{"id":8392,"date":"2023-03-18T23:38:55","date_gmt":"2023-03-18T22:38:55","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=8392"},"modified":"2023-03-18T23:38:55","modified_gmt":"2023-03-18T22:38:55","slug":"depoimento-esclarecedor-da-campanha-contra-a-igreja-catolica-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=8392","title":{"rendered":"DEPOIMENTO ESCLARECEDOR DA CAMPANHA CONTRA A IGREJA CAT\u00d3LICA EM PORTUGAL"},"content":{"rendered":"<div>\n<div class=\"\" dir=\"auto\">\n<div id=\"jsc_c_o2\" class=\"x1iorvi4 x1pi30zi x1swvt13 xjkvuk6\" data-ad-comet-preview=\"message\" data-ad-preview=\"message\">\n<div class=\"x78zum5 xdt5ytf xz62fqu x16ldp7u\">\n<div class=\"xu06os2 x1ok221b\">\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xdj266r x126k92a\">\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">DEPOIMENTO<\/div>\n<div dir=\"auto\">ihs<\/div>\n<div dir=\"auto\">Par\u00f3quia do Monte de Caparica, 12.3.2023:<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u201cA simplifica\u00e7\u00e3o de qualquer coisa \u00e9 sempre sensacional.\u201d<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u201cAs fal\u00e1cias n\u00e3o se tornam menos fal\u00e1cias porque se tornaram modas.\u201d<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u201cImparcialidade \u00e9 um nome pomposo para a indiferen\u00e7a, que \u00e9 um nome elegante para a ignor\u00e2ncia.\u201d<\/div>\n<div dir=\"auto\">Chesterton<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">1\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Ponto de partida:<\/div>\n<div dir=\"auto\">Escrevo mandatado pelo meu compromisso com a F\u00e9 cat\u00f3lica \u2014 e por isso com o mundo, a quem sou enviado a \u201cAnunciar\u201d. Acredito, na Verdade, por isso falo, procurando a Verdade.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Imp\u00f5e-se-me a convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o posso deixar de dizer. Com f\u00e9. Portanto, tamb\u00e9m com autenticidade e clareza. Bem sei que \u201cnem a minha prega\u00e7\u00e3o nem a minha vida est\u00e3o \u00e0 altura da miss\u00e3o que desempenho\u201d (S. Greg\u00f3rio Magno).<\/div>\n<div dir=\"auto\">2\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">N\u00e3o fujo:<\/div>\n<div dir=\"auto\">existem v\u00edtimas de toda esta abomin\u00e1vel hist\u00f3ria de abuso de menores. H\u00e1 que dar-lhes o melhor e o devido apoio. Quanto me \u00e9 poss\u00edvel, tenho participado concretamente, nesse dever da comunidade eclesial. Obviamente, a Igreja dever\u00e1 colocar todos os seus recursos, humanos e espirituais, na luta contra esta mis\u00e9ria. Para um crist\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 haver qualquer hesita\u00e7\u00e3o nesta mat\u00e9ria.<\/div>\n<div dir=\"auto\">J\u00e1 n\u00e3o assim para o extremismo de esquerda e o esteticismo vanguardista. Os exemplos abundam.<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u00c0 dist\u00e2ncia de um click descortinar pol\u00edticos, jornalistas, escritores, artistas, promotores da pedofilia.<\/div>\n<div dir=\"auto\">3\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">A Igreja n\u00e3o pode cessar de se purificar. Entrou numa demorada Quaresma da qual n\u00e3o poder\u00e1 sair quando este tema deixar a press\u00e3o medi\u00e1tica. Purificar \u00e9 uma express\u00e3o de sabor evang\u00e9lico.<\/div>\n<div dir=\"auto\">4\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Mas \u201cpurificar\u201d n\u00e3o significa, de modo algum, conformar-se aos ditados da comunica\u00e7\u00e3o social e \u00e0 press\u00e3o da opini\u00e3o publicada. Repudio o \u201ctravestimento\u201d face ao mundo, que se julga dono da boa doutrina para a Igreja! Com efeito, ajustar contas com a Doutrina e a Tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 \u201cpurificar\u201d.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Todavia, eis que n\u00e3o poucos espreitam a ocasi\u00e3o de p\u00f4r tudo em quest\u00e3o: a verdade objectiva; os sacramentos celebrados no v\u00ednculo do discipulado; o celibato associado ao sacerd\u00f3cio e reservado aos homens \u2014 como amigos do Esposo, que O seguem e Lhe entregam toda a sua humanidade. Portanto, tamb\u00e9m a inteireza do seu corpo \u2014; o casamento entre homem e mulher; a eutan\u00e1sia \u2014 a\u00ed est\u00e3o os temas perante os quais a puls\u00e3o \u201cpurista\u201d pretende conformar tudo, face aos ditados do mundo.<\/div>\n<div dir=\"auto\">5\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Lobos ideologicamente treinados, colocados nos melhores lugares do anfiteatro<\/div>\n<div dir=\"auto\">eclesial, t\u00eam espalhado a confus\u00e3o. Refiro-me, \u00e0queles que s\u00e3o Poder e n\u00e3o abrem a boca sem projectar no Sacerd\u00f3cio a sua ambi\u00e7\u00e3o de Poder. Vejam-se os bons exemplos, de p\u00e9ssimos exemplos, vindos da Alemanha: os abusos sexuais percebidos como a prova de que \u00e9 necess\u00e1rio \u201cadaptar o \u2018movimento religioso\u2019 iniciado por Cristo\u201d (Lamentabili, 59). Doutores pl\u00e1sticos face \u00e0s novas exig\u00eancias da sociologia e da psicologia. Pugnadores da doutrina e da pastoral decididas a votos. S\u00e3o os mesmos, ali\u00e1s, que tentam capturar a intui\u00e7\u00e3o veneranda do S\u00ednodo reduzindo-o a ast\u00facias partid\u00e1rias.