{"id":5130,"date":"2018-12-03T00:02:35","date_gmt":"2018-12-02T23:02:35","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5130"},"modified":"2018-12-03T00:12:10","modified_gmt":"2018-12-02T23:12:10","slug":"do-porque-das-revoltas-em-franca-e-nao-na-alemanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5130","title":{"rendered":"DO PORQU\u00ca DAS REVOLTAS EM FRAN\u00c7A E N\u00c3O NA ALEMANHA"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">Pol\u00edtica preventiva e convergente alem\u00e3 e Pol\u00edtica reagente francesa<\/h2>\n<p><strong>Por Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>A luta j\u00e1 dura h\u00e1 tr\u00eas semanas; os \u201ccoletes amarelos\u201d come\u00e7aram a protestar contra altos pre\u00e7os da gasolina, o programado imposto ecol\u00f3gico sobre o gas\u00f3leo e contra a pol\u00edtica reformista de Macron. No princ\u00edpio foi conseguiram mobilizar 282.000 pessoas em toda a Fran\u00e7a, h\u00e1 uma semana, segundo o ministro do interior protestaram 106.000 e agora 75.000; <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=T3IhjE277cU\">neste fim de semana 133 pessoas ficaram feridas,<\/a> incluindo 23 policiais.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Le Figaro considera 77% das protestas como \u201cjustificadas\u201d. Facto \u00e9 que por toda a parte se nota que a Europa atingiu o cl\u00edmax no favorecimento da plutocracia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em Paris, continuam os grandes tumultos nos protestos; certamente com muitos extremistas infiltrados que em tais ocasi\u00f5es se aproveitam de manifesta\u00e7\u00f5es pac\u00edficas para criarem viol\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p>A favor dos manifestantes est\u00e1 o facto de governos possibilitarem a constru\u00e7\u00e3o de mundos t\u00e3o diferentes no seu meio: o extremo da riqueza e o extremo da pobreza e revela-se contra os manifestantes a infiltra\u00e7\u00e3o de profissionais da viol\u00eancia.<strong> Triste \u00e9 o facto de um presidente que parece viver numa torre de marfim s\u00f3 ouvir o clamor popular depois de alguns usarem o instrumento da viol\u00eancia (Deste modo a pol\u00edtica revela dar mais valor ao instrumento do uso da viol\u00eancia).<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o interessa aqui distinguir entre viol\u00eancia boa e viol\u00eancia m\u00e1: o que \u00e9 facto \u00e9 que os estados quando pretendem afirmar a sua posi\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica a n\u00edvel internacional tiram \u00e0 boca do povo para fortalecerem as grandes empresas que s\u00e3o aquelas que v\u00e3o concorrer com outras grandes empresas a n\u00edvel internacional; isto foi o que fez o Chanceler Helmut Kohl e o que fez o chanceler Schr\u00f6der e \u00e9 o que pretende agora fazer Macron.<\/strong><\/p>\n<p>O que est\u00e1 a acontecer com Macron aconteceria com um outro governo que desejasse assumir responsabilidade numa Uni\u00e3o Europeia que quizesse continuar a ser como \u00e9. <strong>Macron quer que a Fran\u00e7a recupere para se afirmar com a Alemanha como eixo da EU e, para isso, tenta afinar a pol\u00edtica social interna francesa com a alem\u00e3 e, por seu lado, a Alemanha tenta recuperar no armamento para que a Europa possa concorrer com os USA no mundo!<\/strong><\/p>\n<p>Macron est\u00e1 a tentar fazer agora na Fran\u00e7a o que os alem\u00e3es j\u00e1 fizeram no princ\u00edpio do s\u00e9culo! Na Alemanha, durante muitos anos todos os empregados, inclu\u00eddos tamb\u00e9m os do Estado, tiveram de ver contidos os seus ordenados e at\u00e9 direitos reduzidos, e de assistir a aumentos de sal\u00e1rios que n\u00e3o cobriam a infla\u00e7\u00e3o. Foi principalmente devido \u00e0 pol\u00edtica nacional de Schr\u00f6der &#8211; \u201cAgenda 2010\u201d elaborada e come\u00e7ada a aplicar no governo da coliga\u00e7\u00e3o SPD e Verdes de 2003 a 2005 &#8211; o que proporcionou \u00e0 Alemanha adiantar-se na concorr\u00eancia com os outros parceiros europeus com as multinacionais internacionais (o que tirou \u00e0 generalidade dos cidad\u00e3os beneficiou-a na concorr\u00eancia internacional)! Hoje, que a Alemanha se encontra numa posi\u00e7\u00e3o forte, j\u00e1 se pensa em p\u00f4r na ordem do dia o agendamento de direitos sociais ent\u00e3o perdidos pelos trabalhadores e desempregados. (Isto nunca se daria em Portugal, pelas m\u00e3os de um governo de esquerda, como aconteceu na Alemanha, porque a esquerda portuguesa n\u00e3o entende de assuntos de economia nacional, contenta-se com uma pol\u00edtica de subservi\u00eancia e de subsist\u00eancia popular, de que tira cr\u00e9ditos a n\u00edvel de elei\u00e7\u00f5es). Por\u00e9m, neste emaranhado e diferenciamento de situa\u00e7\u00f5es, o factor v\u00e1lido de avalia\u00e7\u00e3o e compara\u00e7\u00e3o ser\u00e1 os n\u00edveis de vida nacionais, incluindo o dos mais pobres.