{"id":7738,"date":"2022-07-22T21:18:28","date_gmt":"2022-07-22T20:18:28","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=7738"},"modified":"2022-07-22T21:18:28","modified_gmt":"2022-07-22T20:18:28","slug":"do-discurso-emocinal-contra-o-discurso-racional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=7738","title":{"rendered":"DO DISCURSO EMOCINAL CONTRA O DISCURSO RACIONAL"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Na Controv\u00e9rsia entre Acontecimentos e Factos alternativos esvai-se a Verdade<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Os peritos da rect\u00f3rica descobriram que, para se levar o cidad\u00e3o a fazer o que se pretende dele, se torna mais eficiente o uso do discurso\/not\u00edcia emocional do que o uso do discurso racional argumentativo.<\/strong> Um discurso mais objectivo deveria manter o equil\u00edbrio entre os factores racionais e emocionais na abordagem de factos, mas, ao contr\u00e1rio disso, cria-se na opini\u00e3o p\u00fablica um desequil\u00edbrio propositado ao dar-se a preced\u00eancia \u00e0 not\u00edcia\/discurso emocional com a finalidade de criar proselitismo.<\/p>\n<p>Como as express\u00f5es\/not\u00edcias emocionais s\u00e3o contagiosas, a pr\u00e1tica pol\u00edtica discursiva cada vez faz mais uso delas por terem um efeito espiral nos p\u00fablicos.<\/p>\n<p><strong>Outras an\u00e1lises cient\u00edficas chegaram \u00e0 conclus\u00e3o que se torna at\u00e9 \u201cracional usar as emo\u00e7\u00f5es como meios de comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica porque estas favorecem processos de delibera\u00e7\u00e3o\u201d (1).<\/strong> <strong>Esta t\u00e1tica pol\u00edtica \u00e9 de observar nos m\u00e9todos empregados nos discursos dos pol\u00edticos e dos Media em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 informa\u00e7\u00e3o sobre a pandemia e a Ucr\u00e2nia onde se procura motivar as popula\u00e7\u00f5es a apoiarem todas as medidas pol\u00edticas tomadas ou a tomar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Um discurso \u201cemocional\u201d tenta, em geral, apresentar o facto ou descrever a situa\u00e7\u00e3o de maneira a obter-se um ju\u00edzo de valor que leve o grupo ou a colectividade a aceitar o transmitido como se fosse norma moral ou social.<\/strong>\u00a0 Omite abordar o porqu\u00ea dos factos para convencer com imagens ou informa\u00e7\u00f5es no sentido pretendido; recorre-se al\u00e9m disso a uma informa\u00e7\u00e3o selectiva apresentando, do advers\u00e1rio, s\u00f3 o que o prejudica. Abusa-se da carga emotiva de maneira a envolver a audi\u00eancia para assim se obter um efeito persuasivo emotivo no sentido positivo ou negativo.<\/p>\n<p><strong>Ao contr\u00e1rio, o discurso racional assenta num di\u00e1logo argumentativo em que se discute a validade de afirma\u00e7\u00f5es e a legitimidade das normas discutidas.<\/strong> Na arena p\u00fablica cada vez se observa mais como caracter\u00edstica do discurso pol\u00edtico j\u00e1 n\u00e3o o racional, mas o da emocionaliza\u00e7\u00e3o; a emocionaliza\u00e7\u00e3o e a desinibi\u00e7\u00e3o do vocabul\u00e1rio s\u00e3o ainda mais not\u00f3rias nas redes sociais.<\/p>\n<p>Por toda a Europa se observa, na generalidade dos pol\u00edticos e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o do sistema, <strong>uma atitude que envergonharia qualquer exig\u00eancia de seriedade intelectual.<\/strong> Chegou-se a uma pr\u00e1tica discursiva desenvergonhada com base no maquiavelismo de que os fins justificam os meios e como tal utilitarista para uma das partes e ao mesmo tempo grosseira. <strong>Neste sentido \u00e9 de observar uma lament\u00e1vel aproxima\u00e7\u00e3o dos discursos, do populismo dos de cima ao populismo dos de baixo!<\/strong> A pol\u00edtica tem verificado que \u00e9 mais simples e proveitoso mover a emo\u00e7\u00e3o do que a raz\u00e3o. <strong>Temos assim um discurso cada vez mais manique\u00edsta e assalariado sobre realidades reduzidas a preto e branco, o que \u00e9 uma express\u00e3o sintom\u00e1tica da entropia em que estamos envolvidos e do autoritarismo para que caminhamos<\/strong>. Os discursos p\u00fablico e pol\u00edtico est\u00e3o virados para o uso e abuso c\u00ednico das emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o tendo respeito pelos destinat\u00e1rios nem pelos conte\u00fados a transmitir.