<\/div>\n<div dir=\"auto\">6\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Baudrillard distinguiu conceitos relevantes neste contexto: \u201cDissimular \u00e9 fingir n\u00e3o ter o que ainda se tem. Simular \u00e9 fingir ter o que n\u00e3o se tem.\u201d Dentro da Igreja, h\u00e1 quem dissimule n\u00e3o ter poder nenhum. Excepto \u2014 repito \u2014 o de publicar nos grandes jornais e possuir jornais online, e ser aqui e ali convidado para a Corte. Ou melhor, para a TV. S\u00e3o quem domina a agenda eclesial. Simulam, tamb\u00e9m, docilidade ao Evangelho quando o que se ouve \u00e9 apenas mundo e tudo o que o mundo projecta sobre a Igreja. Reconhecem-se nesses que t\u00eam que come\u00e7ar os seus discursos com actos de f\u00e9 \u201ceu que, ali\u00e1s, sou cat\u00f3lico&#8230;\u201d. Lan\u00e7am-se no t\u00edpico discurso dos escribas: encontrar a salva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o na ignominia da Cruz, mas na ades\u00e3o cidad\u00e3 \u00e0 opini\u00e3o dos Pr\u00edncipes.<\/div>\n<div dir=\"auto\">7\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u201cPensar globalmente, agir localmente\u201d! Se olharmos com alguma amplitude para a hist\u00f3ria recente do papado verificaremos que teve de se confrontar com poderosas opera\u00e7\u00f5es de oposi\u00e7\u00e3o em mesmo de persegui\u00e7\u00e3o. De facto, e como grandes orquestra\u00e7\u00f5es da opini\u00e3o p\u00fablica, \u00e9 de referir a tentativa de colar Pio XII aos nazis. Diz-se que teria que ver com a inten\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica de condicionar o Conc\u00edlio, impedindo-o de ser agressivo com a ideologia ali originada. Depois foi Paulo VI, \u00f3ptimo Papa at\u00e9 1968, terr\u00edvel desde que publicou a Humanae Vitae. De seguida Jo\u00e3o Paulo II, fortemente atacado por causa da fixa\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica na quest\u00e3o do preservativo. Acresce Bento XVI, sempre colado \u00e0 imagem que trazia cosida \u00e0 pele, de \u201cpanzerkardinal\u201d e inquisidor. Hoje, habilmente, os \u201cpurificadores\u201d apresentam etereamente todo o seu amor dual\u00edstico pelo Papa Francisco (esses mesmos que sempre desdenharam a devo\u00e7\u00e3o do povo cat\u00f3lico a Pedro), n\u00e3o tanto para que ele apare\u00e7a na sua autoridade apost\u00f3lica, mas, isso sim, para acusarem a c\u00faria e os episcopados de mais n\u00e3o serem do que aparelho reacion\u00e1rio.<\/div>\n<div dir=\"auto\">8\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Todavia, a grande novidade n\u00e3o desponta aqui, na critica a este ou \u00e0quele Papa, por causa disto ou daquilo. A estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o passou por internacionalizar a percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica da Igreja como \u201ca\u201d produtora da pedofilia. Por estes dias, algu\u00e9m sem relevo p\u00fablico escrevia num jornal de refer\u00eancia um artigo com o t\u00edtulo \u201cO fim da Igreja Cat\u00f3lica como refer\u00eancia moral\u201d. Concordo! Est\u00e1 em acto, desde o final dos anos 90, esta opera\u00e7\u00e3o \u201cglobal\u201d que se apresenta como anti -pedofilia e que visa cercar a Igreja. E apenas a Igreja. E \u00e9 esse o prop\u00f3sito dos Pr\u00edncipes. Simulado e dissimulado, \u201c\u00f3bvio ululante\u201d. Portanto, impedir que a Igreja tenha uma palavra limpa a dizer sobre o quer que seja j\u00e1 que, ela mesmo, \u00e9 apresentada como a mais que desautorizada sede da sujeira&#8230;<\/div>\n<div dir=\"auto\">9\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Em novembro de 2021 a Hierarquia da Igreja em Portugal prop\u00f4s a cria\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o dita independente que realizasse um relat\u00f3rio sobre todos estes horrores. A Comiss\u00e3o \u00e9, indubitavelmente independente. Da Hierarquia. Mas isso n\u00e3o \u00e9, de modo algum, garantia de imparcialidade. Verdade, tamb\u00e9m aqui, que \u201cquem semeia ventos colhe tempestades<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u201d: aceitar a bondade inicial deste Relat\u00f3rio, a realizar por quem o fez, com as metodologias de que se serviram, prenunciava o que veio a suceder. Quando na passada 6\u00aa feira, dia3 de Mar\u00e7o, se realizou a confer\u00eancia de imprensa em F\u00e1tima, os senhores Bispos tentaram dizer que teria que haver respeito por \u201cdireitos, liberdades e garanti as\u201d. Mas as televis\u00f5es e os jornais \u2014 e os Pr\u00edncipes \u2014 queriam mais. Queriam guilhotina. Pasme-se que, tamb\u00e9m o senhor Presidente da Rep\u00fablica mostrou uma valentia que lhe desconhecia at\u00e9 ao presente momento do seu mandato, tantas os seus tangentes circunl\u00f3quios.