{"id":4263,"date":"2017-05-27T23:48:32","date_gmt":"2017-05-27T22:48:32","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4263"},"modified":"2017-05-28T21:47:09","modified_gmt":"2017-05-28T20:47:09","slug":"a-dignidade-humana-e-o-alicerce-dos-direitos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4263","title":{"rendered":"A DIGNIDADE HUMANA \u00c9 O ALICERCE DOS DIREITOS HUMANOS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #33cccc;\"><strong><span style=\"color: #33cccc;\">Uni\u00e3o Europeia \u2013 Uma \u201cComunidade de Valores\u201d sem Sustentabilidade?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 a autonomia da pessoa que fundamenta os direitos humanos, mas sim a dignidade humana que fundamenta a sua autonomia.<\/strong> O Homem \u00e9 um ser situado e como tal feito de eu, tu e n\u00f3s, de espa\u00e7o e de tempo (\u00e9 mais que as suas circunst\u00e2ncias). Nele a transcend\u00eancia d\u00e1 perspectiva e continuidade \u00e0 chama da realidade (1).<\/p>\n<p><strong>Querer basear os Direitos humanos apenas no Direito pol\u00edtico (no direito e na moral), como tenta a Uni\u00e3o Europeia, quando se procura identificar e definir como \u201cComunidade de Valores\u201d<\/strong> (por ordem decrescente a n\u00edvel de popularidade: &#8220;direitos humanos&#8221;, &#8220;democracia&#8221;, paz, &#8220;estado de direito&#8221;, &#8220;solidariedade&#8221; &#8220;respeito por outras culturas&#8221;, &#8220;respeito pela vida humana&#8221;, &#8220;igualdade&#8221;, &#8220;liberdade do indiv\u00edduo&#8221;, &#8220;toler\u00e2ncia&#8221;, &#8220;autorrealiza\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;religi\u00e3o&#8221;), <strong>significaria um encurtamento, uma regress\u00e3o no processo do desenvolvimento<\/strong> <strong>(humano, hist\u00f3rico e sociol\u00f3gico). Ao mesmo tempo corresponderia ao abdicar da sua fun\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica<\/strong> (das causas finais ou finalidade \u2013 prop\u00f3sitos e motivos que est\u00e3o por tr\u00e1s do viver e do agir)<strong> e a conformar-se com o fim da Hist\u00f3ria<\/strong>. Implicaria uma amn\u00e9sia da hist\u00f3ria passada e consequentemente uma ren\u00fancia ao futuro (em vez de sujeito assumiria o papel de ser apenas\u00a0 objecto da Hist\u00f3ria: ser um objecto entre outros; renuncia \u00e0 pr\u00f3pria consci\u00eancia de sujeito para viver oportunisticamente numa posi\u00e7\u00e3o hip\u00f3crita de igualdade artificial com outras culturas: relativismo cultural!).<\/p>\n<p>Pretender reduzir a tradi\u00e7\u00e3o europeia ao iluminismo sem reconhecer que este s\u00f3 foi poss\u00edvel na continua\u00e7\u00e3o da Idade M\u00e9dia e do Renascimento e da doutrina crist\u00e3 e grega corresponderia a desfamiliarizar-se \u00e0 imagem do filho pr\u00f3digo. <strong>Os valores da comunidade n\u00e3o a justificam por si mesmos; com o tempo tornar-se-iam numa roda de hamster sem miss\u00e3o nem sentido e sem objectivo abrangente<\/strong>. \u00a0Ontem como hoje legitimam-se guerras e injusti\u00e7as em nome da defesa de valores e direitos individuais, religiosos e pol\u00edticos. Os direitos e interesses das partes concorrentes determinam o agir \u00e0 custa da dignidade humana (2).<\/p>\n<h3><strong><span style=\"color: #33cccc;\">Entre o imperativo categ\u00f3rico da raz\u00e3o e o imperativo integral do divino<\/span><\/strong><\/h3>\n<p>Nessa &#8220;Europa dos Valores&#8221;, o bar\u00f3metro da validade dos valores dependeria, pontualmente, do sentimento expresso em determinada \u00e9poca ou tempo.