{"id":8367,"date":"2023-03-08T15:46:33","date_gmt":"2023-03-08T14:46:33","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=8367"},"modified":"2023-03-08T23:25:45","modified_gmt":"2023-03-08T22:25:45","slug":"a-eterna-batalha-dos-generos-deve-se-a-matriz-social-masculina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=8367","title":{"rendered":"A ETERNA BATALHA DOS G\u00c9NEROS DEVE-SE \u00c0 MATRIZ SOCIAL MASCULINA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Dia internacional da Mulher s\u00f3 um apelo \u00e0 igualdade a n\u00edvel de verniz e esmalte?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Enquanto n\u00e3o se come\u00e7ar a encarar o problema dos pap\u00e9is sociais a n\u00edvel de matriz integral (masculinidade-feminilidade) n\u00e3o se leva a quest\u00e3o suficientemente a s\u00e9rio porque \u00e9 tratada como uma quest\u00e3o de verniz e esmalte da sociedade. Apesar de tudo, os projetos de ajuda e as medidas legais dirigidas em favor das mulheres s\u00e3o actualmente muito importantes se concebidos a partir do ponto de vista das mulheres.<\/strong><\/p>\n<p>As pessoas continuam dizendo que as mulheres devem ter as mesmas chances e oportunidades que os homens. Mas quem s\u00e3o as pessoas, quem \u00e9 a \u201ccara\u201d?<\/p>\n<p><strong>Na sociedade e na pol\u00edtica diz-se que se devem repensar os modelos dos pap\u00e9is sociais. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 boa e alguns resultados tamb\u00e9m. Mas, o que h\u00e1 para pensar quando nosso pensamento estrutural e a ordem social assentam em princ\u00edpios masculinos? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Numa sociedade masculinizada em que a competi\u00e7\u00e3o, a luta e a subjuga\u00e7\u00e3o s\u00e3o glorificadas, vale a pena a luta feminina \u00a0at\u00e9 que se chegue \u00e0 consci\u00eancia de se fomentar uma matriz social e humana integradora dos princ\u00edpios (e aptid<\/strong><strong>\u00f5es<\/strong><strong>) da feminilidade e da masculinidade em equil\u00edbrio e osmose, no \u00e2mbito homem-mulher-sociedade.<\/strong>\u00a0 <strong>Doutro modo toda a justa luta se concentra na disputa da feminilidade por ver reconhecida na matriz masculina a sua identidade bastante reduzida a termos de pap\u00e9is masculinos. A matriz vigente vai sendo obrigada a ceder nas bordas, mas n\u00e3o no n\u00facleo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9 verdade que, quando as crian\u00e7as atingem a idade de brincar, passam a assumir os pap\u00e9is que a sociedade lhes proporciona e a escola mais prega. A base do problema est\u00e1 no modelo social da masculinidade e come\u00e7a aqui tendo por base um ensino orientado preponderantemente pela aquisi\u00e7\u00e3o de aptid\u00f5es de conota\u00e7\u00e3o masculina.<\/strong><\/p>\n<p>Muitos contribuem para que se esconda o problema pondo-o na armadilha pol\u00edtica do estilo de vida tradicional ou nos pais (um sistema de culpabiliza\u00e7\u00e3o s\u00f3 para alijar a carga!). Outros falam da proibi\u00e7\u00e3o de comprar sexo como se uma sociedade machista resolvesse o problema com a ajuda de verniz e esmalte.<\/p>\n<p>Os pap\u00e9is sociais est\u00e3o baseados na matriz unilateral masculina (na continua\u00e7\u00e3o da ordem patriarcal a ser mais ou menos suavizada com o tempo) que permeia todas as sociedades e ordens sociais no mundo.<\/p>\n<p><strong>Onde todos ter\u00edamos que trabalhar seria no surgir de uma nova matriz antropol\u00f3gico-social preparadora de uma nova ordem mundial (consci\u00eancia) que tivesse como base as for\u00e7as da masculinidade e da feminilidade, numa perspectiva de complementaridade e inclus\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 a n\u00edvel de fun\u00e7\u00f5es na sociedade padr\u00e3o, mas sobretudo a n\u00edvel do ser e do modo de estar (integrador dos dois princ\u00edpios ou energias) num modelo de sociedade equilibrada.