{"id":4047,"date":"2017-01-16T19:32:29","date_gmt":"2017-01-16T18:32:29","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4047"},"modified":"2017-01-23T21:51:41","modified_gmt":"2017-01-23T20:51:41","slug":"teologia-da-libertacao-no-dialogo-doutrina-moral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4047","title":{"rendered":"TEOLOGIA DA LIBERTA\u00c7\u00c3O NO DI\u00c1LOGO DOUTRINA-PASTORAL"},"content":{"rendered":"<p><strong>Divorciados recasados admitidos aos sacramentos <\/strong><\/p>\n<p>Por<strong> Ant\u00f3nio Justo<\/strong><br \/>\nCom a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica &#8220;A Alegria do Amor&#8221; Francisco I provoca uma nova liberdade pastoral e uma <strong>&#8220;descentraliza\u00e7\u00e3o salutar&#8221; nas rela\u00e7\u00f5es entre a igreja mundial e as igrejas locais.<\/strong> Fundamenta uma certa flexibilidade na doutrina em quest\u00f5es de moral sexual, sem definir novas regras. Possibilita tamb\u00e9m a admiss\u00e3o de divorciados recasados aos sacramentos.<br \/>\n<strong><br \/>\nPastoral versus Dogm\u00e1tica em \u201eA Alegria do Amor&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p>A f\u00e9 e a Igreja n\u00e3o podem ser estranguladas na moral. Uma igreja universal que se quer cat\u00f3lica tem que lidar de forma cautelosa (e \u201cestadista\u201d) com as diferen\u00e7as inevit\u00e1veis em pol\u00edtica, doutrina e moral. Francisco quer que a presen\u00e7a da Igreja na sociedade seja fraterna. <\/p>\n<p>A Igreja cat\u00f3lica mundial tem de manter o seu caracter essencial de comunidade institucional e de vida; como tal tem de <strong>incluir a f\u00e9 como obedi\u00eancia \u00e0 doutrina da Igreja e por outro lado respeitar a consci\u00eancia e a experi\u00eancia individual de cada crist\u00e3o no aspecto m\u00edstico que implica a rela\u00e7\u00e3o pessoal com Deus<\/strong>: esta tens\u00e3o caracter\u00edstica no cristianismo \u00e9 salutar para a Igreja e para a sociedade, garantindo-lhe desenvolvimento e perenidade.<br \/>\nNeste sentido, os padres t\u00eam de estar atentos para n\u00e3o se limitarem a uma \u00e9tica de atitudes sem contemplar a \u00e9tica da responsabilidade  (1) <\/p>\n<p>De facto, pessoas com a mesma atitude moral podem chegar a diferentes conclus\u00f5es sem terem necessariamente de ca\u00edrem numa moral situacionista; por outro lado somos definidos n\u00e3o s\u00f3 na qualidade de indiv\u00edduos mas tamb\u00e9m de comunidade org\u00e2nica. <strong>O mandamento do amor e a virtude da miseric\u00f3rdia tamb\u00e9m n\u00e3o podem anular, sem mais nem menos, a intelig\u00eancia e a justi\u00e7a humana. <\/strong><\/p>\n<p>Na teologia sempre haver\u00e1 <strong>uma discrep\u00e2ncia entre aqueles que consideram a f\u00e9 como express\u00e3o de experi\u00eancia directa com Deus e pensam encontr\u00e1-la em tudo e aqueles que cr\u00eaem mais na obedi\u00eancia \u00e0 doutrina da igreja, pensando que a questiona\u00e7\u00e3o desta corresponde a uma ofensiva contra a Igreja.<\/strong> Cada pessoa tem um rescript de salva\u00e7\u00e3o e como tal, nestes assuntos, importa ter muita discri\u00e7\u00e3o e muita sintonia.