{"id":6790,"date":"2021-10-08T13:39:45","date_gmt":"2021-10-08T12:39:45","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=6790"},"modified":"2021-10-09T12:49:16","modified_gmt":"2021-10-09T11:49:16","slug":"o-pai-nosso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=6790","title":{"rendered":"O \u201cPAI NOSSO\u201d"},"content":{"rendered":"<h3>Interpreta\u00e7\u00e3o da sexta peti\u00e7\u00e3o: Tenta\u00e7\u00e3o ou Prova?<\/h3>\n<p>O Pai Nosso \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de toda a cristandade; ela foi ensinada (Mt 6,9-13; Lk 11,2) por Jesus aos seus disc\u00edpulos. Para Mateus a Ora\u00e7\u00e3o do Senhor \u00e9 uma reza completa porque engloba as necessidades humanas e a assist\u00eancia divina. Com ela entra-se numa rela\u00e7\u00e3o com Deus que possibilita ao crente a experi\u00eancia da resson\u00e2ncia entre iman\u00eancia e transcend\u00eancia e, se rezada em comunidade, possibilita tamb\u00e9m a resson\u00e2ncia intercorporal. <strong>O Pai Nosso \u00e9 completo, porque nos afasta da hipocrisia ordin\u00e1ria e apresenta-nos tamb\u00e9m o contexto pr\u00f3prio para a rela\u00e7\u00e3o com Deus, apontando, como condi\u00e7\u00e3o para o orante, o cumprimento da Regra de Ouro, que \u00e9 a prontid\u00e3o para perdoar ao pr\u00f3ximo.<\/strong><\/p>\n<p>O Pai Nosso tem sete peti\u00e7\u00f5es dirigidas a Deus e une cerca de 2,5 mil milh\u00f5es de pessoas na terra, na sua rela\u00e7\u00e3o com Deus. Como as plantas olham para o sol \u00e0 procura de vida assim a nossa alma levanta o olhar para Deus na procura de vida espiritual, realiza\u00e7\u00e3o e perfei\u00e7\u00e3o. <strong>O Sol, Deus, a vida, n\u00e3o giram apenas em torno de mim. Eu apenas sou um Protagonista da pe\u00e7a divina no palco de Deus, onde o enredo tem toda a humanidade a atuar, numa caminhada universal onde n\u00e3o h\u00e1 espectadores.<\/strong><\/p>\n<p>Na obra da cria\u00e7\u00e3o, criados como humanos, sendo parte da cria\u00e7\u00e3o, estamos tamb\u00e9m sujeitos \u00e0s leis da natureza e como tal estimulados a seguir a for\u00e7a dos desejos e instintos (bons porque nos conduzem, mas em certos pontos sens\u00edveis podem levar-nos \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o) e a viver numa certa dial\u00e9tica que pode possibilitar desenvolvimento e purifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O sexto pedido no Pai Nosso <\/strong>(Mat 6:13, objecto de reflex\u00e3o aqui) <strong>reza assim: \u201cE n\u00e3o nos deixeis cair na tenta\u00e7\u00e3o\u201e ou \u201ce n\u00e3o nos exponhas a uma prova\u201d<\/strong> (<strong>et ne nos inducas in temptationem: tradu\u00e7\u00e3o feita do grego: \u03ba\u03b1\u03b9 \u03bc\u03b7 \u03b5\u03b9\u03c3\u03b5\u03bd\u03ad\u03b3\u03ba\u03b7\u03c2 \u03b7\u03bc\u03ac\u03c2 \u03b5\u03b9\u03c2 \u03c0\u03b5\u03b9\u03c1\u03b1\u03c3\u03bc\u03cc\u03bd).<\/strong> <strong>Nas tradu\u00e7\u00f5es poder\u00e1 haver diverg\u00eancias entre a vers\u00e3o da Vulgata Latina e o texto grego dos Evangelhos.<\/strong><\/p>\n<p>Em 2017 o Papa Francisco <strong>generalizou o debate sobre o problema da exatid\u00e3o das tradu\u00e7\u00f5es, esclarecendo que: \u201cDeus n\u00e3o nos tenta\u201d (1) e <\/strong>dizendo que a frase do Pai Nosso (Mateus 6.13) \u201ce n\u00e3o nos deixes cair em tenta\u00e7\u00e3o\u201d (noutras l\u00ednguas: \u201ce n\u00e3o nos induzas\/conduzas \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o\u201d tinha sido mal traduzida!