{"id":4028,"date":"2017-01-10T18:33:12","date_gmt":"2017-01-10T17:33:12","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4028"},"modified":"2017-01-11T11:18:56","modified_gmt":"2017-01-11T10:18:56","slug":"morreu-mario-soares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4028","title":{"rendered":"MORREU M\u00c1RIO SOARES"},"content":{"rendered":"<div id=\"js_5e9\" class=\"_5pbx userContent\" data-ft=\"{&quot;tn&quot;:&quot;K&quot;}\">\n<p>Morreu M\u00e1rio Soares &#8211; um homem com muitos defeitos e virtudes; n\u00e3o tinha medo dos defeitos e sabia o que queria conseguindo erguer-se da mediania fazendo muito de bem e muito de mal.<br \/>\nReproduzo aqui uma frase de M\u00e1rio Soares que diz muito, hoje citada no jornal alem\u00e3o HNA: \u201cEu sou um pobre homem, que teve a sorte de ter assumido cargos e, assim, ter raz\u00e3o &#8221; (\u201eIch bin ein armer Mann, der das Gl\u00fcck hatte, Positionen zu beziehen und damit recht zu haben&#8221;!<\/p>\n<p><strong>Junto o ultimato de Fernando Pessoa por ser hist\u00f3rico, sempre actual e dar que pensar.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;ULTIMATUM<br \/>\nFora tu,<br \/>\nreles<span class=\"text_exposed_show\"><br \/>\nesnobe<br \/>\nplebeu<br \/>\nE fora tu, imperialista das sucatas,<br \/>\ncharlat\u00e3o da sinceridade<br \/>\ne tu, da juba socialista, e tu, qualquer outro<br \/>\nUltimatum a todos eles<br \/>\ne a todos que sejam como eles,<br \/>\ntodos.<br \/>\nMonte de tijolos com pretens\u00f5es a casa<br \/>\nin\u00fatil luxo, megalomania triunfante<br \/>\ne tu, Brasil, blague de Pedro \u00c1lvares Cabral<br \/>\nque nem te queria descobrir<br \/>\nUltimatum a v\u00f3s que confundis o humano com o popular,<br \/>\nque confundis tudo!<br \/>\nV\u00f3s, anarquistas deveras sinceros<br \/>\nsocialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores<br \/>\npara quererem deixar de trabalhar.<br \/>\nSim, todos v\u00f3s que representais o mundo,<br \/>\nhomens altos,<br \/>\npassai por baixo do meu desprezo.<br \/>\nPassai aristocratas de tanga de ouro,<br \/>\npassai frouxos.<br \/>\nPassai radicais do pouco!<br \/>\nQuem acredita neles?<br \/>\nMandem tudo isso para casa<br \/>\ndescascar batatas simb\u00f3licas<br \/>\nfechem-me isso tudo a chave<br \/>\ne deitem a chave fora.<br \/>\nSufoco de ter somente isso \u00e0 minha volta.<br \/>\nDeixem-me respirar!<br \/>\nAbram todas as janelas<br \/>\nAbram mais janelas<br \/>\ndo que todas as janelas que h\u00e1 no mundo.<br \/>\nNenhuma id\u00e9ia grande,<br \/>\nnenhuma corrente pol\u00edtica<br \/>\nque soe a uma id\u00e9ia gr\u00e3o!<br \/>\nE o mundo quer a intelig\u00eancia nova,<br \/>\na sensibilidade nova.<br \/>\nO mundo tem sede de que se crie.<br \/>\nO que a\u00ed est\u00e1 a apodrecer a vida,<br \/>\nquando muito, \u00e9 estrume para o futuro.<br \/>\nO que a\u00ed est\u00e1 n\u00e3o pode durar<br \/>\nporque n\u00e3o \u00e9 nada.<br \/>\nEu, da ra\u00e7a dos navegadores,<br \/>\nafirmo que n\u00e3o pode durar!<br \/>\nEu, da ra\u00e7a dos descobridores,<br \/>\ndesprezo o que seja menos<br \/>\nque descobrir um novo mundo.<br \/>\nProclamo isso bem alto,<br \/>\nbra\u00e7os erguidos,<br \/>\nfitando o Atl\u00e2ntico<br \/>\ne saudando abstratamente o infinito.