{"id":6687,"date":"2021-07-27T18:51:46","date_gmt":"2021-07-27T17:51:46","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=6687"},"modified":"2021-07-27T18:51:46","modified_gmt":"2021-07-27T17:51:46","slug":"eu-sou-o-que-sou-mais-aquilo-que-fazem-de-mim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=6687","title":{"rendered":"EU SOU O QUE SOU MAIS AQUILO QUE FAZEM DE MIM"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Da Rela\u00e7\u00e3o e do Relacionamento \u00e0 F\u00f3rmula trinit\u00e1ria como Modelo da Vida <\/strong><\/h4>\n<p><strong>Por Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Hoje gostaria de reflectir convosco a um n\u00edvel mais profundo de imagens para l\u00e1 dos bastidores dos preconceitos que nos asseiam e rodeiam.<\/strong><\/p>\n<p>Paremos um pouco para mastigarmos as nossas palavras e ideias e assim nos deixarmos envolver num mundo de imagens, sensa\u00e7\u00f5es e analogias que nos levem a intuir algo para l\u00e1 do discurso do dia a dia e podermos, assim, \u00a0entrar numa dimens\u00e3o, que n\u00e3o se limite \u00e0 linearidade causal do discurso. Para isso n\u00e3o tropecemos em palavras e deixemo-nos guiar pelas imagens e sensa\u00e7\u00f5es que em n\u00f3s surjam (Donde v\u00eam as imagens e os est\u00edmulos n\u00e3o ser\u00e1 relevante, doutro modo trope\u00e7ar\u00edamos no preconceito comum de as materializar e qualificar de diab\u00f3licas ou divinas, antes de elas assumirem a propriedade de \u201cpr\u00e9-conceitos\u201d!) N\u00e3o se trata aqui de alinhar num sentido ou noutro, mas apenas de sentir a satisfa\u00e7\u00e3o da resson\u00e2ncia e do eco das palavras e ideias ao serem escritas ou lidas (1). <strong>Relevante ser\u00e1 descobrir o eco individual e reconhecer, nele, a pr\u00f3pria palavra criadora a repercutir-se em novos ecos!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Somos feitos de palavra\/informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica biol\u00f3gico-cultural em processo de cont\u00ednuas formata\u00e7\u00f5es.<\/strong> \u201cNo princ\u00edpio era a Palavra, a Informa\u00e7\u00e3o\u201d e a Palavra que \u00e9 aut\u00eantica encarna, \u00e9 fecundante, gera vida, como podemos ver no pr\u00f3logo do evangelho de Jo\u00e3o<strong>. Atrav\u00e9s da Palavra, Deus iniciou a cria\u00e7\u00e3o e atrav\u00e9s da palavra o humano recria-se a si mesmo e cria o mundo que o envolve, entrando em rela\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo com \u201co outro\u201d na qualidade de pessoa ou de coisa. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Por isso amarro a<\/strong> <strong>corda de circo existencial, onde me balanceio, aos extremos do saber e da ignor\u00e2ncia<\/strong>. <strong>Urge pensar de maneira pessoal e diferente o que a opini\u00e3o publicada diz e o que a maioria da gente pensa. O pensar normal ou da normalidade serve propriamente os que habitam nos \u201candares\u201d superiores e ajuda o resto a manter-se na menoridade. <\/strong>Para sairmos do marasmo hist\u00f3rico repetitivo de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, com as mesmas esperan\u00e7as e os mesmos repetitivos desenganos, seria de nos pormos a caminho de Deus (um Deus fora do conceito e do preconceito, mas que possibilite o pr\u00e9-conceito) porque ele \u00e9 a matriz universal de toda a diferen\u00e7a (e seu sustento no Amor).<\/p>\n<p><strong>Neste contexto seria oportuno fazermos um exerc\u00edcio de limpezas em que nos lav\u00e1ssemos do p\u00f3 da ignor\u00e2ncia, do medo e da culpa.