{"id":4712,"date":"2018-03-10T21:14:18","date_gmt":"2018-03-10T20:14:18","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4712"},"modified":"2018-03-10T21:36:45","modified_gmt":"2018-03-10T20:36:45","slug":"chamados-a-ser-bons-sem-termos-de-ser-os-melhores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4712","title":{"rendered":"CHAMADOS A SER BONS SEM TERMOS DE SER OS MELHORES"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Reflex\u00e3o sobre amar e ser amado entre ego\u00edsmo e altru\u00edsmo<\/span><\/h2>\n<p><strong>Por Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Se fores capaz de transmitir a algu\u00e9m o sentimento de ser amado, de ser considerado e ser aceite, ele acreditar\u00e1 em si mesmo e a sua autoconfian\u00e7a far\u00e1 milagres. <\/strong><\/p>\n<p><strong>O eu faz parte do n\u00f3s e o n\u00f3s expressa o encontro com o tu que leva ao reconhecimento do eu como rela\u00e7\u00e3o em torno do amor.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O ego\u00edsmo est\u00e1 presente em todo o ser humano; faz parte da energia que conduz \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o e \u00e0 diversidade. Ego\u00edsmo e altru\u00edsmo s\u00e3o atitudes que se requerem em certo equil\u00edbrio.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na nossa vida do dia-a-dia verificamos que amar algu\u00e9m, gostar de uma coisa ou de um ideal implica entrega e que fazer algo ou dedicar-se a algu\u00e9m, desinteressadamente, traz consigo a consci\u00eancia de que o servi\u00e7o prestado, reverte tamb\u00e9m em benef\u00edcio de si mesmo sem ter sido pretendido. A alegria, que se proporciona a outrem, recebe-se de volta, na resson\u00e2ncia de uma satisfa\u00e7\u00e3o comum. Isto implica altru\u00edsmo, mas sem auto-nega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A necessidade de identifica\u00e7\u00e3o, de reconhecimento e o grau de narcisismo pr\u00f3prio levam-nos a navegar entre amor pr\u00f3prio, auto-nega\u00e7\u00e3o e amor aut\u00eantico a si mesmo<\/p>\n<p>A considera\u00e7\u00e3o pelos outros (altru\u00edsmo) \u00e9 saud\u00e1vel se n\u00e3o se realiza \u00e0 custa do pr\u00f3prio bem-estar. Sofrer ou tortura-se para que algu\u00e9m se sinta feliz, a ponto de desconsiderar as pr\u00f3prias necessidades e de n\u00e3o considerar os pr\u00f3prios limites, leva uma pessoa a n\u00e3o se dar conta de si nem dos pr\u00f3prios sinais ps\u00edquicos nem f\u00edsicos que, n\u00e3o tomados a s\u00e9rio, acabam em doen\u00e7as. A natureza vive do esfor\u00e7o individual e comum, no respeito pelas necessidades de cada um. Sem entrega nem esfor\u00e7o n\u00e3o h\u00e1 transforma\u00e7\u00e3o nem desenvolvimento. A vida define-se como rela\u00e7\u00e3o aberta na procura de autonomia individual. Geralmente a energia mais acentuada \u00e9 o ego\u00edsmo.<\/p>\n<p>D\u00e1-se desrespeito e autoexplora\u00e7\u00e3o quando se exagera no altru\u00edsmo por raz\u00f5es de perfeccionismo ou excesso de \u00eanfase no dar resposta ao que outros esperam de n\u00f3s<strong>. Muitos tornam-se v\u00edtimas das espectativas dos outros<\/strong> e aquela energia positiva despendida, que deveria provocar satisfa\u00e7\u00e3o, torna-se em inc\u00f3modo por ter sido tirada \u00e0 custa da pr\u00f3pria subst\u00e2ncia e n\u00e3o do que transbordava dela.<\/p>\n<p>O oposto destas atitudes e comportamentos (ego\u00edsmo exacerbado) acontece num outro tipo de pessoas que est\u00e3o t\u00e3o fascinadas de si mesmas (narcisismo) que s\u00f3 veem o mundo e os outros na pr\u00f3pria perspectiva, crivando a realidade pelos pr\u00f3prios interesses; <strong>o narcisista ama a imagem de si mesmo a ponto de viver enamorado do seu ego<\/strong>. A falta de reflex\u00e3o e a inexistente sintonia\/compaix\u00e3o com o outro leva o\/a narcisista a n\u00e3o notar as necessidades do outro e a viver num mundo infantil, no ego de pr\u00edncipes encantados.