{"id":5124,"date":"2018-11-30T20:00:45","date_gmt":"2018-11-30T19:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5124"},"modified":"2018-11-30T20:01:14","modified_gmt":"2018-11-30T19:01:14","slug":"o-rosto-dos-portuguese-na-diaspora-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=5124","title":{"rendered":"O ROSTO DOS PORTUGUESE NA DIASPORA &#8211; 1"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">Da Participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos Emigrantes nas Sociedades de Acolhimento<\/h2>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pelo que pude observar na Fran\u00e7a e na Alemanha, os portugueses integram-se rapidamente na sociedade de acolhimento, mas n\u00e3o se preocupam suficientemente com a sua presen\u00e7a comunit\u00e1ria a n\u00edvel institucional ou dos partidos das sociedades de acolhimento.<\/p>\n<p>Independentemente do n\u00edvel de escolaridade, os portugueses s\u00e3o, genericamente, muito reservados quanto ao empenho politico e organizacional.\u00a0 De maneira geral, destacam-se como personalidades individuais, mas n\u00e3o como grupos organizados.<\/p>\n<p><strong>Felizmente, na Fran\u00e7a e no Luxemburgo j\u00e1 se observa o acordar de uma gera\u00e7\u00e3o consciente de que a presen\u00e7a portuguesa na pol\u00edticae na sociedade se torna muito importante para o delinear do rosto portugu\u00eas num pa\u00eds de imigra\u00e7\u00e3o. Esta realidade n\u00e3o seguir\u00e1 o mesmo caminho na Alemanha. Na Alemanha \u00e9 necess\u00e1ria n\u00e3o s\u00f3 a estrat\u00e9gia da via individual, mas especialmente a via institucional (associativa).<\/strong><\/p>\n<p>Notam-se diferen\u00e7as essenciais na maneira como a Alemanha e a Fran\u00e7a estabelecem as suas estruturas de relacionamento e ordenamento da vida nacional e na forma como o Estado determina a integra\u00e7\u00e3o e a interac\u00e7\u00e3o entre ele, povo e organiza\u00e7\u00f5es. Torna-se relevante as formas de participa\u00e7\u00e3o de determinados grupos sociais (e de interesses) nos processos de decis\u00e3o pol\u00edtica de na\u00e7\u00f5es com tradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e administrativas diferentes.<\/p>\n<p><strong>Da\u00ed a necessidade de um conhecimento mais pr\u00f3ximo das especificidades de cada pa\u00eds para se partir de uma diferencia\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de afirma\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a portuguesa nas diferentes na\u00e7\u00f5es<\/strong> (isto deveria estar presente na consci\u00eancia de multiplicadores e na defini\u00e7\u00e3o de fomento de pol\u00edtica associativa por parte do departamento das comunidades (MNE\/SECP, Embaixador, Consulados, Miss\u00f5es, associa\u00e7\u00f5es, etc.).<\/p>\n<p><strong>Na Fran\u00e7a predomina mais um pluralismo liberal de interesses em que os representantes das associa\u00e7\u00f5es assumem mais um caracter de actores individuais<\/strong>; n\u00e3o se nota tanto uma cumplicidade de cima para baixo atrav\u00e9s de uma coniv\u00eancia do Estado com as corpora\u00e7\u00f5es, ao contr\u00e1rio do que acontece na Alemanha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Na Alemanha a articula\u00e7\u00e3o de interesses d\u00e1-se mais atrav\u00e9s de corpora\u00e7\u00f5es<\/strong> (funda\u00e7\u00f5es, associa\u00e7\u00f5es, iniciativas, etc.); o acesso ao poder e o contacto do poder com o povo d\u00e1-se de forma org\u00e2nica institucionalizada. \u00a0<strong>Cria-se assim uma coniv\u00eancia rec\u00edproca entre o Estado e as suas corpora\u00e7\u00f5es. Por isso a colabora\u00e7\u00e3o entre Estado-Igreja, Estado-Isl\u00e3o, Estado-Juda\u00edsmo, Estado-sindicatos, Estado-partidos, etc., realiza-se numa coopera\u00e7\u00e3o de bilateralidade interna; deste modo o Estado alem\u00e3o assegura a paz do povo na medida em que as corpora\u00e7\u00f5es mais representativas se tornam tamb\u00e9m elas coniventes com o Estado numa coopera\u00e7\u00e3o rec\u00edproca que se revela \u00fatil para as duas partes e na s\u00famula um bem para toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Deste modo a Alemanha fomenta o surgir de corpora\u00e7\u00f5es com fun\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria dando a impress\u00e3o de n\u00e3o ser t\u00e3o independente como o Estado franc\u00eas. Este sistema de caracter comunicativo interinstitucional \u00e9 caracter\u00edstico e n\u00e3o d\u00e1 nas vistas a n\u00edvel social (muitos dos problemas resolvem-se a esse n\u00edvel, sem terem a necessidade de tanta express\u00e3o na pra\u00e7a p\u00fablica, o que pressuporia uma via mais longa!).