<\/strong> <strong>Neste sentido, Jesus diria: desculpo-te, n\u00e3o para olhares para mim, mas para poderes tornar-te realmente tu, para poderes ser livre,<\/strong> como pretende o mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A palavra pode ser geradora, \u00e0 imagem do Esp\u00edrito Santo (manifesta\u00e7\u00e3o da reciprocidade) que d\u00e1 forma \u00e0 rela\u00e7\u00e3o verdadeira (do \u201cPai\u201d e do \u201cFilho\u201d).<strong> Na palavra vital brilha a luz da exist\u00eancia que leva o humano a um contacto que se expressa em di\u00e1logo\/encontro (este poderia ser resumido na imagem de uma s\u00f3 chama resultante do encontro de duas velas). \u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Todos andamos \u00e0 procura de sermos n\u00f3s mesmos mas constatamos que a identidade perfeita n\u00e3o pode ser reduzida ao mero eu (ego) porque este n\u00e3o tem consist\u00eancia em si mesmo, dado a sua ess\u00eancia ser de natureza comunit\u00e1ria <\/strong>(Eu ao dizer eu, trago a comunidade comigo (\u201cUno e trino\u201d) e preciso de um tu, para me reconhecer como eu: n\u00e3o posso ser reduzido a uma identidade pensante, mesmo que de natureza espiritual como propunha o grande fil\u00f3sofo Descartes).<strong> A palavra (o pensamento) cria a realidade, mas o ser humano \u00e9 mais do que a realidade que a consci\u00eancia lhe prop\u00f5e. Quando digo eu, estou apenas a distanciar-me de um tu ou de um aquilo\/isso neutro, de que tamb\u00e9m necessito para poder subsistir ao tentar de-finir<\/strong>-me<strong>. De facto, sem um Tu n\u00e3o pode haver eu <\/strong>(sem Filho n\u00e3o h\u00e1 Pai nem vice-versa). O verdadeiro \u201clugar do encontro\u201d \u00e9 a gra\u00e7a, o amor. Na trindade, o n\u00f3s \u00a0seria a divindade comum que se expressa no Par\u00e1clito (Amor). <strong>O amor \u00e9 a interac\u00e7\u00e3o de corpo e alma e n\u00e3o algo de abstrato como queria Plat\u00e3o; amor encarnado realiza-se no prot\u00f3tipo Jesus Cristo que acaba com a dicotomia corpo e alma querida por Plat\u00e3o<\/strong>. Isso implica a inicia\u00e7\u00e3o de uma economia do amor que se torna e possibilita uma matriz amorosa de toda a diferen\u00e7a. Neste sentido ser\u00e1 \u00f3bvio criar um pensar pr\u00f3prio e de maneira diferente ao que a grande maioria da gente pensa e ao que o sistema vigente recomenda.<\/p>\n<p><strong>A palavra do outro por muito deformada que seja (quando me reduz a coisa, a um isso ou a um aquilo) pode servir como activante, \u00e0 maneira de f\u00f3sforo que abre, no eu, um acesso ao fogo do mist\u00e9rio que repousa no mais \u00edntimo do nosso ser. O Pai ao dizer tu, no Filho, n\u00e3o o possui, mas permanece numa rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o profunda e t\u00e3o livre que se expressa na terceira pessoa que \u00e9 o Amor.<\/strong> \u00a0\u00a0A rela\u00e7\u00e3o de Jesus com o Pai (rela\u00e7\u00e3o eu-tu) e a rela\u00e7\u00e3o de Jesus-Cristo com a humanidade (rela\u00e7\u00e3o eu-mundo) expressam a \u201cexist\u00eancia\u201d de tudo num mist\u00e9rio de rela\u00e7\u00e3o (produtora de individua\u00e7\u00e3o pessoal).<\/p>\n<p>Nas duas rela\u00e7\u00f5es expressa-se o ser de toda a realidade espiritual e material. O ser e o estar da pessoa no mundo (como no mist\u00e9rio da Trindade, uma pessoa n\u00e3o existe sem a outra e, como tal, para ser verdadeira, ter\u00e1 de ser trinit\u00e1ria, isto \u00e9, para ser aut\u00eantica ter\u00e1 de acontecer em comunidade; a identidade do \u201cPai\u201d \u00e9 imposs\u00edvel sem o \u201cFilho\u201d e os dois subsistem na terceira Esp\u00edrito Santo). <strong>O pai confirma o Filho na sua unicidade e nesta confirma\u00e7\u00e3o surge o lugar do encontro dos dois que \u00e9 o Amor<\/strong>; a Realidade expressa-se como ser em rela\u00e7\u00e3o (identidade em rela\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria, revela-se como prot\u00f3tipo da nossa identidade de ser em comunidade). Em Jesus Cristo a realidade abre-se ao vivencial.