{"id":8457,"date":"2023-04-16T22:35:26","date_gmt":"2023-04-16T21:35:26","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=8457"},"modified":"2023-04-27T22:01:34","modified_gmt":"2023-04-27T21:01:34","slug":"comunismo-e-capitalismo-resultantes-de-diferentes-eticas-a-catolica-e-a-protestante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=8457","title":{"rendered":"SOCIALISMO E CAPITALISMO RESULTANTES DE DIFERENTES \u00c9TICAS &#8211; A CAT\u00d3LICA E A PROTESTANTE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Atualidade da matriz cat\u00f3lica e da matriz protestante<\/strong><\/p>\n<p><strong>A ideia leva \u00e0 ac\u00e7\u00e3o como garantia de desenvolvimento (1). <\/strong><\/p>\n<p><strong>No atual conflito internacional (ocidente-oriente), penso assistirmos, numa determinada perspectiva europeia, \u00e0 continua\u00e7\u00e3o do debate entre a matriz social\/antropol\u00f3gica de cunho cat\u00f3lico e a matriz social\/antropol\u00f3gica de cunho protestante. Estes s\u00e3o como que os dois polos de uma mesma realidade no processo de desenvolvimento social e individual. Se por um lado no catolicismo se destaca o movimento centr\u00edpeto (a comunidade) no protestantismo e na sociedade anglo-sax\u00f3nica acentua-se o movimento individual centr\u00edfugo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade. <\/strong><\/p>\n<p><strong>A sociedade e a natureza deixam-nos livres, mas tamb\u00e9m presos; nelas se constata que a autonomia s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel no relacionamento. Da\u00ed a emancipa\u00e7\u00e3o ter de ser vista num relacionamento processual de matura\u00e7\u00e3o rec\u00edproca e como processo de complementaridade inclusiva. <\/strong>\u00a0Antropol\u00f3gica e sociologicamente tem como sujeito comum o humano em tens\u00e3o entre comunidade e indiv\u00edduo, tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, entre terra e c\u00e9u <strong>(Que seria da \u00e1rvore sem a terra que a sustenta? A nega\u00e7\u00e3o de uma significaria o fim das duas!)<\/strong>. Assim uma sociedade saud\u00e1vel ter\u00e1 de integrar o fen\u00f3meno da individua\u00e7\u00e3o (autonomia) e da socializa\u00e7\u00e3o (comunidade) como processo de desenvolvimento rec\u00edproco. A sociedade ocidental tem-se desenvolvido mais no sentido da individua\u00e7\u00e3o (afirma\u00e7\u00e3o do ego) mas tem desprezado o seu aspecto comunit\u00e1rio (afirma\u00e7\u00e3o do n\u00f3s) \u00a0e deste modo em crise devido ao processo de autodestrui\u00e7\u00e3o porque afirma o \u201cmovimento de rota\u00e7\u00e3o\u201d sem contemplar o \u201cmovimento de transla\u00e7\u00e3o\u201d que incorpora aquele numa constela\u00e7\u00e3o ou sistema comunit\u00e1rio e sem isso conduz a uma desconstruc\u00e7\u00e3o tornada inerente ao sistema.<\/p>\n<p><strong>Uma emancipa\u00e7\u00e3o Volunt\u00e1ria (2) acontecer\u00e1 entre a emancipa\u00e7\u00e3o familiar\/social\/individual e a emancipa\u00e7\u00e3o legal\/institucional e n\u00e3o numa conex\u00e3o de subjuga\u00e7\u00e3o de uma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 outra<\/strong>. Se observamos o sistema solar poderemos identificar os diversos planetas, mas todos eles recebem a consist\u00eancia do Sol (a Terra sem o Sol seria impens\u00e1vel). <strong>A verdadeira emancipa\u00e7\u00e3o (autonomia individual) n\u00e3o pode esquecer a sua natureza relacional, a necessidade de um habitat cultural (Deus, \u201cP\u00e1tria\u201d e Fam\u00edlia) doutro modo transforma-se em meteorito, fora de \u00f3rbitra, que se autodestr\u00f3i devido \u00e0 in\u00e9rcia e \u00e0 resist\u00eancia do espa\u00e7o-tempo ou acaba num buraco negro que tudo sorve!<\/strong><\/p>\n<p>De momento vivemos numa sociedade precocemente envelhecida sem consci\u00eancia do equil\u00edbrio necess\u00e1rio das v\u00e1rias for\u00e7as condutoras que lhe dariam vitalidade e sustentabilidade. A emancipa\u00e7\u00e3o ter\u00e1 de ser entendida como processo individual e colectivo sem que um se oponha ao outro. O relacionamento rec\u00edproco entre o indiv\u00edduo e o grupo acontece num processo de autoliberta\u00e7\u00e3o e desenvolvimento quer do indiv\u00edduo quer da comunidade numa cumplicidade solid\u00e1ria de dar e receber! <strong>O processo de autoafirma\u00e7\u00e3o em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade s\u00f3 poder\u00e1 ser compreendido como fase adolescente numa conjuntura especial de individua\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o como atitude s\u00e3 e equilibrada permanente (a tens\u00e3o interpolar \u00e9 o factor de desenvolvimento em interc\u00e2mbio). <\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Como exemplo dos extremos de individua\u00e7\u00e3o e de colectivismo temos o capitalismo e o socialismo, a sociedade ocidental e a sociedade isl\u00e2mica.