{"id":4995,"date":"2018-10-19T16:25:02","date_gmt":"2018-10-19T15:25:02","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4995"},"modified":"2018-10-23T11:23:01","modified_gmt":"2018-10-23T10:23:01","slug":"a-agenda-politico-cultural-que-nos-subjuga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4995","title":{"rendered":"A AGENDA POL\u00cdTICO-CULTURAL QUE NOS SUBJUGA"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">Por que pensamos como pensamos?<\/h2>\n<p><strong>Por Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 \u00e0 desmantela\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o sovi\u00e9tica (1) viv\u00edamos em sociedades que pensavam e se afirmavam pela polaridade; com a queda do muro de Berlim passou-se a um outro extremo que \u00e9 a ideologia de um holismo extremo que pretende negar identidades pr\u00f3prias (as partes) em nome do todo e vice-versa; para isso serve-se da t\u00e9cnica da ambival\u00eancia (muito caracter\u00edstica no isl\u00e3o) uma pr\u00e1tica substituidora de uma autoridade institucional legitimadora porque se funda no saber do perito ou do pr\u00f3prio e tende a desautorizar as institui\u00e7\u00f5es tradicionais e regionais (ordens e estruturas), permitindo assim\u00a0 preparar o estabelecimento de um dom\u00ednio an\u00f3nimo global.<\/p>\n<p>A cultura ocidental encontra-se amea\u00e7ada pela mentalidade exagerada do \u201cpensar politicamente correcto\u201d que, muitas vezes em nome da toler\u00e2ncia, presta apoio ao abuso dos direitos das minorias; tamb\u00e9m a afirma\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica de novos direitos (que minam os direitos humanos fundamentais); tudo isto em nome de um progressismo que se afirma, j\u00e1 sem necessidade de justifica\u00e7\u00e3o, devido a condi\u00e7\u00f5es gerais criadas especialmente pela revolu\u00e7\u00e3o cultural da Gera\u00e7\u00e3o 68.<\/p>\n<p>Encontrei um livro que equaciona e d\u00e1 resposta a muitas preocupa\u00e7\u00f5es que durante dezenas de anos ia manifestando nos meus artigos. O livro de Marguerite A. Peeters \u201cA Globaliza\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Cultural Ocidental:\u00a0 Conceitos-Chave e Mecanismos Operacionais\u201d (Principia, 2015) deveria tornar-se num comp\u00eandio de apoio a professores, multiplicadores sociais e pessoas de boa vontade que n\u00e3o se satisfa\u00e7am com uma opini\u00e3o formada a partir de uma s\u00f3 ideologia ou que n\u00e3o se queiram deixar levar na torrente avassaladora do \u201cpoliticamente correcto\u201d. Um verdadeiro interesse pelo desenvolvimento ter\u00e1 de passar da simples conversa estabilizadora do status quo para o debate. A cultura do debate foi banida do discurso p\u00fablico e quando muito transformada numa pedagogia do pensar politicamente correcto; falta a coragem de se voltar ao <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3336\">m\u00e9todo da controv\u00e9rsia<\/a> no di\u00e1logo.<\/p>\n<p><strong>Pelo que se depreende do livro a <a href=\"http:\/\/revistas.ibero.mx\/juridica\/articulos_pdf\/818219.pdf\">ONU para adquirir o monop\u00f3lio mundial sobre a \u00e9tica<\/a> e sobre a pol\u00edtica pretende implantar em todos os pa\u00edses os consensos adquiridos nas suas confer\u00eancias, em leis universais e para isso organizou nos anos 90 (especialmente ap\u00f3s a queda do muro de Berlim 1989!) confer\u00eancias<\/strong>, (2) <strong>Estas confer\u00eancias tiveram como finalidade elaborar uma Agenda para a ONU no sentido de, pouco a pouco, \u00a0tornar o mundo de pa\u00edses e culturas pr\u00f3prias num s\u00f3 latif\u00fandio e numa monocultura.<\/strong><\/p>\n<p>A Agenda e o objetivo dessas confer\u00eancias era &#8220;<strong>construir uma nova vis\u00e3o do mundo, uma nova ordem mundial, um novo consenso global sobre as normas, valores e prioridades da comunidade internacional no s\u00e9culo XXI<\/strong>&#8220;.