\u00a0 Tamb\u00e9m as corre\u00e7\u00f5es feitas pelos episcopados franc\u00f3fono e italiano (2) n\u00e3o satisfazem alguns te\u00f3logos porque entre outras coisas as novas tradu\u00e7\u00f5es n\u00e3o seriam fi\u00e9is \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o oficial da Vulgata: (et ne nos inducas in temptationem \u201ce n\u00e3o nos leves\/induzas para a tenta\u00e7\u00e3o\u201d)!<\/p>\n<p>A quest\u00e3o seria mais complicada se part\u00edssemos da Vulgata como fonte, mas de facto a fonte donde vem a Vulgata \u00e9 o grego.\u00a0 De facto, \u201eN\u00e3o nos deixes cair em tenta\u00e7\u00e3o\u201d significa \u201cn\u00e3o permitas que sejamos tentados a ponto de cairmos\u201d ou \u201cn\u00e3o nos submetas ao teste\u201d porque se levados ao exame das tenta\u00e7\u00f5es, como foi Jesus, sucumbir\u00edamos devido \u00e0 fraqueza da pr\u00f3pria f\u00e9. Por outro lado, o \u201cn\u00e3o nos deixeis cair em tenta\u00e7\u00e3o\u201d aponta para a incapacidade de resistir ao mal sem a assist\u00eancia divina. Interessante aqui \u00e9, de facto, o problema do sermos tentados que, no caso, n\u00e3o poderia ser por Deus, mas, por outro lado, o que torna totalmente vi\u00e1vel a interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica de Ratzinger\/Bento XVI (e a exegese e an\u00e1lise filol\u00f3gica cl\u00e1ssica) que apontam para o aspecto de sermos provados por Deus, como se depreende do texto grego.<\/p>\n<p><strong>A abordagem ao texto de forma teol\u00f3gica e o acesso filol\u00f3gico-exeg\u00e9tico ao texto permitem-nos uma vis\u00e3o mais ampla da quest\u00e3o.<\/strong> <strong>As diferentes tradu\u00e7\u00f5es n\u00e3o apresentam problemas teol\u00f3gicos em geral, mas apenas especificidades de exegese e filologia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Segundo exegetas e fil\u00f3logos na tradu\u00e7\u00e3o do grego para o latim ou para outras l\u00ednguas, o verbo grego \u03b5\u03b9\u03c3\u03c6\u03ad\u03c1\u03c9\/isf\u00e9ro pode ser traduzido tanto por tentar como por provar ou examinar, no sentido de p\u00f4r a pessoa \u00e0 prova, e submet\u00ea-la a um teste; al\u00e9m disso ainda h\u00e1 a quest\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o do aramaico para o grego<\/strong><strong>, mas que n\u00e3o \u00e9 relevante para aqui.<\/strong><\/p>\n<p>Atendendo ao facto de as palavras gregas da frase do Pai Nosso (3) possibilitarem diferentes significados: <strong>\u03b5\u03b9\u03c3\u03b5\u03bd\u03ad\u03b3\u03ba\u03b7\u03c2\/eisen\u00e9nkis do verbo<\/strong> <strong>\u03b5\u03b9\u03c3\u03c6\u03ad\u03c1\u03c9\/isf\u00e9ro<\/strong><strong> significa \u201dlevar, \u201ctrazer\u201d, \u201centrar\u201d, \u201cguiar\u201d e \u201cconduzir\u201d<\/strong> (<em>sem a significa\u00e7\u00e3o de \u201cdeixar\u201d como na tradu\u00e7\u00e3o portuguesa (4): nesse caso teria sido usado o verbo<\/em> <em>\u03b5\u03c0\u03b9\u03c4\u03c1\u03ad\u03c0\u03c9<\/em><em> com o significado de deixar, <\/em><em>permitir, consentir, instruir, ou o verbo \u03b1\u03c6\u03b9\u0301\u03b7\u03bc\u03b9 no sentido de permitir, deixar, enviar<\/em><strong>) e o substantivo \u03c0\u03b5\u03b9\u03c1\u03b1\u03c3\u03bc\u03cc\u03bd\/peirasmos