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo Roger Garaudy, no seu livro \u201cRumo a uma guerra Santa?\u201d diz: <strong>\u201cS\u00f3crates j\u00e1 observava que entre os doces de um confeiteiro e os rem\u00e9dios de um m\u00e9dico, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida quanto \u00e0 escolha das crian\u00e7as. <\/strong>Mas os senhores do espect\u00e1culo n\u00e3o se contentam em considerar seus espectadores como crian\u00e7as. <strong>Um mestre na manipula\u00e7\u00e3o das almas, Adolf Hitler, dizia: \u201cdiante de uma plateia, para conseguir ades\u00e3o, viso o mais est\u00fapido e, nele, o que existe de mais baixo: as gl\u00e2ndulas lacrimais ou sexuais&#8230; E ganho sempre. \u00c0 minoria cr\u00edtica, cuido dela de outra maneira\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>A Europa encontra-se no mau caminho! O discurso pol\u00edtico atual assumiu o papel de condutor cego alheado e alienante! E o mais tr\u00e1gico \u00e9 constatar-se que as popula\u00e7\u00f5es devido a um complexo de inferioridade n\u00e3o veem ou n\u00e3o se atrevem a dizer que os \u201creis\u201d que nos governam v\u00e3o nus!<\/p>\n<p><strong>Michel Foucault e Jean-Francois Lyotard (2) constatam que n\u00e3o existem factos incontroversos, empiricamente provados. <\/strong>Pelo contr\u00e1rio, os factos s\u00e3o apenas interpreta\u00e7\u00f5es de certos acontecimentos ou casos que tamb\u00e9m podem ser interpretados de forma diferente, ou alternativamente.<\/p>\n<p>O dif\u00edcil da quest\u00e3o est\u00e1 em verificar se uma interpreta\u00e7\u00e3o ou narrativa considerada verdadeira est\u00e1 inserida na grande narrativa ou acontecimento. N\u00e3o se trata, portanto, de reduzir todas as interpreta\u00e7\u00f5es a meras narrativas porque cair\u00edamos num relativismo absoluto que se tornaria impeditivo de vida e de desenvolvimento, e contradiria toda a ordem natural da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os predadores da cultura europeia, consciente ou inconscientemente, querem destruir tudo o que possa levar \u00e0 procura ou aceita\u00e7\u00e3o da verdade, isto \u00e9, t\u00eam relut\u00e2ncia em aceitar algo que justifique um sentido ou ordena\u00e7\u00e3o da parte num todo; por isso combatem tudo o que seja s\u00edmbolo ou express\u00e3o de uma ordem: Deus, a Verdade, fam\u00edlia, cristianismo, institui\u00e7\u00e3o, p\u00e1tria; transformam obje\u00e7\u00f5es \u00e0 regra ou falhas institucionais em elementos fundamentais das mesmas para as poderem desautorizar e assim estabelecer o caos! <strong>Cada ordem implica um viver em rela\u00e7\u00e3o e, consequentemente, ter a percep\u00e7\u00e3o da realidade n\u00e3o s\u00f3 na parte, mas tamb\u00e9m no seu todo.<\/strong><\/p>\n<p>Isto pressup\u00f5e a consci\u00eancia do alinhamento dos elementos e suas rela\u00e7\u00f5es entre si no sentido de criar identidades individuais e comunit\u00e1rias (org\u00e2nicas) de modo a gerar unidade e consist\u00eancia entre elas tal como acontece na ordem gramatical em que se passa da morfologia \u00e0s sintaxes.<\/p>\n<p>Na filosofia para se criar ordens de ideias parte-se do alinhamento de princ\u00edpios e na ordem social p\u00fablica necessitam-se regras\/leis e normas. Os padr\u00f5es habituais simplificam a vida ordeira, mas as excep\u00e7\u00f5es a eles promovem novos fil\u00f5es de pensamento.<\/p>\n<p><strong>Costuma dizer-se que a verdade \u00e9 o julgamento em que o objecto corresponde \u00e0 ideia dele ou quando as teses ou cren\u00e7as dentro de um sistema se apoiam umas \u00e0s outras de maneira coerente.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o chegam as pr\u00f3prias narrativas da realidade \u00e9 preciso reconhec\u00ea-las integradas num texto ou contexto. O contexto aproxima-nos mais da realidade\/verdade.