<\/p>\n<p>Para conseguir a hegemonia monol\u00edtica universal a ONU pretende indirectamente destruir a identidade ocidental, porque \u00e9 aquela que se apresenta como sistema global concorrente ao seu projecto. A ONU, com muitas iniciativas, muitas delas muito justas e necess\u00e1rias para o desenvolvimento, consegue operar na confus\u00e3o e indefini\u00e7\u00e3o evitando uma discuss\u00e3o do que se est\u00e1 sub-repticiamente a passar com a sua agenda no combate sistem\u00e1tico contra os fundamentos da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental tamb\u00e9m atrav\u00e9s de ONGs.<\/p>\n<p><strong>Assim, a ONU quer tornar-se no que se poderia denominar de um \u201ccatolicismo\u201d laico materialista e ateu; para isso substitui laicamente o que poderia ser uma agenda urbi et orbi. A Agenda pretende a desvincula\u00e7\u00e3o da pessoa \u00e0 fam\u00edlia, estado ou religi\u00e3o; pretende como se constata em diversos movimentos e eventos reduzir a pessoa a um mero indiv\u00edduo para o poder influenciar directamente, sem ter, num estado final, o empecilho da fam\u00edlia, da religi\u00e3o ou da na\u00e7\u00e3o; neste sentido quer destruir o seu rival Deus ou confin\u00e1-lo a religi\u00f5es relativizadas e consideradas todas iguais, fazendo delas um mesmo pur\u00e9; consideram a cren\u00e7a num Deus, uma for\u00e7a poderosa a banir, porque estaria ao lado do indiv\u00edduo, dando-lhe consist\u00eancia e for\u00e7a de pessoa (Consci\u00eancia pr\u00f3pria); um indiv\u00edduo pessoa (com inser\u00e7\u00e3o grupal espec\u00edfica) \u00a0seria demasiado forte e mais resistente a ideologias; isto constituiria um impedimento ao estabelecimento de um poder absoluto das Na\u00e7\u00f5es Unidas que aposta no relativismo e em ideologias; \u00a0querem a formata\u00e7\u00e3o de um indiv\u00edduo sem espinha dorsal, um molusco que se oriente apenas por leis, tornando-se estas no \u00fanico sustent\u00e1culo dos direitos individuais e da sua moral; pretendem substituir a natureza (realidade) pela ideologia sobre ela, querendo confundir o ser pela vida com o ser-se por uma ideologia sobre a vida. Neste seu intuito, a consci\u00eancia deve ser substitu\u00edda pela mera raz\u00e3o, a ci\u00eancia a ser doutrina e o progresso a tornar-se f\u00e9. <\/strong><\/p>\n<p>Os fil\u00f3sofos da agenda p\u00f3s-moderna pretendem acabar com a tradi\u00e7\u00e3o judeo-crist\u00e3 a ponto de negarem a pr\u00f3pria realidade e o consequente compromisso moral; para assumirem a hegemonia cultural fomentam <strong>o relativismo cultural e reduzem a verdade a um logaritmo de mera oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 mentira<\/strong>; a pr\u00f3pria palavra querem-na desenraizada e carecida de sentido, para assumir um significado ocasional qualquer (com o instrumento da t\u00e9cnica da ambival\u00eancia \u00e9 f\u00e1cil confundir at\u00e9 filosofias de vida mais s\u00e9rias!).<\/p>\n<p>Um outro m\u00e9todo em via \u00e9 a estrat\u00e9gia, de <strong>tornar a regra igual \u00e0 excep\u00e7\u00e3o<\/strong>. \u00a0Em consequ\u00eancia, <strong>a tradi\u00e7\u00e3o e o direito da maioria tornam-se iguais ao da minoria ou ao servi\u00e7o desta<\/strong>; por esta via, aliada \u00e0 toler\u00e2ncia da intoler\u00e2ncia, justifica-se a destrui\u00e7\u00e3o paulatina da cultura e da tradi\u00e7\u00e3o ocidental; isto atrav\u00e9s do fomento da infiltra\u00e7\u00e3o de um grupo minorit\u00e1rio que, pouco a pouco, passa a impor a sua tradi\u00e7\u00e3o e costumes \u00e0 sociedade maiorit\u00e1ria porque o princ\u00edpio do relativismo aplicado \u00e0 sociedade deve funcionar no sentido de a destruir a partir de dentro. Inverte-se o princ\u00edpio selectivo da evolu\u00e7\u00e3o no princ\u00edpio de o mais fraco se sobrepor ao grupo mais forte, em vez de se fomentar uma osmose evolutiva da colabora\u00e7\u00e3o dos mais fracos e dos mais fortes (da\u00ed a estrat\u00e9gia da defesa da multicultura contra a intercultura!). A pol\u00edtica, implantada pela Agenda para a grande maioria invis\u00edvel da ONU actuante, encontra-se em ac\u00e7\u00e3o em todos os Estados do globo, tendo como substracto e como fim \u00faltimo a marxiza\u00e7\u00e3o