que significa tenta\u00e7\u00e3o,\u00a0 prova\u00e7\u00e3o\/ teste<\/strong><strong> ou <\/strong><strong>exame<\/strong> (este parece ser mais fiel ao original grego), <strong>temos alternativas de tradu\u00e7\u00e3o a partir do texto de origem grega<\/strong>; tais como: \u201ce n\u00e3o nos deixes cair em tenta\u00e7\u00e3o\u201d, \u201ce n\u00e3o nos leves \u00e0 prova\u00e7\u00e3o\u201d, ou simplesmente, \u201cn\u00e3o nos testes\u201d. Afirmam os fil\u00f3logos que Peirasmos tanto possibilita ser traduzido por \u201cTenta\u00e7\u00e3o\u201d (maligna) como por \u201cProva\u00e7\u00e3o\u201d (de Deus). Os diferentes contextos b\u00edblicos (Hermen\u00eautica) apontam mais para a ideia de prova\u00e7\u00e3o: \u201ce n\u00e3o nos induzas\/conduzas a provas\/tenta\u00e7\u00e3o\u201d, ou: \u201ce n\u00e3o nos exponhas a uma prova\u201d (porque n\u00e3o somos como Jesus que resistiu a elas no deserto). Os peritos linguistas concluem que \u201c<strong>As duas possibilidades da tradu\u00e7\u00e3o (Tenta\u00e7\u00e3o e Prova\u00e7\u00e3o) s\u00e3o leg\u00edtimas pois \u201cnenhuma tenta\u00e7\u00e3o nos ocorre sem que Deus permita que ocorra\u201d, pois, o mal \u00e9 a aus\u00eancia de Deus. <\/strong>O esfor\u00e7o, que espera da nossa parte, \u00e9 para nos elevarmos em direc\u00e7\u00e3o a Deus para ele nos poder dar a m\u00e3o (5). No caso de Abra\u00e3o e seu filho Isaque, Deus p\u00f5e Abra\u00e3o \u00e0 prova (Gen 22:1-2), o mesmo se diga no caso de Job.<\/p>\n<p>Razinger\/Bento XVI, no livro \u201c<strong>Jesus de Nazar\u00e9 I\u201d, Cap\u00edtulo 5, reflecte sobre a sexta peti\u00e7\u00e3o do Pai-nosso, a saber:<\/strong> \u201cE n\u00e3o nos conduzas \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o\u201e, noutras tradu\u00e7\u00f5es \u00e9 \u201cE n\u00e3o nos deixeis cair em tenta\u00e7\u00e3o\u201d. Nele Ratzinger arruma com aparentes contradi\u00e7\u00f5es nas tradu\u00e7\u00f5es. Passo a citar as suas palavras (6), de express\u00e3o espiritual-teol\u00f3gica:<\/p>\n<p><strong>\u201cDeus n\u00e3o deixa o homem cair, mas testa-o (7) &#8230; Para amadurecer, para realmente passar, cada vez mais, de uma piedade superficial para uma profunda unidade com a vontade de Deus, o homem precisa de ser testado. Tal como o sumo do mosto de uva fermenta para se tornar vinho nobre, tamb\u00e9m o homem precisa de purifica\u00e7\u00f5es, transforma\u00e7\u00f5es<\/strong> <strong>que s\u00e3o perigosas para ele, nas quais pode cair, mas que s\u00e3o, no entanto, os meios indispens\u00e1veis para chegar a si mesmo e a Deus.<\/strong> O amor \u00e9 sempre um processo de purifica\u00e7\u00f5es, ren\u00fancias, transforma\u00e7\u00f5es dolorosas de n\u00f3s pr\u00f3prios e, portanto, um caminho de amadurecimento\u201d. Ao dizermos \u201cN\u00e3o nos conduzas \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o\u201d, (\u201eN\u00e3o nos deixeis cair em tenta\u00e7\u00e3o\u201d), estamos a dizer a Deus: Eu sei que preciso de provas para que a minha natureza seja pura\u2026 \u201c(8).