{"id":5592,"date":"2019-08-16T10:26:13","date_gmt":"2019-08-16T09:26:13","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5592"},"modified":"2019-08-16T13:29:33","modified_gmt":"2019-08-16T12:29:33","slug":"das-mulheres-na-sociedade-e-na-igreja-e-dos-usos-e-costumes-que-as-oprimem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5592","title":{"rendered":"DAS MULHERES NA SOCIEDADE E NA IGREJA E DOS USOS E COSTUMES QUE AS OPRIMEM"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">A Igreja tem uma Face feminina ainda escondida<\/h2>\n<p><strong>Por Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>Nas sociedades isl\u00e2micas os valores culturais sobrep\u00f5em-se aos direitos humanos individuais e o homem tem um estatuto superior ao da mulher. Na sociedade ocidental embora haja igualdade de dignidade e de direitos, na pr\u00e1tica social h\u00e1 discrimina\u00e7\u00e3o; tamb\u00e9m no catolicismo n\u00e3o se aceitam mulheres no clero pelo facto de serem mulheres.<\/p>\n<p>Na controv\u00e9rsia sobre a integra\u00e7\u00e3o das mulheres no clero, o Papa Francisco pretende dar um passo qualitativo no sentido de lhes possibilitar a sagra\u00e7\u00e3o, mas sofre oposi\u00e7\u00e3o por parte de ultraconservadores na igreja e \u00e9 at\u00e9 difamado por grupos pol\u00edticos que fazem campanhas contra ele por temerem a sua influ\u00eancia em v\u00e1rios campos sociais.<\/p>\n<p>O obst\u00e1culo maior \u00e0 inclus\u00e3o das mulheres no clero tem sido o argumento da tradi\u00e7\u00e3o. O mais importante, por\u00e9m, a registar para atenuar um tradicionalismo exagerado vem da mensagem libertadora de Jesus e do facto de ter havido mulheres disc\u00edpulas de Jesus, e suas provadas fun\u00e7\u00f5es na igreja primitiva. S\u00f3 com o tempo foram impedidas de ocuparem fun\u00e7\u00f5es de direc\u00e7\u00e3o nas comunidades.<\/p>\n<p>A matriz sociol\u00f3gica masculina antes implantada pelo nomadismo e depois pela situa\u00e7\u00e3o b\u00e9lica dos povos de outrora valorizavam o papel do homem de modo a conduzirem \u00e0 marginaliza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das mulheres (\u00e0 segrega\u00e7\u00e3o da feminilidade).<strong> Seguindo o esp\u00edrito da sociedade (Zeitgeist) tamb\u00e9m na Igreja a ac\u00e7\u00e3o das mulheres, como disc\u00edpulas de Jesus e como orientadoras de comunidades, foi deitada ao esquecimento para mais facilmente se poder justificar a viol\u00eancia do poder da masculinidade (economia, pol\u00edtica e religi\u00e3o d\u00e3o-se as m\u00e3os). Chega at\u00e9 a ser cultivada a desconstru\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica da imagem de Madalena, a\u201d ap\u00f3stola dos ap\u00f3stolos<\/strong>\u201d, de maneira a ser interpretada e adaptada \u00e0 ordem social e ao esp\u00edrito de cada \u00e9poca segundo a norma masculina vigente.<\/p>\n<p><strong>Tanto a exclus\u00e3o das mulheres do minist\u00e9rio sacerdotal como a determina\u00e7\u00e3o do celibato obrigat\u00f3rio para todos os padres, t\u00eam como pano de fundo interesses estrat\u00e9gicos do poder institucional masculino (tamb\u00e9m uma consequ\u00eancia l\u00f3gica do Constantinismo, mas de n\u00e3o menosprezar o contraponto da \u201cfeliz culpa\u201d que tem como consequ\u00eancia a globaliza\u00e7\u00e3o da cristandade!).