<\/p>\n<p><strong>Neste contexto penso que o Livro do fil\u00f3sofo Martin Buber, \u201cO Princ\u00edpio de di\u00e1logo Eu e Tu\u201d (Das Dialogische Prinzip Ich und Du) tem muito a ver com a f\u00f3rmula trinit\u00e1ria (eu-tu-n\u00f3s) de toda a Realidade, manifestada, de maneira teol\u00f3gica, no mist\u00e9rio da sant\u00edssima Trindade. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Quando li este livro, nos meus tempos de estudante, tive a impress\u00e3o (no eco da minha imagina\u00e7\u00e3o) de estar a ler uma abordagem filos\u00f3fica mas essencial sobre o mist\u00e9rio do Um em tr\u00eas e tr\u00eas em Um, aquele segredo m\u00edstico que intu\u00eda no mist\u00e9rio da rela\u00e7\u00e3o<\/strong> <strong>divina<\/strong> (a trindade que pensava como a f\u00f3rmula viva de toda a vida e de todo o ser \u2013 resumida na rela\u00e7\u00e3o a acontecer); ela ultrapassa tamb\u00e9m o dualismo na pessoa de Jesus Cristo, numa rela\u00e7\u00e3o humano-divina (mat\u00e9ria e esp\u00edrito) aberta e expandida at\u00e9 ao Cristo C\u00f3smico (termo de Teilhard de Chardin)!<\/p>\n<p>De facto, o que verdadeiramente existe \u00e9 rela\u00e7\u00e3o, rela\u00e7\u00e3o pessoal ou personalizada, o resto \u00e9 a crosta de que tamb\u00e9m precisamos para nos expressarmos no estar aqui e experimentarmos sentido na realiza\u00e7\u00e3o do ser. Somos feitos de c\u00e9u e terra e negar um destes constituintes corresponderia a excluir o outro e na consequ\u00eancia significaria negar-nos a n\u00f3s pr\u00f3prios (Dito doutra maneira: No texto, que seria do conte\u00fado sem os signos, as letras-texto? Por mais materiais e inertes que as letras sejam, elas n\u00e3o negam o esp\u00edrito que encobrem; pelo contr\u00e1rio, possibilitam-no!). Fixar-se apenas numa vis\u00e3o factual seria deixar-se reduzir a texto sem ter consci\u00eancia do conte\u00fado ou ideia que ele encobre ou pretende revelar! Aqui nem o preconceito espiritualista nem o preconceito materialista nos leva \u00e0 frente porque um e outro, na sua unilateralidade, se deixam reduzir a texto (objecto sem conte\u00fado!)!<\/p>\n<p><strong>Na sua obra (O Princ\u00edpio dial\u00f3gico Eu e Tu)<\/strong>, donde vou dar relev\u00e2ncia a alguns aspectos para entrar numa de medita\u00e7\u00e3o, <strong>Buber explica que existem basicamente 2 tipos de rela\u00e7\u00f5es que o ser humano pode ter em si, com o outro e com o seu ambiente. S\u00e3o duas maneiras de ser ou de estar no mundo que podem ser resumidas e expressas pelas palavras b\u00e1sicas \u201cEu-Tu\u201d (Ich-Du) e \u201cEu-Isso\u201d (Ich-Es). <\/strong><\/p>\n<p><strong>Nesse di\u00e1logo h\u00e1 a palavra base \u201cEu-Tu\u201d <\/strong>que estabelece o mundo da rela\u00e7\u00e3o-encontro e s\u00f3 pode ser usada em rela\u00e7\u00e3o ao todo (eu e o outro, num certo sentido, um ser em osmose, uma rela\u00e7\u00e3o apenas para os seres humanos): a verdadeira rela\u00e7\u00e3o acontece na reciprocidade com o outro. A\u00ed deixa de haver intermedi\u00e1rios e interesses, como se depreende da sua afirma\u00e7\u00e3o: \u201cTodo o meio \u00e9 obst\u00e1culo. Somente onde todo o meio se desintegrou \u00e9 que o encontro acontece. Toda a vida real (verdadeira) \u00e9 encontro&#8221;. Sim, porque na realidade, como aprend\u00edamos em teologia, o presente \u00e9 o que est\u00e1 em acto (kair\u00f3s): j\u00e1 n\u00e3o espera, s\u00f3 