{"id":6554,"date":"2021-06-10T10:46:21","date_gmt":"2021-06-10T09:46:21","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=6554"},"modified":"2021-06-10T21:43:05","modified_gmt":"2021-06-10T20:43:05","slug":"dia-de-portugal-dia-de-camoes-e-das-comunidades-portuguesas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=6554","title":{"rendered":"DIA DE PORTUGAL &#8211; Dia de Cam\u00f5es e das Comunidades Portuguesas"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>Reaprender a ser portugu\u00eas<\/strong><\/h3>\n<p>De celebra\u00e7\u00e3o em celebra\u00e7\u00e3o vamos empacotando os s\u00edmbolos vivos da na\u00e7\u00e3o, na banalidade da rotina factual comemorativa, como se tratasse de sardinhas embrulhadas em folhas de jornal. Festa de desobriga com golfadas de incenso para o corpo de uma na\u00e7\u00e3o quase sempre moribunda.<\/p>\n<p>A 10 de Junho de 1580 morre Lu\u00eds de Cam\u00f5es, o Homem que cantou o alvorecer e expandir de Portugal. Cam\u00f5es conseguiu, na sua incompar\u00e1vel epopeia \u201cOs Lus\u00edadas\u201d, imortalizar o esp\u00edrito portugu\u00eas. \u201cOs Lus\u00edadas\u201d tornaram-se o livro da identidade portuguesa. Identidade esta, com o tempo desbotada pelo sol desgastante da ideologia e pelas ondas enleantes das revolu\u00e7\u00f5es. <strong>Cam\u00f5es \u00e9 o s\u00edmbolo de um Portugal caminhante que tem de descobrir mundo para se ir realizando atrav\u00e9s da hist\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p>Os descendentes dos Homens-bons afirmam que, \u00e0 morte de Cam\u00f5es, Portugal tamb\u00e9m morreu. Seguramente, uma afirma\u00e7\u00e3o certa no que respeita \u00e0 classe pol\u00edtica dos governantes de Portugal. Esta j\u00e1 n\u00e3o entende Cam\u00f5es nem entende a alma portuguesa, hoje residindo no borralho das cinzas do povo. Um governo \u201cfraco torna fraca a forte gente\u2026\u201d escrevia aquele vision\u00e1rio que ao morrer ter\u00e1 dito <em><strong>&#8220;<\/strong><\/em>Morro com a P\u00e1tria&#8221;! Este vatic\u00ednio<\/p>\n<p>N\u00e3o, Portugal n\u00e3o morreu. S\u00f3 morrer\u00e1 quando deixar de possuir aquilo que o criou, ergueu e tornou espec\u00edfico: a f\u00e9 e a coragem. A grandeza de Portugal foi constru\u00edda \u00e0 sombra do cristianismo. O povo assumiu a miss\u00e3o crist\u00e3 tornando-a sua. P\u00e1tria e f\u00e9 eram uma coisa s\u00f3, era ent\u00e3o Portugal. O povo sabia conjugar o \u201cheroico\u201d com o \u201cimortal\u201d. Assim, os portugueses descobrem o mundo como mission\u00e1rios da p\u00e1tria. Com o andar dos tempos perdeu-se o povo e com ele a p\u00e1tria tamb\u00e9m. Agora, dela pouco mais resta do que massas \u00e0 deriva e um Estado de abutres que voam sobre elas.<\/p>\n<p>A obra \u00e0 nossa frente n\u00e3o ser\u00e1 menos arrojada e grandiosa do que a dos descobrimentos. J\u00e1 n\u00e3o chega uma restaura\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1ria uma nova descoberta. Hoje, os Homens Bons\u201d ter\u00e3o de se lan\u00e7ar \u00e0 miss\u00e3o de, primeiro, descobrir o povo e a p\u00e1tria, na redescoberta do cristianismo e da energia lusitana que nos deram rosto! Isto se n\u00e3o pretendermos continuar a ser um pa\u00eds a viver, geralmente, de m\u00e3o estendida e na depend\u00eancia das maresias de fora!