<\/p>\n<p><strong>Esta forma de criar consensos e de se implementar interesses discrimina os estrangeiros n\u00e3o organizados em associa\u00e7\u00f5es intercomunicativas, porque deixam de ter articula\u00e7\u00e3o suficiente, uma vez que carecem de media\u00e7\u00e3o leg\u00edtima e autorizada. Processa-se um mecanismo de ac\u00e7\u00e3o e controle de cima para baixo (por vezes numa colabora\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de confer\u00eancias espec\u00edficas que englobam pol\u00edticos, administra\u00e7\u00e3o e a associa\u00e7\u00e3o de interesses<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Este sistema favorece as maiorias organizadas<\/strong> e corresponde a um processo de intercomunica\u00e7\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o de consensos, a n\u00edvel mais t\u00e9cnico e especializado, que leva a uma aquisi\u00e7\u00e3o de compromissos e resultados bastante eficientes. (Um exemplo: cheguei a ser convocado para confer\u00eancias da administra\u00e7\u00e3o onde se encontravam \u00e0 mesa os representantes dos diferentes grupos de interesses, de modo que j\u00e1 antes de haver uma discuss\u00e3o p\u00fablica sobre a mudan\u00e7a de legisla\u00e7\u00e3o, tinha havido, a n\u00edvel interno, a discuss\u00e3o com as partes, passando esta s\u00f3 mais tarde para o terreno p\u00fablico e posteriormente concretizada em lei; h\u00e1 metas de Estado, por vezes mais abrangentes do que a discuss\u00e3o p\u00fablica permite imaginar! Uma t\u00e1tica semelhante, usam organiza\u00e7\u00f5es da ONU para melhor poderem fazer valer a sua agenda).<\/p>\n<p>Nas rela\u00e7\u00f5es\u00a0 Estado-estrangeiros, j\u00e1 por for\u00e7a imanente ao sistema, os turcos s\u00e3o beneficiados, n\u00e3o s\u00f3 pelo n\u00famero mas porque t\u00eam um sistema de organiza\u00e7\u00e3o semelhante ao alem\u00e3o (as associa\u00e7\u00f5es turcas, todas elas em torno das mesquitas atuam em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade e \u00e0 pol\u00edtica, independentemente do que acontece em baixo (no povo mu\u00e7ulmano), que se quer at\u00e9 afastado das conversa\u00e7\u00f5es para n\u00e3o se deixarem influenciar por multiplicadores terceiros e assim se manter coesa a estrutura representativa que tem objectivos mais abrangentes do que o povo mas a que este deve ficar alheio). Decis\u00f5es pol\u00edticas legislativas e culturais s\u00e3o preparadas e acontecem por via institucionalizada (atrav\u00e9s de contactos institucionalizados com as associa\u00e7\u00f5es, numa esp\u00e9cie de corporativismo liberal onde se realiza a articula\u00e7\u00e3o de interesses.<\/p>\n<p>Portanto, se na Alemanha poder\u00edamos partir de um corporativismo liberal de participa\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria de organiza\u00e7\u00f5es sociais com o Estado, numa Fran\u00e7a seria talvez mais apropriado falar de um pluralismo liberal de consulta e influ\u00eancia mais individual. Nos pa\u00edses latinos, os mecanismos do poder atuam de outra forma, aparentemente mais liberal e pluralista.<\/p>\n<p>Grupos de interesse sem organiza\u00e7\u00f5es bem conectadas n\u00e3o contam tanto, num sistema como o alem\u00e3o; o que os leva a encostar-se a outras etnias grandes e at\u00e9 a favorece-las, embora de interesses, por vezes, antag\u00f3nicos (p. ex. certas participa\u00e7\u00f5es em Conselhos de Estrangeiros na Alemanha).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o observa-se tamb\u00e9m nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social da Alemanha que ou s\u00f3 falam de refugiados, de estrangeiros em geral, de turcos ou de judeus!<\/p>\n<p>Interesses n\u00e3o organizados n\u00e3o existem, porque o Estado\/Comunas, n\u00e3o negociam com o indiv\u00edduo; para tal tem de haver uma organiza\u00e7\u00e3o interm\u00e9dia representante dos imigrantes portugueses. Em democracia os interesses debatem-se na pra\u00e7a p\u00fablica atrav\u00e9s de grupos de interesse, at\u00e9 porque o Estado n\u00e3o \u00e9 a Caritas! (Na Alemanha, os conselhos de estrangeiros revelam-se como conselhos de mesquitas devido \u00e0 sua avassaladora presen\u00e7a e \u00e0s suas estrat\u00e9gias de autoafirma\u00e7\u00e3o.)<\/p>\n<p>Assim, o n\u00famero de membros e a diversidade de interesses de uma comunidade pode debilitar a sua for\u00e7a representativa e reivindicativa, porque a ordem das coisas n\u00e3o \u00e9 a popular\u2026. Da\u00ed a <strong>necessidade de uma presen\u00e7a associativa oficialmente implementada<\/strong>, doutro modo tudo fala de uma sociedade pluralista, mas reduzida \u00e0 express\u00e3o dos mais espertos que se afirmam pela organiza\u00e7\u00e3o ou pelo n\u00famero.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo texto continuarei o assunto, mas descendo mais \u00e0 realidade que determinam a diferen\u00e7a de formas de participa\u00e7\u00e3o no processo de decis\u00e3o pol\u00edtica e comportamentos em diferentes Estados.<\/p>\n<p><strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>In \u201cPegadas do Tempo\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da Participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos Emigrantes nas Sociedades de Acolhimento Ant\u00f3nio Justo Pelo que pude observar na Fran\u00e7a e na Alemanha, os portugueses integram-se rapidamente na sociedade de acolhimento, mas n\u00e3o se preocupam suficientemente com a sua presen\u00e7a comunit\u00e1ria a n\u00edvel institucional ou dos partidos das sociedades de acolhimento. 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