<br \/>\n<strong><br \/>\nIntegra\u00e7\u00e3o da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Desde 2013 a Igreja inteira (leigos, sacerdotes, bispos e cardeais) discutiu os v\u00e1rios assuntos de fam\u00edlia e sexualidade no intuito de chegar a uma reforma da moral sexual cat\u00f3lica. O Sumo Pont\u00edfice descontrai a sexualidade, clarificando em &#8220;Alegria do Amor&#8221; que para cada discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio um esclarecimento doutrinal de Roma. <\/p>\n<p>Temos um grande papa que consegue resolver o impasse entre teoria e praxis conjugando a ortodoxia na orto-praxia sem cair no relativismo nem no subjectivismo de um Deus elaborado \u201c\u00e0 la carte\u201d como querem muitos movimentos exot\u00e9ricos. Francisco p\u00f5e em relevo a unidade de doutrina e pr\u00e1tica, mas deixa espa\u00e7o para a interpreta\u00e7\u00e3o da doutrina. Esta pr\u00e1tica exige grande maturidade da parte dos crist\u00e3os, conscientes de uma certa lei da ambival\u00eancia da realidade social e pessoal, n\u00e3o reduz\u00edveis a uma mera resson\u00e2ncia de alma nem t\u00e3o-pouco a uma doutrina racional. <\/p>\n<p><strong>Pelo que me \u00e9 dado deduzir, com o papa latino-americano, d\u00e1-se um pequeno ajustamento de teologias: a teologia de \u00e2mbito doutrinal europeia (centrada na ortodoxia) abre uma janela no sentido da teologia latino-americana da orto-praxia dando espa\u00e7o n\u00e3o s\u00f3 para o processo cient\u00edfico dedutivo como tamb\u00e9m para o indutivo pastoral.<\/strong> A unidade anterior pastoral-doutrina abre-se \u00e0 teologia da liberta\u00e7\u00e3o no sentido de uma legitima\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica mais localizada (tamb\u00e9m maior autonomia das igrejas locais). As confer\u00eancias episcopais passam em parte a ter poder decisivo quando se trata de interpreta\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de normas morais em quest\u00f5es de sexualidade e deste modo desabonar um pouco as congrega\u00e7\u00f5es do vaticano (2).<br \/>\n<strong><br \/>\nDo balan\u00e7o entre indiv\u00edduo e comunidade entre consci\u00eancia e norma<\/strong><\/p>\n<p><strong>O dilema, entre o ideal cat\u00f3lico do matrim\u00f3nio indissol\u00favel (entre homem e mulher) e a possibilidade das pessoas contornarem esse ideal atrav\u00e9s da sua consci\u00eancia individual respons\u00e1vel, permanece, mas deixa uma porta aberta. De facto temos a doutrina da Igreja configurada nos dogmas (verdades cient\u00edficas te\u00f3ricas da f\u00e9) que d\u00e3o coer\u00eancia e sustentabilidade \u00e0 Igreja e por outro lado a pastoral (lit\u00fargica, prof\u00e9tica e de servi\u00e7o) que \u00e9 a sua teologia aplicada e vivida sem perder a liga\u00e7\u00e3o ao exerc\u00edcio da autoridade da igreja petrina. <\/strong><\/p>\n<p>Para melhor se compreender a complexidade da quest\u00e3o, poder-se-ia estabelecer um paralelo simplificador entre o \u00e2mbito religioso e o \u00e2mbito civil: A dogm\u00e1tica (e o Papa) est\u00e1 para a Constitui\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses como a pastoral para o direito civil (A Constitui\u00e7\u00e3o regalaria o ideal e a lei faz a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o concreta das necessidades do cidad\u00e3o). De facto, <strong>para a Igreja, a pessoa \u00e9 centro e fonte de todo o direito: ela \u00e9 portadora do germe divino;<\/strong> a dignidade humana vem-lhe do facto de todo o ser humano (crente ou n\u00e3o crente) ser filho de Deus e como tal portador de um valor moral e espiritual inerente que o torna soberano em rela\u00e7\u00e3o aos seus actos e decis\u00f5es baseadas na sua consci\u00eancia respons\u00e1vel, n\u00e3o sendo subordinado a sacrificar novilhos aos \u00eddolos sociais e institucionais. O homo cristianos \u00e9 soberano, segue a sua consci\u00eancia mas forma-a a partir do n\u00f3s.