{"id":4100,"date":"2017-02-06T18:15:07","date_gmt":"2017-02-06T17:15:07","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4100"},"modified":"2017-02-07T17:21:57","modified_gmt":"2017-02-07T16:21:57","slug":"uma-cicatriz-em-vez-do-clitoris-e-dos-labios-vaginais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4100","title":{"rendered":"UMA CICATRIZ EM VEZ DO CL\u00cdTORIS E DOS L\u00c1BIOS VAGINAIS"},"content":{"rendered":"<p><strong>A mutila\u00e7\u00e3o genital feminina \u00e9 a maior express\u00e3o machista<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><br \/>\nPassou-se mais um dia internacional da mutila\u00e7\u00e3o genital de mulheres e, apesar disso,<strong> em 2016 foram cortados os cl\u00edtoris e em muitos casos tamb\u00e9m os l\u00e1bios vaginais a milh\u00f5es de meninas.<\/strong> A maior express\u00e3o machista documenta-se socialmente na mutila\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os vaginais. 100% das mulheres sofrem toda a vida f\u00edsica e psiquicamente do trauma causado na sua inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>D\u00e1-se uma quebra de confian\u00e7a da crian\u00e7a nos pais que entregam as meninas a tal tortura e, al\u00e9m do mais, sem anestesia; a crian\u00e7a passa a sentir o pr\u00f3prio corpo transformado em ceara alheia. As consequ\u00eancias da mutila\u00e7\u00e3o genital s\u00e3o: poss\u00edveis dores para toda a vida, problemas no urinar e nas rela\u00e7\u00f5es sexuais. Fica-se com uma cicatriz em vez do cl\u00edtoris e, muitas vezes, tamb\u00e9m sem os l\u00e1bios vaginais.<\/p>\n<p>Este rito cultural revela a barbaridade das energias da masculinidade quando, n\u00e3o temperadas pelas da feminilidade, se tornam repressoras e repugnantes; al\u00e9m do mais causam um impedimento \u00e0 intimidade e \u00e0 uni\u00e3o afectiva entre homem e mulher. <strong>Nestas condi\u00e7\u00f5es o acto sexual passa a ser uma atitude de caracter meramente funcional<\/strong> em proveito da satisfa\u00e7\u00e3o imediata do homem e da procria\u00e7\u00e3o, afastando a possibilidade do prazer da mulher. <strong>A mulher torna-se em \u201cterra agr\u00edcola do homem\u201d que como charrua f\u00e9rrea a degrada, sem qualquer sentimento de viola\u00e7\u00e3o (ps\u00edquica e corporal).<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na Guin\u00e9-Bissau, na altura em que os soldados portugueses l\u00e1 se encontravam e se admiravam com o berreiro que surgia de alguns aldeamentos, era-lhes explicado pelos nativos que aquele h\u00e1bito de mutila\u00e7\u00e3o das meninas era um acto ancestral preventivo para protec\u00e7\u00e3o dos homens; assim os homens n\u00e3o precisavam de ter preocupa\u00e7\u00f5es porque as meninas, quando mulheres, n\u00e3o seriam tentadas a ser-lhes infi\u00e9is por terem dores nas rela\u00e7\u00f5es sexuais.<\/strong><\/p>\n<p>A express\u00e3o do machismo cultural mundialmente vigente encontra a sua forma exacerbada nas ac\u00e7\u00f5es b\u00e9licas e em algumas pr\u00e1ticas culturais. A guerra foi domesticada e sublimada nas pr\u00e1ticas de desporto como o futebol, onde o instinto guerreiro \u00e9 satisfeito de forma agrad\u00e1vel e sem estragos de maior. Noutros aspectos encontramo-nos ainda nos tempos da pedra lascada. (A prop\u00f3sito, o corte vaginal \u00e9 geralmente feito com instrumentos primitivos e n\u00e3o esterilizados, o que provoca a morte a muitas meninas!)