{"id":5224,"date":"2019-01-09T20:44:01","date_gmt":"2019-01-09T19:44:01","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5224"},"modified":"2019-01-10T15:57:40","modified_gmt":"2019-01-10T14:57:40","slug":"o-pensamento-tambem-tem-cheiro-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5224","title":{"rendered":"O PENSAMENTO TAMB\u00c9M TEM CHEIRO"},"content":{"rendered":"<h1><\/h1>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Do Direito a cheirar n\u00e3o s\u00f3 o Cravo mas tamb\u00e9m a Rosa<\/h2>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>Sim, o pensamento tamb\u00e9m tem cheiro, n\u00e3o se fale j\u00e1 da cor!<\/p>\n<p>A atmosfera social encontra-se cada vez mais intoxicada por falta de arejo na opini\u00e3o p\u00fablica e por falta de oxigena\u00e7\u00e3o do pensamento cativado em alfobres estanques; este \u00e9 comercializado num espa\u00e7o social e pol\u00edtico reduzido \u00e0 perspectiva do \u201cou tu, ou eu\u201d, sem contar com o ele.<\/p>\n<p>Consta que a intoxica\u00e7\u00e3o do pensamento se deve, em grande parte, \u00e0 classe econ\u00f3mico-pol\u00edtica dirigente que, com os seus escribas e fariseus, ditam o que \u00e9 correcto pensar ou mastigam primeiro o que ser\u00e1 adequado \u00e0 orbe social.<\/p>\n<p>Vivemos na \u00e9poca pol\u00edtica do pensamento supervisionado e dos gr\u00e1vidos com o rei na barriga! A esfera, de c\u00e9rebro lavado, n\u00e3o pensa, mas sente e sente-se um pouco incomodada por sentir por todo o lado (na opini\u00e3o p\u00fablica) o mesmo cheiro: um odor a detergente barato que abafa qualquer perfume de caracter\u00edsticas mais individuais ou mais diferenciadas.<\/p>\n<p>Pessoas mais inocentes chegam a cogitar se este \u00e9 o cheiro da igualdade democr\u00e1tica e outros, mais arrojados, chegam mesmo a avan\u00e7ar que n\u00e3o \u00e9 o cheiro a cravo mass sim o cheirinho de um \u201cAbril republicano\u201d.<\/p>\n<p><strong>De facto, como tudo se tornou neg\u00f3cio e se anda t\u00e3o movido pelo aroma da brisa revolucion\u00e1ria, j\u00e1 nem se distingue o cheiro a Abril do cheiro a Omo ou a Persil. Numa opini\u00e3o p\u00fablica, cada vez com mais cheiro a desinfetante, a sociedade vai vivendo da grata consola\u00e7\u00e3o do trabalho de diferenciar entre o cheirinho a cravo e o cheiro a rosas, tamb\u00e9m ele trazido na aragem de um outono passado. At\u00e9 onde alcan\u00e7a a vista, veem-se grupos em fila s\u00f3 para poder sentir, no cheiro do arejo, o cheirinho do \u201cclube\u201d desejado.<\/strong><\/p>\n<p>Como tudo parece ir dar ao mesmo, na lavandaria p\u00fablica, o esp\u00edrito cr\u00edtico esgota-se na discuss\u00e3o da nuance pol\u00edtica de quem lava mais branco: o Omo do passado ou o Persil do presente! O problema nem vem dos cheiros nem t\u00e3o pouco dos detergentes que se usam para tirar as n\u00f3doas; a solu\u00e7\u00e3o vem do proveito e dos comerciantes, s\u00f3 interessados na venda do pr\u00f3prio produto.<\/p>\n<p>Alguns republicanos &#8211; certamente os socialistas do jeito jacobino &#8211; \u00a0por terem plantado um alfobre de cravos no \u201cjardim \u00e0 beira-mar plantado\u201d, pensam-se com \u00a0direito a todo o jardim e, quanto aos cheiros, pensam-se s\u00f3 eles com o privil\u00e9gio n\u00e3o s\u00f3 de cheirar o cravo, mas tamb\u00e9m de discernir qual o cheiro! Encontramo-nos metidos num bus\u00edlis do caneco e que nos tem atrasado a evolu\u00e7\u00e3o dado todo o povo se sentir ser jardim; um jardim sem ningu\u00e9m com direito ao monop\u00f3lio da flor nem t\u00e3o-pouco do cheiro.<\/p>\n<p>E uma certa esquerda, mal informada, chega a dizer que, n\u00f3s portugueses, n\u00e3o somos propensos a democracia pelo facto de continuarmos a querer definir a nossa identidade pelo jardim e n\u00e3o apenas por uma s\u00f3 flor, seja ela, muito embora, o cravo ou a rosa. Afinal, esses caras \u00e9 que se encontram atrasados por n\u00e3o reconhecerem ainda o avan\u00e7o de um povo ecol\u00f3gico que pretende a igualdade no reino das flores!<\/p>\n<p>J\u00e1 agora um aparte: confunde-se pensamento cr\u00edtico com pensamento acomodado, a um ou outro regime, a uma ou outra ala pol\u00edtica no fluir do Mainstream que propaga um rumor do ondular das opini\u00f5es ordenadas ao ritmo do 25 de abril, como se a origem de Portugal tivesse de ser redescoberta tardiamente entre as algas de algum lago parado.<\/p>\n<p><strong>Resumindo: n\u00e3o houve sobressaltos com a mudan\u00e7a de regimes: o ondulado permaneceu o mesmo, o que mudou foi s\u00f3 o alinhado do penteado e os barbeiros que dele se aproveitam. Numa sociedade de pensamento bem alisado at\u00e9 os extremos servem para mostrar a for\u00e7a das ondas mestras: o resto \u00e9 s\u00f3 brilhantina e desodorizante. <\/strong><\/p>\n<p><strong>O credo pol\u00edtico correcto \u00e9 t\u00e3o forte como a lixivia: onde cai n\u00e3o h\u00e1 n\u00f3doa, fica tudo branco! (Por isso at\u00e9 h\u00e1 quem lamente que noutras democracias n\u00e3o seja permitido o uso da lixivia pura, e se use, s\u00f3 \u00e0 mistura, com outros ingredientes!)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Numa situa\u00e7\u00e3o assim j\u00e1 n\u00e3o interessa nem o cravo nem o cheiro a cravo ou a rosa; o que importa \u00e9 quem possui o garraf\u00e3o da lix\u00edvia que limpa tudo n\u00e3o deixando sequer o cheiro a povo. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do Direito a cheirar n\u00e3o s\u00f3 o Cravo mas tamb\u00e9m a Rosa \u00a0 Ant\u00f3nio Justo Sim, o pensamento tamb\u00e9m tem cheiro, n\u00e3o se fale j\u00e1 da cor! 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