{"id":4011,"date":"2016-12-22T12:55:35","date_gmt":"2016-12-22T11:55:35","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4011"},"modified":"2016-12-22T15:06:54","modified_gmt":"2016-12-22T14:06:54","slug":"atentado-contra-os-sistemas-politicos-ocidentais-e-contra-o-cristianismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=4011","title":{"rendered":"ATENTADO CONTRA OS SISTEMAS POL\u00cdTICOS OCIDENTAIS E CONTRA O CRISTIANISMO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Berlim como s\u00edmbolo do cristianismo e Nice como s\u00edmbolo da Rep\u00fablica<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>Por <strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O atentado em Berlim provocou 12 mortos e 49 feridos (destes encontram-se 14 em perigo de vida). Eram pessoas que se alegravam como outros, nos milhares de mercados de natal que tradicionalmente se realizam durante as quatro semanas de advento, em todas as cidades e aldeias da Alemanha. Fica a compaix\u00e3o com as v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pol\u00edcia judici\u00e1ria Federal alem\u00e3 busca o tunisino Anis Amri, disponibilizando um pr\u00e9mio de recompensa pela captura que vai at\u00e9 100.000 euros. No cami\u00e3o foram encontradas impress\u00f5es digitais e os documentos do refugiado tunesino (tolerado) de 24 anos de idade (em posse de diversos documentos de identidade); Anis Amri j\u00e1 tinha sido condenado a quatro anos de pris\u00e3o na It\u00e1lia mas a Tun\u00edsia n\u00e3o o aceitou e ele depois de cumprida a pena submergiu na sociedade pedindo depois ref\u00fagio na Alemanha. A Alemanha tolerava-o dado n\u00e3o o poder enviar para a Tun\u00edsia. Os Verdes n\u00e3o est\u00e3o de acordo considerar os pa\u00edses do norte de \u00e1frica como pa\u00edses seguros onde se possa reenviar refugiados n\u00e3o reconhecidos como tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O delinquente islamista era &#8220;soldado do Estado Isl\u00e2mico&#8221;, segundo declarou o porta-voz do EI Amak.Os extremistas consideram \u201csoldados\u201d do isl\u00e3o quem \u00e9 jihadista e se torna m\u00e1rtir no exerc\u00edcio de ac\u00e7\u00f5es ou miss\u00f5es para atingirem os seus fins. Neste sentido o assassino poderia ser considerado \u201csoldado\u201d da sua guerra santa, mesmo sem pertencer ao IS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas de boa vontade e o povo alem\u00e3o encontram-se assustados e tristes e a chanceler sente-se \u201chorrorizada, chocada e profundamente triste\u201d. Para estas coisas \u201cn\u00e3o h\u00e1 respostas simples\u201d, confessa ela. Este \u00e9 o maior ataque na Alemanha que atinge profundamente a chanceler dos refugiados.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Atentado contra os s\u00edmbolos da cultura ocidental<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O atentado de Berlim repete a estrat\u00e9gia do atentado de Nice perpetrado na Fran\u00e7a a 14 de julho passado, dia nacional da Rep\u00fablica, e que provocou 86 mortos e 400 feridos. Na Fran\u00e7a s\u00e3o atacados os valores republicanos da revolu\u00e7\u00e3o francesa e em Berlim \u00e9 atacado o cristianismo, como sua fonte.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do grande empenho e da alta compet\u00eancia e actividade do sistema de seguran\u00e7a nacional, a Alemanha n\u00e3o conseguiu impedir o que um dia teria de acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O islamismo fan\u00e1tico est\u00e1 consciente da import\u00e2ncia dos s\u00edmbolos, dos mitos e das ideias como motivadores de ac\u00e7\u00e3o e como fundamentos em que assenta a hist\u00f3ria de toda a cultura, na\u00e7\u00e3o ou civiliza\u00e7\u00e3o. Por isso escolhem bem os espa\u00e7os e os tempos da sua interven\u00e7\u00e3o na sua luta anti-cultural.