<\/p>\n<p>Um outro dilema ser\u00e1: ou seguem a autoridade magistral do papa como ele a n\u00e3o quer, ou n\u00e3o seguem o Papa para seguirem a pr\u00f3pria servid\u00e3o de cariz caseiro. Sim porque o crist\u00e3o consciente, embora pense por ele, pensa a partir do n\u00f3s, compreende-se como indiv\u00edduo e como comunidade e sabe que a \u00e9tica \u00e9 transmitida pela igreja; o Deus de Jesus Cristo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dos crist\u00e3os, Ele \u00e9 de todos; \u00e9 comunidade e tamb\u00e9m pessoa encarnada. Da\u00ed a dif\u00edcil miss\u00e3o de uma igreja que se tem de manter cat\u00f3lica. Constitui sempre um desafio para a Igreja conseguir manter o balan\u00e7o entre indiv\u00edduo e comunidade entre consci\u00eancia e norma, entre as subculturas e a cultura que lhes d\u00e1 sustento.<\/p>\n<p>Na sociedade actual domina imperceptivelmente uma ideia do politicamente correcto e um certo sentimentalismo do bonzinho que podem ser t\u00e3o nefastos para o progresso do indiv\u00edduo e da sociedade como a viol\u00eancia que \u201cbons\u201d e \u201cmaus\u201d criticam. N\u00e3o chega ter um cora\u00e7\u00e3o bom, \u00e9 preciso activar tamb\u00e9m uma intelig\u00eancia iluminada, doutro modo chega-se ao ponto de se confundir justi\u00e7a com injusti\u00e7a (vejam-se diferentes problemas pol\u00edticos actuais). Uma atitude crist\u00e3 de identifica\u00e7\u00e3o com os humildes, de defesa dos pobres, da paz e dos direitos humanos implica grande capacidade de saber e de discernimento, porque nem todas as desigualdades sociais nem cada controlo nas fronteiras se pode declarar como n\u00e3o \u00e9ticos ou n\u00e3o crist\u00e3os. <strong>Quem exclui a negatividade da vida torna-se unilateral e ter\u00e1 de pagar a factura com a sa\u00fade ou faz\u00ea-la pagar a algu\u00e9m.<\/strong> A vida existencial \u00e9 polar e um polo n\u00e3o pode excluir o outro; n\u00e3o h\u00e1 o eu sem o outro nem o outro sem o eu, n\u00e3o h\u00e1 sombra sem sol. Importa fomentar uma sociedade de pessoas boas conscientes que s\u00e3o portadoras das for\u00e7as do bem e do mal mas com uma vontade forte de praticar o bem; a inconsci\u00eancia cria a esp\u00e9cie do mauzinho ou do bonzinho que cospem descontentamento.<\/p>\n<p>Jesus, no caso da mulher ad\u00faltera, prescindiu de explicar uma ideia de casamento, fam\u00edlia e sexualidade, deixando a an\u00e1lise do problema \u00e0 pessoa, \u00e0 Igreja e aos te\u00f3logos. Jesus n\u00e3o julga ningu\u00e9m definitivamente; a Igreja tamb\u00e9m n\u00e3o, ela sabe que a vida \u00e9 rela\u00e7\u00e3o resumida na f\u00f3rmula trinit\u00e1ria Pai-Filho-Par\u00e1clito e na de Deus com a sua cria\u00e7\u00e3o no mist\u00e9rio do Deus-Homem. O Par\u00e1clito acompanha cada pessoa e expressa-se de maneira relevante na rela\u00e7\u00e3o (cura animarum) entre o padre e o crist\u00e3o. Francisco I, como pastor, segue o princ\u00edpio de Jo\u00e3o: &#8220;Nem eu te condeno\u201d. Em vez de cavalgar no cavalo alto da moral, o Papa procura descer a todo o lugar onde h\u00e1 pessoas.<\/p>\n<p>Com \u201cA Alegria do Amor\u201d o papa n\u00e3o muda as leis da Igreja; apenas alarga o \u00e2mbito pastoral de reflex\u00e3o e de interpreta\u00e7\u00e3o. Pressup\u00f5e maior capacidade de reflex\u00e3o e de autonomia respons\u00e1vel no crist\u00e3o em geral e na pastoral. O pastor, o cura, n\u00e3o deixa de apregoar a f\u00e9 da Igreja, no di\u00e1logo \u00edntimo com o fiel deixa-se orientar por uma pedagogia da gra\u00e7a e deixa a este a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a doutrina cat\u00f3lica Deus tem um relacionamento directo com todas as pessoas, independentemente do facto de serem acompanhadas pastoralmente ou n\u00e3o. Na Cura de almas cada crist\u00e3o \u00e9 chamado e capacitado a exercer o cuidado pastoral de acompanhamento numa rela\u00e7\u00e3o de empatia com o irm\u00e3o e na consci\u00eancia de que faz parte de uma comunidade de vida espiritual.