{"id":4935,"date":"2018-08-04T17:50:23","date_gmt":"2018-08-04T16:50:23","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4935"},"modified":"2018-08-04T22:20:35","modified_gmt":"2018-08-04T21:20:35","slug":"um-rosto-feminino-excepcional-molda-um-mundo-novo-teresa-de-avila","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4935","title":{"rendered":"UM ROSTO FEMININO EXCEPCIONAL MOLDA O MUNDO NOVO &#8211; TERESA DE \u00c1VILA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Import\u00e2ncia da Experi\u00eancia interior como Forma de questionar Ideologias-Doutrinas-Institui\u00e7\u00f5es &#8211; A Amizade \u00e9 uma Maneira de Deus se revelar<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>A exist\u00eancia de Deus n\u00e3o se pode provar, mas as suas pegadas e vest\u00edgios n\u00e3o se deixam apagar! Por isso, no nosso peregrinar, somos guiados n\u00e3o s\u00f3 pela raz\u00e3o intelectual, mas tamb\u00e9m pelas raz\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o, raz\u00f5es religiosas e da experi\u00eancia interior.<\/strong> Exigir provas concretas para o que vai para l\u00e1 do concreto \u00e9 com exigir prender os extremos de uma faixa a dois pontos do horizonte, onde se pretenda baloi\u00e7ar. Provas objectivas encontram-se limitadas a uma dimens\u00e3o intelectual dentro de uma categoria meramente causal (l\u00f3gica do macrocosmo bruto). <strong>Se pretendermos atingir n\u00e3o s\u00f3 o exterior, mas tamb\u00e9m o interior da realidade, para assim nos desenvolvermos integralmente e possibilitarmos a constru\u00e7\u00e3o de um mundo pac\u00edfico, teremos de reconhecer a compatibilidade (complementaridade) do mundo material com o mundo espiritual, <\/strong>da masculinidade com a feminilidade, da raz\u00e3o com a experi\u00eancia interior; doutro modo estaremos condenados a afirmar um lado da realidade contra o outro e a perdermo-nos num beco sem sa\u00edda. O f\u00edsico Carl Friedrich von Weizs\u00e4cker constata: &#8220;A m\u00edstica \u00e9 o fruto natural da raz\u00e3o rigorosa&#8221;. De facto, a verdade \u00e9 profunda precisando das alturas da cabe\u00e7a a passar pelo cora\u00e7\u00e3o para se chegar a ela.<\/p>\n<p><strong>Nos meus tempos de noviciado fui confrontado com uma mulher igual a si mesma,<\/strong> que n\u00e3o tinha medo de pisar o risco, e, como tal, valoriza a feminilidade em rela\u00e7\u00e3o ao outro polo da realidade individual e social dominante que \u00e9 a masculinidade. A experi\u00eancia dela levou-me, bem cedo, a pressentir a Realidade como algo que, embora se expresse de forma contradit\u00f3ria, \u00e9, na verdade, integral e complementar nas suas partes (daqui a consci\u00eancia da necessidade de abordagem da realidade, metodicamente, atrav\u00e9s das vias dos sentidos, da raz\u00e3o, do cora\u00e7\u00e3o e da intui\u00e7\u00e3o numa atitude inclusiva dessas vias, na consci\u00eancia que a verdade transcende a perspectiva e o ponto de vista). A experi\u00eancia interior torna-se indispens\u00e1vel porque d\u00e1 estabilidade \u00e0 pessoa conferindo-lhe independ\u00eancia suficiente para questionar Ideologias-Doutrinas-Institui\u00e7\u00f5es apesar da consci\u00eancia da pr\u00f3pria fragilidade.<\/p>\n<p><strong>VIDA<\/strong><\/p>\n<p>Teresa de \u00c1vila ou <a href=\"Teresa%20de%20Jes\u00fas\">Teresa de Jesus<\/a> ocupa um lugar especial na\u00a0 m\u00edstica e na literatura universal. Foi declarada padroeira de Espanha em 1614 e em 1622 foi elevada \u00e0s honras de santa, pelo Vaticano; em 1922 foi proclamada padroeira dos jogadores de xadrez, (talvez pela sua arguta intelig\u00eancia na maneira de lidar com advers\u00e1rios e superiores) e em 1965 padroeira dos escritores espanh\u00f3is (devido aos seus m\u00e9ritos na l\u00edngua espanhola). <strong>Foi tamb\u00e9m a primeira mulher, na Hist\u00f3ria da Igreja, declarada Doutora da Igreja (1970) pelo Vaticano. (Outras doutoras da Igreja s\u00e3o: Catarina de Sena, Teresa de Lisieux e Hildegard von Bingen)<\/strong>. Todas elas advogam uma teologia m\u00edstica, uma nova maneira de encarar a realidade e de procurar resposta para os problemas da sociedade e da natureza.