{"id":5485,"date":"2019-06-15T17:53:31","date_gmt":"2019-06-15T16:53:31","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5485"},"modified":"2019-06-16T10:56:19","modified_gmt":"2019-06-16T09:56:19","slug":"o-dilema-da-alemanha-e-o-impasse-da-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5485","title":{"rendered":"O DILEMA DA ALEMANHA \u00c9 O IMPASSE DA UNI\u00c3O EUROPEIA"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Paradoxo do Centralismo franc\u00eas versus Federalismo germ\u00e2nico<\/strong><\/h2>\n<p><strong>Por Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>O dilema da EU resume-se no confronto de dois sistemas de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-administrativa e na dualidade de interesses de uma Alemanha que \u00e9 demasiado grande para ser s\u00f3 na\u00e7\u00e3o e demasiado pequena para ser imp\u00e9rio! <strong>A Alemanha como fulcro da Europa teria de estar, por natureza, virada para leste (R\u00fassia) e para o ocidente (pa\u00edses latinos), o que implicaria a consequente implementa\u00e7\u00e3o dos seus interesses econ\u00f3micos nos dois sentidos e consequentemente uma certa desquita\u00e7\u00e3o europeia dos EUA, o que inquietaria a Fran\u00e7a e outros pa\u00edses da EU.<\/strong> Devido \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e social-hist\u00f3rica, a Alemanha, a longo prazo, n\u00e3o poder\u00e1 deixar de oscilar entre o expandir da sua influ\u00eancia no sentido do Leste e no sentido do ocidente (e sul). (<strong>A mudan\u00e7a da Capital de Bonn para Berlim \u00e9 tamb\u00e9m consequ\u00eancia da sua resposta \u00e0 fidelidade hist\u00f3rica<\/strong>). Um outro aspecto que, no meu entender, a opini\u00e3o publicada na pra\u00e7a p\u00fablica tem menosprezado \u00e9 o facto de a Alemanha resumir federalmente nela a grande ideia europeia de Carlos Magno, \u201co pai da Europa\u201d. <strong>A Alemanha federal j\u00e1 realizou de maneira exemplar o caminho que a EU ter\u00e1 de realizar, n\u00e3o por convic\u00e7\u00e3o, mas por for\u00e7a das circunst\u00e2ncias econ\u00f3mica e estrat\u00e9gicas mundiais (o afirmar-se de novas constela\u00e7\u00f5es concorrentes, como China e grupos supranacionais). \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A atual filosofia centralista de Bruxelas corresponde a uma viola\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios interesses e do seu g\u00e9nio pois quer amarr\u00e1-la definitivamente aos romanos e por outro lado despreza os processos de desenvolvimento da independ\u00eancia hist\u00f3rica das diversas soberanias europeias.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses latinos, de pensamento mais abstrato e centralista, n\u00e3o est\u00e3o dispostos a aceitar a realidade da influ\u00eancia econ\u00f3mica germ\u00e2nica nem a compreender a dicotomia dos interesses de um pa\u00eds forte no centro e norte da Europa.\u00a0 <strong>A Uni\u00e3o Europeia, fora de sentimentalismos bairristas, para ser constru\u00edda com equidade, ter\u00e1 de ser constru\u00edda a partir da Alemanha e, para j\u00e1, no sentido de uma confedera\u00e7\u00e3o de Estados.