polvo implac\u00e1vel que tudo suga e igualiza. Em vez de procurarmos um caminho entre os m\u00e9todos dedutivo e indutivo, falhamos por optarmos por contemplar um s\u00f3 polo da realidade.<\/p>\n<p>Renuncia-se a um direito de princ\u00edpios te\u00f3ricos, fruto da converg\u00eancia de v\u00e1rias civiliza\u00e7\u00f5es, que tinha como objectivo uma sociedade justa e feliz, para se optar por um direito formado a partir da experi\u00eancia adquirida na conviv\u00eancia do dia-a-dia e que tem como objectivo apenas uma sociedade poss\u00edvel. \u00c9 abandonada a retorta cultural dum di\u00e1logo rec\u00edproco de acultura\u00e7\u00e3o e incultura\u00e7\u00e3o que contribuiu imenso para o desenvolvimento dos povos. No pragmatismo duma europa globalista sem miss\u00e3o, assiste-se a um processo de incultura\u00e7\u00e3o sem acultura\u00e7\u00e3o em que os imigrantes n\u00e3o s\u00e3o estimulados \u00e0 encultura\u00e7\u00e3o, aquela regra bem portuguesa do \u201c\u00e0 terra onde fores ter faz como vires fazer\u201d).<\/p>\n<p><strong>A doutrina utilitarista\/pragmatista em voga renuncia ao melhor para possibilitar o agrad\u00e1vel. Enquanto vai vivendo dos rendimentos econ\u00f3micos e culturais armazenados pelos nossos antepassados n\u00e3o \u00e9 questionada; o problema surgir\u00e1 quando n\u00e3o houver cr\u00e9ditos a fundos perdidos!<\/strong><\/p>\n<p>Ao transitarmos duma civiliza\u00e7\u00e3o de cultura integrada para uma sociedade de cultura mista (entre multicultura e intercultura) abdica-se paulatinamente do melhor. Em vez de se evoluir regride-se. Estabelecem-se compromissos a n\u00edvel de direito de caracter habitudinal que d\u00e3o corpo a h\u00e1bitos desumanos numa sociedade que j\u00e1 os tinha superado no tempo (eutan\u00e1sia, aborto arbitr\u00e1rio, manipula\u00e7\u00e3o incontrolada do gene, concess\u00e3o de direitos culturais ultrapassados a sociedades de cultura \u00e1rabe, etc.).<\/p>\n<p><strong>O Ocidente depois da experi\u00eancia das grandes guerras continua a viver do equ\u00edvoco de afirmar a guerra justa em vez da paz justa.<\/strong> A experi\u00eancia tem mostrado que o empirismo serve os grupos mais fan\u00e1ticos que se aproveitar\u00e3o das fraquezas da democracia, para com base em estat\u00edsticas imporem reivindica\u00e7\u00f5es independentemente da sua verdade objectiva e da sua finalidade numa \u00e9tica que parta do bem-comum. Precisa-se duma teoria social, tamb\u00e9m capitalista e socialista, que tenha como ponto de partida, a n\u00edvel especulativo e pr\u00e1tico, o bem-comum. <strong>Uma norma legislativa elaborada s\u00f3 a partir do empirismo serviria apenas a miopia dum presente sem futuro.<\/strong> Continuar a seguir uma ideologia subjectivista e relativista s\u00f3 serve a ind\u00fastria financeira capitalista e o marxismo quando se necessita uma filosofia \u00e9tica integral consciente da complementaridade das partes no todo.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta a experi\u00eancia para a formula\u00e7\u00e3o da verdade e da lei moral social; ela precisa tamb\u00e9m do horizonte da teoria abstrata que lhe d\u00e1 o caracter universal; n\u00e3o lhe chega a feminilidade necessita tamb\u00e9m a masculinidade; doutro modo passar\u00edamos dum extremo em que dominou a \u201cmasculinidade\u201d da intelig\u00eancia para o outro extremo em que dominaria a \u201cfeminilidade\u201d. <strong>A verdade, como a sociedade, quer-se simultaneamente masculina e feminina, o que constitui certamente um desafio.