{"id":7336,"date":"2022-04-14T23:30:36","date_gmt":"2022-04-14T22:30:36","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=7336"},"modified":"2022-04-15T14:51:31","modified_gmt":"2022-04-15T13:51:31","slug":"compaixao-a-chaga-aberta-do-amor-ferido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=7336","title":{"rendered":"COMPAIX\u00c3O A CHAGA ABERTA DO AMOR FERIDO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>A Guerra expressa a car\u00eancia de empatia e de miseric\u00f3rdia<\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8220;Do que sofre?&#8221; \u00e9 a pergunta que todos esperam que Perseval, fa\u00e7a a Anfortas (1)!\u00a0 Perseval entra no castelo onde Anfortas vive e sofre de uma les\u00e3o que n\u00e3o cicatrizava, de uma chaga aberta causada por amor ferido (Anfortas pode entender-se como s\u00edmbolo de todos n\u00f3s)! <\/strong><\/p>\n<p><strong>Perseval movido de compaix\u00e3o sentia-se compelido a perguntar sobre o seu sofrimento. Mas Perseval retrai-se e n\u00e3o faz a pergunta porque se a fizesse Anfortas poderia sentir-se inferiorizado perante Perseval!<\/strong> <strong>Para poder fazer tal pergunta isso implicaria primeiro o encontro consigo mesmo: aquela base que torna poss\u00edvel o encontrar-nos com o outro e no outro, um sentir-se em casa, mas no respeito pela casa do outro. Nesse encontro embarcamos juntos experimentando em comum a ferida do amor, o amor ferido de que sofre cada um de n\u00f3s. <\/strong>Nesta base a pergunta torna-se leg\u00edtima porque n\u00e3o se deixa reduzir a um acto de cortesia nem sequer de sobranceria e ao tornar-se compaix\u00e3o<strong> traz consigo um efeito de cura e um sentimento de al\u00edvio na partilha do sofrimento; nela n\u00e3o me sinto s\u00f3 porque sofro com o outro.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sofrer de amor \u00e9 a realidade humana que se expressa de maneira arquet\u00edpica e redentora na Semana da Paix\u00e3o! Se sinto a vida dentro e fora de mim, constato que ela \u00e9 uma chaga aberta resumida no caminho do Calv\u00e1rio. Em Jesus sofre a humanidade e Jesus com ela.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A semana Santa \u00e9 o tempo e o espa\u00e7o de toda a humanidade resumidos num encontro de rela\u00e7\u00e3o humano-divina! Jesus, como o madeiro \u00e0s costas torna-se na resposta acabada \u00e0 pergunta \u201cDo que sofre?\u201d. \u201cSofro de amor\u201d, uma resposta de compaix\u00e3o existencial que n\u00e3o se reduz a uma explica\u00e7\u00e3o mental: pergunta e resposta pressup\u00f5em uma comunh\u00e3o de vida num peregrinar de exist\u00eancia comum. A pergunta-resposta ao expressar-se na compaix\u00e3o tem um efeito de cura. Ela pressup\u00f5e uma rela\u00e7\u00e3o interior, doutro modo poderia situar-se entre o sentir pena\/compaix\u00e3o e o ser lament\u00e1vel de caracter meramente mental.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O existencialista Friedrich Nietzsche (2) ri-se da compaix\u00e3o, considerando-a como ego\u00edsta e como sinal de fraqueza.<\/strong> <strong>O estoicismo considera a miseric\u00f3rdia\/compaix\u00e3o algo feminino, porque s\u00f3 valoriza a vis\u00e3o da raz\u00e3o; ao faz\u00ea-lo n\u00e3o nota que se refugia na masculinidade de que sofre a nossa matriz mental e social quando omite que compaix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma ideia, mas uma atitude que se expressa em pensamentos palavras e obras (na caridade efectiva).