<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 crist\u00e3mente tr\u00e1gico constatar-se nesta religi\u00e3o libertadora, como nela, ao longo da Hist\u00f3ria, a mulher e mulheres conscientes e fortes foram impedidas de afirmar a feminilidade em fun\u00e7\u00f5es de poder na Igreja petrina. A Igreja tamb\u00e9m tem uma face exterior feminina, mas na controv\u00e9rsia teol\u00f3gica esta tarda a ser reconhecida. Pelos vistos apesar da raz\u00e3o, o poder \u00e9 o \u00faltimo a ceder!<\/p>\n<p>Maria de Magdala (a Madalena com hist\u00f3rias populares virados para a lenda e para a sua desconstru\u00e7\u00e3o moral atrav\u00e9s do resumo nela de outras Marias seguidoras de Jesus) esteve presente em todos os momentos decisivos da vida de Jesus. O grupo das mulheres (disc\u00edpulas) mostrou-se, no seguimento e an\u00fancio de Jesus, mais arrojado que o dos homens.<\/p>\n<p><strong>No epis\u00f3dio das irm\u00e3s Marta e Maria ( (Jo\u00e3o 11:1-45 ) Jesus louva Maria por se querer instruir na miss\u00e3o de disc\u00edpula e admoesta Marta por ainda se encontrar demasiadamente presa ao papel caseiro atribu\u00eddo \u00e0 mulher<\/strong>. <strong>Maria (Madalena), mulher consciente e forte, n\u00e3o se deixou limitar \u00e0s fun\u00e7\u00f5es caseiras para se preparar para o apostolado ativo, seguindo Jesus, com a mesma atitude dos homens. Jesus confirma Maria na sua voca\u00e7\u00e3o de ap\u00f3stola dizendo: \u201cMaria escolheu a melhor parte e esta n\u00e3o lhe ser\u00e1 tirada\u201d. Os tradicionalistas que defendiam o papel de Marta para a mulher na sociedade, conseguiram, contudo, que a tradi\u00e7\u00e3o e a for\u00e7a do h\u00e1bito dos costumes dominassem sobre a mensagem evang\u00e9lica de liberta\u00e7\u00e3o. <\/strong>O \u00c9dito de Constantino, ao reconhecer a oficialidade do cristianismo, fez o resto.<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m Hip\u00f3lito de Roma (170-236) testemunha que Madalena era a \u201cap\u00f3stola dos ap\u00f3stolos\u201d (Jo\u00e3o 20:17); dignidade esta que o Papa Francisco reconhece, na sua qualidade de disc\u00edpula de Jesus, mas a que falta o reconhecimento na pr\u00e1tica atrav\u00e9s da atribui\u00e7\u00e3o do inerente minist\u00e9rio sacerdotal tamb\u00e9m a mulheres (De facto seria pobre uma Igreja de homens que s\u00f3 manifestasse admira\u00e7\u00e3o e louvor pelas mulheres).<\/strong><\/p>\n<p>Grande \u00e9 a multid\u00e3o de mulheres relevantes na Hist\u00f3ria da Igreja (1). O esp\u00edrito do tempo tinha uma percep\u00e7\u00e3o androc\u00eantrica da realidade que era vista na perspectiva dos homens e das suas atividades. \u00c9 natural que a nossa percep\u00e7\u00e3o seja sempre autobiogr\u00e1fica e circunstancial pelo que, tamb\u00e9m os te\u00f3logos n\u00e3o escaparam \u00e0 realidade ambiental que os circundava e mais n\u00e3o fizeram que interpretar os escritos e a realidade da igreja primitiva segundo a sua condicionada observa\u00e7\u00e3o que levava a uma interpreta\u00e7\u00e3o dos factos considerada real.<\/p>\n<p><strong>O exegeta Bernhard Heininger refere que (2) \u00a0\u201cum quarto de todos os colaboradores de Paulo nomeados no Novo Testamento s\u00e3o mulheres\u201d. Na sua opini\u00e3o, a prescri\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio na Primeira Carta aos Cor\u00edntios \u00e9 uma interpola\u00e7\u00e3o p\u00f3s-paulina e encontra-se em contradi\u00e7\u00e3o com outras afirma\u00e7\u00f5es de Paulo. <\/strong>Uma teologia demasiadamente masculinizada apoiava-se em cartas pastorais de Paulo, que segundo exegetas n\u00e3o proviriam dele. \u00c9 interessante a observa\u00e7\u00e3o de que Paulo, na carta aos Cor\u00edntios, permitia o div\u00f3rcio a mulheres no caso de os maridos n\u00e3o estarem de acordo com o empenho das mulheres na comunidade.