{"id":4613,"date":"2018-01-08T18:50:53","date_gmt":"2018-01-08T17:50:53","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4613"},"modified":"2018-01-08T18:50:53","modified_gmt":"2018-01-08T17:50:53","slug":"mandatarios-da-republica-sem-mandato-qualificado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4613","title":{"rendered":"MANDAT\u00c1RIOS DA REP\u00daBLICA SEM MANDATO QUALIFICADO"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>41% dos Portugueses querem Voto obrigat\u00f3rio nas Elei\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h2>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>Segundo uma investiga\u00e7\u00e3o do Expresso, \u00a041% dos portugueses querem voto obrigat\u00f3rio: um verdadeiro testemunho de pobreza para o sistema partid\u00e1rio! A concretiza\u00e7\u00e3o de tal ideia significaria um voto de desconfian\u00e7a nos partidos e de frustra\u00e7\u00e3o dos votantes, preocupados agora em preservar o estatuto de um Estado democr\u00e1tico. <strong>Com efeito, se a absten\u00e7\u00e3o atingisse os 50%, a governa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica deixaria de ser legitimada (nas \u00faltimas<\/strong><strong> legislativas, a taxa de absten\u00e7\u00e3o oficial foi de 44,1%). <\/strong><\/p>\n<p><strong>Segundo o mesmo Expresso, a filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria entre 2000 e 2014, diminui de 63 mil filiados (menos 18%). O PCP em 2016 tinha 54 mil filiados, o PS 91 mil em 2014, o BE 9 mil em 2014, o PSD 103 mil atualmente e o CDS conta com 35 mil filiados.<\/strong><\/p>\n<p>A \u201cabsten\u00e7\u00e3o e o desinteresse dos cidad\u00e3os\u201d a ser combatidos pela obriga\u00e7\u00e3o de voto viria a justificar ainda mais a irresponsabilidade da classe pol\u00edtica. Esta sentir-se-ia confirmada e sem necessidade de inova\u00e7\u00e3o aproveitar-se-ia de uma cidadania confirmadamente fraca, pr\u00f3pria de uma sociedade desintegrada s\u00f3 em parte agalinhada sob clubes e partidos.<\/p>\n<p>Como se observa, cada vez convence menos a dan\u00e7a ao ritmo da m\u00fasica de Bruxelas e a dan\u00e7a em torno das ideologias de extrema esquerda que gastam todo o seu g\u00e1s em polir a pr\u00f3pria imagem e em securitizar o pr\u00f3prio credo e em responsabilizar Bruxelas por todas as inc\u00farias portuguesas\u2026<\/p>\n<p>Num Portugal s\u00f3 com extrema esquerda, sem extrema direita e com a dificuldade do PSD, CDS e PS na concorr\u00eancia em torno do mesmo centro de esquerda-direita, \u00e9 favorecida a forma\u00e7\u00e3o de agrupamentos liberais \u00e0 esquerda do PS (com excep\u00e7\u00e3o do PC dogm\u00e1tico); esta situa\u00e7\u00e3o impede a forma\u00e7\u00e3o de um partido moderado que neutralize o sistema de altern\u00e2ncia governamental. Por outro lado, os partidos de esquerda e de direita t\u00eam sido muito integristas, fomentado p\u00fablicos entrincheirados, mais agarrados a convic\u00e7\u00f5es que a argumentos.<\/p>\n<p>A disputa entre Rui Rio e Santana Lopes \u00e9 sintom\u00e1tica da centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no centro que revela o enquadramento portugu\u00eas de uma luta de perfila\u00e7\u00e3o condicionada \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o de Rio de um PS que conseguiu os aliados da extrema esquerda para governar e de Santana Lopes que tentar\u00e1 tirar votantes do partido (CDS) que se tem mantido mais competente em quest\u00f5es de identidade cultural e tamb\u00e9m votos de socialistas descontentes.<\/p>\n<p><strong>Por toda a Europa os partidos menosprezaram os problemas do dia-a-dia da popula\u00e7\u00e3o e por isso come\u00e7am a surgir novas forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas a tentar ocupar aquele v\u00e1cuo. Em Portugal, um povo n\u00e3o tanto exposto \u00e0s ventanias dos tempos, os partidos assenhorearam-se mais facilmente do pensar pol\u00edtico. S\u00e3o os mandat\u00e1rios da Constitui\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o est\u00e3o ainda \u00e0 altura de realizar a miss\u00e3o a eles confiada, em fun\u00e7\u00e3o do Estado e da sociedade. <\/strong><\/p>\n<p>Os partidos, no seu encargo constitucional de contribuir para a forma\u00e7\u00e3o c\u00edvica do povo, t\u00eam falhado redondamente: mais que centrarem uma discuss\u00e3o p\u00fablica em argumentos e na an\u00e1lise concreta de factos e pol\u00edticas, a sociedade \u00e9 dirigida no sentido das corpora\u00e7\u00f5es dos irm\u00e3os, dos amigos, dos camaradas, etc. e como tal tendente a canalizar o autoritarismo de que vivem para a sociedade fomentando a formar posi\u00e7\u00f5es jacobinas e opini\u00f5es estanques (o calor afectivo chega a perturbar a lucidez mental). Deste modo perpetua-se ad eternum uma mentalidade do \u201ceu quero, posso e mando\u201d, incapaz de autoan\u00e1lise para reconhecer o bem que tamb\u00e9m o advers\u00e1rio tem, porque o mais importante \u00e9 a coisa em si e n\u00e3o a afectividade defensora do pr\u00f3prio clube. Uma discuss\u00e3o p\u00fablica mais partid\u00e1ria que pol\u00edtica tem levado grande parte da popula\u00e7\u00e3o (52%) a desinteressar-se da discuss\u00e3o pol\u00edtica e a limitar-se ao discurso familiar ou de futebol.<\/p>\n<p><strong>Cada regime est\u00e1 empenhado em colocar as suas viseiras na sociedade: isso foi o que fez Salazar e o que fez e faz o regime de Abril.<\/strong> O pre\u00e7o que o Estado portugu\u00eas e a democracia t\u00eam pago pela sua classe pol\u00edtica n\u00e3o se tem mostrado rent\u00e1vel para o pa\u00eds: entre os regimes econ\u00f3micos e democr\u00e1ticos parceiros, o pa\u00eds vai seguindo na cauda da Uni\u00e3o Europeia, quase ao n\u00edvel da Gr\u00e9cia como nos tempos do Estado Novo (embora ent\u00e3o tivesse de manter uma guerra).<\/p>\n<p><strong>A diaboliza\u00e7\u00e3o do regime de Salazar est\u00e1 para o branqueamento do actual regime como a diaboliza\u00e7\u00e3o do regime de abril est\u00e1 para o branqueamento de Salazar. O mesmo fen\u00f3meno se manifesta na respectiva diaboliza\u00e7\u00e3o ou branqueamento nos partidos. <\/strong><\/p>\n<p><strong>O amanho de uma tal cultura pol\u00edtica ter\u00e1 como resultado a produ\u00e7\u00e3o de clientelas consumistas mas sem rosto pr\u00f3prio!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo,<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>41% dos Portugueses querem Voto obrigat\u00f3rio nas Elei\u00e7\u00f5es Ant\u00f3nio Justo Segundo uma investiga\u00e7\u00e3o do Expresso, \u00a041% dos portugueses querem voto obrigat\u00f3rio: um verdadeiro testemunho de pobreza para o sistema partid\u00e1rio! 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