{"id":5211,"date":"2019-01-05T21:17:17","date_gmt":"2019-01-05T20:17:17","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5211"},"modified":"2019-01-05T21:29:14","modified_gmt":"2019-01-05T20:29:14","slug":"quando-as-mulheres-eram-obedientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5211","title":{"rendered":"QUANDO AS MULHERES ERAM OBEDIENTES"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">Do Branqueamento da Atualidade<\/h2>\n<p><strong>Por Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>At\u00e9 1957 tinha validade na Alemanha o par\u00e1grafo da obedi\u00eancia que<\/strong> <strong>dava aos homens o direito de determinarem sobre a vida comum do matrim\u00f3nio<\/strong>; isto era regulado pelo c\u00f3digo civil entrado em vigor em 1900.<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m, at\u00e9 1977, as mulheres n\u00e3o podiam trabalhar sem a aprova\u00e7\u00e3o do homem.<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 1958 o homem tinha o direito de rescindir o contrato de trabalho de sua esposa sem o seu consentimento e sem aviso pr\u00e9vio.<\/p>\n<p>Quanto ao direito das mulheres poderem votar, tamb\u00e9m s\u00f3 tardiamente lhes foi dada igualdade. Antes era a cabe\u00e7a de casal que tinha o direito a votar.<\/p>\n<p>O sufr\u00e1gio feminino foi introduzido pela primeira vez na Nova Zel\u00e2ndia em 1893.<\/p>\n<p>Finl\u00e2ndia em 1906; Alemanha em 1918; USA em 1920; Turquia em 1930 (Gra\u00e7as a Ataturk), Brasil em 1932, Fran\u00e7a em 1944; Portugal 1946; India em 1950; Sui\u00e7a em 1971.<\/p>\n<p>Nas primeiras elei\u00e7\u00f5es gerais foram eleitas para a Assembleia da Rep\u00fablica na Alemanha 41 mulheres o que correspondia a 9,6% dos 423 deputados.<\/p>\n<p>Em 2017 a percentagem de mulheres no parlamento desceu para 30,9% no Bundestag, isto \u00e9 para o n\u00edvel de 1998.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea levou tempo at\u00e9 que se passasse da sociedade agr\u00edcola para a sociedade industrial, onde o trabalho determina o direito.<\/p>\n<p><strong>Apesar de todo o desenvolvimento, a imagem da mulher ainda continua a ser muito definida pela bunda, perna, coxa e seios; isto \u00e9, apenas como objecto de desejo.<\/strong><\/p>\n<p>No meio de tudo isto, verifico que a injusti\u00e7a, geralmente, caminha \u00e0 frente da justi\u00e7a.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o da apresenta\u00e7\u00e3o destes dados vem do facto de verificar que hoje se usam, muitas vezes no debate p\u00fablico, os males passados como argumento de justifica\u00e7\u00e3o dos males presentes.<strong> Vejo muita gente interessada em falar mal da Hist\u00f3ria de Portugal devido \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o e em desdizer de Portugal apresentando s\u00f3 os dados negativos do antigo regime, como se isso, al\u00e9m de ser mau, fosse uma coisa s\u00f3 nossa e sem o contexto da \u00e9poca. <\/strong>Esta \u00e9 uma estrat\u00e9gia da esquerda para p\u00f4r os conservadores em situa\u00e7\u00e3o de fora de jogo!<\/p>\n<p>Outros, porque n\u00e3o acham relevantes os defeitos dos advers\u00e1rios do presente, gastam o tempo a lavar a roupa suja do passado alheio, na esperan\u00e7a de que algo da sujidade antiga, suje o rosto do advers\u00e1rio atual! Este esp\u00edrito social de lavadouro p\u00fablico j\u00e1 lembra uma praga social no \u00e2mbito da argumenta\u00e7\u00e3o. E isto num tempo em que ter\u00edamos tanta roupa suja atual para lavar! Seria fraco o nosso presente se para o glorificar precis\u00e1ssemos de difamar o passado ou s\u00f3 falar dos seus erros.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Do Engano de se aldravar com a Moeda do Preconceito <\/strong><\/p>\n<p>As injusti\u00e7as que condenamos no passado servem, muitas vezes, de condimento para ado\u00e7ar as injusti\u00e7as do presente, quando os erros do passado s\u00e3o o estrume onde nascem o trigo e o joio de hoje.<\/p>\n<p>Embora vivamos hoje num mundo diferente, n\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo armarmo-nos em carapaus de corrida modernistas, e abusar de um esp\u00edrito cr\u00edtico de an\u00e1lise com duas medidas. Hoje condenamos, com veem\u00eancia, os maus h\u00e1bitos de ontem, mas achamos pol\u00edtica e economicamente o mal que fazemos hoje, de menos relev\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m Pilatos passou a rasteira \u00e0 multid\u00e3o ilibando-se de responsabilidades lavando as m\u00e3os sujas com pretextos de inoc\u00eancia. <\/strong><\/p>\n<p>O passado instrumentalizado e n\u00e3o reconhecido, nos seus aspectos positivos e negativos, cria o desgaste civilizacional em que nos encontramos!<strong> \u00c9 verdade que o passado n\u00e3o se vende, mas \u00e9 abusado para um presente que se quer sem ra\u00edzes nem fundamentos; por isso \u00e9 mais considerado como adjectivo do que como substantivo, olhando-se s\u00f3 para os males dele e assim nos distrairmos dos males do presente. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Hoje somos, geralmente, obedientes ao pensamento politicamente correcto, com a agravante que, muitas vezes, o somos sem consci\u00eancia disso. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pedagogo<\/strong><\/p>\n<p>In \u201cPegadas do tempo\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do Branqueamento da Atualidade Por Ant\u00f3nio Justo At\u00e9 1957 tinha validade na Alemanha o par\u00e1grafo da obedi\u00eancia que dava aos homens o direito de determinarem sobre a vida comum do matrim\u00f3nio; isto era regulado pelo c\u00f3digo civil entrado em vigor em 1900. 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