{"id":7191,"date":"2022-03-13T11:40:05","date_gmt":"2022-03-13T10:40:05","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=7191"},"modified":"2022-03-13T12:16:58","modified_gmt":"2022-03-13T11:16:58","slug":"europa-e-ucrania-entre-o-texto-e-o-contexto-de-uma-historia-mal-contada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=7191","title":{"rendered":"EUROPA E UCR\u00c2NIA ENTRE O TEXTO E O CONTEXTO DE UMA HIST\u00d3RIA MAL-CONTADA"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>A Paz voltar\u00e1 \u00e0 Europa quando a Ucr\u00e2nia e a Europa se tornarem independentes<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Os ciclones vindos da R\u00fassia e dos EUA come\u00e7aram por varrer a Ucr\u00e2nia e por colocar as popula\u00e7\u00f5es europeias ao sabor dos ventos. Quanto aos pol\u00edticos, que se encontram em lugares mais altos, esses assumiram sobretudo as fun\u00e7\u00f5es de cata-ventos da OTAN\/USA! <\/strong><\/p>\n<p><strong>Com a invas\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia criou-se uma cena t\u00e3o tr\u00e1gica que fez renascer os velhos dem\u00f3nios da luta entre capitalismo (mundo livre) e socialismo (mundo controlado),<\/strong> <strong>entre Ocidente e Oriente<\/strong>; na sociedade assiste-se a um redemoinho que se pensava limitado aos agentes no palco, mas n\u00e3o, passou do palco tamb\u00e9m para a plateia: no cen\u00e1rio temos a guerra quente e no p\u00fablico temos a guerra fria! Por fim todos unidos num s\u00f3 campo de batalha onde todos se tornam soldados bem ordenados nas suas trincheiras: <strong>uns com armas de fogo outros com armas da opini\u00e3o, tudo \u201cfardado\u201d ao servi\u00e7o do Bloco Russo ou do Bloco OTAN e tudo isto \u00e0 margem dos interesses da Ucr\u00e2nia e da Europa!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tudo olha agora s\u00f3 para a fogueira n\u00e3o se interessando por quem acarretou ou acarreta a lenha!<\/strong> Os europeus tornaram-se em acarretadores da lenha para a fogueira dos USA e da R\u00fassia, atrav\u00e9s da OTAN. Os pa\u00edses da antiga obedi\u00eancia sovi\u00e9tica s\u00f3 lhes \u00e9 proporcionada a op\u00e7\u00e3o de sa\u00edrem dessa subjuga\u00e7\u00e3o para entrarem na obedi\u00eancia \u00e0 OTAN; <strong>uma alternativa insatisfat\u00f3ria: sair de um poderio militar para entrarem noutro, quando o \u00f3bvio seria entrar numa Europa livre emancipada dos blocos; a verdadeira op\u00e7\u00e3o seria uma Uni\u00e3o Europeia, que n\u00e3o existe como verdadeira entidade europeia\u00a0 promissora de futuro, dado ter-se tornado no bra\u00e7o estendido americano (OTAN<\/strong><strong>): <\/strong>haver\u00e1 outros meios de defender um mundo livre e democr\u00e1tico se ter de pertencer a um dos blocos. A Europa tem de acordar, n\u00e3o pode limitar-se ao papel de conciliadora ou de intermedi\u00e1ria. <strong>A trag\u00e9dia ucraniana, tomada a s\u00e9rio, levaria a Bela Adormecida Europa a acordar!<\/strong> <strong>A Europa tem que assumir-se a si mesma e aprender a andar pelo pr\u00f3prio p\u00e9! S\u00f3 ent\u00e3o ser\u00e1 equilibrada e poder\u00e1 tornar-se num luzeiro de uma pol\u00edtica da paz para o mundo.<\/strong> <strong>No papel de servi\u00e7al americana na NATO e como prest\u00e1vel do velho socialismo n\u00e3o passar\u00e1 de uma atleta a correr entre dois mundos: o mundo turbo capitalista e o mundo do socialismo marxista.