{"id":8417,"date":"2023-03-29T19:50:56","date_gmt":"2023-03-29T18:50:56","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=8417"},"modified":"2023-03-29T23:11:06","modified_gmt":"2023-03-29T22:11:06","slug":"encontro-de-jesus-reino-espiritual-com-pilatos-reino-material","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=8417","title":{"rendered":"ENCONTRO DE JESUS (PODER ESPIRITUAL) COM PILATOS (PODER HUMANO)"},"content":{"rendered":"<p>No acto do julgamento de Jesus por Pilatos, relatado por Jo\u00e3o 18 e 19, d\u00e1-se, o encontro de dois reinos, dois poderes: o messi\u00e2nico espiritual e o temporal (este tamb\u00e9m com os representantes da institui\u00e7\u00e3o religiosa)! Por isso Pilatos n\u00e3o queria condenar Jesus como homem porque nessa qualidade n\u00e3o encontrava nele culpa alguma e, por isso, procurava maneira de deix\u00e1-lo abandonado ao poder religioso, dado Jesus se ter declarado messias e limitado a sua miss\u00e3o ao reino espiritual.<\/p>\n<p><strong>Jesus vai ser v\u00edtima reduzida a bola de jogo entre o poder estatal e o poder institucional religioso, dois poderes envolvidos na luta pelos pr\u00f3prios interesses institucionais sem lugar para o reino de Deus, para o humano individualmente (1).<\/strong> Jesus \u00e9 acusado por querer representar o poder divino no seu cargo de messias. Pilatos sabia que o que no tribunal estava em jogo eram dois dom\u00ednios, dois poderes: a pretens\u00e3o de Jesus Cristo e a de Pilatos. <strong>Pilatos, representante do imp\u00e9rio, sente-se enfrentado mais que pelo poder espiritual, (o rei messi\u00e2nico dos judeus), pelo chamamento de Jesus a deixar-se envolver pessoalmente pela sua miss\u00e3o espiritual. Por outro lado, o Sin\u00e9drio queria ver-se livre de Jesus porque Ele provocava a sua autoridade institucional.<\/strong> Jesus ao afirmar-se o messias (Messias significa &#8220;o ungido&#8221;, o rei), segundo a opini\u00e3o dos 71 membros do Sin\u00e9drio, comete blasf\u00e9mia, por isso concluem: \u201cEle blasfemou contra Deus! ele \u00e9 o culpado!&#8221;<\/p>\n<p><strong>Os representantes religiosos ao quererem ver Jesus condenado pelo representante do imperador t\u00eam em vista um xeque-mate pol\u00edtico para se livrarem de tumultos populares. <\/strong>Pilatos, por\u00e9m, procurou alijar de si a responsabilidade como muitas vezes acontece entre os representantes do poder. Empurram a culpa para frente e para tr\u00e1s e o mesmo continua nos tribunais e no entremeio esvai-se a humanidade. <strong>Neste processo sobressai a maneira como as duas institui\u00e7\u00f5es (estatal e templo) empurram a responsabilidade uma para a outra. Esta tens\u00e3o continua hoje como ontem porque os dois poderes se legitimam em clientelas diferentes com poder real nos cidad\u00e3os <\/strong>e umas vezes numa rela\u00e7\u00e3o de rivalidade outras numa de colabora\u00e7\u00e3o, muito embora conscientes que dependem um do outro, a n\u00e3o ser em ditaduras. <strong>Tamb\u00e9m por isso se assiste no mundo ocidental a uma luta mais ou menos declarada contra Deus e contra a religi\u00e3o! Uma vez destronado Deus passam a ter poder absoluto os \u201cdeuses\u201d do Olimpo!<\/strong> <strong>Disto deveriam estar conscientes os que por raz\u00f5es diversas lutam contra Deus e contra a religi\u00e3o. Matar Deus corresponde a atrai\u00e7oar o povo e entreg\u00e1-lo \u00e0 arbitrariedade dos senhores do Olimpo e aos vendilh\u00f5es do templo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pilatos, ao perguntar sarcasticamente a Jesus se Ele era \u201co rei dos judeus\u201d, queria certificar-se por um lado se tinha a ver com um representante do poder e, por outro lado, a maneira de descal\u00e7ar a bota para o despachar para o Sin\u00e9drio!<\/strong>\u00a0 Jesus ao replicar \u201cPerguntas isso por ti mesmo ou s\u00e3o outros que o querem saber? \u201econfronta Pilatos na sua atitude pessoal em rela\u00e7\u00e3o a Jesus, porque no Reino de Deus o que conta \u00e9 a atitude pessoal mesmo quando envolvida em papeis que se possa assumir ou representar na sociedade. <strong>Pilatos que n\u00e3o quer ver o interrogat\u00f3rio sob o aspecto pessoal, mas funcional insiste,<sup>\u00a0<\/sup>\u201cEnt\u00e3o \u00e9s rei?\u201d<\/strong>. Jesus n\u00e3o abdica da sua miss\u00e3o e ao responder dirige a pergunta de maneira a interpel\u00e1-lo pessoalmente: \u201cTens raz\u00e3o em dizer que sou rei. De facto, foi para isso que nasci. E vim para trazer a verdade ao mundo. Todos os que amam a verdade escutam a minha voz.