<\/p>\n<p>Tive conhecimento do caso de um homem bom e sens\u00edvel casado com uma mulher sexualmente mutilada. O homem sofria e n\u00e3o queria ter rela\u00e7\u00f5es sexuais com ela, ao ver as dores que provocava nela sempre que tinham rela\u00e7\u00f5es sexuais, devido \u00e0s cicatrizes da sua mutila\u00e7\u00e3o vaginal; aquele homem, tamb\u00e9m indirectamente v\u00edtima da barbaridade cultural, dirigiu-se com a esposa \u00e0 m\u00e9dica na procura de aux\u00edlio; uma vez submetida \u00e0 opera\u00e7\u00e3o, a mulher passou a ter menores dores f\u00edsicas nas rela\u00e7\u00f5es sexuais e mais tarde o casal teve a consola\u00e7\u00e3o de ter dois filhos. <\/p>\n<p>Como informa \u201cTerre des femmes\u201d (https:\/\/www.frauenrechte.de\/online\/index.php\/themen-und-aktionen\/weibliche-genitalverstuemmelung2\/173-weibliche-genitalverstuemmelung), s\u00f3 na Alemanha vivem pelo menos 48.000 mulheres afetadas pela mutila\u00e7\u00e3o total ou parcial do \u00f3rg\u00e3o sexual exterior e 9.000 raparigas de fam\u00edlias imigradas encontram-se amea\u00e7adas de o virem a ser. <strong>O corte do cl\u00edtoris \u00e9 efectuado, geralmente, entre os dois e os oito anos. \u00c9 um rito cultural, n\u00e3o religioso pr\u00f3prio da \u00c1frica e levado tamb\u00e9m para a Indon\u00e9sia. Pelo mundo fora s\u00e3o cortados os cl\u00edtoris a 6 jovens em cada minuto que passa. Segundo UNICEF, mundialmente h\u00e1 200 milh\u00f5es de mulheres genitalmente mutiladas. Na Indon\u00e9sia s\u00e3o mutiladas 2 milh\u00f5es de mulheres por ano. <\/strong><\/p>\n<p><strong>90% das mulheres genitalmente mutiladas vivem no Egipto, Eritreia, Som\u00e1lia e Indon\u00e9sia.<\/strong> Muitas vezes, fam\u00edlias emigradas mandam mutilar as meninas ao seu pa\u00eds de origem, sem que a comunidade acolhedora se d\u00ea conta do que se passa.<\/p>\n<p>Urgem medidas preventivas contra esta barbaridade. Tamb\u00e9m nos pa\u00edses onde chegam migrantes \u00e9 de muita import\u00e2ncia, esclarecer as fam\u00edlias em que isso possa vir a acontecer, bem como educadoras e enfermeiras. As m\u00e3es deixam mutilar as filhas na sua boa-f\u00e9. Transmitem uma educa\u00e7\u00e3o desumana machista sem sequer serem conscientes disso por se encontrarem submetidas ao h\u00e1bito cultural.<\/p>\n<p> <strong>Vivem sob o jugo de tradi\u00e7\u00f5es machistas brutais sem se darem conta que a revolu\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria em culturas patriarcalistas r\u00edgidas s\u00f3 poder\u00e1 tornar-se eficiente e provocar verdadeiro desenvolvimento integral atrav\u00e9s da insurrei\u00e7\u00e3o das mulheres. <\/strong>Estas t\u00eam de ser consciencializadas para atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o dos seus filhos fazerem valer a energia do princ\u00edpio da feminilidade perante o da masculinidade e assim se construir uma sociedade mais equilibrada.<\/p>\n<p>Pol\u00edticos interv\u00eam militarmente em pa\u00edses quando v\u00eaem os seus interesses estrat\u00e9gicos ou comerciais em perigo; tamb\u00e9m eles d\u00e3o testemunho de desumanidade ao n\u00e3o actuarem de forma consequente em sociedades onde a desumanidade fica presa nas fronteiras culturais. <\/p>\n<p>Na Alemanha, apenas a partir de 2013 foi considerada a mutila\u00e7\u00e3o sexual da mulher delito penal de maltrato e atentado contra a integridade f\u00edsica (\u00a7 226\u00aa) com uma pena de 6 meses at\u00e9 5 anos de pris\u00e3o. Antes, talvez em nome da multicultura, olhava-se para o lado certamente porque atentados \u00e0 dignidade humana concorriam com os direitos culturais. A lei \u00e9 paciente dado praticamente n\u00e3o se registar acusa\u00e7\u00f5es. Na Alemanha a maior parte das v\u00edtimas prov\u00eaem da Som\u00e1lia e da Eritreia. Devido \u00e0 grande aflu\u00eancia de refugiados, desde 2014 o n\u00famero das mutiladas aumentou 37% e das meninas que possivelmente ainda est\u00e3o em perigo de ser vulneradas 67%.<br \/>\n<strong>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nPegadas do Esp\u00edrito no Tempo <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mutila\u00e7\u00e3o genital feminina \u00e9 a maior express\u00e3o machista Ant\u00f3nio Justo Passou-se mais um dia internacional da mutila\u00e7\u00e3o genital de mulheres e, apesar disso, em 2016 foram cortados os cl\u00edtoris e em muitos casos tamb\u00e9m os l\u00e1bios vaginais a milh\u00f5es de meninas. 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