{"id":7541,"date":"2022-05-29T22:21:27","date_gmt":"2022-05-29T21:21:27","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=7541"},"modified":"2022-05-31T13:17:55","modified_gmt":"2022-05-31T12:17:55","slug":"conformismo-versus-espirito-critico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=7541","title":{"rendered":"CONFORMISMO VERSUS ESP\u00cdRITO CR\u00cdTICO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>O Poder pol\u00edtico-econ\u00f3mico instrumentaliza a Ci\u00eancia e os Media<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>O mundo que temos n\u00e3o merece que nos adaptemos a ele, pelo que urge procurar novos caminhos! Por um lado, os bons esp\u00edritos abandonaram as nossas elites, por isso elas se servem da press\u00e3o criada nas massas e do Zeitgeist que as encandeia.<\/strong> Por outro lado, a corrida dos acontecimentos \u00e9 de tal ordem que fomenta criadores da opini\u00e3o p\u00fablica sem remorsos, produzidos por elites sem vergonha que abusam cada vez mais de tudo e de todos (1).<\/p>\n<p>A Ci\u00eancia tem uma fun\u00e7\u00e3o cr\u00edtica na sociedade e deveria abrir o horizonte dos problemas e das pessoas, n\u00e3o devendo ser usada para os controlar, nem t\u00e3o-pouco convertida em meio de implementa\u00e7\u00e3o do conformismo e do pensar \u201cpoliticamente correcto\u201d, como \u00e9 de observar na maioria dos programas das nossas TVs. De facto, <strong>se observarmos a opini\u00e3o publicada e reportagens televisivas nota-se nelas uma monotonia de pontos de vista e falta de pluralidade de abordagens e de controv\u00e9rsia (2) nos seus resultados.<\/strong><\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia do cidad\u00e3o assumida pelas ag\u00eancias dos Media (transformados em amplificadoras dos interesses do sistema) obedece, na generalidade, a uma pesquisa ou <strong>escolha controlada de actores a aparecerem em programas de TV ou de entrevistados na <\/strong>imprensa, chegou<strong> a um ponto de confundir ci\u00eancia e peritos com apoiantes de informa\u00e7\u00f5es fornecidas.<\/strong> Especialistas seleccionados s\u00e3o convidados repetidamente (sempre os mesmos para confirmar os seus objetivos e se algum come\u00e7a a urinar fora do penico logo o\/a jornalista o interrompe ou o abana com perguntas tendenciosas que o pobre \u00e9 obrigado a conter-se!), os peritos s\u00e3o ouvidos, n\u00e3o tanto por respeito \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 diversidade mas por poderem transmitir uma aura da ci\u00eancia que ainda consegue enganar povo.<\/p>\n<p>Na pra\u00e7a p\u00fablica assiste-se a um alastrar de protagonistas da ideologia do lado certo. <strong>Assim leva-se o povo a confundir objectividade ou ci\u00eancia com as informa\u00e7\u00f5es transmitidas.\u00a0 Em nome da crise atual, assiste-se a uma proibi\u00e7\u00e3o inerente ao que fomente pluralidade de opini\u00e3o e controv\u00e9rsia saud\u00e1vel<\/strong>.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas renunciam, no essencial, \u00e0 busca do conhecimento e o estado de direito est\u00e1 a ser usado indevidamente para fomentar proselitismos ou um estado de esp\u00edrito conformista. <strong>A ci\u00eancia e os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, mais que mobilizados ao servi\u00e7o da liberdade, funcionam ao servi\u00e7o da justifica\u00e7\u00e3o de agendas pol\u00edticas.<\/strong><\/p>\n<p>A ci\u00eancia \u00e9 aberta e sujeita a interpreta\u00e7\u00f5es controversas, mas nunca poder\u00e1 ser enfileirada numa s\u00f3 linha ou sentido. \u00c9 ileg\u00edtimo, a n\u00edvel cient\u00edfico, exigir-se ju\u00edzos de valor com a finalidade de formar uma vontade pol\u00edtica e correspondentes decis\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A verdadeira ci\u00eancia serve a democracia, mas n\u00e3o segue princ\u00edpios democr\u00e1ticos previamente determinados porque se sente comprometida com a raz\u00e3o; as ci\u00eancias humanas procuram muitas vezes orientar os fatos no sentido de uma decis\u00e3o ou de formar opini\u00e3o; <\/strong>estas contribuem para a raz\u00e3o p\u00fablica, mas prendem-se em debates acalorados, dado, especialmente estas ci\u00eancias n\u00e3o guardarem suficiente espa\u00e7o entre opini\u00e3o individual e observa\u00e7\u00e3o pretensamente objectiva!<\/p>\n<p>A ci\u00eancia passa a ser utilizada abusivamente e afastada de seu prop\u00f3sito essencial: orienta\u00e7\u00e3o livre e independente para o ideal de descobrir a \u201cverdade\/realidade\u201d; a ci\u00eancia quer-se senhora e n\u00e3o escrava ao servi\u00e7o de algum senhor.