<\/p>\n<p><strong>O Papa defende-se dos cr\u00edticos<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cA Alegria do Amor\u201d, dirigida sobretudo ao clero, provocou cr\u00edticas nalguns cardeais que apresentaram d\u00favidas sobre o documento que trata do amor, da fam\u00edlia e do celibato. <\/strong>Os defensores da doutrina pura (dogm\u00e1tica) desejam saber se divorciados que casam de novo ou que vivem com uma outra pessoa podem participar no sacramento da comunh\u00e3o depois da absolvi\u00e7\u00e3o do sacramento da penit\u00eancia. <\/p>\n<p>Dentro da igreja e especialmente na c\u00faria vaticana formou-se resist\u00eancia contra ele e contra a sua exorta\u00e7\u00e3o porque t\u00eam medo de ele ir longe demais no seu desejo de mudan\u00e7a. O papa responde \u201c que n\u00e3o s\u00e3o as engelhas que devemos temer na igreja mas sim a sujeira\u201d porque os seus planos de reforma n\u00e3o s\u00e3o apenas opera\u00e7\u00f5es de beleza para eliminar as rugas. O papa quer ver nas reformas um sinal da veracidade e do processo do crescimento de uma Igreja viva que n\u00e3o cheire a naftalina. Aceita a opini\u00e3o dos cr\u00edticos e da discuss\u00e3o teol\u00f3gica mas adverte que n\u00e3o se refugiem por tr\u00e1s das apar\u00eancias de tradi\u00e7\u00f5es ou do habitual, alegando que a \u201cresist\u00eancia muitas vezes vem vestida em peles de cordeiro\u201d. <\/p>\n<p>O papa n\u00e3o respondeu directamente a quatro cardeais que voltaram \u00e0 quest\u00e3o argumentando terem escrito \u201cmovidos por um cuidado pastoral profundo\u201d.<br \/>\nNaturalmente nem o papa deve dispor da mensagem crist\u00e3, como obstam alguns, devendo apenas administr\u00e1-la. Facto \u00e9 que Francisco anuncia a mensagem crist\u00e3 e pratica-a. Francisco I procura Jesus Cristo tamb\u00e9m nas margens da sociedade e n\u00e3o apenas no endurecimento institucional. Ele exorta os padres a olharem para a sociedade com um olhar de m\u00e3e e n\u00e3o apenas com um olhar de pai rigoroso porque sabe que Deus \u00e9 pai e m\u00e3e.<br \/>\nComo dito, a questiona\u00e7\u00e3o do sacramento do matrim\u00f3nio n\u00e3o pode ir longe demais mesmo a pretexto da miseric\u00f3rdia. <\/p>\n<p><strong>Divorciados novamente casados podem frequentar os sacramentos<\/strong><\/p>\n<p>Francisco \u00e9 um papa que n\u00e3o se limita nem refugia na autoridade clerical. Quer renovar a igreja no que ela tem de exterior investindo numa pedagogia da miseric\u00f3rdia. Tamb\u00e9m na fam\u00edlia quer mais miseric\u00f3rdia pastoral no tratamento dos divorciados. A partir de agora, os padres \u2013 em sintonia com as confer\u00eancias episcopais &#8211; podem permitir o acesso ao sacramento da Comunh\u00e3o a divorciados recasados e invocar como fundamento a \u201cAmoris Laetitia\u201d.A exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica abre as portas aos divorciados recasados, e tem em conta a vida humana como processo e n\u00e3o como algo acabado num determinado momento da Hist\u00f3ria ou da vida, mas ao mesmo tempo n\u00e3o descura o aspecto org\u00e2nico da vida social. Acentua o aspecto pastoral sobre a dogm\u00e1tica (doutrina) nas convic\u00e7\u00f5es extramaritais. <strong>O papa reconhece de facto, a admiss\u00e3o dos divorciados recasados \u00e0 comunh\u00e3o em cada caso individual. O padre tem um papel de responsabilidade acrescentada de cuidar dos fi\u00e9is interessados na caridade pastoral. Nova \u00e9 a ideia introduzida pelo Papa ao possibilitar o voltar a casar e o receber os sacramentos da Penit\u00eancia e da Eucaristia, sem anula\u00e7\u00e3o do casamento anterior. <\/strong>Naturalmente, tamb\u00e9m esta via permanece aberta. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que exigem uma assist\u00eancia pastoral mais pessoal e que pressup\u00f5em uma grande capacidade de discernimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa e \u00e0 comunidade.<strong> Numa nota de rodap\u00e9 de &#8220;A Alegria do Amor&#8221;, o papa diz que divorciados novamente casados poderiam &#8220;em certos casos&#8221; tirar proveito da &#8220;ajuda dos sacramentos&#8221;. <\/strong>O papa restitui ao crist\u00e3o a responsabilidade de divorciados novamente casados, serem respons\u00e1veis e discretos ao aproximar-se do sacramento da comunh\u00e3o. Havia bispos que antes desta exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica recomendavam a comunh\u00e3o espiritual a divorciados novamente casados. Alguns bispos sugerem um processo de aprofundamento da pr\u00f3pria consci\u00eancia (uma via paenitentialis \u2013 caminho da penit\u00eancia) com o apoio de um bom acompanhante para depois de um exame de consci\u00eancia profundo, o crist\u00e3o seguir a pr\u00f3pria consci\u00eancia e esta decis\u00e3o ser respeitada. Francisco I apela para a responsabilidade da consci\u00eancia individual (como \u00faltima inst\u00e2ncia moral do crist\u00e3o). Um papa que no sentido crist\u00e3o deixa muita folga para a liberdade e responsabilidade individual pode ser inc\u00f3modo tamb\u00e9m numa sociedade civil, cada vez mais massificada e alienada pela ditadura do pensamento politicamente correcto (uma sociedade, por vezes pedante e ing\u00e9nua, que se julga apta a poder julgar outras sociedades n\u00e3o se dando conta que \u00e9 prisioneira do pr\u00f3prio esp\u00edrito do tempo tal como outras o foram). Naturalmente, n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil fazer despertar uma consci\u00eancia e uma atitude crist\u00e3 adulta numa polis em que as pessoas s\u00e3o demasiadamente condicionadas pelo ego infantil e pelo superego. <\/p>\n<p>O confession\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 uma \u201cc\u00e2mara de tortura\u201d mas sim um lugar de miseric\u00f3rdia; dele surgiu o aconselhamento psicol\u00f3gico laico. Porque nunca Por fim o que prevalecer\u00e1 ser\u00e1 a decis\u00e3o do penitente se dever\u00e1 ou n\u00e3o ir \u00e0 comunh\u00e3o. <\/p>\n<p>\u201cNa Igreja, a autoridade e a jerarquia s\u00e3o um servi\u00e7o\u201d, titula o \u201cObservatore Romano\u201d. \u201cAlegria do Amor\u201d, nas suas 300 p\u00e1ginas, deixa lugar para interpreta\u00e7\u00e3o e para experimenta\u00e7\u00e3o sem que os bispos se insurjam uns contra os outros nas diferentes posi\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 carta de Jo\u00e3o Paulo II &#8220;Familiaris Consortio&#8221; (1981). Ouvi do cardeal de Viena, Christoph Sch\u00f6nborn a afirma\u00e7\u00e3o de que o papa, com &#8220;laetitia Amoris&#8221;, permite em cada caso individual, a admiss\u00e3o \u00e0 comunh\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O Papa reformador que mexe com o mundo<\/strong><\/p>\n<p>Eleito papa a 13.03.2013, vive de maneira simples e sobressai nele o bra\u00e7o estendido para acolher, saudar e aben\u00e7oar. Na sua simplicidade e atitude atingiu os cora\u00e7\u00f5es do povo comum e mesmo daqueles que n\u00e3o cr\u00eaem. O papa procura estabelecer pontes em todo o lugar onde \u00e9 poss\u00edvel, na Su\u00e9cia esteve presente no in\u00edcio do 500\u00b0 anivers\u00e1rio do reformador protestante Lutero. Tamb\u00e9m o encontro do papa Francisco com o patriarca russo ortodoxo Kyrill I em Havana foi um grande passo: foi a primeira vez que um papa se encontrou com um patriarca de Moscovo. Em rela\u00e7\u00e3o aos refugiados solicita que se combata contra a \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a\u201d. Na sua visita \u00e0 Pol\u00f3nia foi um pouco inc\u00f3modo para com o governo ao defender a aceita\u00e7\u00e3o de refugiados. <strong>\u00c9 excelente na defesa do meio ambiente com a sua enc\u00edclica \u201cLaudato si&#8217; (24 de maio de 2015) ao estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o directa da explora\u00e7\u00e3o da terra (esgotamento dos recursos naturais) e da injusti\u00e7a social.