<\/strong><\/p>\n<p>O Brexit \u00e9 um aviso e ter\u00e1 de constituir para a Alemanha, um grande momento de reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre o constructo da EU at\u00e9 agora artificialmente produzido. Consequentemente, a EU que temos, precisa de uma substancial remodela\u00e7\u00e3o a n\u00edvel de concep\u00e7\u00e3o e de modelo de realiza\u00e7\u00e3o (repensar a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de v\u00e1rios Estados num \u201eEstado federal&#8221; que, a n\u00edvel internacional, perdem autonomia, porque as constitui\u00e7\u00f5es estatais se teriam de se subjugar a uma constitui\u00e7\u00e3o central). De considerar que o que hoje a intelig\u00eancia n\u00e3o v\u00ea, amanh\u00e3 a necessidade obrigar\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Trump que joga com o dilema germ\u00e2nico, tamb\u00e9m dilema da Europa, tenta cativar o Reino Unido no sentido do imp\u00e9rio angl\u00f3fono e ao mesmo tempo enfraquecer a Europa, debilitando a R\u00fassia, com o aumento da presen\u00e7a militar da NATO na sua fronteira e com a implementa\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas. De notar tamb\u00e9m a agressividade do governo dos USA contra o atual empreendimento russo-alem\u00e3o de construir um gasoduto entre os dois pa\u00edses. <\/strong>As guerras s\u00e3o sempre de base econ\u00f3mica e ideol\u00f3gica no sentido de formar hegemonias\u2026<\/p>\n<p>O problema alem\u00e3o n\u00e3o resolvido historicamente ser\u00e1 o de se decidir por expandir no sentido leste ou oeste. <strong>Os USA e a Fran\u00e7a far\u00e3o tudo por tudo para que a Alemanha se vincule exclusivamente ao Ocidente europeu. For\u00e7ar a R\u00fassia a unir-se \u00e0 China constituir\u00e1, por\u00e9m, um erro europeu hist\u00f3rico que adiar\u00e1 o natural processo de desenvolvimento e defini\u00e7\u00e3o europeia.<\/strong><\/p>\n<p>A EU tem de arredar caminho na sua estrat\u00e9gia de desautorizar na\u00e7\u00f5es membros e de se armar em juiz sobre os pa\u00edses a ponto de os humilhar, como tem acontecido a membros que se manifestam ainda adolescentes nas suas atitudes e exig\u00eancias. A estrat\u00e9gia de fomentar oposi\u00e7\u00f5es ou de se castigar grupos rebeldes num pa\u00eds membro corresponde a uma estrat\u00e9gia de guerra e n\u00e3o de paz, ao contr\u00e1rio do que se pretende defender com a cria\u00e7\u00e3o da EU como espa\u00e7o de paz. A Europa, atendendo \u00e0 sua Hist\u00f3ria e \u00e0 hist\u00f3ria dos diferentes pa\u00edses, est\u00e1 vocacionada a tornar-se antes numa confedera\u00e7\u00e3o de Estados e n\u00e3o primeiramente numa apressada federa\u00e7\u00e3o em que estes teriam consequentemente de renunciar \u00e0 sua soberania, historicamente alcan\u00e7ada depois de muitos s\u00e9culos de lutas.<\/p>\n<p><strong>O Presidente franc\u00eas Emmanuel Macron disse na TV su\u00ed\u00e7a (11.06.2019) que daria o seu voto a \u00c2ngela Merkel para Presidente da Comiss\u00e3o Europeia,<\/strong> embora a chanceler alem\u00e3 tenha j\u00e1 exclu\u00eddo essa hip\u00f3tese. M\u00e1cron disse a\u00ed que a \u201cEuropa precisa de personalidades fortes que tenham uma credibilidade e compet\u00eancia pessoal para preencher as posi\u00e7\u00f5es\u201d (<strong>Talvez sob esta proposta se encontre a esperan\u00e7a de uma mulher germ\u00e2nica amarrar mais a Alemanha aos interesses da Europa do Sul!).