{"id":6260,"date":"2020-11-29T16:17:30","date_gmt":"2020-11-29T15:17:30","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=6260"},"modified":"2020-11-29T16:17:30","modified_gmt":"2020-11-29T15:17:30","slug":"caes-tristes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=6260","title":{"rendered":"C\u00c3ES TRISTES"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"titulo\"> <b>C\u00e3s tristes &#8211; Tristes c\u00e3es!<\/b> <\/span><br \/>\n<span class=\"texto\"> 2006-08-26 <\/span><\/p>\n<p><span class=\"texto\"> Volto de f\u00e9rias passadas na calma e laboriosa Branca, Albergaria.<br \/>\nTrago comigo a nostalgia! N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a saudade daquela gente t\u00e3o boa e das paisagens impares, mas tamb\u00e9m aquela tristeza de premeio do latir dos c\u00e3es solit\u00e1rios e mendigos de carinho. Por companheiros t\u00eam apenas o cadeado e a voz dos outros parceiros de infort\u00fanio que se torna caracter\u00edstica ao anoitecer nas paisagens nortenhas. Tornados recorda\u00e7\u00f5es da terra, eles s\u00e3o sentinelas, testemunhas duma paisagem e duma humanidade inconsciente em que a identifica\u00e7\u00e3o com a natureza e com os animais se torna dif\u00edcil na luta pela subsist\u00eancia. O sofrer da natureza anda ligado ao sofrimento do Homem\u2026 Nos pa\u00edses pobres o c\u00e3o \u00e9 mais uma coisa que pode ser \u00fatil do que um ser vivo com sentimentos. Os seus latidos s\u00e3o tristezas n\u00e3o choradas, s\u00faplicas de povo \u00e0 terra atado.<br \/>\nNesta minha nostalgia tamb\u00e9m anda uma recorda\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a. A daquele c\u00e3o de aldeia que j\u00e1 noite adiantada consegue libertar-se do cadeado que o prendia e, farejando, se dirige \u00e0 campa da sua dona, l\u00e1 no fundo da freguesia, nesse dia triste de Outono enterrada. Pressuroso, com as suas patas remove a terra da campa\u2026 De manh\u00e3 encontram-no, extenuado do cansa\u00e7o, repousando no buraco da terra parecendo escutar o segredo da dona que ali quer guardar.<br \/>\nRecordo tamb\u00e9m o caso do her\u00f3i Ulisses que ap\u00f3s a sua odisseia de muitos anos, depois do cerco de Tr\u00f3ia, ao voltar esfarrapado a sua casa na ilha de \u00cdtaca (Tiaqui), ningu\u00e9m o conhece. Apenas o seu velh\u00edssimo c\u00e3o o reconhece. Euf\u00f3rico por tornar a ver o seu dono o cora\u00e7\u00e3o rebenta-lhe de alegria caindo morto aos p\u00e9s de Ulisses.<br \/>\nAmigo e confidente de pessoas, companheiro de idosos, salvador de vidas entre escombros, ou colaborador na procura de drogas, o c\u00e3o a\u00ed est\u00e1 sempre pronto e dispon\u00edvel.<br \/>\nA sua companhia tem efeitos muito positivos e terap\u00eauticos sobre os donos. Estes dormem melhor e n\u00e3o precisam de visitar tantas vezes o m\u00e9dico nem de tomar tantos comprimidos. A sua vida prolonga-se. Tamb\u00e9m a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea dos seus donos funciona melhor atendendo a que t\u00eam de dar os seus passeios di\u00e1rios com ele, esteja bom ou mau tempo.