{"id":4621,"date":"2018-01-10T18:10:34","date_gmt":"2018-01-10T17:10:34","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4621"},"modified":"2018-01-12T22:52:27","modified_gmt":"2018-01-12T21:52:27","slug":"tensao-na-igreja-entre-progressistas-e-conservadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4621","title":{"rendered":"TENS\u00c3O NA IGREJA ENTRE PROGRESSISTAS E CONSERVADORES"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\">Bispos tradicionalistas sentem-se desafiados pelo Papa Francisco<\/h3>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Igreja n\u00e3o anda com as modas e por isso tem de, ocasionalmente, dar uma corrida para n\u00e3o ser ultrapassada pelo tempo. \u00c9 o que faz agora com o Papa Francisco, numa tentativa de dar prioridade ao passo da pastoral sobre o da dogm\u00e1tica! O Papa que entusiasma o mundo, desengana um certo esp\u00edrito clerical dentro do Vaticano.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O ponto da disc\u00f3rdia, que junta os conservadores mais fundamentais, centra-se na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica<\/strong> <strong>do Papa Francisco &#8220;A Alegria do Amor&#8221; que abre novos caminhos para a <\/strong><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4047\"><strong>pastoral matrimonial<\/strong><\/a><strong>, abre tamb\u00e9m pistas para uma abertura na regulamenta\u00e7\u00e3o do celibato do clero secular e para a legitima\u00e7\u00e3o do uso de m\u00e9todos anticonceptivos artificiais. <\/strong>A Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica exige a releitura de documentos anteriores da Igreja a uma nova luz mais ao sabor da teologia da liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>Reac\u00e7\u00e3o cr\u00edtica a \u201cA Alegria do Amor\u201d: Cardeal Burke e Cardeal M\u00fcller<\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nas esferas altas da jerarquia eclesi\u00e1stica confrontam-se liberais e conservadores numa luta surdina entre os que querem as \u201ccircunstancias mundiais a definir as posi\u00e7\u00f5es da Igreja\u201d e os que esperam que a Igreja deva \u201cliderar a agenda do mundo\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>A carta aberta de bispos aposentados e de cat\u00f3licos descontentes com sete acusa\u00e7\u00f5es em defesa de um tradicionalismo duro que teme o modernismo e a revolu\u00e7\u00e3o sexual, encontra express\u00e3o especial no cardeal Burke que se questiona se a \u201cA Alegria do Amor\u201d contraria a doutrina anterior. Os conservadores t\u00eam medo de uma releitura de velhos documentos \u00e0 luz de \u201cA Alegria do Amor\u201d. \u00a0A \u201cAmoris Laetitia\u201d procura manter duas vertentes: a da dogm\u00e1tica e a da pastoral, procurando dar um pouco mais de autonomia \u00e0 pastoral.\u00a0 De facto, se a Veritatis Splendor de Jo\u00e3o Paulo II d\u00e1 mais relevo \u00e0 doutrina, a Amoris Laetitia d\u00e1, cautelosamente, mais relevo \u00e0 pastoral (praxis): n\u00e3o se pode dizer que uma contradiga a outra at\u00e9 porque em cristianismo a consci\u00eancia individual faz a ponte ao ter o estatuto de lei.<\/p>\n<p><strong>Os conservadores mais obstinados (em torno do americano cardeal Burke) n\u00e3o querem admitir que o desenvolvimento pressup\u00f5e o reconhecimento das duas for\u00e7as que d\u00e3o sustentabilidade \u00e0 institui\u00e7\u00e3o: o progressismo e o conservadorismo, numa tens\u00e3o de toler\u00e2ncia e respeito m\u00fatuos que (num di\u00e1logo entre teologia e pastoral) deixem espa\u00e7o para a criatividade e inova\u00e7\u00e3o (em linguagem crist\u00e3: que deixem espa\u00e7o para o atuar do Esp\u00edrito Santo e para a leitura da revela\u00e7\u00e3o de Deus na Hist\u00f3ria)!