{"id":5163,"date":"2018-12-14T19:30:48","date_gmt":"2018-12-14T18:30:48","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5163"},"modified":"2018-12-14T22:36:27","modified_gmt":"2018-12-14T21:36:27","slug":"bom-advento-e-feliz-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5163","title":{"rendered":"BOM ADVENTO E FELIZ NATAL"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">Uma pausa no dia-a-dia para se poder viver a vida<\/h2>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>A partir do outono, a natureza inicia o seu retiro para entrar em si mesma e amealhar for\u00e7as, no recolhimento do inverno.<\/p>\n<p><strong>A Igreja colocou o Natal no Inverno, associando-lhe a <a href=\"http:\/\/triplov.com\/letras\/Antonio-Justo\/2009\/Animais-e-plantas.htm\">natureza<\/a>, como alegoria, da prepara\u00e7\u00e3o para a vinda do Salvador e \u201cLuz do mundo\u201d. Sem luz nada pode crescer e nenhuma vida pode surgir. Com o Natal os dias come\u00e7am a crescer. A natureza como \u201csombra de Deus\u201d, tamb\u00e9m ela se encontra a caminho de Bel\u00e9m (o princ\u00edpio e <a href=\"https:\/\/bomdia.eu\/natal-a-compreensao-cosmica-de-deus-homem-e-mundo\/\">fim da Hist\u00f3ria<\/a>). <\/strong><\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3365\">Advento<\/a> \u00e9 o tempo da procura e da espera da luz no <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3359\">caminho individual<\/a> e <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2371\">universal<\/a>. Nele, tudo se junta num esfor\u00e7o comum para se alinhar na ordem criadora contra as trevas e contra o caos.<\/p>\n<p>Quando chega a noite (o inverno) torna-se necess\u00e1ria a <a href=\"https:\/\/abemdanacao.blogs.sapo.pt\/o-caos-e-o-tohuwabohu-1533284\">luz<\/a> que nos alumie o caminho. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, no Advento, as nossas cidades se encontram cheias de luzes criando uma atmosfera quase espiritual. Aquelas luzes s\u00e3o tamb\u00e9m elas met\u00e1foras da luz que \u00e9 Jesus. E as velas tamb\u00e9m s\u00e3o met\u00e1foras do advento, na peregrina\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>Na Alemanha (pa\u00edses n\u00f3rdicos onde a natureza se torna mais presente) h\u00e1 o costume de se colocar na mesa das fam\u00edlias (e at\u00e9 se dependurar nas igrejas e noutros locais menos sagrados) a grinalda do advento, uma coroa com quatro velas que se v\u00e3o acendendo, uma a uma, consecutivamente, nas quatro semanas de advento (tempo antes do Natal) e que indica a prepara\u00e7\u00e3o preliminar para a chegada da luz plena (o menino Jesus). Com o andar do Advento, tal como acontece na natureza tamb\u00e9m na vida interior e exterior, tudo se vai tornando mais claro. Todas estas luzes apontam para uma luz maior ainda escondida no pres\u00e9pio e tamb\u00e9m no interior de cada um. Da\u00ed o caminho a fazermos tamb\u00e9m em direc\u00e7\u00e3o a n\u00f3s; o monge dominicano Mestre Eckhart alertava: <strong>\u201cDeus est\u00e1 em casa em n\u00f3s, mas n\u00f3s estamos fora (vivemos no exterior).<\/strong><\/p>\n<p><strong>A este respeito, acho muito oportuno o aforismo de Karl Valentin que diz: &#8220;Amanh\u00e3 vou-me visitar &#8230; vamos ver se estou em casa!\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Hoje na agita\u00e7\u00e3o da vida quotidiana torna-se importante fazer-se uma visita a si mesmo se n\u00e3o nos queremos deixar programar por agendas estranhas e passar a repetir a dan\u00e7a de \u201cmaria vai com as outras\u201d. Depois de andar tanto por fora, ou at\u00e9 na casa dos outros, \u00e9 necess\u00e1rio entrar em minha casa e verificar o que, realmente, faz parte de mim. <strong>No pres\u00e9pio de mim mesmo poderei ver se sou verdadeiro amigo de mim <\/strong>(no centro de cada um jorra a luz divina, que constitui o fundamento da ipseidade) <strong>para poder ser amigo e tornar-me abrigo tamb\u00e9m para os outros.<\/strong> No advento posso ter um pouco de tempo para me alegrar e discutir um pouco mais comigo.<\/p>\n<p>A natureza tamb\u00e9m fala e d\u00e1 sinal; ela renuncia \u00e0 folhagem de si para depois voltar a reconhecer-se na alegria da exuber\u00e2ncia de se poder oferecer. O mesmo fez Jesus ao recolher-se no deserto durante quarenta dias porque a miss\u00e3o que tinha era muito exigente e requeria o encontro na ipseidade para poder atuar abrangendo a realidade por fora e por dentro.