{"id":4082,"date":"2017-01-30T17:46:19","date_gmt":"2017-01-30T16:46:19","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4082"},"modified":"2017-01-30T17:50:13","modified_gmt":"2017-01-30T16:50:13","slug":"o-estado-alemao-nao-honrou-as-vitimas-do-atentado-de-berlim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4082","title":{"rendered":"O ESTADO ALEM\u00c3O N\u00c3O HONROU AS V\u00cdTIMAS DO ATENTADO DE BERLIM"},"content":{"rendered":"<p><strong>O factor medo na pol\u00edtica de informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e na atitude pol\u00edtica<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><br \/>\nS\u00f3 um m\u00eas depois do ataque terrorista isl\u00e2mico perpetrado em 2016\/12\/19 junto \u00e0 Igreja da Mem\u00f3ria num Mercado de Natal de Berlim, o Parlamento Federal conseguiu comemorar os mortos e outras v\u00edtimas do atentado e isto devido ao incentivo das muitas cr\u00edticas na imprensa e nas redes sociais. O Estado alem\u00e3o n\u00e3o honrou oficialmente as v\u00edtimas do atentado isl\u00e2mico: um atentado cheio de simbologia contra o Estado e contra o cristianismo.<\/p>\n<p><strong>O medo encontra-se enraizado na coluna vertebral<\/strong><\/p>\n<p>A classe pol\u00edtica alem\u00e3 tem medo de dar demasiado espa\u00e7o p\u00fablico a assuntos como a criminalidade porque desbeneficiariam a imagem p\u00fablica dos estrangeiros e em especial a dos mu\u00e7ulmanos que se salientam pelas suas exig\u00eancias \u00e0 sociedade acolhedora e tamb\u00e9m pela organiza\u00e7\u00e3o de extremistas em torno de mesquitas e de cl\u00e3s \u00e1rabes em Berlim e noutras cidades. Uma censura camuflada da informa\u00e7\u00e3o revela-se de resultados positivos a n\u00edvel social; assim a Alemanha n\u00e3o se tem visto confrontada com o nacionalismo como acontece em Fran\u00e7a que segue uma pol\u00edtica de informa\u00e7\u00e3o mais liberal, neste sector.<\/p>\n<p>A Ministra do Trabalho prometeu compensa\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas que seriam pagas pelo fundo para v\u00edtimas de acidentes rodovi\u00e1rios. Deste modo relega a quest\u00e3o para &#8220;acidente de tr\u00e2nsito&#8221;. <\/p>\n<p>O presidente do Bundestag, Lamert, no discurso proferido no parlamento, referiu que <strong>um Estado, que garante a liberdade religiosa como um direito humano, &#8220;pode e deve exigir dos mu\u00e7ulmanos uma discuss\u00e3o com a sua religi\u00e3o e a conex\u00e3o fatal entre f\u00e9 e viol\u00eancia fan\u00e1tica, de forma vigorosa<\/strong>&#8220;, disse ele.<\/p>\n<p>Com o atentado terrorista de Berlim a classe pol\u00edtica revelou uma atitude cobarde para com as v\u00edtimas. A Alemanha \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds que depois de um atentado terrorista evitou celebra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<br \/>\nA gravidade desta omiss\u00e3o assenta no facto de um atentado terrorista com fundamenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ser politicamente ignorado pela classe pol\u00edtica. Estamos em ano de elei\u00e7\u00f5es na Alemanha e a classe pol\u00edtica quer evitar tudo o que fa\u00e7a lembrar os seus erros. O medo do medo chegou \u00e0 pol\u00edtica legitimando o ataque de certos grupos que dizem que ela apenas reage e n\u00e3o age. H\u00e1 raz\u00f5es objectivas para se ter medo de se viver em cidades que habitamos que levam muitos cidad\u00e3os a sentirem-se estrangeiros no pr\u00f3prio pa\u00eds. N\u00e3o se trata de tomar op\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas como faz talvez levianamente Trump mas de convencer os mu\u00e7ulmanos a serem mais moderados e contidos na sociedade que lhes permite elaborar um futuro mais digno do que teriam na pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n<p>Hoje a opini\u00e3o do mainstream autocensura-se evitando ou banindo perguntas cr\u00edticas com o argumento de poderem fomentar a xenofobia e o populismo. Falta a coragem de argumentar em p\u00fablico com sinceridade e parte-se da considera\u00e7\u00e3o de uma sociedade imatura em que n\u00e3o se pode confiar a verdade em vez de a preparar para a multiplicidade e para o dever da interculturalidade.<\/p>\n<p>O medo tem as suas origens sobretudo numa desigualdade social que cresce. A sociedade m\u00e9dia encontra-se cada vez mais inst\u00e1vel; poucos sobem na sociedade isolando-se em elites e outros v\u00eaem que seus filhos, embora nas mesmas condi\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o, est\u00e3o condenados \u00e0 deprava\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Muita da camada social decadente sente-se injusti\u00e7ada e desfavorecida em rela\u00e7\u00e3o aos refugiados que, por vezes, recebem maior apoio do Estado do que os necessitados nacionais.<br \/>\nOs terroristas combatem o modelo de sociedade ocidental e esta limita-se a construir fossos de combate entre si ou a meter a cabe\u00e7a na areia. Estabilidade interna e liberalidade encontram-se em tens\u00e3o alta.<\/p>\n<p><strong>O luto recusado<\/strong><\/p>\n<p>As v\u00edtimas de Berlim encontram carinho e empatia cordial por parte dos cidad\u00e3os mas n\u00e3o na sociedade pol\u00edtica donde seria de esperar um gesto p\u00fablico de respeito do Estado pelas suas v\u00edtimas. <\/p>\n<p>Familiares das v\u00edtimas queixaram-se do \u201cluto exclu\u00eddo\u201d e da falta de cultura do luto. De facto n\u00e3o houve imagens das v\u00edtimas.