<\/strong> A maneira como os dois mundos abusam da Ucr\u00e2nia torna-se patente no sofrimento da popula\u00e7\u00e3o ucraniana e na maneira como a OTAN\/USA conseguiu manipular a opini\u00e3o p\u00fablica sofredora e os dirigentes pol\u00edticos numa ac\u00e7\u00e3o concertada contra uma Europa racional e independente! <strong>Em concreto, esta guerra \u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o contra toda a Europa!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mas se olhamos para a Ucr\u00e2nia, a sua indecis\u00e3o interna espelha a indecis\u00e3o europeia na sua express\u00e3o de estar sem ser.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9 irrespons\u00e1vel continuar a agir-se segundo a divisa emocional: o inimigo do meu amigo meu inimigo \u00e9!<\/strong> O complicado da quest\u00e3o \u00e9 que ambos t\u00eam raz\u00f5es embora ambos se encontrem longe da raz\u00e3o! No fundo das suas inten\u00e7\u00f5es e longe do terreno, n\u00e3o querem fazer mal, s\u00f3 querem o pr\u00f3prio bem!<strong> Respira-se no ar um desejo de unilateralidade nas posi\u00e7\u00f5es enquanto a UE se esconde sob o manto da irresponsabilidade tornando-se tamb\u00e9m ela c\u00famplice do que acontece na Ucr\u00e2nia e na UE!<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Ucr\u00e2nia \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o independente, mas com o pobre destino de se encontrar na zona cicl\u00f3nica onde o Ocidente e o Oriente se digladiam. No meio de tudo isto quem perde \u00e9 a Ucr\u00e2nia e a Europa.<\/strong> <strong>Mas isto deve ser ocultado aos europeus!<\/strong><\/p>\n<p><strong>De facto, em terreno ucraniano j\u00e1 h\u00e1 anos se dava uma guerra-civil: uma guerra representativa dos interesses da R\u00fassia, por um lado, e dos EUA, por outro, e com uma Europa que n\u00e3o \u00e9 carne nem peixe e por isso se encosta \u00e0 NATO que a impede de poder crescer e aparecer de maneira pacifica e complementar numa estrat\u00e9gia comum de paz que poderia ir de Lisboa at\u00e9 aos Urais. <\/strong><\/p>\n<p>Na guerra civil da Ucr\u00e2nia morreram 13.000 civis e 4.000 soldados sem que a consci\u00eancia da EU e do povo europeu fosse acordada. De repente toda a Europa se levanta ao som das trombetas da alvorada militar.<\/p>\n<p><strong>Cada lado pensa ser o bom, lutando um contra o outro, sem pensar que \u00a0o bom se torna mau e no fim s\u00f3 se safam os maus \u00e0 custa do sofrimento do povo e de uma Europa adiada. <\/strong>Para j\u00e1, notam-se como primeiros vencedores da guerra, os grandes especuladores das energias no mercado; <strong>por anda o povo?! Esse anda, por a\u00ed desgarrado, \u00e0 procura de um rega\u00e7o seja na Ucr\u00e2nia, na Europa ou na R\u00fassia!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9 um dado adquirido que a guerra surge da mentira <\/strong>e, quando se entra em guerra, a verdade \u00e9 a primeira a morrer e, com a morte dela, aumenta a vontade de difamar porque n\u00e3o chega a guerra em campo de batalha, \u00e9 preciso alarga-la \u00e0s popula\u00e7\u00f5es para que estas se disponibilizem a pagar a factura dela.