{"id":5953,"date":"2020-06-15T19:34:33","date_gmt":"2020-06-15T18:34:33","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5953"},"modified":"2020-06-15T19:34:33","modified_gmt":"2020-06-15T18:34:33","slug":"a-raiva-desce-a-rua-e-a-inquisicao-ideologica-afirma-se","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5953","title":{"rendered":"A RAIVA DESCE \u00c0 RUA E A INQUISI\u00c7\u00c3O IDEOL\u00d3GICA AFIRMA-SE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>O Desfio a uma Cultura irrefletida e enfraquecida possibilita a Anarquia<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c0 era p\u00f3s-colonial segue-se a era do globalismo, com a forma\u00e7\u00e3o de novas estruturas de poder no mundo. O socialismo e o capitalismo encontram-se em luta rival pela supremacia. Hoje, como no passado, as pessoas est\u00e3o a ser alinhadas em fileiras rivais. Nem uma amnistia do colonialismo nem a prefer\u00eancia pelo dom\u00ednio capitalista ou pelo dom\u00ednio marxista do mundo podem legitimar a opress\u00e3o de pessoas nem a continua\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia como meio de se construir futuro.<\/strong><\/p>\n<p>A est\u00e1tua de Crist\u00f3v\u00e3o Colombo foi \u201cafogada\u201d na Virg\u00ednia (USA), a est\u00e1tua de Churchill foi entabuada em Londres, a est\u00e1tua do Gil (mascote da Expo 98) em Lisboa foi derrubada, a est\u00e1tua do Pe Ant\u00f3nio Vieira em Lisboa foi vandalizada; tudo isto acontece numa onda de f\u00faria a debater-se nas pra\u00e7as p\u00fablicas do mundo ocidental num cen\u00e1rio contrarracismo e contra a discrimina\u00e7\u00e3o. <strong>Se n\u00e3o fosse a bandeira antirracista, o accionismo destrutivo desta onda apenas patentearia uma rebaldaria de ocidentais contra ocidentais.<\/strong> <strong>Antirracismo t\u00e3o fundamentalista \u00e9 de ser qualificado na mesma categoria daqueles que diz combater.<\/strong><\/p>\n<p>Os novos b\u00e1rbaros derrubam est\u00e1tuas para se colocarem nos seus pedestais, conscientes da fraqueza e incongru\u00eancias dos sistemas que nos regem e que d\u00e3o continuidade, de maneira mais velada, a velhas discrimina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 verdade que algumas est\u00e1tuas n\u00e3o merecem estar num pedestal, mas tamb\u00e9m elas, sem pedestal, poderiam testemunhar as partes fracas de tempos e povos na sua express\u00e3o hist\u00f3rica. <\/strong><\/p>\n<p>Submeter mentalidades de tempos passados ao crivo do esp\u00edrito do tempo atual, com a agravante de se usar uma atitude de \u00e2nimo igual (preconceito) \u00e0 que se condena, torna-se rid\u00edculo e contraprodutivo. <strong>Pelos vistos, a perspectiva hist\u00f3rica deve ser substitu\u00edda pela atual inquisi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica.<\/strong><\/p>\n<p>O racismo e a opress\u00e3o continuam hoje como ontem presentes s\u00f3 que de maneira por vezes mais sofisticada (Como o Homem \u00e9 feito dele mesmo e das suas circunst\u00e2ncias o mesmo homem continua s\u00f3 variando nas suas circunst\u00e2ncias\u2026). Hoje expressa-se mais a superficialidade da pra\u00e7a dado muitos pensadores serem tentados a andarem atr\u00e1s dela<strong>. Seria \u00f3bvio analisar-se, com bonomia, os valores e contravalores de uma \u00e9poca passada para melhor se poder conseguir os pressupostos para compreender a medida dos valores e contravalores da \u00e9poca atual, doutro modo perdemo-nos no processo de roda de hamster de tese e ant\u00edtese sem a possibilidade de mudar a atitude nem de mudar de sentido.