<\/strong> O pensamento europeu tem sido sistematicamente distorcido por f\u00e1bricas de pensamento ao servi\u00e7o dum cosmopolitismo de economia globalista e marxista, servindo-se para isso de um relativismo absoluto em que o que vale j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o bem e o belo ideal que conduziu o Ocidente ao apogeu material civilizacional, mas sim a situa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica (reduzida ao enfrentamento do dia a dia) em que a sua metaf\u00edsica se reduz ao dinheiro, \u00fanico astro rei, na ab\u00f3boda celeste econ\u00f3mica e materialista.<strong> A ideologia e as teorias cient\u00edficas t\u00eam sido confeccionadas no sentido de propagarem e justificarem um globalismo unilateral precoce. Quer-se fazer da economia o esqueleto do corpo social sem que este seja provido de intelig\u00eancia. <\/strong>Toda a realidade precisa de um tecto metaf\u00edsico e uma plataforma de equil\u00edbrio compensat\u00f3rio das for\u00e7as contradit\u00f3rias.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Monocultura latifundi\u00e1ria contra a Pluralidade do Habitat cultural <\/strong><\/p>\n<p><strong>Temos uma Uni\u00e3o Europeia a desdenhar das Na\u00e7\u00f5es<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto pa\u00edses asi\u00e1ticos e de cultura \u00e1rabe se v\u00e3o arranjando numa estrat\u00e9gia de autoafirma\u00e7\u00e3o apostando na for\u00e7a da sua identidade cultural (patriotismo cultural da comunidade mu\u00e7ulmana, da R\u00fassia, da China, da \u00cdndia), o Ocidente e em especial a Uni\u00e3o Europeia esvaem-se num \u201cpatriotismo cosmopol\u00edtico\u201d baseado na filosofia econ\u00f3mica globalista e na moeda como tecto metaf\u00edsico do conglomerado. A neglig\u00eancia da filosofia enciclop\u00e9dica e da \u00e9tica crist\u00e3 humanista coloca a EU numa posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel para negociar a integra\u00e7\u00e3o da Turquia na EU e para se autoafirmar hegemonicamente no \u00e2mbito econ\u00f3mico e militar; por outro lado, essa neglig\u00eancia revela-se ing\u00e9nua num mundo em forma\u00e7\u00e3o em torno das culturas. Para mais quando em democracia o povo \u00e9 o elemento important\u00edssimo em quest\u00f5es de estabilidade pol\u00edtica e este elabora a sua identidade em torno de espiritualidades.<\/p>\n<p>Por outro lado, a Uni\u00e3o Europeia encontra-se num dilema ao impor-se um patriotismo cosmopol\u00edtico sem ter ainda alcan\u00e7ado uma consci\u00eancia de patriotismo europeu, vendo-se, para isso, interessada em destruir os patriotismos das na\u00e7\u00f5es europeias e tradi\u00e7\u00f5es culturais espec\u00edficas (Patriotismo \u00e9 uma virtude ao contr\u00e1rio do nacionalismo!). Quer-se construir uma soberania europeia masculina, sem alma, procurando para o efeito fomentar-se uma condi\u00e7\u00e3o de povo an\u00f3nimo. A anonimidade popular e a destrui\u00e7\u00e3o da soberania pol\u00edtica das p\u00e1trias europeias conseguem-se atrav\u00e9s do fomento de uma filosofia pol\u00edtica relativista (pensar correcto) e pragmatista. <strong>Em nome da diversidade cultural, a pol\u00edtica exige dos seus cidad\u00e3os a deslealdade para com a pr\u00f3pria cultura e a ren\u00fancia a s\u00edmbolos crist\u00e3os.