<\/p>\n<p>\u201cQuando Francisco Xavier foi capaz de dizer a Deus em ora\u00e7\u00e3o: <strong>Amo-vos, n\u00e3o porque tendes c\u00e9u ou inferno para perdoar, mas simplesmente porque sois meu Rei e meu Deus<\/strong>, um longo caminho de purifica\u00e7\u00e3o interior tinha certamente sido necess\u00e1rio at\u00e9 esta liberdade final; um caminho de matura\u00e7\u00e3o sobre o qual a tenta\u00e7\u00e3o, o perigo de cair, espreitava, mas ainda assim um caminho necess\u00e1rio\u201d &#8230; (<strong>Em contexto crist\u00e3o tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 o est\u00edmulo a uma ac\u00e7\u00e3o imoral \u2013 pecado &#8211; e este \u00e9 como a sombra que surge onde Deus n\u00e3o brilha)<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Ratzinger conclui: \u201c<\/strong>Assim, podemos agora interpretar a sexta peti\u00e7\u00e3o do Pai Nosso de uma forma mais concreta. Dizemos a Deus: Eu sei que preciso de prova\u00e7\u00f5es para que a minha natureza se torne pura. Ao ordenares estas provas sobre mim, se d\u00e1s ao mal um pouco de espa\u00e7o livre, como fizeste com Job, ent\u00e3o por favor lembra-te da medida limitada da minha for\u00e7a. N\u00e3o me d\u00eas demasiado cr\u00e9dito. N\u00e3o estabele\u00e7as limites demasiado amplos nos quais eu possa ser tentado, e est\u00e1 perto com a tua m\u00e3o protectora quando ela (a prova, o exame, a \u201ctenta\u00e7\u00e3o\u201d: meu par\u00eantesis!) se tornar demasiado para mim\u2026<strong> Na nossa ora\u00e7\u00e3o da sexta peti\u00e7\u00e3o do Pai Nosso, devemos, por um lado, estar dispostos a assumir o fardo da prova\u00e7\u00e3o que nos foi imposta. Por outro lado, \u00e9 o pedido que Deus n\u00e3o nos d\u00e1 mais do que somos capazes de carregar; que Ele n\u00e3o nos deixa sair das Suas m\u00e3os. <\/strong>Fazemos este pedido com a certeza confiante que S\u00e3o Paulo nos deu: &#8220;Deus \u00e9 fiel; Ele n\u00e3o permitir\u00e1 que sejas tentado para al\u00e9m das tuas for\u00e7as. Ele dar-te-\u00e1 uma forma de sair da tenta\u00e7\u00e3o para que possas suportar (1 Cor 10:13)\u201d.<\/p>\n<p><strong>Joseph Ratzinger-Bento XVI cita ainda Cipriano que referiu duas raz\u00f5es pelas quais Deus d\u00e1 um poder limitado ao mal e assim \u201cpossibilitar o arrependimento, refrear a nossa arrog\u00e2ncia, para que possamos experimentar novamente a mis\u00e9ria da nossa f\u00e9, esperan\u00e7a e amor, e n\u00e3o nos imaginarmos grandes por nossa pr\u00f3pria vontade\u201d como agiam os fariseus que pensavam que devido ao seu m\u00e9rito j\u00e1 n\u00e3o precisavam da gra\u00e7a\u201d. <\/strong>Cipriano n\u00e3o desenvolveu o outro tipo de teste ou tenta\u00e7\u00e3o, mas de n\u00e3o esquecer \u00e9 o facto de Deus colocar um \u201cfardo particularmente pesado de tenta\u00e7\u00e3o sobre aqueles que lhe s\u00e3o especialmente pr\u00f3ximos\u201d (por ex.: Therese de Lisieux).<\/p>\n<p><strong>Ratzinger centra as suas aten\u00e7\u00f5es no n\u00facleo do cristianismo e quem o l\u00ea tem a sensa\u00e7\u00e3o de estar ao mesmo tempo com um s\u00e1bio e com um santo.<\/strong> Como ele diz, a rela\u00e7\u00e3o com Deus torna os seres humanos, humanos. E como \u201cDeus \u00e9 amor, torna-se ociosa a tentativa de o rodear de argumentos e tentar agarr\u00e1-lo\u201d. De facto o homem \u00e9 demasiado pequeno para conseguir tal e emaranha-se em si mesmo ao tenar reduzir o acesso a Deus apenas com factores de causalidade.<\/p>\n<p>De facto, a luz da verdade, a gra\u00e7a e a ilumina\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o s\u00e3o os luzeiros necess\u00e1rios para avan\u00e7armos e nos desenvolvermos.