{"id":4814,"date":"2018-05-28T21:39:38","date_gmt":"2018-05-28T20:39:38","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4814"},"modified":"2018-05-29T10:40:51","modified_gmt":"2018-05-29T09:40:51","slug":"eutanasia-todo-o-suicidio-e-uma-acusacao-a-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4814","title":{"rendered":"EUTAN\u00c1SIA: TODO O SUIC\u00cdDIO \u00c9 UMA ACUSA\u00c7\u00c3O \u00c0 SOCIEDADE"},"content":{"rendered":"<h2><strong>Um direito contra a vida \u00e9 antinatural e anticultural<\/strong><\/h2>\n<p>Por <strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>Como poder\u00e1 o parlamento lidar t\u00e3o ligeiramente com o assunto da morte, tenha ela o nome de aborto ou de eutan\u00e1sia, atendendo ao facto de a legisla\u00e7\u00e3o constitucional prescrever<strong>: &#8220;A vida humana \u00e9 inviol\u00e1vel&#8221;<\/strong>. \u00a0<strong>Sem a inviolabilidade da vida humana tudo o resto se torna comerci\u00e1vel!<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O assunto \u00e9 demasiadamente complexo e os deputados, em geral, n\u00e3o t\u00eam tempo para estudar o assunto com profundidade! Deixem-se de activismos precipitados e <strong>deixem passar<\/strong> <strong>mais \u00e1gua no Tejo se pretendem tratar seriamente do assunto e um tratamento s\u00e9rio s\u00f3 poder\u00e1 ser no sentido de n\u00e3o legalizar a possibilidade de matar nem obrigar m\u00e9dicos a ser instrumentos de um rito contra a humanidade e contra a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. <\/strong><\/p>\n<p><strong>A legisla\u00e7\u00e3o sobre a eutan\u00e1sia n\u00e3o foi anunciada nem fundamentada por nenhum programa eleitoral dos partidos; isto revela desonestidade parlamentar e partid\u00e1ria ao ser colocada extemporaneamente na ordem do dia; os partidos sabiam que, se colocassem a delibera\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia nos programas para as elei\u00e7\u00f5es, seriam castigados pelo eleitorado. O oportunismo n\u00e3o pode ser bom conselheiro numa discuss\u00e3o que deveria ser s\u00e9ria. A lei quer tornar obectivo o sofrimento que leva \u00e0 decis\u00e3o quando este \u00e9 subjectivo. O que a medicina pode \u00e9 irradiar a dor e esta pode atingir-se sem o subterf\u00fagio do recurso a matar (eutan\u00e1sia).<\/strong><\/p>\n<p>Todo o suic\u00eddio \u00e9 uma acusa\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade e um contributo para o seu empobrecimento! Aspectos argumentativos em &#8220;<a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3488\">Eutan\u00e1sia entre Ideologia, Consci\u00eancia e \u00c9tica<\/a>&#8221; e coment\u00e1rios.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata aqui de fomentar dogmatismos sejam eles de caracter de opini\u00e3o individual grupal ou institucional; a vida e a morte correm em todas as for\u00e7as da sociedade. \u00a0Seria uma boa ocasi\u00e3o para <strong>se criar uma cultura do di\u00e1logo; na argumenta\u00e7\u00e3o pode seguir-se v\u00e1rias l\u00f3gicas: a l\u00f3gica do sentimento, a l\u00f3gica dos factos ou a l\u00f3gica da raz\u00e3o<\/strong>. Segundo o evangelho o melhor julgamento ser\u00e1 o baseado \u201cnas obras\u201d, nos factos e o seu ingrediente motor adequado \u00e9 o amor.<strong> Como pode a l\u00f3gica do sentimento destruir, sem mais, a l\u00f3gica da natureza, a l\u00f3gica racional? Como pode um Estado permitir-se abolir a lei do n\u00e3o matar?