continua\u2026<\/p>\n<p><strong>A outra palavra b\u00e1sica \u00e9 o par \u201cEu- Isso\u201d que cria o relacionamento com o mundo da experi\u00eancia (Eu-Aquilo, quer dizer: Eu e o mundo da experi\u00eancia; quando digo isso, aquilo, ele, ela, a gente, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 indirecta e como tal referida a objectos ou pessoas objectivadas n<\/strong>uma \u201c<strong>acumula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o\u201d). \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>De facto, por muito grande que a acumula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o possa ser, ela \u00e9 apenas a parte petrificada (forma) do acontecer em rela\u00e7\u00e3o (rela\u00e7\u00e3o eu-coisa, eu-objecto). Todo o mundo experimentado ou explicado passa a acontecer numa rela\u00e7\u00e3o pessoa-objecto e como tal a ser coisificado (por pensamentos, palavras e obras) e a ganhar sentido a partir do eu. Por outro lado, a verdadeira rela\u00e7\u00e3o \u00e9 pessoal e personalizadora, \u00e9 o universo da rela\u00e7\u00e3o em acto, em presen\u00e7a (Eu-Tu). Esta seria uma atitude de rela\u00e7\u00e3o sujeito-sujeito, a outra seria uma rela\u00e7\u00e3o sujeito objecto; o sujeito ao objectivar passa tamb\u00e9m a ser objecto, porque se encontra j\u00e1 fora de uma rela\u00e7\u00e3o integral<strong>. Na tentativa de uma compreens\u00e3o anal\u00f3gica poder\u00edamos ver a rela\u00e7\u00e3o verdadeira (divina) eu-tu, na concretiza\u00e7\u00e3o existencial humana da rela\u00e7\u00e3o sexual entre homem e mulher que na sua extravasa\u00e7\u00e3o amorosa se define a si pr\u00f3prio no reconhecer (encontrar-se como parte do outro num todo) o outro e se recriam de maneira individual pessoal no autodistanciamento que acontece na realiza\u00e7\u00e3o do filho gerado que concretiza a rela\u00e7\u00e3o integral (eu-tu-n\u00f3s). <\/strong><\/p>\n<p><strong>O relacionamento a partir do eu \u00e9 determinante na medida em que \u00e9 real, mesmo que o Tu n\u00e3o tenha consci\u00eancia disso. O meu eu n\u00e3o se deixa reduzir \u00e0 ideia que um tu fa\u00e7a dele. Da\u00ed a intocabilidade da dignidade humana! (Naturalmente esse eu tamb\u00e9m poderia fatalmente ser constitu\u00eddo sobretudo de texto-pretexto-contexto!)<\/strong><\/p>\n<p>Deste modo tamb\u00e9m a palavra Eu passa a ser dupla porque a palavra b\u00e1sica Eu-Tu \u00e9 diferente da palavra b\u00e1sica Eu-Isso (Aquilo).<\/p>\n<p>A palavra b\u00e1sica Eu-Tu s\u00f3 pode ser falada de maneira integral, com todo o ser (numa rela\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria) e, como tal, n\u00e3o s\u00f3 com o intelecto; ela \u00e9 processo relacional (\u00e9 kair\u00f3s, \u00a0a presen\u00e7a, o momento da rela\u00e7\u00e3o a acontecer) e como tal n\u00e3o pode ser falada como o \u00e9 a<strong> palavra b\u00e1sica Eu-Isso (Aquilo, Ele, Ela) porque esta n\u00e3o \u00e9 relacionada ou falada com todo o ser, nem a partir do dentro (ipseidade) do ser e como tal \u00e9 de caracter narrativo, objectivante<\/strong>.<\/p>\n<p>Na sociedade acontecem diferentes atitudes que se complementam sem se identificarem, e assim andam \u00e0 volta da rela\u00e7\u00e3o \u201ceu-isso\u201d (ich-Es) e da rela\u00e7\u00e3o \u201ceu-tu\u201d (Ich-Du). Aqui vale a pena respirar fundo para intuir o que Buber explica na frase:<strong> \u201ccom toda serenidade da verdade, ou\u00e7a: o homem n\u00e3o pode viver sem o Isso, mas aquele que vive somente com o Isso n\u00e3o \u00e9 homem\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Em pol\u00edtica h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de interdepend\u00eancia de interesses (um viver no isso\/aquilo e com o isso\/aquilo) que n\u00e3o expressam uma rela\u00e7\u00e3o eu-tu (esta \u00e9 deixada para as rela\u00e7\u00f5es pessoais (Eu-Tu) e, mesmo aqui, toda a pessoas est\u00e1 condicionada a viver tamb\u00e9m numa rela\u00e7\u00e3o \u201ceu-isso\u201d). Neste sentido, Buber fala tamb\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o da evid\u00eancia lingu\u00edstica que diz respeito \u00e0 vida com as pessoas onde se pode dar e receber o Tu.