<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m as universidades est\u00e3o cada vez mais sujeitas ao assalto por for\u00e7as que lhe deveriam ser estranhas e, assim, muitos cientistas transformam-se em almeidas da estrada da pol\u00edtica e economia, outros em c\u00e3es de guarda do rebanho que n\u00e3o deve demarcar-se da estrada e dos des\u00edgnios de uma pol\u00edtica \u00e1vida de conformismo. <\/strong><\/p>\n<p><strong>De facto, \u00e9 de observar que at\u00e9 j\u00e1 as universidades perdem, cada vez mais, a universalidade de vis\u00e3o e a liberdade de esp\u00edrito, uma vez que a sua investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 sobretudo dependente das vontades pol\u00edtica e econ\u00f3mica! Por outro lado, toda a disciplina cient\u00edfica tem os seus limites de conhecimento<\/strong>; exigir de um departamento do saber, uma confiss\u00e3o de caracter gen\u00e9rico torna-se enganosa (especialmente para pessoas que n\u00e3o entendam a complexidade das quest\u00f5es nem entendem a relatividade do que o especialista sabe ou diz).<strong>\u00a0 Problemas ou sistemas complexos requerem diferentes modelos causais e diferentes explica\u00e7\u00f5es.<\/strong> <strong>Toda a prioriza\u00e7\u00e3o ou prefer\u00eancia de medidas encurta a realidade!<\/strong><\/p>\n<p>Todos estamos submetidos a uma necessidade natural de nos definirmos (identifica\u00e7\u00e3o) procurando reconhecimento que nos d\u00ea a sensa\u00e7\u00e3o de sucesso, mas, de uma maneira geral, ao seguir o ritmo de marcha dos que ditam os acontecimentos, s\u00f3 podemos tornar-nos cada vez mais na mesma (reduzidos a rebanho)! <strong>Ao seguirmos o culto do conformismo, aceitaremos tamb\u00e9m o que \u00e9 imoral e indecente.<\/strong> <strong>Embora tenhamos herdado de Pilatos a opini\u00e3o de seguir a disposi\u00e7\u00e3o da multid\u00e3o n\u00e3o podemos esquecer que e<\/strong>stamos chamados \u00e0 liberdade (luta contra a in\u00e9rcia da entropia) a uma realidade superior se n\u00e3o nos reduzimos a sermos formata\u00e7\u00f5es de programas que outros elaboram.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o se trata aqui de defender a rebeli\u00e3o ou a revolta, mas sim de uma continuada e firme resist\u00eancia n\u00e3o violenta<\/strong><\/p>\n<p>Precisamos de n\u00e3o conformistas que anseiam por paz e justi\u00e7a em atitude humilde e n\u00e3o arrogante. <strong>Se observamos o desenvolvimento da pol\u00edtica e da igreja encontramos sempre n\u00e3o conformistas a desbravar-lhe o caminho.<\/strong> <strong>A opini\u00e3o maiorit\u00e1ria pode ser perigosa porque impede a fuga, anseia pelo h\u00e1bito, pondo-nos a caminho da entropia<\/strong>. <strong>Paulo aos Romanos 12,2\u201d<\/strong> <strong>N\u00e3o sejais como o mundo, em vez disso transformai-vos pela renova\u00e7\u00e3o da vossa mente.\u201d<\/strong> <strong>A mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil porque \u00e9 processo \u00e0 imagem do fermento na massa.<\/strong><\/p>\n<p>Ingenuidade e credulidade levam-nos a deixar o esp\u00edrito cr\u00edtico e a vivermos de meias-verdades para n\u00e3o termos de questionar o que nos parece oferecer seguran\u00e7a. Hitler j\u00e1 dizia cinicamente em &#8220;Mein Kampf&#8221;: &#8220;Uso o entusiasmo para as massas e reservo a convic\u00e7\u00e3o l\u00f3gica para os poucos&#8221;. O preconceito costuma ir \u00e0 frente dos factos\u2026\u2026<\/p>\n<p><strong>\u00c9 natural que em todos os regimes, os media do sistema procurem criar um clima imune \u00e0 cr\u00edtica porque pretendem cidad\u00e3os de c\u00e9rebro penteado ao gosto do regime. <\/strong>O cidad\u00e3o consciente deveria estar ciente disto!<\/p>\n<p><strong>Na crise contempor\u00e2nea a que assistimos, seja ela a do Corona V\u00edrus seja a da crise geoestrat\u00e9gica em jogo na Ucr\u00e2nia, as elites pol\u00edticas conseguiram imunidade contra a cr\u00edtica<\/strong>; facto este que \u00e9 observ\u00e1vel na opini\u00e3o indiferenciada e generalizada nas massas; o que me parece mais grave \u00e9 o facto de se observar que grande parte dos acad\u00e9micos n\u00e3o vislumbrarem mais \u00a0que a massa do mainstream! H\u00e1 falta de potencial cr\u00edtico \u00e0s ideologias e de interesse no di\u00e1logo \u00e0s partes em discuss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Nem a ci\u00eancia nem a religi\u00e3o devem ser instrumentalizadas em servi\u00e7o das guerras! A ci\u00eancia investiga movimentando-se no \u00e2mbito do saber que \u00e9 poder, a religi\u00e3o interpreta \u00e0 luz da sabedoria;<\/strong> as duas s\u00e3o complementares movimentando-se na compreens\u00e3o de mat\u00e9ria e esp\u00edrito.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e Pedagogo<\/p>\n<p>Pegadas do Tempo,<\/p>\n<p>(1) \u201cA IDADE DIGITAL INICIA A ERA P\u00d3S-F\u00c1TICA\u201d: <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3932\">https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3932<\/a><\/p>\n<p>(2) M\u00c9TODO DA CONTROV\u00c9RSIA: <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3336\">https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3336<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Poder pol\u00edtico-econ\u00f3mico instrumentaliza a Ci\u00eancia e os Media O mundo que temos n\u00e3o merece que nos adaptemos a ele, pelo que urge procurar novos caminhos! 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