<\/p>\n<p>O desejo corre atr\u00e1s da falta. <strong>O mimetismo das leis e costumes na luta pela sobeviv\u00eancia que cria esperan\u00e7as n\u00e3o d\u00e1 sentido nem pode satisfazer a Esperan\u00e7a.<\/strong> O bem-comum e a democracia s\u00e3o demasiado circunstanciados para poderem ser apresentados como garantes de futuro ou como princ\u00edpio \u00e9tico global (Exemplo de do fil\u00f3sofo S\u00f3crates e de Jesus Cristo que foram mortos em nome da lei por defenderem a dignidade humana que transcende a pr\u00f3pria lei e moral: ao n\u00e3o seguirem a moral da massa ficaram fora da lei e da sociedade).<strong> A polis, a democracia, em nome do povo, \u00a0legitima\u00a0a morte do indiv\u00edduo pela lei embora este, como testemunha Jesus e S\u00f3crates, seja fiel a uma consci\u00eancia \u00e9tica individual e social superior \u00e0 da massa<\/strong>; <strong>numa perspectiva da polis, ao indiv\u00edduo fica reservado o mal se n\u00e3o segue a masssa. <\/strong>Na consequ\u00eancia podemos concluir que n\u00e3o chega o reconhecimento do grupo ou da sociedade como pr\u00e9mio ou como saisfa\u00e7\u00e3o de uma necessidade para legitimar um acto ou uma lei geral. O facto de se pressupor um ideal absolto e de ele ser imposs\u00edvel no tempo, devido \u00e0 falta, n\u00e3o justifica a sua nega\u00e7\u00e3o ou sentido.<\/p>\n<p>O desejo realizado apenas no \u00e2mbito social \u00a0reduziria a vida a uma mera necessidade de autoafirma\u00e7\u00e3o presente na natura e na cultura mas sem perspectiva de sentido final. A liberdade e a dignidade humana s\u00e3o \u00a0mais do que a lei produz. <strong>A esfera da moral \u00e9 criada pela lei mas esta deve deixar margem para poder ser secundada pela consci\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A vontade da lei \u2013 express\u00e3o do momento &#8211; seria determinante independentemente do sentido e da finalidade do Homem, da hist\u00f3ria e da natureza, que apontam seguir no sentido de uma meta e de uma caminhada de aperfei\u00e7oamento comum<\/strong> (a natureza e o desenvolvimento antropol\u00f3gico e sociol\u00f3gico seguem na peugada de um chamamento). A teleologia explica a realidade em termos de causas finais e a teologia explica a realidade em termos de primeiro motor e de causas finais, na perspectiva humano-divina.<\/p>\n<p><strong>O imperativo categ\u00f3rico da raz\u00e3o n\u00e3o pode obstar ao imperativo integral do divino<\/strong>, que \u00e9 uma constante a manter-se; a \u00e9tica da responsabilidade \u00e9 um bom orientador para regular a vida da pessoa na cidade (sociedade) mas n\u00e3o \u00e9 suficiente, precisa tamb\u00e9m da virtude moral pessoal (convic\u00e7\u00e3o) que assente num imperativo divino (esfera m\u00edstica e ideal j\u00e1 apresentada por Plat\u00e3o na alegoria da caverna). <strong>N\u00e3o \u00e9 suficiente a narrativa da com\u00e9dia e da trag\u00e9dia da vida para a explicar; a vida humana necessita-se tamb\u00e9m da filosofia e da espiritualidade como procura da verdade. <\/strong>(Naturalmente que aqui falo como crist\u00e3o, mas como crist\u00e3o consciente de que todas as doutrinas e \u00e9ticas se interrelacionam e se necessitam na caminhada comum de realiza\u00e7\u00e3o e descoberta do mist\u00e9rio).<\/p>\n<p><strong>Substituir o olhar de Deus pelo do Estado secular seria condicionar o cidad\u00e3o irremediavelmente \u00e0 polis (cidade) tal como em tempos anteriores o servo da gleba tinha sido condicionado \u00e0 agricultura.