{"id":7877,"date":"2022-10-14T19:28:58","date_gmt":"2022-10-14T18:28:58","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=7877"},"modified":"2022-10-14T19:49:44","modified_gmt":"2022-10-14T18:49:44","slug":"a-europa-anda-perdida-na-epoca-em-que-os-imperios-se-reoganizam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=7877","title":{"rendered":"A EUROPA ANDA PERDIDA NUMA FASE EM QUE OS IMP\u00c9RIOS SE REOGANIZAM"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Tempos de Crise universal beneficiam os Grupos globais oportunistas<\/strong><\/p>\n<p><strong>O ser humano para subsistir precisa de um habitat natural, de institui\u00e7\u00f5es e de organiza\u00e7\u00f5es sociais com ideologias ou doutrinas est\u00e1veis que lhes confiram consist\u00eancia interna possibilitadora de identidade e de identifica\u00e7\u00e3o. <\/strong>Neste sentido, a Uni\u00e3o Europeia encontra-se j\u00e1 h\u00e1 muito num processo de desconstru\u00e7\u00e3o\/reorganiza\u00e7\u00e3o que vem acentuar o sentimento de crise implementado pela nova geoestrat\u00e9gia em constru\u00e7\u00e3o.<strong> \u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Das fam\u00edlias, tribos, povos\/na\u00e7\u00f5es surgiram os imp\u00e9rios e civiliza\u00e7\u00f5es. Se antes os imp\u00e9rios eram determinados pelos interesses internos de na\u00e7\u00f5es, hoje organizam-se em torno de n\u00facleos regionais econ\u00f3micos e ideol\u00f3gicos. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Se nas primeiras organiza\u00e7\u00f5es dominavam as rela\u00e7\u00f5es humanas emp\u00e1ticas j\u00e1 a n\u00edvel de conglomerados (por exemplo, ONU; NATO\/USA, Federa\u00e7\u00e3o Russa, China, EU) dominam as rela\u00e7\u00f5es funcionais (n\u00e3o emp\u00e1ticas)<\/strong> mais pr\u00f3prias de organigramas de funcion\u00e1rios em tempo de servi\u00e7o; <strong>\u00e9 um facto que o povo se orienta sobretudo pela moral e os Estados por interesses<\/strong>. A rela\u00e7\u00e3o pessoal \u00e9, nestes organismos complexos substitu\u00edda pelo interesse de jeito utilit\u00e1rio e funcional; em vez da lei moral de interac\u00e7\u00e3o pessoal rege a lei c\u00edvica de controlo externo (1).<\/p>\n<p>Os tempos de viragem global s\u00e3o \u00e9pocas de inseguran\u00e7a em que o medo ganha a dianteira, as institui\u00e7\u00f5es desconfiam umas das outras, chegando a confian\u00e7a, tamb\u00e9m a n\u00edvel individual, a ser substitu\u00edda pela suspeita. <strong>As superpot\u00eancias s\u00e3o perigosas entre si, o resto \u00e9 obrigado a segui-las e a entreter-se com a informa\u00e7\u00e3o que elas lhe d\u00e3o. \u00a0Encontramo-nos num tempo que exige especial aten\u00e7\u00e3o a tudo, um tempo de guerras h\u00edbridas onde domina a propaganda e a contrapropaganda, a desinforma\u00e7\u00e3o e a corrup\u00e7\u00e3o, o que complica uma avalia\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o porque o cidad\u00e3o \u00e9 sobretudo o resultado de informa\u00e7\u00e3o; da informa\u00e7\u00e3o de uma realidade meramente virtual. <\/strong><\/p>\n<p><strong>A crise atual \u00e9 mais dolorosa do que outras passadas porque o mundo se transformou numa \u201caldeia\u201d e o cidad\u00e3o e a sociedade est\u00e3o a ser reagendados e transformados em produto em fun\u00e7\u00e3o de algo imediato <\/strong>ao servi\u00e7o de institui\u00e7\u00f5es econ\u00f3mico-pol\u00edticas globais que se servem da propaganda e da informa\u00e7\u00e3o como meio de governo e de dom\u00ednio de uma popula\u00e7\u00e3o cada vez mais exteriorizada e de governantes a\u00e7aimados por agendas colectivas.<\/p>\n<p><strong>Os latifundi\u00e1rios do poder, interconectados entre si, criaram uma realidade e uma atmosfera social que chega j\u00e1 a ultrapassar o cinismo e a s\u00e1tira.