<\/p>\n<p>Deus sabe que estamos sujeitos \u00e0s leis do mundo que ele criou e para as superarmos precisamos da sua assist\u00eancia. As resist\u00eancias a elas pressup\u00f5em esfor\u00e7o e o apoio especial divino que \u00e9 pedido por quem tem a consci\u00eancia da sua pequenez e da grandeza divina; de facto, no mundo real, sem resist\u00eancia n\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio CD Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Te\u00f3logo e <\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>Junto aqui Duas vers\u00f5es \/ tradu\u00e7\u00f5es diferentes, de Aramaico (a l\u00edngua em que Jesus ensinou).<\/p>\n<p>1\u00aa vers\u00e3o<\/p>\n<p>Oh Tu, respirando vida em tudo, origem do som cintilante.<\/p>\n<p>Tu brilhas em n\u00f3s e \u00e0 nossa volta,<\/p>\n<p>at\u00e9 a escurid\u00e3o brilha quando nos lembramos.<\/p>\n<p>Ajuda-nos a respirar uma respira\u00e7\u00e3o santa na qual Te sentimos apenas a Ti-<\/p>\n<p>e deixa que o Teu som ressoe dentro de n\u00f3s e nos purifique.<\/p>\n<p>Que o Teu conselho governe as nossas vidas e clarifique o nosso prop\u00f3sito (inten\u00e7\u00e3o )<\/p>\n<p>para a cria\u00e7\u00e3o que partilhamos.<\/p>\n<p>Que o desejo ardente do Teu cora\u00e7\u00e3o una o c\u00e9u e a terra<\/p>\n<p>atrav\u00e9s da nossa harmonia.<\/p>\n<p>Concede-nos diariamente aquilo de que precisamos de p\u00e3o e de discernimento:<\/p>\n<p>o que \u00e9 necess\u00e1rio para o apelo da vida crescente<\/p>\n<p>Solta as cordas das faltas (erros) que nos ligam,<\/p>\n<p>como nos libertamos do que nos liga \u00e0 culpa dos outros.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos deixemos enganar por coisas superficiais,<\/p>\n<p>mas liberta-nos daquilo que nos prende.<\/p>\n<p>De Ti prov\u00e9m a vontade todo-eficaz, o poder vivo (energia\/for\u00e7a viva) para agir,<\/p>\n<p>a can\u00e7\u00e3o (m\u00fasica) que tudo embeleza e se renova de idade em idade.<\/p>\n<p>Verdadeira vitalidade a estas declara\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>Que sejam o solo a partir do qual todas as minhas ac\u00e7\u00f5es crescem.<\/p>\n<p>Selado na confian\u00e7a e na f\u00e9.<\/p>\n<p>\u00c1men.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2\u00aa vers\u00e3o<\/p>\n<p>M\u00e3e-Pai de todos os criados! O teu nome ressoa sagradamente atrav\u00e9s do tempo e do espa\u00e7o!<\/p>\n<p>O teu ser uno (Unidade divina) cria em amor e luz \u2013 para sempre e agora!<\/p>\n<p>Que a Tua vontade seja feita atrav\u00e9s da minha &#8211; como no esp\u00edrito, assim em todos os formados (tudo o que tem forma)!<\/p>\n<p>D\u00e1-nos alimento diariamente \u2013 quanto ao corpo, assim como \u00e0 alma!<\/p>\n<p>Solta os la\u00e7os dos meus defeitos (falhas) &#8211; tal como eu os solto (perdoo) aos outros!<\/p>\n<p>N\u00e3o me deixes perder em superficialidades e em coisas materiais!<\/p>\n<p>Liberta-me da imaturidade e de tudo o que me prende e n\u00e3o me liberta!<\/p>\n<p>Pois Teu \u00e9 o poder e a m\u00fasica do universo &#8211; agora e aqui e na eternidade. \u00c1men.<\/p>\n<p>Traduzido por Ant\u00f3nio Justo a partir do texto alem\u00e3o.<\/p>\n<p>(Nova tradu\u00e7\u00e3o do PAI NOSSO de acordo com Martin Luther, Septuaginta e Vulgata de acordo com: G. Lamsa (Gospels from an Aramaic Perspective), adapta\u00e7\u00e3o inglesa: N. Douglas-Klotz,Adapta\u00e7\u00e3o alem\u00e3: J.E. Berendt).