<\/strong> Seria dar o passo da Religi\u00e3o para a Ci\u00eancia de maneira irreflectida, porque esta n\u00e3o aceita reconhecer nem ver a ideologia que a sustenta. Nesta via reduzir-se-ia tudo a educa\u00e7\u00e3o, psicologia\u00a0 economia e sociologia, fazendo dos professores os novos sacerdotes ao servi\u00e7o de uma subalternidade que humilha a pessoa<strong>. <\/strong><\/p>\n<p>A dignidade humana (de gene divina) ultrapassa o estatuto da moral e do direito; ela \u00e9 que os fundamenta e garante: neste sentido, todo o Homem \u00e9 filho de Deus independentemente da sua cren\u00e7a e mundivis\u00e3o. Com a morte de Deus, a Europa perderia o seu passado e com ela o sentido do seu futuro. <strong>Seria antieuropeu e anti-cultura-ocidental, se os seus representantes continuassem a negar o Deus dos crist\u00e3os<\/strong> (o Cristianismo fonte do seu ser e projec\u00e7\u00e3o e sentido da miss\u00e3o no mundo de se dar \u201ca Deus o que \u00e9 de Deus e a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar\u201d) <strong>porque ao matar Deus matam a cultura e negam a continuidade da hist\u00f3ria<\/strong>. Todo o Homem ocidental consciente da cultura europeia, independentemente de ser ou n\u00e3o crente, reconhece a import\u00e2ncia do cristianismo como matriz da cultura ocidental que soube integrar nela\u00a0 o esp\u00edrito grego e romano numa din\u00e2mica de acultura\u00e7\u00e3o e incultura\u00e7\u00e3o com outras culturas; de facto s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es como o Catolicismo e outras comunidades que, na abertura, permitem garantir a sustentabilidade de uma civiliza\u00e7\u00e3o que herdou delas a dignidade humana e os direitos humanos numa din\u00e2mica de se reinventar e refazer continuamente.<\/p>\n<p>O direito \u00e9 algo externo e como tal n\u00e3o t\u00e3o vinculativo como a dignidade humana porque, mesmo o Estado de direito que se entende justo, tem um sistema jur\u00eddico fruto da for\u00e7a dos mais fortes e que os beneficia, com maior ou menor desvio, de cultura para cultura: a dignidade humana essa \u00e9 uma constante acompanhada por valores (direitos e deveres) vari\u00e1veis. A dignidade humana, por mais ultrajada que se encontre num sujeito, transcende o direito (quando este disp\u00f5e do homem como objecto); a dignidade humana responsabiliza o ser humano no foro externo e interno; n\u00e3o se subjuga \u00e0 pondera\u00e7\u00e3o de interesses imediatos (individuais ou grupais) que a determinem.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o e o \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o se podem sobrepor \u00e0 pessoa (dignidade humana). O Estado embora promova o direito \u00e9 ao mesmo tempo seu objecto e a vontade do povo \u00e9 legitimadora das leis na medida em que as condiciona \u00e0 dignidade humana. Doutro modo temos uma sociedade de direito, mas de legitimidade muito limitada.<\/p>\n<p>De que me valeria ser <strong>justo se a minha justi\u00e7a<\/strong> contribu\u00edsse para a sustentabilidade de um estado de injusti\u00e7a?<\/p>\n<p><span style=\"color: #33cccc;\"><strong><span style=\"color: #33cccc;\">Para Arist\u00f3teles o fim da ac\u00e7\u00e3o \u00e9 a felicidade (fim teleol\u00f3gico)<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na vida individual e social, a uma for\u00e7a biol\u00f3gica causal junta-se uma for\u00e7a intencional (um objectivo a longo prazo, imposs\u00edvel de ser observado num momento determinado dado o observador fazer parte do processo).<\/p>\n<p>Sem uma vis\u00e3o teleol\u00f3gica da realidade e da pr\u00f3pria hist\u00f3ria, os valores e os direitos humanos (e um poss\u00edvel cat\u00e1logo de princ\u00edpios \u00e9ticos acompanhantes) careceriam de sentido e prop\u00f3sito, n\u00e3o podendo por si s\u00f3s tornar-se em motiva\u00e7\u00e3o de ac\u00e7\u00f5es e de valores.