<\/p>\n<p>A 28.03.2015 fez 500 anos que Teresa nasceu. Era a terceira de dez filhos cujo pai era um fidalgo com antepassados judeus sefarditas.<\/p>\n<p>No seu caminho espiritual sentiu-se dividida entre &#8220;Deus&#8221; e &#8220;mundo \u201c, entre envolver-se inteiramente em Deus ou abra\u00e7ar os prazeres do mundo &#8211; \u201cmundo\u201d no sentido de distrac\u00e7\u00e3o do essencial. Na sua Vida escreve \u201cpor um lado Deus chamou-me, por outro lado eu seguia o mundo\u201d. Aos 20 anos, decidiu entrar num convento carmelita, na sequ\u00eancia de uma experi\u00eancia de convers\u00e3o e de uma rela\u00e7\u00e3o interior com Jesus Cristo. Era uma apaixonada em Deus vivendo numa rela\u00e7\u00e3o amorosa com Jesus Cristo que a torna numa mestre da ora\u00e7\u00e3o interior.<\/p>\n<p>As suas experi\u00eancias e vis\u00f5es eram t\u00e3o pregnantes que ela mesma se apresentou \u00e0 Inquisi\u00e7\u00e3o com o pedido, de analisar se elas eram eventuais &#8220;insinua\u00e7\u00f5es do mal.&#8221; Reconhecia: \u201cNunca perdi a confian\u00e7a na miseric\u00f3rdia de Deus, mas, em mim, frequentemente\u201d (Vida, 9,7).<\/p>\n<p>Depois de uma doen\u00e7a grave (1539) e com a leitura do livro \u201cConfiss\u00f5es\u201d de Sto. Agostinho a sua alma encontrou mais paz. Santo Agostinho e Dion\u00edsio Areopagita desempenharam um grande papel no conceito de amizade e na espiritualidade de Teresa de \u00c1vila.<\/p>\n<p>Com a sua segunda convers\u00e3o (em 1554: Vida,9,1-3, ao ter um \u00eaxtase perante uma imagem de Cristo abandonado<strong>, teve a experi\u00eancia que Deus a ama como ela \u00e9<\/strong>. A partir da\u00ed supera a desvincula\u00e7\u00e3o entre Deus e Mundo e come\u00e7ando uma \u201cvida nova\u201d.<\/p>\n<p>Apoiada pelo Bispo de \u00c1vila recebeu do papa Pio IV a permiss\u00e3o para fundar o Convento de S. Jos\u00e9 (1562) e seguir as regras da ordem de Santo Alberto de Jerusal\u00e9m.<strong> Dois tra\u00e7os caracterizam a nova comunidade: viver em estrita coordena\u00e7\u00e3o do trabalho manual (para n\u00e3o estar dependente dos benfeitores) com a pr\u00e1tica di\u00e1ria da ora\u00e7\u00e3o interior<\/strong>. S. Jo\u00e3o da Cruz entusiasmou-se com as ideias reformadoras de Teresa; os dois dirigiram conventos com um mesmo estilo de vida de irm\u00e3os, onde se exercitava o autoconhecimento atrav\u00e9s do exerc\u00edcio da humildade (arte do morrer do ego) e da viv\u00eancia de uma intensiva amizade com Jesus: espiritualidade da amizade.<\/p>\n<p>Em1580, pouco antes de morrer, viu reconhecida a sua obra sendo-lhe concedida a autonomia de ordem provincial, para os seus conventos.<\/p>\n<p>Santa Teresa D\u2019\u00c1vila (Teresa de Cepeda) \u00e9 uma m\u00edstica. Entre outras, escreveu a obra \u201c<a href=\"http:\/\/www.documentacatholicaomnia.eu\/03d\/1515-1582,_Teresa_d%27Avila,_Caminho_de_Perfeicao,_PT.pdf\">caminho de perfei\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d; Por causa da sua obra \u201c<a href=\"https:\/\/textoscarmelitas.blogspot.com\/search\/label\/livro%20da%20vida\">Livro da Vida<\/a>\u201d teve que enfrentar <a href=\"https:\/\/www.mecd.gob.es\/brasil\/dms\/consejerias-exteriores\/brasil\/2015\/publicaciones\/santa-teresa.pdf\">a Inquisi\u00e7\u00e3o<\/a> por ser acusada de \u201calumiada\u201d. Teresa escreveu \u201c<a href=\"http:\/\/www.documentacatholicaomnia.eu\/03d\/1515-1582,_Teresa_d%27Avila,_Moradas_Ou_Castelo_Interior,_PT.pdf\"><strong>As moradas do castelo interior<\/strong><\/a>\u201d onde nos descreve o caminho e os passos da vida interior para chegar, apesar das dificuldades,\u00a0 \u00e0 comunh\u00e3o com Deus. Revela-se tamb\u00e9m interessante o estudo das <a href=\"https:\/\/textoscarmelitas.blogspot.com\/2014\/02\/estudo-das-obras-menores-de-santa.html\">Obras menores<\/a>.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 a primeira autobi\u00f3grafa de Espanha. O seu saber fundamenta-o na \u201cexperi\u00eancia\u201d<\/strong> que surge d<strong>a interioridade e escapa ao saber meramente intelectual e, deste modo, ao controlo do clero e dos que se sentem senhores do mundo.