\u00a0<strong>Enquanto a sociedade isl\u00e2mica se apropria da singularidade individual subjugando-a \u00e0 comunidade (aquisi\u00e7\u00e3o de valor pela funcionalidade), a sociedade ocidental destr\u00f3i as liga\u00e7\u00f5es \u00e0 comunidade de maneira \u00e0 pessoa se tornar num indiv\u00edduo sem caracter\u00edsticas que o definam (e na consequ\u00eancia caminha-se para a anonimidade da pessoa como um abstrato funcional pragm\u00e1tico sem capacidade de autorresponsabilidade); na defici\u00eancia do caracter da comunidade ocidental afirmar-se-\u00e1 o islamismo de maneira avassaladora na europa para ocupar este d\u00e9fice europeu e por outro lado o isl\u00e3o \u00e9 aproveitado pelo globalismo mundial por atribuir \u00e0 pessoa apenas um caracter funcional, o que o que facilita o estabelecimento de uma plutocracia mundial<\/strong>.<\/p>\n<p>Um individualismo despersonalizado e demasiado acentuado afirma-se \u00e0 custa \u00a0leva da comunidade favorecendo a cria\u00e7\u00e3o de uma pequena elite mundial de d\u00e9spotas iluminados que ditem normas e condutas de vida para as pessoas j\u00e1 descaracterizadas e regi\u00f5es tamb\u00e9m elas sem caracter pr\u00f3prio e anonimizadas.<\/p>\n<p><strong>Passo a referir-me \u00e0s diferen\u00e7as \u00e9ticas (cat\u00f3lica e protestante) para melhor se entender os diferentes ide\u00e1rios entre os povos n\u00f3rdicos e os povos do sul da Europa e a luta a decorrer entre o polo ocidental e o polo oriental.<\/strong> Muitas vezes combatemo-nos esquecendo que somos irm\u00e3os g\u00e9meos e de quem somos filhos. <strong>Diferentes teologias deram origem a diferentes \u00e9ticas (salvaguardem-se muitas interpreta\u00e7\u00f5es e express\u00f5es diferentes).<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em geral, a \u00e9tica protestante baseia-se na cren\u00e7a no trabalho \u00e1rduo, na economia e na necessidade de se submeter \u00e0 vontade de Deus (aqui est\u00e1 certamente um dos factores que levou os pa\u00edses protestantes a tornarem-se mais ricos). Se a \u00e9tica protestante acentua a consci\u00eancia individual baseada na B\u00edblia (o indiv\u00edduo), a Igreja cat\u00f3lica baseada nos ensinamentos da Igreja Cat\u00f3lica acentua a autoridade transmitida atrav\u00e9s da igreja (a comunidade) e das tradi\u00e7\u00f5es. A \u00e9tica protestante enfatiza a justifica\u00e7\u00e3o s\u00f3 pela f\u00e9 (aspecto individual) e a \u00e9tica cat\u00f3lica al\u00e9m da f\u00e9 acentua tamb\u00e9m a import\u00e2ncia das boas obras e da coopera\u00e7\u00e3o com a gra\u00e7a (aspecto comunit\u00e1rio). Se para o protestantismo o importante \u00e9 o relacionamento pessoal com Deus (distin\u00e7\u00e3o individual) a \u00e9tica cat\u00f3lica afirma especialmente a import\u00e2ncia da gra\u00e7a e dos sacramentos (timbre comunit\u00e1rio) e n\u00e3o esquece a rela\u00e7\u00e3o pessoal directa com Deus na m\u00edstica e a n\u00edvel moral a consci\u00eancia individual como juiz soberano. Tamb\u00e9m no que respeita \u00e0s virtudes h\u00e1 acentua\u00e7\u00f5es diferentes; se a \u00e9tica protestante acentua a import\u00e2ncia de virtudes como dilig\u00eancia, economia e responsabilidade pessoal, a \u00e9tica cat\u00f3lica enfatiza a import\u00e2ncia de virtudes como miseric\u00f3rdia, caridade e solidariedade. De resto, a \u00e9tica protestante tem uma forte incid\u00eancia no trabalho e acentua a responsabilidade pessoal pelo sucesso na vida, a \u00e9tica cat\u00f3lica acentua o amor e a miseric\u00f3rdia para com os outros e a import\u00e2ncia da comunidade e de defender os fracos (justi\u00e7a social). Neste sentido a \u00e9tica cat\u00f3lica frisa a import\u00e2ncia de virtudes como humildade, paci\u00eancia, mod\u00e9stia, bravura e justi\u00e7a e convida os fi\u00e9is a viver e expressar essas virtudes nas suas a\u00e7\u00f5es di\u00e1rias; exorta os fi\u00e9is a expressar a sua f\u00e9 por meio das suas ac\u00e7\u00f5es e a usar a raz\u00e3o no que toca a tomar decis\u00f5es morais!