<\/strong> A EU encontra-se na fenda entre os patriotismos e os nacionalismos. Tamb\u00e9m o seu missionarismo pol\u00edtico em favor dum cosmopolitismo pol\u00edtico democr\u00e1tico n\u00e3o tem dado resultado, como se observa no norte de \u00c1frica, pelo contr\u00e1rio, as rebeli\u00f5es fortaleceram o fascismo. A ideia do globalismo corresponde a uma filosofia cat\u00f3lica original mas para a qual o mundo ainda n\u00e3o est\u00e1 preparado. H\u00e1 raz\u00f5es, mais que suficientes, para nos questionarmos se a praxis turbo-capitalista aliada \u00e0 estrat\u00e9gia marxista ser\u00e3o o melhor meio para se impor o globalismo (Neste aspecto, a China estaria j\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o vantajosa).<\/p>\n<p>O modelo da Europa para o mundo encontra-se numa crise profunda de valores e de sentido; cada vez lhe falta mais a congru\u00eancia cultural e consequentemente a vis\u00e3o e motiva\u00e7\u00e3o. Uma pol\u00edtica de rejuvenescimento da europa atrav\u00e9s da imigra\u00e7\u00e3o revela-se m\u00edope e perigosa devido aos grandes contingentes de mu\u00e7ulmanos que embora com imensa juventude se revelam contraproducentes devido \u00e0 sua vida determinada pelo gueto religioso e hegem\u00f3nico; enquanto o cidad\u00e3o europeu n\u00e3o encontra motivos para se definir em termos de identidade europeia, os imigrantes mu\u00e7ulmanos que constituem a maioria dos imigrantes afirmam-se em termos de fronteira patriota religiosa. A classe pol\u00edtica, para evitar conflitos populares adopta uma pol\u00edtica pragm\u00e1tica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s exig\u00eancias daqueles, implicando o recuo em rela\u00e7\u00e3o a posi\u00e7\u00f5es laicas e risco num contexto de reivindica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas no futuro.<\/p>\n<p>O fomento dum \u201ccosmopolitismo enraizado\u201d como pretende Kwame Anthony Appiah no sentido do desenvolvimento de um burguesismo mundial, <strong>n\u00e3o se revela poss\u00edvel, numa EU em que a natalidade mu\u00e7ulmana supera qualquer crescimento estat\u00edstico de nativos em rela\u00e7\u00e3o a outras confiss\u00f5es religiosas e seculares.<\/strong> Segundo estat\u00edsticas s\u00e9rias, a explos\u00e3o demogr\u00e1fica mu\u00e7ulmana aponta para o desenvolvimento da Europa no sentido de uma Eur\u00e1bia. O politicamente correcto cala isto para n\u00e3o amedrontar o povo, j\u00e1 preocupado; \u00e9 um facto que as estat\u00edsticas demogr\u00e1ficas possibilitam previs\u00f5es cient\u00edficas mais exactas que quaisquer outras. As guerras do Ocidente em pa\u00edses \u00e1rabes s\u00f3 alimentam a gan\u00e2ncia econ\u00f3mica e fomentam a imigra\u00e7\u00e3o \u00e1rabe para a Europa. Quem se encontra cada vez mais desenraizado na EU s\u00e3o os pa\u00edses europeus e n\u00e3o os guetos mu\u00e7ulmanos que sofrem, na pr\u00f3pria terra,\u00a0 por verem as suas aspira\u00e7\u00f5es hegem\u00f3nicas contrariadas pelos Estados Unidos da Am\u00e9rica que, por raz\u00f5es estrat\u00e9gicas fomenta a rivalidade entre as confiss\u00f5es mu\u00e7ulmanas dos Sunitas e dos Xiitas.<\/p>\n<p><strong>O mutismo intercultural e inter-religioso entre as na\u00e7\u00f5es \u00e9 mais que sintom\u00e1tico da impossibilidade dum encontro a n\u00edvel de direito moral. O relativismo cultural e \u00e9tica s\u00f3 pega nas na\u00e7\u00f5es ocidentais. As vit\u00f3rias do secularismo europeu contra o cristianismo transformar-se-\u00e3o em vit\u00f3ria do extremismo religioso mu\u00e7ulmano e doutros extremismos dentro dos muros europeus.