<\/p>\n<p><strong>A ap\u00f3stola Febe, que presidia \u00e0<\/strong> <strong>comunidade dom\u00e9stica de<\/strong> <strong>Cencreia \u00e9 referida por Paulo com o t\u00edtulo de di\u00e1cono.\u00a0 Paulo trata-a como irm\u00e3 e refere tamb\u00e9m que \u00c1quila e Prisca eram muito activas na comunidade de Corinto e Roma.<\/strong> <strong>Paulo diz que conheceu o Messias atrav\u00e9s de Prisca<\/strong>. Tamb\u00e9m L\u00eddia era a chefe de um grupo de mulheres (Atos dos Ap\u00f3stolos, 16) e tamb\u00e9m Tabita propagava a f\u00e9 no messias. No \u00faltimo cap\u00edtulo da Carta aos Romanos, o ap\u00f3stolo Paulo pede para saudar o casal Andr\u00f3nico e J\u00fanias, que \u201cestiveram comigo na pris\u00e3o, s\u00e3o ap\u00f3stolos respeitados que confessaram Cristo antes de mim&#8221;.<\/p>\n<p><strong>A respeito de J\u00fania, Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo (344-407 d.C) escreveu: \u201cQu\u00e3o grande deve ter sido a sabedoria desta mulher que foi achada digna do t\u00edtulo de Ap\u00f3stola&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Em Roma, o acesso aos aposentos das mulheres era proibido aos homens, por isso s\u00f3 as mulheres podiam ter sido anunciadoras do Evangelho. A ci\u00eancia b\u00edblica tem de investigar mais para colocar o papel das mulheres a uma nova luz no sentido de uma tradi\u00e7\u00e3o mais esclarecedora e justa. Urge dar o exemplo para continuar na vanguarda da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>H\u00e1 filmes feitos por homens, na tradi\u00e7\u00e3o da masculinidade, que reduzem Maria Madalena a uma companheira afectiva de Jesus ou a uma sedutora, para assim corroborarem as comuns imagens de mulher em fun\u00e7\u00e3o de uma sociedade de poder masculino adverso \u00e0 feminilidade\/espiritualidade. <strong>Tamb\u00e9m \u00e9 de compreender que muitos te\u00f3logos ao longo da Hist\u00f3ria seguissem os mesmos par\u00e2metros de cariz masculina porque, envolvidos no Zeitgeist e nas estruturas de poder, certamente, n\u00e3o se encontravam suficientemente livres nem iluminados pela mensagem libertadora do evangelho; a luz do Zeitgeist era mais forte; assim interpretavam as atividades das disc\u00edpulas de Jesus orientados pelo molde expresso pelos usos e costumes das respectivas \u00e9pocas, que reduzia a imagem da mulher a uma miss\u00e3o subsidi\u00e1ria e a uma posi\u00e7\u00e3o social de auxiliar.\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>Custava a uma sociedade patriarcal compreender o facto de o testemunho da ressurrei\u00e7\u00e3o ter sido feito por mulheres. Como poderia Deus ter confiado tal miss\u00e3o a Madalena (3) e n\u00e3o a Pedro? A incultura\u00e7\u00e3o da mensagem crist\u00e3 \u00e9 leg\u00edtima, mas se se fica por a\u00ed emperra-se o andar da Hist\u00f3ria e limita-se a mensagem evang\u00e9lica ao crivo de tradi\u00e7\u00f5es e correspondentes argumentos de car\u00e1ter oportuno que provocam a discrimina\u00e7\u00e3o da mulher atrav\u00e9s do limite de fun\u00e7\u00f5es. A figura de Teresa de \u00c1vila (1515) mostra-nos como uma mulher previa o desenvolvimento que hoje estamos a tentar concretizar (4).