<\/strong> Os alumiados confiavam na ilumina\u00e7\u00e3o interior do Esp\u00edrito Santo que lhes permitia viver na entrega ao amor de Deus, sem a media\u00e7\u00e3o da Igreja nem dos sacramentos. A fuga ao controlo fomenta uma consci\u00eancia individual e social muito desenvolvida, um esp\u00edrito aberto \u00e0 renova\u00e7\u00e3o e aos movimentos de nova devo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A amizade conduz \u00e0 transcend\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A l\u00edrica e a m\u00edstica surgem da experi\u00eancia da ess\u00eancia do ser. Do ser em si e no outro (o todo e o particular) tal como experimentou Teresa num processo de liberta\u00e7\u00e3o do ego, ao longo de toda a vida, na procura da ipseidade (Selbst) na viv\u00eancia do dois somos um e de um somos tr\u00eas. No centro do eu, onde jorra o n\u00f3s, junta-se a feminilidade \u00e0 masculinidade no seu puro processo criativo.<\/p>\n<p>Para Teresa a experi\u00eancia profunda d\u00e1-se na rela\u00e7\u00e3o de amizade e n\u00e3o no dualismo de mundos ou objectos separados; a felicidade realiza-se no ser-pensar-sentir-agir que t\u00e3o bem soube expressar com a funda\u00e7\u00e3o de 17 conventos e na empatia manifestada nas pessoas e na sua correspond\u00eancia. Teresa define o rezar como amar e agir na intimidade com o amigo Jesus e que se expressa na proximidade com o pr\u00f3ximo, o companheiro. Ela preconiza a abertura ao mundo e o agir onde ele precise porque quem ouve Deus tem que atuar amando o pr\u00f3ximo como a si mesmo. Nas suas cartas escreve<strong>: \u201eDeus quer que o Homem se divirta e que a sua alma se sinta bem no corpo<\/strong> &#8220;.<\/p>\n<p>Teresa cultivava a sua amizade feminina de tal modo com S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz e com o padre Jer\u00f3nimo Gracian que, esp\u00edritos mais terrenos, chegavam a pensar mal dela\u2026 A santa chega a lamentar a falta do seu amigo espiritual, o padre<strong> Jer\u00f3nimo Graci\u00e1n que defendia as ideias reformadoras dela; ela sente-se \u201csolit\u00e1ria todos os dias\u201d em que ele \u201cse encontra t\u00e3o longe\u201d e confessa: \u201c\u2026assim passo a vida sem o devido consolo mundano e em constante dor interior. Voc\u00ea, meu Padre, parece j\u00e1 n\u00e3o habitar na terra, o Senhor livrou-o t\u00e3o completamente de todas as tenta\u00e7\u00f5es e apegos&#8221;. <\/strong><\/p>\n<p>Hoje, numa sociedade sexualizada e materializada, que vive do imediato torna-se, por vezes, incompreens\u00edvel que se possa ter amizade com um Deus humanado \u2018escondido\u2019 e uma amizade t\u00e3o profunda e espiritual com um companheiro de viagem. Esta experi\u00eancia da amizade emp\u00e1tica \u00e9 certamente explic\u00e1vel em momentos e coincid\u00eancias felizes da vida que podem ter a ver com a experi\u00eancia interior do abandono do mundo onde a amizade espiritual se torna tamb\u00e9m material.<\/p>\n<p><strong>Na Din\u00e2mica da Tradi\u00e7\u00e3o antiga da Medita\u00e7\u00e3o\/Ora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A realidade divina (n\u00e3o a ideia de um \u201cDeus\u201d que muita gente traz aprisionada na sua cabe\u00e7a) leva-nos a um limite onde Deus \u00e9 o mist\u00e9rio, o impens\u00e1vel, que transcende o pensamento, e ultrapassa a pr\u00f3pria experi\u00eancia, chegando a ser at\u00e9 o inexperiment\u00e1vel.