<\/strong> <strong>Legitimar a morte por raz\u00f5es pessoais para fugir a um sofrimento implica consigo legitimar a morte de algu\u00e9m que causa sofrimento aos outros. <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis pol\u00edticos parecem estar mais interessados no foguet\u00f3rio emocional que deve substituir o lugar da argumenta\u00e7\u00e3o e a defesa do \u201cn\u00e3o matar\u201d. Deste modo<strong> o governo ganha tempo e promete-se com a eutan\u00e1sia poupar dinheiro com os doentes terminais. Embora em Portugal os cuidados paliativos n\u00e3o cubram sequer 50% das necessidades<\/strong>; o governo procura assim arrumar mais depressa com muitos deles. Para se dar resposta aos &#8220;cuidados paliativos&#8221; e possibilitar uma morte digna aos pacientes terminais, o Estado teria de investir muito mais dinheiro neles. Embora o suic\u00eddio se torne mais barato, o Estado e a sociedade tornam-se eticamente mais pobres e mais desumanos; \u00e9 um gesto de afirma\u00e7\u00e3o de uma sociedade em estado de tanatofilia e como tal um grande passo no processo da entropia civilizacional. (Al\u00e9m dos cuidados paliativos h\u00e1 a possibilidade da interrup\u00e7\u00e3o dos aparelhos artificialmente prolongadores de vida. Neste caso o paciente deveria ter deixado uma declara\u00e7\u00e3o de se renunciar a tais meios!).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Na discuss\u00e3o n\u00e3o chega a palavra m\u00e1gica \u201cdespenaliza\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong> como fundamento de uma lei irreflectida. Na realidade n\u00e3o se trata de penalizar ou culpar ningu\u00e9m mas cuidar pelo respeito pela vida e precaver-se contra o neg\u00f3cio em torno da morte e evitar uma legitima\u00e7\u00e3o superficial do Estado poder, um dia, vir a intervir, em nome da lei, tal como aconteceu no nacional-socialismo alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Como premissa deve estar sempre a defesa da vida, da dignidade humana e da consci\u00eancia individual contra o poder organizado e o mero instinto da rebanhada!<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o inocente como parece devido em torno da eutan\u00e1sia \u00a0se moverem muitos interesses emocionais, econ\u00f3micos e ideol\u00f3gicos\u2026<\/p>\n<p>O Estado e os seus grupos de interesses, em nome da defesa do indiv\u00edduo, quer abdicar da defesa da inviolabilidade da vida humana para esmiolarem a pessoa e o indiv\u00edduo daquilo que lhe seria pr\u00f3prio e inalien\u00e1vel para, pouco a pouco, o colonizar e colectivizar; secularizam e materializam aquilo que a pessoa tem de mais sagrado e \u00edntimo que \u00e9 a vida (consci\u00eancia colectiva contra a consci\u00eancia individual) sobre o pretexto de direito individual: um direito \u00e9 dado por algu\u00e9m que ao d\u00e1-lo melhor poder\u00e1 subjugar o seu objecto de direito e transform\u00e1-lo em manada; procede-se assim a uma <strong>expropria\u00e7\u00e3o de tudo aquilo que \u00e9 constitutivo da pessoa, roubando-lhe at\u00e9 a privacidade de modo a um dia poder torna-la s\u00f3 coisa.<\/strong> A dignidade inalien\u00e1vel da pessoa e a inviolabilidade da vida passam a pertencer ao foro comum que mais que por humanidade se orienta por interesses. O totalitarismo de Estado, religioso ou ideol\u00f3gico n\u00e3o ajuda o desenvolvimento, n\u00e3o est\u00e1 empenhado na forma\u00e7\u00e3o de consci\u00eancias independentes e libertas, prefere adeptos seja de um direito torto ou de uma doutrina sem vida. <strong>No cristianismo (catolicismo) a inviolabillidade da vida \u00e9 tabu, mas, no foro da consci\u00eancia individual a pessoa \u00e9 soberana e respons\u00e1vel mesmo no caso de ser err\u00f3nea; como tal, \u00e9 quem manda,<\/strong> muito embora numa comunidade afirmadora da cultura da vida e n\u00e3o da cultura da morte.