{"id":4127,"date":"2017-02-17T15:36:39","date_gmt":"2017-02-17T14:36:39","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4127"},"modified":"2017-02-17T18:37:06","modified_gmt":"2017-02-17T17:37:06","slug":"a-quem-beneficia-o-olimpo-republicano-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4127","title":{"rendered":"A QUEM BENEFICIA O OLIMPO REPUBLICANO PORTUGU\u00caS?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Aeroporto M\u00e1rio Soares \u2013 Imposi\u00e7\u00e3o de mais um modelo controverso \u00e0 consci\u00eancia portuguesa?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">N\u00e3o queremos ver Portugal limitado a uma casa assombrada dos esp\u00edritos pol\u00edticos<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p>Na rep\u00fablica, a virtude n\u00e3o parece mercadoria que se venda nem que se coloque em lugar nobre! Seria embara\u00e7oso coloc\u00e1-la nos altares da na\u00e7\u00e3o porque ent\u00e3o a corrup\u00e7\u00e3o comprometida passaria a n\u00e3o ter atrac\u00e7\u00e3o nem cobertura. <strong>A Rep\u00fablica que era contra os \u00eddolos da Monarquia, sem p\u00f4r a m\u00e3o na consci\u00eancia, substitui-os pelos \u00eddolos da rep\u00fablica.<\/strong><\/p>\n<p>Aquela rep\u00fablica dos homens do avental aproveita-se para entronizar, no lugar dos deuses, os seus comparsas, de maneira qualificada mas discreta. Um Portugal desaportuguesado, o portugal de cima, continua a implementar modelos controversos para assim eternizarem um pa\u00eds de esp\u00edrito faccioso e divisionista. Cultiva-se um ide\u00e1rio de consci\u00eancia pol\u00edtica partid\u00e1ria individualista que se quer confund\u00edvel com a consci\u00eancia comunit\u00e1ria portuguesa (que consequentemente degenera num patriotismo empolado). Em vez de se auto-incensar, a pol\u00edtica deveria ter como tarefa fomentar especialmente modelos da cultura e da integra\u00e7\u00e3o no imagin\u00e1rio portugu\u00eas. Na car\u00eancia de um ide\u00e1rio cultural nacional, fomenta-se uma sociedade de tipo casa assombrada ocupada por esp\u00edritos pol\u00edticos. Precisamos de menos ru\u00eddo pol\u00edtico para nos intervalos do seu sil\u00eancio termos espa\u00e7o p\u00fablico para a cultura. S\u00f3 assim poderemos dar ao povo a oportunidade de se tornar rei de si mesmo e desviar-se do paternalismo que conduz \u00e0 subjuga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Proposta precipitada de Marcelo Rebelo de Sousa<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>O senhor Presidente da Rep\u00fablica precipitou-se ao sugerir (15.01.) que o poss\u00edvel novo aeroporto de Lisboa, a ser constru\u00eddo no Montijo, se chame Aeroporto M\u00e1rio Soares.<\/strong> Ainda o ovo n\u00e3o saiu do \u00e2nus da galinha e j\u00e1 as bochechas pol\u00edticas t\u00eam um nome redondo para lhe dar. Com estas e outras o senhor presidente revela-se como um oportuno continuador de um regime de comparsas e amigos preocupado em colocar os seus \u201csantos\u201d no Olimpo de Portugal para o povinho venerar! Como povo habituado a ser colocado \u00e0 procura de gambozinos n\u00e3o nota sequer que o senhor presidente, \u00e0 boa maneira do centralismo franc\u00eas aportuguesado, se adianta com a proposta.\u00a0 Com este procder, <strong>prescinde da forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o a partir do povo e indirectamente pressup\u00f5e a quest\u00e3o da decis\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o daquele aeroporto, como facto consumado. Deste modo vem dar continuidade \u00e0 realidade macrocef\u00e1lica de uma capital sem corpo e tamb\u00e9m n\u00e3o tem em conta a falha s\u00edsmica do Vale do Tejo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O rescrito da na\u00e7\u00e3o ter\u00e1 de deixar de ser delineado s\u00f3 pelos caracteres pol\u00edticos do Estado. Portugal precisa de uma outra narrativa que n\u00e3o a pol\u00edtica, uma narrativa com um fio condutor n\u00e3o do poder mas do esp\u00edrito cultural, para poder tornar-se num impulso criativo para uma gera\u00e7\u00e3o de novos portugueses e novos pol\u00edticos. N\u00e3o precisamos s\u00f3 de homens, que, de regime em regime, se afirmem pela oposi\u00e7\u00e3o ou pela afirma\u00e7\u00e3o, precisamos de personalidades da cultura com capacidade de atrair uns e outros. M\u00e1rio Soares \u00e9 uma grande personalidade dentro do partido socialista portugu\u00eas mas como personalidade