<\/strong><\/p>\n<p>mas n\u00e3o apenas promove o mesmo tratamento, mas isso teve que surgir da igualdade de consci\u00eancia e respeito pelos outros. As caracter\u00edsticas masculinas foram enfatizadas sobre as caracter\u00edsticas femininas e \u00e0 custa delas. Claro, n\u00e3o \u00e9 preciso padronizar as caracter\u00edsticas espec\u00edficas, mas vale o esfor\u00e7o \u00a0feito ou a fazer para que cada indiv\u00edduo e sociedade integrem as caracter\u00edsticas femininas e masculinas de modo a (para que externamente na estrutura social) o princ\u00edpio da masculinidade e da feminilidade n\u00e3o lutarem um contra o outro (segundo o modelo das for\u00e7as masculinas), mas se equilibrem um ao outro fora da plataforma de um poder esgotado em brigas e concorr\u00eancia de interesses ou de posi\u00e7\u00e3o oposta. Uma sociedade que tem sido puxada, direccionada e movida pelo reino masculino exterior (carapa\u00e7a exterior da sociedade), carece de mudan\u00e7a fundamental e para isso deixar de negligenciar o reino interior (feminilidade, espiritualidade) que aguarda aceita\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o. Esta miss\u00e3o torna-se dif\u00edcil principalmente numa \u00e9poca de crise como a nossa em que se espera uma mudan\u00e7a radical de mentalidade e que se v\u00ea estrebuchar nos figurinos machos do espectro pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A n\u00edvel de luta exterior e de papeis sociais a mulher continua a ser a grande v\u00edtima dos nossos padr\u00f5es de sociedade, como apresento agora em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Alemanha:<\/p>\n<p><strong>Na Alemanha, um pa\u00eds desenvolvido, h\u00e1 uma diferen\u00e7a de 18% no sal\u00e1rio por hora entre homens e mulheres.<\/strong> As mulheres geralmente recebem menos do que seus colegas homens pelo mesmo trabalho. Conforme relatado pelo Departamento Federal de Estat\u00edstica, as mulheres a partir dos 65 anos receberam um rendimento bruto m\u00e9dio de 17.814 euros por ano em 2021 e os homens 25.407 euros.<\/p>\n<p><strong>O risco de pobreza em 2021 \u00e9 de 20,9% para as mulheres e 17,5% para os homens.<\/strong> O limite para uma pessoa solteira era de 14.969 euros por ano (dados estat\u00edsticos do HNA 8.3).<\/p>\n<p><strong>De acordo com a ONU, a cada hora no mundo, 5 meninas e mulheres s\u00e3o mortas por seus parceiros ou outro membro da fam\u00edlia.<\/strong> Na Alemanha, esse crime ocorre a cada tr\u00eas dias (138 casos em 2020). As pessoas costumam falar em &#8220;trag\u00e9dia familiar&#8221;, &#8220;assassinato por honra&#8221; ou &#8220;drama de ci\u00fames&#8221;, mas basicamente s\u00e3o casos de feminic\u00eddio.<\/p>\n<p>As barreiras estruturais s\u00e3o cimentadas por uma matriz masculina que se perpetua como legado da sociedade patriarcal.<\/p>\n<p>Ao fazermos parte de um sistema temos que contar com os paradoxos a ele inerentes (contradi\u00e7\u00f5es dos sistemas e dos neles instalados) e ir fazendo por nos aperfei\u00e7oar individual e socialmente de maneira a poder influenciar activamente o sistema que de si \u00e9 prepotente. <strong>Enquanto o poder se orientar sobretudo pela materialidade (cren\u00e7a na masculinidade) e n\u00e3o integrar nele a espiritualidade (feminilidade) viver\u00e1 na e da exterioridade como se pode ver bem documentado na m\u00e1scula e est\u00fapida\u00a0 guerra entre o bloco ocidental e a R\u00fassia a decorrer na Ucr\u00e2nia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quanto \u00e0 luta pela emancipa\u00e7\u00e3o da mulher, penso ser adequada a palavra emancipa\u00e7\u00e3o porque se trata da liberta\u00e7\u00e3o de um modelo masculino baseado na subjuga\u00e7\u00e3o que atrai\u00e7oou sobretudo a feminilidade. Na sua luta, a mulher est\u00e1 a seguir os crit\u00e9rios pr\u00f3prios do modelo social masculino. <\/strong>Ao sujeitar-se ao modelo masculino pr\u00f3prio de uma sociedade patriarcal embora moderada, a mulher pode estar a \u00a0reagir (adoptando tal modelo) a modos de um complexo de inferioridade n\u00e3o auto-consciente \u00a0da riqueza da identidade feminina; \u00a0ao assumir as t\u00e9cnicas de afirma\u00e7\u00e3o pr\u00f3prias da sociedade de matriz masculina apenas reagem, em rela\u00e7\u00e3o ao modelo agressor, adoptando os m\u00e9todos deles e assim assumem indiretamente modelo tradicional e ao n\u00e3o apresentar um modelo alternativo que inclua cem por cento a feminilidade \u00a0est\u00e3o a contribuir para a perda da pr\u00f3pria identidade feminina. Da intera\u00e7\u00e3o da masculinidade e da feminilidade, da ess\u00eancia do ser feminino e do ser masculino poder\u00e1 surgir um modelo mais criativo e menos potente.