<\/strong> Doutro modo poderemos ter muito conhecimento sobre o artigo ou sobre o substantivo sem chegar a descobrir que o mais importante \u00e9 o verbo em torno do qual podemos ordenar o resto. <strong>Na nossa \u00e9poca devido \u00e0 exuber\u00e2ncia do eu, \u00e0 acentua\u00e7\u00e3o do ego, somos tentados a tornarmo-nos s\u00f3 verbo e como tal sem frase, sem comunidade que nos d\u00ea prospec\u00e7\u00e3o e sentido. <\/strong>De facto, fazemos parte de um todo tendo, por natureza, de nos integrar numa comunidade ou institui\u00e7\u00e3o (habitat) \u00a0reconhecendo o princ\u00edpio da complementaridade que nos une e leva a aceitar o condicionalismo de pertencermos a uma comunidade real n\u00e3o ideal que, embora limitada, nos proporciona poder viver \u00e0 nossa maneira. Para tal pressup\u00f5e-se uma atitude de humildade que nos leva a aceitar n\u00e3o se ser o umbigo da cria\u00e7\u00e3o nem julgar a institui\u00e7\u00e3o ou a comunidade como mera proje\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios ideais. Na rela\u00e7\u00e3o dos membros no seu habitat, religioso, pol\u00edtico, familiar ou econ\u00f3mico (independentemente de suas car\u00eancias) h\u00e1 que aceitar viver e integrar-se para, a partir de dentro, o poder desenvolver! Ent\u00e3o sentimo-nos parte da frase ou do texto na consci\u00eancia de que este \u00e9 constitu\u00eddo por elementos diferentes que lhe possibilitam sentido.\u00a0 <strong>O artigo, o substantivo, a preposi\u00e7\u00e3o, a conjun\u00e7\u00e3o, o verbo, considerados isolados em si mesmos, perdem o seu sentido que \u00e9 ser elemento vivo da frase ou do texto, seja ele gramatical, social, pol\u00edtico ou religioso.<\/strong><\/p>\n<p>Nesta atitude n\u00e3o sermos levados e perder-nos seja na via do discurso esquerdista ou na via do discurso conservador identit\u00e1rio e se nos descobrirmos num deles reconhecemos que s\u00e3o vias complet\u00e1rias. <strong>Nem os ricos nem os pobres, nem os governantes nem os s\u00fabditos, nem os religiosos nem os ateus, nem os do Norte nem os do sul global se encontram do lado errado. Errado \u00e9 o caminho que n\u00e3o nos leva a unir-nos nem a sermos fraternais e solid\u00e1rios!<\/strong> H\u00e1 portante que reconhecer que somos todos desiguais e que todos os factos podem ter alternativa!<\/p>\n<p>Temos que nos arredar da pol\u00edtica da inconformidade e da inimizade para aprender a partilhar o mundo entre todos.<\/p>\n<p><strong>No meio de toda a discuss\u00e3o haver\u00e1 que compreender por que \u00e9 que<\/strong> <strong>os sentimentos nos motivam a agir, mas para tal tamb\u00e9m compreender o que est\u00e1 por tr\u00e1s dos sentimentos e qual a raz\u00e3o que nos leva a reagir como reagimos ou a sentirmos como sentimos. S\u00f3 ent\u00e3o estar\u00edamos preparados para elaborar decis\u00f5es com um fundo racional (mental que ilumina) e um fundo emocional que motiva a agir de modo adequado e equilibrado.<\/strong><\/p>\n<p>Doutro modo, na controv\u00e9rsia de acontecimentos e factos alternativos esvai-se a Verdade para ficar a d\u00favida ao servi\u00e7o do engano.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Te\u00f3logo e Pedagogo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>(1) Sabine D\u00f6ring (2009), Philosophie der Gef\u00fchle<\/p>\n<p>(2) <a href=\"https:\/\/www.deutschlandfunk.de\/eine-kulturgeschichte-alternativer-fakten-wahrheit-oder-100.html\">https:\/\/www.deutschlandfunk.de\/eine-kulturgeschichte-alternativer-fakten-wahrheit-oder-100.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Controv\u00e9rsia entre Acontecimentos e Factos alternativos esvai-se a Verdade Os peritos da rect\u00f3rica descobriram que, para se levar o cidad\u00e3o a fazer o que se pretende dele, se torna mais eficiente o uso do discurso\/not\u00edcia emocional do que o uso do discurso racional argumentativo. Um discurso mais objectivo deveria manter o equil\u00edbrio entre os &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=7738\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">DO DISCURSO EMOCINAL CONTRA O DISCURSO RACIONAL<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,14,4,7,8,16],"tags":[],"class_list":["post-7738","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-economia","category-educacao","category-politica","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7738"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7738\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7739,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7738\/revisions\/7739"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}