<\/p>\n<p>Teresa segue a tradi\u00e7\u00e3o\u00a0 de Dion\u00edsio Areopagita (- o pseudo &#8211; entre os s\u00e9culos V e VI d. C. ) que espalhou a pr\u00e1tica da ora\u00e7\u00e3o m\u00edstica sem palavras &#8211;\u00a0 a medita\u00e7\u00e3o sobrenatural, para l\u00e1 da representa\u00e7\u00e3o que leva ao \u00eaxtase da admira\u00e7\u00e3o das \u201ctrevas m\u00edsticas\u201c; <strong>o exerc\u00edcio do \u201cn\u00e3o saber\u201d e do \u201cn\u00e3o pensar nada\u201d leva-nos a\u00a0 mergulhar na ora\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o;<\/strong> <strong>esta \u00e9 uma velha forma de medita\u00e7\u00e3o no caminho espiritual da tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que consta da repeti\u00e7\u00e3o m\u00e2ntrica de uma palavra ou jaculat\u00f3ria ao ritmo da respira\u00e7\u00e3o e conduz \u00e0 paz interior, a paz do cora\u00e7\u00e3o (Hesychia);<\/strong>\u00a0 deste modo cria-se um perfeito sil\u00eancio e vazio, que possibilita a experi\u00eancia do contato com Deus (\u00eaxtase). Renuncia-se aos sentidos e \u00e0 percep\u00e7\u00e3o intelectual para entrar nas trevas luminosas do sil\u00eancio onde o mist\u00e9rio brilha.\u00a0 <a href=\"https:\/\/de.wikipedia.org\/wiki\/Gotteserfahrung\">A escurid\u00e3o divina<\/a> \u201c\u00e9 a luz inacess\u00edvel na qual Deus habita. \u00c9 necess\u00e1rio entrar na escurid\u00e3o, onde aquele que est\u00e1 al\u00e9m de tudo, como diz a Escritura, se encontra verdadeiramente\u201d. Tudo isto acontece atrav\u00e9s do caminho da purifica\u00e7\u00e3o interior onde Deus n\u00e3o \u00e9 isto nem \u00e9 aquilo. Entra-se na escurid\u00e3o da dissolu\u00e7\u00e3o do ego (tornar-se nada) para vir a despertar na luz divina. <strong>Neste acesso a Deus abdica-se do conhecimento discursivo de Deus atrav\u00e9s de ideias e atributos (est\u00e1-se perante uma <\/strong><a href=\"https:\/\/de.scribd.com\/doc\/234117559\/Pseudo-Dionisio-Areopagita-Obras-completas-pdf\"><strong>Telologia negativa<\/strong><\/a><strong> : do que Deus n\u00e3o \u00e9 porque \u201c\u00e9\u201d a transcend\u00eancia absoluta, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 teologia afirmativa da asser\u00e7\u00e3o de Deus como bem, beleza, amor, intelig\u00eancia, paz, perfei\u00e7\u00e3o\u2026). <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Personaliza\u00e7\u00e3o versus institucionaliza\u00e7\u00e3o (uma revolu\u00e7\u00e3o em marcha)<\/strong><\/p>\n<p>O reconhecimento da experi\u00eancia interior da pessoa ganha express\u00e3o especial a partir do renascimento. (\u201cErasmismo: o humanismo crist\u00e3o preconizado por Erasmus de Roterd\u00e3o 1466-1536 questionava tamb\u00e9m ele, embora de forma moderada, o poder jer\u00e1rquico). No s\u00e9culo XV e XVI desenvolve-se uma devo\u00e7\u00e3o afectiva ligada ao evangelho vivido e a uma experi\u00eancia subjectiva numa atitude de vida simples. (Esta viv\u00eancia de muitas comunidades que viviam um comunismo crist\u00e3o teve muita influ\u00eancia nos v\u00e1rios grupos da reforma protestante).<\/p>\n<p>Teresa sofria com o cisma da Igreja e rezava pela unidade da Igreja, mas propriamente era j\u00e1 movida pelo esp\u00edrito novo de um renascimento que d\u00e1 origem \u00e0 Idade Moderna, mas que, em parte, se esbarra no iluminismo racionalista excessivo (s\u00e9culo das luzes) que at\u00e9 hoje tem dominado as mentes. O espirito de Teresa integrava j\u00e1 no pensamento a velha constante que se mantinha nas sombras da cristandade e que remontava \u00e0 d\u00favida de S\u00e3o Tom\u00e9 acompanhada por um misticismo que se foi diluindo num racionalismo filos\u00f3fico exagerado. Este \u00e9 uma \u201csaber\u201d j\u00e1 n\u00e3o feito da certeza intelectual, mas mais din\u00e2mico e, como tal, integrador da d\u00favida e de um questionar mais orientado pela experi\u00eancia e como tal numa forma mais subjectiva do argumentar (passa-se de um saber de caracter mais dedutivo para um saber indutivo, caracter\u00edstico da nova era embora recalcado).<\/p>\n<p><strong>Em \u201c<\/strong><a href=\"http:\/\/www.documentacatholicaomnia.eu\/03d\/1515-1582,_Teresa_d%27Avila,_Moradas_Ou_Castelo_Interior,_PT.pdf\"><strong>O Castelo Interior<\/strong><\/a><strong>\u201d ou, Livro das sete Moradas, Teresa descreve: \u201cQuem ama faz sempre comunidade; n\u00e3o fica nunca sozinho.\u201d \u201eSer grande \u00e9 amar os pequenos. Ser pequeno \u00e9 odiar os grandes. <\/strong>Com as coisas pequenas o dem\u00f3nio vai abrindo os buracos onde entram as coisas grandes.