\u00a0 <\/strong>Na luta entre liberais e conservadores (Cardeal Raymond Burke, viu a sua import\u00e2ncia tradicionalista despromovida ao ser transferido de dicast\u00e9rio pelo Papa), estes sentem-se do lado da raz\u00e3o argumentando que com a acentua\u00e7\u00e3o da liberalidade nos pa\u00edses a frequ\u00eancia dominical se reduz muito (outros apontam o exemplo tamb\u00e9m comum aos protestantes).<\/p>\n<p>O facto de as pessoas n\u00e3o participarem tanto nos sacramentos tem, certamente, mais a ver com o esp\u00edrito do tempo e com as necessidades e valores que ele fomenta, al\u00e9m da sobrecarga de padres cada vez mais estressados pelos encargos burocr\u00e1ticos e exclusiva administra\u00e7\u00e3o de sacramentos num trabalho rotineiro n\u00e3o consciente das mudan\u00e7as e da laiciza\u00e7\u00e3o que a sociedade sofreu. Em tal situa\u00e7\u00e3o cria-se um vazio, em que pastores, sem espa\u00e7o suficiente para viverem a sua f\u00e9 se limitam a ser cumpridores de ritos, sempre \u00e0 espera de &#8220;ordens&#8221; ou no m\u00ednimo de &#8220;instru\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Por outro lado, o problema maior ser\u00e1 encontrar formas de vida e estrat\u00e9gias de desmotivar o indiferentismo e a procura de espiritualidade \u201ca la carte\u201d \u00e0 margem das institui\u00e7\u00f5es. Uma oligarquia globalista est\u00e1 interessada em destruir a comunidade e as na\u00e7\u00f5es e nesse sentido aposta no desenraizamento da pessoa para mais facilmente reduzir os indiv\u00edduos a consumidores e clientes. \u00a0Os interesses desviam-se para as necessidades de uma cidadania fundada em ideologias (estas n\u00e3o se preocupam com a rela\u00e7\u00e3o da norma racional com a consci\u00eancia, nem da consci\u00eancia e acto moral).<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o, por\u00e9m, as dores acompanhantes ao parto de novas percep\u00e7\u00f5es nos tempos novos.<\/p>\n<p>O Cardeal M\u00fcller, um representante dos conservadores na Europa, num jogo \u00e0 defesa, disse em <a href=\"http:\/\/infocatolica.com\/?t=noticia&amp;cod=31039\">entrevista<\/a>: \u201cClassificar todos os cat\u00f3licos segundo as categorias de \u201camigo\u201d ou \u201cinimigo\u201d do Papa, \u00e9 o dano mais grave que causam \u00e0 Igreja.\u201d E que n\u00e3o se deve confundir \u201ca grande popularidade de Francisco\u2026 com uma verdadeira recupera\u00e7\u00e3o da f\u00e9\u201d \u2026 \u201cTenho a sensa\u00e7\u00e3o de que Francisco quer escutar e integrar todos. Mas os argumentos das decis\u00f5es devem ser discutidos antes\u201d. E avisa: E tamb\u00e9m me lembro a mim mesmo que os bispos est\u00e3o em comunh\u00e3o com o Papa: irm\u00e3os e n\u00e3o delegados do Papa, como recordou o Conc\u00edlio Vaticano II &#8220;.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem veja nas tomadas de posi\u00e7\u00e3o destes dois cardeais tend\u00eancias para um cisma na igreja. M\u00fcller j\u00e1 contradisse tal inten\u00e7\u00e3o. De facto, s\u00e3o apenas convuls\u00f5es da \u00e9poca. Um cism\u00e1tico quando o \u00e9, revela-se contra a Igreja, contra a Mensagem evang\u00e9lica, contra a tradi\u00e7\u00e3o e contra o magist\u00e9rio!