{"id":8192,"date":"2023-01-12T23:22:36","date_gmt":"2023-01-12T22:22:36","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=8192"},"modified":"2023-01-13T15:45:36","modified_gmt":"2023-01-13T14:45:36","slug":"dos-servos-da-burguesia-aos-servos-da-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=8192","title":{"rendered":"DE \u201cSERVOS DA BURGUESIA\u201d PARA \u201cSERVOS DA POL\u00cdTICA\u201d?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Uma Caminhada ao longo dos Tempos entre Fracasso e Salva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em tempos passados vivia-se dos servos da terra; hoje, em sociedade avan\u00e7adas, refinou-se o processo vivendo-se mais dos servos da mente. <\/strong><\/p>\n<p><strong>As capacidades mentais e espirituais encontram-se em perigo de virem a ser subjugadas a princ\u00edpios, agendas, ideologias e assim serem unilateralmente direcionadas para a defesa de grupos de interesses estabelecidos,<\/strong> <strong>de minorias ou reivindicativos, fora do contexto comum<\/strong>, enfim, uma intelig\u00eancia mais orientada para a compreens\u00e3o e express\u00e3o utilit\u00e1ria e menos para a sabedoria emp\u00e1tica.<\/p>\n<p>O saber e a ci\u00eancia (universidades) n\u00e3o se devem tornar em servos da pol\u00edtica, um sector prof\u00edcuo em produzir os servos de hoje<strong>. <\/strong>A pol\u00edtica, que deveria procurar a verdade e o bem comum, deixou de ser apelada pela Verdade integral para se servir do suborno e assim conseguir convencer, para os seus fins, a maioria dos cidad\u00e3os (uma estrat\u00e9gia democr\u00e1tica). (Observe-se a corrup\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica no Estado portugu\u00eas, situa\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica que mereceria um estudo s\u00e9rio sobre o assunto, a n\u00edvel de universidades.)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>O facto de vivermos em democracia e esta assumir uma forma de vida equacionada e expressa por partidos, que pretendem possuir a Verdade toda (ou a verdade vari\u00e1vel), n\u00e3o nos pode desobrigar de procurar a Verdade para al\u00e9m daquilo que nos querem fazer querer (Verdade muitas vezes negada ou dilu\u00edda no polite\u00edsmo ideol\u00f3gico-pol\u00edtico)<\/strong> porque s\u00f3 assim nos livramos do jugo que pretendem impor-nos de maneira alienante; de facto, o sistema democr\u00e1tico, ao tornar-se cada vez mais autorit\u00e1rio e controlador\u00a0 global, \u00e9 tentado a contentar-se a que a Verdade fique reduzida \u00e0s verdades relativas de partidos ou ordenan\u00e7as sob a al\u00e7ada do poder.<strong> Quanto mais o poder partid\u00e1rio estatal aumenta mais oportuna se torna a institui\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e moral acompanhada de desobedi\u00eancia c\u00edvica, uma vez que a pol\u00edtica se mantem mais centrada nos interesses concorrentes da vida social terrena e a religi\u00e3o mais no sentido da vida e do bem da pessoa. Enquanto a pol\u00edtica se fica por conceitos abstratos e leis (sem atitude virtuosa), a religi\u00e3o alia \u00e0 ideia (\u00e0 ideologia) a vida boa e exemplar! <\/strong>N\u00e3o se pode criar uma nova base moral baseada apenas em princ\u00edpios de igualdade jur\u00eddica e abstracta.<\/p>\n<p><strong>A verdade n\u00e3o pode ser de ordem democr\u00e1tica porque n\u00e3o \u00e9 reduz\u00edvel a um consenso.<\/strong> <strong>O consenso \u00e9 uma \u00f3tima maneira de resolver pacificamente conflitos de interesses em democracia: revela-se, muitas vezes, como um m\u00e9todo para o bom viver, mas que n\u00e3o substitui o seu sentido<\/strong>; a verdade na qualidade de dado sociol\u00f3gico, seria reduzida a um mero acto mental ou de n\u00famero, a uma ac\u00e7\u00e3o cerebral imposs\u00edvel de ser conciliada mesmo em democracia. H\u00e1 ainda o perigo de muita gente considerar resultados estat\u00edsticos maiorit\u00e1rios como sendo a verdade ou como dados orientadores da vida pessoal. <strong>A procura da Verdade a nada pode excluir e a nada se pode submeter e por isso permanecer\u00e1 sempre uma actividade prof\u00e9tica.<\/strong><\/p>\n<p>A Verdade n\u00e3o se deixa condicionar a actos de poder; como Deus, ela n\u00e3o escraviza e deixa sempre a tua consci\u00eancia como \u00faltima inst\u00e2ncia, como \u00e9 praxe da \u00e9tica crist\u00e3 da justi\u00e7a e do amor.