\u201d<\/p>\n<p><strong>Confiar e invocar a experi\u00eancia \u00edntima pessoal subjetiva e argumentar em nome dela, \u00e9 ainda hoje considerada ousadia que pode minar a vontade institucional e as jerarquias <\/strong>que querem estradas asfaltadas para andarem, ao contr\u00e1rio do que sugeria Jesus: a confian\u00e7a (em si, em Deus) para se poder andar tamb\u00e9m sobre as \u00e1guas.<\/p>\n<p>Profetas e pensadores laterais ao sistema nunca foram bem vistos e quase sempre perseguidos! <strong>Mas n\u00e3o se pode negar o facto que, sem pensadores livres, sem profetas, nem os cr\u00edticos dos sistemas, n\u00e3o haveria progresso.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Estes s\u00e3o considerados desordeiros, estranhos, dissidentes. Quem pensa diferente das massas, pertence a uma minoria que embora cause desconfian\u00e7a, faz desenvolver a sociedade.<\/strong> J\u00e1 o gnosticismo (dos maniqueus, c\u00e1taros, bogomilos, albigenses) sentia a realidade como um conflito universal entre luz e trevas e o seu campo de batalha \u00e9 a alma humana. \u00c9 um esquema dualista de acesso \u00e0 realidade que se expressa na velha luta que movimenta o esp\u00edrito humano desde sempre: a luta entre iman\u00eancia (toda a realidade e possibilidade acontece a n\u00edvel mundano) e a transcend\u00eancia (aceita\u00e7\u00e3o e promessa de um mundo superior paralelo). Essa luta d\u00e1-se entre a mundivis\u00e3o dualista (diferencia\u00e7\u00e3o clara entre a realidade do dia-a-dia e um mundo \u201cparalelo\u201d) e a mundivis\u00e3o monista (Tudo o que \u00e9 real e poss\u00edvel acontece no mundo em que vivemos).<\/p>\n<p><strong>Espiritualidade de express\u00e3o mais feminina<\/strong><\/p>\n<p><strong>Teresa apela para a acentua\u00e7\u00e3o do elemento da feminidade como parte igual na teologia e na filosofia, chegando a agradecer a Deus o facto de Deus ter \u201cpreferido a mulher e ter encontrado nela tanto amor e mais f\u00e9 que nos homens &#8220;.<\/strong><\/p>\n<p>Ao pensarmos hoje em Teresa, a sua queixa soa forte aos nossos ouvidos: \u201co que seria a Igreja sem as mulheres\u201d \u2026 \u201c\u00e9 interessante como no Evangelho Jesus foi sempre duro com os homens repreendendo-os e sempre foi doce e nunca repreendeu uma mulher\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto a Igreja submete a pol\u00edtica \u00e0 \u00e9tica, os pol\u00edticos submetem a \u00e9tica \u00e0 pol\u00edtica e reciprocamente os fi\u00e9is e os cidad\u00e3os a elas. Vai sendo tempo de integrar, na vida civil e espiritual, a din\u00e2mica da feminilidade e da masculinidade, de forma a realizarmos uma vida individual e social mais equilibrada. A masculinidade \u00e9 social e eclesialmente predominante, o que provoca um desequil\u00edbrio desvantajoso para a conviv\u00eancia e para a matriz pol\u00edtica que nos rege.<\/p>\n<p>Feminilidade e masculinidade s\u00e3o as duas energias que se encontram em cada homem e mulher; Jesus foi certamente a pessoa em que elas encontraram um verdadeiro equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>Da diferen\u00e7a da sua acentua\u00e7\u00e3o no homem e na mulher se origina a riqueza da complementaridade; seria um equ\u00edvoco, nos tempos de hoje, em que a masculinidade se tornou institucional e ideologicamente mais agressiva, que as mulheres, em vez de assumirem a sua ess\u00eancia feminina, se tornassem mais iguais ao padr\u00e3o masculino. Seria negar a pr\u00f3pria ess\u00eancia ao desconstruir a feminilidade. Importante \u00e9 aceitar e sentir-se bem na pr\u00f3pria feminilidade sem aceitar supremacias n\u00e3o se deixando definir pela matriz da masculinidade vigente. Mais que masculinizar a mulher \u00e9 preciso feminizar o homem e a sociedade; isto torna-se muito dif\u00edcil porque o padr\u00e3o da nossa sociedade \u00e9 masculino e at\u00e9 a maneira de pensar e argumentar \u00e9 masculina.<\/p>\n<p>Urge atualizar a espiritualidade da amizade de Teresa que vem da f\u00f3rmula paulina \u201cN\u00f3s em Cristo\u201d e \u201cCristo em n\u00f3s\u201d. Esta \u00e9 uma forma alta de espiritualidade em que filosofia crist\u00e3 e m\u00edstica se unem na autodescoberta em Jesus Cristo (o prot\u00f3tipo da ipseidade). A amizade \u00e9 o \u201clugar\u201d onde Deus se revela.