<\/strong> <strong>Gera-se uma consci\u00eancia colectiva em que a arbitrariedade e a absurdidade passam a reduzir a realidade a uma narrativa de factos atr\u00e1s de factos, n\u00e3o interessando sequer os elos de liga\u00e7\u00e3o entre eles.<\/strong> As popula\u00e7\u00f5es v\u00e3o-se contentando no alinhamento da dan\u00e7a atr\u00e1s do rufo do tambor! Neste tempo triste a sociedade passa a andar como que atordoada na espectativa do estupefacto de uma realidade miragem.<\/p>\n<p>O cidad\u00e3o\/consumidor \u00e9 confrontado com situa\u00e7\u00f5es irracionais em que a raz\u00e3o \u00faltima dada se reduz a uma decis\u00e3o autorit\u00e1ria sem fundo vis\u00edvel (No \u00e2mbito da Internet o consumidor cada vez \u00e9 mais confrontado com artif\u00edcios refinados de aproveitamento da situa\u00e7\u00e3o a que falta qualquer boa inten\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o e de transpar\u00eancia; o mesmo se observa em grandes fornecedores e prestadores de servi\u00e7os). Isto cria a sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia e de se ser entregue a for\u00e7as incontrol\u00e1veis; <strong>esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 cada vez mais prec\u00e1ria dado os portadores de confian\u00e7a p\u00fablica deixarem de ser eles mesmos para se transformarem em propagandistas de agendas e de interesses anonimizados que destroem o sentimento do bem-estar.<\/strong> <strong>Por outro lado, a aposta numa guerra s\u00f3 destruidora arru\u00edna a orienta\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a interior e individual e conduz a sociedade a um estado depressivo porque inconscientemente se sente numa situa\u00e7\u00e3o perdida.<\/strong> Os governantes transformaram-se em administradores da \u201cmis\u00e9ria\u201d e n\u00e3o fazem nada por devolver a esperan\u00e7a popular. <strong>Sem esperan\u00e7a (que \u00e9 o sol da vida individual e social) n\u00e3o h\u00e1 progresso, n\u00e3o h\u00e1 sobreviv\u00eancia e n\u00e3o h\u00e1 futuro<\/strong> <strong>porque a esperan\u00e7a e a confian\u00e7a s\u00e3o os elixires da vida imprescind\u00edveis para o bem-estar individual e social.<\/strong> Atualmente as not\u00edcias televisivas e comet\u00e1rios econ\u00f3micos e pol\u00edticos exteriorizam-nos distanciando-nos de n\u00f3s pr\u00f3prios e daquilo em que confiamos, preparando o caminho para um estado inerte e depressivo.<\/p>\n<p><strong>Pensava-se que na Europa a Esperan\u00e7a n\u00e3o morreria, mas com a progressiva morte da pessoa humana (da morte de Deus passou-se \u00e0 morte do Homem) toda a esperan\u00e7a vai morrendo e sendo substitu\u00edda por expectativas instaladas.<\/strong> <strong>Cada vez nos mergulhamos mais na dor do luto de guerras militares, subculturais (de capelinhas) e econ\u00f3micas que nos reduzem \u00e0 qualidade de refugiados indesejados a viver na desconfian\u00e7a de um mundo que leva muitos a terem de existir de forma son\u00e2mbula e outros a terem de adormecer sob o manto da tristeza.<\/strong> <strong>Cada vez se ganha mais a impress\u00e3o que, de dia para dia, a velha Europa, que abusara do mundo, morre, com a v\u00e3 satisfa\u00e7\u00e3o de morrer em conjunto<\/strong>. <strong>Uma Europa das na\u00e7\u00f5es que antes pensava o mundo sob a perspectiva nacionalista ainda n\u00e3o encontrou uma \u00f3ptica geopol\u00edtica pr\u00f3pria.