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Auto-obsess\u00e3o no amor pr\u00f3prio<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p>Para se poder avaliar do grau doentio do amor pr\u00f3prio (grau de narcisismo) h\u00e1 que observar <strong>crit\u00e9rios patol\u00f3gicos como egocentrismo, sentimento de superioridade, auto-obsess\u00e3o, falta de empatia, forte susceptibilidade (expressa no conto \u201cA Princesa e a Ervilha), desvaloriza\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de outros<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Por tr\u00e1s do fanatismo tamb\u00e9m se encontra sempre narcisismo e um sentimento de inferioridade a querer ser compensado.<\/strong> Nele o ego \u00e9 t\u00e3o embalonado que sobe sem reconhecer o pr\u00f3ximo (ou usa-o como pretexto ao servi\u00e7o da sua ilus\u00e3o); geralmente vive centrado na mente e s\u00f3 se identifica com algo long\u00ednquo que o ultrapassa, embora reprogramado no pr\u00f3prio ego. Orienta-se por slogans que ele pr\u00f3prio escolheu, conferindo-se assim um sentimento de soberania e de poder.<\/p>\n<p>A sociedade ocidental \u00e9 cada vez mais narcisista. O narcisismo \u00e9 um amor pr\u00f3prio aparente; na realidade est\u00e1 preso a sensa\u00e7\u00f5es de inferioridade e falta de amor pr\u00f3prio equilibrado.<\/p>\n<p>T<strong>odo o narcisismo \u00e9 ego\u00edsta, mas nem todo o ego\u00edsta \u00e9 um narcisista. O ego (amor pr\u00f3prio doentio) manifesta-se sob tr\u00eas tend\u00eancias: possuir, dominar e\/ou querer ter valor (ser importante). Se uma destas tr\u00eas caracter\u00edsticas tiver um valor acentuado ent\u00e3o poder-se-ia falar de ego\u00edsmo sublinhado.<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">\u201cNunca me ligavam\u201d \u2013 A falta de autoconfian\u00e7a \u2013 Fuga a si mesmo<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p>A tend\u00eancia ego\u00edsta, se demasiadamente acentuada, \u00e9 sintoma de car\u00eancia afectiva e falta de empatia; provem de um buraco na personalidade, que poder\u00e1 vir da falta de aprecia\u00e7\u00e3o na inf\u00e2ncia (a experi\u00eancia inconsciente do \u201cnunca me ligaram\u201d ou de uma inf\u00e2ncia do \u201claissez faire\u201d onde tudo lhe foi removido do caminho; sem necessidade de enfrentar obst\u00e1culos n\u00e3o teve ocasi\u00e3o de se situar, nem de criar ra\u00edzes est\u00e1veis de rela\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o fica pela vida fora uma falta de autoconsci\u00eancia que se compensa e sacia na realiza\u00e7\u00e3o automatista de um programa desastroso outrora aprendido e internalizado.<\/p>\n<p><strong>Esta programa\u00e7\u00e3o inconsciente prov\u00e9m de um sentimento internalizado do &#8221; Eu n\u00e3o sou Ok\u201d, &#8220;Eu n\u00e3o tenho valor&#8221;, &#8220;n\u00e3o sou bem-vindo&#8221;, &#8220;N\u00e3o sou suficiente\u201d,<\/strong> etc. Tanta crian\u00e7a arma teatro e at\u00e9 dan\u00e7a em torno dos pais e dos educadores, tal como o gato ao encostar-se \u00e0s pernas do dono, mas sem conseguir obter a aten\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o devidas porque o adulto, no momento, se encontra fechado nele, alheado no seu mundo de pensamentos, longe da situa\u00e7\u00e3o; encontra-se a viver um outro filme, num outro mundo que n\u00e3o \u00e9 o seu, nem o da crian\u00e7a\u2026<\/p>\n<p>Esta amarga experi\u00eancia infantil, somada a muitas outras, cria um buraco na alma daquela personalidade que passa a ter a necessidade de se destacar perante os outros \u2013 <strong>tem a necessidade de ser em tudo super, para poder sentir-se aceite e amada; nessa necessidade, mendiga agora a aten\u00e7\u00e3o que n\u00e3o teve e<\/strong>, em consequ\u00eancia disso, \u00e9 incapaz de se definir por si mesma, de descansar em si mesma e de fazer as pazes tamb\u00e9m com os pr\u00f3prios defeitos.