nacional provocou grandes bens e grandes males. <\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">O futuro de um povo depende do cuidado dos seus mitos<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p>O pressuposto do futuro est\u00e1 na mem\u00f3ria. \u00c9 natural que um pa\u00eds precise de pessoas de refer\u00eancia que permane\u00e7am no ide\u00e1rio popular para, de forma duradoura, configurarem o sentimento de identidade na\u00e7\u00e3o-povo. O que n\u00e3o \u00e9 natural \u00e9 que devido ao provincialismo antiquado da classe pol\u00edtica, refugiada em Lisboa, os pol\u00edticos continuem a querer impor os seus corifeus como personalidades exemplares para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A Rep\u00fablica portuguesa seria bem aconselhada se procurasse fora da pol\u00edtica as suas personalidades de refer\u00eancia. Portugal tem tido, na sua hist\u00f3ria, personalidades de alta relev\u00e2ncia na cultura, na literatura, nas artes e nas ci\u00eancias; este \u00e9 o campo prop\u00edcio onde se encontram personalidades de refer\u00eancia nacional e internacional, prop\u00edcias para a fomentarem a sustentabilidade da alma portuguesa.<\/p>\n<p>A rep\u00fablica tem produzido personalidades demasiado partid\u00e1rias e controversas para poderem servir de exemplo e funcionarem como factores de integra\u00e7\u00e3o do povo portugu\u00eas. M\u00e1rio Soares teve o m\u00e9rito, de, com outros, impedir a implanta\u00e7\u00e3o da ditadura comunista e neste sentido se provar como democrata mas nunca poder\u00e1 ser um homem modelo consensual, sendo, assim, impr\u00f3prio como factor de identidade nacional. N\u00e3o se contesta a sua imagem como \u00edcone partid\u00e1ria na paisagem democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Enquanto, numa democracia partid\u00e1ria, a pol\u00edtica e a not\u00edcia escandalosa continuarem a dominar o espa\u00e7o da arena p\u00fablica, a cultura do pa\u00eds est\u00e1 condenada a definhar!<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">A quem aproveita isto?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Em pol\u00edtica h\u00e1 sempre uma pergunta que deveria ser sempre colocada como prova dos nove do que se faz ou pretende fazer: quem se beneficia com isto? <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o seria de benef\u00edcio para Portugal querer construir um regime pol\u00edtico sobre as cinzas do estado novo sem ter consci\u00eancia de que para se construir um Estado moderno seria tamb\u00e9m necess\u00e1ria a coragem de se reduzir a cinzas os malef\u00edcios cr\u00f3nicos da rep\u00fablica e que infelizmente Soares tamb\u00e9m incorpora e representa. Um povo \u00e9 um rio que flui ininterruptamente n\u00e3o podendo ser interrompido nem transformado em barragens sucessivas desta ou daquela ideologia!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">De Rep\u00fablica vermelha para rep\u00fablica arco-\u00edris<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p>Algo n\u00e3o \u00e9 racional na l\u00f3gica republicana e na pol\u00edtica que tem seguido de colocar os seus \u00eddolos no Olimpo republicano! Por um lado muda o nome de Ponte Salazar para Ponte 25 de Abril e por outro combate e infama o Salazar como se ele n\u00e3o fizesse parte da rep\u00fablica. Ou ser\u00e1 que querem fazer do Olimpo republicano apenas um lugar para a esquerda e para ma\u00e7\u00f3nicos? Num Portugal inteiro, o Olimpo republicano precisa de todos os \u201csantos\u201d para venerar! (<strong>J\u00e1 que falamos em \u201csantos\u201d; n\u00e3o haver\u00e1 a\u00ed uma Maria da Fonte que, para desenfastiar, possa figurar como santa no Horizonte republicano<\/strong>?! Tem talvez a desvantagem de cheirar a povo num Olimpo iluminado que para continuar a ser coerente consigo mesmo ter\u00e1 de ser masculino!)<\/p>\n<p>J\u00e1 numa ac\u00e7\u00e3o operada no nevoeiro, os pol\u00edticos tinham trocado o nome de Aeroporto da Portela para Aeroporto Humberto Delgado; sem o povo notar se vai concretizando uma pol\u00edtica de tigela! <strong>Gago Coutinho e Sacadura Cabral ficaram a ver navios! <\/strong>O cultivo da mem\u00f3ria da hist\u00f3ria de Portugal tornar-se-ia embara\u00e7osa para os nossos boys que percebem mais de pol\u00edtica de interesses do que de cultura!