<\/p>\n<p>Muitos est\u00e3o interessados apenas em respostas simples de sim ou n\u00e3o numa mentalidade redutora do \u201cou\u2026 ou\u2026\u201d \u00a0Os Media, o Estado, grupos ideol\u00f3gicos religiosos e pol\u00edticos procuram apoderar-se da consci\u00eancia individual estando mais interessados em criar seguidores do que em levar as pessoas a raciocinar ou a pensar por elas pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Muitas pessoas n\u00e3o se d\u00e3o conta que o que est\u00e1 muitas vezes em vista nestas discuss\u00f5es superficialmente p\u00fablicas n\u00e3o \u00e9 a decis\u00e3o consciente da pessoa, mas a ideologiza\u00e7\u00e3o delas. As ideologias e as elites n\u00e3o est\u00e3o interessadas em fomentar a reflex\u00e3o individual e a decis\u00e3o individual porque o que querem \u00e9 adeptos e pessoas dependentes; pessoas reflectidas e sabidas s\u00e3o mais dif\u00edceis de governar porque precisam de argumentos para se convencerem n\u00e3o se deixando mover apenas pela l\u00f3gica emocional.<\/p>\n<p><strong>O tema \u00e9 demasiadamente complexo e tem imensas implica\u00e7\u00f5es a n\u00edvel de filosofias de vida, de interesses grupais, institucionais ou estatais para poder ser consensual e para se poder reduzir aos termos de um sim ou de um n\u00e3o, pelo menos ao n\u00edvel de uma opini\u00e3o que se queira afirmar o mais objectivamente poss\u00edvel. A decis\u00e3o individual subjectiva de se poder matar ou n\u00e3o deve ser respeitada, sem ter necessariamente de se tornar doutrina a seguir secular ou religiosamente, desde que se aposte na forma\u00e7\u00e3o de uma cidadania adulta.<\/strong><\/p>\n<p>O argumento da <strong>fuga \u00e0 dor tem<\/strong> peso, mas n\u00e3o satisfaz sequer a prova dos nove porque a dor faz parte da vida e torna-se dif\u00edcil discernir do momento em que o sofrimento seria suficiente para negar o valor da vida!<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 uma pequena diferen\u00e7a entre o permitir que uma pessoa morra (na Alemanha isso \u00e9 poss\u00edvel sem eutan\u00e1sia com a interrup\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia de aparelhos) e encontrar <strong>quem esteja disposto a matar<\/strong>. Imagine-se que a sociedade se torna humanamente mais sens\u00edvel no futuro e todos os m\u00e9dicos se negam a matar? Ou ser\u00e1 que se ter\u00e1 de recorrer \u00e0 profiss\u00e3o dos carrascos como se d\u00e1 em pa\u00edses do b\u00e1rbaro uso da pena de morte?<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um direito contra a vida \u00e9 antinatural e anticultural Por Ant\u00f3nio Justo Como poder\u00e1 o parlamento lidar t\u00e3o ligeiramente com o assunto da morte, tenha ela o nome de aborto ou de eutan\u00e1sia, atendendo ao facto de a legisla\u00e7\u00e3o constitucional prescrever: &#8220;A vida humana \u00e9 inviol\u00e1vel&#8221;. \u00a0Sem a inviolabilidade da vida humana tudo o resto &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4814\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">EUTAN\u00c1SIA: TODO O SUIC\u00cdDIO \u00c9 UMA ACUSA\u00c7\u00c3O \u00c0 SOCIEDADE<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,14,4,5,7,8,16],"tags":[],"class_list":["post-4814","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-economia","category-educacao","category-escola","category-politica","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4814","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4814"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4814\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4817,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4814\/revisions\/4817"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4814"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4814"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4814"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}