<\/strong>\u00a0 Com a inten\u00e7\u00e3o de mudar o presente quer-se at\u00e9 acabar com o que a hist\u00f3ria nos tem para dizer e ensinar sobre o passado; em vez disso prefere-se dar continuidade aos erros do passado no presente. O objectivo em via n\u00e3o \u00e9 acabar com a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, o que se quer \u00e9 acabar com a Hist\u00f3ria como se quer acabar com a natureza para se \u00a0instalar uma cultura materialista marxista e para isso construir uma mentalidade negativa construtora de um presente sem mem\u00f3ria e sem futuro.<\/p>\n<p>Em \u00e9pocas anteriores assistia-se <strong>\u00e0 guerra ideol\u00f3gica do proletariado anti patr\u00e3o,<\/strong> que evoluiu para um proletariado anti cultura.\u00a0 As redes das ONGs da ideologia parecem funcionar segundo o mesmo esquema que se observou nas rea\u00e7\u00f5es em torno das mesquitas do mundo \u00e1rabe nos protestos contra as caricaturas de Maom\u00e9. Ativistas incultos movimentados pelo instinto destrutivo de agress\u00e3o, j\u00e1 sem povoados nem casas para assaltar, (os novos b\u00e1rbaros) tentam apagar os vest\u00edgios da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental no que ela tem de bem e de mal. Em jogo, tal como em passadas estruturas de poder, n\u00e3o est\u00e1 o bem das massas mas o dos seus lideres e de suas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Ideologias n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o instrumentos do poder, elas s\u00e3o tamb\u00e9m meios para chegar a ele<\/strong>. <strong>Por isso o centro da sociedade n\u00e3o se pode ficar em lamentar os extremismos.<\/strong> <strong>Enquanto a democracia vive do compromisso, os extremismos vivem de roturas e do contra pelo contra, aquilo que engrossa o extremismo de uma esquerda que em termos de poder se revela conformista<\/strong> (Veja-se a ditadura comunista chinesa: a raz\u00e3o n\u00e3o segue a moral, a moral segue a economia). <strong>Esta ser\u00e1 uma luta da esquerda para a esquerda enquanto os antirracistas do centro direita n\u00e3o se declararem expressamente antirracistas em vez de se limitarem a condenar os excessos.<\/strong><\/p>\n<p>De repente encontramo-nos numa situa\u00e7\u00e3o do tudo vale e\u00a0 \u201cTudo o Vento Levou\u201d em que poderes an\u00f3nimos determinam, com muitos Z\u00e9s-Pereiras da comunica\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 permitido e o que \u00e9 proibido em massas sem cabe\u00e7a onde o medo e a ignor\u00e2ncia se tornam em reguladores da coisa p\u00fablica. Isto que agora vemos por todo o lado j\u00e1 foi praticado em Portugal com a Revolu\u00e7\u00e3o, s\u00f3 que ningu\u00e9m fala disso, porque s\u00e3o os mesmos actores.<\/p>\n<p><strong>Os novos b\u00e1rbaros <\/strong>(soldados activistas) n\u00e3o encontram resist\u00eancia por parte dos Governos e, na sua luta, est\u00e3o conscientes que\u00a0 se assenhoreiam de governos, universidades e povo porque deparam, quando muito, com uma resist\u00eancia envergonhada e s\u00f3 balofa na express\u00e3o; por isso \u00a0podem contar at\u00e9 com apoio nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, que chegam, por vezes, a funcionar como Z\u00e9s-Pereiras, a acompanhar o ritmo dos instintos populares poupando no rigor e no investimento jornal\u00edstico. <strong>O patrim\u00f3nio coletivo \u00e9 colocado a leil\u00e3o e a pol\u00edtica, por interesse, medo ou cinismo, cala numa de assistir ao passar da enxurrada.