{"id":4462,"date":"2017-08-20T15:19:33","date_gmt":"2017-08-20T14:19:33","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4462"},"modified":"2017-08-20T17:42:38","modified_gmt":"2017-08-20T16:42:38","slug":"peninsula-iberica-al-andaluz-declarada-lugar-de-reconquista-para-o-islao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4462","title":{"rendered":"PEN\u00cdNSULA IB\u00c9RICA (AL ANDALUZ) DECLARADA LUGAR DE RECONQUISTA PARA O ISL\u00c3O"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #3366ff;\">O Mito da Toler\u00e2ncia e da Paz multicultural medieval em Al Andaluz<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><strong>Por Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>Um dos objectivos do terrorismo internacional \u00e9 desestabilizar a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica (\u201cAl Andaluz\u201d). Esta \u00e9 \u201ca terra da guerra\u201d, como anunciava j\u00e1 o m\u00e9dico Ayman Al-Sawahiri (vice-chefe da organiza\u00e7\u00e3o terrorista Al Quaida em 2006 ao declarar a guerra santa contra Al-Andaluz (Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica), especificando: <strong>\u201cO objetivo da jihad \u00e9 libertar os territ\u00f3rios que j\u00e1 foram a terra do isl\u00e3o, desde Al-Andalus at\u00e9 ao Iraque.\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>H\u00e1 duas semanas, antes do atentado de Barcelona (1), a mil\u00edcia Estado Isl\u00e2mico (EI) apelava nos seus sites \u00e0 \u201creconquista de Al-Andalus\u201d<\/strong> (HNA,19.08.2017) e anunciava um atentado nos pr\u00f3ximos dias, chegando a usar, em 29 de julho passado, a express\u00e3o \u201cfogo sobre Al Andaluz\u201d; Al Andaluz era a express\u00e3o usada pelos \u00e1rabes quando se referiam \u00e0 Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, dominada pelos mouros (desde 711 a 1249 a zona de Portugal e desde 711 a 1492 grandes zonas de Espanha).<\/p>\n<p><strong>A tradi\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica (sharia) divide o planeta em fronteiras religiosas: a \u201cterra da paz\u201d (Dar el Islam) que s\u00e3o as regi\u00f5es onde os mu\u00e7ulmanos dominam, e a \u201cterra da guerra\u201d (Dar al-Harb), as terras onde o isl\u00e3o ainda n\u00e3o domina. O sonho \u201c\u00e1rabe\u201d \u00e9 a reconquista de Espanha; reconquistar o que os invasores mu\u00e7ulmanos tinham conquistado aos crist\u00e3os da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica.<\/strong><\/p>\n<p><strong>.<\/strong><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\"><strong><span style=\"color: #3366ff;\">O Mito de Al Andaluz: est\u00edmulo para uns e for\u00e7a alienadora para outros<\/span><\/strong><\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A regi\u00e3o da Catalunha (prov\u00edncia de Barcelona) \u00e9 uma terra preferida por radicais mu\u00e7ulmanos para a\u00ed viverem.<\/strong> Na Espanha h\u00e1 800 mesquitas e na sua sombra h\u00e1 tamb\u00e9m &#8220;mesquitas de garagem&#8221; onde a prega\u00e7\u00e3o do \u00f3dio produz frutos. O dia 22 de agosto seria, para j\u00e1, uma data prop\u00edcia para mais atentados!<\/p>\n<p>A lembran\u00e7a da era dourada mu\u00e7ulmana em Espanha (Al Andaluz) \u00e9 um mito para os mu\u00e7ulmanos no seu sonho de voltar ao fulgor da sua Idade de ouro e, para n\u00e3o mu\u00e7ulmanos, \u00e9 o mito da suposta era de paz e toler\u00e2ncia entre o juda\u00edsmo, o cristianismo e o islamismo. O sonho \u00e1rabe corresponde \u00e0s suas coordenadas de religi\u00e3o pol\u00edtica e ao sonho de um imp\u00e9rio a realizar; da parte europeia, o desejo mitificado de um tempo de paz e toler\u00e2ncia que provem de um trauma de s\u00e9culos de conv\u00edvio e de rela\u00e7\u00f5es frustradas com o vizinho mu\u00e7ulmano \u2013 temos, sociologicamente, a experi\u00eancia dolorosa de uma humilha\u00e7\u00e3o, ainda no inconsciente, a procurar refugiar-se na ilus\u00e3o de uma sublima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Os mu\u00e7ulmanos est\u00e3o na origem, de facto, de um grande desenvolvimento na Pen\u00ednsula ib\u00e9rica<\/strong> e na Europa, atrav\u00e9s da filosofia como tradutores\/comentadores das obras dos cl\u00e1ssicos gregos (os escritos gregos da antiguidade foram traduzidos para \u00e1rabe, hebraico e latim em C\u00f3rdoba), das ci\u00eancias da medicina (Albucasis, Averr\u00f3is), das novas t\u00e9cnicas de agricultura, da concentra\u00e7\u00e3o em aglomerados citadinos e da sua arquitetura pr\u00f3pria.