<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/robert-betz.com\/mediathek\/inspirationen\/vater-unser\/?fbclid=IwAR3ouCDN98cdBW2IXYE499Q4z8agVcUUrSoiEbsNYsi1ouUG__UjX9wGIgA\">https:\/\/robert-betz.com\/mediathek\/inspirationen\/vater-unser\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>(1)\u00a0\u00a0 Deus n\u00e3o nos passa nenhuma rasteira, como diz o Papa Francisco: https:\/\/www.vaticannews.va\/de\/papst\/news\/2019-05\/papst-franziskus-generalaudienz-vaterunser-katechese-mai-19.print.html<\/li>\n<li>(2)\u00a0\u00a0 A Confer\u00eancia Episcopal Francesa mudou a tradu\u00e7\u00e3o do pai nosso de uso corrente &#8220;Et ne nous soumets pas \u00e0 la tentation&#8221; pela nova forma: &#8220;Et ne nous laisse pas entrer en tentation&#8221;. O verbo franc\u00eas &#8220;soumettre&#8221; (submeter) foi ent\u00e3o substitu\u00eddo por &#8220;ne pas laisser entrer&#8221;(literalmente: n\u00e3o deixe entrar). A nova vers\u00e3o est\u00e1 mais pr\u00f3xima da formula\u00e7\u00e3o grega do Evangelho (Mt 6:13), em que a express\u00e3o &#8220;\u03bc\u1f74 \u03b5\u1f30\u03c3\u03b5\u03bd\u03ad\u03b3\u03ba\u1fc3\u03c2&#8221; (n\u00e3o conduzem a) \u00e9 usada. H\u00e1 o leg\u00edtimo receio manifestado por te\u00f3logos de mesmo na nova vers\u00e3o introduzida poder haver \u201cfalsifica\u00e7\u00e3o das palavras de Jesus\u201d, como referem comentadores.<\/li>\n<li>(3)\u00a0\u00a0 A frase grega Mt 6:13, \u03ba\u03b1\u03b9 \u03bc\u03b7 \u03b5\u03b9\u03c3\u03b5\u03bd\u03ad\u03b3\u03ba\u03b7\u03c2 \u03b7\u03bc\u03ac\u03c2 \u03b5\u03b9\u03c2 \u03c0\u03b5\u03b9\u03c1\u03b1\u03c3\u03bc\u03cc\u03bd, deixa margens para algumas varia\u00e7\u00f5es nas tradu\u00e7\u00f5es em contexto.<\/li>\n<li>(4)\u00a0\u00a0 As interpreta\u00e7\u00f5es do Pai Nosso apareceram de v\u00e1rias maneiras desde Tertuliano<\/li>\n<li>(5)\u00a0\u00a0 A tradu\u00e7\u00e3o em latim, usou a cl\u00e1ssica express\u00e3o &#8220;inducas&#8221;, que sublinha o fato que somos &#8220;induzidos&#8221;, &#8220;levados&#8221; \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ando esse sentido impl\u00edcito no texto grego. Os exegetas para melhor contextuarem o texto apontam para um manuscrito aramaico encontrado em Qumran onde se reza &#8220;faz com que eu n\u00e3o entre em uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil demais para mim&#8221;, o que tamb\u00e9m legitimaria a express\u00e3o portuguesa &#8220;n\u00e3o nos deixeis cair em tenta\u00e7\u00e3o \u201ce o latim \u201cinducas\u201d no sentido de \u201cdeixar cair\u201d e n\u00e3o de \u201cfazer cair\u201d! Quanto ao uso do substantivo \u201cTemptatio\u201d (Tenta\u00e7\u00e3o) se advertia para a palavra como falaciosa. As pistas lingu\u00edsticas s\u00e3o muito esclarecedoras. De facto, Deus pode p\u00f4r-nos em prova, mas sem tentar ningu\u00e9m (1Cor\u00edntios 10,13 e Tiago 1,12). &#8220;Et ne nos inducas in temptationem\u201d, em portugu\u00eas: &#8220;n\u00e3o nos deixeis cair em tenta\u00e7\u00e3o&#8221;, em alem\u00e3o: \u201c E n\u00e3o nos conduzas \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o\u201d (\u201eUnd f\u00fchre uns nicht in Versuchung \u201d)!