<\/strong> Temos a melhor li\u00e7\u00e3o na primavera \u00e1rabe que, em nome da liberdade e dum certo relativismo, se tem revelado como um servi\u00e7o ao absolutismo religioso. Estas na\u00e7\u00f5es para chegarem ao tal cosmopolitismo precisariam de um desenvolvimento econ\u00f3mico, cultural e social como se deu na Europa dos anos 60 aos anos 90 e na luta cultural provocada pelo protestantismo do s\u00e9c. XVI e mesmo assim comportar-se-iam diferentemente porque s\u00e3o portadores de uma outra antropologia e sociologia. A sua sociologia assenta em princ\u00edpios contr\u00e1rios aos da sociedade de caracter\u00edsticas ocidentais. N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que a Turquia, Egipto, etc. contrariam o fomento de crist\u00e3os nos seus quadros estatais superiores e noutros pa\u00edses mu\u00e7ulmanos, se chega a considerar os crist\u00e3os como espi\u00f5es dos USA.<\/p>\n<p>S\u00f3 quem est\u00e1 interessado num pragmatismo de consenso superficial poder\u00e1 passar por cima da realidade em que a Europa vive; facto \u00e9 que a realidade internacional e do desenvolvimento global assentam nas culturas e especialmente nas suas filosofias que s\u00e3o as religi\u00f5es; o sistema econ\u00f3mico \u00e9 apenas uma consequ\u00eancia da raz\u00e3o filos\u00f3fica destas. H\u00e1 que explorar e contextualizar melhor o capitalismo e o socialismo que, como filhos pr\u00f3digos do judeo-cristianismo t\u00eam instabilizado uma mundivis\u00e3o, que, purificada de excessos e na complementaridade, poderia servir de modelo para um globalismo mais justo.<\/p>\n<p>Gregor Gysi, o n\u00famero um do partido comunista na Alemanha, \u00e9 um ateu declarado, e disse algo not\u00e1vel num programa da TV alem\u00e3: &#8220;Foi um fracasso hist\u00f3rico dos comunistas perseguir o cristianismo. Pois a ess\u00eancia dos crist\u00e3os: amor ao pr\u00f3ximo, igualdade (diante de Deus) e a observ\u00e2ncia dos mandamentos s\u00e3o muito semelhantes aos ideais do comunismo.\u201d<\/p>\n<p>Sempre me admirei por irm\u00e3os se combaterem, pelo simples facto de um olhar muito para o c\u00e9u e o outro olhar demasiado para a terra. Uma simples olhadela n\u00e3o determina a realidade e n\u00e3o faz de um, esp\u00edrito, nem do outro, mat\u00e9ria! Torna-se importante n\u00e3o esquecer que tamb\u00e9m a verdade \u00e9 feita de c\u00e9u e terra. E o mais importante para a europa \u00e9 a sua uni\u00e3o cultural e deixando de se autodestruir em guerrilhas ideol\u00f3gicas de leigos contra fi\u00e9is par reconhecerem a pr\u00f3pria riqueza na numa rela\u00e7\u00e3o de complementaridade.<\/p>\n<p>O pensar baseado no politicamente correcto tem fomentado uma discuss\u00e3o te\u00f3rica e uma toler\u00e2ncia infantil mais interessadas em encobrir os problemas, do que em ajudar a resolv\u00ea-los duma forma humana e justa. H\u00e1 monstros a dormir nas sociedades que ressurgir\u00e3o no momento em que as crises pol\u00edticas se generalizarem<strong>. O movimento secular e o cristianismo de express\u00e3o moderada ser\u00e3o os que mais sofrer\u00e3o as consequ\u00eancias da falsa pol\u00edtica social e econ\u00f3mica que se seguiu depois da \u00faltima grande guerra. <\/strong><\/p>\n<p>A procura de valores globais, como sugere Hans K\u00fcng , exige mais da pol\u00edtica do que ela est\u00e1 disposta a dar. De faco, o seu mero recurso a um pragmatismo de pol\u00edticas locais, limitadas a dar respostas locais aos problemas populacionais e interculturais mais urgentes, sofre de miopia. Aqui empanca o tal cosmopolitismo que, sem teto metaf\u00edsico, quer viver de capelanias de pontos de vista limitados, fomentadores de cabe\u00e7as viradas para uma terra, cada vez, menos m\u00e3e. \u00c9 verdade que a consci\u00eancia para a gravidade da situa\u00e7\u00e3o surge no foco e n\u00e3o na periferia e os problemas da humanidade continuam a ser focados como problemas abdominais.