<\/div>\n<div dir=\"auto\">10\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Pena, grande pena, pois, que a mesma Comiss\u00e3o, n\u00e3o se tenha apresentado a si mesma com franqueza e rigor. Por exemplo, qual o percurso exacto dos seus membros do ponto de vista de outras manifesta\u00e7\u00f5es da pervers\u00e3o pedofila na vidadas nossas institui\u00e7\u00f5es? Que tipo de dificuldades outros processos de \u00edndole id\u00eantica criaram aos seus executores? Que perten\u00e7as e aprioris ideol\u00f3gicos os seus membros t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja? Seria importante que Pedro Strech testemunhasse, em primeira pessoa, sobre as dificuldades que enfrentou no processo Casa Pia. Gostaria de saber o que o levou a abandonar tal processo. Do mesmo modo, n\u00e3o seria a hora da figura senatorial de Daniel Sampaio se referir \u00e0s v\u00edtimas da Casa Pia com a \u201ccompaix\u00e3o\u201d que exige dos Bispos? Qual a sua interven\u00e7\u00e3o c\u00edvica a favor da compaix\u00e3o com as v\u00edtimas quando os tribunais deram por encerrada essa quest\u00e3o? Ser\u00e1 que est\u00e1 agora a projectar sentimentos de culpa face ao seu sil\u00eancio nessa circunst\u00e2ncia?<\/div>\n<div dir=\"auto\">Note-se, todavia, que limito-me apenas a levantar algumas quest\u00f5es!&#8230;<\/div>\n<div dir=\"auto\">11\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Por estes dias, o Cardeal Patriarca tem sido zurzido, fora e dentro da Igreja. A culpa dele? Ter assinalado que \u201cum envelope sigiloso contendo os nomes dos membros da Igreja acusados de terem abusado sexualmente de crian\u00e7as\u201d (P\u00fablico, 7.3.2023) n\u00e3o \u00e9 uma senten\u00e7a do Tribunal que deva transitar em julgado! O P\u00fablico acompanhou a not\u00edcia com uma fotografia do D. Manuel Clemente a guiar dentro de um carro com a janelas fechadas e a sorrir. Tudo mensagens sobre fechamento, fuga, insensibilidade, passadas pelo Poder que se abate sobre um pastor bom a quem procuram isolar.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Acresce que, com mais ou menos dial\u00e9tica episcopal, D. Manual Clemente tem raz\u00e3o na precis\u00e3o da argumenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica: \u201cAinda est\u00e1 em uso a antiga terminologia da suspens\u00e3o a divinis para indicar a proibi\u00e7\u00e3o de exercer o minist\u00e9rio imposta como medida cautelar a um cl\u00e9rigo. \u00c9 bom evitar tal designa\u00e7\u00e3o, bem como a de suspens\u00e3o ad cautelam, porque na legisla\u00e7\u00e3o em vigor a suspens\u00e3o \u00e9 uma pena e, nesta fase, ainda n\u00e3o pode ser imposta A forma correta para designar tal disposi\u00e7\u00e3o ser\u00e1, por exemplo, proibi\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio p\u00fablico do minist\u00e9rio\u201d (in Vademecum, Vati cano, 2\u00aa ed, 2022).<\/div>\n<div dir=\"auto\">12\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Como j\u00e1 tive oportunidade de dizer noutra circunst\u00e2ncia, a isen\u00e7\u00e3o e equil\u00edbrio do Relat\u00f3rio tem que ser questionadas! Parece-me que a rever\u00eancia que lhe \u00e9 dedicada tr\u00e1s consigo um misto de servilismo e de convencionalismo.<\/div>\n<div dir=\"auto\">N\u00e3o \u00e9 um documento homog\u00e9neo. Se h\u00e1 relatos tremendos na sua veracidade, h\u00e1 outras p\u00e1ginas inaceit\u00e1veis do ponto de vista da racionalidade e, portanto, tamb\u00e9m da justi\u00e7a. De facto, n\u00e3o acolho como imparciais as suas evid\u00eancias. Por exemplo, na pg. 200 apresenta-se uma Tabela de quantifi ca\u00e7\u00e3o de outros casos de pedofilia que seriam do conhecimento das v\u00edtimas que fizeram os seus depoimentos \u00e0 Comiss\u00e3o:<\/div>\n<div dir=\"auto\">Assim, \u201cdelineamos um exerc\u00edcio de quantifica\u00e7\u00e3o. Nos testemunhos em que as respostas sa\u0303o precisas e especificas, contabiliz\u00e1mos o n\u00famero exato de pessoas mencionadas. Nos restantes, usa\u0301 mos uma se\u0301rie de equivale\u0302ncias que pondera as respostas de forma muito conservadora [Por baixo, digo eu]\u201d. Portanto, \u00e9 a parti r desta Tabela que se chega \u00e0 estimativa de 4815 v\u00edtimas.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Eis alguns exemplos que me parecem muito significativos, retirados dessa mesma Tabela: Se a v\u00edtima que fez o seu depoimento d\u00e1 uma \u201cresposta exacta\u201d (tal como a designa o Relat\u00f3rio) assume-se esse n\u00famero sem mais: \u201ctodas as minhas primas\u201dsignificam, seguramente, \u201c7\u201d raparigas. Acresce, que onde a v\u00edtima diz \u201cn\u00e3o sabe; n\u00e3o sei \u201d os cientistas do Relat\u00f3rio sabem e contabilizam \u201c1\u201d.<\/div>\n<div dir=\"auto\">E o mergulho no arbitr\u00e1rio expressa-se mais exageradamente ainda, quando quem apresenta o seu testemunho \u00e0 Comiss\u00e3o d\u00e1 respostas do tipo \u201ctodo o col\u00e9gio\u201d (a que corresponde o n\u00famero de 200 pessoas segundo o Relat\u00f3rio) ou \u201ctodos os rapazes da Freguesia\u201d (a que correspondem 20 pessoas) &#8230; Ci\u00eancia? Justi\u00e7a? Aqui fica a pergunta.<\/div>\n<div dir=\"auto\">13\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Acresce que o Relat\u00f3rio n\u00e3o faz distin\u00e7\u00f5es conceptuais importantes: quais os abusos de menores que pertencem \u00e0 categoria pedofilia (DSM IV, \u201cactividade sexual com uma crian\u00e7a ou crian\u00e7as na pr\u00e9-puberdade \u2014 geralmente com 13 anos ou menos) e os outros\u2014 que s\u00e3o igualmente \u201cabusos de menores\u201d \u2014 mas cuja \u201ctipologia\u201d tende a n\u00e3o poder ser nomeada? Tabus e interditos, auto-censura no vocabul\u00e1rio dos autores do Relat\u00f3rio &#8230;<\/div>\n<div dir=\"auto\">14\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Gostaria, ainda, de perguntar aos relatores: o que \u00e9 que mudou tanto na sociedade portuguesa para que a descri\u00e7\u00e3o tenha imperado no processo Casa Pia (conhece-se algum Relat\u00f3rio? Est\u00e1 acess\u00edvel uma \u00fanica hist\u00f3ria relatada na primeira pessoa pelas v\u00edtimas?) e agora, desta vez, tudo fosse exposto, com todos os detalhes obscenos, em hor\u00e1rio nobre das tv\u2019s?