<\/p>\n<p><strong>Uma certa toler\u00e2ncia dos potentados mu\u00e7ulmanos do Al Andaluz, foi conseguida ent\u00e3o pelo facto de n\u00e3o terem posto em pr\u00e1tica o que a doutrina isl\u00e2mica exigia (Cor\u00e3o, Ditos do Profeta e Sharia). Ent\u00e3o como hoje surgiram movimentos de radicalismo (jihadistas) que pretendem p\u00f4r em pr\u00e1tica o que a doutrina mu\u00e7ulmana e o exemplo de Maom\u00e9 requer.<\/strong><\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo judeu Mois\u00e9s <a href=\"https:\/\/de.wikipedia.org\/wiki\/Maimonides\">Maimonides<\/a> de C\u00f3rdoba, prop\u00f4s uma interpreta\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica das passagens da Tora de maneira a, nas Escrituras sagradas, termos uma verdade simb\u00f3lica para os fil\u00f3sofos e te\u00f3logos e uma verdade f\u00edsica para o povo (verdade literal!)<\/p>\n<p>O sistema mu\u00e7ulmano perseguiu o seu grande fil\u00f3sofo Averr\u00f3is que foi um luzeiro na medicina e na filosofia, na qualidade de comentador de Arist\u00f3teles. A sua acentua\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o e a interpreta\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica dos textos sagrados (semelhante a Maimonides) n\u00e3o agradavam nem aos senhores mu\u00e7ulmanos nem aos senhores crist\u00e3os, tendo sido desterrado pelo soberano mu\u00e7ulmano.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.welt.de\/print-welt\/article220620\/Auf-dem-Weg-zum-Djihad.html\">Medievalista<\/a> <strong>Francisco Garcia Fitz, constata que\u00a0 \u201ea toler\u00e2ncia na Espanha mu\u00e7ulmana\u201c , em que as tr\u00eas culturas se respeitavam mutuamente, n\u00e3o passa de um \u201emito multicultural\u201c e n\u00e3o corresponde \u00e0 verdade hist\u00f3rica. Crist\u00e3os e Judeus eram tidos como inferiores e eram marginalizados, embora considerados minorias protegidas (&#8220;dhimmis&#8221;).<\/strong> Na Espanha, como ainda hoje na Turquia, estavam impedidos de obter tarefas de lideran\u00e7a no ex\u00e9rcito ou na administra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es entre grupos religiosos eram caracterizadas por conflitos religiosos, pol\u00edticos e de ra\u00e7a como conclui <a href=\"https:\/\/de.wikipedia.org\/wiki\/Al-Andalus\">Dar\u00edo Fern\u00e1ndez-Morera<\/a> no ensaio The Myth of the Andalusian Paradise, e que \u201cnos melhores tempos s\u00f3 podia ser controlado atrav\u00e9s do poder tir\u00e2nico dos governantes\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\"><strong><span style=\"color: #3366ff;\">A outra parte da realidade mu\u00e7ulmana em Espanha<\/span><\/strong><\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tanto a demoniza\u00e7\u00e3o como a diviniza\u00e7\u00e3o de uma \u00e9poca ou cultura est\u00e3o ao servi\u00e7o da guerra das corpora\u00e7\u00f5es e da estupidifica\u00e7\u00e3o de esp\u00edritos indiferenciados.<\/p>\n<p>Nesta \u00e9poca, Al Andaluz era um centro de muita criatividade e de alto n\u00edvel cient\u00edfico e intelectual. O sistema econ\u00f3mico era favor\u00e1vel \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de elites.<\/p>\n<p>Os n\u00e3o-mu\u00e7ulmanos (ahl al Dhimma) <strong>eram discriminados e oprimidos.<\/strong> O historiador Bernard Lewis constata: \u00ab<strong>As sociedades isl\u00e2micas nunca reconheceram a igualdade nem fingiram faz\u00ea-lo [&#8230;] Sempre houve discrimina\u00e7\u00e3o, de modo permanente e naturalmente necess\u00e1rio, como algo inerente ao sistema e institucionalizado pela lei e pela pr\u00e1tica<\/strong>.\u00bb<\/p>\n<p>Crist\u00e3os e judeus pagavam impostos espec\u00edficos &#8211; um imposto individual e um imposto sobre a terra &#8211; que eram muito mais opressivos do que os impostos aos mu\u00e7ulmanos. As comunidades crist\u00e3 e judaica <strong>estavam proibidas de exercer a sua religi\u00e3o em p\u00fablico, n\u00e3o podiam construir novas igrejas nem expressar em p\u00fablico as suas opini\u00f5es sobre religi\u00e3o. <\/strong>Muhammad I (823\u2013886) mandou destruir todas as igrejas constru\u00eddas depois de 711. <strong>Judeus e crist\u00e3os tinham de usar vestes que os distinguiam dos mu\u00e7ulmanos; nos s\u00e9culos XI e XII houve tamb\u00e9m <\/strong>convers\u00f5es for\u00e7adas, deporta\u00e7\u00f5es e emigra\u00e7\u00f5es maci\u00e7as de refugiados para a Espanha crist\u00e3.