{"id":5154,"date":"2018-12-11T20:46:16","date_gmt":"2018-12-11T19:46:16","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5154"},"modified":"2018-12-11T21:10:28","modified_gmt":"2018-12-11T20:10:28","slug":"sincretismo-chines-anima-o-negocio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5154","title":{"rendered":"SINCRETISMO CHIN\u00caS ANIMA O NEG\u00d3CIO N\u00c3O S\u00d3 EM PORTUGAL"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">A Civiliza\u00e7\u00e3o mais compat\u00edvel com o Globalismo<\/h2>\n<p>Por <strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>Ainda a respeito do texto sobre (\u201c<a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5135\">Presidente chin\u00eas faz neg\u00f3cio em Portugal<\/a>\u201d), um leitor questionou o facto de eu \u00a0ter aludido aos direitos humanos para a China (pa\u00eds dos cem nomes) porque \u00e9 um povo com uma cultura totalmente diferente, e que encara a vida numa perspectiva pragm\u00e1tica em que o ideal crist\u00e3o da dignidade da pessoa s\u00f3 estorvaria.<\/p>\n<p>De facto, como se nota j\u00e1 na especificidade da l\u00edngua mandarim, depreende-se dela uma outra estrutura mental que se expressa em outras maneiras de pensar e numa mundivis\u00e3o totalmente diferente da europeia. Na impress\u00e3o que se tem com chineses, \u00e0 primeira vista, nota-se que s\u00e3o pessoas que t\u00eam uma maneira mais objectiva e utilit\u00e1ria na maneira de ver, de viver e de se relacionar.<\/p>\n<p><strong>A cultura chinesa \u00e9 polivalente, e manifesta um g\u00e9nio sincr\u00e9tico que consegue colocar em funcionamento utilit\u00e1rio tradi\u00e7\u00e3o, deuses, comunismo e capitalismo no sentido de tudo se mover ao servi\u00e7o dos pr\u00f3prios desejos: daqui se pode depreender\u00e1 tamb\u00e9m uma inclina\u00e7\u00e3o especial para o neg\u00f3cio. <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma civiliza\u00e7\u00e3o que desde o s\u00e9culo passado se encontra em mudan\u00e7a total e como tal torna-se imprevis\u00edvel o futuro desenvolvimento de uma civiliza\u00e7\u00e3o t\u00e3o antiga e t\u00e3o rica.<strong> No contexto de civiliza\u00e7\u00f5es e sob a press\u00e3o de um globalismo nivelador, a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental deveria estar consciente do que tem de espec\u00edfico a guardar para a humanidade, isto \u00e9, a dignidade da pessoa humana, mas sem transformar esta consci\u00eancia adquirida para legitimar ou fomentar guerras, como tem feito sob o argumento da defesa de valores\/direitos humanos. Cada povo, cada cultura, cada civiliza\u00e7\u00e3o tem uma coer\u00eancia interna a ser respeitada mutuamente<\/strong>.<\/p>\n<p>Num mundo cada vez mais ditado pelo neg\u00f3cio e numa competi\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o deveria perder de vista a complementaridade e a inclus\u00e3o, seria um grande empobrecimento para a humanidade se as rela\u00e7\u00f5es de futuro s\u00f3 fossem determinadas por um utilitarismo chin\u00eas que valorize mais o neg\u00f3cio e a institui\u00e7\u00e3o do que o indiv\u00edduo, tal como se d\u00e1 na cultura \u00e1rabe, no neocapitalismo e no comunismo. Da\u00ed tamb\u00e9m a necessidade da China se abrir ao humanismo crist\u00e3o e do Ocidente redescobrir em alguns de seus princ\u00edpios doutrinais tradicionais, uma iman\u00eancia tamb\u00e9m caracter\u00edstica dos chineses.<\/p>\n<p>Dos chineses podemos aprender a sua rela\u00e7\u00e3o familiar como base das rela\u00e7\u00f5es sociais em harmonia com a natureza. A sua rela\u00e7\u00e3o especial na express\u00e3o fam\u00edlia, vida e morte, foi certamente transmitida atrav\u00e9s do culto aos antepassados em sintonia com a natureza e com o universo.