\u00a0 <strong>N\u00e3o \u00e9 uma disc\u00eancia teol\u00f3gica que ir\u00e1 p\u00f4r em perigo a unidade da Igreja; ela vive tamb\u00e9m da natural tens\u00e3o entre a teologia e a pastoral. <\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>Controv\u00e9rsia e<\/strong><strong>m tempos de crise e de aggiornamento<\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A consci\u00eancia europeia e a sua identidade encontram-se num estado doentio como \u00e9 natural em \u00e9pocas de muta\u00e7\u00f5es fundamentais; <strong>o rem\u00e9dio para a nossa sociedade mutante ainda est\u00e1 por inventar e nem uma ortodoxia dura nem um relativismo dogm\u00e1tico convertido em fundamentalismo ajudam a doente.<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m j\u00e1 no p\u00f3s-Conc\u00edlio o arcebispo franc\u00eas Marcel Lefebvre lutava contra o aggiornamento do Vaticano II (que implementa a democracia e os direitos humanos); <strong>actualmente levantam-se os \u201cintrovertidos\u201d (idealistas) da doutrina (Jo\u00e3o Paulo II) contra os \u201cextrovertidos\u201d (realistas) da pastoral (representados em Francisco).<\/strong> Uns e outros ter\u00e3o raz\u00e3o porque uns e outros expressam a f\u00e9 de crentes empenhados. <strong>O timoneiro da barca de Pedro \u00e9 JC que permanece enquanto outros O v\u00e3o representando.<\/strong><\/p>\n<p>A teologia da liberta\u00e7\u00e3o procura agora a sua express\u00e3o numa tentativa de mistura das posi\u00e7\u00f5es e no reconhecimento de que a humanidade \u00e9 constitu\u00edda por pessoas introvertidas e extrovertidas<strong>. O Papa \u00e9 claro: &#8220;A vis\u00e3o \u2018vaticanoc\u00eantrica\u2019 negligencia o mundo \u00e0 nossa volta. Eu n\u00e3o partilho dessa vis\u00e3o, e farei tudo o que estiver ao meu alcance para a mudar&#8221;.<\/strong>\u00a0 De facto, a doutrina tradicional faz parte essencial da Lei Constitucional (Papa e dogmas) da Igreja, mas n\u00e3o deve impedir a forma\u00e7\u00e3o de leis e pr\u00e1ticas que a interpretem ou amenizem, n\u00e3o podendo a cristandade ver o seu cristianismo reduzido a uma vida de convento nem a elites de bem-pensantes.<\/p>\n<p><strong>O argueiro no olho dos conservadores vem do facto de Francisco n\u00e3o acolher a pompa vaticana, n\u00e3o assumir o modo clerical, n\u00e3o condenar os homossexuais, tomar uma atitude humilde perante outras religi\u00f5es, criticar o capitalismo global (1) e personalizar as quest\u00f5es de sexo, n\u00e3o condenando pura e simplesmente o div\u00f3rcio consumado (2); casais divorciados passam a ter, pontualmente, acesso \u00e0 comunh\u00e3o (mesmo sem ter de renunciar a rela\u00e7\u00f5es sexuais). A ala conservadora da Igreja alinha-se na cr\u00edtica \u00e0 \u201cAlegria do Amor\u201d para defender uma posi\u00e7\u00e3o clerical dogm\u00e1tica da Igreja contra uma teologia<\/strong> <strong>pastoral onde o Papa beneficia os liberais e progressistas. Teologia dogm\u00e1tica e teologia pastoral encontram-se frente a frente, quando por ess\u00eancia s\u00e3o complementares. <\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>A relativiza\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio como afronta aos celibat\u00e1rios?<\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Penso que, tamb\u00e9m uma perspectiva mais pastoral da rela\u00e7\u00e3o matrimonial, n\u00e3o implica negar o \u201ccasamento eterno e indissol\u00favel\u201d tal como um div\u00f3rcio n\u00e3o implica, por si s\u00f3, a nega\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio dogm\u00e1tico! O que \u00e9 \u00f3bvio reconhecer \u00e9 o facto de os c\u00f4njuges serem duas vari\u00e1veis, duas individualidades com caracteres em desenvolvimento e, por vezes, este d\u00e1-se em sentidos contr\u00e1rios; a experi\u00eancia pastoral sabe que, por vezes, s\u00f3 mais tarde \u00e9 reconhecida a incompatibilidade entre parceiros, podendo esta at\u00e9 constituir impedimento ao desenvolvimento social e espiritual individual.