<\/div>\n<div dir=\"auto\">Num pa\u00eds institucionalmente id\u00f3neo, o que foi recolhido neste relat\u00f3rio n\u00e3o deveria ter dado origem a averigua\u00e7\u00f5es subsequentes que salvaguardassem \u201cdireitos, liberdades, garantias\u201d? Quem n\u00e3o se d\u00e1 conta do julgamento sum\u00e1rio que se montou na pra\u00e7a p\u00fablica?<\/div>\n<div dir=\"auto\">15\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">J\u00e1 perto do fim, penso que \u00e9 relevante perguntarmo-nos se tudo isto significa que cheg\u00e1mos a uma nova fase da nossa vida em sociedade, onde o compromisso contra a pedofilia se apresenta firme?<\/div>\n<div dir=\"auto\">Diria que n\u00e3o me parece! Fa\u00e7amos, por exemplo, essa mesma pergunta ao Observador e verificaremos que a fixa\u00e7\u00e3o no tema da pedofilia \u00e9 exclusivamente anti -cat\u00f3lico. Nesse mesmo jornal, em Janeiro passado, os 100 anos de Eug\u00e9nio de Andrade foram festejados sem uma alus\u00e3o que fosse \u00e0 sua milit\u00e2ncia pr\u00f3-pedofilia! Pelo meu lado, penso que at\u00e9 surgir de novo, nesse jornal, um n\u00famero de telefone dispon\u00edvel para receber outras denuncias de pedofilia, que n\u00e3o s\u00f3 as eclesi\u00e1sticas, o seu prop\u00f3sito parcial e o seu descompromisso anti -pedofilia est\u00e3o ostensivamente \u00e0 vista.<\/div>\n<div dir=\"auto\">16\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Permito-me antecipar cen\u00e1rios: n\u00e3o tardar\u00e1 muito, parece-me que mais cedo do que tarde, ser\u00e1 a Igreja Cat\u00f3lica a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o, neste lado do mundo chamado Ocidente, a dizer que a pedofilia \u00e9 uma pervers\u00e3o!<\/div>\n<div dir=\"auto\">Quem acompanhe o que se diz, por exemplo, em Fran\u00e7a, It\u00e1lia ou Holanda e B\u00e9lgica sabe-o. Em Espanha, em Setembro passado, a ministra Irene Montero disse que n\u00e3o havia mal na vida sexual acti va das crian\u00e7as, com adultos desde que consentida (htt ps:\/\/poligrafo.sapo.pt\/fact-check\/ministra-da-igualdade-de-espanha-disse-que-criancas-podem-ter-relacoes-sexuais-com-adultos-se-houver-consenti mento).<\/div>\n<div dir=\"auto\">17\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Parece-me que reduzir as quest\u00f5es dos abusos de menores \u00e0 Igreja cat\u00f3lica tem permitido aos senadores e aos poderes do regime sublimar as cumplicidades e omiss\u00f5es no Processo Casa Pia. Ali, \u00e0 guarda do Estado, guardas do Estado atingiram &#8220;as mais desgra\u00e7adas [crian\u00e7as] em termos de hist\u00f3ria pessoal&#8221;.<\/div>\n<div dir=\"auto\">18\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Ora, o que \u00e9 certo \u00e9 que o \u201cbode\u201d tem mudado de nome, de ra\u00e7a, e o seu holocausto tem sido prati cado atrav\u00e9s de rituais diversos. Todavia, certo \u00e9 tamb\u00e9m que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma configura\u00e7\u00e3o de sociedade que n\u00e3o fa\u00e7a uso abundante dos seus pr\u00f3prios bodes expiat\u00f3rios de elei\u00e7\u00e3o. Carregar os miser\u00e1veis 3% de cl\u00e9rigos sinistros com os 97% de crimes de pedofilia que ocorrem na sociedade serve outro prop\u00f3sito que n\u00e3o o de esclarecer sobre o que se est\u00e1 a passar.<\/div>\n<div dir=\"auto\">19\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Tudo o que acabo de escrever apenas indicia uma atitude conservadora? Olhar para o que foi dito nessa perspectiva serve apenas para encurralar-me ideologicamente. Fechado e r\u00edgido, insens\u00edvel, s\u00e3o, de imediato, ideias afins a este tipo de classifica\u00e7\u00e3o. Permitem antecipar a conclus\u00e3o sem ouvir o argumento. Seguro, por\u00e9m, \u00e9 que n\u00e3o tenho nada a ver com os \u201cjovens turcos\u201d do Observador, importante club do conservadorismo liberal. Dessa rela\u00e7\u00e3o prom\u00edscua resultou um jornalismo trans-<\/div>\n<div dir=\"auto\">tornado e grande conservador \u2014 do liberalismo. Na h\u00fabris da indiscrimina\u00e7\u00e3o da incrimina\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Por entre os militantes deste tipo de liberalismo (haver\u00e1 outros) descortina-se a postura de quem luta para que o Estado esteja fora dos neg\u00f3cios &#8230; e a Igreja longe da vida.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Curioso: tamb\u00e9m aqui os extremos se tocam. Desta vez, no adro da igreja, onde as causas Woke e os radicais do liberalismo se coligaram no comum desprezo pela densidade do real. Embriagados de parcialidade recusam-se a pensar a complexidade. 