<\/strong>\u00a0 <strong>A cultura da viol\u00eancia e a desordem v\u00e3o-se tornado num neg\u00f3cio tamb\u00e9m para as TVs, etc<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cada \u00e9poca precisa das suas ideologias como moletas de identidades para menos fortes e como meios para servirem o poder estabelecido ou a estabelecer.<\/strong> Cada \u00e9poca tem o seu Zeitgeist; importante \u00e9 que haja suficientes for\u00e7as relevantes que ousem dar-se conta disso. A complexidade da vida social e pol\u00edtica \u00e9 demasiadamente dif\u00edcil e o geral do cidad\u00e3o anda t\u00e3o ocupado e com tantas coisas que chega a perder-se nelas.<\/p>\n<p><strong>Estas ondas que se propagam como inc\u00eandios por todo o mundo ocidental t\u00eam m\u00e9todo e sistema; s\u00e3o reac\u00e7\u00f5es de um incauto proletariado cultural ao servi\u00e7o de agendas e ideologias que eles pr\u00f3prios desconhecem. <\/strong>H\u00e1 muita gente interessada no caos e na desconstru\u00e7\u00e3o da cultura ocidental. Por isso se encontram t\u00e3o <strong>activos s\u00f3 no Ocidente<\/strong> marimbando-se para o que acontece noutras culturas onde a opress\u00e3o (colonialismo interno e externo), a explora\u00e7\u00e3o e a discrimina\u00e7\u00e3o bradam aos c\u00e9us!<\/p>\n<p><strong>A interpreta\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o dos actos sociais t\u00eam a ver com a mundivis\u00e3o do interpretador que os ordena e justifica na sua determinada l\u00f3gica; no meio de tudo isto encontra-se o poder que consolida uma ou outra interpreta\u00e7\u00e3o que as massas seguem durante um circunstanciado tempo. <\/strong><\/p>\n<p>Ao lado da viol\u00eancia da rua existe a dos sistemas; aquela a que assistimos \u00e9 sist\u00e9mica e o povo contenta-se a abanar a cabe\u00e7a julgando que se trata apenas de pessoas desmioladas um pouco estimuladas por agress\u00f5es acumuladas durante o reinado de Dom Covid-19.<strong> As massas s\u00e3o levadas hoje por uma opini\u00e3o p\u00fablica que louva como anti-heroi George Floyd brutalmente assassinado aos olhos do p\u00fablico como ontem foi levada a louvar indecorosamente a morte sacana em directo de Kadafi e de Saddam Hussein. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Um sistema derruba o outro, e ao afirmar-se o povo bate palmas e tudo em nome da justi\u00e7a. Nos USA onde povo e pol\u00edcia se encontram armados at\u00e9 aos dentes a heran\u00e7a racista cultivada s\u00f3 poder\u00e1 ser superada mediante uma mudan\u00e7a de consci\u00eancia pronta a erguer-se contra o rearmamento policial e, pronta a atuar preventivamente, investir nas causas sociais.<\/strong><\/p>\n<p>O extremismo e fundamentalismo costumam andar de m\u00e3os juntas.<\/p>\n<p><strong>Nem o \u00f3dio \u00e0 esquerda nem o \u00f3dio \u00e0 direita justificam a toler\u00e2ncia do racismo e da opress\u00e3o. O \u00f3dio desliga a raz\u00e3o e a intelig\u00eancia, quer de pensantes \u00e0 esquerda quer \u00e0 direita. O problema intensifica-se quando \u00e9 posto a funcionar ao servi\u00e7o de partidos e mundivis\u00f5es!<\/strong> \u00c9 leg\u00edtimo ter uma opini\u00e3o, mas sem ser necessariamente intolerante com pessoas que t\u00eam um pensar diferente.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Desfio a uma Cultura irrefletida e enfraquecida possibilita a Anarquia Ant\u00f3nio Justo \u00c0 era p\u00f3s-colonial segue-se a era do globalismo, com a forma\u00e7\u00e3o de novas estruturas de poder no mundo. O socialismo e o capitalismo encontram-se em luta rival pela supremacia. 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