<\/p>\n<p><strong>Hoje os problemas adquirem maior insufla\u00e7\u00e3o e tornam-se socialmente mais graves porque a gera\u00e7\u00e3o facebookiana cada vez est\u00e1 mais informada apesar das campanhas, que as for\u00e7as estabelecidas ou bem servidas, fazem contra ela;<\/strong> isto enquanto a n\u00e3o controlarem tamb\u00e9m! O esc\u00e2ndalo da plutocracia \u00e9 cada vez maior com a anu\u00eancia da fam\u00edlia pol\u00edtica europeia, o que constitui um real rastilho de inc\u00eandio!<\/p>\n<p><strong>Os motivos que levaram o povo a expressar-se toscamente em Paris n\u00e3o provocariam tal numa Alemanha, embora esta se veja, cada vez mais complexa na sua popula\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>A pol\u00edtica alem\u00e3 \u00e9 preventiva: da\u00ed o Comportamento pol\u00edtico e social Alem\u00e3o ser diferente do Franc\u00eas.<\/strong><\/h3>\n<p>Pelo que depreendo das rela\u00e7\u00f5es institucionais do aparelho estatal alem\u00e3o e do corporativismo liberal alem\u00e3o posso estar confiante que a pol\u00edtica alem\u00e3 continuar\u00e1 no sentido estabilizador e fortalecedor do Estado alem\u00e3o e da EU. (A discuss\u00e3o da pol\u00edtica neoliberal fica para um cap\u00edtulo \u00e0 parte!).<\/p>\n<p><strong>Na Alemanha a rela\u00e7\u00e3o do Governo para com a Na\u00e7\u00e3o e o povo \u00e9 de caracter preventivo e como tal convergente enquanto que a pol\u00edtica da Fran\u00e7a (dos povos latinos) \u00e9 de caracter reactivo. <\/strong><\/p>\n<p>Os partidos alem\u00e3es t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o mais cooperativa com o Estado e com o povo; isto, ao contr\u00e1rio do que acontece com os partidos e sindicatos dos povos latinos, que n\u00e3o conseguiram ainda libertar-se da influ\u00eancia jacobina francesa nem de um certo esp\u00edrito antigo de senhorio e de coutadas. Enquanto o alem\u00e3o, para dar um passo em frente, t\u00eam de ver um quil\u00f3metro \u00e0 sua frente, o latino arrisca dar o passo sem se preocupar com o poss\u00edvel abismo (basta-lhe olhar para o parceiro da frente como se ele fosse o criador do caminho). Por isso o Governo em conjunto com as corpora\u00e7\u00f5es procura assumir responsabilidade de modo a o seu povo viver de est\u00f4mago bem cheio prevendo j\u00e1 o que vai acontecer nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo preventivo \u00e9 pr\u00f3prio de quem domina e quer dominar a situa\u00e7\u00e3o no sentido do bem-estar de todos. A elite tem uma consci\u00eancia elevada de na\u00e7\u00e3o e embora com interesses pr\u00f3prios, quando h\u00e1 perigo juntam-se todos, abdicando cada qual algo da sua banha para a p\u00f4r ao servi\u00e7o do bem maior que \u00e9 a sociedade alem\u00e3 no seu conjunto. \u00a0Esta \u00e9 a diferen\u00e7a e a grande chance dos alem\u00e3es! <strong>Na Alemanha moderna n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel formas de combate e reivindica\u00e7\u00f5es do tipo jacobino franc\u00eas na base de capelinhas e lojas (1). <\/strong>Em vez disso exercem-se ritualmente ensaios de manifesta\u00e7\u00f5es locais que v\u00e3o acompanhando as conserva\u00e7\u00f5es a alto n\u00edvel onde o Estado combina, simultaneamente, consensos com as institui\u00e7\u00f5es; muitas vezes s\u00e3o escolhidos antigos pol\u00edticos como conciliadores entre as partes.<\/p>\n<p><strong>Na Alemanha a rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre Estado e corpora\u00e7\u00f5es \u00e9 respeitosa e respeit\u00e1vel; h\u00e1 como que uma cumplicidade natural! Isso ajuda a Alemanha a ser verdadeiramente grande e a ser invejada por muitos que preferem dedicar mais tempo ao canto da cigarra do que ao trabalho da formiga!