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Conclus\u00e3o &#8211; Redescobrir a Amizade <\/strong><\/p>\n<p>Amizade &#8220;\u00e9 uma palavra fundamental para a sua experi\u00eancia espiritual e para a sua espiritualidade Para Teresa de Jesus, Deus torna-se acess\u00edvel na pessoa de Jesus, a quem ela trata por tu. A ora\u00e7\u00e3o interior \u00e9, portanto, &#8220;demorar-se com um amigo com quem, muitas vezes, estamos sozinhos porque sabemos que ele nos ama&#8221;.<\/p>\n<p>Podemos verificar uma interliga\u00e7\u00e3o entre o interior transcendental, o conceito de amizade em Plat\u00e3o e a m\u00edstica carmelita do \u201ctratado de amizade\u201d, do viver \u201ccom um amigo &#8220;. Na procura de Deus vai-se definindo a natureza humana, quando se encontra a caminho do desconhecido, Deus (De facto, a vida \u00e9 transcend\u00eancia, estar a caminho, como dizia o grande pensador Karl Jaspers).<\/p>\n<p>A amizade acontece entre o que temos e o que nos falta, entre aprecia\u00e7\u00e3o e atratividade, sendo ela que fica depois de tirada a roupagem do que \u00e9 transit\u00f3rio. Com a sua m\u00edstica da amizade, Teresa sabia-se bem acompanhada religiosa e filosoficamente. De facto, Arist\u00f3teles tamb\u00e9m dizia: <strong>\u201caquele que olha para um amigo verdadeiro consegue, ao mesmo tempo, uma imagem melhor de si mesmo &#8220;.<\/strong><\/p>\n<p>Plat\u00e3o, j\u00e1 dizia contra os sofistas que \u201c<strong>o conhecimento \u00e9 mais que a percep\u00e7\u00e3o\u201d-<\/strong> a diversidade, da percep\u00e7\u00e3o sensorial contradit\u00f3ria, ser\u00e1 acordada por uma ordem unificadora \u2013 <strong>esta \u00e9 a interioridade (espa\u00e7o interior \u201cesp\u00edrito-alma\u201d, o lugar da auto-comunica\u00e7\u00e3o de Deus<\/strong>) e que segundo Plat\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 imortal e de \u201cigual maneira de ser como Deus\u201d; em termos crist\u00e3os, a alma, o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 a poss\u00edvel morada de Deus (na espiritualidade do Oriente crist\u00e3o, essa morada \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da pessoa).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m Joaquim Silva Soler, in \u201c<a href=\"https:\/\/books.google.de\/books?id=KByww4uXTLYC&amp;pg=PP8&amp;lpg=PP8&amp;dq=joaquin+Silva+Soler,+freunde+habe+ich+euch+genannt&amp;source=bl&amp;ots=MrzewUow2p&amp;sig=AJPBZX2IonC2dT2Pl4nx5KWMwM4&amp;hl=de&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjx-JX3mcXcAhWDzIUKHeAtC8QQ6AEwAHoECAIQAQ#v=onepage&amp;q=joaquin%20Silva%20Soler%2C%20freunde%20habe%20ich%20euch%20genannt&amp;f=false\">Amigos vos chamei<\/a>\u201d fala da revela\u00e7\u00e3o de Deus que se manifesta na amizade .<\/p>\n<p>Deus come\u00e7a por falar na revela\u00e7\u00e3o da palavra e obedi\u00eancia seguindo-se a comunica\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o at\u00e9 um encontro comum na comunidade, em especial em Jesus Cristo. D\u00e1-se a vincula\u00e7\u00e3o de acto e palavra na amizade, j\u00e1 na reciprocidade da experi\u00eancia da amizade dada por Deus e compartilhada com ele. Para Soler Deus abriu, para al\u00e9m da chamada revela\u00e7\u00e3o natural atrav\u00e9s de sua palavra (Jo 1:39), que criou e sustenta toda a cria\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m o caminho para a salva\u00e7\u00e3o sobrenatural atrav\u00e9s da amizade; esta, na sua estrutura criadora \u00e9 &#8220;eterna testemunha de Deus&#8221;.\u00a0 Temos na f\u00f3rmula crist\u00e3 da realidade universal, a Trindade que \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o que possibilita vida comum e deste modo a verdade que tudo une. <strong>A Raz\u00e3o \u00e9 a luz da exist\u00eancia e o Cora\u00e7\u00e3o (a amizade, empatia) o seu calor no caminho da liberdade, em liberdade.