<\/p>\n<p>Foi programada por algu\u00e9m tipo \u00e1rvore frondosa que n\u00e3o deixa vingar nada debaixo dela nem a seu lado, (talvez por algu\u00e9m com trastorno limite de personalidade \u2013 narcisista-borderline), que faz da crian\u00e7a uma escrava ao servi\u00e7o da sua vaidade. Conheci tais pessoas que s\u00f3 viam os outros em fun\u00e7\u00e3o delas e isto chegava ao extremo de abusar da crian\u00e7a que quando chamada, sistematicamente, tinha de deixar tudo imediatamente e correr, sem ter direito ao tempo dela, sem um momento de pausa para se dar conta do pr\u00f3prio existir e das pr\u00f3prias necessidades (nela passou a existir as necessidades dos outros): o pai\/m\u00e3e chamou, sem respeito pelo que a crian\u00e7a estava a fazer, e a crian\u00e7a ficou automaticamente comprometida com a vontade alheia; aprendeu a responder \u00e0s necessidades do outro sem ter em conta a pr\u00f3pria necessidade, passando a ser uma estrutura\u00a0 interrompida; a crian\u00e7a n\u00e3o teve tempo para construir a autoconfian\u00e7a que vem da capacidade de dar resposta a si mesma e aos outros num ambiente de amor,\u00a0 considera\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o. Agora, como adulta continua a responder \u00e0 necessidade de ser perfeita ou de parecer perfeita.<\/p>\n<p>Como vivemos numa sociedade de apelo ao narcisismo, a sua tend\u00eancia para a auto-optimiza\u00e7\u00e3o, de ser cada vez mais bonita, melhor e de subir mais alto, leva-a, ainda mais, a viver fora dela. A consequ\u00eancia pode ser o desenvolvimento de uma personalidade com uma atitude desafiadora e intolerante para consigo e para com os outros (ou uma pessoa sempre a correr atr\u00e1s de gurus narcisistas porque a sabedoria interior foi perturbada).<\/p>\n<p><strong>Muitas vezes, pessoas estruturadas desta maneira s\u00e3o condicionadas a procurar compensar o buraco ps\u00edquico com o perfeccionismo ou com um sentimento insaci\u00e1vel da necessidade de produzir sempre mais e melhor; nunca se sentem satisfeitas com o que fazem porque uma for\u00e7a internalizada lhes diz que, para serem boas, t\u00eam de ser melhores e produzir mais para serem aceites pelos outros!<\/strong>\u00a0 Sentem-se sempre incompletas; e como o stress n\u00e3o resolve problemas acumulam ainda outras inconveni\u00eancias.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Amor pr\u00f3prio equilibrado entre ego\u00edsmo e<\/span><\/strong> <\/span><strong><span style=\"color: #ff0000;\">altru\u00edsmo<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>Nem mais nem menos: \u201cAma o pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d, adverte o Evangelho! O pressuposto para se amar verdadeiramente o pr\u00f3ximo prev\u00ea primeiro o amor a si mesmo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Se nos observamos bem a n\u00f3s e ao mundo, notaremos que tudo \u00e9 rela\u00e7\u00e3o (relacionamento parentesco). Sem um tu n\u00e3o h\u00e1 um eu e sem um eu n\u00e3o h\u00e1 um tu e s\u00f3 no reconhecimento rec\u00edproco se d\u00e1 lugar ao n\u00f3s. <\/strong><\/p>\n<p>Nos polos equilibrados, do ego\u00edsmo (amor a si mesmo) e do altru\u00edsmo (amor ao pr\u00f3ximo), gera-se a sintonia\/compaix\u00e3o (em termos religiosos, a caridade) sem tirar a responsabilidade ao outro nem a liberdade a si mesmo. O verdadeiro altru\u00edsta n\u00e3o se satisfaz com o resultado do seu bem-fazer porque sente a leg\u00edtima satisfa\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com o outro na gratid\u00e3o e na alegria que dimana no todo.