<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como resposta a vis\u00e3o crist\u00e3 procura n\u00e3o se perder nos abismos do cora\u00e7\u00e3o (sentimento) nem nas lonjuras da raz\u00e3o. Compaix\u00e3o \u00e9 amor participado na reciprocidade de algo comum, na viv\u00eancia comum do amor ferido; n\u00e3o \u00e9 meramente racional, \u00e9 incorporada na pessoa integral (corpo e alma) feita de eu e n\u00f3s, de um eu enquadrado nas suas circunst\u00e2ncias; n\u00e3o se pode reduzir a um mero discurso ou conceito intelectual porque compaix\u00e3o n\u00e3o observa s\u00f3 de fora, ela sente e v\u00ea tamb\u00e9m de dentro. Compaix\u00e3o \u00e9 certamente inata tal como o agradecimento n\u00e3o se deixando reduzir a meros pensamentos ou sentimentos negativos ou positivos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A supress\u00e3o da compaix\u00e3o e da empatia faz parte de uma matriz masculina excessiva. Ter compaix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 negativo como queria o existencialismo niilista, pois ao envolver reconhecimento, aprecia\u00e7\u00e3o, elogio, considera\u00e7\u00e3o, respeito. Mais do que ter pena, estamos na pena, um estado de compaix\u00e3o, um la\u00e7o que nos une e n\u00e3o se deixa reduzir apenas \u00e0 intelig\u00eancia emotiva, dado incluir, levar connosco, o sofrimento do outro e incorpor\u00e1-lo na nossa vida.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A compaix\u00e3o ou sim-patia interior expressa-se num impulso para ajudar, confortar, etc. numa comunh\u00e3o de sofrimento, n\u00e3o implicando apenas a necessidade de um &#8220;sinto pena&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Compaix\u00e3o implica sentimento e tamb\u00e9m a l\u00f3gica de uma atitude de justi\u00e7a que leva \u00e0 ac\u00e7\u00e3o. A nossa sociedade procura evitar tudo o que \u00e9 dor e nesse sentido tenta eliminar tamb\u00e9m do vocabul\u00e1rio as palavras de conota\u00e7\u00e3o religiosa que envolvem o sentimento de piedade, miseric\u00f3rdia ou compaix\u00e3o.\u00a0 A psicologia demasiadamente centrada na cabe\u00e7a<\/strong> (mente) procura fugir \u00e0 dor entrando, por vezes, em rivalidade com a religi\u00e3o (a psicologia, como outros servi\u00e7os ao faz\u00ea-lo correm o perigo\u00a0 de serem reduzidas a meras oficinas de repara\u00e7\u00e3o dos problemas de uma sociedade virada para a morte); esta \u00e9 mais inclusiva integrando de maneira mais integral o sofrimento na vida humana como parte da natureza humana sem permanecer nele em atitude masoquista. Compaix\u00e3o abrange amor ao pr\u00f3ximo, miseric\u00f3rdia e caritas (amor). <strong>A bondade natural ou adquirida das pessoas chega a ser questionada por uma psicologia que, sob a perspectiva\u00a0 funcionalista e materialista, exclui a humanidade, a bondade e a gra\u00e7a; os valores religiosos s\u00e3o desqualificados e o amor ao pr\u00f3ximo \u00e9 transformado e interpretado como algo suspeito; \u00a0as pr\u00f3prias virtudes e h\u00e1bitos adquiridos atrav\u00e9s de esfor\u00e7o e reflex\u00e3o s\u00e3o banalizados com explica\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas que n\u00e3o concebem a espiritualidade como elemento humano<\/strong>; o altru\u00edsmo \u00e9 degradado sistematicamente sendo reduzido a trauma, a complexo de inferioridade, no desconhecimento da m\u00edstica e filosofia crist\u00e3 que