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o \u00e9 mero espet\u00e1culo tr\u00e1gico, porque<strong> estamos todos envolvidos nesta guerra e mesmo aqueles que pensam n\u00e3o serem acossados pelos b\u00e9licos ventos, por terem os p\u00e9s bem assentes na terra, ter\u00e3o dificuldade de ver para al\u00e9m do nevoeiro emocional, que faz lembrar o da pandemia Covid-19, onde, olhe-se para onde se olhar, em vez de rostos humanos, s\u00f3 se veem m\u00e1scaras e no que toca ao imbr\u00f3glio da Ucr\u00e2nia, olhe-se para onde se olhar, em vez de cabe\u00e7as s\u00f3 se avistam barretes e chap\u00e9us! <\/strong><\/p>\n<p><strong>Nesta estrat\u00e9gia toda a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 dada no sentido de n\u00e3o se compreender o que verdadeiramente se passou e se passa! <\/strong><strong>Ao poder importa-lhe, com os seus ac\u00f3litos da imprensa, espalhar o medo e a confus\u00e3o entre o povo para n\u00e3o serem chamados \u00e0 responsabilidade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Toda a gente fala sem ouvir o que a R\u00fassia<\/strong> <strong>quer, o que quer a Ucr\u00e2nia, o que quer a Europa e o que querem os USA; uns e outros tamb\u00e9m n\u00e3o querem saber do que se tem feito de mal (por fazer ou por deixar de fazer) \u00e0 Europa, \u00e0 Ucr\u00e2nia,\u00a0 \u00e0 R\u00fassia,<\/strong> <strong>\u00e0 EU e \u00e0 pr\u00f3pria NATO!\u00a0 <\/strong>Deste modo tudo tem andado a seguir os guerreiros de um lado ou do outro, quando estes s\u00f3 est\u00e3o interessados em ganhar sem olharem a perdas. Deste modo torna-se f\u00e1cil n\u00e3o procurar solu\u00e7\u00f5es nem compromissos; cada um fixo na sua estrat\u00e9gia n\u00e3o est\u00e1 interessado em apresentar propostas de solu\u00e7\u00f5es. Se a Europa tivesse assumido a responsabilidade de ser ela mesma, certamente hoje ter\u00edamos uma R\u00fassia e uma Europa diferentes, sen\u00e3o amigas pelo menos empenhadas uma com a outra. <strong>O mesmo erro que cometeu a Alemanha aquando da Reunifica\u00e7\u00e3o alem\u00e3. Esta, em vez de aproveitar-se da oportunidade para come\u00e7ar a andar com os pr\u00f3prios p\u00e9s e com a Europa, preferiu encostar-se \u00e0 avalanche anglo-sax\u00f3nica e deste modo atrai\u00e7oar a voca\u00e7\u00e3o genu\u00edna europeia; o mesmo tem estado a acontecer na Ucr\u00e2nia (transformada num cavalo troiano da R\u00fassia e da OTAN\/USA! N\u00f3s abdicamos de sermos europeus e a Ucr\u00e2nia foi vitimada pela falta desta consci\u00eancia.<\/strong><strong> Tudo leva a crer que uma Europa arrastada pelos USA e orientada pela Alemanha (ver: Viragem na Ordem Europeia \u00a0<a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=7138\">https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=7138<\/a> ) persistir\u00e1 na sua decad\u00eancia e autodestrui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nota-se que, apesar do texto e do contexto de uma hist\u00f3ria mal contada, o que vai contar, como aconteceu depois da queda do real socialismo, s\u00e3o os factos, dados \u00e0 luz prematuramente, que determinar\u00e3o outros textos <\/strong>sem que tenha havido personalidades com capacidade para elaborarem uma Europa humana e com consci\u00eancia hist\u00f3rica para al\u00e9m de interesses econ\u00f3micos e de estrat\u00e9gias geopol\u00edticas. N\u00e3o, a Europa j\u00e1 perdeu a cabe\u00e7a! <strong>\u00a0Apesar da s\u00e1bia advert\u00eancia de Henry Kissinger sobre a Ucr\u00e2nia (uma Ucr\u00e2nia neutra e independente), os USA e a OTAN nunca estiveram interessados numa solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica na Ucr\u00e2nia porque a Ucr\u00e2nia inst\u00e1vel, nos seus intentos, funciona como barreira permanente entre a R\u00fassia e a Europa Ocidental e assegura, ao mesmo tempo, o controlo dos EUA sobre a Europa!