<\/p>\n<p><strong>A Institui\u00e7\u00e3o eclesial ou secular e o indiv\u00edduo vivem um do outro, seguindo o chamamento de Deus (do bem comum) de forma mais ou menos consciente; portanto, cada crente, cada cidad\u00e3o e cada \u00e9poca vive da intui\u00e7\u00e3o entre o fracasso e a reden\u00e7\u00e3o, muito embora expressos de forma religiosa ou de forma secular. <\/strong>Importante, para todos ser\u00e1 centrar-se na caminhada e n\u00e3o se perder a olhar para a maneira do caminhar dos outros.<\/p>\n<p>Encontramo-nos a caminho da liberta\u00e7\u00e3o e a sociedade vai-se melhorando. Os valores v\u00e3o-se afirmando e \u00e0 medida que se alcan\u00e7am e aperfei\u00e7oam alguns, v\u00e3o-se descobrindo outros. Para n\u00e3o nos refugiarmos em discursos sobre os malef\u00edcios do passado importaria reflectir mais no que se esconde e encontra por tr\u00e1s das nossas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, social e individualmente. Numa realidade em que tudo \u00e9 rela\u00e7\u00e3o e em que tudo est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o seria anti natural querer-se abstrair da lei da complementaridade (onde fen\u00f3menos que aparentemente se excluem na realidade\u00a0 se complementam e fazem parte da mesma realidade) como se fosse poss\u00edvel criar realidade\/verdade aut\u00f3noma emancipada da rela\u00e7\u00e3o vital (1).<\/p>\n<p><strong>Todo o esfor\u00e7o por sair da demasiada depend\u00eancia pessoal, legal, econ\u00f3mica e mental \u00e9 um servi\u00e7o ao desenvolvimento pessoal e \u00e0 humanidade. <\/strong>Estamos todos chamados a viver a liberdade de filhos de Deus.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pegadas do Tempo<\/strong><\/p>\n<p>(1) Uma cultura da paz implica a implementa\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da complementaridade em geral como englobante da toler\u00e2ncia. Assim se manifesta tamb\u00e9m a compatibilidade do amor e omnipot\u00eancia de Deus com a exist\u00eancia do mal no mundo (teodiceia) e na determina\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com a ci\u00eancia natural (e teologia) tamb\u00e9m expressa na natureza humano-divina de Jesus Cristo. Tamb\u00e9m no mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade as entidades relacionais Pai-Filho geram uma terceira identidade \u2013 o Esp\u00edrito Santo \u2013 que ao mesmo tempo pertence \u00e0 realidade divina como complemento.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o pessoal \u00e9 importante desde que a autodefini\u00e7\u00e3o n\u00e3o estabelecer a comunidade como fronteira. Indiv\u00edduo e institui\u00e7\u00e3o pressup\u00f5em uma certa din\u00e2mica de concorr\u00eancia em cont\u00ednuo processo de transforma\u00e7\u00e3o m\u00fatua. Esta seria reduzida a uma mudan\u00e7a de perspectivas se se colocasse a emancipa\u00e7\u00e3o e objetivo de qualquer desenvolvimento do indiv\u00edduo no seu caracter funcional, ou seja, como liberta\u00e7\u00e3o do patronato, da casa, das normas e objetivos dos pais. O passo consequente seria a emancipa\u00e7\u00e3o do Estado e das leis. A redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia no sentido de uma auto-liberta\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel implicaria tamb\u00e9m um certo distanciamento de uma psicologia que apenas aposta na emancipa\u00e7\u00e3o pela emancipa\u00e7\u00e3o (individualismo puro), levando o cliente a n\u00e3o se sentir respons\u00e1vel por suas pr\u00f3prias ac\u00e7\u00f5es, chegando muitas vezes a culpar at\u00e9 os pais por exist\u00eancias fracassadas. O mesmo se diga da aliena\u00e7\u00e3o da autorresponsabilidade no pr\u00f3prio partido ou da tend\u00eancia para a dilui\u00e7\u00e3o da responsabilidade do partido atribu\u00edda ao povo. Como seres e institui\u00e7\u00f5es frutos da rela\u00e7\u00e3o, estamos todos comprometidos e interligados numa complementaridade que a todos compromete e corresponsabiliza; certamente a fonte dela encontra-se na pessoa que se define a partir de um n\u00f3s. Mais que independentes somos seres sempre na pend\u00eancia de algo ou de algu\u00e9m, com o potencial da liberdade que nos quer mais iguais!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma Caminhada ao longo dos Tempos entre Fracasso e Salva\u00e7\u00e3o Em tempos passados vivia-se dos servos da terra; hoje, em sociedade avan\u00e7adas, refinou-se o processo vivendo-se mais dos servos da mente. 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