parte do princ\u00edpio que o mundo deve ser pensado, n\u00e3o a partir do ego, mas a partir do outro, de um outro espiritualmente personalizado e n\u00e3o politicamente materializado; deixou-se de ter em vista a complementaridade das diferentes express\u00f5es individuais e sociais (ci\u00eancia, filosofia, religi\u00e3o, economia, pol\u00edtica, etc.). Realmente a nossa vida individual e social seria muito diferente se selecion\u00e1ssemos e avali\u00e1ssemos a vida e o que se passa nela atrav\u00e9s do crivo do n\u00f3s e n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s do crivo do ego e do \u00fatil imediato. O sistema procura que na modernidade nos orientemos, n\u00e3o por n\u00f3s mesmos, pela nossa consci\u00eancia, mas sim por o que ditam maiorias como quer a democracia partid\u00e1ria e estat\u00edsticas encomendadas; tudo ao mando da sociologia que se quer ver traduzida na nova filosofia da sociedade pol\u00edtica. Estamos a ser reduzidos a meras fun\u00e7\u00f5es ao servi\u00e7o de sistemas. <strong>Desnatura-se a natureza e desumanizam-se as pessoas para se impor uma supraestrutura artificial em nome de uma cultura abstracta globalizada que subjuga, controla e mata.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Parece que nos encontramos num processo meramente pragm\u00e1tico e utilit\u00e1rio em que se perde a ideia da gra\u00e7a, daquilo que se recebe ou d\u00e1 de gra\u00e7a para se passar a orientar tudo no sentido do \u00fatil e do utiliz\u00e1vel. Muitos pensam que o objecto meta da vida \u00e9 ser feliz e procuram, contra a natureza, aplicar-se apenas no que d\u00e1 prazer.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A pessoa de f\u00e9 n\u00e3o deixa de ter prazer, mas n\u00e3o se perde nela a perspectiva transcendente que a leva a n\u00e3o se perder nas satisfa\u00e7\u00f5es nem nas contradi\u00e7\u00f5es da vida do momento<\/strong>. O viver \u00e9 mais importante do que uma experi\u00eancia do momento reduzida a tempo. O tempo deixa de ser apenas cronol\u00f3gico e \u00e0 medida do rel\u00f3gio ou do momento experimentado. Cada vez se tem menos tempo para o outro porque ele n\u00e3o se torna suficiente para as actividades s\u00f3 em torno do ego.<strong> O crente \u00e9 solid\u00e1rio n\u00e3o s\u00f3 com os viventes, mas tamb\u00e9m com os mortos. Doutro modo reduzir-se-ia a vida a categoria de tempo do rel\u00f3gio e como tal limitar-se-ia \u00e0 mera recorda\u00e7\u00e3o de momentos.<\/strong><\/p>\n<p>Hoje a sociedade quer a pessoa \u00e0 sua medida\/imagem e s\u00f3 para ela, <strong>desejando-a, por isso, reduzida ao horizonte do momento e de mero contribuinte pagador de impostos, cortando-lhe, para se autojustificar, as asas da transcend\u00eancia.<\/strong> <strong>Destroem-se as liga\u00e7\u00f5es familiares e o espa\u00e7o social para se encurralar as pessoas\u00a0 dentro dos muros da cidade e acorrent\u00e1-las aos afazeres que a cidade precisa:<\/strong> uma pol\u00edtica limitada a per\u00edodos de servi\u00e7os, de quatro anos de mandato e de empresas em perigo de ru\u00edna, tudo encurta\u00a0 a perspectiva; esta se fosse ilimitada limitaria o poder dos poderosos que se afirmam em per\u00edodos de tempo. O Estado com os seus lugares de emprego oferece-se como algo sustent\u00e1vel at\u00e9 \u00e1 reforma. Assim uma democracia utilit\u00e1ria limita a solidariedade ao reduzir a rela\u00e7\u00e3o a tempos funcionais de servi\u00e7o e como tal a meras obriga\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>As vantagens da vida em comunidade s\u00e3o materializadas e funcionalizadas em t\u00e9cnicas de trabalho de equipa na perspectiva de uma fun\u00e7\u00e3o mais rent\u00e1vel.