{"id":6117,"date":"2020-10-04T22:25:52","date_gmt":"2020-10-04T21:25:52","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=6117"},"modified":"2020-10-05T18:54:32","modified_gmt":"2020-10-05T17:54:32","slug":"reunificacao-alema-a-oportunidade-perdida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=6117","title":{"rendered":"REUNIFICA\u00c7\u00c3O ALEM\u00c3 &#8211; A OPORTUNIDADE PERDIDA"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Afirma\u00e7\u00e3o dos Polos contra a Transversalidade do Meio (Centro)<br \/>\n<\/strong><\/h4>\n<p>Por <strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Recordo com nostalgia a revolu\u00e7\u00e3o iniciada na noite de 3.10.1990 pelo povo da Alemanha socialista. Nesse dia (a sessenta Km da Alemanha socialista) senti a Europa e a R\u00fassia a pulsar num s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o.<\/strong> Nas ruas de Kassel, a abarrotarem de gente, sentia-se a euforia de desejos e esperan\u00e7as de povos a encontrar-se em abra\u00e7os; era a festa das fronteiras abertas, um mundo todo que se reunia num s\u00f3 abra\u00e7o! No ar misturava-se tamb\u00e9m um cheiro da gasolina dos Trabant (Trabis) com um borburinho de alegria e fraternidade que ressoava a humanidade.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Foi uma revolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, verdadeiramente socialista no sentido democr\u00e1tico (os de baixo a libertarem-se dos de cima).\u00a0 Socialistas corajosos acabaram com o socialismo de Estado. <\/strong><\/p>\n<p>A intrepidez de alguns, num sistema pol\u00edtico fechado (com uma Igreja aberta), apoiados pela luz de velas e ora\u00e7\u00f5es, possibilitaram a queda de um sistema armado at\u00e9 aos dentes. Michael Gorbatchov tornou poss\u00edvel o raiar de sol nesse dia. A RDA com o socialismo real passou \u00e0 Hist\u00f3ria.\u00a0 <strong>O socialismo perdeu e o capitalismo ganhou; e isto apesar de um e outro se encontrarem nas m\u00e3os dos alem\u00e3es!<\/strong><\/p>\n<p><strong>As duas Alemanhas re\u00fanem-se, mas a fenda continua na sociedade: enquanto a Alemanha ocidental buscava a reunifica\u00e7\u00e3o, a Alemanha oriental procurava liberdade e autodetermina\u00e7\u00e3o. <\/strong>O alem\u00e3o de leste sente-se privatizado e responsabilizado, experimentando a falta da solidariedade e da coes\u00e3o que a necessidade criara nele numa RDA onde faltava quase tudo. O povo que lutou pela liberdade sente-se levado na corrente do Marco.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o feita por um povo \u00e0 <strong>procura de liberdade foi rapidamente interrompida pelas c\u00fapulas socialistas e capitalistas que optaram sobretudo pela liberdade material renunciando em parte \u00e0 liberdade interior. O povo sente-se assim na banalidade do mal da luta normal do dia a dia. <\/strong>\u00c9 de admirar, por\u00e9m o \u00eaxito conseguido a n\u00edvel econ\u00f3mico pelo Estado alem\u00e3o, tendo conseguido, com as cont\u00ednuas transfer\u00eancias de grandes verbas de solidariedade para a Alemanha de Leste, um n\u00edvel de vida social equiparado nas duas zonas.<\/p>\n<p>A Alemanha, entre Oeste e Leste, no meio do Oriente e do Ocidente n\u00e3o optou por ser o meio dos polos (a intermedi\u00e1ria interpolar), preferiu continuar polar, adaptando o seu leste ao oeste (assimilando o polo socialista no capitalista). <strong>A Alemanha inteira perdeu assim a oportunidade de ser fiel culturalmente a si mesma<\/strong> <strong>(medianeira, transversal)<\/strong> <strong>e de se afirmar e \u00a0dar resposta \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica entre Leste e Oeste. (A posterior transfer\u00eancia da capital de Bona para Berlim \u2013 em direc\u00e7\u00e3o ao Leste &#8211; revela-se apenas como um tranquilizar da alma alem\u00e3 a n\u00edvel exterior do consciente). <\/strong><\/p>\n<p><strong>Em vez de conciliar os dois polos de maneira transversal, no sentido da inclus\u00e3o, da complementaridade, atrai\u00e7oa a sua voca\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de se reunir no meio, no centro dos polos (de unir a Europa com a R\u00fassia).