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no sec. XVI \u00a0\u00a0(5) Maria Ward afirmava que <strong>a diferen\u00e7a entre mulher e homem n\u00e3o \u00e9 tanta como \u00e9 feita. O que vale \u201cn\u00e3o \u00e9 a verdade do homem (veritas hominum) ou a verdade das mulheres, mas sim a verdade do Senhor (veritas domini Jesus). Quando falhamos, vem da falta de verdade e n\u00e3o de sermos mulheres&#8230;<\/strong> <strong>Espero em Deus que vejamos que as mulheres far\u00e3o muito no tempo que vir\u00e1&#8221;(<\/strong>6). (Pelos vistos a voz de Deus tem sido dificultada em ser ouvida no sentido das mulheres!).<\/p>\n<p>Muitos movimentos feministas n\u00e3o respondem \u00e0 realidade da Mulher integral feita de feminilidade e masculinidade; fixam-se apenas nas quest\u00f5es funcionais e de sexo, talvez, na sua luta, n\u00e3o conscientes de que est\u00e3o servindo o pensamento e o modelo patriarcal (parte da luta pode ser vista como resposta, mas n\u00e3o como solu\u00e7\u00e3o). N\u00e3o chega ter em mira apenas a igualdade de oportunidades de mulheres e homens, mas tamb\u00e9m os valores ou princ\u00edpios que t\u00eam determinado o modelo de sociedade vigente ao orientar-se apenas pelo princ\u00edpio\/energia da masculinidade ignorando o princ\u00edpio\/energia feminilidade que tem de ser tamb\u00e9m constitutivo da realidade social e individual (independentemente do ser existencial homem ou mulher), se \u00e9 que queremos uma sociedade mais pac\u00edfica e mais justa.<\/p>\n<p><strong>Em todas as sociedades e ide\u00e1rios dominantes no mundo ainda se nota um medo inibidor perante as mulheres devido, certamente, a um temor cultural transmitido e adquirido; este temor, aliado a uma certa fraqueza natural passou ao inconsciente social criando no homem a ideia imperceptivel de que se n\u00e3o conseguir \u201cdomesticar\u201d a mulher, sentir-se-\u00e1 inseguro e perdido; como resposta a esse medo o homem e com ele a sociedade \u2013 constru\u00edda sobre as bases do princ\u00edpio da masculinidade &#8211; \u00a0t\u00eam constru\u00eddo estrat\u00e9gias culturais de opress\u00e3o \u00a0que, no fundo, t\u00eam como objetivo defender o homem da concorr\u00eancia do outro homem<\/strong> ( este medo dela encontra-se especialmente expresso no isl\u00e3o que subjuga a mulher de maneira proporcional ao medo e ao instinto de dom\u00ednio). Uma coisa \u00e9 certa, apesar da agressividade da masculinidade hodierna (uma crise de machismo) delineia-se j\u00e1 no horizonte a descoberta do princ\u00edpio da feminilidade como solu\u00e7\u00e3o para o alvorar de uma nova sociedade. Delas, as mulheres, como express\u00e3o mais manifesta do princ\u00edpio da feminilidade, ter\u00e3o um grande papel numa revolu\u00e7\u00e3o do isl\u00e3o e numa renova\u00e7\u00e3o fundamental da sociedade ocidental, a come\u00e7ar pela Igreja. As mulheres que se encontram na cena pol\u00edtica ainda n\u00e3o podem funcionar como exemplo integral porque se encontram empenhadas na continua\u00e7\u00e3o da sociedade de matriz baseada no princ\u00edpio da masculinidade. Como se dedicam apenas em aplicar as modalidades ditadas melo modelo pol\u00edtico vigente apenas preparam os caminhos para a continua\u00e7\u00e3o de uma concorr\u00eancia mais equilibrada entre mulheres e homens; de resto, nesta situa\u00e7\u00e3o o princ\u00edpio da feminilidade ainda \u00e9 mais menorizado porque em vez de se partir do aspecto org\u00e2nico e integral continua-se a servir apenas a funcionalidade (a parte exterior, n\u00e3o se passando da fenomenologia adiante)!