1 coment\u00e1rio:<\/div>\n<div dir=\"auto\">20\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Acontece que sou cat\u00f3lico. Por conseguinte, a perspectiva que me interessa diz respeito ao \u201ctodo\u201d: da vida, dos factos sociais, da amplitude do perguntar, da organicidade do real, da equidade das solu\u00e7\u00f5es, das rela\u00e7\u00f5es reais de compromisso entre as pessoas, da busca de um modo de estar no vis\u00edvel que n\u00e3o silencie o invis\u00edvel. Portanto, contra as solu\u00e7\u00f5es abstractas e ideol\u00f3gicas do sistema, das teses mais amadas do que as pessoas, do insignific\u00e2ncia dada \u00e0 quest\u00e3o do sentido da exist\u00eancia, do desprezo pelas institui\u00e7\u00f5es, da emin\u00eancia do jornalismo acimados factos, desprezando os factos, inchando ou esquartejando os mesmos.<\/div>\n<div dir=\"auto\">21\u00ba<\/div>\n<div dir=\"auto\">Todavia, mutati s mutandis, n\u00e3o ando longe do pensamento de Adriano VI quando em 1523, perante a crise protestante, assim escreveu: \u201cN\u00f3s reconhecemos livremente que Deus permiti u esta persegui\u00e7\u00e3o da Igreja por causa dos pecados dos homens, particularmente dos sacerdotes e prelados. A m\u00e3o de Deus, de facto, n\u00e3o se retirou e ela pode salvar-nos. Mas o pecado separa-nos d\u2019Ele e impede-O de salvar-nos. Toda a Sagrada Escritura ensina-nos que os erros do povo t\u00eam a sua fonte nos erros do clero&#8230;<\/div>\n<div dir=\"auto\">Sabemos que, desde h\u00e1 muitos anos, tamb\u00e9m na Santa S\u00e9 foram cometidas muitas coisas abomin\u00e1veis: tr\u00e1fico de coisas sagradas e transgress\u00f5es dos mandamentos em tal medida que tudo se tornou um esc\u00e2ndalo. N\u00e3o nos podemos espantar que a doen\u00e7a tenha descido da cabe\u00e7a ao corpo, dos papas aos prelados. Todos n\u00f3s, prelados e eclesi\u00e1sticos, desvi\u00e1mo-nos do caminho da justi\u00e7a. (&#8230;) Cada um de n\u00f3s deve honrar a Deus e humilhar-se perante Ele. Cada um de n\u00f3s deve examinar-se e ver em que pecado caiu. E deve examinar-se muito mais severamente de quanto n\u00e3o o ser\u00e1 por Deus no dia da Sua ira. Consideramo-nos tanto mais comprometi dos a faz\u00ea-lo porquanto o mundo inteiro tem sede de reforma\u201d.<\/div>\n<div dir=\"auto\">&#8230;.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Que a justi\u00e7a dos homens fa\u00e7a o seu caminho, \u00e9 o desejo recto de qualquer um de n\u00f3s. Certamente que alguns dos mais dissimulados e poderosos ped\u00f3filos escapar\u00e3o \u00e0 justi\u00e7a dos homens. Assim, muitos nomes grandes da cultura e das artes europeias e nacionais contempor\u00e2neos.<\/div>\n<div dir=\"auto\">[&#8230;]<\/div>\n<div dir=\"auto\">Sabemos, no entanto, que ningu\u00e9m escapar\u00e1 o severo ju\u00edzo de Deus. Para o fogo eterno aqueles que escandalizaram os pequeninos. Portanto, tamb\u00e9m o clero que impenitentemente assim o fez e assim se manteve simulando exercer as responsabilidades santas, horrivelmente pervertidas.<\/div>\n<div dir=\"auto\">2<\/div>\n<div dir=\"auto\">Dediquei-me a ler o Relat\u00f3rio publicado na 2\u00aa feira passada. J\u00e1 li perto de metade. N\u00e3o serei redundante a repetir o que \u00e9 consensual, obviamente sobre a trag\u00e9dia que se abateu sobre quem foi abusado.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Mas o Relat\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 apenas consensual. \u00c9 tamb\u00e9m discut\u00edvel. Muito discut\u00edvel e em n\u00e3o poucas p\u00e1ginas, para mim, inaceit\u00e1vel. Ou ser\u00e1 que sou obrigado a considerar como absoluta e inquestion\u00e1vel a sua metodologia, os seus prop\u00f3sitos e resultados? \u201cPensar \u00e9 dizer n\u00e3o\u201d [Alain, semin\u00e1rio de Derrida], ensinava um filosofo franc\u00eas aos seus alunos. Nem sempre, mas muitas vezes, permito-me acrescentar eu. Sobretudo quando nos colocamos perante as afirma\u00e7\u00f5es do Poder sem rosto, como o designava Pasolini. Portanto, e por vezes, negar n\u00e3o \u00e9 fazer a afirma\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. Ou seja, n\u00e3o me passa pela cabe\u00e7a dizer que n\u00e3o existe responsabilidades brutais de clero ped\u00f3filo.<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u00c9 antes recusar o modo como se configuram novas cren\u00e7as que se pretendem l\u00edmpidas e pudicas e transpiram principalmente uma vingan\u00e7a cultural, generaliza\u00e7\u00f5es e massacre de uma institui\u00e7\u00e3o secularmente na mira dos que pretendem o Progresso sem o Desenvolvimento. O progresso entendido assanhadamente como ruptura \u2014 como revolu\u00e7\u00e3o\u2014 face \u00e0s convic\u00e7\u00f5es tradicionais sem por isso o Desenvolvimento da pessoa na sua vida pessoal e comunit\u00e1ria. \u201c, o aborto, a eutan\u00e1sia e fantasiosas \u2018fam\u00edlias\u201d que n\u00e3o desenvolvem a vida de ningu\u00e9m. Antes a implodem.<\/div>\n<div dir=\"auto\">3<\/div>\n<div dir=\"auto\">Mas retomo o Relat\u00f3rio. A certa altura \u00e9 referido que a \u201cComiss\u00e3o Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianc\u0327as na Igreja Cato\u0301lica Portuguesa\u201d foi entrevistar os nossos Bispos. Levavam cinco perguntas preparadas. A primeira questionava o seguinte: \u201c\u2014 Como se tornou um homem de f\u00e9\u0301?<\/div>\n<div dir=\"auto\">Percorria-se depois um roteiro por v\u00e1rias outras: pode-nos falar sobre a sua inf\u00e2ncia, a fam\u00edlia e a comunidade onde cresceu?<\/div>\n<div dir=\"auto\">Como surgiu a voca\u00e7\u00e3o e em que lugares adquiriu forma\u00e7\u00e3o para se tornar sacerdote ou membro de uma ordem religiosa?\u201d(Copy paste, pg 122. Note-se o pouco rigorosa na ortografia).