\u00a0 Um agir motivado apenas pelo direito teria como consequ\u00eancia um utilitarismo ego\u00edsta ad hoc porque at\u00e9 o princ\u00edpio \u00e9tico da justi\u00e7a n\u00e3o passaria de um argumento para se produzir um cont\u00ednuo estado de guerra desesperada contra quem tem ou \u00e9 mais ou at\u00e9 incrementar um estado de guerrilha de indiv\u00edduos e de grupos na sociedade (\u00e0 imagem dos jhiadistas mu\u00e7ulmanos).<\/p>\n<p>Se observamos, o ser humano, a natureza (biologia) e a Hist\u00f3ria na sua caminhada (antropol\u00f3gica e sociol\u00f3gica) verifica-se n\u00e3o s\u00f3 a caminhada mas que o caminhar se orienta para uma meta (for\u00e7a motivadora e intencional; o argumento de uma poss\u00edvel lei de adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 insuficiente por excluir o fim aberto da metaf\u00edsica; n\u00e3o chega a for\u00e7a da necessidade para justificar a cria\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o nem o salto das esp\u00e9cies para explicar o desenvolvimento nem t\u00e3o-pouco uma ordem; <strong>por tr\u00e1s da necessidade h\u00e1 um impulsionador que possibilita a pr\u00f3pria ordem, <\/strong>a orienta e a satisfaz e a que se poderia chamar felicidade ou perfei\u00e7\u00e3o \u2013 realiza\u00e7\u00e3o final (din\u00e2mica da trindade). (Nesta perspectiva torna-se \u00f3bvia a colabora\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias ci\u00eancias como achegas complementares na tentativa de desvendar o mist\u00e9rio da vida e do mundo que \u00e9 maior do que o \u00e2mbito que cada sector abrange: n\u00e3o chega ficar-se pelo materialismo nem pelo espiritualismo como modo de explicar o mundo e o Homem (sua origem, composi\u00e7\u00e3o, finalidade e sentido; tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 suficiente perder-se em explica\u00e7\u00f5es); um e outro t\u00eam de se dar as m\u00e3os para solidariamente servirem a Humanidade. Com efeito, uma autoafirma\u00e7\u00e3o no ser contra e atrav\u00e9s da nega\u00e7\u00e3o do outro (alteridade) corresponderia a um impulso primitivo de elementos inconscientes, sem ipseidade pr\u00f3pria nem sentido.<\/p>\n<p><span style=\"color: #33cccc;\"><strong><span style=\"color: #33cccc;\">A Dignidade Humana \u00e9 a\u00a0\u00a0 logomarca da hist\u00f3ria intelectual e m\u00edstica europeia<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>A dignidade humana d\u00e1 consist\u00eancia \u00e0 autonomia dos direitos humanos, legitimados por uma convic\u00e7\u00e3o moral. <\/strong>De facto, n\u00e3o chega a tentativa de um enquadramento da consci\u00eancia europeia em vari\u00e1veis jur\u00eddicas e morais para fundamentar o valor de uma cultura ou fundamentar a dignidade humana; a moldura \u00e9 vari\u00e1vel, como se verifica ao longo da Hist\u00f3ria e na compara\u00e7\u00e3o das culturas. (Uma fundamenta\u00e7\u00e3o e explica\u00e7\u00e3o meramente \u00e9tica procura a sua origem na filosofia Kantiana, em concep\u00e7\u00f5es utilitaristas ou relativistas). S\u00e3o, por\u00e9m, insuficientes. <strong>O acto pol\u00edtico humano circunstancial (democr\u00e1tico), expresso na elabora\u00e7\u00e3o de uma Constitui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 suficiente para fundamentar um direito vinculador do comportamento, porque n\u00e3o reflecte o ser do Homem, o Homem todo, a sua ipseidade de caracter divino. <\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o chegam conceitos morais para fundamentar os diretos humanos; uma \u00e9tica respons\u00e1vel \u00e9 sempre pessoal; <\/strong>como referi, a \u201cdignidade humana\u201d, de identidade crist\u00e3 e de filia\u00e7\u00e3o