<\/p>\n<p>J\u00e1 foi dito muito sobre a subjuga\u00e7\u00e3o da mulher, mas ainda n\u00e3o \u00e9 visto nem reconhecido por todos. O que mais me legitima a tratar do tema \u00e9 a feminilidade que fala tamb\u00e9m em mim e o desejo de fomentar a concretiza\u00e7\u00e3o do reconhecimento da masculinidade e da feminilidade tal como se encontra realizada no prot\u00f3tipo Jesus Cristo a n\u00edvel humano e c\u00f3smico.<\/p>\n<p><strong>Uma igreja universal inclui necessariamente nela o princ\u00edpio da masculinidade e da feminilidade, sendo por isso uma igreja (petrina e joanina) dos homens e das mulheres, e, como tal, n\u00e3o poder\u00e1 deixar-se levar pela acentua\u00e71bo, no seu agir por meros crit\u00e9rios de incultura\u00e7\u00e3o; de facto quer os diversos quer os mesmos dons, se encontrarem simultaneamente quer na express\u00e3o masculina quer feminina.<\/strong> <strong>O todo \u00e9 mais que a parte. Precisamos de todos, de homens e mulheres de ortodoxias e de ortopraxias num mundo mais aberto e ainda a fazer-se.<\/strong><\/p>\n<p>No fim de ter escrito este artigo e ao rel\u00ea-lo notei como sou tamb\u00e9m dominado pela matriz da masculinidade. De facto, notaram os eleitores a maneira como procurei convencer, convencer \u00e0 maneira masculina nomeando autoridades como se n\u00e3o chegasse a f\u00e9, a raz\u00e3o e o entusiasmo por Jesus Cristo e a sua boa nova de liberta\u00e7\u00e3o como argumento para se verem as coisas (isto \u00e9 naturalmente ainda toler\u00e1vel num per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o da pura masculinidade para uma equilibrada sociedade em que quer o princ\u00edpio da feminilidade e o da masculinidade se harmonizem!).<\/p>\n<p>Ontem 15 de Agosto comemorou-se a Assun\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora; certamente uma data e uma comemora\u00e7\u00e3o apontar para uma realidade importante. Mas quando come\u00e7aremos n\u00f3s a olhar tamb\u00e9m um pouco mais para a Terra? Porque n\u00e3o se passa, na Igreja, a criar a possibilidade de mulheres tamb\u00e9m fazerem parte do clero?<\/p>\n<p><strong>Por vezes chega-se a ter a impress\u00e3o que tanto louvor a Nossa Senhora e a santas se pode tornar num perigo de um deslouvor (impedir honras e cargos) das mulheres na Terra, impedindo-as de ascender ao sacerd\u00f3cio jer\u00e1rquico. A feminilidade e a masculinidade n\u00e3o se reduzem ao sexo; as duas energias pertencem juntas! Seria oportuno olhar para o C\u00e9u sem esquecer a Terra; doutra maneira continuaremos a praticar a vis\u00e3o antiga do Olimpo l\u00e1 em cima para alguns e o Sheol para os enlameados terr\u00e1queos.<\/strong><\/p>\n<p>Vai sendo tempo de se abandonar uma praxis baseada na ambival\u00eancia de pap\u00e9is! Padres e pessoas com cargos de responsabilidade nas bases come\u00e7arem a trabalhar pastoralmente mais em conjunto com freiras, mulheres exemplares num esp\u00edrito colegial de reparti\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o de evangelizar sem medo de escandalizar pois s\u00f3 assim se consegue, numa comunh\u00e3o sacerdotal participada no Esp\u00edrito Santo, progredir no an\u00fancio e pr\u00e1tica do Evangelho que \u00e9 promessa de bem para toda a humanidade. Talvez assim se fossem destruindo barreiras.