<\/strong> Na empresa quer-se o trabalhador como for\u00e7a de trabalho, n\u00e3o como pessoa e menos ainda como membro de uma fam\u00edlia; esta deve ficar fora da porta. A pessoa deve ser desenraizada para ser flex\u00edvel e instrumentaliz\u00e1vel ao servi\u00e7o da economia e da civitas. <strong>O dinheiro tornou-se na concentra\u00e7\u00e3o das energias e como tal reduziu a pessoa a um comerciante de um ego sem p\u00e1tria nem fam\u00edlia.<\/strong> Em servi\u00e7o da grande ind\u00fastria e das pot\u00eancias emigramos, ficando sem um lugar que nos perten\u00e7a; continuamos assim fora de tudo em mera liga\u00e7\u00e3o, mas perdemos as rela\u00e7\u00f5es familiares; em vez de rela\u00e7\u00f5es criam-se liga\u00e7\u00f5es funcionais; valho pela ocupa\u00e7\u00e3o no que fa\u00e7o e n\u00e3o pelo que sou. Por outro lado, a pol\u00edtica quer fazer dos seus cidad\u00e3os emigrantes do n\u00facleo cultural, destruindo ou considerando as tradi\u00e7\u00f5es e os la\u00e7os familiares, culturais e religiosos que t\u00ednhamos como m\u00fasica de acompanhamento da economia (e tecnologias que a determinam) e da administra\u00e7\u00e3o da cidade. Somos enquadrados em condi\u00e7\u00f5es escolares, laborais e de opini\u00e3o p\u00fablica que nos alienam. Em vez de se adaptar a economia \u00e0s necessidades das pessoas, regi\u00f5es e das fam\u00edlias, foi sistematicamente destru\u00edda a pequena aldeia e com ela a fam\u00edlia e deste modo tem-se o cidad\u00e3o prostrado a seus p\u00e9s, em vez de rela\u00e7\u00f5es temos fun\u00e7\u00f5es a trabalhar para uma m\u00e1quina com funcion\u00e1rios burocratas.<\/p>\n<p>Na aldeia, como na fam\u00edlia, muita d vida era de gra\u00e7a, baseava-se a vida social a um viver na reciprocidade; ainda lembro o tempo em que o vizinho nos emprestava os bois para lavrar os campos e meu pai emprestava as vacas e os utens\u00edlios de lavoura para os vizinhos poderem satisfazer suas necessidades. Isto parece mera saudade, mas n\u00e3o; \u00e9 apenas a express\u00e3o de atitudes saud\u00e1veis que v\u00e3o desaparecendo e deveriam ser integradas em novas formas de vida social. As pessoas trabalhavam em fun\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, hoje \u00e9 o contr\u00e1rio; cada pessoa \u00e9 levada a trabalhar para si pr\u00f3pria em fun\u00e7\u00e3o da empresa an\u00f3nima e do Estado. Quer-se um mundo mec\u00e2nico, mecanicista em que cada pessoa funcione como pe\u00e7a ao servi\u00e7o da m\u00e1quina.<\/p>\n<p>No meu andar pelo mundo da religi\u00e3o, da pol\u00edtica e do trabalho fiz a experi\u00eancia de que pessoas cat\u00f3licas, na Alemanha, t\u00eam a raz\u00e3o mais pr\u00f3xima do cora\u00e7\u00e3o e por isso eram talvez menos eficientes mas mais pr\u00f3ximas do humano enquanto que muitas pessoas protestantes ou progressistas\u00a0 eram mais eficientes e menos humanas no relacionamento do dia a dia (a equa\u00e7\u00e3o poderia ser feita nestes termos<strong>: os protestantes est\u00e3o para os cat\u00f3licos como os alem\u00e3es para os estrangeiros!).