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 tamb\u00e9m uma via espiritual de rela\u00e7\u00e3o que em Buber poderia ser descrita como uma vida com seres espirituais. Aqui \u201ca rela\u00e7\u00e3o\/relacionamento est\u00e1 envolta em nuvens, mas revelando-se, sem palavras, mas gerando linguagem (fala)\u201d. <\/strong>N\u00e3o percebemos, mas \u201csentimo-nos chamados a responder, formando, pensando, agindo; falamos a palavra (sagrada) b\u00e1sica com o nosso ser sem poder dizer Tu com a nossa boca\u201d. Com esta express\u00e3o poder\u00edamos ser levados a intuir a rela\u00e7\u00e3o trial\u00f3gica (Trindade) que acima referi porque <strong>ao chegarmos a este n\u00edvel de rela\u00e7\u00e3o somos j\u00e1 envolvidos no fundo da pr\u00f3pria ipseidade, diria, na tela espiritual base de toda a realidade onde tudo se cruza e encontra em reciprocidade (a culminar numa express\u00e3o pessoal em comunidade).<\/strong><\/p>\n<p><strong>Esta \u00e9, certamente, a experi\u00eancia da sar\u00e7a ardente tida por Mois\u00e9s no Sinai;<\/strong> <strong>Mois\u00e9s que na incapacidade de transmitir ao povo, por palavras, a experi\u00eancia (Eu-Tu) tida com Deus, pediu a Deus para gravar as palavras com fogo nas pedras do dec\u00e1logo<\/strong> <strong>(Aqui d\u00e1-se a rela\u00e7\u00e3o eu-isso que o povo poderia ent\u00e3o entender). Aquele fogo da sar\u00e7a ardente, agora a vibrar nas pedras dos mandamentos j\u00e1 n\u00e3o queimava o olhar do povo mas, por outro lado, levava-o a confundir a experi\u00eancia interior do fogo com as letras da lei, deixando-lhe ao mesmo tempo a possibilidade de, no \u00e2mbito individual, poder fazer a sua a leitura pr\u00f3pria, porque, de uma certa maneira, transmitida por Deus e n\u00e3o por uma simples interpreta\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s. <\/strong>Aqui, a linguagem procura moldar o pensamento de cada pessoa e a realidade do povo como escolhido. Atrav\u00e9s da palavra e do di\u00e1logo, as pessoas percebem o seu mundo de vida e as contradi\u00e7\u00f5es a ele associadas. \u00a0\u00a0\u00a0Santos e os profetas procuram atrav\u00e9s da fala mudar a realidade do mundo, porque \u00e0 ideia segue-se a ac\u00e7\u00e3o. \u00a0\u00a0Tamb\u00e9m a ci\u00eancia moderna (pesquisadores do Instituto Max Planck) confirma que a l\u00edngua e o entendimento est\u00e3o especialmente interligados. A rela\u00e7\u00e3o eu-tu, eu-isso s\u00e3o a porta de entrada na Realidade e no mundo que nos circunda.<\/p>\n<p>Nesta ambival\u00eancia vai vivendo a f\u00e9 viva e a f\u00e9 acreditada. Somos chamados a viver a rela\u00e7\u00e3o \u00edntima eu-tu (Pai-Filho: Rela\u00e7\u00e3o na reciprocidade) mas sem menosprezar a rela\u00e7\u00e3o mais superficial eu-coisa (percep\u00e7\u00e3o coisificante e tamb\u00e9m racionalizante a n\u00edvel de abstra\u00e7\u00e3o nas ideias), tendo em conta que na nossa exist\u00eancia (nosso estar aqui) a rela\u00e7\u00e3o eu-coisa s\u00e3o imprescindivelmente necess\u00e1rias devido ao condicionamento da nossa natureza humana. A rela\u00e7\u00e3o eu-tu, diria, eu-Deus, \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o aut\u00eantica