<\/strong> Em vez disso assistiu-se, com a queda do muro de Berlim, ao acentuar-se da pol\u00edtica real (liberalismo econ\u00f3mico) em desfavor da pol\u00edtica ideal (unir a Europa \u00e0 R\u00fassia); optou-se pelo globalismo liberalista e consequentemente pelo acentuar-se do novo muro (cortina de ferro) em que se est\u00e1 a tornar a NATO. A Alemanha abdica assim de si mesma, da sua posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica interm\u00e9dia para apoiar a afirma\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o anglo-sax\u00f3nica no mundo. Abst\u00e9m-se da lideran\u00e7a pol\u00edtica para viver na ambival\u00eancia da materialidade socialista e capitalista.<\/p>\n<p>Mais explicitamente: <strong>A Alemanha que parecia ser chamada a tornar-se culturalmente a balan\u00e7a do Oriente e do Ocidente para equilibrar o movimento das for\u00e7as entre os dois polos (blocos) contraentes, desaproveitou a grande oportunidade que teve em 1990 de criar uma terceira via (a via do meio termo &#8211; interpolar), que teria sido poss\u00edvel atrav\u00e9s da uni\u00e3o do seu polo socialista (RDA- R\u00fassia) com o polo capitalista (BRD-Europa).<\/strong> <strong>Em vez disso a reunifica\u00e7\u00e3o<\/strong> <strong>fortaleceu a luta polar (via capitalista) num globalismo que se afirma tamb\u00e9m ele por princ\u00edpios dualistas de contradi\u00e7\u00e3o polar<\/strong>. Deste modo revigoram-se as for\u00e7as da masculinidade sobre as da feminilidade criando-se um desequil\u00edbrio cada vez maior entre o material e o espiritual, o afirmativo e o criativo (<strong>O ideal de uma vis\u00e3o trinit\u00e1ria da realidade cedeu, novamente \u00e0 luta dualista de afirma\u00e7\u00e3o das polaridades!<\/strong>). A mentalidade polar (de caracter masculino), expressa tanto no capitalismo como no socialismo, n\u00e3o deu lugar a uma reflex\u00e3o possibilitadora de uma mentalidade inclusiva e transversal centrada na criatividade e na transforma\u00e7\u00e3o com um substrato de motiva\u00e7\u00e3o espiritual. A reunifica\u00e7\u00e3o da Alemanha oriental com a ocidental tornou-se por um lado num projecto de sucesso econ\u00f3mico e por outro numa trai\u00e7\u00e3o \u00e0 Alemanha no seu todo, no \u00e2mbito de uma poss\u00edvel miss\u00e3o cultural hist\u00f3rica.<\/p>\n<p><strong>Vive na ambival\u00eancia entre ocidente e oriente numa tens\u00e3o entre esp\u00edrito e mat\u00e9ria que practicamente se expressa<\/strong> <strong>na continua\u00e7\u00e3o da politiza\u00e7\u00e3o da narrativa socialista e da narrativa capitalista.<\/strong><\/p>\n<p>Nos novos desafios, Covid-19, globaliza\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, migra\u00e7\u00e3o, o medo parece tornar-se senhor de uns e meio de dom\u00ednio para outros.<\/p>\n<p>Precisamos de pontes que unam e n\u00e3o muros que separem. Esperam-se sempre os filhos da unidade e depara-se com os irm\u00e3os da divis\u00e3o: mat\u00e9ria\/esp\u00edrito, capitalismo\/socialismo.<\/p>\n<p>Uma li\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria fica na nossa lembran\u00e7a: <strong>Nem fascismo nem comunismo!<\/strong> <strong>S\u00f3 a liberdade e a autodetermina\u00e7\u00e3o tornam o futuro poss\u00edvel!<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e Pedagogo<\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Afirma\u00e7\u00e3o dos Polos contra a Transversalidade do Meio (Centro) Por Ant\u00f3nio Justo Recordo com nostalgia a revolu\u00e7\u00e3o iniciada na noite de 3.10.1990 pelo povo da Alemanha socialista. Nesse dia (a sessenta Km da Alemanha socialista) senti a Europa e a R\u00fassia a pulsar num s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o. 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