\u00a0 <strong>Uma mundivis\u00e3o em que deuses, pessoas vivas e mortas coexistam em rela\u00e7\u00e3o, sustem um caracter que lhe d\u00e1 sustentabilidade. <\/strong>Esta mundivis\u00e3o faz-me lembrar (embora de forma mais abstracta mas tamb\u00e9m m\u00edstica) a realidade do mist\u00e9rio da trindade no Cristianismo que possibilita a unidade na diversidade mas que, infelizmente, \u00e9 pouco comentada na sociedade ocidental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A sociedade ocidental, tal como a sociedade tradicional chinesa, encontra-se em perigo, devido ao capitalismo liberal do deus Mamon (dinheiro, efici\u00eancia material e lucro) que tudo nivela para tornar a pessoa, isto \u00e9, transformar o indiv\u00edduo em mero cliente para que, deste modo, este se torne mundialmente, massa male\u00e1vel e compat\u00edvel e ent\u00e3o tornar poss\u00edvel uma plutocracia econ\u00f3mica e ideol\u00f3gica de um governo mundial que atrav\u00e9s de ONGs especiais supera pa\u00edses, regi\u00f5es, regi\u00f5es etc.<\/strong><\/p>\n<p>O confucionismo conseguiu guardar o legado do passado chin\u00eas e presenci\u00e1-lo de forma org\u00e2nica. Sistematizou toda a vida chinesa numa esp\u00e9cie de organigrama que possibilitou uma filosofia de vida social que deu forma e consist\u00eancia \u00e0 vida do chin\u00eas no seu dia a dia, de forma a fomentar uma corresponsabilidade natural criando sintonia entre vida humana e natureza.<\/p>\n<p>O budismo assimilado pela cultura chinesa assumiu toda essa riqueza de comunh\u00e3o com a natureza dando-lhe uma perspectiva transcendental tamb\u00e9m no que respeita \u00e0 quest\u00e3o da vida depois da morte na complementa\u00e7\u00e3o do taoismo.<\/p>\n<p><strong>A tradi\u00e7\u00e3o do culto do imperador e uma vis\u00e3o funcionalista da pessoa facilitaram a assimila\u00e7\u00e3o da doutrina comunista ocidental.<\/strong> <strong>Esta provocou a questiona\u00e7\u00e3o de todo o sistema confuciano. Agora o globalismo liberal completa a obra abusando de muitas caracter\u00edsticas da tradi\u00e7\u00e3o e da antropologia chinesa; aqui a avalanche do globalismo provoca mais facilmente a nivela\u00e7\u00e3o geral do que no ocidente onde o trav\u00e3o civilizacional oferece mais consist\u00eancia.<\/strong> Da\u00ed a ferocidade impl\u00edcita em agendas bastante combativas no ocidente. A revolu\u00e7\u00e3o cultural em via contra a cultura ocidental \u00e9 especialmente agressiva contra o catolicismo, tal como o comunismo maoista fora contra o confucionismo.<\/p>\n<p>Os novos regentes em Pequim, para darem consist\u00eancia ao sistema comunista procuram apresentar Mao Zedong como a nova autoridade conectora do ideal chin\u00eas, servindo-se, agora para isso de Conf\u00facio em segundo plano; este n\u00e3o tinha deixado de ser em parte venerado durante a revolu\u00e7\u00e3o cultural; agora colocado num segundo plano ao lado de Mao revela-se como boa fonte de regras bem apuradas para disciplinar a massa cr\u00edtica popular e servir de inst\u00e2ncia contra a corrup\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios. A arte deve substituir a religi\u00e3o no intuito de orientar as pessoas e lhes possibilitar mudan\u00e7a\u2026<\/p>\n<p><strong>Na Europa, a tradi\u00e7\u00e3o da dignidade humana e dos direitos humanos ainda constitui um certo empecilho ao globalismo liberal<\/strong> (imposi\u00e7\u00e3o dos interesses globais aos interesses individuais, nacionais e civilizacionais, mediante desconstru\u00e7\u00e3o cultural, conex\u00f5es e agendas), para isso seve-se do relativismo de leis e valores para favorecer a estrat\u00e9gia do seu dom\u00ednio global atrav\u00e9s de ONGs que ganhem mais poder de influ\u00eancia que as na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Atendendo aos prossupostos do ide\u00e1rio cultural, a China \u00e9 certamente a civiliza\u00e7\u00e3o mais apta para dar resposta e at\u00e9 para gerir o globalismo como intentona anticivilizacional. Da\u00ed a necessidade da Europa se tornar consciente disto e saber defender-se contra a proletariza\u00e7\u00e3o cultural em via.