que nos possibilita um viver nas e para l\u00e1 das coisas, um viver que parte do ser-se espiritual a passar-se pelos condicionalismos de sermos tamb\u00e9m mat\u00e9ria a caminho da sua sublima\u00e7\u00e3o\/realiza\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito espiritual, como demonstra o prot\u00f3tipo Jesus Cristo. <strong>Se n\u00e3o fosse este condicionamento de estarmos a caminho, ter\u00edamos ficado no estado primitivo da animalidade antes da met\u00e1fora de Ad\u00e3o e Eva, aquele estado em que vivem o chimpanz\u00e9 e o golfinho!&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Numa rela\u00e7\u00e3o eu-coisa (isso) pretende-se saber algo sobre o outro e ao saber estamos a coisific\u00e1-lo enquanto que numa rela\u00e7\u00e3o eu-tu, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 saber sobre algo ou algu\u00e9m, \u00e9 tudo a acontecer n\u00e3o sobre, mas com. A vida Real passa a ser encontro: \u201cEntre Eu e Tu n\u00e3o existe conceitualidade, nem presci\u00eancia, nem imagina\u00e7\u00e3o \u201c, como diz Martin Buber.<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 o amor e outra s\u00e3o os sentimentos. Diria que estes s\u00e3o como que a vestimenta daquele; s\u00e3o diferentes vestimentas de um s\u00f3 amor, tal como constatamos nas diferentes cores que revestem o arco-\u00edris! <strong>O amor \u00e9 o fogo ardente a acontecer na sar\u00e7a. Neste processo o sentimento \u00e9 como que o calor que se tem do fogo, mas o real \u00e9 o fogo que existe no fundo da nossa ipseidade e \u00e9 a sua parte essencial: um eterno amor a acontecer, \u00e0 imagem de um Sol eterno que tudo ilumina e sustenta, tamb\u00e9m na nossa crusta a ser cultivada.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio CD Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e Pedagogo<\/p>\n<p>\u00a9 Pegadas do Tempo,<\/p>\n<ul>\n<li>(1)\u00a0 O importante \u00e9 o eco que produz o texto para gerar novos ecos j\u00e1 eles distanciados do texto, lembrando um rio que deixa propriamente de o ser ao transformar-se num delta feito de muitos rios individualizados (por diferentes leitores) que com o seu eco pr\u00f3prio provocam a mudan\u00e7a do leito e da geografia! Leia o texto todo sem se preocupar com alguma imperfei\u00e7\u00e3o ou incompreens\u00e3o que encontre a caminho.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da Rela\u00e7\u00e3o e do Relacionamento \u00e0 F\u00f3rmula trinit\u00e1ria como Modelo da Vida Por Ant\u00f3nio Justo Hoje gostaria de reflectir convosco a um n\u00edvel mais profundo de imagens para l\u00e1 dos bastidores dos preconceitos que nos asseiam e rodeiam. Paremos um pouco para mastigarmos as nossas palavras e ideias e assim nos deixarmos envolver num mundo &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=6687\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">EU SOU O QUE SOU MAIS AQUILO QUE FAZEM DE MIM<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,4,5,7,8,16],"tags":[],"class_list":["post-6687","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-educacao","category-escola","category-politica","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6687","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6687"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6687\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6688,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6687\/revisions\/6688"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6687"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6687"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6687"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}