<\/p>\n<p>Seria irrespons\u00e1vel reduzir a quest\u00e3o relacional, mutuamente condicionante e determinante, a um mero problema de desobedi\u00eancia a um ideal, \u00e0 lei e consequente anula\u00e7\u00e3o. <strong>Mesmo numa rela\u00e7\u00e3o de f\u00e9 vivida ningu\u00e9m pode exigir de um parceiro matrimonial que assuma um papel como M\u00f3nica assumiu em rela\u00e7\u00e3o a Agostinho! <\/strong>N\u00e3o somos feitos s\u00f3 de c\u00e9u, somos feitos de c\u00e9u e terra e, como se sabe, h\u00e1 terra e terra! Como seres imperfeitos que somos tem de haver a argumenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se pode limitar a uma posi\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria, entre o bem e o mal, \u00a0mas incluir tamb\u00e9m o elemento da imperfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ac\u00e7\u00e3o do Par\u00e1clito na Hist\u00f3ria (Hist\u00f3ria \u00e9 uma cadeia de mudan\u00e7as e muta\u00e7\u00f5es incluindo intrinsecamente nelas um crit\u00e9rio relativizador das normas) e na pessoa \u00e9 uma realidade a ter em conta pois n\u00e3o \u00e9 uma consci\u00eancia social expressa num determinado tempo, seja ela liberal ou conservadora, que pode fazer parar a revela\u00e7\u00e3o de Deus no tempo. N\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7as ad hoc, a renova\u00e7\u00e3o \u00e9 cont\u00ednua, e necessita dos polos que a motivam numa tens\u00e3o natural entre consci\u00eancia conservadora e consci\u00eancia liberal. Deus n\u00e3o muda, o que muda \u00e9 o Homem e da\u00ed as diferentes perspectivas sobre Ele e sobre a comunidade.<\/p>\n<p><strong>A cren\u00e7a e as verdades realizam-se tamb\u00e9m no tempo o que pressup\u00f5e uma certa osmose entre a doxia e a praxia; \u00e9 preciso dar tempo ao tempo para, no distanciamento, se poder dar conta da<\/strong> <strong>revela\u00e7\u00e3o de Deus tamb\u00e9m na Hist\u00f3ria. A experi\u00eancia da f\u00e9 vivida e partilhada \u00e9 inclusiva e leva \u00e0 consci\u00eancia da complementaridade da vida, doutrina-praxis. Na Igreja de Jesus Cristo h\u00e1 lugar para uns e outros.<\/strong><\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 a letra e outra a vida, a letra tem a fun\u00e7\u00e3o de iluminar (ortodoxia e ortopraxia t\u00eam a sua din\u00e2mica pr\u00f3pria e n\u00e3o t\u00eam necessariamente de se obstarem). Tamb\u00e9m a cren\u00e7a n\u00e3o pode ser aprisionada nas leituras de um espa\u00e7o-tempo ou \u00e9poca, nem t\u00e3o-pouco na leitura de um dogma porque este ultrapassa a interpreta\u00e7\u00e3o. Deus n\u00e3o muda s\u00f3 n\u00f3s vamos mudando a nossa ideia dEle.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>Todos no mesmo barco<\/strong><\/h3>\n<p>Temos todos, Igrejas e partidos, de ultrapassar o esp\u00edrito da par\u00f3quia fechada, esp\u00edrito este que se encontra em representantes da Igreja e nos partidos e corpora\u00e7\u00f5es. A par\u00f3quia deve tornar-se cada vez mais express\u00e3o da diversidade, na sequ\u00eancia da obra e dos dons do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Sem tens\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 vida nem desenvolvimento; por isso progressismo e conservadorismo querem-se no mesmo barco. Pensamento e ac\u00e7\u00e3o, introvers\u00e3o e extrovers\u00e3o complementam-se como os \u00f3rg\u00e3os de um s\u00f3 corpo, numa rela\u00e7\u00e3o frut\u00edfera entre grupos dentro do mesmo corpo. Urge aceitar e manter uma tens\u00e3o produtiva entre indiv\u00edduo e institui\u00e7\u00e3o, entre grupos, entre miss\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o; esta ser\u00e1, numa atitude humilde e tolerante, a tarefa do momento para salvaguardar a sustentabilidade e manter a Igreja como prot\u00f3tipo de sociedade pol\u00edtica e religiosa.