<\/strong><\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica e plat\u00f3nica, Agostinho, Tom\u00e1s de Aquino e muitos outros, (apesar de toda a diferencia\u00e7\u00e3o entre a realidade humana e a divina), esfor\u00e7am-se por conseguir a unidade e conex\u00e3o entre o humano e o divino. De facto, a amizade entre as pessoas \u00e9 um requisito transcendental para a amizade com Deus, como se pode verificar na \u201cf\u00f3rmula\u201d trinit\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>O jesu\u00edta Karl Rahner \u00e9 claro e concretiza: &#8220;A amizade entre as pessoas \u00e9 realmente transcendental, isto \u00e9, torna-se uma condi\u00e7\u00e3o para n\u00f3s experimentarmos o mist\u00e9rio incondicionado de Deus&#8221;. O c\u00e9lebre te\u00f3logo deixou ainda a seguinte advert\u00eancia: <\/strong><a href=\"http:\/\/www.hoye.de\/mystik\/aachen3.pdf\"><strong>O crist\u00e3o de hoje deve ser um m\u00edstico<\/strong><\/a><strong>, algu\u00e9m que experimentou alguma coisa, ou ele n\u00e3o ser\u00e1 mais &#8230;\u201d Cf. Experi\u00eancia de Deus em misticismo e teologia (1).<\/strong><\/p>\n<p>Se a Igreja n\u00e3o redescobrir as tradi\u00e7\u00f5es m\u00edsticas seguir\u00e1 atrelada a um culturismo superficial europeu e deste modo, perder\u00e1 a sua vitalidade e energia que lhe vinha da capacidade vivida exterior e interiormente da incultura\u00e7\u00e3o e acultura\u00e7\u00e3o universal, no seu ser de peregrina.<\/p>\n<p>Nos conventos cultiva-se o di\u00e1logo do pensamento religioso com o pensamento profano e com os pensamentos que v\u00e3o surgindo; o monge exercita em si mesmo, a ac\u00e7\u00e3o religiosa e filos\u00f3fica, no dia-a-dia comunit\u00e1rio. Na vida dos conventos sempre se pode superar (e at\u00e9 comprometer) certas contradi\u00e7\u00f5es da institui\u00e7\u00e3o eclesial atrav\u00e9s da tradi\u00e7\u00e3o da m\u00edstica.<\/p>\n<p>Menos doutrina menos regula\u00e7\u00f5es morais e mais cora\u00e7\u00e3o na viv\u00eancia de uma f\u00e9 da experi\u00eancia divina que d\u00ea for\u00e7a e consolo. A igreja tem de acentuar mais a espiritualidade e de deixar de continuar presa ao tempo do iluminismo (aufkl\u00e4rung).<\/p>\n<p>O Homem do tempo m\u00edstico n\u00e3o se sente muito atra\u00eddo pelos conceitos de Deus em Doutrinas e dogmas centrados na raz\u00e3o, ele quer senti-lo. O caminho do misticismo n\u00e3o \u00e9 a raz\u00e3o, mas o cora\u00e7\u00e3o. Ao sentir-se Deus encontra-se f\u00e9 que d\u00e1 sentido \u00e0 vida. Esta \u00e9 a via que culminou na Idade M\u00e9dia com o Mestre Eckhart e Teresa de \u00c1vila.<\/p>\n<p>Depois dos \u00faltimos dois s\u00e9culos \u2013 os s\u00e9culos da raz\u00e3o e do iluminismo- a Igreja descurou o misticismo em favor da teologia te\u00f3rica e dogm\u00e1tica. Hoje ser\u00e1 necess\u00e1rio voltar \u00e0 f\u00e9 da experi\u00eancia, \u00e0 experi\u00eancia do Jesus Cristo ressuscitado e do Jesus Cristo abandonado. Em Jesus Cristo pode-se viver uma espiritualidade ao mesmo tempo divina e humana entrando numa rela\u00e7\u00e3o de viv\u00eancia e conviv\u00eancia do Jesus e do Cristo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Pela via m\u00edstica, Deus habita no cora\u00e7\u00e3o do Homem, a espiritualidade desce \u00e0 terra, n\u00e3o se baloi\u00e7ando apenas nas teorias intelectuais nem na confus\u00e3o do dia-a-dia. Urge uma pr\u00e1xis teol\u00f3gica da espiritualidade, Jesus Cristo \u00e9 pessoa. <\/strong><\/p>\n<p>Hoje assiste-se a um cepticismo de espiritualidades contra religi\u00e3o porque se tem medo de uma religiosidade demasiado dogm\u00e1tica e menos aberta \u00e0 liberdade espiritual.<strong> As pessoas procuram a sua espiritualidade e encontram pouco quem as ajude a descer at\u00e9 \u00e0s suas profundidades onde poderiam encontrar a reconcilia\u00e7\u00e3o consigo e com os outros num mundo com Deus.