<\/strong> <strong>O mercado atacado tem grande densidade de significado e conte\u00fado: fica mesmo ao lado da \u201cIgreja do Memorial\u201d, que \u00e9 s\u00edmbolo da paz e da reconcilia\u00e7\u00e3o e como mercado do advento prepara a festa do Natal. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A log\u00edstica do fanatismo cria rituais e contra-s\u00edmbolos como mensagens estatu\u00eddas, nos minaretes do tempo, a avisar contra os s\u00edmbolos dos advers\u00e1rios.<\/strong> De fora operam com atentados, de dentro n\u00e3o aceitando as can\u00e7\u00f5es de natal ou a festa do s\u00e3o martinho, cruzes, etc. Pelo que observo, nas sociedades onde se encontram, como pessoas s\u00e3o geralmente muito simp\u00e1ticas mas como grupo religioso, geralmente lutam pelo seu direito de grupo mas n\u00e3o pela humanidade ou pelos direitos da pessoa (a defesa destes enfraqueceria o grupo!).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema n\u00e3o est\u00e1 nos refugiados mas na ideologia. N\u00e3o se trata agora de criminalizar tantos refugiados v\u00edtimas da guerra nem de abdicar de uma sociedade aberta e livre mas de levar os chegados a abrir-se \u00e0 abertura que lhes permite serem eles (e, por outro lado verificar at\u00e9 que ponto os imigrados s\u00e3o integr\u00e1veis; sim porque <strong>uma civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode transformar-se numa floresta aberta<\/strong>). N\u00e3o chega perseguir aqueles que em nome do Isl\u00e3o praticam a barbaridade, \u00e9 preciso que o isl\u00e3o se transforme de maneira a aceitar os outros como pessoas e n\u00e3o apenas como crentes de um lado e advers\u00e1rios do outro. Doutro modo o Ocidente passa a viver na reac\u00e7\u00e3o ao medo e na ca\u00e7a daqueles que alimentam a suas energias negativas a partir do Cor\u00e3o (at\u00e9 surgiu a ideia de encerrar todos os mercados de natal na Alemanha assim como a de evitar festas de natal nos jardins de inf\u00e2ncia ou nas escolas para se n\u00e3o ferirem susceptibilidades isl\u00e2micas! Entretanto optaram por colocar cubos de cimento nos acessos aos mercados de natal). H\u00e1 que purificar as \u00e1guas do abuso na fonte, doutro modo tudo n\u00e3o passar\u00e1 de maculatura. <strong>Uma sociedade aberta n\u00e3o se pode desculpar por ter de defender a abertura, uma sociedade aberta tem o direito de exigir dos h\u00f3spedes tamb\u00e9m a abertura que eles exigem para si.<\/strong> Doutro modo autodestr\u00f3i-se. Combater os nazis e seus dizeres e ignorar os dizeres (suras) do Cor\u00e3o que s\u00e3o mais desumanos que os dizeres dos nazis \u00e9 confundir e enganar a sociedade. O Cor\u00e3o precisaria de ter notas explicativas que neutralizassem a guerra e que justificam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pol\u00edticos e a economia s\u00e3o os mais respons\u00e1veis do estado a que chegamos porque pretendem enganar o cidad\u00e3o dizendo que <strong>na guerra declarada \u00e0 cultura ocidental se trata apenas de casos individuais ou de grupos extremistas e, por isso, n\u00e3o exigem o estabelecimento de acordos bilaterais de abertura que assegurem nas sociedades isl\u00e2micas o respeito pelos crist\u00e3os e ateus como acontece nas sociedades ocidentais com os mu\u00e7ulmanos. A troca e o interc\u00e2mbio n\u00e3o \u00e9 suficiente nem honesta se uma parte se preocupa apenas com o dinheiro como se o mundo se reduzisse a um supermercado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que uma cultura se afirma em grande parte pela economia e tecnologia mas estas n\u00e3o s\u00e3o monop\u00f3lio eterno do Ocidente e no futuro quem mais se afirmar\u00e1 ser\u00e3o as culturas com economias fortes. O ocidente