\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9 muito question\u00e1vel o facto de, quando a Guerra Fria terminou e o Pacto de Vars\u00f3via se dissolveu, a OTAN ter continuado. A Europa s\u00f3 pode acordar e vir a si pr\u00f3pria quando a OTAN se dissolver<\/strong><strong>;<\/strong> isto acabaria com o alinhamento da Europa no confronto entre Oriente e Ocidente e permitiria a elabora\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica pr\u00f3pria e uma nova rela\u00e7\u00e3o humana entre a Europa e a R\u00fassia.<strong>\u00a0 <\/strong>Um relat\u00f3rio da RAND Corporation de 2019 ao Chefe do Estado-Maior do Ex\u00e9rcito dos EUA intitulado &#8220;Extending Russia&#8221; (Alargamento da R\u00fassia), apregoado entre a esquerda e ignorado na direita, explica a estrat\u00e9gia a seguir para se desestabilizar a R\u00fassia (1)<strong>\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>Temos vivido numa Europa autodestrutiva a pretender afirmar-se na ambiguidade!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por um lado, os USA queriam uma R\u00fassia vencida e humilhada como se prev\u00ea da express\u00e3o p\u00fablica de Obama quando disse que a R\u00fassia era apena uma pot\u00eancia regional <\/strong>(defendendo assim o mundo unipolar liderado pelos USA); por seu lado Putin queria ver a R\u00fassia como grande pot\u00eancia (\u00e0 imagem da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica) baseado na sua for\u00e7a militar e nas suas rela\u00e7\u00f5es com o antigo e moderno \u201cimp\u00e9rio\u201d comunista.<\/p>\n<p><strong>Por um lado, os EUA queriam uma Europa sem a R\u00fassia e a Europa, de \u00e2nimo leve, seguiu esta pol\u00edtica; <\/strong>por outro lado, a Europa fez acordos comerciais com a R\u00fassia. Putin, cada vez mais desrespeitado, exigia seguran\u00e7a e a n\u00e3o ades\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 OTAN, como afirmou na Confer\u00eancia em Munique 2008. Os membros europeus fizeram, irresponsavelmente, ouvidos de mercador!<\/p>\n<p><strong>Por um lado, existe o tratado internacional vinculativo entre a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia de 1994, <\/strong>no qual a R\u00fassia aceita as fronteiras ucranianas e a Ucr\u00e2nia cede as suas armas nucleares ao seu vizinho em troca. Por outro lado, a OTAN ter\u00e1 dado garantias de n\u00e3o se expandiria para leste, mas f\u00ea-lo em nome do desejo de liberdade desses povos.<\/p>\n<p><strong>Por um lado, h\u00e1 uma lista de casos de viol\u00eancia b\u00e9lica <\/strong>mostrando que 21 casos de viol\u00eancia b\u00e9lica tiveram origem na R\u00fassia. Por outro lado, a Wikip\u00e9dia mostra que no mesmo per\u00edodo de tempo houve 46 guerras dos EUA que ficaram impunes. <strong>Hoje que se assiste a tantas san\u00e7\u00f5es e cortes da liberdade de um lado e do outro ser\u00e1 leg\u00edtima a pergunta a n\u00f3s pr\u00f3prios: e que san\u00e7\u00f5es foram impostas aos USA?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por um lado, Khrushchev, na Crise dos M\u00edsseis Cubanos entre os EUA e a URSS, retirou os seus abastecimentos militares de Cuba porque o Ocidente n\u00e3o tolerava a sua presen\u00e7a naquele pa\u00eds. Por outro lado, a OTAN n\u00e3o quer compreender que a R\u00fassia n\u00e3o queira ter uma amea\u00e7a militar na sua vizinhan\u00e7a imediata (M\u00edsseis da OTAN na Pol\u00f3nia, etc&#8230;).