<\/p>\n<p>Quer-se uma \u00e9tica urbana para um mundo, na grande maioria, rural e estranho a intelectualismos e a \u00e9ticas generalistas ou de n\u00edvel elevado. N\u00e3o h\u00e1 uma sociedade mundial tal como n\u00e3o h\u00e1 um bi\u00f3topo mundial. A coer\u00eancia dos bi\u00f3topos sociais n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ada por uma rede econ\u00f3mica fr\u00e1gil e injusta, nas m\u00e3os de poucos e \u00e0 margem duma literatura mundial. A natureza continua a mostrar, na sua inter-rela\u00e7\u00e3o de bi\u00f3topos naturais como prot\u00f3tipo dos \u201cbi\u00f3topos\u201d culturais. Para j\u00e1, seria apressada a ideia de querer, sob a mesma atmosfera, igualar as diferentes regi\u00f5es clim\u00e1ticas (culturais) sem atender \u00e0s suas especificidades, e para mais num tempo em que as tend\u00eancias hegem\u00f3nicas das culturas entre si ainda s\u00e3o tabu ou apenas relegadas para o sector econ\u00f3mico ou religioso. Neste sentido \u00e9 absurda a ideia de que o neg\u00f3cio universal e a moeda se possam transformar em elementos criadores duma identidade global. A ideia de um cosmopolitismo pol\u00edtico torna-se numa estrat\u00e9gia para distrair intelectuais. Como se pode defender a floresta quando nela n\u00e3o s\u00f3 se cortam e arrancam as \u00e1rvores mas tamb\u00e9m destr\u00f3i o seu h\u00famus cultural?<\/p>\n<p>A moderna missiona\u00e7\u00e3o ocidental com o seu centro de gravidade na democracia e nos direitos humanos, n\u00e3o se revela t\u00e3o eficiente como seria de esperar, dado, duma sociedade para a outra, sociol\u00f3gica e antropologicamente, mentalidades e modos de vida, se revelarem quase antag\u00f3nicos. O conceito duma sociedade aberta para se chegar a um cosmopolitismo n\u00e3o se encontra aferido, nem \u00e0 sociedade ocidental, porque a empobrece culturalmente, nem \u00e0s outras sociedades porque as n\u00e3o respeita. \u00c9 preciso trabalhar no sentido duma terceira via. <strong>A lusofonia oferece uma oportunidade para se trabalhar neste sentido. Para isso fica o apelo da Hist\u00f3ria no sentido de se superar a humilha\u00e7\u00e3o envergonhada e a exalta\u00e7\u00e3o orgulhosa.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O cosmopolitismo, em via, mostra erros sociologicamente an\u00e1logos aos da revolu\u00e7\u00e3o industrial do s\u00e9c. XIX e XX, focalizado num materialismo ideol\u00f3gico (marxismo) e pr\u00e1tico (consumismo) <\/strong>expresso na economia financeira internacional fomentadora duma mentalidade prolet\u00e1ria de aspira\u00e7\u00e3o burguesa a florescer num globalismo financeiro mundial que tudo reduz a mercado de clientelismo an\u00f3nimo. Isto conduz a um pragmatismo sem horizonte destruidor de qualquer f\u00e9 pol\u00edtica ou religiosa que n\u00e3o se subordine ao pensar do correcto oportuno. <strong>Com uma fachada liberal destr\u00f3i bi\u00f3topos culturais e espirituais para criar um novo habitat de g\u00e9nero latifundi\u00e1rio e de monocultura prolet\u00e1ria.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Europa encontra-se num grande impasse; destr\u00f3i sistematicamente a sua identidade ao colocar a economia financeira como leitmotiv da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/strong> Isto \u00e9 constat\u00e1vel se observamos o seu pragmatismo selvagem que n\u00e3o reconhece na Constitui\u00e7\u00e3o os seus pilares \u00e9ticos do judeo-cristianismo, do direito romano e da filosofia grega para se abrir ao desconhecido e \u00e0 anarquia do voto do bra\u00e7o erguido. A gan\u00e2ncia econ\u00f3mica e o lucrativo neg\u00f3cio com as armas justificam uma imigra\u00e7\u00e3o selvagem criadora de grandes problemas para as gera\u00e7\u00f5es futuras e a destrui\u00e7\u00e3o de aquisi\u00e7\u00f5es humanas que se pensavam irrevers\u00edveis.