{"id":4230,"date":"2017-04-28T14:03:13","date_gmt":"2017-04-28T13:03:13","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4230"},"modified":"2017-04-28T14:54:34","modified_gmt":"2017-04-28T13:54:34","slug":"nacionalismo-surgente-um-sintoma-de-crise-e-de-instabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4230","title":{"rendered":"NACIONALISMO SURGENTE &#8211; UM SINTOMA DE CRISE E DE INSTABILIDADE"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #00ccff;\"><strong><span style=\"color: #00ccff;\">Salvar a Europa ou as<\/span> <span style=\"color: #00ccff;\">suas Na\u00e7\u00f5es?\u00a0<\/span> <\/strong><\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Europa assiste-se a uma onda de indigna\u00e7\u00e3o contra a onda do nacionalismo crescente que indignado reage contra transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f3micas e sociais, sentidas como amea\u00e7as \u00e0 pr\u00f3pria identidade e aos bens adquiridos.<strong> A Uni\u00e3o Europeia insurge-se contra os europeus e os europeus insurgem-se contra a Europa.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #00ccff;\"><strong><span style=\"color: #00ccff;\">Concorr\u00eancia no mercado das opini\u00f5es<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ideologia socialista que num primeiro momento da industrializa\u00e7\u00e3o se revelou oportuna precisaria de uma revis\u00e3o radical, para se n\u00e3o tornar prejudicial, num momento da Hist\u00f3ria que precisaria de maior tempero e equil\u00edbrio na rapidez do progresso para se proporcionar um desenvolvimento sustent\u00e1vel mais adequado \u00e0s pessoas e aos povos. O mesmo se diga do capitalismo liberal!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A ideologia nacionalista, como sintoma de crise e de instabilidade econ\u00f3mica e social, corresponde \u00e0 mar\u00e9 vazante depois de uma mar\u00e9 cheia<\/strong> <strong>anterior<\/strong> (de melhor bem-estar econ\u00f3mico e social) <strong>demasiadamente aberta, virada para fora, para a expans\u00e3o e desacautelada em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio centro <\/strong>(os interesses do pr\u00f3prio Estado, da cultura e da economia nacional foram negligenciados e a imigra\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana, incontrolada e, em parte, incontrol\u00e1vel, atenta contra a unidade cultural continental). Uma cultura prematuramente aberta e apressada questiona o pr\u00f3prio desenvolvimento org\u00e2nico e ordenado, a que poderia chegar com mais efici\u00eancia em ritmo menos acelerado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O nacionalismo come\u00e7ou a ganhar maior express\u00e3o com a revolu\u00e7\u00e3o francesa e especialmente com a revolu\u00e7\u00e3o industrial inglesa que desestabilizou a ordem social, ao provocar a emigra\u00e7\u00e3o dos lavradores e dos alde\u00f5es para as cidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #00ccff;\"><strong><span style=\"color: #00ccff;\">De alde\u00e3o para cidad\u00e3o<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o abandono da terra e do campo e com a consequente concentra\u00e7\u00e3o do povo nas cidades deixa de valer a estabilidade de uma economia de caracter familiar para se passar para uma economia de caracter individual mais acentuada no capital. Passa-se das fam\u00edlias alargadas para as fam\u00edlias pequenas &#8211; estas condicionadas por uma economia de proletariado agarram-se a novas mundivis\u00f5es).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A inseguran\u00e7a do indiv\u00edduo na cidade e a instabilidade pol\u00edtica citadina teve como consequ\u00eancia o fomento do individualismo que passa a procurar a seguran\u00e7a na na\u00e7\u00e3o (<strong>Um certo patriarcalismo familiar desaparece e o indiv\u00edduo, longe dos seus, procura o seu substituto na na\u00e7\u00e3o<\/strong>). <strong>A emigra\u00e7\u00e3o do povo do campo para a cidade leva-o a deixar a igreja na aldeia e a desvalorizar a import\u00e2ncia da fam\u00edlia alargada<\/strong> (actualmente at\u00e9 a fam\u00edlia pequena \u00e9 posta \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos maiores ataques). Nas cidades as torres da Igrejas come\u00e7aram a ser atafegadas pelas chamin\u00e9s das f\u00e1bricas e pelas torres dos bancos. Mudam-se os costumes