<\/strong><\/p>\n<p><strong>O bus\u00edlis da quest\u00e3o \u00e9 que Putin e os EUA, Putin e a Ucr\u00e2nia sentem que est\u00e3o e estiveram no caminho certo! O que fizemos n\u00f3s quando os EUA e a R\u00fassia promoveram a guerra civil na Ucr\u00e2nia e agora queremos lavar as nossas m\u00e3os sangrentas como se a guerra na Ucr\u00e2nia fosse apenas um problema entre ucranianos e russos? <\/strong>\u00c9 verdade que seria tontaria desculpar um Putin invasor a cometer tantos actos contra a humanidade mas seria pura hipocrisia \u00a0querer agora desviar as aten\u00e7\u00f5es, quando, desde 2013 a EU n\u00e3o se mostrou interessada em tirar as brasas do fogo ateado por todos na Ucr\u00e2nia; cada um olhava apenas para o seu neg\u00f3cio \u00e0 custa de um povo ucraniano dividido entre si e calava cinicamente as mortes ucranianas (13.000 + 4.000 soldados). Sim, os mortos n\u00e3o falavam e dos dois milh\u00f5es de refugiados de ent\u00e3o n\u00e3o era conveniente falar!<\/p>\n<p><strong>O armamento fomenta o confronto e n\u00e3o o di\u00e1logo; aquele, contra a justi\u00e7a, salvaguarda a l\u00f3gica do direito \u00e0 provoca\u00e7\u00e3o e vict\u00f3ria do poder mais forte.<\/strong> <strong>Porque n\u00e3o se deixa valer na Ucr\u00e2nia o princ\u00edpio democr\u00e1tico da autodetermina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Crimeia, etc.?<\/strong><\/p>\n<p><strong>As diversas contribui\u00e7\u00f5es, sobre o assunto, ajudam a compreender melhor o que se quer incompreens\u00edvel; <\/strong>\u00e9 por isso que na discuss\u00e3o vale a pena tentar iluminar diferentes n\u00edveis do conflito, para que o elemento humano n\u00e3o se perca. <strong>O estado de esp\u00edrito n\u00e3o deve ser deixado ao acaso nem t\u00e3o-pouco a uma informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica bastante unilateral, porque esta tende a formar soldados e n\u00e3o pessoas esclarecidas, o que contribuiria para o interesse pela justa paz!<\/strong> Tamb\u00e9m uma pol\u00edtica de informa\u00e7\u00e3o mais ligada a um bloco ou a outro, recusa-se a fazer compreender a trag\u00e9dia que se passa na Ucr\u00e2nia; a quest\u00e3o complicar-se-ia e no povo surgissem d\u00favidas.<\/p>\n<p><strong>Que acontecer\u00e1 quando Putin ficar encostado \u00e0 parede? Ser\u00e1 que queremos uma alian\u00e7a entre a R\u00fassia e a China? Uma Europa pronta a espelhar os valores crist\u00e3os n\u00e3o deve alinhar-se quer na \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d b\u00e9lica dos USA\/OTAN quer na tradi\u00e7\u00e3o\u201d b\u00e9lica da R\u00fassia.<\/strong><\/p>\n<p>Neste momento, apenas os loucos est\u00e3o felizes. Todos nos temos de preocupar e engajar numa atitude humanista e os humanos encontram-se de um lado e do outro.<\/p>\n<p><strong>Cinicamente, o presidente dos EUA j\u00e1 tentou descal\u00e7ar a bota ao dizer: &#8220;N\u00e3o somos parte nesta guerra.\u201d Na consequ\u00eancia a Europa, de cabe\u00e7a no ar, tenta enfiar ainda mais a bota! <\/strong><\/p>\n<p><strong>Contextualiza\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>O conflito acentuou-se em 2013 ao surgirem na Ucr\u00e2nia massas de confrontos e protestos &#8220;Euromaidan&#8221;(iniciados em novembro 2013 at\u00e9 fevereiro 2014, altura do golpe de Estado e em que o governo foi deposto).