<\/strong><\/p>\n<p>No Estado alem\u00e3o d\u00e1-se uma interac\u00e7\u00e3o s\u00e3 e produtiva com as institui\u00e7\u00f5es sejam elas a n\u00edvel de governo, administra\u00e7\u00e3o, partido, igreja, sindicato e organiza\u00e7\u00f5es culturais e estrangeiras. Os partidos tradicionais, com assento no poder, consideram-se primeiramente como corpora\u00e7\u00f5es aliadas ao interesse do Estado e do povo, assumindo o Estado um caracter mediador e s\u00f3 em segundo plano defenderem os interesses partid\u00e1rios (corporativos). <strong>Sindicatos e partidos com capacidade para responsabilidade (aqueles que at\u00e9 agora t\u00eam participado na governa\u00e7\u00e3o) s\u00f3 desafiam o Estado at\u00e9 ao ponto em que este n\u00e3o seja humilhado nem tenha de empobrecer.<\/strong><\/p>\n<p>Na Alemanha as manifesta\u00e7\u00f5es sindicais s\u00e3o de caracter mais social do que partid\u00e1rio; de resto h\u00e1 muitas manifesta\u00e7\u00f5es de caracter ideol\u00f3gico entre partidos de extremos polares; tamb\u00e9m \u00e9 uso fazerem-se certos manifestos radicais em bairros sociais ou em manifesta\u00e7\u00f5es de implica\u00e7\u00f5es internacionais que envolvem participa\u00e7\u00e3o de grupos vindos do Estrangeiro como tem acontecido em Berlim e em Hamburgo!<\/p>\n<p><strong>Para os alem\u00e3es e suas institui\u00e7\u00f5es, um Estado pobre significaria um povo pobre e disso est\u00e3o conscientes os partidos, a religi\u00e3o e os sindicatos que em vez de rivais se consideram como agentes complementares<\/strong>; por isso n\u00e3o atuam t\u00e3o irresponsavelmente como em pa\u00edses latinos onde talvez o desconforto \u00e9 maior e por isso tamb\u00e9m se tornam naturais tais extremismos! Em quest\u00f5es de previd\u00eancia e de previs\u00e3o os Estados latinos t\u00eam de aprender alguma coisa com os n\u00f3rdicos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>Do Feitio portugu\u00eas<\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social portuguesa, que ainda n\u00e3o acordou para o que se passa em economia, e pouco se d\u00e1 conta do que acontece realmente em Portugal, muitos comentadores portugueses relatam os exageros do Champs d\u2019 Eys\u00e9es, com um esp\u00edrito que deixa antever algo nost\u00e1lgico de alguns ressentimentos que os revolucion\u00e1rios portugueses, depois do golpe do 25 de Novembro reservam para o Bloco de Esquerda.<\/p>\n<p>Em Portugal urge uma opini\u00e3o publicada que se articule em termos de racionalidade e responsabilidade c\u00edvica, econ\u00f3mica e nacional.<\/p>\n<p>Comungamos muito do jeito franc\u00eas embora tragamos nos nossos genes galaico-portugueses muito da heran\u00e7a germ\u00e2nica goda.<\/p>\n<p>Temos de nos aproximar, da estrat\u00e9gia, do jeito europeu n\u00f3rdico para n\u00e3o continuarmos presos ao estilo de articula\u00e7\u00e3o afrancesada, como se ainda n\u00e3o tiv\u00e9ssemos passado al\u00e9m do s\u00e9culo XIX e princ\u00edpios do s\u00e9culo XX.\u00a0 Portugal sofre aqui de uma pesada carga de que s\u00e3o respons\u00e1veis as nossas elites (principalmente pol\u00edticas) que se t\u00eam contentado em ser administradores de um Portugal tornado fazenda de interesses estrangeiros (principalmente a partir das invas\u00f5es francesas). Chega-se a ter a impress\u00e3o de que os nossos pol\u00edticos se contentam em viver bem \u00e0 custa do povo \u00e0 imagem dos gerentes de outrora de vinhas e vinhateiros do Douro ao servi\u00e7o dos ingleses. Portugal precisa de se repensar e as suas elites come\u00e7arem em parte como os alem\u00e3es a adoptar uma pol\u00edtica preventiva para que o povo alcance o brilho de quando era grande.<\/p>\n<h5>(1) Embora, em tempos de globaliza\u00e7\u00e3o, surgir\u00e3o grupos violentos que operar\u00e3o ao modo dos jihadistas que tratar\u00e3o de se apropriar-se das reivindica\u00e7\u00f5es das manifesta\u00e7\u00f5es populares para fazerem o seu jogo de desconstru\u00e7\u00e3o da sociedade, servindo-se do apoio dos seus irm\u00e3os \u201crevolucion\u00e1rios mercen\u00e1rios\u201d de v\u00e1rios pa\u00edses!<\/h5>\n<p><strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>In \u201cPegadas do Tempo\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pol\u00edtica preventiva e convergente alem\u00e3 e Pol\u00edtica reagente francesa Por Ant\u00f3nio Justo A luta j\u00e1 dura h\u00e1 tr\u00eas semanas; os \u201ccoletes amarelos\u201d come\u00e7aram a protestar contra altos pre\u00e7os da gasolina, o programado imposto ecol\u00f3gico sobre o gas\u00f3leo e contra a pol\u00edtica reformista de Macron. 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