<\/div>\n<div dir=\"auto\">Ora, pergunto eu, a entrevista era sobre \u201cAbuso de menores\u201d ou servia para classifica\u00e7\u00e3o e julgamento sociol\u00f3gico e psicol\u00f3gica do episcopado? Repete-se em todo o relat\u00f3rio que se acolheram as pessoas entrevistadas. Neste caso, n\u00e3o se est\u00e1 a fazer um ju\u00edzo de valor sobre as pessoas entrevistadas?<\/div>\n<div dir=\"auto\">Com efeito, qual o relevo desta pergunta sen\u00e3o a de julgar os prelados da Igreja?<\/div>\n<div dir=\"auto\">Exagero? Veja-se o coment\u00e1rio que se segue sobre as entrevistas aos superiores das ordens religiosas, femininas e masculinas:<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u201cSe algumas irma\u0303s tinham vestido o ha\u0301bito de freira nas entrevistas, os superiores gerais (com excec\u0327a\u0303o de um) apresentaram-se descontraidamente vestidos com roupa comum. Com todos, sem excec\u0327a\u0303o, o ambiente criado durante a entrevista foi excelente. Ao contra\u0301rio dos bispos, apesar de tudo mais formais e racionais no trato e no uso da linguagem, os superiores e as superioras gerais deixaram mais frequentemente soltar as suas emoc\u0327o\u0303es e du\u0301vidas, o seu humor e, sobretudo, a sua perspetiva cri\u0301tica face ao conservadorismo da hierarquia da Igreja portuguesa, na sua linguagem, na atitude de certos bispos. Apenas com eles\/elas ouvimos frases como \u00absinto-me uma pessoa realizada\u00bb, \u00absou uma mulher feliz\u00bb\u201d.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Bom, se era t\u00e3o relevante conhecer o \u201cambiente\u201d em que cresceu a hierarquia, porque n\u00e3o utilizar o mesmo m\u00e9todo na auto-apresenta\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o.<\/div>\n<div dir=\"auto\">[&#8230;]<\/div>\n<div dir=\"auto\">Que raz\u00f5es levaram a Comiss\u00e3o a passar por cima de tudo o que s\u00e3o direitos, liberdades e garantias, dando um passo no sentido em que a vida p\u00fablica seja n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 atingida pelo populismo, que pretende que os pol\u00edticos sejam substitu\u00eddos pelos ju\u00edzes, como agora, tamb\u00e9m, que os ju\u00edzes sejam destitu\u00eddos por psiquiatras.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Sim, porque n\u00e3o tenhamos d\u00favidas: o Relat\u00f3rio \u00e9 uma senten\u00e7a.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Daquelas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quais j\u00e1 n\u00e3o se pode apresentar recurso.<\/div>\n<div dir=\"auto\">4<\/div>\n<div dir=\"auto\">Significativa, no Relat\u00f3rio em apre\u00e7o, a tentativa de branquear a conex\u00e3o, todavia estatisticamente irrefut\u00e1vel, entre abusos de menores e perfis homossexuais. As afirma\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e declara\u00e7\u00f5es de inten\u00e7\u00e3o, s\u00e3o redundantes: Assim na pg 75: \u201cSabe-se que a maior parte dos abusadores de crianc\u0327as sa\u0303o, na sua forma socialmente assumida e ainda na sua estruturac\u0327a\u0303o emocional, heterossexuais, muitos deles tendo relac\u0327o\u0303es com adultos de sexo oposto ou sendo pais de crianc\u0327as. Por outro lado, a quase totalidade dos homossexuais vive a sua vida emocional e afetiva com pessoas de faixas eta\u0301rias superiores a 18 anos de idade e orientac\u0327a\u0303o ide\u0302ntica, sem que sequer se constitua esta mesma quest\u00e3o de abuso. Embora esta quest\u00e3o esteja hoje absolutamente clarificada do ponto de vista cient\u00edfico, ela e\u0301 ainda objeto de vulgar confus\u00e3o entre va\u0301rios estratos das sociedades, incluindo em posic\u0327o\u0303es que persistem como um dogma dentro da pr\u00f3pria Igreja que, por exemplo, nega casamentos entre pessoas do mesmo sexo ou a confiss\u00e3o e a comunh\u00e3o a quem n\u00e3o tenha assumido orienta\u00e7\u00e3o heterossexual.\u201d Ora, de novo, \u2018pensar \u00e9 dizer n\u00e3o\u2019.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Mas n\u00e3o me acusem, para j\u00e1, de ser troglodita.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Fa\u00e7o, ali\u00e1s, um parenteses para homenagear pessoas homossexuais que conhe\u00e7o e de quem sou amigo e que nada t\u00eam de ped\u00f3filas. \u00c9 obvio que homossexualidade n\u00e3o \u00e9 sinonimo de pedofilia.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Mas \u00e9 obvio, tamb\u00e9m, que h\u00e1 no Relat\u00f3rio uma preponder\u00e2ncia de pessoas com pr\u00e1ticas homossexuais ped\u00f3fi las. E a\u00ed o relat\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 isento.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Com efeito, n\u00e3o obstante o texto que acabo de citar e que tenta dissociar em absoluto estas duas pr\u00e1ticas, por exemplo, nas pg 250 ou 271 ou 371, os epis\u00f3dios hediondos a\u00ed relatados s\u00e3o, paradoxalmente, referidos a pessoas identificadas como homossexuais.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Mas, por outro lado, j\u00e1 os 4 casos contados nas p\u00e1ginas 223 a 227 descrevem com detalhe praticas homossexuais sem nomear a homossexualidade desses predadores.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Ent\u00e3o, todo o meu prop\u00f3sito resume-se a condenar as pessoas homossexuais?