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m a cultura europeia n\u00e3o deveria tornar-se propriedade nem presa f\u00e1cil de sistemas alheios a ela nem de mundivis\u00f5es internas de esquerda ou de direita. Os dois polos para continuarem a ser integrais europeus ou globais ter\u00e3o de respeitar-se como partes integrantes do todo: o combate rec\u00edproco serve a autodestrui\u00e7\u00e3o e a absor\u00e7\u00e3o por for\u00e7as alheias mais fortes. O partidarismo aferrado e n\u00e3o t\u00e1tico apressa a derrocada da cultura europeia. <\/strong>Embora a opini\u00e3o p\u00fablica se deixe mover por posi\u00e7\u00f5es extremas seria de pressupor nas elites dirigentes crit\u00e9rio suficiente para n\u00e3o se deixarem cair na mesma din\u00e2mica.<\/p>\n<p><strong>A divis\u00e3o da \u00e9tica crist\u00e3 abrangente em dois polos opostos estilha\u00e7a a unidade e a perfei\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e com ela a alma cultural da Europa. Temos de nos encontrar para voltar a reencontrar a Europa e as suas fontes e nela o mundo. O cristianismo n\u00e3o ideologizado continua a ser a oferta integradora de indiv\u00edduos e sociedades numa rela\u00e7\u00e3o fraterna de povos, religi\u00f5es e culturas. Comunidade e individualidade s\u00e3o as rodas de um mesmo eixo que proporcionam o desenvolvimento humano e hist\u00f3rico.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A matriz cat\u00f3lica e a matriz protestante expressam uma certa atualidade nos motivos da guerra a decorrer na Ucr\u00e2nia onde se debate o sistema individualista anglo-sax\u00f3nico com o sistema comunitarista oriental.<\/strong> <strong>O modelo anglo-sax\u00f3nico (egoc\u00eantrico) encontra-se em decad\u00eancia tal como o modelo da Idade M\u00e9dia se encontrava no surgir do Renascimento.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Devemos encontrar um meio-termo que abarque os dois polos para que os dois sistemas (um excessivamente individualista e outro excessivamente comunit\u00e1rio) se combinem de forma complementar num caminhar comum e numa s\u00f3 dire\u00e7\u00e3o esperan\u00e7osa (usamos o p\u00e9 esquerdo e o p\u00e9 direito, para avan\u00e7armos).<\/strong><\/p>\n<p><strong>Neste sentido, a guerra na Ucr\u00e2nia entre o P\u00f3lo Ocidental e o P\u00f3lo Leste \u00e9 um grande desfasamento da hist\u00f3ria e apenas manifesta a estupidez, a arrog\u00e2ncia e a falta de consci\u00eancia das elites para com uma cultura que deveria come\u00e7ar por reconciliar-se a si mesma na Europa (de Lisboa aos Urais ) para assim se se possibilitar a reconcilia\u00e7\u00e3o no mundo!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio CD Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(1) (renascimento cultural dos s\u00e9culos XIV, XV e XVI valoriza o humanismo, o racionalismo e a antiguidade greco-romana de maneira a preparar a passagem da Idade M\u00e9dia para a Idade Moderna de 1453 Conquista de Constantinopla a 1789 Revolu\u00e7\u00e3o Francesa). Se na idade M\u00e9dia a terra (feudalismo) era o centro da riqueza e da produ\u00e7\u00e3o (senhorios feudais) com a idade moderna inicia-se a economia do mercado (mercantilismo e capital) a ser o indiv\u00edduo o centro delas (poder centrado nos reis secundados pela nobreza e clero e no Estado). A \u00e9poca em que vivemos \u00e9 tamb\u00e9m ela charneira e de consequ\u00eancias imprevis\u00edveis tal como o tempo da mudan\u00e7a iniciado no s\u00e9culo XVI (na passagem da Idade M\u00e9dia para a Idade Moderna).<\/p>\n<p>(2) Emancipa\u00e7\u00e3o como Princ\u00edpio impulsionador da Idade Moderna\u00a0\u00a0 https:\/\/www.amazon.de\/Ant%25C3%25B3nio-da-Cunha-Duarte-Justo\/e\/B076KYVPVH%3Fref=dbs_a_mng_rwt_scns_share<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atualidade da matriz cat\u00f3lica e da matriz protestante A ideia leva \u00e0 ac\u00e7\u00e3o como garantia de desenvolvimento (1). 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