<br \/>\nTal \u00e9 o medo dos partidos e de um Estado perante um povo que, em parte, os responsabiliza pelo acontecido e por um Estado que perdeu o controlo sobre os refugiados que albergou em 2015 (cerca de um milh\u00e3o). O culto da culpa praticado na Alemanha n\u00e3o parece conveniente nem oportuno para v\u00edtimas alem\u00e3s. \u201cV\u00edtimas alem\u00e3s n\u00e3o se enquadram no conceito do culto da culpa \u2013 em que s\u00f3 pode haver delinquentes alem\u00e3es e n\u00e3o h\u00e1 v\u00edtimas alem\u00e3s\u201d, relata um desiludido. Uma certa benevol\u00eancia de tratar p\u00fablica e politicamente os mu\u00e7ulmanos na Alemanha fomenta em muitos a inveja de serem desfavorecidos.<\/p>\n<p><strong>A rep\u00fablica mudou a partir dos acontecimentos de Col\u00f3nia<\/strong><\/p>\n<p>Os cidad\u00e3os das pot\u00eancias europeias e, por empatia, tamb\u00e9m os dos pa\u00edses pequenos encontram-se movidos por uma onda dos sentimentos que em certos meios toma a express\u00e3o de uma guerra civil de moral contra moral. <\/p>\n<p>O poder da emo\u00e7\u00e3o p\u00fablica aumenta e mete medo tamb\u00e9m aos pol\u00edticos que, em tempos de elei\u00e7\u00f5es, se deixam determinar mais pelo medo. Em vez dos factos surge o poder das emo\u00e7\u00f5es e das ideologias que determinam um esp\u00edrito irritado e irritadi\u00e7o na sociedade.<br \/>\nNas conversas domina a preocupa\u00e7\u00e3o e a falta de orienta\u00e7\u00e3o. O eu individual e o eu social n\u00e3o se encontram em harmonia. <\/p>\n<p>Na passagem do ano de 2015 Col\u00f3nia e outras cidades alem\u00e3s congregaram grupos de refugiados principalmente do norte de \u00e1frica com a finalidade de apalpar, roubar e abusar de centenas de mulheres alem\u00e3s reunidas em torno da Catedral para saudar 2016. Este fen\u00f3meno repetiu-se na mesma noite noutras cidades. A informa\u00e7\u00e3o sobre o assunto foi, em parte, manipulada e adiada para n\u00e3o causar avers\u00e3o contra os mu\u00e7ulmanos. A partir da\u00ed a sociedade deixou de ser a mesma; a desconfian\u00e7a tem vindo ocupando os espa\u00e7os da confian\u00e7a. Diminuiu imenso a confian\u00e7a na imprensa e nos pol\u00edticos. A ideia que a sociedade tinha em surdina, j\u00e1 desde h\u00e1 muitos anos, de que as informa\u00e7\u00f5es relativas a abusos e criminalidade de pessoas de cultura \u00e1rabe eram branqueadas, viu-se confirmada na manipuladora pol\u00edtica de informa\u00e7\u00e3o dessa noite e nas hesita\u00e7\u00f5es dos dias seguintes. Depois de Col\u00f3nia essa preocupa\u00e7\u00e3o encontra-se mais velada na pr\u00e1tica de se procurar justificar a maior criminalidade \u00e1rabe com problemas de meio social e de precaridade econ\u00f3mica como se nas mesmas cidades n\u00e3o vivessem outros tantos ou mais alem\u00e3es nas mesmas condi\u00e7\u00f5es sociais. \u00c0s vezes a explica\u00e7\u00e3o de um fen\u00f3meno ainda o agrava mais por substituir a tomada de apoios para os grupos sociais concorrentes.<\/p>\n<p>O medo na Alemanha tem uma certa legitima\u00e7\u00e3o, dado o povo estar atento e reagir aos acontecimentos. Era tabu ter medo de expressar o medo ou cr\u00edtica a uma sociedade h\u00f3spede que se comporta, por vezes como se fosse senhora da casa. A sociedade aberta n\u00e3o \u00e9 consequente ao evitar uma cultura de conversa\u00e7\u00e3o aberta. <\/p>\n<p><strong>A sociedade ocidental, de uma maneira geral, tem uma atitude complacente para com o delinquente (mesmo a n\u00edvel de tribunal) e uma atitude indiferente para com a v\u00edtima, independentemente de ela ser nacional ou estrangeira. Talvez esta atitude corresponda a uma projec\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria sombra recalcada no sentimento inconsciente de que o pr\u00f3prio bom viver se deve \u00e0 explora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nPegadas do Tempo, <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O factor medo na pol\u00edtica de informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e na atitude pol\u00edtica Ant\u00f3nio Justo S\u00f3 um m\u00eas depois do ataque terrorista isl\u00e2mico perpetrado em 2016\/12\/19 junto \u00e0 Igreja da Mem\u00f3ria num Mercado de Natal de Berlim, o Parlamento Federal conseguiu comemorar os mortos e outras v\u00edtimas do atentado e isto devido ao incentivo das muitas &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4082\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">O ESTADO ALEM\u00c3O N\u00c3O HONROU AS V\u00cdTIMAS DO ATENTADO DE BERLIM<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[15,4,6,7,8],"tags":[],"class_list":["post-4082","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura","category-educacao","category-migracao","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4082","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4082"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4082\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4084,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4082\/revisions\/4084"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4082"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4082"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4082"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}