\u201d <strong>Pilatos n\u00e3o gostou da afirma\u00e7\u00e3o de Jesus \u201cTodos os que amam a verdade escutam a minha voz.\u201d Com ela Jesus estava a alargar a sua miss\u00e3o tamb\u00e9m a ele na qualidade de pessoa<\/strong> que tem tamb\u00e9m o cargo de governador. Pilatos que j\u00e1 tinha constatado a inoc\u00eancia de Jesus n\u00e3o estava disposto a aceitar tamb\u00e9m a sua mensagem da verdade e por isso desvia o\u00a0 desafio de Jesus para canto com a pergunta<sup>\u00a0<\/sup>\u201cO que \u00e9 a verdade?\u201d e, sem reflectir na resposta anteriormente dada por Jesus, dirigiu-se ao povo dizendo \u201cEle n\u00e3o \u00e9 culpado de crime algum\u201d ; Pilatos procura ent\u00e3o sugerir uma solu\u00e7\u00e3o que salvava a sua posi\u00e7\u00e3o e a de Jesus dizendo \u201c\u00e9 vosso costume pedir-me que solte algu\u00e9m da pris\u00e3o todos os anos pela P\u00e1scoa\u201d. <strong>Pilatos para insistir que no julgamento o que estava em quest\u00e3o n\u00e3o era o comportamento de Jesus, mas a sua messianidade insiste: \u201cEnt\u00e3o, n\u00e3o querem que vos solte o rei dos judeus?\u201d. A voz do sin\u00e9drio ecoou atrav\u00e9s do povo dizendo \u201cN\u00e3o! N\u00e3o soltes este, mas sim Barrab\u00e1s <\/strong>(bandido)!\u201d <strong>Pilatos que sabia das andan\u00e7as como se cosem os interesses das institui\u00e7\u00f5es que os fazem ser representados pelo povo, usou de uma metodologia psicol\u00f3gica para ver se conseguia mudar a opini\u00e3o do povo, mandando para isso a\u00e7oitar Jesus, para depois o apresentar ao povo. <\/strong>Ent\u00e3o os soldados romanos a\u00e7oitaram Jesus e \u201cfizeram uma coroa de espinhos e colocaram-lha na cabe\u00e7a, vestindo-lhe um manto cor de p\u00farpura\u201d. <strong>Pilatos disse ent\u00e3o para a multid\u00e3o \u201cEis o Homem!\u201d.<\/strong> Ao v\u00ea-lo, os principais sacerdotes e os guardas do templo gritaram: \u201cCrucifica-o! Crucifica-o!\u00a0 Pela nossa Lei deve morrer, porque se intitulou Filho de Deus.\u201d <strong>Pilatos, entre a espada e a parede, dirige-se mais uma vez a Jesus dizendo \u201eN\u00e3o compreendes que tenho poder para te soltar ou para te crucificar?\u201d; Jesus, por\u00e9m n\u00e3o abdica da sua miss\u00e3o e responde: \u201cN\u00e3o terias poder nenhum sobre mim se n\u00e3o te tivesse sido dado do alto\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O sin\u00e9drio ao ver a hesita\u00e7\u00e3o de Pilatos apresenta um argumento fatal a n\u00edvel interinstitucional dizendo: \u201cSe soltares esse homem, n\u00e3o \u00e9s amigo de C\u00e9sar. Quem se proclama rei \u00e9 culpado de rebeli\u00e3o contra C\u00e9sar!\u201d O governador, ao ver o seu cargo e o seu juramento de lealdade ao Imperador questionado pelas autoridades do templo, torna-se tamb\u00e9m ele c\u00famplice na condena\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e0 morte<\/strong>, mas aproveita ainda para gozar com as autoridades do templo, dizendo \u201cO qu\u00ea? Crucificar o vosso rei? \u201e e os sacerdotes disseram: \u201cN\u00e3o temos outro rei sen\u00e3o o C\u00e9sar\u201d! Com esta confiss\u00e3o o sin\u00e9drio atesta a sua fidelidade ao imperador e a infidelidade para com o pr\u00f3prio povo. \u201eEnt\u00e3o Pilatos entregou-lhes Jesus para ser crucificado\u201d (cfr. Jo. 18 e 19). <strong>Neste processo \u00e9 bem de notar como a vida de Jesus e com ele a do povo se encontram entregues nas m\u00e3os dos interesses interinstitucionais e dos que assumem os seus papeis.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio CD Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>Te\u00f3logo<\/p>\n<p>(1)\u00a0 Marcos e Mateus circundam o julgamento de Jesus entre a rela\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o de Jesus\u00a0 (messias)\u00a0 e a do templo (sin\u00e9drio) (ficando-se na quest\u00e3o da culpa: Judas (com as trinta moedas que quis devolver aos sacerdotes mas eles n\u00e3o aceitaram, arremessa-as ent\u00e3o no templo e vai enforcar-se).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No acto do julgamento de Jesus por Pilatos, relatado por Jo\u00e3o 18 e 19, d\u00e1-se, o encontro de dois reinos, dois poderes: o messi\u00e2nico espiritual e o temporal (este tamb\u00e9m com os representantes da institui\u00e7\u00e3o religiosa)! 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