<\/p>\n<p>O historiador Francisco Garcia Fitz: \u00a0\u201cAs opera\u00e7\u00f5es militares do governante Almanzor no s\u00e9culo X e as expedi\u00e7\u00f5es jihad dos Almor\u00e1vidas e Almohitas no s\u00e9culo XII, contra os territ\u00f3rios crist\u00e3os, eram uma correspond\u00eancia \u00e0s cruzadas crist\u00e3s na luta contra o Isl\u00e3o\u201d. Neste pano de fundo, continua o historiador: <strong>\u201ca ideia id\u00edlica de uma Espanha mu\u00e7ulmana como local de encontro para tr\u00eas culturas parece mais ser a resposta a uma necessidade atual. Os modelos de rela\u00e7\u00f5es interculturais que a nossa sociedade precisa, n\u00e3o devem ser buscados na Idade M\u00e9dia. <\/strong>Porque o que l\u00e1 se encontra \u00e9 o outro lado da realidade: pol\u00edtica de exclus\u00e3o, que culminou em viol\u00eancia e expuls\u00e3o\u201d. \u201cA <a href=\"https:\/\/koptisch.wordpress.com\/2010\/05\/27\/die-toleranz-im-islamischen-spanien-ist-ein-mythos\/\">toler\u00e2ncia na espanha mu\u00e7ulmana \u00e9 um mito<\/a>\u201d .<\/p>\n<p>No fim do califado em 1031, a conviv\u00eancia deteriora-se, chegando a haver um pogrom contra os judeus de Granada, onde milhares foram assassinados. Muitos judeus, entre eles Mois\u00e9s Maimonides, refugaram-se em \u00e1reas mais tolerantes no Mediterr\u00e2neo oriental ou nos reinos crist\u00e3os emergentes no oeste da Espanha.<\/p>\n<p>O dom\u00ednio mu\u00e7ulmano terminou como come\u00e7ou\u2026. Rivalidades, no s\u00e9culo VIII, entre crist\u00e3os tinham facilitado a entrada dos mu\u00e7ulmanos na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e rivalidades, no s\u00e9culo XIII, entre mu\u00e7ulmanos facilitaram a reconquista crist\u00e3. Em 1492 o \u00faltimo rei Abu Abdal\u00e1 (Boabdil), capitulou perante os Reis Cat\u00f3licos, Fernando e Isabel.<\/p>\n<p>Com este contributo n\u00e3o quero justificar preconceitos com preconceitos. Saber \u00e9 luz que vai iluminado tamb\u00e9m os nossos mais obscuros rec\u00f4nditos!\u00a0 Importante \u00e9 estarmos na disposi\u00e7\u00e3o de descobrir e servir o esp\u00edrito da luz, mas sempre conscientes das pr\u00f3prias trevas.<\/p>\n<p><strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e Pedagogo (Portugu\u00eas e Hist\u00f3ria)<\/p>\n<p>Pegadas do Tempo,<\/p>\n<ul>\n<li>(1) A 17.08. ocorreram dois atentados em <a href=\"https:\/\/www.rtp.pt\/noticias\/mundo\/atentado-em-barcelona-provoca-13-mortos-e-mais-de-uma-centena-de-feridos_e1021516\">Barcelona e Cambrilis<\/a> com 14 mortos e mais de 130 feridos<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Mito da Toler\u00e2ncia e da Paz multicultural medieval em Al Andaluz Por Ant\u00f3nio Justo Um dos objectivos do terrorismo internacional \u00e9 desestabilizar a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica (\u201cAl Andaluz\u201d). Esta \u00e9 \u201ca terra da guerra\u201d, como anunciava j\u00e1 o m\u00e9dico Ayman Al-Sawahiri (vice-chefe da organiza\u00e7\u00e3o terrorista Al Quaida em 2006 ao declarar a guerra santa contra &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4462\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">PEN\u00cdNSULA IB\u00c9RICA (AL ANDALUZ) DECLARADA LUGAR DE RECONQUISTA PARA O ISL\u00c3O<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,14,6,7,8],"tags":[],"class_list":["post-4462","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-economia","category-migracao","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4462","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4462"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4462\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4469,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4462\/revisions\/4469"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4462"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4462"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4462"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}