<\/strong> A concretiza\u00e7\u00e3o dessa proposta resolveria o empasse da escolha em via para tal posto, mas n\u00e3o resolveria a quest\u00e3o de fundo da EU. A quest\u00e3o a resolver consistir\u00e1 em transformar o constructo EU numa institui\u00e7\u00e3o org\u00e2nica europeia. <strong>O Povo a acordar n\u00e3o quer que Zeus desvie a Europa para fora dela\u2026<\/strong> Segundo a mitologia grega a Europa era uma princesa fen\u00edcia que deu o nome ao continente Europeu. O Deus Zeus apaixonou-se por ela e para passar desapercebido aos ci\u00fames de sua mulher transformou-se num touro misturando-se nos reses de touros do pai de Europa e como era brilhante e manso seduziu a princesa Europa, que ao colocar-se no seu dorso se viu transportada rapidamente para Creta onde desfrutou dela, abandonando-a mais tarde.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 70 anos, o crescimento econ\u00f3mico tem garantido a Europa pac\u00edfica\u2026 agora que \u201coutros valores mais altos se levantam\u201d como a (China) e em que o povo se come\u00e7a a intrometer no processo da EU instam grandes transforma\u00e7\u00f5es. Um aparelho burocr\u00e1tico a que falta a alma (povo), se n\u00e3o arrepia caminho, corre, cada vez mais o perigo de se transformar numa ilus\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>O centralismo exagerado foi o coveiro de grandes civiliza\u00e7\u00f5es<strong>. O que est\u00e1 em jogo na EU \u00e9 a velha luta europeia entre o centralismo franc\u00eas e o federalismo germ\u00e2nico e entre a hegemonia americana na Europa e uma Europa que possa olhar de olhos nos olhos os EUA, al\u00e9m da falta de realismo de que grande parte da R\u00fassia \u00e9 europeia (ao contr\u00e1rio de uma Turquia que j\u00e1 o foi e cujo movente \u00e9 puramente econ\u00f3mico). <\/strong><\/p>\n<p>A experi\u00eancia feita dos nacionalismos como fonte de guerra e o seu ressurgimento atemoriza muitos bons pensantes europeus (de momento, por\u00e9m, tais movimentos n\u00e3o expressam mais que a necessidade de correp\u00e7\u00f5es num conceito de EU talvez demasiado capitalista-socialista).<\/p>\n<p>A EU como a Europa encontram-se em cont\u00ednuo processo de mudan\u00e7a tendo, depois da II Grande Guerra, criado v\u00e1rios la\u00e7os circunstanciais (1).<\/p>\n<p>A EU tem estado a ser constru\u00edda em contradi\u00e7\u00e3o com a din\u00e2mica da forma\u00e7\u00e3o natural org\u00e2nica das estruturas de um Estado. Da\u00ed o Brexit e os movimentos nacionalistas surgentes como sintoma de um problema maior: o da oligarquia burocr\u00e1tica de Bruxelas atrelada a um globalismo liberal an\u00f3nimo e sem limites. Tem-se feito muito trabalho louv\u00e1vel, mas falta a coes\u00e3o que lhe daria vida e esta chama-se povo.<\/p>\n<p>A EU tem de ser refeita; o permanente estado de crise de Bruxelas vem principalmente do facto de os seus actores terem querido fazer do cume da pir\u00e2mide a sua base ao ignorar povo e a tradi\u00e7\u00e3o.<strong> A oligarquia transforma-se assim numa esp\u00e9cie de Olimpo long\u00ednquo em oposi\u00e7\u00e3o aos terr\u00e1queos. Tudo seria mais f\u00e1cil se n\u00e3o fossem as duas almas da europa a terem de ser metidas num s\u00f3 corpo (EU): o g\u00e9nio federalista alem\u00e3o ligado \u00e0 terra e o g\u00e9nio centralista franc\u00eas mais um parto de cabe\u00e7a e por outro o g\u00e9nio cat\u00f3lico latino em confronto com o protestantismo n\u00f3rdico.\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o admira que o Presidente franc\u00eas M\u00e1cron esteja a avan\u00e7ar com o seu desejo de liderar o discurso sobre a reorganiza\u00e7\u00e3o de uma UE (2) a fim de a modelar no sentido centralista do tipo franc\u00eas (3); \u00e9 tamb\u00e9m compreens\u00edvel que os alem\u00e3es se mostrem reservados, embora uma verdadeira Uni\u00e3o Europeia possa ser mais bem acomodada, posteriormente, num molde federalista \u00e0 semelhan\u00e7a do alem\u00e3o.