judaico-geco-romana precisa de manter institui\u00e7\u00f5es que preservem a mem\u00f3ria e a viv\u00eancia a ser transmitida de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o (cristianismo e seus desafiadores como guardi\u00e3es do direito natural, do direito positivo e do direito espiritual). <strong>A Dignidade Humana \u00e9 a \u00a0\u00a0logomarca da hist\u00f3ria intelectual e m\u00edstica europeia e baseia-se na\u201d Imagem de Deus\u201d apesar das mais diversas express\u00f5es e ao abuso do mais forte; <\/strong>abuso sempre presente na hist\u00f3ria religiosa e profana pelo facto de estes n\u00e3o deixarem de ser portadores dos males inerentes ao ser humano.<\/p>\n<p><strong>Embora o cristianismo n\u00e3o tenha elaborado um cat\u00e1logo espec\u00edfico sobre os direitos humanos e o seu fundamento na Dignidade humana, toda a sua espiritualidade (ser-humano feito de terra e c\u00e9u, o prot\u00f3tipo Jesus Cristo, o<\/strong> <strong>embutindo na rela\u00e7\u00e3o pessoal trinit\u00e1ria, as<\/strong> <strong>bem-aventuran\u00e7as, tudo isto cria um uma rela\u00e7\u00e3o substancial de eleva\u00e7\u00e3o natural da dignidade humana. O cristianismo \u00e9 mais que uma religi\u00e3o, por isso, a dignidade humana \u00e9 definida independentemente da religi\u00e3o\u2026e como tal global e v\u00e1lida para toda a cren\u00e7a e descren\u00e7a. <\/strong><\/p>\n<p>A dignidade humana \u00e9 mais que um direito; <strong>ela \u00e9 a rainha de todo o direito<\/strong>! A honra humana \u00e9 inerente ao Homem independentemente do estado social e da sua avalia\u00e7\u00e3o ao longo do tempo. Para Paulo n\u00e3o h\u00e1 grego nem romano. O Homem deve velar pela sua dignidade perante si, perante os outros e perante Deus implicando isto o seguimento de um chamamento de perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A dignidade humana e a admira\u00e7\u00e3o por todos os seres prestam-se como alega\u00e7\u00e3o universal para o direito e a moral de todos os povos. <\/strong>\u00a0A dignidade humana \u00e9 o fundamento religioso e filos\u00f3fico mais apropriado dos direitos humanos; uma tentativa de colocar os direitos humanos como fundamento leva ao equivoco, dado o direito e a moral que os assistem serem demasiadamente localiz\u00e1veis, condicionadores e condicionados ao lugar e ao tempo, para poderem servir de fundamento \u00faltimo de mundivid\u00eancias ou atitudes. <strong>A mera lei como orienta\u00e7\u00e3o mata as asas do sonho, aquilo que nos torna Homem.<\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #33cccc;\">Pena de morte \u2013 Um Direito contra a Dignidade humana<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Consequentemente, a dignidade humana n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com a legitima\u00e7\u00e3o da morte de embri\u00f5es nem de pessoas em est\u00e1dio \u00faltimo, muito embora o direito se expresse diferentemente em circunst\u00e2ncias diferentes. Tentar definir a dignidade humana corresponderia a equacion\u00e1-la e condicion\u00e1-la em termos de sistemas ideol\u00f3gicos ou mundivis\u00f5es ela \u00e9 o valor em si porque, o valor a priori anterior \u00e0 formula\u00e7\u00e3o do direito p\u00fablico e do direito privado.