<\/p>\n<p>(Que uma sociedade aberta como a europeia renuncie a fronteiras \u00e9 consequ\u00eancia do seu desejo de se formar como bloco perante outros blocos. O seu maior erro est\u00e1, por\u00e9m, em renunciar \u00e0s colunas que constituem a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. O tr\u00e1gico est\u00e1 na irreversibilidade da situa\u00e7\u00e3o que se criou j\u00e1 n\u00e3o baseada numa filosofia consistente mas no imperativo do pragmatismo factual que segue um liberalismo econ\u00f3mico desrespeitador de tudo o que \u00e9 pessoal e cultura adquirida. Devido \u00e0 sua proximidade com a Europa e \u00e0, cada vez maior incapacidade de discernimento dos povos europeus, a longo prazo, a beneficiada desta filosofia pragmatista, ser\u00e1 a cultura \u00e1rabe, a n\u00e3o ser que se forme nela uma camada social m\u00e9dia abrangente, fruto duma revolu\u00e7\u00e3o religiosa cultural, \u00e0 imagem da revolu\u00e7\u00e3o protestante na europa, que a liberte de restri\u00e7\u00f5es religiosas a n\u00edvel de \u00e9tica e h\u00e1bitos e em que a antropologia ganhe relev\u00e2ncia sobre a sociologia.)<\/p>\n<p>Necessita-se uma pol\u00edtica antropol\u00f3gica contr\u00e1ria \u00e0 ideologia econ\u00f3mica monetarista e ao liberalismo vencedor desencarnado. Naturalmente que o reconhecimento do outro tamb\u00e9m mexe com a pr\u00f3pria identidade; esta revelou-se a vantagem da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental perante outras civiliza\u00e7\u00f5es: uma abertura com significado e sentido. Nesta base ser\u00e1 poss\u00edvel determinar novas pol\u00edticas. Johan Baptist Metz, fundador das Novas teologias pol\u00edticas, defende a valoriza\u00e7\u00e3o da Autoridade do Sofredor na humaniza\u00e7\u00e3o do mundo. Neste sentido, seria \u00f3bvia uma \u00e9tica que reconhe\u00e7a o rosto da verdade nos pobres e que distribua a riqueza pelos continentes.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de criar identidades submersas mas de integrar a pr\u00f3pria diversidade na unidade duma realidade integral \u00e0 maneira da complementaridade da verdade expressa na f\u00f3rmula trinit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Daqui resultam direitos e deveres \u2013 responsabilidade \u00e9tica &#8211; de cada um perante todos e de todos perante cada um (pessoa simultaneamente individuo e colectivo). A pessoa alcan\u00e7a um caracter universal e, como parte dele, \u00e9 portador da sua dignidade. H\u00e1 que voltar \u00e0 reflex\u00e3o cultural. A redescoberta da f\u00f3rmula trinit\u00e1ria poder-se-ia tornar numa plataforma da complementaridade das partes num grande todo sem lugar para hegemonia duma cultura\/religi\u00e3o sobre a outra, dado a diversidade natural e cultural serem a melhor condi\u00e7\u00e3o possibilitadora de desenvolvimento individual e colectivo. Torna-se urgente a formula\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica do di\u00e1logo intercultural neste sentido.