<\/p>\n<p>A hora dos alem\u00e3es s\u00f3 chegar\u00e1 depois de alguns erros economicistas e de alguns exageros latinos. Os movimentos nacionalistas, que se encontram de vento em popa apesar das anticampanhas da classe estabelecida nas capitais europeias, s\u00e3o a melhor prova de como tem sido mal encaminhado o discurso sobre a Europa: um discurso demasiadamente orientado no sentido autorit\u00e1rio e autocr\u00e1tico provoca o desrespeito nos relegados a espectadores. A agress\u00e3o que durante anos se cultivava contra Angela Merkel e o seu Ministro da Economia, nalguns estados latinos, pode considerar-se em parte equivocada ao querer reduzir o esp\u00edrito alem\u00e3o ao aspecto econ\u00f3mico.<\/p>\n<p>Objecto de uma discuss\u00e3o s\u00e9ria seria o discurso sobre a elabora\u00e7\u00e3o de um superestado central ou de uma confedera\u00e7\u00e3o, e assim se ultrapassar um discurso p\u00fablico reduzido ao economismo. A observa\u00e7\u00e3o das duas mentalidades pode ser constatada no partido franc\u00eas de Le Pen que luta no sentido de uma soberania nacionalista centralista e no partido alem\u00e3o AfD que centra o seu discurso mais num contexto europeu cultural que colmataria numa EU \u2013 uma confedera\u00e7\u00e3o de estados que respeite a gene de uma europa das na\u00e7\u00f5es. Uns e outros metem o p\u00e9 na po\u00e7a, como \u00e9 natural em movimentos reagentes.<\/p>\n<p>Que seria dos bons se n\u00e3o houvesse os maus e que seria dos maus se n\u00e3o houvesse os piores nem os melhores! Do desprezo rec\u00edproco surge a energia alimentadora da guerra que descrita na perspectiva do discurso de uns e dos outros s\u00f3 pretende o bem, o desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e Pedagogo (Hist\u00f3ria e Portugu\u00eas)<\/p>\n<p>In Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>(1) A crise do carv\u00e3o na Fran\u00e7a levou a Fran\u00e7a a aproximar-se da Alemanha em 1950, atrav\u00e9s da Comunidade Europeia do Carv\u00e3o e do A\u00e7o, considerada por Robert Schuman como a \u201cprimeira etapa da federa\u00e7\u00e3o europeia\u201d, a cria\u00e7\u00e3o da OECE como resposta ao Plano Marshall (1948), a cria\u00e7\u00e3o da NATO em 1949 sob ger\u00eancia dos USA e que culmina no reconhecimento dos USA como a grande pot\u00eancia mundial, relativizando os tradicionais potentados nacionais internacionais vigentes at\u00e9 \u00e0 primeira guerra mundial).<\/li>\n<li>(2) ALEMANHA FEDERALISTA CONTRA FRAN\u00c7A CENTRALISTA NA REFORMA DA UNI\u00c3O EUROPEIA? https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5353<\/li>\n<li>(3) MACRON QUER A REFORMA DA UNI\u00c3O EUROPEIA QUE OS PA\u00cdSES N\u00d3RDICOS N\u00c3O QUEREM https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4764<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paradoxo do Centralismo franc\u00eas versus Federalismo germ\u00e2nico Por Ant\u00f3nio Justo O dilema da EU resume-se no confronto de dois sistemas de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-administrativa e na dualidade de interesses de uma Alemanha que \u00e9 demasiado grande para ser s\u00f3 na\u00e7\u00e3o e demasiado pequena para ser imp\u00e9rio! 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