<\/strong> Se em determinados grupos sociais ou pessoas a miseric\u00f3rdia e compaix\u00e3o passam sobretudo pela mente noutras passam mormente pelo cora\u00e7\u00e3o (Lucas 6,36) e a\u00ed se situam as diferentes posi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 compaix\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A sociedade pol\u00edtica tem um caracter mais masculino, mais mec\u00e2nico e utilit\u00e1rio e ao combater a igreja destr\u00f3i uma cultura da humanidade e de feminilidade. O Deus crist\u00e3o sente com as pessoas e por isso a compaix\u00e3o de Cristo pelas pessoas corre nas veias crist\u00e3s.<\/strong> A compaix\u00e3o \u00e9 de caracter pessoal n\u00e3o sendo preocupa\u00e7\u00e3o de governantes. A compaix\u00e3o tamb\u00e9m abrange os inimigos (no \u201cperdoai-lhes porque n\u00e3o sabem o que fazem\u201d); <strong>no JC trazemos connosco a for\u00e7a e a fraqueza que n\u00e3o nos faz temer porque as reconhecemos em n\u00f3s e nos outros:<\/strong> <strong>esta \u201cfraqueza\u201d que faz parte do car\u00e1cter feminino de Deus ainda \u00e9 estranha a todas as institui\u00e7\u00f5es.<\/strong> A imagem de um Deus compassivo faz do cristianismo &#8220;o falar do Deus de Abra\u00e3o, Isaac e Jacob, que \u00e9 tamb\u00e9m o Deus de Jesus&#8221;, que o torna um expressar Deus fora da express\u00e3o de qualquer monote\u00edsmo abstracto\u00a0 (de um s\u00f3 Deus), mas sim de \u201cum <strong>monote\u00edsmo vulner\u00e1vel (\u201cpanente\u00edsmo\u201d),<\/strong> emp\u00e1tico (compassivo), que \u00e9, no seu cerne, um discurso sens\u00edvel de Deus&#8221;, como dizia Johann Baptist Metz. <strong>A proibi\u00e7\u00e3o b\u00edblica de se fazerem imagens de Deus, p\u00f5e em causa a representa\u00e7\u00e3o de um Deus masculino<\/strong> (a funcionar no esquema inimigo-amigo. &#8220;<strong>A fuga do sofrimento e a tenta\u00e7\u00e3o de fechar os olhos ou desviar o olhar do sofrimento dos outros \u00e9 omnipresente&#8221; como constata <\/strong>Lothar Kuld in \u201cCompassion raus aus der Ego-Falle\u201c.<\/p>\n<p><strong>A compaix\u00e3o acompanha todos os que sofrem independentemente da via da autoestrada em que se encontrem<\/strong>. Onde h\u00e1 pessoas que sofrem, que s\u00e3o oprimidas, l\u00e1 se encontra Deus a sofrer nelas. O sofrimento \u00e9 diferente e diferenciado segundo o contexto e n\u00e3o pode ser contrabalan\u00e7ado a uma dor com a outra. Dor \u00e9 dor existencial n\u00e3o ideia. Por isso precisa-se de uma cultura de coopera\u00e7\u00e3o que substitua a cultura do mercado (interesse, concorr\u00eancia, rivalidade e interc\u00e2mbio) que nos rege e com a qual vivemos bem \u00e0 custa de muitos outros.<\/p>\n<p><strong>Urge restituir a dignidade humana aos pobres do mundo e viver a caridade\/solidariedade, urge integrar na matriz social excessivamente masculina, tamb\u00e9m a feminilidade \/aquela caracter\u00edstica onde o activismose dissolve na paz!)<\/strong>. <strong>A identifica\u00e7\u00e3o<\/strong> <strong>com os que sofrem (compaix\u00e3o) n\u00e3o \u00e9 devida \u00e0 m\u00e1 consci\u00eancia nem se trata t\u00e3o-pouco de, com ela, enrouparmos o nosso ego; a caridade,<\/strong> <strong>compaix\u00e3o, miseric\u00f3rdia \u00e9 uma resson\u00e2ncia que tudo une independentemente do baixo ou do alto em express\u00f5es humanas. <\/strong><\/p>\n<p>A guerra segue sobretudo ideais masculinos, falta-lhe a empatia, a compaix\u00e3o. Compaix\u00e3o n\u00e3o precisa de ser integrada em categorias de poder ou de sobranceria, ela n\u00e3o se deixa reduzir a sentimentalismo nem a orgias intelectuais. N\u00e3o chega na avalia\u00e7\u00e3o das coisas usar-se s\u00f3 o crivo da raz\u00e3o ou intelecto ou de uma percep\u00e7\u00e3o selectiva. Tudo tem as suas fronteiras os seus limites, mas tamb\u00e9m as suas pontes, doutro modo, n\u00e3o seriam defin\u00edveis.