mudam-se as mentalidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o das pessoas na cidade <strong>cria um novo tipo de pessoa: surge o cidad\u00e3o<\/strong> a tecer novos sonhos que posteriormente se revelam, tamb\u00e9m eles, sem asas, com as naturais desilus\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A fam\u00edlia, a geografia, o campo e a agricultura deixaram de ser garantes de valores duradouros e de estabilidade a n\u00edvel individual e social. O indiv\u00edduo distancia-se e afirma-se perante a fam\u00edlia: <strong>destrona-se o pater fam\u00edlias, destrona-se o rei; o n\u00f3s das fam\u00edlias transp\u00f5e-se para o n\u00f3s nacional<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Surge o indiv\u00edduo isolado, com menos la\u00e7os; o que vale agora \u00e9 a for\u00e7a de trabalho e o capital que ela produz; o citadino, procura agora a estabilidade social e afectiva em novas ocupa\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es; a vida da polis, a organiza\u00e7\u00e3o laboral e do Estado, fomentam nele o sentimento nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Rep\u00fablica vai-se afirmando como barco no mar revolto e o cidad\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o v\u00ea outra perspectiva sen\u00e3o agarrar-se ao nacionalismo, quando as ondas da economia tumultuosa do s\u00e9culo XIX e do in\u00edcio do s\u00e9culo XX assolaram as cidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma crise econ\u00f3mica e social na Alemanha, na sequ\u00eancia do acordo de paz de Versailles (imposto \u00e0 Alemanha em 1919), revela-se como acordo fomentador do nacionalismo porque ao estagnar a economia alem\u00e3 cria instabilidade social que leva ao nacionalismo que preparou a segunda guerra mundial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #00ccff;\">A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 ambivalente: Salvar a UE e\/ou salvar o destino dos pa\u00edses<\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A crise econ\u00f3mica e financeira de 2008 transbordou de tal modo que castigou a classe m\u00e9dia e m\u00e9dia inferior, aquela que \u00e9 a base da sustentabilidade das sociedades nos Estados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Brexit \u00e9 a consequ\u00eancia e express\u00e3o s\u00e9ria do nacionalismo que por todo mundo efervesce.<\/strong> De facto, os pol\u00edticos da EU que representam os interesses das organiza\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es internacionais encontram-se num beco aparentemente sem sa\u00edda. <strong>Efectivamente, a Europa encontra-se numa situa\u00e7\u00e3o ambivalente entre os interesses nacionais e os interesses civilizacionais continentais<\/strong> (em concorr\u00eancia com outras civiliza\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitos representantes das na\u00e7\u00f5es sentem que para resolverem os problemas nacionais teriam de quebrar com as rela\u00e7\u00f5es da UE (como faz o Reino Unido<strong>). A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 desesperada porque a tentativa de resolu\u00e7\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e o ataque \u00e0 outra de que tamb\u00e9m se depende<\/strong>. Por um lado, o desenvolvimento da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental exige de si uma organiza\u00e7\u00e3o supranacional; \u00a0por outro lado, o n\u00e3o desenvolvimento de muit\u00edssimos pa\u00edses no sentido de consci\u00eancia nacional, de povos na\u00e7\u00e3o (t\u00edpico europeu) <strong>exigiria um abrandamento no desenvolvimento do centralismo europeu at\u00e9 agora seguido no sentido de forma\u00e7\u00e3o de um bloco coeso; o abrandamento teria como consequ\u00eancia o fortalecimento das culturas nacionais a n\u00edvel mundial e \u00a0proporcionaria mais tempo de forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia nacional a pa\u00edses a que o sentimento de Estado-povo-na\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio, devido a uma socializa\u00e7\u00e3o de tipo mais regional e tribal e a uma outra velocidade civilizacional.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As na\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem sobreviver s\u00f3s<strong>.