vive na ilus\u00e3o de poder continuar a abdicar da sua cultura e s\u00f3 com a economia e meia d\u00fazia de valores desencarnados poder continuar a influenciar determinantemente o mundo sem uma plataforma cultural vivida; equivoca-se n\u00e3o se tornando consciente das raz\u00f5es da sua decad\u00eancia. Nos in\u00edcios havia a guerra entre tribos, depois entre na\u00e7\u00f5es e agora d\u00e1-se entre civiliza\u00e7\u00f5es. <strong>O ocidente encontra-se num momento da Hist\u00f3ria semelhante ao dos judeus no tempo em que os romanos lhe destru\u00edram o templo. Deles poderia o Ocidente e em especial a Europa aprender muito. <\/strong>O povo judeu integrou nele \u00a0a interculturalidade sem perder nem renegar a sua identidade. Por isso continua a ser no mundo uma refer\u00eancia positiva e ao mesmo tempo, com o cristianismo, um grande impulsionador da hist\u00f3ria humana. Nos pa\u00edses onde os judeus se encontram, a civiliza\u00e7\u00e3o avan\u00e7a sem que se imponham. Estes poderiam constituir para as elites europeias um exemplo de abertura e de autodefini\u00e7\u00e3o na medida em que ad intra se aceitam como judeus crentes e judeus seculares e ad extra se afirmam no respeito pelas leis que vigoram nos pa\u00edses onde se integram sem quaisquer devaneios ideol\u00f3gicos de grupo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">A culpa repartida traz mais juros para as partes<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem \u00e9 o culpado do atentado? O assassino, o EI, o Isl\u00e3o? Esta \u00e9 uma quest\u00e3o complicada e dif\u00edcil de responder na nossa sociedade, habituada a culpar o cristianismo pelas maldades acontecidas em \u00e9pocas passadas. O ressentimento \u00e9 alimentado e cultivado por grupos de interesses que se aproveitam do sistema e procuram justificar-se buscando a culpa nos outros. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por vezes tem-se a impress\u00e3o que a culpa repartida traz mais juros para todos os grupos de interesses organizados no Estado, de forma aut\u00f3noma, mesmo contra os interesses da na\u00e7\u00e3o e do povo. Por vezes tenho a impress\u00e3o de encontrar um certo paralelo na atitude de tanatofilia dos suicidas bomba mu\u00e7ulmanos na defesa do isl\u00e3o e uma atitude de tanatofilia de muita gente da esquerda radical que consciente ou inconscientemente disputa pela morte da pr\u00f3pria cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Independentemente da realidade manifestada nos factos, cada partido reage aos atentados segundo a sua ideologia e programa, o que \u00e9 natural em democracia. O que se torna estranho \u00e9 o facto dos advers\u00e1rios de dentro se aproveitarem do inimigo de fora como aliado de luta para defesa da pr\u00f3pria ideologia e ataque da do concorrente pol\u00edtico; o factual passa \u00e0 margem e o todo tamb\u00e9m. Agora, na rua, formam-se manifesta\u00e7\u00f5es paralelas da direita e da esquerda, umas contra as outras; o que n\u00e3o se v\u00ea s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es de mu\u00e7ulmanos contra a barbaridade cometida. Procura-se tirar capital pol\u00edtico das ac\u00e7\u00f5es abomin\u00e1veis em que cada parte aponta no sentido do polo contr\u00e1rio. <strong>Alguns falam de \u201cmortos de Merkel\u201d e da culpa da pol\u00edtica de refugiados do governo alem\u00e3o, outros v\u00eam no acontecido um mal menor numa sociedade aberta, outros sentem satisfa\u00e7\u00e3o e interesse em que se caia no caos, porque este lhes ofereceria mais oportunidades, que uma sociedade ordenada e pr\u00f3spera n\u00e3o ofereceria. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A disc\u00f3rdia e a luta de uns partidos contra os outros \u00e9 aquilo que mais alegra e d\u00e1 for\u00e7a aos islamistas. A sociedade se n\u00e3o quer ver a sua liberdade roubada ter\u00e1 de a defender, mas a sociedade de interesses encontra-se polarmente dividida predominantemente empenhada em fazer valer os interesses de uma parte contra os da outra perdendo-se na concorr\u00eancia partid\u00e1ria sem se empenhar por encontrar um consenso do que constitui as colunas da pr\u00f3pria identidade cultural que possibilita a uns e outros uma exist\u00eancia baseada na sustentabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos problemas da din\u00e2mica democr\u00e1tica junta-se os par\u00e2metros de uma outra sociedade concebida em termos fascistas que se exprimem, cada vez mais, numa sociedade com mais de 5 milh\u00f5es de mu\u00e7ulmanos (quatro milh\u00f5es de turcos cujas associa\u00e7\u00f5es que de facto se sentem mais ligadas a Erdogan do que \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o alem\u00e3). Os interesses de uns e de outros encontram-se \u00e0 mistura e repartidos por diferentes fac\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f3micas, todas elas interessadas no neg\u00f3cio com eles.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O isl\u00e3o-pol\u00edtico conhece bem as fraquezas do Ocidente que, sem uma identidade comum ser\u00e1 f\u00e1cil de dividir ainda mais e de dominar tal como aconteceu a Roma perante os vizinhos b\u00e1rbaros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto o terrorismo internacional servir os interesses de algum grupo dentro de um pa\u00eds, ele n\u00e3o poder\u00e1 ser combatido consequentemente sem haver \u201cguerra-civil\u201d ideol\u00f3gica. Haver\u00e1 sempre a compreens\u00e3o e os aliados que sacrificam a v\u00edtima em favor da agress\u00e3o, tal como acontece hoje na S\u00edria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto n\u00e3o se trata j\u00e1 de <strong>deixar o terrorismo entrar na sociedade<\/strong>, ele j\u00e1 se encontra nela, camuflado de diferentes formas; o que se combate fora encontra-se dentro e vice-versa. Torna-se grutesco que v\u00edtimas da injusti\u00e7a se tornem injustas tornando suas v\u00edtimas os humanos que os acolhem. A guerra gera guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A paz n\u00e3o pode ter um s\u00f3 sentido em vias paralelas, pois nunca nos encontrar\u00edamos, doutro modo ganhar\u00e1 o que tiver a estrat\u00e9gia de autoafirma\u00e7\u00e3o exclusiva e mais agressiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O atentado de Berlim n\u00e3o \u00e9 um ataque \u00e0 Alemanha mas aos fundamentos da sua identidade na sua vertente religiosa do Natal e na vertente pol\u00edtica da revolu\u00e7\u00e3o francesa. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar das provoca\u00e7\u00f5es na pr\u00f3pria casa, os crist\u00e3os t\u00eam de defender a abertura que lhe \u00e9 pr\u00f3pria na conviv\u00eancia com o pr\u00f3ximo; para o crist\u00e3o a dignidade \u00e9 inerente ao homem e n\u00e3o a uma confiss\u00e3o. No caso, como se trata de interesses pol\u00edticos n\u00e3o seria oportuno, depois de se ter apanhado na face direita, oferecer a esquerda, mas de fugir ao c\u00edrculo vicioso de pagar o mal com o mal. O \u00f3dio \u00e9 o pior companheiro porque, al\u00e9m de vingativo e cegar, traz consigo danos emocionais, f\u00edsicos e espirituais. O mal n\u00e3o vem de fora; ele s\u00f3 se afirma porque se encontra dentro de n\u00f3s e na sociedade que deformamos.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Berlim como s\u00edmbolo do cristianismo e Nice como s\u00edmbolo da Rep\u00fablica Por Ant\u00f3nio Justo O atentado em Berlim provocou 12 mortos e 49 feridos (destes encontram-se 14 em perigo de vida). 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