<\/p>\n<p>A apreens\u00e3o da realidade, tal como a sua molda\u00e7\u00e3o, depende do ponto de vista ou da perspectiva, como dizem os jesu\u00edtas. A sabedoria est\u00e1 em reconhecer a complexidade das diferentes necessidades e usos. Uma anedota relativamente inofensiva, que li no \u201cmanager magazine\u201d 10\/2013, conta que um beneditino, um dominicano, um franciscano e um jesu\u00edta se encontravam a rezar na Igreja. De repente, apagam-se as luzes. O beneditino continuou a rezar firmemente as ora\u00e7\u00f5es do seu brevi\u00e1rio, porque ele sabia-as de cor. O dominicano quer liderar um debate sobre a luz e as trevas na B\u00edblia. O franciscano louva\u00a0 Deus por ter dado a escurid\u00e3o ao povo. E o jesu\u00edta levanta-se e vai mudar o fus\u00edvel. Todos t\u00eam raz\u00e3o, na medida em que agem em fun\u00e7\u00e3o do todo. A atitude pragm\u00e1tica do jesu\u00edta revela-se eficiente e apresenta-se como uma perspectiva duma realidade que se modela diferentemente.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>Documenta\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/www.brown.edu\/Departments\/Portuguese_Brazilian_Studies\/ejph\/html\/issue1\/html\/baganha_main.html\">\/issue1\/html\/baganha_main.html<\/a><\/li>\n<li>Fundos e programas europeus: <a href=\"http:\/\/www.eurocid.pt\/pls\/wsd\/wsdwcot0.detalhe?p_cot_id=7238\">http:\/\/www.eurocid.pt\/pls\/wsd\/wsdwcot0.detalhe?p_cot_id=7238<\/a><\/li>\n<li>Schengen(EU): <a href=\"http:\/\/eur-lex.europa.eu\/de\/index.htm\">http:\/\/eur-lex.europa.eu\/de\/index.htm<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.oi.acidi.gov.pt\/docs\/Revista_5\/Migr5_Sec3_Art1.pdf\">http:\/\/www.oi.acidi.gov.pt\/docs\/Revista_5\/Migr5_Sec3_Art1.pdf<\/a><\/li>\n<li><a href=\"Http:\/\/www.oi.acidi.gov.pt\/docs\/pdf\/EstudoOI%208.pdf\">Http:\/\/www.oi.acidi.gov.pt\/docs\/pdf\/EstudoOI%208.pdf<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.destatis.de\/DE\/Publikationen\/Thematisch\/BildungForschungKultur\/Bildungsstand\/BildungsstandBevoelkerung5210002127004.pdf?__blob=publicationFile\">https:\/\/www.destatis.de\/DE\/Publikationen\/Thematisch\/BildungForschungKultur\/Bildungsstand\/BildungsstandBevoelkerung5210002127004.pdf?__blob=publicationFile<\/a> )<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.solnet.com\/05set03\/comunid\/comuni10.htm\">http:\/\/www.solnet.com\/05set03\/comunid\/comuni10.htm<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.bmi.bund.de\/DE\/Themen\/Migration-Integration\/Zuwanderung\/Arbeitsmigration\/arbeitsmigration_node.html\">http:\/\/www.bmi.bund.de\/DE\/Themen\/Migration-Integration\/Zuwanderung\/Arbeitsmigration\/arbeitsmigration_node.html<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.observatorioemigracao.secomunidades.pt\/np4\/paises.html?id=133\">http:\/\/www.observatorioemigracao.secomunidades.pt\/np4\/paises.html?id=133<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.sef.pt\/estatisticas.htm\"><strong>http:\/\/www.sef.pt\/estatisticas.htm<\/strong><\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.ces.uc.pt\/myces\/UserFiles\/livros\/629_Estudo_Comun_3.pdf\">http:\/\/www.ces.uc.pt\/myces\/UserFiles\/livros\/629_Estudo_Comun_3.pdf<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.ios-regensburg.de\/en\/people\/staff\/barbara-dietz\/publications.html\">http:\/\/www.ios-regensburg.de\/en\/people\/staff\/barbara-dietz\/publications.html<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.google.de\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=7&amp;ved=0CE4QFjAG&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.seco.admin.ch%2Fdokumentation%2Fpublikation%2F00004%2F00005%2F01793%2F%3Flang%3Dde%26download%3DNHzLpZeg7t%2Clnp6I0NTU042l2Z6ln1acy4Zn4Z2qZpnO2Yuq2Z6gpJCDd4R4hGym162epYbg2c_JjKbNoKSn6A--&amp;ei=dGsDU52LFbGe7AaGwIH4Cg&amp;usg=AFQjCNGMCXqsi8npaNdE2b4RN1y7buPhaA&amp;bvm=bv.61535280,d.bGE\">http:\/\/www.google.de