<\/strong> Tornou poss\u00edvel o di\u00e1logo entre os Estados Unidos e Cuba e entre Israel e Palestina. Com a reforma da C\u00faria romana conseguiu juntar compet\u00eancias estabelecendo um minist\u00e9rio para assuntos de fam\u00edlia, leigos e protec\u00e7\u00e3o da vida e um outro para migra\u00e7\u00e3o, combate \u00e0 pobreza, direitos humanos e defesa do ambiente.  <\/p>\n<p>Sem mem\u00f3ria n\u00e3o h\u00e1 pensamento! A Igreja institucional \u00e9 o dep\u00f3sito da mem\u00f3ria que se vai sempre alargando e concretizando num di\u00e1logo \u00edntimo entre indiv\u00edduo e comunidade. <\/p>\n<p><strong>Para concluir: A solu\u00e7\u00e3o argentina apoiada pelo Papa<\/strong><\/p>\n<p>A exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal \u201cAmoris Laetitia\u201d (AL). \u201chttp:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/netimages\/file\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia_po.pdf, \u00e9 um documento com assunto controverso e pass\u00edvel de interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Quanto \u00e0 possibilidade de acesso \u00e0 comunh\u00e3o os bispos argentinos deduzem da AL  a  possibilita\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia da Comunh\u00e3o, depois de muita reflex\u00e3o e pondera\u00e7\u00e3o, para as pessoas em situa\u00e7\u00f5es canonicamente problem\u00e1ticas; nesse sentido determinaram orienta\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas.  <\/strong><\/p>\n<p>O Papa Francisco confirmou e aprovou a orienta\u00e7\u00e3o dos bispos  da regi\u00e3o de Buenos Aires (http:\/\/www.kathpedia.com\/index.php?title=Amoris_laetitia ) dizendo claramente  que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 outras interpreta\u00e7\u00f5es&#8221;; que, em casos individuais,<strong> os sacramentos s\u00e3o poss\u00edveis para os cat\u00f3licos &#8220;a viver em situa\u00e7\u00e3o objectiva de pecado&#8221;<\/strong>.  Pessoas a viver em situa\u00e7\u00e3o objectiva de pecado seriam sobretudo os recasados. <strong>De facto AL refere j\u00e1 no artigo 305 com a nota 351 que &#8220;a Eucaristia n\u00e3o \u00e9 uma recompensa para a perfei\u00e7\u00e3o, mas um generoso rem\u00e9dio e alimento para os fracos&#8221;.<\/strong> Isto n\u00e3o significa por\u00e9m um acesso indiscriminado aos sacramentos pois pressup\u00f5e-se um processo de discernimento no di\u00e1logo com o confessor acompanhado da reflex\u00e3o e da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As premissas est\u00e3o dadas na Amori Laetitia\u201d;  as consequ\u00eancias ser\u00e3o tiradas pelos bispos com o Papa no campo pastoral e na discuss\u00e3o teol\u00f3gica futura. AL n\u00e3o pode ser uma panaceia de receitas pelo que exige responsabilidade pessoal e eclesial. <strong>O  Cardeal Christoph Sch\u00f6nborn j\u00e1 adiantou que todas as declara\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias sobre o matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia devem ser lidas e observadas \u00e0 luz de &#8220;Amoris Laetitia&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Concretamente, os bispos argentinos alegam que \u00e9 de sugerir a