<\/strong> <strong>A linguagem da religi\u00e3o e da arte s\u00e3o a express\u00e3o profunda da vivacidade da alma de um povo! Teresa de Jesus usou as duas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Te\u00f3logo e Pedagogo<\/strong><\/p>\n<p>In \u201cPegadas do Tempo\u201d, <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4935\">https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4935<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>(1) \u201cA quest\u00e3o crucial \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre a experi\u00eancia de Deus e a realidade. Para a consci\u00eancia humana, a experi\u00eancia \u00e9 a porta para a realidade. Esta \u00e9 provavelmente a principal raz\u00e3o para a atualidade do conceito da experi\u00eancia de Deus. &#8220;Experi\u00eancia de Deus&#8221; constr\u00f3i a ponte da f\u00e9 para a realidade.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&#8211; A experi\u00eancia humana \u00e9 sempre concreta. O abstracto \u00e9 resolvido a partir da experi\u00eancia; geralmente \u00e9 um componente da experi\u00eancia. &#8211; O ato de reflex\u00e3o aditado faz da percep\u00e7\u00e3o uma experi\u00eancia.<\/p>\n<p>A execu\u00e7\u00e3o da reflex\u00e3o em si \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, da exist\u00eancia. Uma realidade \u00e9 algo que \u00e9 percept\u00edvel como real. &#8211; Reflex\u00e3o significa literalmente &#8220;inclina\u00e7\u00e3o para tr\u00e1s\u201d, n\u00e3o \u00e9 um passo para tr\u00e1s, longe da realidade (Assim como a subida da parede, na alegoria da Caverna da Plat\u00e3o, na verdade, \u00e9 uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade das coisas representadas como sombra na parede).\u00a0 \u2013 Percep\u00e7\u00e3o da realidade e consci\u00eancia de si mesmo s\u00f3 ocorrem juntos, ironicamente, chega-se \u00e0 realidade, apenas retornando a si mesmo. * s\u00f3 experimento realidade quando estou no processo dela. * auto-presen\u00e7a &#8211; reflex\u00e3o \u00e9 tanto a for\u00e7a como a fraqueza da reflex\u00e3o humana A reflex\u00e3o torna poss\u00edvel por um lado o pousar na Lua, por um lado e a ina\u00e7\u00e3o de um Hamlet. Nela, tanto se inflama a infinita transcend\u00eancia do homem, dirigida por Deus, como o sofrimento sem fim. &#8211; Reflex\u00e3o tal como ocorre em n\u00f3s humanos, \u00e9 esse tipo de autoexperi\u00eancia, que, olhada mais de perto, apenas se d\u00e1 como percep\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n<p>A vida humana na hist\u00f3ria exige a experi\u00eancia de Deus. Na medida em que Deus \u00e9 o fundamento da realidade ou da pr\u00f3pria realidade, ela n\u00e3o \u00e9 concreta nem abstrata. &#8211; A vida humana na hist\u00f3ria n\u00e3o conhece apenas o desejo da experi\u00eancia de Deus, mais que isso a vida \u00e9 mais um tal desejo, isto \u00e9, a vida em si n\u00e3o \u00e9, na sua ess\u00eancia, a experi\u00eancia final de Deus. &#8211; Nesta vida, no entanto, o primeiro mandamento n\u00e3o \u00e9 a experi\u00eancia, mas o amor. A experi\u00eancia de Deus \u00e9 vida eterna; mas a ess\u00eancia da vida temporal \u00e9 o amor de Deus\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Import\u00e2ncia da Experi\u00eancia interior como Forma de questionar Ideologias-Doutrinas-Institui\u00e7\u00f5es &#8211; A Amizade \u00e9 uma Maneira de Deus se revelar Ant\u00f3nio Justo A exist\u00eancia de Deus n\u00e3o se pode provar, mas as suas pegadas e vest\u00edgios n\u00e3o se deixam apagar! Por isso, no nosso peregrinar, somos guiados n\u00e3o s\u00f3 pela raz\u00e3o intelectual, mas tamb\u00e9m pelas raz\u00f5es &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4935\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">UM ROSTO FEMININO EXCEPCIONAL MOLDA O MUNDO NOVO &#8211; TERESA DE \u00c1VILA<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,4,8,16],"tags":[],"class_list":["post-4935","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-educacao","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4935","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4935"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4935\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4940,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4935\/revisions\/4940"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4935"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4935"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}