<\/p>\n<p><strong>Encontramo-nos numa fase em que \u00e9 obvio \u201crepensar-se, e ajudar a repensar o mundo e tamb\u00e9m ajudar a redefinir e atualizar pr\u00e1ticas, linguagens, redimensionar-se, tentando ultrapassar uma l\u00f3gica\u2026 demasiado clerical\u201d, como diz o Historiador e autor de \u201cPortugal Cat\u00f3lico\u201d, Jos\u00e9 Eduardo Franco (Cf. F\u00e1tima Mission\u00e1ria, janeiro 2018). <\/strong><\/p>\n<p><strong>Quem estiver com o papa pode andar mais ou menos depressa, mas tem a certeza de se encontrar do lado da Hist\u00f3ria porque segue a consci\u00eancia de que a fronteira da moral acompanha o saber<\/strong>. No consenso cat\u00f3lico, Ubi Petro, ibi Ecclesia. A revela\u00e7\u00e3o na tradi\u00e7\u00e3o encontra-se, ao mesmo tempo, em Jo\u00e3o Pablo II em Bento XVI e em Francisco.<\/p>\n<p><strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e pedagogo<\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<ul>\n<li>(1) \u201cAlgumas pessoas continuam a defender teorias \u2018conta-gotas\u2019, que assumem que o crescimento econ\u00f3mico, encorajado por um mercado livre, ir\u00e1 inevitavelmente resultar em maior justi\u00e7a e inclusividade pelo mundo. Tal cren\u00e7a, que nunca foi sustentada pelos factos, exprime uma confian\u00e7a arrogante e ing\u00e9nua na bondade dos que exercem o poder econ\u00f3mico e no funcionamento sacralizado do sistema econ\u00f3mico prevalente. Entretanto, os exclu\u00eddos continuam \u00e0 espera.\u201d O papa responsabiliza este capitalismo feroz pela destrui\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias que se veem obrigadas a separarem-se na busca de p\u00e3o. Para Francisco o sistema econ\u00f3mico \u00e9 quem mais provoca a separa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias\u2026.<\/li>\n<li><strong>(2) \u201cA Alegria do Amor\u201d<\/strong> na nota 361 do cap\u00edtulo (: algumas pessoas que vivem em segundos casamentos (ou em uni\u00f5es de facto) \u201cpodem viver na gra\u00e7a de Deus, podem amar e podem tamb\u00e9m crescer na vida da gra\u00e7a e da caridade, e para tal podem receber a ajuda da Igreja\u201d. \u201cEm certos casos, isto poder\u00e1 incluir a ajuda dos sacramentos.\u201d \u201cquero lembrar aos padres que o confession\u00e1rio n\u00e3o deve ser uma c\u00e2mara de tortura, mas antes um ponto de encontro com a miseric\u00f3rdia do Senhor\u201d \u2026. \u201cQuero tamb\u00e9m salientar que a eucaristia n\u00e3o \u00e9 um pr\u00e9mio para os perfeitos, mas um poderoso medicamento e alimento para os mais fracos.\u201d \u201cAo vermos tudo a preto e branco, \u00e0s vezes fechamos o caminho da gra\u00e7a e do crescimento.\u201d<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispos tradicionalistas sentem-se desafiados pelo Papa Francisco \u00a0 Ant\u00f3nio Justo A Igreja n\u00e3o anda com as modas e por isso tem de, ocasionalmente, dar uma corrida para n\u00e3o ser ultrapassada pelo tempo. \u00c9 o que faz agora com o Papa Francisco, numa tentativa de dar prioridade ao passo da pastoral sobre o da dogm\u00e1tica! 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