<\/p>\n<p><strong>De facto, vivemos num mundo onde, se n\u00e3o fosse o erro, n\u00e3o se avan\u00e7aria!<\/strong> \u00a0Por isso, numa nova mentalidade a criar-se n\u00e3o h\u00e1 culpas nem censuras a distribuir a este ou \u00e0quele. A miss\u00e3o \u00e9 grande: temos mais que indica\u00e7\u00f5es suficientes para continuarmos a tradi\u00e7\u00e3o de errar para podermos avan\u00e7ar; importante \u00e9 criar espa\u00e7o em cada um para que a mensagem e o chamamento possam ser ouvido. Cristo n\u00e3o nos pediu para andarmos por caminhos seguros, ele disse que era o caminho e, para o seguir, \u00e9 necess\u00e1rio ter a coragem de se andar sobre as \u00e1guas sem o medo de sucumbir!<\/p>\n<p>\u00c9 tr\u00e1gico, que a Igreja que deu tanto \u00e0 humanidade e tem tanto para dar, perante tanto medo de errar, perca muitas vezes o comboio da Hist\u00f3ria, ficando demasiado tempo nos apeadeiros de uma moralidade sexual descontextuada; no caso \u00e9 fat\u00eddico para a mulher, no sentido do desenvolvimento da sociedade e da ecl\u00e9sia santa. Os factores \u201csexo\u201d e \u201cmedo\u201d foram sempre instrumentos privilegiados usados pelas potestades na intens\u00e3o de manter os pretendidos s\u00fabditos de maneira sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Olhemos para as mensagens religiosas e para os mitos, eles j\u00e1 nos disseram tudo, o problema \u00e9 que a sua mensagem ainda n\u00e3o chegou a todo o lado!<\/strong><\/p>\n<p>No sentido eclesial o poder n\u00e3o pode continuar a ser unilateralmente ligado ao homem e ainda por cima de forma sacralizada (Clero). Como mensagem evang\u00e9lica e eclesial estamos \u00e0 frente do mundo, n\u00e3o h\u00e1 nada que justifique andar atr\u00e1s dele! H\u00e1 que criar uma nova pedagogia e fomentar as capacidades da feminilidade\/espiritualidade e o desenvolvimento da personalidade ainda antes da transmiss\u00e3o de saberes. Urge uma nova educa\u00e7\u00e3o baseada nos princ\u00edpios da feminilidade e da masculinidade e n\u00e3o uma focaliza\u00e7\u00e3o nas suas exterioridades no sexo masculino e sexo feminino.<\/p>\n<p>Mulheres ligadas \u00e0 Igreja, devem preparar-se e apostar mais no estudo da filosofia, da teologia e da administra\u00e7\u00e3o institucional. <strong>As universidades cat\u00f3licas, institui\u00e7\u00f5es eclesiais e at\u00e9 cargos nos col\u00e9gios episcopais esperam por v\u00f3s; as freiras deveriam prestar aqui uma especial aten\u00e7\u00e3o, doutro modo uma masculinidade desequilibrada continuar\u00e1 a adiar o futuro com o argumento que a mulher n\u00e3o est\u00e1 preparada; <\/strong>a aurora de novos tempos j\u00e1 se faz sentir: preparai-vos para assumir fun\u00e7\u00f5es sacerdotais.