<\/div>\n<div dir=\"auto\">N\u00e3o e n\u00e3o.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Sem pejo, por\u00e9m, relembro a tese de Pasolini, ali\u00e1s um homossexual, segundo a qual a trag\u00e9dia contempor\u00e2nea tem que ver com um Poder [com P grande] sem rosto. Esse, Poder, digo eu, que tem conseguido colar a Igreja, o seu clero e as suas pr\u00e1ticas rituais e institui\u00e7\u00f5es a uma cambada de tarados e de lugares sinistros.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Ora, o que o Poder pretende com isto \u00e9 que da identifica\u00e7\u00e3o da Igreja com tais horrores decorra a insignific\u00e2ncia e impot\u00eancia e o desprezo por qualquer coisa que a mesma Igreja tenha a dizer sobre o homem e organiza\u00e7\u00e3o da sua vida em sociedade. Aborto, Eutan\u00e1sia, fantasmas sobre o que \u00e9 ser homem ou mulher, fam\u00edlia tradicional ou novas configura\u00e7\u00f5es da mesma nascidas da perda do centro, tudo isso deixa de poder dialogar com o pensamento cat\u00f3lico a quem n\u00e3o deixa de se colar a pequen\u00edssima parte como expressiva de um todo sist\u00e9mico.<\/div>\n<div dir=\"auto\">E, eis, que a\u00ed est\u00e3o, de novo, \u00e0 solta, velhos ressentimentos anticlericais a pedir que se \u201cesmague a infame\u201d Igreja.<\/div>\n<div dir=\"auto\">5<\/div>\n<div dir=\"auto\">E a prop\u00f3sito de n\u00fameros e % permito-me, tamb\u00e9m, dizer que n\u00e3o considero expressivos e suficientes os n\u00fameros alcan\u00e7ados. 34 depoimentos presenciais, 512inqu\u00e9ritos online validados, a extrapola\u00e7\u00e3o para 4800 v\u00edtimas de abusos n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 direito, n\u00e3o \u00e9 justi\u00e7a. \u00c9 manipula\u00e7\u00e3o. Brutal manipula\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Note-se ali\u00e1s que o Relat\u00f3rio diz na pg. 138\u201c<\/div>\n<div dir=\"auto\">Uma das questo\u0303es com que qualquer equipa de pesquisa se confronta quando recolhe dados junto de uma populac\u0327a\u0303o atrave\u0301s de te\u0301cnicas como entrevistas ou inque\u0301ritos por questiona\u0301rio e\u0301 a questa\u0303o da veracidade das respostas obtidas. Apesar de todos os cuidados postos na redac\u0327a\u0303o do guia\u0303o, da exclusa\u0303o de testemunhos manifestamente falsos, pode-se sempre discutir genericamente se quem responde esta\u0301 ou na\u0303o a contar a verdade, ou se aquilo que afirma corresponde ao que exatamente viveu, sem construc\u0327a\u0303o do que e\u0301 descrito como a ocorre\u0302ncia de \u00abfalsas memo\u0301rias\u00bb. Este e\u0301 um tema recorrentemente discutido na literatura cienti\u0301fica, nomeadamente na a\u0301rea da psicologia social, facto que, por si mesmo, constitui uma forma estruturada de corretamente enquadrar este tipo de du\u0301vidas.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Em vez de \u00abverdadeiras\u00bb ou \u00abfalsas\u00bb, devemos ter em conta que as respostas obtidas sa\u0303o sempre elaboradas no quadro da relac\u0327a\u0303o que se estabelece entre quem pergunta e quem responde. Sa\u0303o mediadas pela representac\u0327a\u0303o mental que a pessoa constro\u0301i da situac\u0327a\u0303o a que esta\u0301 a responder e e\u0301 essa mesma narrativa interna que constitui o pro\u0301prio resultado da inquiric\u0327a\u0303o<\/div>\n<div dir=\"auto\">.\u201d<\/div>\n<div dir=\"auto\">6<\/div>\n<div dir=\"auto\">Contenho-me no meu exame ao relat\u00f3rio para chegar a uma pergunta necess\u00e1ria e dolorosa:<\/div>\n<div dir=\"auto\">Porque \u00e9 que a hierarquia se lan\u00e7ou a este desafio de pedir para se fazer este relat\u00f3rio.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Seria melhor escondermo-nos?<\/div>\n<div dir=\"auto\">N\u00e3o e n\u00e3o. N\u00e3o sou desses.<\/div>\n<div dir=\"auto\">N\u00e3o me revejo em comportamentos corporativos! N\u00e3o sou de nenhuma \u201ccongrega\u00e7\u00e3o\u201d.<\/div>\n<div dir=\"auto\">O que me parece \u00e9 que, por exemplo, como em Espanha, n\u00e3o se deveria ter aceite fazer um inqu\u00e9rito desta natureza exclusivamente \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. Sim, os estudos de refer\u00eancia indicam que depois de tudo vasculhado na Alemanha e nos EUA a responsabilidade dos cl\u00e9rigos andar\u00e1 pelos 3%.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Sim, \u00e9 brutal, mas n\u00e3o exclusivo nem predominante. E foi esse, segundo me parece, o efeito social criado com este Relat\u00f3rio: como se a Igreja fosse a f\u00e1brica e a sede destes horrores<\/div>\n<div dir=\"auto\">O que se passou ent\u00e3o para hierarquia avan\u00e7ar para este Relat\u00f3rio. N\u00e3o possuo especial informa\u00e7\u00e3o sobre as decis\u00f5es da CEP. Obviamente a press\u00e3o era muita, mas permito-me lamentar 3 factos:<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u00b7<\/div>\n<div dir=\"auto\">Ced\u00eancia \u00e0s elites clericalizadas: clero e leigos que pensam \u201cmundo\u201d. Refiro-me aos que dentro da Igreja est\u00e3o mundanizados, mentalmente colonizados pelo Poder. Refiro-me aos que desejam que, no que diz respeito \u00e0 doutrina, a Igreja diga o que o mundo dita \u00e0 Igreja. Refiro-me, de um modo geral, ainda que com honrosas excep\u00e7\u00f5es, \u00e0queles cat\u00f3licos de servi\u00e7o que t\u00eam acesso a publicar na grande imprensa. \u00c0queles que de algum modo aspiram a uma vers\u00e3o do cristianismo descrito ironicamente pelo Cardeal Biffi a prop\u00f3sito do anti -Cristo: no futuro ele \u201cser\u00e1 vegetariano, pacifista, bonzinho e aberto ao di\u00e1logo\u201d.