<\/p>\n<p><strong>O Homem n\u00e3o pode ser apenas um fim em si nem sequer um meio para a finalidade dos outros.<\/strong> Atrav\u00e9s do pr\u00f3ximo chegamos \u00e0 consci\u00eancia do eu que \u00e9 o encontro das rela\u00e7\u00f5es. Em torno da palavra eu se forma o Homem e a humanidade na consci\u00eancia de serem identidade em processo e a caminho de uma meta que n\u00e3o \u00e9 o colectivismo, mas a comunidade, \u00e0 imagem da f\u00f3rmula trinit\u00e1ria onde o eu pessoal e o n\u00f3s se re\u00fanem e expressam em pessoa.<\/p>\n<p>Se no nosso interior h\u00e1 tempestade n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel compensar o desequil\u00edbrio da alta ou baixa press\u00e3o em n\u00f3s, mediante a abertura de um vent\u00edculo para o exterior, uma adi\u00e7\u00e3o; esta pode substituir o sintoma por algum tempo, mas volta imprevistamente. Primeiro h\u00e1 que alcan\u00e7ar a bonomia, a bonan\u00e7a dentro de n\u00f3s para que a nossa ac\u00e7\u00e3o se torne ben\u00e9fica ad intra e ad extra. Uma certa tens\u00e3o \u00e9 sempre necess\u00e1ria douto modo a vida tornar-se-ia num \u201cburaco negro\u201d \u2026<\/p>\n<p>O altruismo saud\u00e1vel n\u00e3o funciona para acalmar a m\u00e1 consci\u00eancia nem t\u00e3o-pouco para afugentar o medo. Quem exagera no altru\u00edsmo, para adquirir reconhecimento, facilmente cair\u00e1 em depress\u00e3o ou Burnout!<\/p>\n<p><strong>A auto-realiza\u00e7\u00e3o implica um ego\u00edsmo sadio, um ego\u00edsmo sem egocentrismo<\/strong>. Tamb\u00e9m estamos chamados a promover o bem alheio, mas n\u00e3o \u00e0 custa da pr\u00f3pria felicidade. Uma pessoa contente transmite contentamento aos outros; uma pessoa infeliz anda envolvida pelo manto da escurid\u00e3o e propaga o escuro nos outros.<\/p>\n<p><strong>Segundo investiga\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas 75% das pessoas agem devido a influ\u00eancias exteriores sem saberem, muitas vezes, o que \u00e9 importante para si.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 muitas pessoas com um padr\u00e3o comportamental de tend\u00eancia altru\u00edsta que chegam a colocar a defesa da vida do grupo acima da individual. e uma maneira de se tornar reconhecido e aceite, uma tend\u00eancia natural a ajudar os outros.<\/p>\n<p>Uma dedica\u00e7\u00e3o despreocupada ao pr\u00f3ximo faz parte do desenvolvimento pessoal espiritual e psicol\u00f3gico\u2026. Quando for capaz de descansar em mim mesmo, sem necessidade de andar sempre a arranjar a casa do meu eu ou do pr\u00f3ximo e quando sentir o sol do carinho que em mim brilha independentemente dos defeitos que tenha, ent\u00e3o o sol interior irradiar\u00e1 na minha atua\u00e7\u00e3o e na minha atitude para o exterior.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o compreenderei a satisfa\u00e7\u00e3o do gato e do c\u00e3o que \u2013 sem a necessidade de controlar ou de se controlar &#8211; despreocupadamente se rola no ch\u00e3o, de pernas para o ar, vivendo, de maneira aberta, a satisfa\u00e7\u00e3o do momento sem qualquer medo nem receio.<\/p>\n<p>Por vezes h\u00e1 pessoas que passam uma vida sacrificando-se para os outros. Esquecem que temos esta vida para tamb\u00e9m treinarmos e aprendermos aquela alegria e gozo que, sem adiamentos, antecipa a realiza\u00e7\u00e3o futura. Somos individua\u00e7\u00f5es na comunidade.