<strong> Concretamente a guerra civil come\u00e7ou em 2014 devido \u00e0 decis\u00e3o do governo ucraniano de impedir um acordo com a EU fazendo isto contra a vontade de uma grande parte da popula\u00e7\u00e3o. Uma parte da popula\u00e7\u00e3o era por uma aproxima\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia ao Ocidente e a outra era pela aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 uni\u00e3o russa (os do leste do pa\u00eds e especialmente os da pen\u00ednsula da Crimeia). Desde 2014, as for\u00e7as governamentais ucranianas alinhadas com o Ocidente combatiam os ucranianos separatistas apoiados pela R\u00fassia na regi\u00e3o de Donbass. Muitas pessoas morreram e o governo foi deposto a partir e 22 de fevereiro de 2014. Em mar\u00e7o de 2014,<\/strong> deu-se o <strong>referendo pol\u00e9mico da Crimeia <\/strong>e a <strong>maioria da popula\u00e7\u00e3o (95%) apoiou a sua integra\u00e7\u00e3o na R\u00fassia.<\/strong> (A 8 de Abril de 1783, a Crimeia foi formalmente declarada russa por Catarina II &#8220;a partir de agora e para sempre&#8221;). A anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia em 2014 seguiu-se a um conflito pol\u00edtico (2) e por vezes armado em torno da pen\u00ednsula ucraniana da Crimeia.<strong> A partir da\u00ed acentua-se a guerra na Ucr\u00e2nia oriental com o surgimento das duas regi\u00f5es separatistas de Lugansk e Donetsk.<\/strong> Desde o in\u00edcio da guerra civil, a popula\u00e7\u00e3o, nesta zona, diminuiu para cerca de metade. <strong>Segundo a ONU, entre 2014 e 2018 morreram 13.000 pessoas em resultado da guerra e calculou em 4.000 o n\u00famero de soldados ucranianos mortos.<\/strong> <strong>O ex\u00e9rcito ucraniano ia empurrando os separatistas de volta para o leste.<\/strong> <strong>Os separatistas t\u00eam recebido apoio da R\u00fassia desde o in\u00edcio. Na Ucr\u00e2nia h\u00e1 cerca de oito milh\u00f5es de russos. <\/strong><\/p>\n<p>Aquando dos exerc\u00edcios militares russos junto \u00e0 fronteira Uraniana Putin exigia da Ucr\u00e2nia a n\u00e3o ades\u00e3o \u00e0 OTAN e a sua neutralidade. Isto foi rejeitado pela da OTAN.<\/p>\n<p><strong>Agora em guerra, o presidente ucraniano Selenskyi mostrou vontade de fazer ced\u00eancias em Donetsk e Lugansk, estendendo a m\u00e3o no sentido das exig\u00eancias de Putin (3). Isto daria abertura a uma esp\u00e9cie de divis\u00f3ria dessas rep\u00fablicas da Ucr\u00e2nia se houvesse uma poss\u00edvel a cl\u00e1usula de unifica\u00e7\u00e3o nacional pac\u00edfica como objetivo&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o de hoje \u00e9 semelhante \u00e0 de 1939 antes da eclos\u00e3o da Segunda Guerra Mundial onde o papa Pio XII a 24 de agosto de 1939 advertia: \u201cQue os homens voltem a se entender. Que voltem a negociar. Ao tratar com boa vontade e com respeito pelos direitos rec\u00edprocos, descobrir\u00e3o que as negocia\u00e7\u00f5es sinceras e eficazes nunca s\u00e3o exclu\u00eddas de um sucesso honroso\u201d. Tratava-se de ontem como hoje, n\u00e3o cultivar a mem\u00f3ria das negatividades e as feridas rec\u00edprocas! \u00a0A Europa est\u00e1 a perder uma chance de se encontrar a si mesma para assumir liderar os pr\u00f3prios destinos!