<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u00b7<\/div>\n<div dir=\"auto\">Como segunda nota, e como agora se diz, recusa de um modelo sinodal de Igreja. Ou seja, confundir opini\u00e3o publicada com o sentido da f\u00e9 dos fi\u00e9is. S\u00f3 gente muito mundanizada desejava este Relat\u00f3rio. Os fi\u00e9is-fieis, quer dizer os que v\u00e3o \u00e0 Missa fielmente, os que tem filhos e fam\u00edlia, os que visitam familiares e vizinhos doentes, os que rezam, sabiam e sabem que este foi um exerc\u00edcio que lan\u00e7ou o p\u00e2nico nos simples. Eles queriam a verdade, sim. N\u00e3o queriam, por\u00e9m, serem colocados de novo na arena dos novos Coliseus. Penso nos que nada sabem de sociologia e estat\u00edstica. Mas que conhecem a Cruz, a dor, o perd\u00e3o, o servi\u00e7o desinteressado.<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u00b7<\/div>\n<div dir=\"auto\">Por \u00faltimo, penso na confus\u00e3o pretendida entre os abusos como abuso de poder clerical e os ardis da perversidade. Considerar a autoridade como m\u00e1 \u00e9 abrir caminho \u00e0 ditadura das minorias agitadoras, elas sim, empenhada sem reescrever um evangelho que seja aceit\u00e1vel por quem tem vergonha de pregar Cristo e Cristo crucificado.<\/div>\n<div dir=\"auto\">7<\/div>\n<div dir=\"auto\">A terminar, sobre mim mesmo, queria dizer que n\u00e3o vivo detr\u00e1s de nenhuma muralha a bombardear a cidade.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Por des\u00edgnio da Provid\u00eancia, e circunst\u00e2ncias da minha voca\u00e7\u00e3o ligada antes de mais a uma comunidade terap\u00eautica e ao facto de ser capel\u00e3o de uma pris\u00e3o, penso que j\u00e1 ajudei \u2014 mais ou menos\u2014 dezenas sen\u00e3o centenas de pessoas abusadas sexualmente. Sim, sou testemunhada privilegiada de percursos de reden\u00e7\u00e3o, de ressurrei\u00e7\u00e3o. Acresce que tamb\u00e9m j\u00e1 ajudei uma meia d\u00fazia de pessoas ped\u00f3filas; tamb\u00e9m por elas Cristo morreu na Cruz. N\u00e3o me escondo nas sacristias, n\u00e3o ando na rua disfar\u00e7ando o meu sacerd\u00f3cio. N\u00e3o aceito ser nomeado reacion\u00e1rio por quem vive a temer a opini\u00e3o dos grandes da opini\u00e3o. Sou, por\u00e9m, dos que considera que \u201ca miss\u00e3o da Igreja n\u00e3o \u00e9 ser cred\u00edvel, mas acreditar!\u201d<\/div>\n<div dir=\"auto\">8<\/div>\n<div dir=\"auto\">Termino recorrendo, uma vez mais, ao querido e grande Cardeal G. Biffi :<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u201cCharles Journet veio ao nosso Semin\u00e1rio e falou-nos da Igreja. Tocou-me a sua capacidade did\u00e1tica, de facto extraordin\u00e1ria. Mas, sobretudo, fascinou-me o seu pensamento, rigoroso e vibrante, todo ele tomado de amor pela verdade de Deus e pela sua \u2018Esposa\u2019 (como ele lhe chamou desde o primeiro minuto). Particularmente era admir\u00e1vel o equil\u00edbrio, a intelig\u00eancia e o esp\u00edrito de f\u00e9 que marcavam o seu modo de afrontar o tema espinhoso da quest\u00e3o da exist\u00eancia na Igreja de santidade e pecado. Todas as contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o eliminadas \u2014 observava ele \u2014 se se compreende que os membros da Igreja pecam n\u00e3o enquanto est\u00e3o ligados a ela, mas quando a traem. De modo que a Igreja, que n\u00e3o existe jamais sem pecadores, \u00e9 sempre, em si mesma, sem pecado. Essa, de facto, assume em si tudo o que \u00e9 santo, tamb\u00e9m nos pecadores, e deixa fora de si tudo o que \u00e9 reprov\u00e1vel, tamb\u00e9m nos justos. Os seus confins passam, por isso, pelos nossos cora\u00e7\u00f5es.\u201d<\/div>\n<div dir=\"auto\">Par\u00f3quia do Monte de Caparica. Tema Simples. Com tecnologia do Blogger<\/div>\n<div dir=\"auto\">Pe. Joaquim Pedro Lobo Cardoso<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DEPOIMENTO ihs Par\u00f3quia do Monte de Caparica, 12.3.2023: \u201cA simplifica\u00e7\u00e3o de qualquer coisa \u00e9 sempre sensacional.\u201d \u201cAs fal\u00e1cias n\u00e3o se tornam menos fal\u00e1cias porque se tornaram modas.\u201d \u201cImparcialidade \u00e9 um nome pomposo para a indiferen\u00e7a, que \u00e9 um nome elegante para a ignor\u00e2ncia.\u201d Chesterton 1\u00ba Ponto de partida: Escrevo mandatado pelo meu compromisso com a &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=8392\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">DEPOIMENTO ESCLARECEDOR DA CAMPANHA CONTRA A IGREJA CAT\u00d3LICA EM PORTUGAL<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[7,8,16],"tags":[],"class_list":["post-8392","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8392","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8392"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8392\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8393,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8392\/revisions\/8393"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8392"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8392"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}