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Corre-se o perigo de haver uma degrada\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o baseado num processo de transferimento do pensar da filia\u00e7\u00e3o divina, para o pensar racional e ultimamente para o pensar utilit\u00e1rio-financeiro. De facto, na forma\u00e7\u00e3o dos ju\u00edzos de valor deparamo-nos com a influ\u00eancia da economia em termos de c\u00e2mbios correspondentes a trocas de valores equivalentes a produtos em igualdade<\/p>\n<p>Basear os direitos humanos apenas na ac\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o pol\u00edtica corresponderia \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de um sistema social com p\u00e9s de barro como na predi\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Profecia_da_est%C3%A1tua_de_Nabucodonosor\">Nabucodonosor<\/a> . Com o tempo o homem deixaria de ser sujeito e senhor para passar a objecto e escravo.<\/p>\n<p>A Dignidade Humana e o respeito perante a vida (todo o ser) s\u00e3o os garantes da paz e do desenvolvimento dos povos.<\/p>\n<p>A lei da pena de morte, vigente nalguns pa\u00edses, \u00e9 o exemplo mais acabado de como uma determina\u00e7\u00e3o legal, embora democr\u00e1tica, transgride a dignidade humana e o respeito pela vida ao conferir a uma institui\u00e7\u00e3o o direito de colocar a sua norma acima da Dignidade humana.<\/p>\n<p>\u00a9<strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e Pedagogo<\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>(1) Fa\u00e7o esta reflex\u00e3o que provem de uma observa\u00e7\u00e3o do agir e legislar da Uni\u00e3o Europeia, consciente de que muitos dos seus timoneiros n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 altura de perceber a matriz da cultura europeia e do seu sentido e significado para os cidad\u00e3os e para o mundo. Em vez de viverem a pr\u00f3pria cultura, incorrem num zelo jacobino masculino de imporem a outros povos a sua \u201cdemocracia\u201d, com um constructo dos \u201cvalores europeus\u201d em que os valores da pessoa, da fam\u00edlia e da comunidade deram lugar aos valores do mercado que para se tornar absoluto aposta no ego\u00edsmo humano, longe de Deus e do povo. N\u00e3o me preocupa a cren\u00e7a; o que me preocupa \u00e9 uma Europa s\u00f3 corpo que perdeu a alma e que por isso n\u00e3o parece saber o que quer nem o que faz.<\/p>\n<p>(2) Hoje torna-se \u00f3bvia, mais que nunca, uma discuss\u00e3o desemperrada sobre a cultura europeia atendendo ao seu caracter aberto e \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o crescente da cultura \u00e1rabe no seu meio como gueto. Neste sentido n\u00e3o \u00e9 suficiente uma Constitui\u00e7\u00e3o dado se afirmarem \u00e0 custa da ced\u00eancia de bens culturais europeus sem que eles cedam tamb\u00e9m nos seus; de facto, a abertura cede ao fechamento sem nada em contrapartida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uni\u00e3o Europeia \u2013 Uma \u201cComunidade de Valores\u201d sem Sustentabilidade? Ant\u00f3nio Justo N\u00e3o \u00e9 a autonomia da pessoa que fundamenta os direitos humanos, mas sim a dignidade humana que fundamenta a sua autonomia. O Homem \u00e9 um ser situado e como tal feito de eu, tu e n\u00f3s, de espa\u00e7o e de tempo (\u00e9 mais que &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4263\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">A DIGNIDADE HUMANA \u00c9 O ALICERCE DOS DIREITOS HUMANOS<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[15,14,4,6,7,8],"tags":[],"class_list":["post-4263","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura","category-economia","category-educacao","category-migracao","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4263","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4263"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4263\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4267,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4263\/revisions\/4267"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}