\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=7&amp;ved=0CE4QFjAG&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.seco.admin.ch%2Fdokumentation%2Fpublikation%2F00004%2F00005%2F01793%2F%3Flang%3Dde%26download%3DNHzLpZeg7t%2Clnp6I0NTU042l2Z6ln1acy4Zn4Z2qZpnO2Yuq2Z6gpJCDd4R4hGym162epYbg2c_JjKbNoKSn6A&#8211;&amp;ei=dGsDU52LFbGe7AaGwIH4Cg&amp;usg=AFQjCNGMCXqsi8npaNdE2b4RN1y7buPhaA&amp;bvm=bv.61535280,d.bGE<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/ria.ua.pt\/bitstream\/10773\/3447\/1\/2010001057.pdf\">https:\/\/ria.ua.pt\/bitstream\/10773\/3447\/1\/2010001057.pdf<\/a><\/li>\n<li>http:\/\/www.brown.edu\/Departments\/Portuguese_Brazilian_Studies\/ejph\/html<\/li>\n<\/ul>\n<p>(1)\u00a0 Estat\u00edstica relevantes dos \u00faltimos anos consultar a nota (1): No \u201cEurostaat\u201d encontram-se estat\u00edsticas relevantes sobre a emigra\u00e7\u00e3o portuguesa: <a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/eurostat\/statistics-explained\/index.php?title=Archive:Estat%C3%ADsticas_da_migra%C3%A7%C3%A3o_e_da_popula%C3%A7%C3%A3o_migrante&amp;oldid=327536\">https:\/\/ec.europa.eu\/eurostat\/statistics-explained\/index.php?title=Archive:Estat%C3%ADsticas_da_migra%C3%A7%C3%A3o_e_da_popula%C3%A7%C3%A3o_migrante&amp;oldid=327536<\/a><\/p>\n<p>Observat\u00f3rio das migra\u00e7\u00f5es: <a href=\"https:\/\/www.om.acm.gov.pt\/documents\/58428\/383402\/Relatorio+Estatistico+Anual+2020+-+Indicadores+de+Integracao+de+Imigrantes\/472e60e5-bfff-40ee-b104-5e364f4d6a63\">https:\/\/www.om.acm.gov.pt\/documents\/58428\/383402\/Relatorio+Estatistico+Anual+2020+-+Indicadores+de+Integracao+de+Imigrantes\/472e60e5-bfff-40ee-b104-5e364f4d6a63<\/a><\/p>\n<p>RELAT\u00d3RIO ANUAL 2023: <a href=\"https:\/\/portaldeimigracao.mj.gov.br\/images\/Obmigra_2020\/OBMIGRA_2023\/Relat%C3%B3rio%20Anual\/RELAT%C3%93RIO%20ANUAL%2005.12%20-%20final.pdf\">https:\/\/portaldeimigracao.mj.gov.br\/images\/Obmigra_2020\/OBMIGRA_2023\/Relat%C3%B3rio%20Anual\/RELAT%C3%93RIO%20ANUAL%2005.12%20-%20final.pdf\u00a0<\/a><\/p>\n<p>Escrito em 2014 por Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo: (Mestrado em Teologia + Curso de filosofia e Curso de Qualifica\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o, para o grupo de doc\u00eancia CE1, desde 1980 professor de L\u00edgua e Cultura Portuguesa (ELCP) na zona de Kassel, tamb\u00e9m docente delegado da disciplina de portugu\u00eas na Universidade de Kassel.)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rascunho de um poss\u00edvel Livro Em 2024 comemora-se o 60\u00b0 anivers\u00e1rio do in\u00edcio da emigra\u00e7\u00e3o portuguesa para a Alemanha a partir dos anos 60. Como contributo, apresento aqui os textos que tinha escrito em 2014 e que ent\u00e3o estava a organizar para serem apresentados em livro sob o t\u00edtulo \u201cEMIGRA\u00c7\u00c3O PORTUGUESA DOS ANOS 60 AT\u00c9 &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=8969\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">EMIGRA\u00c7\u00c3O PORTUGUESA PARA A ALEMANHA A PARTIR DOS ANOS 60<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,4,5,6,7,16],"tags":[],"class_list":["post-8969","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-educacao","category-escola","category-migracao","category-politica","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8969"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8969\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8981,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8969\/revisions\/8981"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}