<\/li>\n<li>(6) \u00a0 Pai Nosso, an\u00e1lise: https:\/\/www.bibelwissenschaft.de\/wibilex\/das-bibellexikon\/lexikon\/sachwort\/anzeigen\/details\/vaterunser-1\/ch\/5ac77bb77dc5bbf25a3950e3e58809ad\/ e https:\/\/br.markusdasilva.org\/serie-orando-o-pai-nosso-com-poder-estudo-no-9-nao-nos-deixes-cair-em-tentacao\/<\/li>\n<li>(7)\u00a0\u00a0 Joseph Ratzinger-Bento XVI, Jesus de Nazar\u00e9 I, Freiburg-Basel-Viena 2007, pp. 195-199): \u201cA reda\u00e7\u00e3o desta peti\u00e7\u00e3o do Pai nosso \u00e9 ofensiva para muitos: Deus n\u00e3o nos leva, afinal de contas, \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o. De facto, diz-nos St. James: &#8220;Que ningu\u00e9m que se sinta tentado diga: Eu sou tentado por Deus&#8221;. Pois Deus n\u00e3o pode ser tentado a fazer o mal, nem Ele pr\u00f3prio tenta ningu\u00e9m. A tenta\u00e7\u00e3o vem do diabo, mas a tarefa messi\u00e2nica de Jesus inclui suportar as grandes tenta\u00e7\u00f5es que conduziram e continuam a conduzir a humanidade para longe de Deus. Ele deve, como vimos, sofrer estas tenta\u00e7\u00f5es at\u00e9 \u00e0 morte na cruz e assim abrir o caminho da salva\u00e7\u00e3o para n\u00f3s. Deve assim descer, n\u00e3o s\u00f3 depois da morte, mas com ele e em toda a sua vida, por assim dizer, ao inferno, ao espa\u00e7o das nossas tenta\u00e7\u00f5es e derrotas, a fim de nos levar pela m\u00e3o e nos carregar para cima. A Carta aos Hebreus colocou especial \u00eanfase neste aspecto, destacando-o como uma parte essencial da viagem de Jesus: &#8220;Pois desde que ele pr\u00f3prio foi levado \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o e sofreu, \u00e9 capaz de ajudar aqueles que s\u00e3o tentados (2,18). N\u00e3o temos um sumo sacerdote que n\u00e3o possa simpatizar com a nossa fraqueza, mas um que em tudo foi tentado como n\u00f3s, mas n\u00e3o pecou&#8221; (4:15).<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>(8)\u00a0\u00a0 \u2026\u201d se me encomendar estas provas, se der um pouco de espa\u00e7o livre ao mal, como fez com Job, ent\u00e3o lembre-se por favor da medida limitada da minha for\u00e7a. N\u00e3o me d\u00eaem demasiado cr\u00e9dito. N\u00e3o me atraiam demasiado os limites dentro dos quais posso ser tentado, e estejam perto com a vossa m\u00e3o protectora quando ela se tornar demasiado para mim&#8221;.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interpreta\u00e7\u00e3o da sexta peti\u00e7\u00e3o: Tenta\u00e7\u00e3o ou Prova? O Pai Nosso \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de toda a cristandade; ela foi ensinada (Mt 6,9-13; Lk 11,2) por Jesus aos seus disc\u00edpulos. Para Mateus a Ora\u00e7\u00e3o do Senhor \u00e9 uma reza completa porque engloba as necessidades humanas e a assist\u00eancia divina. Com ela entra-se numa rela\u00e7\u00e3o com &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=6790\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">O \u201cPAI NOSSO\u201d<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[15,8,16],"tags":[],"class_list":["post-6790","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6790","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6790"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6790\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6795,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6790\/revisions\/6795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}