<\/p>\n<p>Para ressurgir ter\u00e1 de descobrir \u201cmares nunca antes navegados\u201d. Ter\u00e1 de ultrapassar a \u201cTaprobana\u201d do materialismo institucional estatal e religioso. Ter\u00e1 de, como os nossos \u201cegr\u00e9gios av\u00f3s\u201d, possuir a coragem de se lan\u00e7ar no fluxo da vida, arriscar e ousar \u201cpecar corajosamente\u201d para abandonar as certezas dos \u201cVelhos do Restelo\u201d que, agarrados \u00e0s velhas ideologias materialistas, fizeram o 25 de Abril, embrulhando, com elas, um povo inteiro. Filhos da escrava, da russa Agar, da g\u00e1lica Libertas, continuam a enxovalhar, inconscientes, a grei.<\/p>\n<p>Portugal, desembrulhado, voltar\u00e1 a descobrir-se povo e ent\u00e3o redescobrir\u00e1 a miss\u00e3o que o levar\u00e1 \u00e0 vit\u00f3ria sobre o nevoeiro estranho que embacia o c\u00e9rebro das nossas elites e tolhe a vida moura do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, alijar\u00e1 as formas mecanicistas do seu pensar para poder proporcionar o salto qu\u00e2ntico da nova f\u00edsica, a nova consci\u00eancia. Uma nova mundivis\u00e3o, surgida j\u00e1 n\u00e3o de revolu\u00e7\u00f5es de interesses oportunos e subjugadores, mas dum impulso genu\u00edno de verdade, dum desejo de liberdade criadora e universal.<\/p>\n<p>N\u00e3o teremos a ajuda dum infante D. Henrique que concatenou ent\u00e3o saber e engenho e energia universal. Seremos ajudados por um processo paulatino desformatizador das formas do medo, do ganho, da avidez e do poder. O sofrimento e o desespero duma natureza cada vez mais atrofiada despertar-nos-\u00e1 para uma nova criatividade, um novo pensar. Ent\u00e3o sonho e realidade ser\u00e3o as formas do mesmo pensar. Ent\u00e3o seremos t\u00e3o livres que n\u00e3o saberemos onde a liberdade come\u00e7a nem acaba. Ent\u00e3o navegaremos \u00e0 tona do mar como se esta fosse o seu fundo! Descobriremos no c\u00e9u do horizonte novos mundos com caminhos diferentes. Nesse mundo da nova consci\u00eancia a dignidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas humana, passa a ser natural!<\/p>\n<p>No novo mar portugu\u00eas, o Povo j\u00e1 n\u00e3o descobre; ele pode criar porque a nova cultura j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poder nem ter, mas sim rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 l\u00e1 vamos rasgando a cobertura das ideologias do c\u00e9u portugu\u00eas. Das aberturas surgir\u00e3o novas auroras e do c\u00e9u baixar\u00e3o as cores do arco-\u00edris. Ent\u00e3o todas as rela\u00e7\u00f5es e liga\u00e7\u00f5es ser\u00e3o libertadoras e benditas porque, entre uns e outros, deixar\u00e1 de haver muros, para nos delimitar chegar\u00e3o apenas as cores do arco-\u00edris.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo,<\/p>\n<p>Publicado a 10.06.2009, in Mo\u00e7ambique para todos: https:\/\/macua.blogs.com\/moambique_para_todos\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reaprender a ser portugu\u00eas De celebra\u00e7\u00e3o em celebra\u00e7\u00e3o vamos empacotando os s\u00edmbolos vivos da na\u00e7\u00e3o, na banalidade da rotina factual comemorativa, como se tratasse de sardinhas embrulhadas em folhas de jornal. Festa de desobriga com golfadas de incenso para o corpo de uma na\u00e7\u00e3o quase sempre moribunda. 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