<\/p>\n<p>Geralmente somos puxados pela agenda do dia-a-dia ou pela rotina que nos alheia; ela \u00e9 que geralmente manda, n\u00e3o deixando tempo para esperarmos por algo maior que o dia. Sob a ordem dela n\u00e3o temos tempo para as coisas verdadeiramente nossas; vivemos, isto \u00e9, existimos sem espa\u00e7os nem pausas para a viv\u00eancia e ideias pr\u00f3prias surgirem e passarem na tela da vis\u00e3o de novas paisagens.<\/p>\n<p>O \u00f3cio e as pausas s\u00e3o o melhor terreno onde a criatividade e o pensamento surgem, possibilitando o sentir a resson\u00e2ncia da vida, como que o respirar de Deus que nos e inebria, \u00e0 margem do dever das nossas actividades.<\/p>\n<p><strong>O Advento \u00e9 uma oferta, uma oportunidade inserida no calend\u00e1rio da vida para n\u00e3o deixar que o estresse, o sobre-emprego e a az\u00e1fama tomem conta de n\u00f3s e nos enrolem de tal maneira que o dia-a-dia tome conta de n\u00f3s.<\/strong> O advento \u00e9 aquela pausa da velocidade no tempo que, por vezes, falta no meu calend\u00e1rio; este d\u00e1 a oportunidade de pegar nele e nele colocar aquilo que seria esquecido ou negligenciado ou que tamb\u00e9m, por falta de vontade ou de iniciativa, n\u00e3o incluiria na lista dos \u201cafazeres\u201d do dia-a-dia.<\/p>\n<p>Muitas doen\u00e7as da era atual v\u00eam do facto de querermos viver, mas n\u00e3o vivermos por sermos vividos. Ao conhecer as pr\u00f3prias falhas (demasiado activismo ou falta de iniciativa, de motiva\u00e7\u00e3o, ou mesmo inibi\u00e7\u00e3o para agir) posso procurar agarrar a vida nas m\u00e3os e evitar que o calend\u00e1rio deixe de ser uma colec\u00e7\u00e3o de folhas em branco ou de folhas todas cheias que n\u00e3o deixem espa\u00e7o para me incluir no calend\u00e1rio. Nas pausas advent\u00edcias posso rever no calend\u00e1rio espa\u00e7os para actividades conscientemente intencionais e prever coisas novas e espa\u00e7os para coisas maiores do que o dia-a-dia, tempos para coisas de maior dimens\u00e3o e que podemos equacionar na palavra Deus.<\/p>\n<p><strong>Quem n\u00e3o tem acesso \u00e0 religi\u00e3o, sem precisar de ser devoto, pode aproveitar-se do Advento para colocar-se a pergunta: para que \u00e9 que vivo; qual \u00e9 o sentido do que fa\u00e7o agora; o que faz sentido? Deus podemos v\u00ea-lo ou experiment\u00e1-lo na Igreja, numa paisagem, num passeio, num ugar deserto ou encontra-lo nos outros.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na Alemanha ainda h\u00e1 fam\u00edlias que durante o Advento se re\u00fanem \u00e0 noite \u00e0 volta da grinalda do advento para falarem do que geralmente n\u00e3o se fala, fazerem uma ora\u00e7\u00e3o, contarem uma hist\u00f3ria ou lerem um texto; a esta \u00e9 chamada \u201chorinha do advento\u201d (Adventsstundelein).<\/strong><\/p>\n<p><strong>Recordo-me ainda muito bem da alegria que reinava no tempo antes do Natal (aquele Tempo fora do tempo em que realidade e fantasia n\u00e3o se contradizem porque congregadas numa s\u00f3 atitude de esperan\u00e7a naquilo que nos faz falta). A ida \u00e0 missa do galo, o leite quente com cacau ao voltar dela, o cheiro a velas, a canela, as boas festas expressando alegria e gratid\u00e3o era um verdadeiro carrossel da express\u00e3o do milagre vivo dentro e fora do cora\u00e7\u00e3o.<\/strong> Nessa noite irmanavam-se a realidade lit\u00fargica \u00e0 social: a atmosfera do ambiente, a pobreza e a simplicidade. Nessa altura, t\u00ednhamos a impress\u00e3o que Deus vinha \u00e0 rua e se tornava vis\u00edvel em todo o mundo reunido em volta do menino no pres\u00e9pio.<\/p>\n<p>Advento pode ser um tempo de aprendizagem para ver e observar onde se encontra Deus hoje na minha vida e nos outros; atrav\u00e9s dele posso aprender a ver o mundo com outros olhos e a encontrar-me nele doutra maneira. Para l\u00e1 da esfera em que normalmente vivemos h\u00e1 outra realidade mais abrangente e mais profunda. A Deus, chegam todos os caminhos! O Advento pode ajudar-nos a ver e sentir esse milagre que brilha na crian\u00e7a de Bel\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Bom Advento e feliz Natal<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e pedagogo<\/p>\n<p>In Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Entre os links apresentados no texto pode ver textos meus sobre o Natal tamb\u00e9m em: https:\/\/antonio-justo.blogspot.com\/2007\/<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pausa no dia-a-dia para se poder viver a vida Ant\u00f3nio Justo A partir do outono, a natureza inicia o seu retiro para entrar em si mesma e amealhar for\u00e7as, no recolhimento do inverno. 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