materialista da cultura. <strong>Por um lado, procura-se combater a fam\u00edlia a pretexto de luta contra a burguesia e contra a tradi\u00e7\u00e3o europeia e por outro destroem-se, pelo mundo fora esses valores em nome do progresso ocidental<\/strong>. Por um lado, a sociedade ocidental sofre a matriza\u00e7\u00e3o marxista da sua cultura ocidental e por outro o ocidente opera como colonizador cultural do resto do mundo, atrav\u00e9s do intento da ONU. O fomento de ONGs e de grupos de interesses anti-tradi\u00e7\u00e3o (Grupos gender, etc.) \u00e9 de tal ordem que se instalam na consci\u00eancia p\u00fablica ocidental como conformes ao seu sistema de valores fazendo esquecer que a virtude se encontra no meio e n\u00e3o nos extremos.<\/p>\n<p>Torna-se embara\u00e7oso verificar-se como no discurso p\u00fablico se encontram tantos arautos convencidos do pensar actual dominante (politicamente correcto) a criticar os arautos do politicamente correcto da Idade M\u00e9dia; o mais grave \u00e9 que os nossos \u201cpensantes\u201d actuais se arroguem o direito \u00e0 verdade pelo simples facto de pertencerem ao pensar correcto do nosso tempo, como se as ovelhas medievais se diferenciassem das ovelhas modernas.<\/p>\n<p>Daqui a necessidade de se implantar uma pol\u00edtica do discurso p\u00fablico da controv\u00e9rsia (para se evitar o discurso infantil do pr\u00f3 e do contra) ao servi\u00e7o da pessoa (n\u00e3o s\u00f3 do indiv\u00edduo!), da regionaliza\u00e7\u00e3o (n\u00e3o s\u00f3 dos interesses corporativistas) e dos bi\u00f3topos culturais, como partes integrantes de ecossistemas culturais.<\/p>\n<p><strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<ul>\n<li>A 26 de Dezembro 1991 oficializa-se a desintegra\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (Abertura do Muro de Berlim em 9 de novembro de 1989): 1991 Michail Gorbatschow abdicou da chefia da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e com isto acaba a uni\u00e3o dos Estados Socialistas que se tinha iniciado com a revolu\u00e7\u00e3o comunista de Outubro 1917 e com o nome de Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica a partir de 1922. Josef Stalin (1878-1953) foi Secret\u00e1rio-Geral do Partido Comunista da URSS (PCUS) desde 1924 at\u00e9 1953.<\/li>\n<li>A \u201cConferencia das crian\u00e7as e seus direitos\u201d (Nova York, 1990); Confer\u00eancia sobre crian\u00e7as e seus direitos (Nova York, 1990); Meio Ambiente (Rio de Janeiro, 1992); Direitos Humanos (Viena, 1993); Popula\u00e7\u00e3o (Cairo, 1994); Desenvolvimento Social (Copenhague, 1995); Mulher (Beijing, 1995); Habitat (Istambul, 1996); e Alimentos (Roma, 1996).<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que pensamos como pensamos? Por Ant\u00f3nio Justo At\u00e9 \u00e0 desmantela\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o sovi\u00e9tica (1) viv\u00edamos em sociedades que pensavam e se afirmavam pela polaridade; com a queda do muro de Berlim passou-se a um outro extremo que \u00e9 a ideologia de um holismo extremo que pretende negar identidades pr\u00f3prias (as partes) em nome do &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4995\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">A AGENDA POL\u00cdTICO-CULTURAL QUE NOS SUBJUGA<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,14,4,5,6,7,8,16],"tags":[],"class_list":["post-4995","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-economia","category-educacao","category-escola","category-migracao","category-politica","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4995","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4995"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4995\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5006,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4995\/revisions\/5006"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4995"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4995"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4995"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}