\u201d \u00c1lvaro de Campos \u2013 1917<\/span><\/p>\n<p>O ultimato de Fernando Pessoa apresenta a parte sombria de quem brilha na pra\u00e7a p\u00fablica sorvendo o brilho dos outros. Os crentes laicos\/seculares instrumentalizam a democracia e exageram tamb\u00e9m na venera\u00e7\u00e3o e culto dos seus \u201csantos\u201d que querem impor, a todo o custo, a toda a sociedade. Hoje a opini\u00e3o p\u00fablica portuguesa n\u00e3o tem possibilidade de sair de uma mentalidade que festeja a mediocridade dos seus \u201cher\u00f3is\u201d porque se encontra, de uma maneira geral, nas m\u00e3os de feitores n\u00e3o interessados em dar a conhecer os seus actos. S\u00e3o os actores e os interperetadores dos seus actos. A Soares se deve tamb\u00e9m a exist\u00eancia do partido comunista quando na Europa estes j\u00e1 desapareceram, por serem meramente ideol\u00f3gicos. Na Fran\u00e7a ele negociou com o partido comunista a entrega incondicional das col\u00f3nias portuguesas aos guerrilheiros. A formatiza\u00e7\u00e3o ma\u00e7\u00f3nica-esquerda dos Media nacionais e da opini\u00e3o p\u00fablica \u00e9 de tal ordem que torna dif\u00edcil qualquer discuss\u00e3o objectiva s\u00e9ria. Na pra\u00e7a temos informa\u00e71bo generalista e n\u00e3o temos um jornal de cultura popular geral que se possa afirmar contra os interesses corporativistas, a n\u00e3o ser a bola para a forma\u00e7\u00e3o clubista. Causa tristeza, como a morte de M\u00e1rio Soares \u00e9 utilizada pelos pol\u00edticos e pelos M\u00eddea de maneira t\u00e3o absorvente, unilateral e devota: uma verdadeira lavagem ao c\u00e9rebro que a continuar assim n\u00e3o fomenta esp\u00edritos com capacidade de discernir continuando o pa\u00eds, de uma maneira geral, a pensar cada vez mais na mesma.<\/p>\n<p>Independentemente dos aspectos positivos e negativos do regime de direita de Salazar e do regime de esquerda, iniciado com o 25 de Abril, o grande problema da sociedade portuguesa est\u00e1 em delegar a consci\u00eancia nacional na consci\u00eancia partid\u00e1ria e num culto de pessoas. De facto demos a independ\u00eancia aos outros e atrai\u00e7oamos a nossa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Marcelo Caetano, ao falar sobre o 25 de Abri, citado em <a href=\"http:\/\/portadaloja.blogspot.de\/\">Portugal<\/a> da Loja profetizou: \u201cEm poucas d\u00e9cadas estaremos reduzidos \u00e0 indig\u00eancia, ou seja, \u00e0 caridade de outras na\u00e7\u00f5es, pelo que \u00e9 rid\u00edculo continuar a falar de independ\u00eancia nacional. Para uma na\u00e7\u00e3o que estava a caminho de se transformar numa Su\u00ed\u00e7a, o golpe de Estado foi o princ\u00edpio do fim. Resta o Sol, o Turismo e o servilismo de bandeja, a pobreza cr\u00f3nica e a emigra\u00e7\u00e3o em massa.\u201d<br \/>\n\u201cVeremos al\u00e7ados ao Poder analfabetos, meninos mimados, escroques de toda a esp\u00e9cie que conhecemos de longa data. A maioria n\u00e3o servia para criados de quarto e chegam a presidentes de c\u00e2mara, deputados, administradores, ministros e at\u00e9 presidentes de Rep\u00fablica.\u201d<br \/>\n\u00c9 natural e leg\u00edtimo que em pol\u00edtica se tentem fazer valer os diferentes interesses partid\u00e1rios e as diferentes ideologias. O que n\u00e3o \u00e9 natural \u00e9 que um pa\u00eds t\u00e3o multifacetado n\u00e3o saia da mediocridade continuando a dan\u00e7ar \u00e0 volta dos seus bezerros pol\u00edticos que actuam sem vergonha \u00e0 custa da honra do povo. N\u00e3o quero com isto estragar o humor ao socialistas e ao seu direito a festejar; -est\u00e3o de parab\u00e9ns porque s\u00e3o espertos e sabem fazer da na\u00e7\u00e3o a sua mangedoura num pa\u00eds onde o poder dos cargos \u00e9 raz\u00e3o.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Soares teve uma grande virtude que poderia ser programa para todos: o amor pela liberdade!<\/p>\n<p>Que Deus tenha M\u00e1rio Soares em eterno descanso e ilumine os multiplicadores de cultura e pol\u00edtica no sentido de um Portugal de todos e honrado.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morreu M\u00e1rio Soares &#8211; um homem com muitos defeitos e virtudes; n\u00e3o tinha medo dos defeitos e sabia o que queria conseguindo erguer-se da mediania fazendo muito de bem e muito de mal. 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