<\/p>\n<p>Em tempos em que governa a instabilidade emocional, penso que seria um acto de racionalidade, optar-se pela denomina\u00e7\u00e3o de AEROPORTO POVO DE PORTUGAL, num pa\u00eds que se diz republicano democr\u00e1tico e, nessa qualidade, n\u00e3o gostaria de santos!<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Portugal dos Pequeninos<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>O Olimpo portugu\u00eas \u00e9 um lugar sem exig\u00eancias e como tal n\u00e3o faz sombra \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O problema surge para os terr\u00e1queos que vivem num Estado em bancarrota e a ter de festejar os seus respons\u00e1veis como grandes estrelas no seu horizonte!Vivemos contentes num Portugal pol\u00edtico dos pequeninos!<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Os tempos pol\u00edticos que correm, dado serem prop\u00edcios a gerar muitos pol\u00edticos do oportuno, deveriam deixar os pol\u00edticos viver \u00e0 vontade, mas exigir deles o crit\u00e9rio de n\u00e3o terem o descaramento de desonrar o povo obrigando-o a ajoelhar perante os seus nomes. Porque n\u00e3o dar o nome das localidades aos aeroportos? Pouco a pouco se vai tendo a certeza que nos encontramos numa democracia sem baronesas mas que trope\u00e7a nos bar\u00f5es.<\/p>\n<p>Cada sistema \u00e9 coerente em si e como tal constr\u00f3i os seus &#8220;santos&#8221; que se querem intoc\u00e1veis! Doutro modo n\u00e3o haveria fi\u00e9is! Para os da sociedade de baixo vale a moral dos sentimentos; para os da sociedade de cima vale a \u00e9tica dos interesses! Por estas e por outras \u00e9 que reina a confus\u00e3o!<\/p>\n<p><strong> Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a9 <\/strong>Pegadas do Esp\u00edrito no Tempo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">A \u201cPONTE SALAZAR\u201d DEPOIS \u201cPONTE 25 DE ABRIL\u201d COMEMOROU O SEU 50\u00b0 ANIVERS\u00c1RIO<\/span><\/strong><\/span><\/h2>\n<p>A Ponte Salazar, inaugurada a 6 de Agosto de 1966, passou h\u00e1 42 anos a ser chamada Ponte 25 de Abril. Era na altura a quinta maior ponte suspensa do mundo e a maior fora dos EUA.<\/p>\n<p>Uma Rep\u00fablica envergonhada de si mesma rouba ao passado o que n\u00e3o lhe pertence na esperan\u00e7a de viver do princ\u00edpio, que o povo \u00e9 massa de manobra e tudo o que vem \u00e0 rede \u00e9 peixe e o que n\u00e3o mata engorda.<\/p>\n<p>Em nome da liberdade, os abrilistas apropriaram-se do nome da ponte. Agora, nos meios socais, parte da esquerda sisuda e arrependida reconhece que fez mal e por isso, surgiu entre ela a ideia de lhe mudar o nome para Ponte da Liberdade, como se a liberdade tivesse dono e em Lisboa j\u00e1 n\u00e3o houvesse uma Avenida da Liberdade anterior \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>O povo portugu\u00eas tem sido enganado ao ver ser atribu\u00edda a liberdade em Portugal \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o de Abril. O movimento da liberdade j\u00e1 h\u00e1 muito se encontrava no cora\u00e7\u00e3o e nas actividades de muitos portugueses de esquerda e de direita que actuavam n\u00e3o s\u00f3 nos ambientes comunistas.<\/p>\n<p>\u00c9 ileg\u00edtimo querer fazer passar a ideia que a liberdade e a democracia eram propriedade de for\u00e7as radicais da esquerda.<\/p>\n<p>Os senhores abrilsitas at\u00e9 da raz\u00e3o se apoderaram ao assenhorarem-se da revolu\u00e7\u00e3o cultural em via tamb\u00e9m em torno do Bispo do Porto, Dom Ant\u00f3nio e da camada jovem que vivia o esp\u00edrito do movimento 68 e anteriormente pelas grandes discuss\u00f5es de prepara\u00e7\u00f5es para o Vaticano II no meio cat\u00f3lico. Doutro modo teriam de consequentemente assumir tamb\u00e9m as barbaridades e trai\u00e7\u00f5es executadas por uma esquerda radical anterior e posterior ao 25 de Abril.<\/p>\n<p>Um dia a ponte 25 de Abril voltar\u00e1 a ser chamada Ponte Salazar, n\u00e3o por raz\u00f5es de revanchismo ou de saudade de autoritarismos mas por raz\u00f5es de mem\u00f3ria e de justi\u00e7a num povo que precisa de pontos salientes para melhor se orientar.<\/p>\n<p>Vive-se bem da ideologia servida ao povo como \u00f3pio tranquilizante. O problema \u00e9 cr\u00f3nico mas pode ajudar a lucidez de o reconhecer.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a9 <\/strong>Pegadas do Esp\u00edrito no Tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aeroporto M\u00e1rio Soares \u2013 Imposi\u00e7\u00e3o de mais um modelo controverso \u00e0 consci\u00eancia portuguesa? 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