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/span><\/p>\n<p>Publicado em Comunidades:<br \/>\nhttp:\/\/web.archive.org\/web\/20080430103558\/http:\/\/blog.comunidades.net\/justo\/index.php?op=arquivo&#038;mmes=08&#038;anon=2006<\/p>\n<div align=\"right\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b><\/div>\n<p><span class=\"texto\"><br \/>\n<a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/20080430103558\/http:\/\/blog.comunidades.net\/justo\/index.php?op=coment&amp;idtopico=118594\">Adicionar coment\u00e1rio<\/a><br \/>\n<\/span> <span class=\"titulo\"> Coment\u00e1rios:<\/span><\/p>\n<table class=\"linha-separadora\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"texto-comentarios\"><b> C\u00e3es tristes &#8211; Tristes c\u00e3es <\/b>&#8211; &#8211; &#8211; 2006-09-06<br \/>\nPrezado senhor Lu\u00eds Costa:<br \/>\nMuito obrigado pelas suas considera\u00e7\u00f5es.<br \/>\nCreio que o problema que apresenta \u00e9 premente. Ele n\u00e3o tem tanto a ver com a dicotomia pobres e ricos, com a pobreza real que justamente refere. Isto \u00e9 apenas o resultado duma forma de estarmos acomodados, de n\u00e3o ser.Estamos mas n\u00e3o somos! \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria de consci\u00eancia humana, de consci\u00eancia social e de consci\u00eancia individual. Anda-se no mundo por ver andar os outros seguindo mais ou menos as leis da natureza, e estas t\u00eam bastado&#8230; A in\u00e9rcia das bases justifica a letargia das elites e vice-versa. O mal \u00e9 que as pessoas andam todas \u00e0 espera de qualquer coisa!&#8230; Quando acordam, se \u00e9 que acordam, j\u00e1 parece tarde!<br \/>\nUm abra\u00e7o<br \/>\nJusto<\/p>\n<div align=\"right\"><b>ant\u00f3nio Justo<\/b><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<table class=\"linha-separadora\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"texto-comentarios\"><b> caro Justo <\/b>&#8211; &#8211; &#8211; 2006-09-03<br \/>\nCaro Justo,<\/p>\n<p>gosto do seu artigo, gosto mesmo.<br \/>\nA tristeza que o nosso t\u00e3o belo Portugal lhe provoca, em que os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres n\u00e3o saiem da cepa torta, j\u00e1 que os ricos assim o querem, \u00e9 de facto lament\u00e1vel.<br \/>\nMas isto \u00e9 um sintoma pr\u00f3prio da nossa \u00e9poca, cada vez mais materialista e capitalista em que os valores morais e humanistas se encontram num estado de pura ru\u00edna.<br \/>\nAqueles que tem as r\u00e9deas da pol\u00edtica nas m\u00e3os, n\u00e3o querem, ou n\u00e3o tem o poder real para conseguirem fazer do nosso Portugal um pa\u00eds mais pr\u00f3spero, um pa\u00eds em que ser filho de fulano ou sicrano n\u00e3o tenha qualquer import\u00e2ncia, em que as capacidades individuais de cada um, n\u00e3o tendo em conta a sua origem social, sejam valorizadas e fomentadas.<br \/>\nIsto, infelizmente, n\u00e3o acontece e se acontece, s\u00f3 raras vezes, pela simples raz\u00e3o de que somos um pa\u00eds de padrinhos. Quem sabe se esta tend\u00eancia n\u00e3o ter\u00e1 uma origem gen\u00e9tica!<br \/>\nAssim dum lado l\u00e1 temos os nossos ricos com os seus jip\u00f5es e mercedes e do outro os nossos pobres na sua luta existencial do dia a dia, com os seus c\u00e3es escanzelados.<br \/>\nO que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o mau, dir\u00e3o certos aristocratas, pois n\u00e3o \u00e9 verdade que o melhor amigo do homem \u00e9 o c\u00e3o?<\/p>\n<div align=\"right\"><b>Lu\u00eds Costa<\/b><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00e3s tristes &#8211; Tristes c\u00e3es! 2006-08-26 Volto de f\u00e9rias passadas na calma e laboriosa Branca, Albergaria. Trago comigo a nostalgia! N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a saudade daquela gente t\u00e3o boa e das paisagens impares, mas tamb\u00e9m aquela tristeza de premeio do latir dos c\u00e3es solit\u00e1rios e mendigos de carinho. 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