<strong> Nas formas de emancipa\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas deveriam ser apresentadas ac\u00e7\u00f5es femininas e projectos de sociedade inclusivos que deem relev\u00e2ncia \u00e0 feminilidade a incluir numa nova matriz social a criar. Doutro modo destru\u00edda a identidade feminina, a especificidade do ser mulher, toda a sociedade ser\u00e1 destru\u00edda para preparar mundo meramente t\u00e9cnico e artificial.<\/strong> A feminilidade n\u00e3o pode ser reduzida a um manufacturado de uma sociedade de matriz masculina para n\u00e3o se tornar num mero elemento na linha de montagem da produ\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica. Precisamos de uma nova sociedade mais feminina, mais amante da paz e dos dons e valores genu\u00ednos de cada um. Urge o surgir de uma avalanche feminina, um movimento de solidariedade da feminilidade em todo o mundo que use meios e invente um m\u00e9todo feminino alternativo \u00e0 maneira de ser e estar actualmente em vigor.<\/p>\n<p>\u00c9 natural que a luta pela emancipa\u00e7\u00e3o se tenha inicialmente expressado sobretudo com mulheres possuidoras de uma identidade em que a masculinidade nelas sobressaia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 feminilidade (Esta estrat\u00e9gia masculina de autoafirma\u00e7\u00e3o ser\u00e1 ainda muito oportuna na sociedade isl\u00e2mica em que um verdadeiro revolvimento cultural humano s\u00f3 poder\u00e1 ter efeito atrav\u00e9s da ac\u00e7\u00e3o unida das mulheres). Encontramo-nos num momento em que os movimentos emancipat\u00f3rios dever\u00e3o estar muito atentos para n\u00e3o serem a\u00e7ambarcados por movimentos pol\u00edticos de masculinidade exacerbada.<strong> Movimentos pol\u00edticos e econ\u00f3micos do poder s\u00e3o por natureza masculinos e como tal deveriam ser confrontados com movimentos de base feminina n\u00e3o apenas feminista<\/strong> (feminista seria o papel masculino assumido por mulheres em que a feminilidade poder\u00e1 estar em segundo plano).<\/p>\n<p><strong>O feminismo exacerbado corre o perigo de perverter os pr\u00f3prios dons e express\u00f5es caracter\u00edsticos e por fim ver a pr\u00f3pria identidade destru\u00edda <\/strong>(perda de feminilidade e desprezo da maternidade em benef\u00edcio da masculinidade quando esta j\u00e1 \u00e9 pol\u00edtica e socialmente exacerbada).<strong> \u00a0O seu verdadeiro sentido e superioridade basear-se-ia no Ser e n\u00e3o s\u00f3 no ter (posse masculinidade) com um formato mental feminino que na sua maneira de estar partiria do n\u00f3s e n\u00e3o do ego (caracter\u00edstica maternal da sociedade).<\/strong> No modelo actual sobressaem os valores de caracter masculino: o dinheiro, o poder subordinador e o sucesso, colocando-se o homem no lugar de Deus e acima da moral e at\u00e9 como o criador dos valores numa sociedade que quer de combate porque deste modo a oportunidade \u00e9 dos mais fortes.<strong> \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Tendo em conta a rudeza do modelo da nossa sociedade, \u00e9 natural \u00a0que o movimento feminino se afirme pela luta, mas tamb\u00e9m \u00e9 certo que no dia internacional da mulher ativistas representantes da masculinidade se aproveitam para envolver as mulheres em actividades de luta afirmadoras de estrat\u00e9gias masculinas (querem-nas feministas e n\u00e3o femininas!).<strong> Trata-se de reconhecer a mulher toda e n\u00e3o reduzir a sua emancipa\u00e7\u00e3o a pap\u00e9is pol\u00edtico-econ\u00f3micos de formato masculino.<\/strong><\/p>\n<p>A mulher ter\u00e1 de usar v\u00e1rias estrat\u00e9gias numa luta da integra\u00e7\u00e3o da feminilidade num modelo de masculinidade agreste. Para isso, no meu entender,<strong> necessita-se de um combate pr\u00f3prio com firmeza e perseveran\u00e7a,<\/strong> mas <strong>\u00e0 maneira feminina sem perder o elo do amor sustent\u00e1vel que tudo une, como express\u00e3o da feminilidade criadora e m\u00e3e, porque dela tal como da terra tudo sai. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio CD Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pegadas do Tempo<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia internacional da Mulher s\u00f3 um apelo \u00e0 igualdade a n\u00edvel de verniz e esmalte? Enquanto n\u00e3o se come\u00e7ar a encarar o problema dos pap\u00e9is sociais a n\u00edvel de matriz integral (masculinidade-feminilidade) n\u00e3o se leva a quest\u00e3o suficientemente a s\u00e9rio porque \u00e9 tratada como uma quest\u00e3o de verniz e esmalte da sociedade. 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