<\/strong> <strong>Surge a ambival\u00eancia: salvar a Uni\u00e3o Europeia ou salvar o destino dos pa\u00edses<\/strong>. Por outro lado, em situa\u00e7\u00e3o de crise quem difama a ideologia nacionalista esquece que <strong>o conv\u00edvio internacional tem o seu substrato e legitima\u00e7\u00e3o nas na\u00e7\u00f5es.<\/strong> <strong>As rela\u00e7\u00f5es internacionais e mundiais baseiam-se numa estrutura social e geogr\u00e1fica de um mundo que consta fundamentalmente de na\u00e7\u00f5es <\/strong>e a sua destrui\u00e7\u00e3o conduziria a um internacionalismo ca\u00f3tico que s\u00f3 favoreceria ideologias extremas de uma esquerda improdutiva e ao atropelamento do desenvolvimento de povos (por ex., pa\u00edses africanos delineados pela r\u00e9gua e regras de protectorado) que ainda n\u00e3o sofreram os processos de desenvolvimento social e pol\u00edticos\u00a0 a que esteve sujeita a Europa na sua longa hist\u00f3ria de cultura, conflitos e concorr\u00eancias que a levaram ao que se tornou no p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No meio de tudo isto, e para colocar algumas achas na fogueira do nacionalismo, temos os estados soberanos em d\u00edvidas e uma Alemanha, que, em nome da EU, obriga os estados membros a receberem os refugiados mu\u00e7ulmanos que al\u00e9m de gastos trazem consigo problemas exclusivos e o aumento da amea\u00e7a. <strong>O agir da economia e da pol\u00edtica favorece o nacionalismo e este, por sua vez, legitima o autoritarismo e a intoler\u00e2ncia<\/strong>. Uma pol\u00edtica da ambival\u00eancia gera dependentes e fan\u00e1ticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A acentua\u00e7\u00e3o do imperialismo na EU tem desrespeitado uma digna autodetermina\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es; para as na\u00e7\u00f5es economicamente menos fortes o mercado livre e aberto vai contra os interesses nacionais porque n\u00e3o t\u00eam capacidade tecnol\u00f3gica de concorrerem com os mais fortes nem capacidade competitiva na concorr\u00eancia com economias mais fracas devido a ordenados e estatuto de trabalhadores mais baixos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A classe dominante ocidental queixa-se do nacionalismo russo e chin\u00eas e v\u00ea-se confrontada com a cultura \u00e1rabe de caracter hegem\u00f3nico. Levada pela for\u00e7a da in\u00e9rcia n\u00e3o muda de estrat\u00e9gia e adia o encontro de solu\u00e7\u00f5es aferidas e v\u00e1lidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O nacionalismo e a ideologia hegem\u00f3nica legitimam o autoritarismo e at\u00e9 a ditadura como se observa no fen\u00f3meno Erdogan e Turquia.<\/strong> S\u00e3o fen\u00f3menos que incrementam a desconfian\u00e7a contra o vizinho e, como tal, tornam-se nos melhores armeiros do futuro. Cada sociedade tem a sua economia e as suas crises e gera em cada tempo a ideologia do mainstream e ideologias acompanhantes; de momento gar\u00e7a o nacionalismo de um lado e o esquerdismo do outro, as melhores forjas do fanatismo e do dogmatismo da opini\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Europa j\u00e1 sente o rumor do nacionalismo no seu ventre. Os EUA, para legitimar novas tomadas de posi\u00e7\u00e3o, puxam agora do trunfo nacionalista na luta contra a concorr\u00eancia chinesa que tem beneficiado da economia liberal que deu origem a um grande d\u00e9fice comercial americano em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Grupos extremistas s\u00e3o os beneficiados de guerras, crises e do caos.<\/strong> Importante \u00e9 que governantes e governados n\u00e3o percam a cabe\u00e7a porque o nacionalismo \u00e9 um tubo de escape em situa\u00e7\u00f5es de crise; afinal, uns e outros formam a mesma na\u00e7\u00e3o; o que seria mais apropriado para uns e outros seria um patriotismo moderado.<\/p>\n<p><strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e Pedagogo (Hist\u00f3ria e Portugu\u00eas)<\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salvar a Europa ou as suas Na\u00e7\u00f5es?\u00a0 &nbsp; Ant\u00f3nio Justo &nbsp; Na Europa assiste-se a uma onda de indigna\u00e7\u00e3o contra a onda do nacionalismo crescente que indignado reage contra transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f3micas e sociais, sentidas como amea\u00e7as \u00e0 pr\u00f3pria identidade e aos bens adquiridos. 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