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em sociedades passadas s\u00f3 as elites se davam conta dos erros das elites e da Hist\u00f3ria<\/strong>;<strong> hoje, os generais j\u00e1 n\u00e3o se encontram nos quarteis mas nas centrais da informa\u00e7\u00e3o, nos gabinetes e nas operadoras globais <\/strong>que v\u00e3o transformando o mundo num quartel e os estados em casernas de incorporados (onde muitos vestidos de uniformes se encontram alinhados na parada sempre \u00e0 espera do toque da alvorada televisiva, para recebem instru\u00e7\u00f5es, que levam muitos a\u00a0 rastejarem na lama da informa\u00e7\u00e3o da coreografia pol\u00edtica. \u00a0A guerra da informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o reflectida mobiliza mentalmente os citadinos transformando-os em \u201csoldados\u201d do sistema. O \u201emainstream \u201cpol\u00edtico-econ\u00f3mico controla tudo ao assenhorear-se das capacidades mentais e emocionais das popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o deixando margem para alternativas. Tudo obedece: os implementados apresentando as agendas e os subalternos seguindo-as; n\u00e3o h\u00e1 lugar para a d\u00favida numa sociedade de interesses e interesseiros; <strong>esquece-se que onde n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida n\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento!<\/strong><\/p>\n<p>Na casa da Europa, sem tecto metaf\u00edsico, a desmoronar-se por todo o lado, tudo se torna cada vez mais virtual, nada \u00e9 ver\u00eddico tudo se tornou narrativa de fantasmas e fantasias que levam \u00e0 decad\u00eancia alimentada pela pobreza do vizinho. O pensar humanista universal europeu deu lugar a um pensar latifundi\u00e1rio mercantil de economia e ideologia.<\/p>\n<p><strong>Precisamos de uma pol\u00edtica l\u00facida empenhada na constru\u00e7\u00e3o da paz que restitua a esperan\u00e7a ao povo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e Pedagogo<\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>(1) \u00a0A \u201cautoridade\u201e \u00e9 substitu\u00edda pelo poder, desenraizado da fam\u00edlia e da terra, e, para se afirmar, tem de manter o balan\u00e7o entre as exig\u00eancias populares e as dos grupos relevantes para a subsist\u00eancia do Estado). Na rela\u00e7\u00e3o familiar ou de grupos acess\u00edveis (onde se consiga uma vis\u00e3o do particular e do geral) torna-se poss\u00edvel uma rela\u00e7\u00e3o de troca de confian\u00e7a em que se d\u00e1 tamb\u00e9m uma troca de benef\u00edcios m\u00fatuos e de protec\u00e7\u00e3o que pode possibilitar uma pessoa a ser uma autoridade para a outra enquanto no Estado ou grandes institui\u00e7\u00f5es as rela\u00e7\u00f5es\u00a0 s\u00e3o determinadas pelo ter autoridade sobre uma pessoa sem serem percepcionadas como autoridade, por esta se afirmar a n\u00edvel do ter que assume um caracter meramente funcional, sendo exercida atrav\u00e9s de press\u00e3o ou poder. Tamb\u00e9m na escola um professor pode ter autoridade sobre um aluno sem que ele seja uma autoridade para o aluno; para o ser pressup\u00f5e-se uma rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 funcional a n\u00edvel de pap\u00e9is, mas sobretudo uma rela\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica de reconhecimento, bondade, amor e compreens\u00e3o. As autoridades no espectro pol\u00edtico e econ\u00f3mico, porque empenhadas na defesa e imposi\u00e7\u00e3o de interesses, n\u00e3o assumem o caracter de modelo ou de exemplo a seguir definindo-se geralmente pela mera ordem hier\u00e1rquica (caracter burocr\u00e1tico). Quer no ser como no ter autoridade se pode influenciar as pessoas de forma positiva ou negativa. Exercer autoridade significa criar as condi\u00e7\u00f5es para que algo seja feito em conjunto de maneira a se possibilitar desenvolvimento, ao indiv\u00edduo e ao grupo. Na car\u00eancia disto, vamos tendo fartura de arrog\u00e2ncia e mal-entender.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempos de Crise universal beneficiam os Grupos globais oportunistas O ser humano para subsistir precisa de um habitat natural, de institui\u00e7\u00f5es e de organiza\u00e7\u00f5es sociais com ideologias ou doutrinas est\u00e1veis que lhes confiram consist\u00eancia interna possibilitadora de identidade e de identifica\u00e7\u00e3o. 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