<\/p>\n<p>Neste sentido, a primeira tarefa ser\u00e1 aprender a amar-se, criando assim o fundamento para se poder mudar. Doutro modo anda-se a dar aos outros a compensa\u00e7\u00e3o do amor que nos foi negado e nos faltou. Uma vida, realizada na alegria do viver, proporciona a resposta dos outros no respeito, amor e sintonia; ent\u00e3o n\u00e3o se \u00e9 enganado nem se engana o pr\u00f3ximo com amores nem dedica\u00e7\u00f5es esfor\u00e7ados. Surge ent\u00e3o o calor do dar e receber da mesma energia divina (amor) que flui dentro e fora no n\u00f3s.<\/p>\n<p>Deus criou-nos a n\u00f3s tal como criou o sol e em n\u00f3s colocou a sua energia que vem de dentro para fora, do interior para o exterior. A op\u00e7\u00e3o pela autonega\u00e7\u00e3o dedicando-se s\u00f3 aos outros \u00e9 t\u00e3o perigosa como a dedica\u00e7\u00e3o s\u00f3 a si mesmo porque ambos surgiriam, n\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o e da riqueza, mas da falta que conduz a uma abnega\u00e7\u00e3o desequilibrada. O sol divino tem de brilhar primeiramente em n\u00f3s para nos abrir e atrav\u00e9s de n\u00f3s brilhar e aquecer os outros.<\/p>\n<p><strong>Sou com o todo sem me perder nos outros, sou com o outro consciente de que ele e eu somos apenas parte do todo.<\/strong><\/p>\n<p>Uma maneira consciente de avaliar o amor no trato de si mesmo ser\u00e1 o de se permitir tomar decis\u00f5es que deem satisfa\u00e7\u00e3o independentemente do que os outros dir\u00e3o ou esperam. Quando a voz do interior n\u00e3o \u00e9 sorvida pela voz de fora, ent\u00e3o vive-se naturalmente, o Reino de Deus, como os \u201cp\u00e1ssaros e os l\u00edrios do campo\u201d aceitando os cumprimentos e as cr\u00edticas dos outros como aqueles aceitam o sol e a chuva. Ent\u00e3o o que fa\u00e7o d\u00e1 alegria e contentamento porque fa\u00e7o-o simplesmente, sem sentimentos de obriga\u00e7\u00e3o ou de culpa muito embora num sentimento de sintonia\/compaix\u00e3o. <strong>Ent\u00e3o a felicidade e a infelicidade dos outros n\u00e3o me ensombram porque o meu viver compreende amar os outros e deix\u00e1-los ser como s\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Tenho que p\u00f4r nos pratos da balan\u00e7a da minha vida, de um lado o amor, o respeito, o cuidado que tenho para comigo e no outro prato as necessidades dos outros.<\/p>\n<p>Deixo entrar e sair de mim o ar dos sentimentos positivos e negativos sem os reter, do mesmo modo, como entra em mim o ar mais ou menos oxigenado que respiro. Aceito o dentro e o fora, o dia e a noite, a luz e a sombra, o sucesso e o fracasso sem o medo de me negar ou afirmar para ser aceite. Considera\u00e7\u00e3o e estima iluminam as minhas rela\u00e7\u00f5es sem me deixar prender em pensamentos negativos, devaneios, d\u00favidas e medos. N\u00e3o sou v\u00edtima de ningu\u00e9m e na qualidade de consci\u00eancia reflectida assumo a responsabilidade de ser, ser com os outros numa din\u00e2mica de ser para mim e ser para os outros.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Reconhecer-se e aceitar-se<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Para se chegar ao n\u00edvel do \u201cama o pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d h\u00e1, em primeiro, que se reconhecer a si mesmo, como advertia a frase no frontisp\u00edcio do templo de Apolo em Delfos aos que nele entravam. Reconhece a ipseidade (\u201cconhece-te a ti mesmo\u201d) e nela os teus pontos fortes e fracos, as facilidades e dificuldades como fluxo e refluxo da mesma realidade. O segundo passo \u00e9 \u201caceita-te como \u00e9s\u201d com os teus lados de luz e de sombra. E se me encontro numa altura em que me n\u00e3o posso aceitar, ent\u00e3o aceito a n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o. O terceiro passo ser\u00e1: aceitar em