divorciados recasados, se poss\u00edvel, a abstin\u00eancia sexual. Mas esta nem sempre \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel. No caso da culpa da pessoa em causa ser limitada ou trazer danos \u00e0s crian\u00e7as da nova rela\u00e7\u00e3o a &#8220;Amoris laetitia&#8221; abre a &#8220;possibilidade de acesso aos sacramentos da Reconcilia\u00e7\u00e3o e da Eucaristia&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Os pastores argentinos t\u00eam bem presente o esp\u00edrito do papa Francisco e os par\u00e1grafos de \u201cAlegria do Amor\u201d. De facto, \u201eas culturas s\u00e3o muito diferentes entre si e cada princ\u00edpio geral (&#8230;), se quiser ser observado e aplicado, precisa de ser insculturado\u201d\u00bb<\/strong> (AL 3). \u00abA Igreja n\u00e3o deixa de valorizar os elementos construtivos nas situa\u00e7\u00f5es que ainda n\u00e3o correspondem ou j\u00e1 n\u00e3o correspondem \u00e0 sua doutrina sobre o matrim\u00f4nio\u00bb (AL 292). \u00abTrata-se de integrar a todos, deve-se ajudar cada um a encontrar a sua pr\u00f3pria maneira de participar na comunidade eclesial, para que se sinta objeto duma miseric\u00f3rdia \u201cimerecida, incondicional e gratuita\u201d\u00bb(AL 297). E ainda: \u00abOs divorciados que vivem numa nova uni\u00e3o, por exemplo, podem encontrar-se em situa\u00e7\u00f5es muito diferentes, que n\u00e3o devem ser catalogadas ou encerradas em afirma\u00e7\u00f5es demasiado r\u00edgidas, sem deixar espa\u00e7o para um adequado discernimento pessoal e pastoral\u00bb (AL 298). N\u00e3o devem sentir-se excomungados, mas podem viver e maturar como membros vivos da Igreja (\u2026). Esta integra\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria tamb\u00e9m para o cuidado e a educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos seus filhos\u00bb (AL 299). O grau de responsabilidade n\u00e3o \u00e9 igual em todos os casos\u201d, as consequ\u00eancias ou efeitos de uma norma n\u00e3o devem necessariamente ser sempre os mesmos\u00bb (AL 300). \u00ab\u00c9 verdade que as normas gerais apresentam um bem que nunca se deve ignorar nem transcurar, mas, na sua formula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podem abarcar absolutamente todas as situa\u00e7\u00f5es particulares. Ao mesmo tempo \u00e9 preciso afirmar que, precisamente por esta raz\u00e3o, aquilo que faz parte de um discernimento pr\u00e1tico duma situa\u00e7\u00e3o particular n\u00e3o pode ser elevado \u00e0 categoria de norma\u00bb (AL304). http:\/\/arquisp.org.br\/noticias\/leia-a-sintese-da-exortacao-a-alegria-do-amor . <\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de divorciados pode perturbar a mente e deste modo a liberdade\u2026 o que objectivamente poderia, \u00e0 primeira vista, ser considerado como situa\u00e7\u00e3o objectivamente defeituosa pode, subjectivamente, ser considerada boa. At\u00e9 o direito civil penal conhece a situa\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica\u2026<\/p>\n<p>Na Igreja peregrina a vida \u00e9 processo. Tamb\u00e9m o Conc\u00edlio Vaticano II j\u00e1 n\u00e3o via o casamento como contrato mas como alian\u00e7a, abandonado assim a vis\u00e3o de casamento que via a procria\u00e7\u00e3o como objectivo principal do casamento. Com o div\u00f3rcio acaba a liga\u00e7\u00e3o pessoal entre os c\u00f4njuges divorciados.  <\/p>\n<p>O caracter da indissolubilidade (3) assenta no facto da uni\u00e3o assumir o caracter divino (Rom 11, 29); este faz do div\u00f3rcio tamb\u00e9m uma viola\u00e7\u00e3o dos mandamentos, o que complica a realiza\u00e7\u00e3o de um novo casamento pela igreja e a liberdade dos divorciados se sentirem desvinculados embora a rala\u00e7\u00e3o com um outro parceiro j\u00e1 n\u00e3o ser considerada de rela\u00e7\u00e3o sexual ad\u00faltera; o novo casamento tamb\u00e9m pode ser nulo mas n\u00e3o pecaminoso. <\/p>\n<p><strong>Os mais fortes na f\u00e9 e mais perto do ideal de Cristo n\u00e3o precisam de se sentir enganados com a sua asc\u00e9tica e fidelidade a Deus perante os que frequentam a comunh\u00e3o sem serem t\u00e3o consequentes.<br \/>\nO documento deixa lugar para interpreta\u00e7\u00e3o e para a controv\u00e9rsia num processo de vida e de discurso que consta de resolu\u00e7\u00e3o de problemas. A Exorta\u00e7\u00e3o constitui a base para a admiss\u00e3o dos divorciados recasados \u00e0 comunh\u00e3o, como comenta a maioria dos cardeais e bispos.<\/strong> N\u00e3o coloca limites \u00e0 integra\u00e7\u00e3o dos recasados, pressup\u00f5e por\u00e9m o cultivo da consci\u00eancia.<br \/>\n<strong><br \/>\nA abertura n\u00e3o deve criar confus\u00e3o na doutrina da indissolubilidade do matrim\u00f3nio. \u00c9 preciso formar consci\u00eancias e n\u00e3o substitu\u00ed-las.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a9<strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nTe\u00f3logo e pedagogo<br \/>\nPegadas do Tempo,<br \/>\n(1)\t\u00c9TICA ENTRE CONVIC\u00c7\u00c3O E RESPONSABILIDADE: https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3884;  \u00c9tica Republicana https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3895 ; Um Exemplo De \u00c9tica Republicana Socialista Aplicada: http:\/\/www.solnet.com\/09set16\/pena&#038;lap\/penalap3.htm ; POL\u00cdTICA DO POSTFACTO &#8211; \u00c9TICA ENTRE CONVIC\u00c7\u00c3O E RESPONSABILIDADE \u2013 DO COMPROMISSO \u00c9TICO ENTRE IDEALISMO E REALISMO: http:\/\/antonio-justo.blogspot.de\/2016\/10\/politica-do-postfacto-etica-entre.html; \u00c9tica da Responsabilidade pressup\u00f5e a Educa\u00e7\u00e3o para a Liberdade: http:\/\/palopnews.com\/index.php\/cronistas\/antoniojusto\/1721;. O div\u00f3rcio da pol\u00edtica e da \u00e9tica: http:\/\/www.debatesculturais.com.br\/o-divorcio-da-politica-e-da-etica\/ ; Num outro texto escreverei sobre a \u00e9tica de timbre crist\u00e3o! Estaria disposto a publicar livro se fosse manifestado interesse.<br \/>\n(2)\tNo que toca ao aborto, \u00e0 teoria do g\u00e9nero e ao casamento gay permanece como orienta\u00e7\u00e3o o catecismo da Igreja cat\u00f3lica. Deixa \u00e0 consci\u00eancia individual a decis\u00e3o interior sobre o emprego de meios de anticonceptivos e sobre a decis\u00e3o de recasados irem \u00e0 comunh\u00e3o.<br \/>\n(3)\tO Evangelho diz \u201cAquele que se casa novamente ap\u00f3s o div\u00f3rcio comete adult\u00e9rio (Lc 16:18; Mc 10:11; Mt 5,32; 19,9) e acrescenta &#8220;O que Deus uniu, n\u00e3o o deve separar o homem&#8221; (Mc 10,2-9; Mt 19,3-8); \u201cquem se divorciar de sua esposa, (&#8230;) destr\u00f3i o seu casamento! &#8220;( Mat. 5, 32). Assim se reconhece diferentes n\u00edveis de culpa. O arrependimento e a hist\u00f3ria individual (consci\u00eancia) s\u00e3o essenciais na avalia\u00e7\u00e3o, o que leva o assunto a ser um caso individual e a ser resolvido como tal. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Divorciados recasados admitidos aos sacramentos Por Ant\u00f3nio Justo Com a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica &#8220;A Alegria do Amor&#8221; Francisco I provoca uma nova liberdade pastoral e uma &#8220;descentraliza\u00e7\u00e3o salutar&#8221; nas rela\u00e7\u00f5es entre a igreja mundial e as igrejas locais. Fundamenta uma certa flexibilidade na doutrina em quest\u00f5es de moral sexual, sem definir novas regras. 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