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a9 Pegadas do Tempo, <\/strong><\/p>\n<p>(1) O artigo pode ser acessado em https:\/\/www.rand.org\/pubs\/research_reports\/RR3063.html. O estudo RAND explica os seus objectivos:&#8221;Examinamos uma s\u00e9rie de medidas n\u00e3o violentas que poderiam explorar as vulnerabilidades e os receios da R\u00fassia para prejudicar as for\u00e7as armadas e a economia russa, bem como a reputa\u00e7\u00e3o do regime no pa\u00eds e no estrangeiro. As medidas que estamos a considerar para o efeito n\u00e3o se destinam principalmente \u00e0 defesa e dissuas\u00e3o, embora possam contribuir para ambos. Pelo contr\u00e1rio, estas medidas pretendem ser elementos de uma campanha destinada a desequilibrar o advers\u00e1rio, for\u00e7ando a R\u00fassia a competir em \u00e1reas ou regi\u00f5es onde os Estados Unidos t\u00eam uma vantagem competitiva, e fazendo com que a R\u00fassia se estenda militar ou economicamente em excesso, ou fazendo com que o regime perca prest\u00edgio e influ\u00eancia a n\u00edvel interno e\/ou internacional&#8221;.<\/p>\n<p>(2) O Presidente da Ucr\u00e2nia\u00a0 Viktor Yushchenko de 2005 at\u00e9 2010 (Revolu\u00e7\u00e3o Laranja) sinalizava um retorno \u00e0 pol\u00edtica pr\u00f3-russa. Seguiu-se Viktor Ianukovytch (antigo governador do Oblast de Donetsk), eleito presidente da Ucr\u00e2nia de 25 de fevereiro de 2010 at\u00e9 22 de fevereiro de 2014 altura em que foi deposto e exilado por ser pro-R\u00fassia, https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Viktor_Ianukovytch e https:\/\/de.wikipedia.org\/wiki\/Euromaidan , em junho de 2015\u00a0 foi despojado oficialmente do t\u00edtulo de presidente . Oleksandr Turchynov presidente de 22 de Fevereiro de 2014 a 7 de Junho de 2014 presidente interino; Presidente Petro Poroschenko 7. Junho 2014 a 20. Maio 2019 e Presidente\u00a0 Volodymyr Selensky a partir de 20 de Maio de 2019 \u2026 O golpe de Estado de 2014, apoiado pelos EUA, dep\u00f4s o Presidente Viktor Yanukovych, que por solidariedade com o povo da Ucr\u00e2nia oriental se recusou a assinar a requisi\u00e7\u00e3o de entrada da Ucr\u00e2nia na EU\/OTAN; em seu lugar levou ao poder for\u00e7as pr\u00f3-ocidentais que queriam a Ucr\u00e2nia na OtAN e at\u00e9 a declarar a R\u00fassia como inimiga. Em reac\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as do novo governo que come\u00e7ou por proibir as publica\u00e7\u00f5es que havia s\u00f3 em l\u00edngua russa (l\u00edngua dos povos das prov\u00edncias Donetsk e Lugansk que ent\u00e3o declararam a sua independ\u00eancia). Mas embora Kiev tenha assinado o acordo de Minsk 2015, nunca implementou nenhum destes pontos e ao recusar negociar com os rebeldes do leste a guerra-civil acentua-se.<\/p>\n<p>(3)\u00a0 Estas s\u00e3o as 4 exig\u00eancias da R\u00fassia \u00e0 Ucr\u00e2nia para a paz e o cessar fogo de imediato e o retirar sem mais condi\u00e7\u00f5es definitivamente da Ucr\u00e2nia:<\/p>\n<p>1\u00aa \u2013 Reconhecer formalmente a Crim\u00e9ia como sendo parte do territ\u00f3rio da R\u00fassia<\/p>\n<p>2\u00aa \u2013 Reconhecer oficialmente as Rep\u00fablicas de Donetsk e Lughansk como independentes.<\/p>\n<p>3\u00aa \u2013 Alterar a sua Constitui\u00e7\u00e3o para que esta declare de forma explicita que a Ucr\u00e2nia \u00e9 um Pa\u00eds neutro e renuncia como tal a ser parte de qualquer organiza\u00e7\u00e3o militar que contrarie a sua neutralidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Paz voltar\u00e1 \u00e0 Europa quando a Ucr\u00e2nia e a Europa se tornarem independentes Os ciclones vindos da R\u00fassia e dos EUA come\u00e7aram por varrer a Ucr\u00e2nia e por colocar as popula\u00e7\u00f5es europeias ao sabor dos ventos. 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