si uma possibilidade de mudan\u00e7a, mas sem limite de tempo e sem press\u00e3o de auto-optimiza\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Em paz de consci\u00eancia<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p>Muitas pessoas t\u00eam na sua consci\u00eancia um juiz interior muito rigoroso sempre a apelar pata o dever: esse juiz malformado diz: \u201ceu devo\u2026, tenho que\u2026\u201d ou \u201ca gente deve\u2026, a gente tem que\u2026\u201d<\/p>\n<p>Muitas vezes, esta \u00e9 a voz do \u201ceu paterno\u201d que continua escondida e a mandar em n\u00f3s. Este juiz fala do alto da sua c\u00e1tedra e por isso \u00e9 preciso substitu\u00ed-lo por um juiz Anjo, que n\u00e3o condena embora fa\u00e7a ver as coisas positivas e negativas com objectividade e que gosta de ti tal como \u00e9s.<\/p>\n<p>Dos erros se aprende para a pr\u00f3xima vez. Deus ama-te como \u00e9s, no antes, no agora e no depois; faz algo que te d\u00ea alegria, n\u00e3o te deixes subjugar apenas pelo programa do dia-a-dia, doutra maneira vive o programa em ti, sem que tu vivas porque s\u00f3 serves.<\/p>\n<p>Muitas vezes surge em n\u00f3s uma sensa\u00e7\u00e3o corporal ou um sentimento espiritual desagrad\u00e1vel e n\u00e3o temos tempo para lhe dar aten\u00e7\u00e3o e compreender o que esse sentimento ou sensa\u00e7\u00e3o nos quer dizer; muitas vezes esse mal-estar apenas nos quer dizer que excedemos os nossos limites.<\/p>\n<p>Sentimentos agrad\u00e1veis s\u00e3o sinais de que nos encontramos em conson\u00e2ncia com a situa\u00e7\u00e3o do momento. Se o sentimento \u00e9 torturante talvez se d\u00ea ao facto do sentimento puro se misturar com devaneios, conflito interno, a tentativa altiva de dominar uma sensa\u00e7\u00e3o, etc..<\/p>\n<p>Do sentimento de aceitar e ser aceite surge o contentamento de se encontrar com o dia ou com o pr\u00f3ximo, venha ele como vier. Chega a boa inten\u00e7\u00e3o de procurar o bem em tudo e de se experimentar contentamento, independentemente da gratid\u00e3o que se receba. Ent\u00e3o a viva sorri para mim e eu sorrio para a vida na consci\u00eancia de que a dor e a alegria servem o todo.<\/p>\n<p>A realidade do eu-tu-n\u00f3s encontra-se magistralmente delineada na f\u00f3rmula Trinit\u00e1ria onde a Rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de tal maneira viva e misteriosa que ganha express\u00e3o numa terceira pessoa. Neste sentido, a abertura e a entrega expressam a liberdade amorosa.<\/p>\n<p><strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pedagogo e te\u00f3logo<\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o sobre amar e ser amado entre ego\u00edsmo e altru\u00edsmo Por Ant\u00f3nio Justo Se fores capaz de transmitir a algu\u00e9m o sentimento de ser amado, de ser considerado e ser aceite, ele acreditar\u00e1 em si mesmo e a sua autoconfian\u00e7a far\u00e1 milagres. O eu faz parte do n\u00f3s e o n\u00f3s expressa o encontro com &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4712\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">CHAMADOS A SER BONS SEM TERMOS DE SER OS MELHORES<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[15,14,4,5,6,7,8],"tags":[],"class_list":["post-4712","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura","category-economia","category-educacao","category-escola","category-migracao","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4712","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4712"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4712\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4714,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4712\/revisions\/4714"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}