<\/strong><\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o aproveita-se na China de uma mentalidade comunit\u00e1ria (tipo nacionalismo que prescinde do indiv\u00edduo) que \u00e9, neste sentido, semelhante \u00e0 isl\u00e2mica e ao comunismo prolet\u00e1rio, em que o indiv\u00edduo \u00e9 considerado apenas um meio, um instrumento a operar em fun\u00e7\u00e3o da sociedade que \u00e9 superior a ele, pelo facto de este n\u00e3o ser acompanhado da dignidade inviol\u00e1vel humana (caracter divino da pessoa); isto \u00e9, para eles, o indiv\u00edduo s\u00f3 vale em fun\u00e7\u00e3o do grupo, o que impede uma cria\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de valores fundamentais da pessoa como soberana, o que \u00e9 pr\u00f3prio da mundivis\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 ocidental (isto \u00e9, o que a Civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 tem a transmitir ao mundo: a compatibilidade do humano com o divino, do grupo com a pessoa numa unidade profunda que diria quase natural e, em termos crist\u00e3os, de incarna\u00e7\u00e3o-ressurrei\u00e7\u00e3o). O respeito m\u00fatuo das civiliza\u00e7\u00f5es deve ser palavra de ordem porque cada uma corresponde a um corpo org\u00e2nico pr\u00f3prio que s\u00f3 pode ser ordenado num superorganismo na qualidade de \u00f3rg\u00e3o dele e n\u00e3o instrumentalizada ou at\u00e9 declarada como campo de batalha dos pseudoprogressistas da onda em voga.<\/p>\n<p>Ao falar da necessidade da China se abrir aos valores da pessoa e sua dignidade queria apontar para um aspecto fundamental de um humanismo que daria mais sustentabilidade \u00e0 China. Estou convencido que este \u00e9 o caminho que tamb\u00e9m corresponde a uma verdadeira \u00a0vis\u00e3o global de Teilhard de Chardin e ao aprofundamento da f\u00f3rmula trinit\u00e1ria que revela muito de comum (compat\u00edvel) e de enriquecimento m\u00fatuo no di\u00e1logo das civiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O bom senso comum reconhece que ningu\u00e9m \u00e9 t\u00e3o rico que n\u00e3o tenha algo para receber e ningu\u00e9m \u00e9 t\u00e3o pobre que n\u00e3o tenha nada para dar! Para isso as civiliza\u00e7\u00f5es ter\u00e3o de abandonar a sua legitima\u00e7\u00e3o da guerra que prov\u00e9m do sentimento de superioridade.<\/p>\n<p><strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>In Pegadas do Tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Civiliza\u00e7\u00e3o mais compat\u00edvel com o Globalismo Por Ant\u00f3nio Justo Ainda a respeito do texto sobre (\u201cPresidente chin\u00eas faz neg\u00f3cio em Portugal\u201d), um leitor questionou o facto de eu \u00a0ter aludido aos direitos humanos para a China (pa\u00eds dos cem nomes) porque \u00e9 um povo com uma cultura totalmente diferente, e que encara a vida &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5154\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">SINCRETISMO CHIN\u00caS ANIMA O NEG\u00d3CIO N\u00c3O S\u00d3 EM PORTUGAL<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,14,4,7,8,16],"tags":[],"class_list":["post-5154","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-economia","category-educacao","category-politica","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5154"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5154\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5156,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5154\/revisions\/5156"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}