<\/p>\n<p>Pascal dizia \u201ch\u00e1 raz\u00f5es que a raz\u00e3o n\u00e3o conhece\u201d e a virtude encontra-se no meio, mas tamb\u00e9m ela \u00e9 necessitada por pressupor os extremos (opostos). A experi\u00eancia de nos encontrarmos todos a caminho ou num \u00eaxodo de humanidade, como o povo hebraico que na companhia do seu Deus seguia a arca da alian\u00e7a numa cumplicidade que lhes dava futuro. O homem precisa de companhia desde que abandonou o \u201cpara\u00edso\u201d e por isso usa de palavras para poder dialogar ganhando assim for\u00e7as para andar. Como na fogueira da cria\u00e7\u00e3o a arder, a compaix\u00e3o \u00e9 o calor que sai desse fogo que nos aquece.<\/p>\n<p><strong>Os acontecimentos e a viv\u00eancia da Semana Santa s\u00e3o a pergunta e a resposta ao sofrimento do amor ferido!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e Pedagogo<\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(1) Perseval \u00e9 o her\u00f3i da lenda arturiana, um romance em verso da literatura cort\u00eas alem\u00e3 que foi escrito entre 1200 e 1210. Anfortas era um filho de Ver\u00f3nica, a irm\u00e3 de Jos\u00e9 de Arimateia; Anfortas foi ferido por um amor encantado que lhe provocara uma les\u00e3o que n\u00e3o cicatrizava.<\/p>\n<p>(2) Friedrich Nietzsche via como tarefa do homem produzir um tipo de homem mais desenvolvido do que ele mesmo. Nietzsche chama esse homem superior ao homem (\u00dcbermensch); propriamente o Homem deveria situar-se no lugar de Deus; para isso nega Deus e a religiosidade com os seus valores e nega a correspond\u00eancia entre linguagem e mundo (da\u00ed o atributo de niilista, do latim nihil=nada). Nietzsche \u00e9 contra a dicotomia da personalidade humana subjacente \u00e0s religi\u00f5es onde, por um lado a pessoa humana \u00e9 forte e boa e por outro lado \u00e9 fraca e falha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Guerra expressa a car\u00eancia de empatia e de miseric\u00f3rdia &#8220;Do que sofre?&#8221; \u00e9 a pergunta que todos esperam que Perseval, fa\u00e7a a Anfortas (1)!\u00a0 Perseval entra no castelo onde Anfortas vive e sofre de uma les\u00e3o que n\u00e3o cicatrizava, de uma chaga aberta causada por amor ferido (Anfortas pode entender-se como s\u00edmbolo de todos &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=7336\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">COMPAIX\u00c3O A CHAGA ABERTA DO AMOR FERIDO<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[15,4,8,16],"tags":[],"class_list":["post-7336","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura","category-educacao","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7336","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7336"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7336\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7342,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7336\/revisions\/7342"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7336"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7336"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7336"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}