<\/p>\n<p>(Este artigo faz parte de um livro sobre masculinidade e feminilidade que h\u00e1 anos espera por ser dado a lume)<\/p>\n<p><strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e Pedagogo<\/p>\n<p>In \u201cPegadas do Tempo\u201d<\/p>\n<ul>\n<li>(1) Al\u00e9m das mulheres da igreja primitiva, temos mulheres de grande relevo, entre outras, Hildegard de Bingen (1098), Klara de Assis ( 1194), Birgitta da Su\u00e9cia ( 1303) , Elisabete da Turingia (1207), Catarina de Siena (1347-1380), Catarina de Bora (1499), Teresa de \u00c1vila (1515), Maria Ward (1585) ;Rosa de Lima (1586-1617); Teresa de Lisieux (1873-1897), Edith Stein (1891-1942), Teresa Benedicta da Cruz, Madre Teresa (1910-1997), etc.: <a href=\"https:\/\/geboren.am\/themen\/religion\/frauen\">https:\/\/geboren.am\/themen\/religion\/frauen<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.deutschlandfunk.de\/frauen-in-der-kirche-prophetinnen-juengerinnen-apostelinnen.886.de.html?dram:article_id=272966\">(2) https:\/\/www.deutschlandfunk.de\/frauen-in-der-kirche-prophetinnen-juengerinnen-apostelinnen.886.de.html?dram:article_id=272966<\/a><\/li>\n<li>(3) Diaconisas: <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3574\">https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3574<\/a> Madalena assume a miss\u00e3o de coroar: <a href=\"http:\/\/www.triplov.com\/letras\/Antonio-Justo\/2011\/semana_santa.htm\">http:\/\/www.triplov.com\/letras\/Antonio-Justo\/2011\/semana_santa.htm<\/a> Ap\u00f3stola dos Ap\u00f3stolos: <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3791\">https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3791<\/a><\/li>\n<li>(4) UM ROSTO FEMININO EXCEPCIONAL MOLDA O MUNDO NOVO &#8211; TERESA DE \u00c1VILA <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4935\">https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4935<\/a><\/li>\n<li>(5) Maria Ward \u00e9 exemplo de uma mulher outrora impedida e hoje reconhecida com o t\u00edtulo de \u201cvener\u00e1vel\u201d &#8211; fundou escolas para raparigas desfavorecidas;\u00a0 n\u00e3o cedeu ao ego e por isso n\u00e3o saiu da Igreja e resistindo conseguiu abrir novos caminhos para a Igreja. A freira inglesa fundou a \u201eCongregatio Jesu\u201c (Instituto Beat\u00edssima Virgem Maria) onde se dava uma melhor educa\u00e7\u00e3o para meninas. Congregatio Jesu (CJ) \u00e9 o ramo feminino da Ordem dos Jesu\u00edtas.<\/li>\n<li>(6) Dos discursos de Mary Ward, em S. Omer 1617 (In: Spiritualit\u00e4t Konkret 2018, p. 28ff)\u201d, citado na brochura jesu\u00edta de 2019 \u201cKirche der Frauen\u201d .<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja tem uma Face feminina ainda escondida Por Ant\u00f3nio Justo Nas sociedades isl\u00e2micas os valores culturais sobrep\u00f5em-se aos direitos humanos individuais e o homem tem um estatuto superior ao da mulher. Na sociedade ocidental embora haja igualdade de dignidade e de direitos, na pr\u00e1tica social h\u00e1 discrimina\u00e7\u00e3o; tamb\u00e9m no catolicismo n\u00e3o se aceitam mulheres &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5592\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">DAS MULHERES NA SOCIEDADE E NA IGREJA E DOS USOS E COSTUMES QUE AS OPRIMEM<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,14,4,5,6,7,8,16],"tags":[],"class_list":["post-5592","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-economia","category-educacao","category-escola","category-migracao","category-politica","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5592","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5592"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5592\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5595,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5592\/revisions\/5595"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}